São Paulo Fashion Week N44 / Dia 2

Para conferir o primeiro dia de apresentações, é só clicar aqui.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Apresentando uma coleção onde o preto e branco são as grandes estrelas, – quase sempre em estampas lisas, que fazem as cores se tornarem ainda mais fortes e presentes no desfile – a Uma se inspirou no trabalho do artista americano CyTwombly para criar os poucos grafismos que aparecem nas peças, mas que trazem um ar ainda mais sofisticado aos looks apresentados.

Com um desfile que aconteceu na Japan House, centro cultural dedicado a cultura japônica, inaugurado esse ano em São Paulo, a marca apostou em tecidos bastante delicados e acetinados, que pareciam prestes a esvoaçar pela passarela. Com uma grande quantidade de vestidos longos, robes e macacões, as peças transpiravam conforto e tinham um quê de esportivo chic muito leve e fluido. Uma coleção bonita de se ver e que ainda pontuou alguns looks laranjas estratégicos no meio da apresentação.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Com a proposta de falar sobre o empoderamento feminino, a Paula Raia fez uma apresentação bastante diferente do usual, utilizando um espaço artístico localizado na Vila Madalena para criar uma espécie de performance da coleção. Em quatro ambientes decorados com cristais, as modelos passeavam com calma e delicadeza, de modo que o público pudesse acompanhar seu passeio – e suas roupas – de maneira muito mais detalhista.

As peças eram quase sempre vestidos esvoaçantes, cheios de camadas e em tons de rosa claro, que se repetiam também nos cristais e nos robes distribuídos para a imprensa durante a apresentação. Tudo muito místico e sensorial, mas ao mesmo tempo, bastante longe da ideia que eu acredito que seja a de empoderamento feminino. Não que o rosa ou a delicadeza das peças não possam significar isso, mas essas já são imagens tão batidas sobre as mulheres, que fiquei um pouco decepcionada com tudo o que a coleção poderia ter sido e não foi.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Desde quando comecei a acompanhar desfiles, sempre me senti impactada pelas coleções da Osklen e pela filosofia da marca em relação aos materiais de sua produção, coisa bastante rara de se ver nas grandes marcas daqui ou lá de fora. Só que nessa coleção, em especial, a grife de Oskar Mitzvah conseguiu elevar isso a uma potência ainda maior, fazendo uma apresentação extremamente viva, de bom gosto, com roupas até mais comerciais do que de costume e com uma história linda por trás de si.

Pegando como referência as obras de Tarsila do Amaral, a Osklen mostrou na passarela 42 looks que parecem eles próprios uma representação do processo artístico da modernista. Começando com roupas em preto e branco que remetiam a esboços feitos de lápis e nanquim (e que muitas vezes apareciam eles próprios estampados nas peças), e indo até suas pinturas mais famosas, como o Abaporu, a marca fez uma homenagem linda e muito bem pensada da artista.

Algumas peças como vestidos e conjuntinhos (explorando bastante o uso da seda e do linho), traziam os quadros inteiros estampados, criando um visual extremamente poderoso e que não deixava de lado o DNA da marca.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Assim como nos últimos anos as roupas da academia têm invadido as ruas, ainda que com uma nova roupagem e proposta, vem se tornado cada vez mais recorrente ver peças do beachwear sendo usadas no dia a dia. Prova disso são os maiôs que vem sendo usados cada vez mais como bodys, as saídas de praia que têm ficado cada vez mais chics e sendo estendidas para eventos sociais, e até as cangas, que tem aparecido no lugar das saias. Elementos que estavam todos no desfile da Vix, marca de moda praia que desfilou pela segunda vez no SPFW.

Só que além das mudanças pelas quais o beachwear parece passar, a coleção da Vix tem ainda seu maior espaço para a moda praia “tradicional”, ainda que o seu tradicional seja muitas vezes pontuado por partes de baixo de cintura alta e maxi chapéus que roubam a cena. Tudo com uma inspiração de “Trópicos”, tema da coleção que se faz bastante presente nas cores e estampas desfiladas.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Ainda que Fabiana Milazzo tenha estreado no SPFW na edição passada com uma coleção muito bem falada, essa segunda apresentação da estilista mostrou um trabalho ainda mais focado nos detalhes e no uso inteligente dos materiais. O caimento das peças, os volumes e os bordados parecem sair do lugar comum, fazendo com que a gente não desgrude dos olhos de cada novo look que cruza a passarela.

A coleção é toda de moda festa e teve como inspiração o mundo dos sonhos, que foi levado para as roupas através das estampas oníricas e da leveza das peças. Além do impacto que os vestidos me causarem, gostei especialmente de alguns looks que trocaram as sandálias de salto alto por mules bordados, deixando ainda mais fresca a apresentação.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

No final do ano passado, lembro de ter assistido ao desfile do João Pimenta lá na Bienal e ter dito que ele havia conseguido se superar daquela vez. O problema é que isso parece ser uma constante, já que a cada nova edição, ficamos com essa sensação de que a marca João Pimenta está ainda mais forte, ainda mais bonita, ainda mais comercial e ainda mais conceitual, tudo ao mesmo tempo.

Com foco na moda masculina e sempre trabalhando para um público fiel, que preza por sua veia artística, João Pimenta tem uma liberdade (e ousadia) para trabalhar que é bonita de se ver. Como nessa coleção, onde ele fala sobre céu, inferno e um meio-termo entre esses dois (uma espécie de purgatório, talvez?), e não tem medo de misturar referências fetichistas com peças fluidas e lisas, e um trabalho primoroso de bordado.

Destaque especial para as amarrações que aparecem de diferentes formas nas peças e para as estampas de chamas dos últimos looks, que criam efeitos incríveis.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Com uma cartela de cores bem marcante e que dita o tom da coleção, a Lilly Sarti, marca comandada pelas irmãs Lilly e Renata Sarti, fez uma apresentação que aposta em looks bastante usáveis nas ruas, e que prometem despertar o desejo das mulheres urbanas que buscam referências de moda que sejam práticas e funcionem no dia a dia.

Os conjuntos mais estruturados (com partes de baixo feitas com de couro de cabra) se contrapõem aos macacões despojados e aos vestidos esvoaçantes, que apesar da fluidez, nunca perdem de vista o formato do corpo feminino. Prático, belo e bem feito.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Sem medo de fazer um caldeirão de cores, estampas, materiais, tecidos e técnicas, a Triya, famosa marca de beachwear, desfilou na segunda-feira uma coleção cheia de vida, de diferentes estilos e com grandes destaques ao longo de sua apresentação, mas que quando vista toda junta, não pareça criar uma unidade entre si.

Tendo como inspiração o poema de Oswald de Andrade, “Erro de Português”, que fala sobre a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, a marca se propôs a desvendar a riqueza da natureza brasileira, das vestimentas dos índios e até dos bichos que por aqui habitavam, vista toda do ponto de vista dos colonizadores. Assim, além das estampas que parecem passear por rios e florestas, as peças ganham técnicas bastante artesanais, seja em maiôs, saídas de praia, biquínis hot pants e até calça. Uma mistura bonita, mas que teria ganhado um pouco mais de brilho se tivesse focado em apenas algumas das inspirações e deixado a coleção mais coesa.

 

Fotos: Zé Takahashi da Agência FOTOSITE para o FFW

Beijos e até já, já com o dia 3!

São Paulo Fashion Week N44 / Dia 1

Ontem começou mais uma edição do SPFW, dessa vez com a Iódice abrindo os trabalhos da temporada (a À La Garçonne já havia se apresentado no sábado, mas por motivos que não foram divulgados, a marca ficou de fora do line-up oficial do evento). Com uma programação muito mais corrida do que o normal, esse SPFW N44 terá apresentações só até quinta-feira (e não até sexta, como de costume), com uma média de oito desfiles acontecendo por dia! Ou seja, dá-lhe correria pra acompanhar tudo o que vai rolar essa temporada, que acontece mais uma vez na Bienal do Ibirapuera.

Infelizmente, dessa vez não vou conseguir dar um pulinho por lá pra conferir a edição, mas em compensação, decidi fazer aqui no blog algo de que gosto muito: falar um pouco sobre as inspirações de cada desfile e dar meu pitacos sobre as coleções apresentadas. Espero que vocês acompanhem os posts e tenham um tantinho de paciência, já que eles podem atrasar um pouquinho, mas aos poucos vão aparecendo por aqui :)

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 1

Mesmo fora da programação oficial do SPFW, decidi falar sobre a apresentação linda da À La Garçonne, marca comandada por Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza, que desfilou sábado no Theatro Municipal de São Paulo.

Assim como em outras coleções, a marca não se prendeu a um estilo único e colocou na passarela uma variedade de peças que tendem a agradar diversos públicos. Os looks vão do total streetwear até vestidos rodados de estampa liberty, e é bem gostoso ver uma grife que faz da sua pluralidade sua marca registrada.

Em uma entrevista que os designers deram para o site da revista Marie Claire, achei especialmente interessante quando Herchcovitch disse que a À La Garçonne era uma marca para todo mundo, com a liberdade de fazer o que quisesse, a hora que quisesse. E é esse mesmo o conceito que se vende na passarela. São quase 70 looks que vão da menina de camiseta branca com o nome da marca impresso, até as mulheres poderosas com vestidos cheios de rendas, e os garotos de parka (sempre presentes nos desfiles da marca) e peças militares. Tudo lá com o bom gosto de sempre da ALG e o styling incrível de Maurício Ianês.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 1

Foi em clima de aniversário, na comemoração de seus 30 anos, que a Iódice fez seu desfile no Palácio Tangará, hotel que foi inaugurado há pouco tempo em São Paulo. E como todo aniversário que se preze, especialmente naqueles em que a data comemorada é tão simbólica, há sempre um pouco de nostalgia no ar, como se olhássemos para o passado para ter forças para enfrentar o futuro.

A proposta que a Iódice colocou na passarela segue bem essa ideia e mistura tudo aquilo que já faz parte da história da marca com um pouco de frescor dos novos tempos. Na homenagem ao passado, estão lá as mulheres sensuais da grife, de vestidos longos e fendas aparentes, sempre com peças assimétricas. Do frescor dos novos tempos, vem as cores e estampas geométricas, todas inspiradas pelo trabalho da artista Sonia Delaunay, além de um pouco de brilho e franjas, que aparecem ora nos casacos, ora nas barras das saias e ora em camadas nos vestidos.

Uma festa colorida, sexy e elegante, bem como os 30 anos merecem.

Fotos: Zé Takahashi da Agência FOTOSITE para o FFW

 

Beijos e até amanhã com os desfiles do segundo dia.

SPFW TRANS N42: algumas impressões e links sobre a última edição

Essa edição do SPFW foi muito diferente de todas as outras.

Foto do FFW mostrando a entrada do evento feita Kleber Matheus e que ficava toda iluminada em neon à noite

A entrada do evento foi feita pelo artista Kleber Matheus e ficava toda iluminada em neon à noite. Foto: Agência Fotosite para o FFW.

Pra início de conversa, a sigla TRANS, de transição, foi acrescentada ao nome do evento, em uma referência as mudanças que estão acontecendo na semana de moda de São Paulo e que passam a valer já na próxima edição.

Uma dessas mudanças é a assimilação do sistema “see now, buy now”, que em resumo (um dos links daqui de baixo se aprofunda mais nesse tópico) consiste na venda imediata (ou quase isso) das coleções apresentadas na edição, de forma que não haja um espaço de tempo tão grande entre o desfile e a chegada das roupas às lojas. Isso implica também na mudança do calendário verão/inverno, já que agora as marcas que adotarem esse modelo passarão a desfilar com peças da estação em vigor.

Além disso, a partir do ano que vem, o SPFW passa a acontecer nos meses de março e agosto, em uma forma de ajustar esse novo sistema com as engrenagens do mercado têxtil.

O corredor da entrada do evento dava direito para uma arvorezinha <3 Foto: Agência Fotosite para o FFW.

O corredor da entrada do evento dava direito para uma arvorezinha muito fofa e, em seguida, para a área de livre circulação. Foto: Agência Fotosite para o FFW.

Mas as diferenças não pararam por aí. Nessa edição, o SPFW deu um rápido adeus a Bienal e foi acontecer ali do ladinho, em uma tenda montada no meio do Parque Ibirapuera, ao lado do Museu Afro Brasileiro. O espaço ficou totalmente diferente, inclusive com uma parte aberta para o parque, cheia de espreguiçadeiras bem gostosas que serviam como uma pausa muito bem-vinda em meio a correria da semana de moda.

Por causa do espaço reduzido havia apenas uma sala de desfile no local e o line-up (que já foi mais enxuto do que o normal porque algumas marcas precisaram pular a edição para conseguirem ajustar sua produção), acabou tendo que se dividir em muitas apresentações externas. O que, ainda que complique a vida da imprensa e deixe o calendário cheio de horários malucos, acabou se mostrando interessante e até quase que imprescindível para os desfiles de algumas marcas.

Foto do FFW mostrando as cadeira estilo espreguiçadeiras que ficavam na área externa

As cadeiras estilo espreguiçadeiras que ficavam na área externa da edição e que quase fizeram eu tirar um cochilo no final da tarde de sexta-feira. Foto: Agência Fotosite para o FFW.

Como de praxe dei um pulinho no último dia do evento, sexta-feira, pra conferir in loco alguns desfiles e toda a estrutura dessa fase de transição. A visita, aliás, foi bem menos corrida do que nas últimas vezes, já que havia um espaçamento bem grande entre os desfiles que eu assisti e, assim, pude fazer uma coisa que quase nunca consigo: visitar os stands e participar das ações de cada um. Tirei foto polaroid no stand da Instax 70, brinquei de boomerang com os canudos personalizados da Coca, tomei um Magnum de creme brulé maravilhoso que tavam dando no carrinho da marca e fiz mais um monte de outras atividades que em anos de SPFW nunca tinha conseguido fazer.

E, claro, assisti a algumas apresentações. Duas, para ser mais exata.

Vi dois desfiles nesse dia, e ainda que os dois tenham sido completamente diferentes e com propostas quase que extremas, foi ótimo assistir duas apresentações que tiveram destaques bem positivos pra essa edição.

Highlights do desfile da MEMO. FOTO: Ze Takahashi da Agência Fotosite para o FFW.

Highlights do desfile da MEMO. Foto: Ze Takahashi da Agência Fotosite para o FFW.

O primeiro desfile que assisti foi o da Memo, marca fitness da Patricia Birman, herdeira do Grupo Arezzo, que fez sua estreia no SPFW. Eles já haviam feito uma parceria com a estilista Lollita antes e resolveram repetir a dobradinha para essa coleção (pelo que foi divulgado pela marca, a cada nova edição da semana de moda um estilista diferente será convidado a preencher esse cargo).

Ainda que eu tenha ido com zero de expectativas assistir ao desfile, achei tudo bem fresco, e uma combinação que de cara asim não me parecia muito animadora, acabou rendendo um bom resultado na passarela e fazendo muito sentido pra esse momento em que vivemos, onde o sportwear já mostrou que tem espaço além das academias faz tempo.

Em seguida foi a vez de ver o maravilhoso João Pimenta. E ainda que ele sempre faça um trabalho muito bonito (tenho amigos – e amigas também! – que brincam que se fossem rico teriam apenas João Pimenta no armário), ele conseguiu se superar nessa edição e criar uma coleção masculina extremamente bonita, que é bastante conceitual em muitos aspectos, mas, que ao mesmo tempo, consegue mostrar força de mercado e um ar fresco para o que se vê da moda masculina atual.

Highlights do desfile do João Pimenta. FOTO: Ze Takahashi / FOTOSITE para o FFW

Highlights do desfile do João Pimenta. Foto: Ze Takahashi da Agência Fotosite para o FFW

Como teve muita gente da imprensa fazendo um trabalho bem incrível nessa edição, com pautas que permeavam muito além de tendências e críticas de desfiles (que eu gosto muito também, diga-se de passagem!) achei que valia a pena compartilhar alguns links por aqui.

Leiam, vejam e compartilhem – porque eles merecem.

Transgressão foi a palavra que definiu este SPFW

Agência Fotosite

Foto Agência Fotosite

A maravilhosa da Vivian Witheman fez um balanço desse SPFW pro site da Elle Brasil, e nele ela fala sobre alguns momentos muito especiais dessa edição que foram de extrema importância pra história do evento e da própria moda brasileira. Entre eles está o desfile de Ronaldo Fraga e da LAB, marca comandada pelo Emicida e pelo Fióti.

Diferente de apenas pincelar o que aconteceu nas apresentações, Vivian faz (como sempre) uma análise profunda da situação e do que ela representa dentro da “alta roda da moda brasileira”, mostrando como o trans do nome do evento já parecia ser um prenúncio de todas as transgressões que estavam por vir.

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Lá no Petiscos, a Mariana Inbar explicou mais detalhadamente no que consiste esse sistema do “see now, buy now” e como ele repercutiu nas marcas internacionais que já adotaram esse mecanismos nas suas últimas coleções.

O texto todo é bem interessante não apenas pra se entender melhor essa mudanças, mas pra se avaliar até que ponto ela é de fato positiva (ou não) para a moda.

Ronaldo Fraga fala ao FFW sobre a moda como ato político

O final do desfile de Ronaldo Fraga. FOTO: Gabriel Cappelletti | Agência Fotosite

O final do desfile de Ronaldo Fraga. Foto: Gabriel Cappelletti da Agência Fotosite para o FFW

A jornalista Juliana Lopes do FFW escreveu um texto desmembrando o desfile de Ronaldo Fraga em muitas nuances, desde a importância da mensagem passada pela coleção, até o casting de modelos escolhido e a história por trás das roupas mostradas.

Pincelado com algumas falas do próprio Ronaldo logo após o desfile, é ainda mais emocionante olharmos assim, com lupa de aumento, cada detalhe dessa apresentação, percebendo a importância dela não apenas pra moda, mas para a problematização de uma questão tão brutal que enfrentamos no Brasil.

Quem merece nosso shot?

Já na página do facebook do Altas da Moda, um canal de moda bem maneiro feito pelo trio de jornalistas Luigi Torres, Giuliana Mesquita e Guga, rolaram lives de todos os dias do evento e um vídeo de encerramento da temporada com os destaques da edição.

Vai ter gorda no SPFW, sim!

Ainda que feito de forma bastante humorada, o vídeo gravado por Juliana Romano e Lucas Castilho para o seu canal, o “A Gorda e o Gay”, lança um questionamento bem interessante “A moda ama os gays e odeia as gordas?”.

A pergunta que não quer calar é o ponto de partida para os dois buscarem indícios de uma representatividade de mulheres gordas no evento e – o que é uma pequena, mas importante mudança nesse cenário – encontrarem ao menos uma modelo dentro dessas características.

Vamos falar sobre os preços?

Ainda que não seja nenhuma cobertura do evento, quis encerrar esse post com um texto postado hoje no site do Laboratório Fantasma falando sobre o preço da coleção LAB Yasuke. Mais do que uma marca que traz um preço acessível pra diversas camadas da população brasileira, é muito, muito importante e legal ver a preocupação da LAB de explicar o motivo dos preços, a cadeia de produção e a história por trás das roupas e de tudo isso.

É um exemplo pra inúmeras outras marcas do nosso país, vocês também não acham?

Bisous, bisous e bom final de semana!

Os cinco de abril

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

It’s the time of the season when love runs high

Em abril, fiz uma sessão de fotos pra categoria de shootings aqui do blog que foi uma delícia de fotografar. A Ari, amiga mui querida que já clicou outros shootings aqui, fez novamente as fotos e eu continuo a ficar toda feliz com o resultado da sessão sempre que vejo o post em que elas saíram. Como conto no texto, o vestido é da Rosegal e por algum motivo que eu não sei explicar bem, Time of the Season do The Zombies foi não apenas a trilha sonora das fotos, mas também a trilha sonora do meu mês, me acompanhando por todo canto que eu ia.

“Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”

Esse ano tem vindo umas peças de teatro muito legais aqui pra Bauru, tanto é que em fevereiro eu já havia assistido Mel Lisboa no musical “Rita Lee mora ao lado” (falei disso no Os cinco de fevereiro), e no mês seguinte foi a vez de assistir “Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”.

A peça conta a história de quando Marilyn, interpretada por Danielle Winits, estava em meio as gravações do filme “Something’s got to give” e precisou da ajuda de uma costureira para ajustar suas roupas depois de emagrecer rapidamente. A profissional escolhida pra tal missão foi a jovem Margot Taylor (Maria Eduarda de Carvalho), antiga amiga de Marilyn que anos antes tinha visto seu noivo (o famoso jogadora de beisebol Joe DiMaggio) trocá-la pela atriz.

A história toda é real e o tal encontro de Margot e Marilyn (que se deu quando a atriz já havia se separado de DiMaggio) deu origem ao espetáculo, que retrata toda a conversa travada entre as duas sobre as suas histórias de vida, suas relação com o amor e a fama, e o que o destino, – anos depois das duas haverem se separado – reservou para cada uma. O espetáculo é um estudo de personagem muito bonito, especialmente quando lembramos que Marilyn morreu naquele mesmo ano.

Uma curiosidade, aliás, bastante triste acerca da peça é que ela foi a última dirigida por Marilia Pera, que faleceu no dia da sua pré-estreia.

De volta ao lugar de sempre com as minhas meninas de sempre

Depois de uma infinidade de meses que eu nem sei contabilizar, finalmente eu, Maitê e Gabi conseguimos nos reunir. Nós fomos em um barzinho de Leme chamado “O Tribunal”, um dos poucos lugares ‘pra sair’ da cidade que continuam abertos desde quando fui embora de lá. Na minha adolescência, eu ia muito ao Tribunal e ao Macaboo, uma casa de shows de Leme que também existe ainda (acabei de perceber que eu era uma adolescente muito visionária, já que os meus lugares preferidos da cidade na época são praticamente os únicos que conseguiram se manter).

Só sei que é muito louco voltar pra um lugar desses, com as amigas de sempre, e ver um monte de gente conhecida da minha adolescência, agora muito mais velha e diferente, mas ao mesmo tempo do mesmo jeito de antes. Os anos passaram, a gente cresceu, saiu da escola, fez faculdade, começou a trabalhar, a maioria mudou de cidade, e mesmo assim parece que as coisas não mudaram muito. Eu sei que esse tipo de pensamento nostálgico é meio depre feelings, mas sei lá, vire e mexe eu me pego pensando nessas coisas, vocês não?

Na festinha de comemoração dos 30 anos da Editora

Em abril a Editora completou 30 anos e teve festa pra comemorar a data. Pensar que eu trabalho em um lugar que tem mais tempo de existência do que a minha vida toda me deixa orgulhosa e maravilhada ao mesmo tempo. Manter uma empresa do tamanho dessa por tanto tempo não é pra qualquer um. Mas o que me deixa mais feliz mesmo é pensar que, além de trabalhar numa redação do jeitinho que eu sempre sonhei, uma das coisas mais importantes que a Editora me proporcionou foram as pessoas que eu conheci lá e que se tornaram mega importantes na minha vida.

Na foto, batida numa cabine da festa, estão a Bruna (que vocês já devem ter visto algumas outras vezes aqui no blog) e a Lirian, a pessoa mais solidária que eu já conheci nessa vida. As duas já trabalharam comigo (a Li ainda trabalha, na real) e fazem parte desse rol de pessoas incríveis que o trabalho me proporcionou conhecer.

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

No finalzinho do mês fui ao SPFW N41, o primeiro da nova fase do evento, que não será mais dividido entre verão e inverno. Assisti a quase todos os desfiles do último dia e fiz um post aqui no blog contando várias coisinhas desse dia e dos rumores e expectativas que estavam rolando pelos corredores.

Na foto aparece um pedacinho do desfile do Lino Villaventura, que fez uma apresentação super performática e diferente de tudo que já vi nesses anos de semana de moda de São Paulo. Quem ficou curioso e quiser ver mais fotos do desfile, é só clicar aqui.

POSTS DE ABRIL

Embalada pelo VEDA que muita gente estava fazendo no Youtube, dei início a algo meio parecido aqui no blog com post (quase) todos os dias. A experiência foi muito boa e me fez ver que com um pouquinho mais de foco e planejamento, eu consigo ser ainda mais produtiva por aqui.

FILMES DE ABRIL

  • Sobrenatural: A Origem | Leigh Whannell {2015}
  • Cloverfield | Matt Reeves {2008}
  • Joy | David O. Russell {2016}

LIVROS DE ABRIL

  • Razão e Sensibilidade | Jane Austen
  • Fangirl | Rainbow Rowell
  • A Seleção | Kiera Cass
  • A Elite | Kiera Cass

TEXTOS MEUS EM OUTROS LUGARES

No blog do Johnny Tattoo Studio, falei sobre o estilo boyish e sobre a história do São Paulo Fashion Week.

E o mês de abril de vocês, como foi?

Bisous, bisous

Um giro no último dia do SPFW N41

Na última sexta-feira, dia 29 de abril, fiquei bastante feliz por São Paulo ter amanhecido gelada. Eu tinha ido pra lá na quinta para cobrir um evento pela editora, e acabei estendendo a viagem e aproveitando para ficar na cidade durante a sexta e o final de semana também.

Um dos motivos pra isso é que no dia 29 ia rolar o último dia de SPFW, e vocês bem sabem que sempre que possível, eu gosto de acompanhar de perto essa semana de moda.

Os corredores

Exposição “How Do I Feel Today”, da modelo e artista plástica Nathalie Edenburg, que criou diferentes tipos de intervenções artísticas em uma mesma foto sua

Quem costuma ir a semana de moda de Sâo Paulo sabe que é de praxe ver a produção e a imprensa correndo como uns loucos no entra e sai de cada desfile, mas outra coisa comum a todas as edições são as ações super diferentes e legais que rolam pelos corredores.

Nessa temporada, por exemplo, além de um espaço da TNT onde você podia customizar uma camiseta da Cotton Projec, havia ainda uma máquina da Coca-Cola pra você personalizar sua bebida escrevendo seu nome na garrafinha, e um carrinho da Magnum que além do tradicional sorvete mara deles, ainda oferecia uma versão do picolé derretido como um cappuccino (!!).

Ainda nessa parte de ações, tinham os já ‘tradicionais’ food trucks e um espaço lindo da Natura onde rolaram palestras e pocket shows durante toda a semana de moda, com gente como Jout Jout, Liniker e Elza Soares. (Pausa nesse momento pra chorar um pouquinho ao lembrar que teve show do Liniker em Bauru e eu não fui.)

E é claro, tiveram as exposições também, que em toda temporada estão espalhadas pelos corredores, mas que infelizmente nem sempre são muito lembradas pelas pessoas que passam pelo evento.

Nessa edição, além da exposição da modelo Nathalie Edenburg (mostrada na primeira foto desse post), havia também uma área dedicada a joias dos finalistas e vencedores do AuDITIONS Brasil, o maior concurso de joias de ouro do país. E, junto a tudo isso – e pra mim, a mais emblemática exposição dessa edição – havia também uma sessão de fotos chamada “Apolônias do Bem” que mostrava mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que receberam tratamento odontológico gratuito da ONG  Turma do Bem.

As fotos mostravam algo como um “antes e depois” da mudança, e era chocante a diferença de expressão que cada uma dessas mulheres carregava. Se as fotos do antes mostravam seriedade, tristeza e quase um tom sombrio, as que vinham depois eram recheadas de risos, brincadeiras e caretas. Uma mudança assustadora, mas muito representativa também da transformação que a vida dessas mulheres teve.

O FFWSHOP como sempre cheio de itens de arte que me fazem suspirar

E como não podia deixar de ser, a lojinha do FFW, a FFWSHOP, também estava lá nessa edição, ainda mais repleta de coisas lindas do que de costume. Eram livros, objetos de decoração, plantinhas, camisetas e uma infinidade de objetos de arte encantadores.

Dessa vez, eu fiquei tentada mais do que o normal em trazer um item pra casa, já que entre os livros do estande havia um com todas as ilustrações originais do filme Inside Out da Pixar. Mas, como sempre, fiquei barrada no preço (que não era dos mais convidativos) e acabei deixando quieto. Uma pena, na real.

Os desfiles

Assisti a todos os desfiles que rolaram na sexta-feira, com exceção do da Ellus (momento que eu aproveitei pra pegar um táxi em paz, sem correria e disputa, e ir pra casa descansar hehe) e achei que esse último dia teve um balanço mais do que excelente de apresentações.

Lino Villaventura

Lino, que costuma ser sempre performático em seus desfiles, se superou dessa vez. O que aconteceu foi que as modelos entravam, paravam em um local montado com holofotes e posavam em sofás ou carrinhos (que eram trocados de tempos em tempos) para o fotógrafo Miro. No ato as fotos apareciam no telão, e só depois de muitas poses – lindas e dramáticas – as modelos levantavam, cruzavam a passarela e saíam de cena.

Pra mim a ideia de transformar seu desfile em uma sessão de fotos feita assim, na frente de todos os telespectadores e sem cortes, foi genial. Em roupas dramáticas, com muito volume e bordados, tudo era puro conceito, puro drama, pura arte. A beleza ajudava ainda mais nesse resultado, com cabelos super elaborados e presos em hastes no alto da cabeça. Tudo bem drama queen mesmo, apostando em um resultado que vai ser visto só daqui algum tempo, em uma exposição que será feita com as fotos do desfile.

Mas, se existe uma ressalva que pode ser feita quando a essa apresentação, é a de que ainda que Lino quisesse fazer suspense sobre o resultado do ensaio, ficou uma situação meio esquisita para os fotógrafos que estavam no PIT registrar tudo aquilo, já que as modelos posavam de lado, e não de frente para eles. E, se por outro lado, a ideia era dirigir todo o foco para o público que assistia a apresentação, nem a gente conseguiu enxergar bem o que se passou, já que os enormes spots de luz tapavam boa parte da visão.

Nesse ponto, a estrutura da sessão de fotos poderia ter sido diferente (a apresentação, aliás, ia ser externa, mas dias antes do evento começar, voltou para o line-up da Bienal), o que teria deixado o espetáculo ainda mais bonito.

Wagner Kallieno

Já no desfile do Wagner Kallieno, os anos 80 apareceram em peso e o que vimos na passarela foi uma profusão de blazers (daqueles que pareciam ter enchimento nos ombros e o deixavam ainda maior) e peças sortidas, como calças, saias e vestidos que adotaram com força o lamê pra si. O desfile inteiro, aliás, foi uma brincadeira de juntar o armário feminino com o armário masculino, numa tentativa (bem sutil) de pincelar o tão controverso e discutido estilo unissex.

Li depois no Chic que essa coleção tomou como inspiração a personagem Alex do filme Flashdance, o que justifica bastante a escolha dos tecidos e especialmente os primeiros looks que cruzaram a passarela. Além disso, outra coisa bastante marcante na apresentação foram as peças oversized, que parecem mesmo ser a grande aposta de várias marcas pra essa temporada.

GIG Couture

Minha primeira impressão do desfile da GIG Couture foi a de que estava rolando uma invasão de babados e plissados na passarela. Foi só depois, olhando com mais atenção, que percebi como esse volume que as duas formas faziam nas roupas é que eram os responsáveis por misturar as cores da coleção. Eram nos plissados que as cores se intercalavam ou criavam diferentes efeitos, e nos babados que elas se misturavam ou criavam blocos de cores.

Esse jogo de cores, formas e luz resultou em um trabalho bastante autoral e bonito. Desses que deixa a gente curiosos pra acompanhar os próximos passos da marca.

Ratier

O desfile da Ratier era o que eu mais tava ansiosa pra assistir, já que vi a estreia deles na temporada passada e amei loucamente a proposta da marca. Ainda assim conseguiu me surpreender com a qualidade (e quantidade!) de peças que eles apresentaram, e só confirmei a minha teoria de que a Ratier ainda vai voar muito longe.

Vale dizer que essa é uma das poucas grifes que eu piro na proposta e acho lindo a vibe minimalista rock, mesmo sem ser o estilo de roupa que eu uso no meu dia a dia. Sabe marca que independente de gosto pessoal, ganha espaço e respeito no nosso coração? Pois é.

Nessa edição, a proposta deles de ser clean, minimal e com poucos pontos de luz continuou, mas com um up aparente nas peças que ganharam um pouco mais de sofisticação. Lindo de verdade.

Cotton Project

É sempre uma delícia assistir a estreia de uma marca no evento e a Cotton Project fez muito bonito nessa sua primeira apresentação. A marca que é do diretor criativo Rafael Varandas e do estilista Acácio Mendes (vocês lembram que ele participou do reality show “Projeto Fashion” do SBT?!) já havia desfilado na Casa de Criadores temporada passada e, pra essa edição, mudou um pouco de ares e caiu de cabeça na Bienal.

Eu confesso que conhecia pouco do trabalho da dupla, mas achei interessante essa proposta que eles possuem bastante comercial e direcionada a um público específico, bem easy e descolado. A vibe do desfile todo foi bem colorida e cheia de peças fáceis de usar, combinar e brincar no look. Gostoso de ver.

Algumas considerações

Foi apenas um dia de evento, mas já deu pra sentir que havia um clima mais animado nos corredores do que nas últimas temporadas. Ainda que várias marcas como Colcci, Animale e Amapô tenham pulado essa edição, fiquei com a sensação de que o público em geral gostou muito dessa não generalização de estações e achou que fez mais sentido essa “liberdade” que foi dada as marcas.

Já a imprensa, por outro lado, me pareceu meio perdida nessa edição. É como se nesse momento onde tantas mudanças estão acontecendo, muitos veículos e jornalistas não soubessem muito bem onde havia um terreno seguro para se colocar os pés. Senti falta, port exemplo, de coberturas mais detalhadas da semana de moda e percebi que até alguns portais deixaram de fazer vídeos e críticas nessa temporada.

Enfim, o jeito agora é esperar e ver como as próximas edições irão se desdobrar dentro e fora da Bienal.

E mais...

Pra quem, assim como eu, também fica lendo, vendo e digerindo tudo que rolou no SPFW mesmo mais de uma semana depois, fica aqui a indicação de alguns links que achei bem interessantes sobre o assunto.

Esse texto do Costanza Who que mostra quem são, o que de fato fazem e qual a rotina de um fotógrafo de PIT em uma semana de moda.

A matéria do FFW que faz um resumão de vários acontecimentos importantes dessa temporada.

O artigo que Paulo Borges escreveu para o BoF (Business of Fashion) sobre as mudanças dessa e das próxima edições, e onde o criador do SPFW fala um pouco sobre a indústria de moda no país, porque essas mudanças foram tão necessárias e o que se espera com essas alterações no calendário.

– E essa propaganda da Natura que passava antes de todos os desfiles e que me deixou emocionada da cabeça aos pés todas as vezes.

E vocês, o que acharam dessa edição? Gostaram das mudanças?

Bisous, bisous e até mais!