O outro lado de um romance (estrelando Gigi Hadid, Zayn Malick e a Vogue de maio)

Lá se vão muitos meses desde que escrevi esse texto aqui, falando sobre a W de setembro e a nova geração de modelos (agora nem tão nova, né?) que surgiu nos últimos anos. Mas confesso que mesmo depois de tanto tempo, minha fase de amor pela Gigi Hadid, uma dessas modelos que despontou como um meteoro no mundo da moda, ainda não passou.

E essa semana, além de tê-la visto como jurada do episódio de Snatch Game da oitava temporada de RuPaul’s Drag Race (volto a recomendar que vocês assistam essa season porque ela tá maravilhosa!), a vi também em um editorial lindo divulgado pela Vogue US e que estará na edição de maio agora da revista.

Mas como dá pra ver nas fotos que abriram esse post, Gigi não aparece sozinha no editorial. Zayn Malick, aquele que queria ser um cara normal de 22 anos, aparece nas fotos como o par romântico da modelo. E se já seria interessante por si só juntar duas grandes estrelas em um editorial como esse, imagine então juntar especialmente ESSAS duas estrelas, que vem namorando desde o final do ano passado e que acabaram se tornando um dos mais jovens casais do show business.

Quando colocado nesses termos, – que são meio duros e cínicos, eu admito, mas que são reais – eu fico aqui imaginando como deve ser ter um relacionamento tão exposto assim na mídia. Quando ao invés de apenas uma outra pessoa, você precisa lidar com toda uma legião de fãs, haters, fofocas, invenções, flagras, intromissões…

Por isso acho esse editorial da Vogue ainda mais especial. Ele faz questão de falar do outro lado desse romance público. Do lado que só faz bem, que só faz a gente sorrir, que só faz a gente sentir a felicidade dos dois. Do lado que só mostra de fato um cara de 22 anos (agora 23, na real) apaixonado por uma menina de 20. Linda, feliz e apaixonada tanto quanto por ele.

E ah, que fala também de um casal que tem uma sorte de poucos, afinal quantas pessoas no mundo já tiveram uma tarde de namoro registrada pelas lentes do Mario Testino, em Nápoles, usando roupas da Dolce & Gabbana, Prada, Miu Miu e Victoria Beckham?

Em ambientes externos ou fechados, pretas ou brancas, as fotos estão maravilhosas e com uma luz que soa de uma naturalidade apaixonante. É como se fosse tudo apenas luz natural. Entrando pela janela enquanto eles se beijam, aquecendo o lençol da cama e iluminando o rosto de Gigi.

E ainda que o ensaio seja do casal, eles também têm seus momentos individuais no editorial,  algo que, coincidência ou não, mostra um pouco do que vem acontecendo na vida real: Gigi vem brilhando mais do que nunca, seja nas passarelas, nas fotos ou mesmo nas redes sociais, onde ela é um fenômenos inquestionável. Enquanto isso, Zayn estreou com seu primeiro álbum na carreira solo, Mind of Mine, no topo da parada da Billboard. Um feito, no mínimo, louvável.

Pelo menos pra mim, provas bastante concretas de que a felicidade de um par é uma consequência bastante direta da felicidade de cada um.

Bisous, bisous e até amanhã!

Revistas de Setembro 2014 #2

Para ver a primeira parte desse post é só clicar aqui.

A L’officiel Brasil de setembro foi uma surpresa pra mim. Uma surpresa boa, é importante frisar. Nas duas capas que a publicação colocou esse mês nas bancas, as duas fotografadas por Paulo Vainer, a imagem de Sabrina Sato consegue ser ainda mais estonteante do que o normal, fugindo de qualquer obviedade.

A minha preferida é a primeira versão, em que Sabrina aparece meio deitada/suspensa em cima do capô do carro. Ficou lindo, lindo esse desenho formado pelos braços dela! Além disso, as cores tão muito bem pensadas e dosadas, e na segunda capa, onde é tudo tão quente, nessa mistura de vermelho, laranja e rosa, os tons só favorecem ainda mais a beleza dela.

Outro ponto positivo pra mim é que eles souberam segurar a mão e fizeram uma capa limpa, que tem chamadas em lugares certos. Tenho pavor de muita informação, colocando junto&misturado, sabe? Acho bonito quando a revista se importa em valorizar a foto da forma como ela merece e trazer o que é realmente essencial na capa.

Pra ser sincera, essa pra mim essa já é a edição mais linda que a L’officiel publicou desde sua estreia por aqui!

Apesar de ter comprado a Vogue US no começo do mês, foi só ontem que eu consegui sentar pra ler a revista. E o resultado é que fiquei muito feliz de tê-la trazido pra casa.

Apesar de eu não ter amado loucamente a capa logo que bati os olhos nela, achei a imagem bem fresca, e o legal é que com o passar o do tempo, quanto mais eu olhava pra ela, parecia que mais charmosa e bonita ela ia ficando. Mágicas de Mario Testino, né. Além disso, achei interessante que apesar de propostas bem diferentes, tanto a Vogue Itália, quanto a Vogue US e a Vogue Japão resolveram apostar nessa ideia de trazer um time de modelos na capa. Aqui, a ordem de chamada ficou assim: Joan Smalls, Cara Delevingne, Karlie Kloss, Arizona Muse, Edie Campbell, Imaan Hammam, Fei Fei Sun, Vanessa Axente e Andreea Diaconu.

A ideia dessa edição da Vogue, especialmente, é mostrar que a era de supermodelos (lembram dos anos 90 com Claudia Schiffer, Naomi Campbell e Linda Evangelista?) acabou e que agora é a vez de uma nova geração, que atende pelo nome de “Insta Girls”. O termo, é claro, tem tudo a ver com essa era de super exposição nas redes sociais que estamos vivendo, principalmente com a febre do Instagram, e eu achei legal a forma como eles trataram essa ideia. A Vogue até liberou um vídeo de bastidores, mostrando as modelos conversando sobre isso e comparando as modelos dos anos 90 e o que elas representavam com essa nova geração.

Detalhe-amor: Karlie Kloss tem risada de Miss Simpatia <3

E por falar em Naomi Campbell, olha ela aí, na capa da Harper’s Bazaar México & América Latina.

Pra mim esse é outro exemplo de capa que soube valorizar a imagem e trazer as chamadas na medida exata, ainda brincando com a disposição delas e enfocando os pontos chaves da publicação.

Achei essa capa chique e bem forte, dessas pra colocar à vista no quarto e na sala pras visitas verem. E ah, a imagem é do fotógrafo Hao Zeng.

Bisous, bisous

Continua…

In our time

Confesso que nunca li nada de Ernest Hemingway, mas isso não quer dizer que eu não seja (muito) curiosa pelas obras desse autor. “Por quem os sinos dobram” (nome também de uma das melhores músicas do Raul Seixas) e o “Velho e o mar”, especialmente, são títulos que, com certeza, tão na minha lista para um dia serem lidos.

Por isso que esses dias, navegando pelo site do Fashion Editorials, – se você não conhece, clica e vem pirar nos editoriais maravilhosos que eles postam – tive um pequeno surto de felicidade quando encontrei esse editorial aqui. Ele é velhinho, da Vogue US lá de junho do ano passado, mas achei tão charmoso, com imagens tão fortes e tão delicadas ao mesmo tempo que decidi trazê-lo pra cá.

Mais do que uma homenagem a Ernest, em cenas retratadas na comunidade de Boca Grande, sudoeste da Flórida, estado em que o escritor de fato morou com sua segunda esposa, o editorial aqui debaixo é uma homenagem a todo um estilo de vida adotado por ele durante essa época. O “In our time” do título, além de ser uma referência a uma obra de contos de Hemingway, é também uma forma de expressar essa ideia de “como as coisas funcionavam aqui, entre a gente, no nosso mundo”.

É legal também entender que esse é um recorte de uma época muito específica da vida do escritor, uma das poucas provavelmente em que ele realmente descansou, em que ele passou dias convivendo em família em um lugar meio paradisíaco. Depois disso, Ernest voltou pra sua vida de correspondente internacional – uma de suas grandes paixões – e viveu outros grandes romances. Foram quatro casamentos no total.

A modelo que estrela as fotos daqui desse post é a Dree Hemingway, bisneta do autor. Sua avó foi filha do primeiro casamento de Ernest, e Dree se tornou uma modelo-sucesso, já tendo desfilado pra Givenchy, Calvin Klein, Chanel e feito campanhas pra Gucci, Valentino, Jean Paul Gaultier e … Ai, a lista é imensa!

Junto com ela está o ator Jason Clarke, que fez filmes como A Hora mais Escura e The Great Gatsby – que eu ainda não vi, shame on me – e Theo James, que eu vou confessar que não conhecia, mas que aparentemente fez uma série americana chamada “Golden Boy” e que será um dos personagens da adaptação de Divergente para os cinemas.

O editorial vem todo printado em acessórios e pequenos detalhes que remetem a época, como o penteado da modelo, as pérolas e os óculos de sol enormes, mas é claro que tem também muita bossa atual nas fotos. Essa mistura fica gostosa e faz a gente achar que de fato tá revivendo a atmosfera de anos atrás.

Hemingway é considerado um dos membros da “Geração Perdida”, que incluía escritores como F. Scott Fitzgerald, T. S. Eliot e James Joyce; nomes da literatura muito influentes para a sua época e para os dias de hoje. Ele cometeu suicídio em 1961, assim como seu pai, e é triste perceber como mentes tão privilegiadas quase sempre andam de mãos dadas com a depressão e com uma busca incessante por algo que nem elas mesmas sabem explicar. O autor deixou pra trás não apenas obras memoráveis entre romances e contos, como também um prêmio Pulitzer que ganhou por “O velho e o mar” e um Nobel de Literatura.

Model & Stars: Dree Hemingway, Jason Clarke & Theo James
Photographer: Bruce Weber
Stylist: Camilla Nickerson
Hair: Orlando Pita
Makeup: Aaron de Mey

Diana Vreeland: the eye has to travel

Nessa última terça-feira tão fria que tivemos, me enfiei debaixo das cobertas por pouco mais de uma hora e assisti ao documentário “Diana Vreeland: the eye has to travel” (traduzido para o português como “Diana Vreeland: o olho tem que viajar”), que já tava na minha to-do list faz tempo.

E terminei esses 80 minutos com os olhos lacrimejando e o coração mais feliz.

Cabe aqui um parênteses.

Eu sempre tive um apreço gigantesco pela Diana Vreeland, sempre a achei uma musa-mor e uma mulher extremamente sábia e culta. Tudo que eu sempre li e vi sobre ela me inspirava de uma maneira louca e me dava aquela vontade de “fazer acontecer, sabe?” Porque se tem uma coisa que Diana fez com maestria – aliás, o que ela não fez com maestria?! – e que com certeza serve de exemplo pra qualquer um, é que não é só uma questão de fazer. É preciso fazer com paixão, com a mente aberta, com o olhar apurado, com uma boa dose de loucura até.

É preciso abrir nossos horizontes pra que a gente consiga enxergar a história por trás de uma foto enquanto a maioria das pessoas só enxerga uma foto.

“Diana Vreeland: the eye has to travel” foi lançado no ano passado, 2012, junto com um livro e uma exposição de mesmo nome. A ideia veio de Lisa Immordino Vreeland, mulher do neto de Diana, que apesar de nunca tê-la conhecida pessoalmente sempre foi encantada pela figura que DV era. Tendo o apoio da família e dos amigos – que ajudam a rechear o documentário com as mais interessantes falas e histórias – Lisa foi à luta e fez esse trio de homenagens a Diana.

O documentário segue então uma ordem cronológica, que vai contando desde a infância de DV até seus últimos dias, relembrando fatos importantes de sua vida e carreira. Tá tudo ali, desde sua relação difícil com a mãe quando pequena até sua extrema paixão e entrega pra moda anos depois.

Muita gente acha que Diana começou sua carreira na moda trabalhando na Harper’s Bazaar. Errado! Antes mesmo dela começar a escrever sua famosa coluna “Why don’t you?” na revista, Diana era dona de uma loja de lingeries em Londres. Desde aquela época, DV já era super influente e tinha os amigos mais importantes e cultos que se poderia ter na década de 30, em todos os cantos do mundo. Aliás, Diana já tinha viajado muito nessa época e tinha vivido de pertinho a Belle Epoque dos anos 20 em Paris.

Daí pra ser chamada na Harper’s não demorou muito e a coluna “Why don’t you”, que tinha uma proposta completamente diferente de tudo que já havia sido feito na revista – e em outras revistas de moda – fez o olho de todos os leitores brilharem. Ela entrou na revista em 1963 e só saiu de lá em 1962, já tendo há anos se tornado a editora de moda da publicação.

Quando começou como editora-chefe na Vogue (1963 a 1971), a revista teve um de seus períodos mais férteis de ideias e inspirações. É meio que unânime pra todos aqueles que trabalharam com ela que Diana enxergava além da moda. Ela falava sobre cultura, arte, música, cinema, sociedade… Era um pouco de tudo, aquela vontade de ir a fundo e mostrar que “o olho tem que viajar” (trocadilho besta, mas que faz todo sentido aqui).

Até porque, só uma mulher de muita visão falaria algo como

“Why don’t you… paint a map of the world on all four walls of your boys’ nursery so they won’t grow up with a provincial point of view?” 

E Diana era exatamente isso.

A cada história contada no documentário, a cada amigo que relembra alguma de suas frases tão marcantes, algumas de suas vontades que pareceram tremenda loucura e depois se provaram tão extraordinárias, é como se a gente desvendasse um pouquinho mais dessa mulher incrível que DV foi. Ela revolucionou o mundo do jornalismo de moda e fazia de cada nova revista que editava, como se fosse a primeira. Olhando tudo como se fosse a primeira vez e descobrindo todas as nuances escondidas por trás daquilo.

Em 1971, quando já não trabalhava mais na Vogue, Diana, no entanto, sabia que ainda tinha muita energia e perspectiva pra dar ao mundo. Do alto da sabedoria e experiência dos seus 70 anos, foi trabalhar então em algo completamente novo pra ela, mas que era o ápice da inspiração que ela sempre buscou nas artes: a consultoria do Institute of the Metropolitan Museum of Art.

E se nas revistas de moda Vreeland tinha sido um furacão, lá não foi diferente. Pra começar que Diana mudou radicalmente aquilo que se entendia como exposição no museu, tirando aquela ideia quadradinha que tinha até então e levando a experiência de visitação a outros níveis. Ela não poupou esforços em transformar a fantasia daquelas salas em uma quase realidade pra quem as visitava. Pra isso usou de fragrâncias, luzes, músicas, novos designs, adereços, até a construção de cenas dramáticas entre os manequins pra proporcionar exposições que mexessem com todos sentidos do público.

Além do balé, uma de suas maiores paixões desde pequena, DV também levou muito do seu amor pela moda para dentro do museu, realizando exposições sobre a carreira de Yves Saint Laurent e Balenciaga.

Ela só saiu do Metropolitan Museum of Art em 1989, ano de sua morte.

Capas da Harper's Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

Capas da Harper’s Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

“Diane Vreeland: the eye has to travel” tem depoimentos de Anna Sui, Diane Von Furnstenberg, Manolo Blahnik e vários outros profissionais, amigos e familiares de Diana Vreeland. Assisti o documentário por aqui e ate tentei procurar alguma versão legendada pra postar aqui no blog, mas não achei. Se alguém souber de alguma, por favor, compartilha o link aqui nos comentários!

Pra quem ficou interessado em se aventurar ainda mais por esse olhar tão vanguardista da Diana, o livro “Allure”, escrito por ela em 1980, foi relançado em 2011 sob o título de “Glamour”. O livro foi lançado no Brasil pela Cosac Naify, conta com prefácio escrito por Marc Jacobs e pode ser encontrado por R$ 85,00 na livraria Cultura. Espero que esse, assim como o documentário, seja riscado da minha wishlist em breve…

“You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It’s a way of life. Without it, you’re nobody. I’m not talking about lots of clothes – Diana Vreeland”

Bisous!