Nos corredores do SPFW

Na última sexta-feira, 07/11, acabou que o compromisso que eu tinha em São Paulo terminou bem mais cedo do que eu pensava, e como eu tava li perto do parque Parque Cândido Portinari (que é integrado ao Parque Villa-Lobos), não tive dúvida: chamei um táxi e corri para o SPFW!

Assim, pelo menos, dava pra dar uma espiadinha na cenografia dessa edição e dar uma abraço apertado em algumas amigas (tão bom rever Lets e Má Espindola!) de que tava com muita saudade. E, de quebra, deu tempo ainda de ver o desfile da Acquastudio, que tava muito lindo e inspirador, e que tinha como tema da coleção a arte barroca mineira <3

Aproveitei então que estava por lá e bati algumas fotos de lugares off passarela que também mereceram destaque nessa edição. Na real, mesmo tendo uma saudade giga da Bienal do Ibirapuera (acho mesmo lá o lugar mais apropriado para o SPFW, não só porque a Bienal é linda, mas também por questões estruturais mesmo, de divisão de salas de desfiles e funcionamento do evento), achei a cenografia dessa edição a mais bonita desde 2011 – quando comecei a visitar a semana de moda de São Paulo. Quem fez toda a “decoração” foi o arquiteto Marko Brajovic, que nunca tinha trabalhado antes para o evento, mas que fez uma estreia arrasadora. Pegando como inspiração a Bauhaus, todas as áreas, decorações e instalações do SPFW apresentavam linhas e formas exploradas pelo movimento, numa tradução muito bacana e original feito pelo artista.

Selecionei então algumas dessas fotos pra postar aqui, contando um pouco sobre cada um desses cantinhos, e, ainda essa semana, subo um outro post sobre a SPFW mais focado de fato nas passarelas, mas também um pouco diferente do que eu tô acostumada a fazer por aqui. Aguardem 😉

A “praça de alimentação” dessa edição foi aproveitada de uma maneira muito legal e se transformou em um dos espaços mais bacanas e decorados! Toda em estilo food trucks, haviam comidas e bebidas de diferentes tipos espalhados pelo lugar. Os preços tavam salgados, como em todas as edições do SPFW, mas o crepe de parma com brie que comi tava uma delícia (paguei R$20,00) e valeu o investimento haha (gordinha mode on). Além dos crepes, tinha também milk-shakes, cachorros-quentes, sucos orgânicos, paellas e vinhos.

Um pouco dos corredores propriamente ditos…

Quem não entra na sala de desfile, consegue assistir a apresentação mesmo assim, em um telão que passa ao vivo tudo o que rola nas salas. Aqui tinha um pessoal assistindo o desfile da 2nd Floor, o primeiro do último dia de SPFW. O telão ficava na área do Boticário (o Boticário também tem um lounge, assim como algumas revistas e patrocinadores do evento), que além dos sofás e cadeiras espalhadas para o pessoal que tava por lá, ainda disponibilizava serviço de maquiagem e esmaltação de graça.

O FFWSHOP é uma pop-up store que rola em toda edição do SPFW e sempre tem coisas lindaaas de morrer! Livros, quadros, roupas, itens de decoração, esculturas e tudo que você puder imaginar, em uma curadoria incrível. É sempre um lugar que quando vou, saio apaixonada por milhares de coisas.

E aqui um último acontecimento que não foi off passarela (o vídeo e as fotos são do desfile da Acquastudio que comentei lá em cima), mas que merecia muito entrar no post porque realmente foi muito inspirador. Apesar do barroco mineiro ser um tema até que já bem manjado em desfiles nacionais, a proposta da Acquastudio foi linda e conseguiu algo dificílimo: trabalhar apenas com uma cor em todo a coleção. Todos os looks, detalhes e acessórios eram dourados e foi lindo ver o choque produzido entre os vestidos volumosos, cheios de pedras e bordados, com os tênis pesadões usados pelas modelos. Uma coleção radiosa e muito bela.

Bisous bisous e até logo com mais post sobre o SPFW! 😉

Os cinco de abril 2014

Todas as fotos desse post são do meu instagram (@paulinhav).

Um dos quadros maravilhosos que tem na Luminosidade

Lá em 2010/2011 eu morei durante um tempinho em São Paulo e trabalhei na Luminosidade, – maior empresa de moda do Brasil – fazendo a produção do SPFW e Fashion Rio. Foi uma das experiências mais incríveis e inspiradoras da minha vida, e além de eu ter tido a oportunidade de conhecer todo o behind the scenes da maior semana de moda da América Latina, eu tive certeza que moda era mesmo aquilo com o que eu queria/quero trabalhar.

Bom, passaram-se alguns anos desde então, e agora em 2014, no comecinho de abril, como fui pra São Paulo assistir o SPFW e rever alguns amigos, aproveitei também pra passar na Lumi e matar a saudade do lugar. Muita coisa mudou de 2011 pra cá (até o prédio agora fica em outro lugar), mas a inspiração que eu senti quando coloquei os pés naquela empresa é a mesma de quando entrei pela primeira vez.

Na foto aqui aparece um dos inúmeros quadros de moda que eles têm espalhados pelas suas paredes. É tipo um pedacinho bem pequeno de como essa lugar é lindo e transborda moda e beleza em todos os seus cantos.

Amiga & cupcakes <3

Em São Paulo aproveitei também pra matar a saudade da amiga & fotógrafa Bárbara Carneiro. Eu e a Babi somos amigas há anos, mas como ela mora em São Paulo e eu em Bauru, quando a gente se vê pessoalmente é praticamente uma festa haha. A gente tenta aproveitar bastante mesmo e fazer o máximo de programas que pudermos.

Dessa vez, além de termos almoçado juntas na sexta-feira, – quando também comemos esses deliciosos cupcakes comprados pela Bá – conseguimos nos ver no domingo. Passeamos pela Livraria Cultura e fomos tomar um café em um Starbucks ali perto, ou seja, o tipo de programa que eu não reclamaria de fazer todo final de semana :)

Desfile da Melissa na 37ª edição do SPFW

Ainda sobre São Paulo: como eu contei, um dos motivos de ter ido pra lá em abril foi que tava rolando o SPFW verão 2015. Eu fui assistir os desfiles do último dia e fiz um post aqui no blog contando como foi. Pra ler, é só clicar!

A foto aqui de cima é de um pedacinho do desfile da Melissa, que tinha como tema central da coleção o prazer de comer.

Uma vez sponsor, sempre sponsor

Lembram que contei ali em cima sobre a época que trabalhei na Luminosidade? Pois então, além da experiência profissional incrível que tirei disso, acabou que fiz verdadeiros amigos nessa lugar.

Desde então nós tentávamos  marcar um almoço pra reunir todo mundo, mas nunca dava certo porque muita gente não mora mais em São Paulo (alguns nem moram mais no Brasil). Só que aí no começo de abril, apesar de não termos conseguido reunir todo mundo, uma parte de nós conseguiu se ver, e finalmente fizemos com que aquele almoço – que já tava virando lenda! haha – desse certo. Foi lindo, lindo, e agora eu morro ainda mais de saudade deles.

Um dos melhores chás que já tomei

Uma amiga minha comprou esse chá de frutas silvestres da Twinings e disse que era “uma das melhores coisas que ela já havia tomado”. Não demorou muito e eu vi a Melina do A Series of a Serendipity falando sobre como ele era maravilhoso também. Pronto, coloquei na cabeça então que queria experimentar esse chá haha.

Comprei essa caixinha e uma outra da mesma marca, mas com sabor diferente, em um Pão de Açúcar lá em São Paulo. Se alguém se interessar, não sei se eles tem esses chás em todas as unidades, mas ainda acho o lugar mais provável de se achar.

Bisous, bisous e até o próximo post o/

SPFW verão 2015 | O último dia

Quem me acompanha no instagram (@paulinhav) deve ter visto que na última sexta-feira, dia 04 de abril, fui conferir in loco o último dia de SPFW. Essa foi minha primeira edição no Parque Villa-Lobos, já que a última temporada que eu assisti pessoalmente foi ainda no Ibirapuera. Depois de tanto tempo longe da semana de moda, voltar e ver como as coisas andam foi uma baita experiência, não só porque tava com saudade, mas também porque, inevitavelmente, acabaram rolando muitas comparações entre o que acompanhei nas últimas edições e o que vi agora. Se você quiser saber disso e dos desfiles que rolaram no dia 04, então prepara aí seu copinho d’água e vem comigo nesse post que a história é longa.

O Parque Villa-Lobos fica localizado no bairro do Alto dos Pinheiros e dá pra chegar lá através da dobradinha metrô+trem ou táxi. Se tem algum ônibus que vai até aquela região eu desconheço, mas acho que mesmo que tiver algum que pare lá por perto, pode preparar as suas perninhas que você vai andar bastante. Eu não conheço quase nada de São Paulo, mas tive a impressão que o local é mais “afastado” mesmo do que, por exemplo, o Ibirapuera, onde dava pra chegar facilmente de ônibus.

O Villa-Lobos fica em um espaço enorme e logo que fui chegando perto da entrada do evento, já dei de cara com turmas e mais turmas de skatistas que aproveitam o local pra treinar. Achei bacana ele ser um parque bem abertão assim. Fico imaginando que em um final de semana normal, sem nenhum evento de moda acontecendo, deve ser um lugar gostoso pra passear, fazer piquenique e (por que não?) andar de skate.

Já no evento em si, em termos de espaço é impossível não notar como o Ibirapuera era maior. Começando pelas salas de desfiles que lá eram três e no Villa-Lobos são duas, o que não só implica numa correria louca pra desmontar a cenografia de uma sala a tempo de montar a do desfile seguinte, como também na pressa que os seguranças – que só tavam fazendo seu trabalho – tinham em esvaziar o local. O desfile mal acabava e um segurança já aparecia plantado atrás de você pedindo pras pessoas saírem do lugar. Corrido é apelido.

O line-up da temporada deixava uma diferença de aproximadamente uma hora entre um desfile e outro, mas na real dava a impressão de que era de dez minutos. Pra vocês terem ideia, como eu assisti todos os desfiles desse dia (menos Reinaldo Lourenço que foi de manhã e externo), eu mal consegui ver a exposição que rolou nessa edição, e no FFW Shop nem os pés eu coloquei (o que é muito triste porque eu sempre surto de inspiração com as coisas de lá). Não sei explicar o que aconteceu, – e se nos outros dias também foi assim – mas nem na época que trabalhei na produção do SPFW eu fiquei tão cansada quanto dessa vez. A impressão que se tinha era a de que tudo era uma grande corrida contra o tempo, principalmente, é claro, para o pessoal que tava cobrindo. Precisa nem falar que esse tal de glamour da moda é zero, né? (Pelo menos pra quem trabalha e não vive de comprar.)

Preciso confessar que não sou das maiores fãs da Melissa, mas isso não me impede de admirar o quanto eles conseguiram construir uma marca tão sólida e tão querida por milhares e milhares de meninas. O empreendedorismo ali é forte, e são em desfiles como esse que a gente entende porque a marca chegou onde chegou.

Pode não ser um conceito fácil e nada comercial, – o que soa estranho pra uma marca que é total vendas – mas desde o começo do desfile, quando as luzes se apagam e numa tela gigante surgem imagens que se alternam naquele estilo de máquina de casino, a gente percebe que o que vai acontecer ali é pra soar surreal e total conto-de-fadas mesmo. É pra mexer com a imaginação dessas meninas, pra fazer todo mundo se sentir em um mundo de faz de conta.

Por trás de tudo isso, vem o conceito da apresentação, que faz referência ao prazer de comer. E nessa pegada a Melissa sabe bem do que fala, afinal quem aí não lembra daquele cheiro de chiclete/doce/quero-comer-agora que t-o-d-a Melissa tem? A ideia é transportar isso para as roupas e, principalmente, para a beleza, que pra mim foi o ponto alto da apresentação. Assinada pelo hair stylist  Charlie Le Mindu e pelo maquiador Robert Estevão, cabelo e maquiagem, respectivamente, brincam o tempo inteiro com esse tema. AMEI loucamente os batons das modelos que vinham propositalmente escorridos, como se elas tivesses comido algum doce sem medo de se sujar.

A coleção nova, chamada Eat My Melissa – entre os brindes que vinham na sacola dada no desfile, haviam balinhas em forma de letras que formavam o nome da coleção <3 – traz modelos nada clássicos, apostando muito em rasteirinhas e saltos plataforma. Muitas têm um aspecto mais masculino, bem pesado, e apesar de ser uma das coleções que eu menos gostei da marca, sinto que será um sucesso tão grande quanto quase tudo que ele lançam no mercado…

Ah, vale lembrar que o desfile da Melissa não faz parte do line-up principal do SPFW e é considerado um evento dentro do evento. A stylist da coleção foi a Anna Trevelyan e a cenografia ficou por conta do Pier Balestrieri.

Acho que ao desfile da Ellus cabe perfeitamente a pergunta que Sylvain Justin fez essa semana no twitter “Questionamento da temporada brasileira de moda: um desfile é uma arma de marketing ou a melhor forma de expressar uma coleção, um conceito, um DNA?”

Que a Ellus é uma das marcas mais comerciais do SPFW, todo mundo sabe, até aí não há novidade pra ninguém. Nessa temporada, inclusive, eles trouxeram Cauã Reymond na passarela (e Lea T. também!). O problema é que apesar de um desfile limpo, com uma lavagem bem bonita e super a cara da marca, a roupa aqui foi o que menos contou. As atenções do público ficaram com a bateria da escola de samba da Vai-Vai (que a despeito de qualquer coisa tava linda e com todos os integrantes na mais pura energia e simpatia), nas celebridades que desfilaram e no tal protesto que foi feito no final da apresentação. Com uma camiseta com os dizeres “abaixo este país atrasado”, muita gente ficou sem entender exatamente a que a Ellus se referia.

É super legal quando uma marca usa da sua força e da sua aparição na mídia pra levantar um tema ou fazer uma coleção mais crítica, que coloque o dedo na ferida. O que me soou um pouco triste foi não conseguir ver uma real ligação entre o que a Ellus apresentou na passarela e a camiseta do final do desfile. Reflexão é ótima na medida em que é de fato uma reflexão. E né, quem sou eu pra querer apontar erro de marca, mas na minha humilde opinião, o desfile teria sido muito mais coeso e belo – porque sim, o jeans clarinho e a modelagem foram lindos, lindos mesmo – se o foco tivesse ficado só na roupa. Tava lindo, Ellus, isso já bastava pra gente (:

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Como certas coisas nessa vida só acontecem comigo, as fotos que bati desse desfile – o que eu mais gostei dos que assisti – se perderam no celular. Como eu consigo fazer essas proezas nem eu mesmo sei, e fica aí de tópico pra um outro post. Bom, de qualquer forma, o fato é que Wagner Kallieno foi, assim, uma lufadinha de ar fresco nessa temporada. Não é muito maravilhoso quando um estreante do SPFW chega lá e prova que tem gente talentosa à beça nesse Brasil que merece ter espaço na grande mídia?

Uma das coisas que mais me conquistaram nesse desfile foi o fato de que o estilista resolveu fazer sua estreia bem do jeitinho dele, sem querer botar banca ou fingir algo que não é. Ele falou das suas raízes e de sua cidade, Natal, e sobre o fato de lá ser a primeira cidade no brasil onde nasce o sol. Daí toda a ideia da coleção se desdobrava a partir dessa força do sol do Nordeste, falando sobre o que ele representa para a região e as sensações que transmite. Em uma matéria que li no Estadão, vi uma declaração dele sobre essa coleção que dizia uma coisa muito interessante. Segundo ele, mesmo ela sendo feita a partir de um tema regional, as peças tinham um olhar universal, e eu instantaneamente lembrei da entrevista que o FFW fez com a Li Edelkoort, onde ela disse “Meu conselho à cultura do Brasil seria considerar de onde vocês vem. Porque o mundo está se tornando muito global e o próximo passo no mercado mundial é conquistar a América do Sul e a África. Então a indústria e os designers do Brasil deverão expressar o que os motiva intimamente, e não que está acontecendo em outro lugar.” Muito zeitgeist, não?

Nas peças de Wagner, o que mais se viu foi exatamente essa mistura: fios naturais com bordados regionais maravilhosos que ganhavam interferência de outros materiais mais tecnológicos. As peças variavam entre tons de branco e nude e eu saí de lá fascinada.

Os convidados chegam, sentam e as luzes se apagam. Alguns vídeos passam no telão e, logo em seguida, são ditas as normas de segurança da sala. Silêncio. Vai entrar a primeira modelo na passarela. Só que aí, uma coisa muito estranha acontece. Uma música bem conhecida e, nada imaginável de se estar em uma passarela do SPFW, começa a tocar: “Ula, ula de lá, Tchan, quebra, quebra daqui, Tchan, ô Bahia iaiá, é o Tchan no Havaí.” E foi assim, ao som de É o tchan, que a Amapô fez seu desfile. Na primeira fila, mesmo sentada, uma menina fazia passinhos de coreô, e não foram nem uma, nem duas, nem três pessoas que eu vi cantarolando a música. Foram muitas.

As roupas e o tema que serviu de inspiração para essa coleção justificam a escolha da música – que sério, não poderia ter sido melhor (ah, eu bem sei que você já dançou É o tchan pelo menos uma vez na sua vida, vai, admite!), porque foi um universo de referências ao Havaí que adentrou a passarela. Além dos característicos hibiscos havaianos que apareceram em estampas super coloridas, a cintura alta, tanto nos shorts, quanto nas saias e calças, dominou do começo ao fim. Além do contraste de cores muito fortes, essa coleção apostou também nos acessórios, focando em óculos e chapéus bem chamativos.

Os fãs da marca, que adoram as extravagâncias e loucuras tão gostosas que Pitty e Carô sempre fazem, devem ter pirado com essa coleção.

 

Eu sou muito fã do trabalho do Alexandre Herchcovitch e acho que a esperteza dele em fazer coleções nem sempre fáceis de digerir assim de cara, mas que tem peças hiper vestíveis e com uma alfaiataria de bater palmas, vem desde a sua formatura na FASM – ainda que naquela época sua pegada rocker e soturna fosse muito mais aparente. Na coleção masculina dessa temporada, Alexandre trouxe um casting inteiro de homens negros (tinham duas mulheres também) e uma proposta de coleção que vinha inspirada por uma religião chamada Baptist Nazareth Chrunch, que mistura zulu com cristianismo.

O contraste de cores e as saias estilo kilt pontuaram o desfile do começo ao fim e, mesmo acompanhando moda masculina muito menos do que a feminina, arriscaria dizer que essa coleção tem ingredientes poderosos pra fazer sucesso nas lojas do estilista. Ainda que na passarela elas ganhem um trabalho de styling mais conceitual, tudo tem potencial de ir para as ruas.

O encerramento dessa edição ficou por conta de Samuel Cirnansck que dessa vez fez uma coleção bem leve e etérea (nada de modelos amarradas ou amordaçadas!), com peças mega fluidas. Os vestidos de tons pastel esvoaçavam pela passarela e eram cobertos por bordados, rendas e pedrarias.  Essa era uma coleção que eu queria muito ter visto mais de pertinho pra poder analisar algumas coisas, – como alguns problemas de acabamento que, de longe, pareciam existir. Como estética geral, ela é bem contos-de-fada, com uma aura todo angelical. Saí fascinada da sala, com vontade de ter dinheiro pra comprar nem que fosse um pedacinho daquele brilho e delicadeza toda haha.

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Pra quem chegou até aqui, parabéns haha. Desculpa o tamanho do texto, gente, mas quando é um assunto assim pelo qual eu ando muito inspirada, não consigo ser sucinta. E contem nos comentários o que vocês acharam dessas coleções e das dos outros dias também!

Bisous, bisous e até a próxima.

Sobre jornalismo de moda, TCC e outras histórias

Quem me acompanha no twitter (@paulinha_v) já deve saber, mas há poucos dias apresentei meu TCC e terminei assim a última pendência que tinha com meu curso de Jornalismo. Ou seja, agora sou oficialmente uma jornalista! (Insira aqui todas as exclamações possíveis).

Desde 2009 eu curso Jornalismo na UNESP de Bauru e no final do ano passado finalizei todas as matérias do curso, menos o TCC. Acontece que depois de já ter fechado o tema bonitinho, marcado entrevistas e tudo mais, eu tive que mudar o tema dele no meio do ano (!) por uma série de problemas que aconteceram, e decidi que preferia então fazer uma monografia sem pressa e com todo o cuidado e carinho que ela merecia. Isso acarretou, entre outras coisas, em entregar e apresentar o TCC só agora no meio do ano. Mas ó, posso dizer sem titubear que valeu muito a pena!

Tanto que esse post aqui é pra falar sobre duas coisas muito incríveis que aconteceram durante e depois da minha monografia: descobrir que o  tema escolhido foi um verdadeiro presente, que me fez empreender as pesquisas mais proveitosas ever, e sentir um orgulho imenso de ter ido pra banca com um TCC de moda, voltado com um dez, e descoberto que – por mais bizarro que isso possa parecer –  o preconceito com o jornalismo de moda era uma realidade latente até pouco tempo. E que se hoje eu posso escrever sobre moda sem medo de ser julgada dentro e fora do meio acadêmico, é porque teve gente que muito antes de mim já tava lá lutando e mostrando que “moda não é só perfumaria”, como diria meu orientador.

Diana Vreeland, essa musa-mor do jornalismo de moda, dizia uma frase incrível: "O importante não é o vestido que você usa, mas a vida que você vive dentro dele."

Diana Vreeland, essa musa-mor, dizia uma frase incrível que me inspira sempre, inclusive quando alguém me questiona a importância do jornalismo de moda: “O importante não é o vestido que você usa, mas a vida que você vive dentro dele.”

Minha monografia foi uma análise da cobertura feita pela Folha de São Paulo em duas edições do SPFW; a de 2001, quando a semana de moda começou de fato a ser chamada assim, e a de 2011 quando ela completou 15 anos de existência. Daí que logo de cara eu percebi que pra poder escrever sobre esse assunto eu precisaria me profundar muito na própria história do SPFW, afinal pra conseguir analisar essas duas edições, eu precisava entender primeiro como se tinha chegado até ali.

Pra começar essa pesquisa, fui então atrás de livros que resgatassem a história da moda brasileira – um dos capítulos da monografia – e a própria história da semana de moda de São Paulo. E olha,  não foi nada fácil. Eu já bati nessa tecla outras vezes aqui no blog, mas é incrível como realmente faltam livros bem completos sobre moda brasileira. Os poucos livros sobre o assunto quase nunca são acessíveis pra população, ou por terem uma tiragem pequena ou por custarem algo na casa dos três dígitos.Um dos poucos e bons livros que eu consegui ter acesso para a pesquisa foi o “História da Moda no Brasil”, que eu já resenhei aqui no blog no comecinho do ano, e que apesar de não ser nada barato, vale super a pena.

Só que daí, de repente eu me toquei que, além dos livros, também havia uma outra forma de empreender uma pesquisa sobre esse assunto . Afinal, se eu podia usar o acervo da Folha de São Paulo pra pesquisar a cobertura da semana de moda nas duas edições escolhidas, eu também podia usar esse mesmo acervo pra reconstruir a história do SPFW, já que a Folha foi um dos poucos veículos que esteve presente em todas as suas edições. E preciso abrir um parênteses aqui pra dizer um obrigada a Erika Palomino, a coluna Noite Ilustrada e a amizade que dona Erika sempre teve com o povo da noite e das muódas de São Paulo. Foi graças a tudo isso que ela passou a cobrir todo esse universo da década de 90, gerando um dos materiais mais ricos de moda brasileira que a gente possui. E que, tchan tchan tchan tchan, tá online pra qualquer um ler e pesquisar.

Erika Palomino e Alexandre Herchcovitch na primeira viagem dos dois a Paris. A foto é do início dos anos 90.

Erika Palomino e Alexandre Herchcovitch na primeira viagem dos dois a Paris. A foto é do início dos anos 90.

Desde o ano passado a Folha de S. Paulo tem disponibilizado todo o seu acervo online através do seu site. E sim, é gratuito e tem acesso irrestrito. Dá pra fazer buscas por cadernos específicos, datas específicas e até palavras-chaves, ou seja, no tocante ao SPFW – e eu diria até a moda brasileira em geral – o fato da Folha sempre ter dado espaço nas suas páginas pra semana de moda de São Paulo, resultou em um material que é de uma riqueza, que olha gente, é de chorar de lindo. Cliquem no acervo, façam uma pesquisa e vocês vão entender do que eu to falando. E corram, porque segundo o site ele será gratuito apenas por um período de degustação.

Toda a história do Phytoervas, do rompimento entre a Cristiana Arcageli e o Paulo Borges, da parceria com o Shopping Morumbi, das modelos que deram seus primeiros passos naquelas passarelas – e o boom das modelos brasileiras dos anos 90  – da mídia internacional vindo pela primeira vez pra cá pra cobrir a semana de moda, da ida pra Bienal, das histórias de bastidores (alô coluna da Mônica Bergamo), de tudo que vocês puderem imaginar, tá ali no acervo da Folha.

Desfile do Phytoervas Fashion de 1995.

Desfile do Phytoervas Fashion de 1995.

Outra coisa bem legal, agora já focando especificamente nas duas edições que eu analisei, foi, através do acervo, ver a diferença da cobertura feita pela Erika Palomino em 2001 e pela Vivian Whiteman em 2011. As duas têm estilos tão diferentes, mas tão absurdamente diferentes – e né, são duas jornalistas de moda das mais incríveis – que isso se reflete muito no jeito de cada uma  escrever a matéria, na angulação escolhida, na seriedade ou sarcasmo empregado. Foi meio que uma aula de jornalismo pra mim quando enxerguei como cada uma a sua maneira e dentro das suas possibilidade – claro que em 2011 a Folha já tinha toda um outro aparato e bagagem pra falar de moda –  fizeram coberturas tão, mas tão boas. Mega ricas em informações, análises e debates.

Paulo Borges e Vivian Whiteman no Pense Moda 2009.

Paulo Borges e Vivian Whiteman no Pense Moda 2009.

Enfim, depois de recolher todas essas informações do acervo, pesquisar em mais um batalhão de livros e artigos, fazer uma série de análises e escrever até não mais poder, pude escrever a minha monografia do jeitinho que eu queria. E, um mês depois, com todo o nervosismo que eu já imaginava que teria, lá fui eu apresentá-la pra minha banca…

E olha, pra mim esse dia foi tão importante quanto todos os outros dias em que eu passei escrevendo a monografia.Primeiro porque né, tem todo um simbolismo de encerrar um ciclo da nossa vida, que pra mim, mais do que a faculdade, envolve também o lado pessoal e profissional. Aquela certeza de saber que escolhi a profissão que queria, que tenho mais certeza disso a cada dia que passa e que tem muita coisa (boa) lá na frente pra acontecer comigo. E segundo porque durante a arguição – que é quando os membros da banca expõem suas opiniões sobre o TCC e fazem perguntas pra gente – um tema muito importante foi levantado: como é estudar moda no meio acadêmico do jornalismo.

O que mais me marcou de tudo aquilo que foi dito – e que eu fui pesquisar mais depois porque fiquei com a pulga atrás da orelha – foi o fato de saber que em um passado não tão distante assim, tipo ali em 2005, uma outra menina que assim como eu amava moda e se dedicava a pesquisar a área desde quando entrou na faculdade, sofreu bullying, vejam só, dos próprios colegas de sala. Pode parecer assustador, e de fato é, mas em pleno 2005 admitir que se gostava e se estudava jornalismo de moda era o mesmo que se taxar como uma alienada, uma fútil, alguém que possivelmente estava no curso errado. Ainda mais quando se tratava de uma faculdade pública.

Não vou ficar aqui contando a fundo a história da menina, o caso nem é esse, mas ficar sabendo do que aconteceu com ela, com o seu tema de TCC e como ela deu uma grande banana pra todo mundo e hoje tá aí, como uma grande jornalista de moda, foi um daqueles momentos que me fizeram ter certeza do que eu tava fazendo ali em frente aquela banca.

Na minha graduação a realidade que eu vivi foi muito distante dessa. Apesar de na minha sala eu ser a única que estudava e se aprofundava na área de moda, eu nunca fui apontada, xingada ou menosprezada. Perdi a conta de quantas vezes levantei temas dentro da sala de aula que pendiam pro lado da moda e, ao invés de sofrer algum tipo de rejeição, aquilo serviu apenas pro início de um novo debate. E vejam só, eu entrei na Unesp em 2009, apenas quatro anos depois dessa menina se formar! E aí eu fico me perguntando o que mudou tanto em quatro anos pras coisas terem acontecido de maneiras tão diferentes. Tive sorte de ter caído numa sala em que as pessoas eram mais evoluídas, menos centradas em seu mundinho de “moda é perfumaria”? A moda brasileira cresceu tanto em quatro anos que essas pessoas que agora entravam na faculdade tinham uma outra visão da área?  O que aconteceu, gente? Eu, sinceramente, não sei responder a essa pergunta, mas posso dizer que no ambiente em que vivi durante esses quatro anos e meio de faculdade eu consegui ver que o jornalismo de moda é apenas mais uma área como tantas outras, que não é melhor ou pior do que ninguém e que ele é respeitado sim pela grande maioria (haters têm em todos os lugares, infelizmente).

Acho complicado esse negócio de tomar o meu exemplo como regra, mas falando sobre o que eu vivi e sobre as coisas que descobri no dia da minha banca, não há nada que me deixe mais orgulhosa de seguir por uma área que eu amo, que demorou tanto pra ser “aceita”, mas que nem por isso se deu por vencida, e que só cresce mais a cada dia, só ganha mais especializações, mais gente boa interessada, mais boas pesquisas, mais bons jornalistas. É um orgulho inexplicável. E uma vontade cada vez maior de me jogar nela sem medo.

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 2

Pra ler sobre os desfiles do primeiro dia de SPFW verão/2014 é só clicar aqui.

Adriana Degreas

Eu sou meio chatinha pra moda praia, devo confessar, mas a Adriana Degreas fez um desfile tão bonito e tão distante daquela visão que eu sempre tive de moda praia que me encheu os olhos! Primeiro que o tema escolhido, o Rio de Janeiro dos anos 20, 30, 40 e 50 (!), por si só já é um tema que me faz dar pulinhos de inspiração. Amo as cores e as formas geométricas que foram trabalhadas ao longo do desfile, que ora apareciam em peças distantes do corpo (e que me fizeram lembrar muito de Pierre Cardin) e que às vezes apareciam tão justas, quase anatômicas. Foi um desfile lindo, com uma beleza bem arrebatadora – inspirada em Audrey Hepburn, como poderia não ser? Uma moda praia extremamente elegante.

Acquastudio

Diretamente do Fashion Rio pra Bienal do Ibirapuera, a Acquastudio desdobrou o tema “navy couture” naquilo que a gente já conhece: pérolas (que apareciam nas roupas e também naquele colar (?) que quase todas as modelos tinham), mistura de branco e azul marinho e muitas listras. Além disso, o que não faltou foram babados, plissados e tudo aquilo que fosse necessário pra deixar a roupa mais ‘gordinha’. E claro que os tecidos ficaram ali entre o tule e a organza, que além de darem armação para a peça, davam muita fluidez.
Eu que sou fissurada no tema e em seus desdobramentos não tinha como não gostar e ó, to mega apaixonada por esses óculos!

Ronaldo Fraga

E lá vou eu de novo falar de Ronaldo Fraga tentando não ser piegas. E olha, isso não é fácil! Os desfiles dele sempre têm essa veia mais conceitual (já falei desse assunto aqui) explorando temas brasileiríssimos. No de verão/2014 foi a vez de falar sobre futebol! E vale revisitar as décadas de 30 a 50, dando especial atenção pra inserção dos negros no esporte, coisa rara até então. E é gostoso observar como o tema foi desdobrado de maneira tão esperta. Quase que literal nos sapatos em forma de chuteira (abertos na frente, exatamente como eram as chuteiras da época, usadas por diferentes jogadores e que portanto tinham que servir no pé de qualquer um), nos brasões dos times e nos calções que apareceram diversas vezes na coleção; de maneira mais discreta nas listras – em referências as demarcações do campo e das traves – e nos hexágonos que oram brincavam com a ideia de uma bola desconstruída e ora com a rede do gol.
É lindo ver o trabalho de Ronaldo! Fico verdadeiramente emocionada.

Forum

O desfile da Forum também falou sobre o universo navy, mas dessa vez ele foi embalado pela bossa nova dos anos 60. E até aí, como ponto de partida, é algo que me cria muita curiosidade e expectativa. Por um lado, eu fiquei muito satisfeita com o resultado final: as estampas usadas são lindas, mas lindas mesmo, provavelmente as estampas mais bonitas desse segundo dia de desfile. Além disso, o turbante usado por muitas modelos foi algo bem fresh, que trouxe interessância pra roupa sem pesar. No entanto, por outro lado, o que talvez mais me desgoste nesse desfile da Forum é a modelagem das peças, que às vezes vinham chapadas demais, largas demais. Faltava um pouco de vida pra roupa, coisa que só a estampa não dava conta de fazer.

Ellus

Antes de falar de Ellus eu quero falar de Lindsey Wixson. E, por favor, não joguem pedras em mim! Eu amo a Lindsey na fotografia, amo esses lábios de coração que só ela tem, amo esse jeito menina-mulherão que ela passa na foto, mas na passarela… pode ser apenas um estilo diferente, é claro, mas eu ainda não consegui me acostumar com a forma como ela desfila. Deem uma olhada no vídeo (ela é a primeira a entrar) e tirem suas próprias conclusões. Assisti um vídeo da Gloria Kalil em que ela compara a Lindsey a uma ‘potra selvagem’ (?) na passarela. Por mais bizarra que possa parecer a comparação, Glorinha (intimidades) tem toda razão.
Mas vamos falar de Ellus! Eu tinha quase certeza que, em algum momento, uma modelo ia entrar na passarela pilotando uma moto pra fazer jus às peças da coleção. Brincadeirinha. Mas que a Ellus veio toda street, toda urbana, ah, isso veio! Não é das coleções que eu mais amo, mas é bem comercial, é super bem acabada e totalmente puxada para o militar, que já tá voltando nada tímido paras as vitrines. Além disso, a marca trouxe jaquetas perfectos que vão vender horrores nas lojas e veio seguindo a mesma linha das suas últimas coleções. No seu jeitinho bem Ellus de ser.

Mudando de assunto...

  • Quero falar de todos os desfiles desse SPFW, mas juro que nos próximos vou tentar ser mais rápida pra subir os textos! ;}
  • As montagens daqui do post ficaram boas? Com a ajuda do namorado, muitas dicas e inspirações vindas da @IamYasminAraujo (obrigada Ya, suas montagens são as mais lindas do universo!) e depois de muito tempo no photoshop, acho que encontrei um ‘padrão’ aqui pro blog pra subir imagens de desfiles. É claro que de vez em quando dá pra fazer algo diferente, mas gostei desse resultado final aqui de cima! Me deem suas opiniões! :*

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite