Um giro no último dia do SPFW N41

Na última sexta-feira, dia 29 de abril, fiquei bastante feliz por São Paulo ter amanhecido gelada. Eu tinha ido pra lá na quinta para cobrir um evento pela editora, e acabei estendendo a viagem e aproveitando para ficar na cidade durante a sexta e o final de semana também.

Um dos motivos pra isso é que no dia 29 ia rolar o último dia de SPFW, e vocês bem sabem que sempre que possível, eu gosto de acompanhar de perto essa semana de moda.

Os corredores

Exposição “How Do I Feel Today”, da modelo e artista plástica Nathalie Edenburg, que criou diferentes tipos de intervenções artísticas em uma mesma foto sua

Quem costuma ir a semana de moda de Sâo Paulo sabe que é de praxe ver a produção e a imprensa correndo como uns loucos no entra e sai de cada desfile, mas outra coisa comum a todas as edições são as ações super diferentes e legais que rolam pelos corredores.

Nessa temporada, por exemplo, além de um espaço da TNT onde você podia customizar uma camiseta da Cotton Projec, havia ainda uma máquina da Coca-Cola pra você personalizar sua bebida escrevendo seu nome na garrafinha, e um carrinho da Magnum que além do tradicional sorvete mara deles, ainda oferecia uma versão do picolé derretido como um cappuccino (!!).

Ainda nessa parte de ações, tinham os já ‘tradicionais’ food trucks e um espaço lindo da Natura onde rolaram palestras e pocket shows durante toda a semana de moda, com gente como Jout Jout, Liniker e Elza Soares. (Pausa nesse momento pra chorar um pouquinho ao lembrar que teve show do Liniker em Bauru e eu não fui.)

E é claro, tiveram as exposições também, que em toda temporada estão espalhadas pelos corredores, mas que infelizmente nem sempre são muito lembradas pelas pessoas que passam pelo evento.

Nessa edição, além da exposição da modelo Nathalie Edenburg (mostrada na primeira foto desse post), havia também uma área dedicada a joias dos finalistas e vencedores do AuDITIONS Brasil, o maior concurso de joias de ouro do país. E, junto a tudo isso – e pra mim, a mais emblemática exposição dessa edição – havia também uma sessão de fotos chamada “Apolônias do Bem” que mostrava mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que receberam tratamento odontológico gratuito da ONG  Turma do Bem.

As fotos mostravam algo como um “antes e depois” da mudança, e era chocante a diferença de expressão que cada uma dessas mulheres carregava. Se as fotos do antes mostravam seriedade, tristeza e quase um tom sombrio, as que vinham depois eram recheadas de risos, brincadeiras e caretas. Uma mudança assustadora, mas muito representativa também da transformação que a vida dessas mulheres teve.

O FFWSHOP como sempre cheio de itens de arte que me fazem suspirar

E como não podia deixar de ser, a lojinha do FFW, a FFWSHOP, também estava lá nessa edição, ainda mais repleta de coisas lindas do que de costume. Eram livros, objetos de decoração, plantinhas, camisetas e uma infinidade de objetos de arte encantadores.

Dessa vez, eu fiquei tentada mais do que o normal em trazer um item pra casa, já que entre os livros do estande havia um com todas as ilustrações originais do filme Inside Out da Pixar. Mas, como sempre, fiquei barrada no preço (que não era dos mais convidativos) e acabei deixando quieto. Uma pena, na real.

Os desfiles

Assisti a todos os desfiles que rolaram na sexta-feira, com exceção do da Ellus (momento que eu aproveitei pra pegar um táxi em paz, sem correria e disputa, e ir pra casa descansar hehe) e achei que esse último dia teve um balanço mais do que excelente de apresentações.

Lino Villaventura

Lino, que costuma ser sempre performático em seus desfiles, se superou dessa vez. O que aconteceu foi que as modelos entravam, paravam em um local montado com holofotes e posavam em sofás ou carrinhos (que eram trocados de tempos em tempos) para o fotógrafo Miro. No ato as fotos apareciam no telão, e só depois de muitas poses – lindas e dramáticas – as modelos levantavam, cruzavam a passarela e saíam de cena.

Pra mim a ideia de transformar seu desfile em uma sessão de fotos feita assim, na frente de todos os telespectadores e sem cortes, foi genial. Em roupas dramáticas, com muito volume e bordados, tudo era puro conceito, puro drama, pura arte. A beleza ajudava ainda mais nesse resultado, com cabelos super elaborados e presos em hastes no alto da cabeça. Tudo bem drama queen mesmo, apostando em um resultado que vai ser visto só daqui algum tempo, em uma exposição que será feita com as fotos do desfile.

Mas, se existe uma ressalva que pode ser feita quando a essa apresentação, é a de que ainda que Lino quisesse fazer suspense sobre o resultado do ensaio, ficou uma situação meio esquisita para os fotógrafos que estavam no PIT registrar tudo aquilo, já que as modelos posavam de lado, e não de frente para eles. E, se por outro lado, a ideia era dirigir todo o foco para o público que assistia a apresentação, nem a gente conseguiu enxergar bem o que se passou, já que os enormes spots de luz tapavam boa parte da visão.

Nesse ponto, a estrutura da sessão de fotos poderia ter sido diferente (a apresentação, aliás, ia ser externa, mas dias antes do evento começar, voltou para o line-up da Bienal), o que teria deixado o espetáculo ainda mais bonito.

Wagner Kallieno

Já no desfile do Wagner Kallieno, os anos 80 apareceram em peso e o que vimos na passarela foi uma profusão de blazers (daqueles que pareciam ter enchimento nos ombros e o deixavam ainda maior) e peças sortidas, como calças, saias e vestidos que adotaram com força o lamê pra si. O desfile inteiro, aliás, foi uma brincadeira de juntar o armário feminino com o armário masculino, numa tentativa (bem sutil) de pincelar o tão controverso e discutido estilo unissex.

Li depois no Chic que essa coleção tomou como inspiração a personagem Alex do filme Flashdance, o que justifica bastante a escolha dos tecidos e especialmente os primeiros looks que cruzaram a passarela. Além disso, outra coisa bastante marcante na apresentação foram as peças oversized, que parecem mesmo ser a grande aposta de várias marcas pra essa temporada.

GIG Couture

Minha primeira impressão do desfile da GIG Couture foi a de que estava rolando uma invasão de babados e plissados na passarela. Foi só depois, olhando com mais atenção, que percebi como esse volume que as duas formas faziam nas roupas é que eram os responsáveis por misturar as cores da coleção. Eram nos plissados que as cores se intercalavam ou criavam diferentes efeitos, e nos babados que elas se misturavam ou criavam blocos de cores.

Esse jogo de cores, formas e luz resultou em um trabalho bastante autoral e bonito. Desses que deixa a gente curiosos pra acompanhar os próximos passos da marca.

Ratier

O desfile da Ratier era o que eu mais tava ansiosa pra assistir, já que vi a estreia deles na temporada passada e amei loucamente a proposta da marca. Ainda assim conseguiu me surpreender com a qualidade (e quantidade!) de peças que eles apresentaram, e só confirmei a minha teoria de que a Ratier ainda vai voar muito longe.

Vale dizer que essa é uma das poucas grifes que eu piro na proposta e acho lindo a vibe minimalista rock, mesmo sem ser o estilo de roupa que eu uso no meu dia a dia. Sabe marca que independente de gosto pessoal, ganha espaço e respeito no nosso coração? Pois é.

Nessa edição, a proposta deles de ser clean, minimal e com poucos pontos de luz continuou, mas com um up aparente nas peças que ganharam um pouco mais de sofisticação. Lindo de verdade.

Cotton Project

É sempre uma delícia assistir a estreia de uma marca no evento e a Cotton Project fez muito bonito nessa sua primeira apresentação. A marca que é do diretor criativo Rafael Varandas e do estilista Acácio Mendes (vocês lembram que ele participou do reality show “Projeto Fashion” do SBT?!) já havia desfilado na Casa de Criadores temporada passada e, pra essa edição, mudou um pouco de ares e caiu de cabeça na Bienal.

Eu confesso que conhecia pouco do trabalho da dupla, mas achei interessante essa proposta que eles possuem bastante comercial e direcionada a um público específico, bem easy e descolado. A vibe do desfile todo foi bem colorida e cheia de peças fáceis de usar, combinar e brincar no look. Gostoso de ver.

Algumas considerações

Foi apenas um dia de evento, mas já deu pra sentir que havia um clima mais animado nos corredores do que nas últimas temporadas. Ainda que várias marcas como Colcci, Animale e Amapô tenham pulado essa edição, fiquei com a sensação de que o público em geral gostou muito dessa não generalização de estações e achou que fez mais sentido essa “liberdade” que foi dada as marcas.

Já a imprensa, por outro lado, me pareceu meio perdida nessa edição. É como se nesse momento onde tantas mudanças estão acontecendo, muitos veículos e jornalistas não soubessem muito bem onde havia um terreno seguro para se colocar os pés. Senti falta, port exemplo, de coberturas mais detalhadas da semana de moda e percebi que até alguns portais deixaram de fazer vídeos e críticas nessa temporada.

Enfim, o jeito agora é esperar e ver como as próximas edições irão se desdobrar dentro e fora da Bienal.

E mais...

Pra quem, assim como eu, também fica lendo, vendo e digerindo tudo que rolou no SPFW mesmo mais de uma semana depois, fica aqui a indicação de alguns links que achei bem interessantes sobre o assunto.

Esse texto do Costanza Who que mostra quem são, o que de fato fazem e qual a rotina de um fotógrafo de PIT em uma semana de moda.

A matéria do FFW que faz um resumão de vários acontecimentos importantes dessa temporada.

O artigo que Paulo Borges escreveu para o BoF (Business of Fashion) sobre as mudanças dessa e das próxima edições, e onde o criador do SPFW fala um pouco sobre a indústria de moda no país, porque essas mudanças foram tão necessárias e o que se espera com essas alterações no calendário.

– E essa propaganda da Natura que passava antes de todos os desfiles e que me deixou emocionada da cabeça aos pés todas as vezes.

E vocês, o que acharam dessa edição? Gostaram das mudanças?

Bisous, bisous e até mais!

Vamos falar sobre o FFW Fashion Tour

Desenvolvido pela empresa Luminosidade, – responsável pelo SPFW e Fashion Rio, pelo site FFW e pela revista FFWMAG – o FFW Fashion Tour é um projeto que se propõe a celebrar a inovação, a criatividade e a paixão por estilo.  O projeto já existe há quatro anos, mas agora em 2015 existem três razões pra ele ser ainda mais especial do que de costume.

A primeira delas é que esse ano o SPFW comemora 20 anos de existência, e o FFW Fashion Tour aproveitou a data pra celebrar e relembrar esses vinte anos de história, que não apenas ajudaram a profissionalizar a moda nacional, mas que também ajudaram a consolidar grandes talentos e levar a moda brasileira para o mundo todo.

A segunda é que diferente dos outros anos, dessa vez o projeto está viajando pelo Brasil e pelo menos por enquanto três cidades já foram escolhidas para recebê-lo. Blumenau, por onde ele já passou, Belo Horizonte, por onde ele vai estar do dia 24 de setembro ao dia 04 de outubro, e Bauru, onde eu moro, e onde ele está nesse exato momento.

E a terceira razão, que é um pouco mais pessoal do que as outras, é que meu antigo chefinho da Lumi (eu trabalhei um tempinho por lá quando fiz a produção do SPFW e Fashion Rio de inverno/2011), me chamou pra trabalhar na montagem de uma das exposições do evento, a “20 anos de moda brasileira”. Além de ter ficado mega feliz com o convite, já que é um prazer e uma honra voltar a trabalhar com o Lu, uma pessoa que eu super admiro, foi uma delícia poder estar envolvida de novo com um evento tão incrível.  E como eu sou uma pessoa muito ligada em “coisas e datas simbólicas”, foi ainda mais interessante perceber que eu trabalhei por lá quando o SPFW comemorava 15 anos de existência e que agora, cinco anos depois, cá estou eu de volta.

Paulo Borges, Reinaldo Lourenço e Arlindo Grund no palco do FFW Fashion Tour. Em Blumenau, o talk show teve participações de Lino Villaventura e Isabela Capeto e em Belo Horizonte será a vez de Glória Coelho e Carol Ribeiro conversarem com o público.

Na quinta-feira, dia 10, foi a abertura das exposições e foi também o dia em que rolou um talk show muito interessante mediado por Paulo Borges e com participações de Reinaldo Lourenço e Arlindo Grund. A conversa passeou entre muitos temas, mas alguns dos mais falados – e as opiniões que foram dadas a respeito de cada um – eu decidi compartilhar aqui embaixo.

Sobre fast-fashions

A parceria de estilistas de peso com lojas de fast-fashion foi defendida, especialmente por Reinaldo Lourenço que disse enxergar nesse tipo de ação a possibilidade de se alcançar um público que deseja uma peça de determinada grife ou designer, mas que não tem poder aquisitivo pra comprá-la. Ainda que o produto não possa ter a mesma qualidade do seu “original”, por questões óbvias de produção e investimento, busca-se ao máximo chegar lá, e claro, mantém-se a assinatura, mantém-se a ideia, mantém-se o desejo e o estilo dessas peças que vão pra loja. Aquela ideia do valor agregado de uma marca.

Por outro lado, muito se falou sobre o acúmulo de peças que essas lojas levam para o mercado. Será mesmo que precisamos de tantas roupas? Será mesmo que precisamos comprar tantas peças novas a cada coleção, a cada temporada? Mais vale uma roupa descartável e barata ou uma roupa cara, mas que durará por mais tempo?

Sobre novelas brasileiras e Verdades Secretas

As novelas brasileiras também não ficaram de fora da conversa, e o próprio Paulo Borges lembrou da importância que muitas delas tiveram para popularizar a indústria da moda.  Desde a novela Celebridade de 2004, – que inclusive chegou a gravar uma cena no próprio SPFW – as novelas abraçaram o universo da moda e, às vezes de maneira mais realista e às vezes de maneira mais caricata, o levaram para dentro da casa de milhares de brasileiros.

Verdades Secretas, novela das 23h da Globo (que eu adoro e é a primeira que eu tenho acompanhando depois de muitos anos) foi lembrada por Reinaldo como uma das que melhor soube transportar a estética da indústria de moda para a TV. Sem levar em conta o enredo ou as polêmicas que a cercam, e pensando puramente em termos visuais, Verdades Secretas foi muito elogiada.

Ps: vale dizer que o maravilhoso Dudu Bertholini é o responsável pela consultoria fashion da novela!

Sobre estilistas, modelistas e costureiros

Outro assunto bastante falado no talk show foi a quantidade cada vez maior de estudantes querendo se tornar estilistas e consequentemente tornando o mercado de trabalho cada vez mais acirrado. Grande parte desse fenômeno se deve ao endeusamento que a profissão vem alcançando nos últimos anos aqui no Brasil e ao status que “aparecer para os agradecimentos depois da fila final do desfile” passou a ter. Enquanto isso, outras profissões como a de modelistas e costureiros acabam sendo postas de lado nos país. Reinaldo fez questão de lembrar que hoje existem profissionais muito mais especializados nessas áreas do que antigamente, mas que ainda existe um gap muito grande no mercado na procura por essas profissões.

Vista de cima das exposições “20 anos de moda brasileira” e “Sonhando Acordado”.

Além do talk show, duas grandes exposições também fazem parte do FFW Fashion Tour e estão abertas para visitação do público aqui em Bauru até o dia 20 de setembro.

A primeira delas, “20 anos de moda brasileira”, conta com uma curadoria de 20 peças incríveis de diferentes estilistas que fazem parte da história do SPFW. Assim como seus “donos”, as peças também ajudam a contar a história do evento e a relembrar momentos e desfiles memoráveis da semana de moda. Tem Gloria Coelho, Tufi Duek, Paula Raia, Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, André Lima, o próprio Reinaldo Lourenço e muito, muito mais.

Já a exposição “Sonhando Acordado” reúne diversas imagens clicadas pelo fotógrafo Bob Wolfenson em que estilistas, modelos, cantores, maquiadores, stylists e muito outros artistas posam juntos e mostram as mais diversas conexões que possuem entre si e com a indústria de moda. Com curadoria de Paulo Borges, a exposição já havia aparecido na última edição do SPFW, a de verão 2016. As imagens estão simplesmente lindas e todas as fotos possuem pequenas histórias sobre os personagens que nela aparecerem, montando assim um quebra-cabeça de 20 anos de história de moda no país.

O FFW Fashion Tour 2015 fica até o dia 20 de setembro em Bauru, no Boulevard Shopping Nações.

Se você é daqui da cidade, trate de dar uma passadinha lá no shopping pra conferir tudo de pertinho.

Bisous, bisous

Links para toda hora | Especial SPFW verão 2016

Nessa temporada, não dei um pulinho no Parque Cândido Portinari pra conferir a decoração e os desfiles do SPFW, mas assisti e li tantas coisas legais sobre o assunto – e também sobre coisas fora do evento, mas que tão instrinsecamente ligadas ao momento atual da moda brasileira – que achei que essa listinha merecia demais se transformar em um “links para toda hora” especial. Bora lá então conferir esses links cheios de amor e bom conteúdo.

“Daqui a 100 anos, as pessoas vão olhar para as fotos de moda de hoje e vão saber como as pessoas se vestiam, quais eram os costumes… A moda é importante tanto como indústria e a questão economica, quanto culturalmente. É a crônica de um tempo.”

Essas palavras são do fotógrafo Bob Wolfenson, o responsável pelo ensaio fotográfico “Sonhando Acordado”, uma celebração aos 20 anos de SPFW e aos encontros de inúmeros profissionais que fizeram parte dessa história. A mostra tem curadoria de ninguém menos que Paulo Borges e pode ser conferida em primeira mão nessa edição do SPFW, seguindo depois para outras cidades. O Estadão fez uma entrevista bem incrível com o fotógrafo sobre essas fotos, sobre sua carreira e sobre a importância que ele vê na fotografia de moda.

A Marina Espindola do Costanza Who fez um texto bem interessante sobre a necessidade (ou falta dela) da semana de moda carioca e o que esse hiato de Fashion Rio representa para a indústria de moda brasileira. Vale a pena ler e acompanhar os próximos capítulos dessa história.

Erika Palomino não só é uma das profissionais de moda mais talentosas e importantes do Brasil, como também não tem papas na língua e fala o que pensa (desde o começo de sua carreira), sem medo das críticas. Ela tem um olhar de insider e de vanguardismo que eu admiro horrores e nessa entrevista para a FFWMag 39 – e que teve uma parte postada no site do FFW – ela, mais uma vez, bota o dedo na ferida e fala sobre moda, blogs, seu trabalho, sua saída da L’officiel, suas visões para o mercado e mais uma porrada de coisas que fazem a gente pensar um bocado. Da série: tem que ler!

Todo mundo viu e reviu a despedida de Gisele Bundchen das passarelas, mas eu não podia deixá-la de fora dessa lista, pois continuo a achar esse momento emocionante e super importante pra moda brasileira. Porque, verdade seja dita, Gisele está ligada de forma incontestável com a moda nacional, não só porque cresceu nesse meio, mas porque foi uma importante “ferramenta” para que os olhos da indústria por aqui pousassem. Sua despedida foi tão bonita, divertida e humilde (ela fez questão de encerrar a carreira por aqui, no SPFW, desfilando pra marca que sempre a apoiou) quanto a sua trajetória profissional. No videozinho aqui de baixo do canal da Lilian Pacce dá pra rever esse momento.

E como não se faz uma semana de moda sem bons desfiles, pra encerrar essa lista fica aqui esse textinho da Harper’s Bazaar falando sobre a coleção de verão 2016 da Acquastudio que eu achei mega inspiradora e que foi buscar referências na flor que anuncia a chegada da primavera no Japão, a cerejeira. Na galeria de fotos é possível conferir de perto os shapes e estampas de que falam a matéria e ficar tão apaixonada quanto eu por essa coleção.

Bisous, bisous

Os cinco de novembro 2014

Todas as fotos do post são do meu instagram @paulinhav

História de uma gata

Pra quem não tem acompanhado a história dessa gatinha, vai aí um resumo…

Uma gata e seu filhote (esse da foto) apareceram mês passado aqui na garagem do apartamento e eu e Diego estamos temporariamente cuidando e alimentando as duas. A mãe é super dócil e a gente desconfia que ela foi abandonada grávida na rua, porque acreditem quando eu digo que eu conheço bem gatos de rua e sei o quanto eles costumam ser desconfiados com seres humanos. A bebê é uma graça e eu acho que vai crescer bem pouco, já que mesmo com dois meses ela tá bem pequenininha ainda. Ela já come ração, usa a caixa de areia e é a coisa mais gostosa de apertar.

O problema é que, como vocês sabem, eu já tenho gatos adotados aqui e não tenho como ficar com mais essas duas. Levamos hoje a gata mãe pra castrar e estamos à procura de um lar cheio de amor pra elas. Se você que tá lendo esse post se interessar e quiser ver mais fotos ou conhecê-las é só deixar uma mensagem aqui. E se conhecer alguém que é responsável e tá afim de adotar mamãe e filhinha, pede pra entrar em contato comigo.

Tô contando com a ajuda de vocês pra achar um lar pra essas fofuras!

Sobre latas de sopa e Andy Warhol

Não é de hoje que eu morro de vontade de experimentar uma sopa Campbell’s e ter uma dessas famosas latinhas decorando meu quarto. Problema é que eu nunca achava uma dessas pra comprar em lugar nenhum, até que no mês passado, quando fui em um empório gourmet daqui de Bauru, PÁ!, dei de cara com uma prateleira todinha dessas latas. Não pensei duas vezes e comprei a mais clássica, de sopa de tomate. Esse mês vou experimentar e depois conto lá na página do blog que gosto que tem. Alguém aí já experimentou?

Festas à fantasia são as melhores festas

Festas à fantasia são as melhores festas

Eu amo festas a fantasia e em novembro, pra minha felicidade, a editora organizou uma. A fantasia foi decidida em cima da hora e aproveitei as minhas roupas de ballet mesmo pra montar a minha roupa. A coroa de princesa (montar uma fantasia que faz sentido não tá com nada, o legal mesmo é misturar princesa com bailarina se você tá com vontade haha) e a camiseta do Charlie Brown usados pelo Di foram emprestados pela Ariane. O Diego (que também é Melo!) e o Antônio se fantasiaram do nosso boss e da sua mulher e foram uma verdadeira sensação na festa haha.

Impressão final da noite? Só acho que podia rolar festa a fantasia todo mês.

As modas

Novembro foi mês de SPFW e deu muito certo de eu estar em São Paulo no último dia da semana de moda e conseguir passar lá no Parque Villa-Lobos pra rever as amigas, ver a cenografia dessa temporada e ainda assistir o desfile da Acquastudio. Nesse post aqui mostrei e contei um pouco sobre os corredores dessa edição, e nesse daqui fiz um “highlights de cada dia”, nas categorias coleção, beleza e trilha sonora.

Minha primeira banca de TCC

Lá pelo meio de novembro aconteceu ainda uma coisa muitoo legal: pela primeira vez na vida fui banca de um TCC! A apresentação foi da querida Natália Dian, que se formou em Design Gráfico pela UNESP daqui de Bauru. Além de criar uma agência de fotografia especializada em retratos que contam histórias através de uma tema, em uma mistura de retrato com editorial de moda, a Nat montou um pequeno portfólio de apresentação dessa agência já com cinco ensaios realizados. As fotos tavam lindas e eu fiquei muito feliz e honrada dela ter depositado essa confiança em mim. Que venham mais bancas e mais vida acadêmica!

 

 Horror em Amityville – Jay Anson

 Jogos Vorazes: A Esperança – Parte I  – Francis Lawrence  (2014)
A Face do Mal – Mac Carter (2014)
 The Babadook – Jennifer Kent (2014)
 Jogos Vorazes: Em Chamas {revisto} – Francis Lawrence (2013)
 Jogo Vorazes {revisto} – Gary Ross (2012)
 A Marca do Medo – John Pogue (2014)
 Housebound – Gerard Johnstone (2014)
 Godzilla – Gareth Edwards (2014)
 Uma Noite de Crime: Anarquia – James DeMonaco (2014)

Bisous, bisous!

SPFW inverno 2015 | Highlights de cada dia

Como já havia contado nesse post aqui quando falei sobre os corredores do SPFW, resolvi escrever sim sobre os desfiles dessa temporada, mas de um jeito diferente do que sempre faço. Pensei que ao invés de falar de desfile por desfile, seria mais legal se eu fizesse uma espécie de “melhores momentos” de cada dia, em um post mais leve e sem aquela bateria enorme de análises de apresentações.  O resultado é esse daqui de baixo, onde em cada dia escolhi uma coleção, uma beleza e uma trilha sonora preferida pra falar. E, em alguns, ainda rola um plus com algumas informações que não cabiam nessas categorias, mas que mereciam um espaço de destaque entre as melhores.

Comentem a vontade sobre o que vocês acharam desses “highlights” (e se vocês não concordam e destacariam outras coisas nesses dias) e o que mais amaram dessa temporada. Falar sobre desfiles é uma das coisas que mais gosto :)

Primeiro dia

É difícil não amar uma coleção da Animale e é difícil não amar uma coleção do Vitorino Campos, mas é mais difícil ainda não amar uma coleção que junte o estilista e a marca de uma vez só. Com uma estreia linda, dessas de fazer nosso queixo cair, Vitorino trouxe uma pegada mais contemporânea (e eu diria até mais comercial) pra Animale, algo que eu, apesar de amar a marca, achava mesmo que era necessário já fazia algum tempo. A inspiração da coleção foi “a rota da seda” e a camisaria adequada a um styling bem único foi um dos pontos mais bonitos da apresentação. Por falar em camisaria, tá aí um item pra ficar de olho. Usadas de formas, tamanhos e propostas diferentes, a camisa branca foi uma das maiores sensações dessa edição do SPFW.

As maquiagens dessa edição foram bem naturais, não apostaram em quase nada de cor e nem de longe em um bom drama (tirando Ronaldo Fraga de quem eu falo um pouco mais logo abaixo). Ainda assim, minha preferida do primeiro dia foi a da PatBo, que inclusive tem passo a passo, com listinha de todos os produtos usados, lá no site do FFW. O make foi feito pelo Henrique Martins e ainda que a cor seja discreta, em uma leve cintilância por cima do delineado preto, achei que deu uma graça e um “tchan” na produção.

Minha trilha preferida desse primeiro dia também é da Animale, que trouxe o som divertido do projeto musical SBTRKT. A música chama “New Dorp, New York” e foi amor à primeira vista, ou melhor dizendo, ao primeiro som. Aqui tem o clipe pra quem quiser assistir.

Segundo dia

Mais uma vez na FAAP, o inverno 2015 de Reinaldo Lourenço foi uma continuação das homenagens que o estilista tem prestando a algumas cidades nas últimas temporadas. Depois de Paris e Londres, foi a vez agora de Florença, na Itália, e o mote central da apresentação girou em torno do Renascimento e da descoberta de “um novo mundo” com novos valores e conceitos. São vários os materiais trabalhados na coleção, como a seda, o couro e o jérsei, e as cores na maioria dos looks são bem escuras, variando entre o verde, o preto e o cinza.

A beleza da Pat Pat’s tinha tudo pra ser ~só~ mais um olho esfumado, mas o toque de cor trazido na linha d’água do olho variando entre o rosa, o azul e o azul claro, faz uma diferença absurda. Os cabelos não têm muito segredo (como quase todos os cabelos dessa edição, que também seguiram a ideia do minimalismo das maquiagens), e vêm bem chapados e divididos ao meio.

Não que Gisele não ganhe meu coração toda vez que aparece em cima de uma passarela (acho ela de uma presença avassaladora), mas a trilha sonora da Colcci acertou em cheio com “Love Runs Out” do OneRepublic. O clima da coleção e a música, que tem uma batida divertidíssima, casaram mega bem e deixaram a apresentação ainda mais bonita de se ver.

Terceiro dia

Lilly Sarti me conquistou no primeiro look (esse que abre a imagem daqui de cima), mas aí, a cada nova peça desfilada, a paixão foi crescendo. A inspiração mor da coleção veio dos anos 60 (que eu amo!) e dos 70 (a década mais usada como referência nas coleções desfiladas lá fora) e eu fiquei com a impressão que a década sessentinha apareceu mais nos shapes das peças (ai, esses vestidos) e para os anos de “paz e amor” coube as estampas psicodélicas e alguns acessórios (como não amar os chapéus desse desfile?). Dessa mistura surge essa coleção tão bonita, tão chique, tão feminina, que eu queria ter inteirinha na minha arara.

Já deu pra perceber que as belezas dessa edição que não optaram por um make sem nada, só com uma pele perfeita, deram uma pequena inovada usando lápis e delineadores coloridos, né? São detalhes que fazem sim muita diferença, e nesse caso aqui, a beleza do desfile do Vitorino Campos ainda contou com os cabelos molhados e revoltos, quase como se a modelo tivesse acabado de sair do mar. Quem cuidou dessa parte foi a Krisna Carvalho e a maquiagem ficou por conta da maquiadora sênior da MAC, Fabiana Gomes.

Por que escolher “Beat it” do Michael Jackson como melhor trilha sonora do terceiro dia? Porque é “Beat it”, uai! Haha. Adoro essa música e acho que pra desfile ela é ótima e imprime um ritmo gostoso pra apresentação. Ellus arrasou na escolha!

Plus: nessa edição, a Triton se inspirou na saga Star Wars pra sua coleção (shame on me, mas acreditam que eu ainda não assisti todos os filmes?) e antes da apresentação começar, rolou uma invasão do Darth Vader na passarela. Nos vídeos dá pra ver a confusão que foi entre os fotógrafos pra acompanhar os movimentos do personagem. Tá pensando que é fácil cobrir semana de moda? Haha

Vale ainda lembrar que foi nesse dia que o Ronaldo Fraga se apresentou, e que o estilista apostou em uma beleza que, sem sombra de dúvidas, foi a mais comentada dessa edição. Problema é que não pelos motivos mais legais que a gente sempre espera… Depois de pintar suas modelos de vermelho da cabeça aos pés (e Ronaldo foi um desfile que aconteceu lá pelo meio do dia), não havia mágica que conseguisse tirar toda a maquiagem que havia sido colocada. Resultado? Um atraso enorme no line-up, muita confusão e muita modelo chorando porque não pode ir para o próximo desfile.

Quarto dia

Intitulada como “floresta medieval”, a inspiração da Têca para esse inverno 2015 veio traduzida em muito, mas muito mesmo brilho. Pedras, bordados, lantejoulas e muitos maxipaetês invadiram a passarela do começo ao fim, trazendo ares de riqueza e de luxo ostensivo. Apesar de carregada (na lojas, com certeza as peças terão menos informação), eu já tava sentindo falta mesmo de uma apresentação com um pouco mais de drama pra essa edição.

Apesar de ter gostado muito da beleza das Glória Coelho (que era um pouco da própria Glória Coelho nas modelos), a beleza da Patrícia Viera me conquistou mais. A apresentação foi na Faculdade Belas Artes e trocou a passarela por uma aula de modelagem, explicando modelo a modelo o que foi pensado para a coleção. No campo das maquiagens, feita aqui por Max Weber, voltamos de novo o foco para os olhos, que se sagraram os grandes destaques dessa edição. Bem esfumados e marcados, tanto em cima quanto embaixo, eles ganham ainda camadas e mais camadas de rímel.  Os cabelos foram meus preferidos dos cinco dias, em um loiro mega platinado e sedoso.

Estreante no SPFW, a marca GIG Couture fez bonito nas roupas e na trilha com um remix da música Gavitron do trio de garotas Au Revoir Simone. Comandada pelo DJ Bitt, a apresentação dava vontade de balançar os pezinhos enquanto a gente assistia às belezuras que a grife trouxe pra passarela.

Plus: o dia com o line-up mais cheio teve também uma das apresentações mais aguardadas dessa temporada: Versace para Riachuelo, com a presença da própria Donatella. Realizada na Bienal do Ibirapuera (saudade do SPFW ser lá), a sala se transformou em um parque de diversões e a passarela em um ringue de carrinhos de bate-bate. Uma outra passarela que contornava o ringue foi o local onde as modelos e os mais de 50 looks da coleção desfilaram.

Quinto dia

Pra mim foi impossível não escolher o desfile da Acquastudio como meu preferido desse dia porque além de ver pessoalmente a apresentação, eu assisti esse de muito pertinho, e consegui ver detalhes incríveis da roupa que nem sempre pelo vídeo funcionam da mesma maneira. Vale dizer que ele foi feito inteirinho em dourado, e o que poderia ter sido entediante ou esquisito, ficou lindíssimo! Com inspiração vinda do barroco mineiro, o trabalho de modelagem e de detalhes (bordados, bordados, bordados por todos os lados) é absurdo de lindo. Além disso, uma das coisas que mais amei nesse desfile foi a combinação dos vestidos e saias enormes com os tênis (também todos cravejados de pedras e brilhantes) que formaram uma combinação tão inusitada e tão bonita.

Fiquei chateada que em nenhum site consegui encontrar informações sobre como foi feita a beleza da Llas, que eu achei super fresh e que mesmo seguindo a tendência de beleza natural que dominou nesses cinco dias, ainda assim conseguiu se destacar em meio à multidão. Os cabelos presos e os fios propositalmente caindo desajeitados são detalhes que eu acho uma graça, e gostei da forma como o blush/bronzer foi usado, sem pesar muito a mão.

Juro que tentei ser imparcial nessa escolha, mas sério, gente, o desfile da Acquastudio me impactou mesmo nessa edição. Essa trilha sonora me emocionou do começo ao fim da apresentação e os violinos criaram um efeito poderoso e lindo na passarela. A música em questão se chama Smooth Criminal e é do 2CELLOS, e aqui nesse vídeo que gravei dá pra ver como as modelos se cruzavam na passarela de um jeito diferente ao som da música. Lindo, lindo!

Fotos: FFW | Ag. Fotosite

Bisous, bisous e boa terça-feira pra todos nós!