Rick Owens e a beleza sem padrões

As semanas de moda internacionais acabaram e o São Paulo Fashion Week também. Amém. Dá-lhe ver desfile, se apaixonar por tema de coleção, pirar na exposição “The Little Black Jacket” que agora tá no Brasil, acompanhar dança de cadeira de estilista e ainda dar uma zapeada pelas notícias únicas que sempre têm em cada edição. E claro, junto com tudo isso, ainda ter fôlego pra acompanhar Fashion Rio que tá só começando.

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

Eu sei que alguns acontecimentos dessas semanas de moda já foram incansavelmente falados, – e em tempos de internet o conceito de notícia velha tá mais pra dias do que meses ou anos – mas ainda assim eu me pergunto qual o propósito de ter um blog, portal, revista ou qualquer outro meio que gere debate e informação se a gente se priva de falar de tudo aquilo que já foi noticiado ou que teoricamente já esfriou. Não existe cartilha pra opinião e, penso eu, algumas coisas precisam mesmo serem vistas e revistas pra gente poder enxergar outros dos seus ângulos e influências a curto e longo prazo.

Então, eu quero sim falar sobre o desfile do Rick Owens.

Pra quem não viu o desfile ou não leu nenhuma das notícias que pipocaram sobre o assunto, no seu desfile de verão 2014 Rick Owens fez uma performance onde as modelos deram lugar a 40 mulheres de quatro grupos de danças dos EUA, o The Zetas, o Washington Divas, o Soul Steppers e o Momentums. Todos grupos de step, que pelo que eu pesquisei é um estilo de dança onde as pessoas utilizam o corpo todo como uma forma de expressão, usando passos de dança, palavras e gritos de força e palmas pra criar a coreografia. Ou seja, substitui-se o carão de modelo pelo carão de força das dançarinas, que gritaram, dançaram, pularam, bateram palmas e passaram um energia meio alucinante até pra quem assistia pela internet, como eu.

Negras, brancas, magras, gordas, whatever, a passarela se transformou no palco delas e em uma mensagem muito clara de respeito à individualidade e respeito às diferenças. Vale ler esse texto aqui do FFW pra entender com mais detalhes o que rolou no desfile.

“Nós rejeitamos a beleza convencional e criamos nossa própria beleza”
Rick Owens, após sua apresentação.

O Trend Coffee, que eu tenho lido cada vez com mais brilho no olho pelos textos bem embasados e incri que vem publicando, já disse algo muito importante sobre o assunto: “Rick Owens não inventou a roda”. E é verdade. Tanto não inventou que o conceito de desfile espetáculo é mais do que normal na moda e em toda temporada a gente vê não só um, mas vários desfiles que usam da ideia de criar um “show” para ajudar a contar a história daquela coleção.

Acontece, no entanto, que a grande maioria desses desfiles trabalha com apresentações que servem apenas de suporte pra mostrar aquilo que em teoria é o cerne da questão, ou seja, a própria coleção. A apresentação serve pra dar aquele gostinho a mais de inspiração, pra criar uma atmosfera que mostre ao público o que aquelas peças querem dizer e no que aquela coleção foi inspirada. Ela é suporte e não motivo.

Por isso que muito me espantou e deixou feliz ver esse desfile do Rick Owens. Que ele sabe ser criativo nas suas apresentações eu já tava sabendo, mas o que eu não sabia – e que me faz entender esse desfile como algo muito maior do que um cenário, uma atmosfera ou um suporte para uma coleção – é que ele sabe enxergar o espaço que ele tem dentro da moda muito além do que um espaço de autopromoção. Citando a Babi Carneiro que soltou essa frase foda enquanto conversávamos sobre o assunto “(…) Se você não subverte o modelo num momento em que todos os holofotes estão contigo, não subverte nunca ”

E é bem isso.

©Reprodução

©ImaxTREE

©Reprodução

É difícil falar de beleza, de aceitação, seja do corpo, do biótipo, do estilo, do tipo de cabelo, whatever, quando a gente vive não só em uma época cheia de imperativos no assunto, mas principalmente em uma área onde ao longo dos anos criou-se uma ideia de beleza ideal. E se você quer ser diferente daquele tipo de beleza, tudo bem, ‘eles entendem’, mas tu precisa vir com uma etiquetinha que expresse bem isso: se é modelo pluz-size precisa estar em um editorial ou em um desfile disso; se é tida como andrógina, maravilha, o mundo da moda te acolhe, mas essa sua característica é aquilo que te define e que te coloca em determinados tipos de casting. Ou você realmente espera pegar todo tipo de desfile que uma modelo “comum” pegaria?

Há uma falsa ideia que ronda nosso mundo e nossas ações de que a despeito de tanto ideal de beleza aí impingido pelo mundo, nós pensamos diferente. Acreditamos que a beleza de cada um é a beleza de cada um, e que essa história de beleza ideal é pura besteira. Veja bem, nós acreditamos nisso, e eu não duvido mesmo disso em momento algum, mas apesar de defendermos essa ideia, a gente só aceita a modelo plus-size quando ela tá inserida em um contexto específico pra isso. E se alguém resolver colocar uma mulher normal em meio a um desfile de modelos magérrimas, a certeza de que a mídia vai falar sobre isso é 99 em 100. Por que? Porque a gente ainda acha isso diferente, porque apesar de acreditarmos que beleza ideal não existe, a gente aceita a diversidade em contextos específicos.

Em resumo, aquilo que a gente acredita e aquilo que a gente faz ainda são coisas muito distintas.

©The Sartorialist

©The Sartorialist

©The Sartorialist

Por isso que pra mim falar sobre beleza da maneira como o Rick Owens falou é tão importante. Ele não criou a roda, eu sei, mas ao meu ver, diferente do que a maioria faz, o que ele usou como suporte do desfile foi a roupa e não a apresentação. Aqui a apresentação foi fim e não meio. E mais importante de tudo: ele encontrou um jeito forte, poderoso e baita reflexivo de fazer a gente pensar sobre a beleza que domina a passarela, sobre a beleza que a gente acredita, e sobre a ideia de beleza que a gente de fato pratica.

E, veja bem, isso é um bocado para se pensar.

Paris Fashion Week verão 2014 #2

Pra quem perdeu a primeira parte dos desfiles queridinhos de Paris, é só clicar.

E vem comigo que agora é hora da parte 2!

Chanel

Chanel verão 2014Chanel com certeza sempre é um dos desfiles mais aguardados da temporada. Claro que o motivo número um são as roupas, que sempre fazem a gente suspirar, mas já faz tempo que Lagerfeld mostra beleza não só nas peças desfiladas, mas na própria cenografia da apresentação, que sempre tem um toque de interessância. Dessa vez não foi diferente e no Grand Palais, local do desfile, o que os convidados viram assim que chegaram foram identidades muito fortes da marca em tamanhos gigas e revisitadas. Por exemplo? O logo da maison, o famoso perfume Chanel nº5 (trabalhado todo em uma versão meio robótica) e até uma de suas clássicas bolsas, todos enormes e em versões modernas e artísticas. Arte, aliás, foi o assunto que mais permeou o desfile aqui, já que a ideia de transformar o clássico em lúdico e artístico não ficou só na cenografia, mas foi também pra peças. O destaque pra mim com certeza são para os tailleurs da marca, um dos maiores símbolos da Chanel e que, aqui nesse desfile, ganharam as mais variadas versões. Parece até que Karl Lagerfeld brinca de provar pra gente que peças assim, com um DNA e uma história tão forte, são possíveis de serem adaptadas para os mais diferentes estilos e formas. Ou seja, que roupa atemporal é atemporal exatamente por isso, porque se adapta, porque permite experimentações, porque funciona de diferentes maneiras.

Alexander McQueen

Alexander McQueen verão 2014Nunca mais irá existir alguém igual a Alexander McQueen. Tô até com vontade de resgatar um post antigo meu em que falei sobre o estilista e trazer aqui pro blog, porque com certeza ele é um dos meus maiores ícones, um dos caras mais originais, gênios, louváveis e inteligentes que souberam trabalhar a moda como expressão cultural e artística.

Quando uma nova pessoa teve que assumir a direção criativa da marca, depois da trágica morte do estilista, deu um aperto no peito e um medo do que ia acontecer. A Sarah tinha a maior das competências, é claro, mas o trabalho do McQueen parecia tão intocável que havia um certo temor, sabe? Uma coisa difícil de explicar, mas que se justificava pelo trabalho tão visceral que o estilista fazia em cada uma de suas apresentações. Mas aí veio a Sarah, que já tinha trabalhado anos a fio ao lado de Alexander, e que mostrou que por mais que nunca a gente vá ter um novo McQueen, ainda é possível manter sua marca extremamente forte e extremamente artística, fazendo jus a memória de seu dono. A Sarah captou muitas das nuances do McQueen e às vezes são vislumbres tão grandes – como nessa coleção – que a gente sente que, de alguma forma, McQueen deixou um legado não só naquilo que fez, mas nos seguidores que deixou por aqui.

Deu uma nostalgia, sabe…

Louis Vuitton

Louis Vuitton verão 2014Coisa mais incri esse desfile. Incrível porque ele presta uma homenagem linda à carreira de Marc Jacobs, afinal nesse verão 2014 o estilista deu adeus a Louis Vuitton, a marca onde foi diretor criativo nos últimos 14 anos e a marca também que fez ressurgir das cinzas e voltar a ser badalada, a ser comercial, sensual e ousada.

No desfile tudo era uma homenagem ao que Marc já fez em suas apresentações pela maison e também as inspirações que grandes mulheres sempre levaram para as coleções que desenhou. Tanto que o estilista disse que dedicava o desfile a “todas as mulheres que o inspiraram e à “showgirl” em cada uma delas” e citou ainda  alguns nomes como Coco Chanel, Cher, Sofia Coppola, Catherine Deneuve, Diana Vreeland e Vivienne Westwood. Mulheres que inspiram poder e beleza por inúmeros motivos. Já na retrospectiva de sua carreira, o revival começou pela cenografia – que misturou várias das ambientações que Marc Jacobs já fez em desfiles da Louis Vuitton, como carrossel, escada rolante, corredores de hotel, etc, – com a sua própria história na marca contada através das roupas.

De cara, abrindo o desfile, um look que não poderia ser mais a cara de Marc Jacobs: cheio de transparência, sensualidade e os já famosos grafites de Stephen Sprouse que já apareceram incansavelmente em várias das peças e acessórios da Louis Vuitton. Além disso, o preto foi a cor que dominou o desfile do início ao fim (detalhe para algumas calças jeans que quebraram o total black e trouxeram aquela mistura de estilos que o estilista sempre faz tão bem), exatamente o mesmo que havia acontecido em sua estreia na marca.

Só dá ara desejar que essa nova fase com Nicolas Ghesquière seja tão inspiradora e chocante (acho que esse é o melhor termo pra se falar do que foi Marc Jacobs na Louis Vuitton) quanto foi até aqui.

Miu Miu

Miu Miu verão 2014Eu sou uma pessoa bem chata pra estampas. Bem chata mesmo. No entanto, – entre outras milhares de inspirações, é claro – a Miu Miu tá nesse pequeno reduto de marcas que conseguem me deixar com essa sensação de “aff, sai de baixo que vou querer ter essa estampa pra sempre na minha vida”. Pode parecer bobo, mas é assim mesmo que eu me sinto desde aquele desfile de verão 2010, quando surgiram essas estampas aqui e eu fiquei ainda mais hipnotizada pela marca.

Agora, no verão 2014, as estampas voltaram. De uma maneira bem diferente sim, mas tão lindas quanto as da outra coleção e agora inspirada em papeis de parede! Junto com elas, toda uma referência aos anos 60 que vem refletida no formato das peças, nas meias 5/8, no ar retrô e até nos sapatinhos estilo Mary Jane. Os casacões de tamanho giga são sempre meu preferidos e nessa coleção tão especialmente lady like e elegantes.

Um beijo, Miu Miu, que cê é muito linda mesmo!

Ps: como já tinha falado no primeiro post de Paris, não é que eu esqueci do desfile do Rick Owens não! Acontece que ele é tão importante pra esse momento que estamos atravessando, não apenas na moda, mas também na área de beleza, onde parece que cava vez mais esse lance de estereótipos e “padrões” tá sendo jogado (e aceito!) pela mídia, pelas pessoas, pela sociedade em geral, que vale muito a pena fazer um post só pra ele, pra gente poder refletir juntos sobre seu significado. Ok? Até o final da semana tento postá-lo por aqui…

E ah, espero que vocês tenham gostado desses meus pitacos sobre as semanas de moda internacionais! Pra quem não viu, seguem abaixo os links de todos os posts.

Nova York Fashion Week verão 2014

Mais da NYFW verão 2014

London Fashion Week verão 2014

Milão Fashion Week verão 2014

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Deixem suas impressões sobre os desfiles nos comentários!

Bisous, bisous

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Eu realmente queria subir todos os queridinhos de Paris em um só post, assim como fiz com os de Milão. Acontece, no entanto, que afora esses daqui de baixo tem mais cinco desfiles ainda que eu quero falar, OU SEJA, o post ia ficar do tamanho do Maracanã. E como eu acho que o desfile do Rick Owens foi a grande apresentação dessa temporada (e quando falar dele aqui quero explicar muito bem porquê eu penso assim) acho super válido que ele mereça um espaço especial. Então, como prefiro fazer as coisas mais demoradas, porém mais caprichadas haha, hoje sobe essa parte 1 de Paris e até o final da semana subo a parte 2, deixando Rick Owens pra ser falado na semana que vem. Assim também eu não entupo o blog de posts sobre desfiles e dá pra eu dar meus pitacos sobre outras várias coisas que ando com vontade de postar.

Mas chega de falação e bora começar a rever o que de mais legal rolou em Paris!

Balenciaga

Balenciaga - verão 2014Nesse verão 2014 da Balenciaga, diferente do que tinha acontecido na temporada passada, Alexander Wang não fez seu desfile de portas fechadas, e acho que principalmente por causa disso havia um clima de estreia no ar. Durante toda a apresentação, aliás, dava pra ver uma mistura bem bonita entre a imagem de mulher elegante da Balenciaga com a influência jovem e toda streetwear trazida por Alexander.

O que eu mais amo nessa coleção são os recortes nada tradicionais que são usados nos vestidos, como o desse terceiro look, onde a peça toda é estruturada e dá a impressão de um origami. Eu sou apaixonada por esses traços orientais em roupas e acho que o Alexander Wang é um mestre na arte de usar esses traços, mas ao mesmo tempo deixar a roupa bem esportiva.

Dior

Dior - verão 2014A coleção apresentada pela Dior já começou fazendo sucesso pelo local onde foi feito o desfile: o Museu Rodin, em Paris. Só que se já não bastasse um lugar tão lindo e imponente pra essa apresentação, Raf Simons resolveu ainda contar a história de sua coleção em todos os detalhes do local, criando uma das cenografias mais inspiradoras dessa temporada. Em um jardim suspenso na passarela, a infinidade de cores, flores e plantas era surreal. Nesse vídeo aqui dá pra ver o making of da construção da cenografia e no post da Consuelo Blocker dá pra ver tudo ainda em mais detalhes. Uma coisa assim, de fazer a gente suspirar mesmo.

Mas a beleza da Dior não tava só na cenografia não. A coleção apresentada em Paris brincou o tempo inteiro com o conceito de dualidade de uma maneira linda. “Aqui, o real e o artificial são postos em perspectiva, o alegre e o sinistro, o natural e o que foi fabricado pela mão do homem.” (conceito da inspiração que tá no próprio site da Dior) Esse jogo de opostos começou pela própria ambientação, com as flores naturais e as flores sintéticas, passou pelos materiais e efeitos empregados nas roupas, que foram do tricô até o plissado, e chegou nas cores das peças, com o colorido do começo do desfile e o preto do encerramento. Nem as silhuetas ficaram de fora: em alguns momentos o aspecto mais sequinho dominava, com peças bem longilíneas, enquanto em outros uma silhueta estilo ampulheta dava volume ao quadril das modelos.

Lindo, lindo.

Yohji Yamamoto

Yohji Yamamoto verão 2014Sou absurdamente apaixonada por história da moda. Absurdamente. E talvez uma das suas fases que mais me encante é a do início dos anos 80, quando o japonismo criou uma revolução na moda ocidental e trouxe um “novo pensar em se fazer moda” as passarelas, através de nomes como Yohji Yamamoto, Rei Kawakubo e Issey Miyake. Yohji é até hoje altamente carregado dessas influências, tanto que seu verão 2014 veio repleto de características do movimento: camadas, desconstruções, silhuetas brincando com diferentes formas geométricas, recortes e toda aquela arquitetura que só o japonismo consegue empregar nas peças. E, de quebra, ainda tem esses tons fluo tão incomuns na passarela e tão visualmente ricos. <3

Givenchy

Givenchy verão 2014O encontro que a Givenchy resolveu proporcionar na passarela não poderia ser mais ousado e mais incrível: influências africanas e japonesas em uma só coleção. E claro que não é uma coleção fácil e tem aquele pé ali no conceitual, mas, ao mesmo tempo é altamente chique e usa e abusa de brilhos pra criar uma imagem forte. Aliás, tá pra acontecer um desfile em que Riccardo Tisci não crie alguma imagem que choque, que deixe todo mundo comentando depois sobre o que aconteceu ali em cima da passarela.

Nesse seu verão aqui, a Givenchy explorou ao máximo o uso de drapeados e havia um pouco de desconstrução em todas as peças. Além disso, uma das coisas mais incríveis de se notar dessa coleção é que a impressão que essas mulheres queriam causar era a de força, de pertencimento a um clã, mas, como em todo desfile da Givenchy, ainda que a imagem de cara seja uma, a sensualidade sempre aparece também, ainda que de forma mais mascarada.

Afora tudo isso, o que principalmente me fez escolher esse desfile pra postar aqui entre os queridinhos de Paris foi a beleza dessa coleção. Eu sei que a maioria das pessoas não é muito ligada em belezas assim, totalmente de passarela, que não dão pra botar em prática no dia a dia. Mas, olha, eu amo as duas. Amo quando algo realmente me inspira no dia a dia e me faz tentar algo novo, mas amo também quando tem essas belezas loucas, total drama, que me lembram que no fundo tudo ali conta uma história.

Essa beleza de verão 2014 foi criada pela musa da beleza Pat McGrath e formava uma máscara de cristais ao longo de todo o rosto da modelo. Clica e vê mais de pertinho que escândalo de incrível que tava isso.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous

LFW verão 2014

Mulberry

Mulberry - verão 2014“Essa casa que construímos juntos, tijolo por tijolo, pedra por pedra, essa casa que chamamos de lar.”

O começo do desfile da Mulberry foi assim, com a declamação de uma frase que deve significar muito do que a Emma Hill, sua diretora criativa, sente em relação a marca. E esse tanto de amor escancarado tinha um motivo bem triste por trás de si: depois de 6 anos de sucesso (quem não se apaixonou por alguma de suas bolsas-desejo que atire a primeira pedra), Emma disse adeus a Mulberry.

Apesar de muita gente ter reclamado da falta de um desfile mais elaborado pra marcar essa despedida, eu acho que faz total sentido eles terem optado por esse “mais do mesmo” (ainda que eu ache que a Mulberry nunca faz um mais do mesmo) pra sua coleção. Foi uma despedida de gente que ama o que faz, de gente que quer sair de cena levando a melhor e mais nítida lembrança da essência da marca.

Por isso mesmo, nesse verão 2014 da Mulberry o que não faltou foram peças bem femininas, que mesmo com o DNA tão esportivo que tá em tudo quanto é desfile internacional dessa temporada, continuaram com aquele ar de pretty woman que eles fazem tão bem. E se em umas horas do desfile nós somos bombardeados com estampas que vão das listras aos florais, – uns liberty, uns mais disfarçadinhos que você só via quando chegava perto, e uns escancarados e gigas – em outras a gente morre de amores pelos blocos de cores, que apostaram com tudo no total white, preto e tangerina.

Ps: e esse cãezinhos, gente?! Não consigo lembrar o nome dessa raça, mas essa carinha amassada dá vontade de apertar haha.

Christopher Kane

Sempre fico de olho bem aberto nos desfiles do Christopher Kane porque acho que o sucesso que ele faz em Londres não é a à toa, e também porque sempre espero ver uma nova febre na sua passarela como aconteceu com as camisetas de estampa de gorila que apareceram na sua coleção de 2008.

Dessa vez o conceito da coleção do estilista é um pouco mais difícil, não tão a cara das ruas como já foram algumas de suas apresentações. Daí você me pergunta: ué, mas ele não apostou no floral? Quer tema mais “comum” do que esse? Sim, meu caro Watson, ele apostou no floral, mas um floral que vem de forma lúdica, que às vezes parece até trazer a didática de uma aula de biologia (você lembra do estilete, pétala, estigma e todas as outras partes da flor?). Tinha até uns recortes mutos loucos tipo esse da primeira foto que às vezes apareciam em toda a roupa, revelando umas partes da pele não tão comuns assim de ficarem ao ar livre haha.

E Christopher Kane não tem medo de brincar com seu tema não. Mistura cores, flores “normais” com vazados que no todo formam um grande buquê, escritos garrafais nos vestidos e moletons e até uma técnica super diferenciada que eu não conhecia, fui pesquisar e descobri que é tipo uma fusão de vários tecidos em um só, depois de passarem por uma prensa bem quente.

Um pequeno chacoalhão em meio aos desfiles dessa temporada.

Burberry Prorsum

Burberry Prorsum - verão 2014Lembra daquela época em que os candy colors dominaram tudo quanto era desfile e começaram a aparecer que nem epidemia nas ruas? Então, pode até ter passado um tempinho desde aquilo, mas a Burberry parece não se importar muito e mostra que novo hit ou não da temporada de verão 2014, o candy color da suas peças é sim para ficar de vez (e a gente amar!). Quando não são eles que aparecem, são as listras e os poás, e aí eu fico querendo tudo, absolutamente tudo pro meu guarda-roupa.

Essa coleção é inspirada em uma menina muito romântica. Muito. Mas esqueça aquela menina romântica que ficava trancada dentro de casa esperando pelo príncipe encantado. Essa daqui da Burberry é a menina romântica que desfila pelas ruas da cidade com um sorriso de orelha a orelha, que gosta de mostrar um pouco de transparência, mas que em meio a essas cores tão clarinhas nem fica muito sexy. Essa menina aqui come macaron rapidinho no café, mas daí quando precisa se arrumar pro trabalho deixa de lado as cores claras e investe numa boa mistura de estampas, com direito a uma altura de saia chiquérrima e um óculos bapho. Ela ama brilho, mas ao invés de usar tudo bem discretinho como a romântica do passado fazia, ela vai lá e usa umas pedras gigas, pra não passar despercebida.

Gente que inspira e cria identificação logo de cara, sabe como é, né? <3

Tom Ford

Que desfile mais sexy, mon dieu! Enquanto todo mundo tava apostando em cores claras, florais e uma pegada esporte, Tom Ford decide ser o dono da festa que ficou faltando. Os vestidos encurtaram e ajustaram (e como ajustaram!), os brilhos vêm sem medo, as transparências deixam as pernas todas à mostra e até o couro e a estampa de cobra entram na dança. Tem até umas opções com casaco de pele pra hora que você sair da festa não passar frio, o que deixa a gente com a certeza de que nesse verão Tom Ford fez de cabo a rabo uma coleção extremamente forte, poderosa, com um sex appeal que aparece até nos looks discretos, se é mesmo que eles existem.

Encerrando o quarto dia de London Fashion Week com a moda gostosa e ousada que é a cara do estilista.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous

Mais da NYFW verão 2014

Opening Ceremony

Opening CeremonyEstreia da Opening Ceremony na NYFW e olha, só posso dizer que a marca tá de parabéns! Pra começar que eu achei super legal o fato deles terem pensado em outra forma, além do próprio desfile, de fazer o público interagir e conhecer mais do trabalho que eles realizam. Como? Montando uma feira de moda e gastronomia no Pier 57, que se estendeu por todos os dias da NYFW. Tudo parte do planejamento do Humberto Leon e da Carol Lim, os fundadores da marca, pra conectar os consumidores e possíveis consumidores com a Opening (#intimidades haha).

Nesse verão 2014 a OC mostra que quer ser aquele tipo de marca que faz roupa jovem, usável, colorida, mas que nem por isso deixa de lado a impecabilidade. Pra conseguir esse efeito eles apostam em uma série de estampas – algumas por exemplo formavam desenhos abstratos de longe, mas quando a gente olhava mais de pertinho via que eram mini florais – que deixaram a coleção viva e bem street. Só que ao mesmo tempo eles se arriscam em técnicas não tão fáceis assim e trouxeram uma modelagem bem oriental, muito elegante. Um amor de mistura.

Rodarte

Rodarte - verão 2014

Me permiti viajar (e muito) nessa nova coleção da Rodarte. Pra começar que pra quem tá acostumado com aquela Rodarte quase etérea, que é a cara de uma menina sonhadora, super ligada em moda (pra quem não conhece muito da marca, vale assistir esse fashion film deles de 2011, o “The Curve of Forgotten Things”, pra entender do que eu to falando), essa nova coleção é um susto.

Onde foi parar aquela garota?

A inspiração principal da marca veio de Los Angeles e ela usou de todos os elementos urbanos possíveis – que tão dominando essa temporada como ninguém – para essa coleção. Vai além até, e traz muito couro, franjas, animal print, hip hop na veia e as barrigas de fora (sim, de novo).

Isso, pelo menos, é o que tá na superfície.  Mas pra mim, o buraco é bem mais embaixo.

Quando me deparo com uma coleção dessas só consigo imaginar essa menina Rodarte que eu tenho aqui na minha cabeça passando por uma daquelas fases da vida em que ela quer provar de tudo um pouco. Porque não é só na adolescência que a gente descobre um estilo, uma banda, um amor novo que se incorpora também nas nossas roupas. Aliás, não é só na adolescência que a gente passa por uma fase de experimentar ser alguém novo, experimentar ser alguém fora daquele nosso mundinho de sempre. Pra mim, mais do que a Califórnia ou a ‘garota Rihanna’ (vejo tanto a Rihanna nessa coleção haha), essa menina Rodarte é alguém que tá passando por uma fase muito específica da sua vida, querendo descobrir coisas novas sim, mas principalmente querendo se descobrir.

Proenza Schouler

Proenza Schouler - verão 2014Desfile limpo e muito belo da Proenza Schouler. Lógico, não é uma roupa sempre fácil de usar, já que às vezes ela cria formas bem ovais no corpo das modelos. Mas ao longo da apresentação a marca vai equilibrando esse lado mais conceitual com peças que pela mor do santo antonio dos looks bonitos, são um arraso! Fiquei em transe com esse casaco longo da primeira foto e adorei a fluidez que o uso de plissado nas saias (que também são de uma altura difícil de usar, mas que quando usadas por quem segura o look, aff, são chiques demais) transportaram para a passarela.

Marc Jacobs

Marc Jacobs - verão 2014

Marc Jacobs tem uma qualidade muito rara hoje em dia: sabe rir de si mesmo e não ligar muito para o teoricamente certinho. Tanto é que nessa coleção ele simplesmente transgride tudo aquilo que se poderia esperar de um desfile de verão e traz uma coleção pesada, com cores ultra fortes. E arremata com o comentário: “Não importa. O que importa é se você quer ou não quer. Dispara no seu coração como a moda deveria fazer?” <3

É tanta estampa, tanta cor, tanta coisa nesse desfile! As proporções do começo da apresentação são um jogo de opostos: em cima uma peça toda estruturada, que às vezes lembra um toureiro, às vezes lembra um uniforme militar, e embaixo peças bem retinhas, que enxugam o visual e criam uma silhueta toda diferentona para as modelos. Pra mim, o mais belo mesmo é quando começam a aparecer os florais e arabescos do final do desfile. Tanto nos looks formados por duas peças quanto nos vestidos longos, as estampas criam efeito lindos.

Fica aquela certeza: você pode não gostar da coleção, pode não achá-la em nada usável, pode acreditar que tá tudo com cara de inverno e não verão. Não importa. Mesmo com todos os contras que você conseguir achar, certeza mesmo é que você termina essa semana de moda tendo Marc Jacobs como um dos desfiles mais memoráveis da estação.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

:)

Gostaram da NYFW? Sei que to bem atrasada (afinal já estamos nos desfiles de Milão e eu ainda nem falei de Londres. POFT!), mas semana que vem o blog vai ser atualizado bem mais rápido para os desfiles aqui não ficarem atrasados!

E ah, se quiserem ver as fotos maiores é só clicarem que elas abrem em uma janelinha aqui do blog mesmo.

Bisous, bisous.