Orange is the new black

Nesse mundo sem fim de séries, – das que existem e das que eu acompanho haha – Orange is the new black virou do dia pra noite a bola da vez.

E não tinha nem como escapar. Pra onde quer que você olhasse, alguém estava falando/vendo/amando o seriado.

A série que  estreou dia 11 de julho é uma produção feita originalmente pelo Netflix, e teve sua primeira temporada inteirinha lançada de uma só vez. Pra quem não conhece o Netflix, ele é um serviço que funciona mais ou menos como uma locadora online. Por um valor de R$16,90 ao mês (com o primeiro mês de graça), você cria um perfil no site e tem acesso a filmes, séries e novelas dos mais variados tipos, todos já devidamente legendados e com uma qualidade razoável. Eu conhecia o serviço já há algum tempo, mas com o lançamento de Orange (e querendo unir o útil ao agradável), resolvi assinar o Netflix e ser feliz. E posso dizer que to sendo muito feliz mesmo com ele haha.

“Sabe como Grey’s Anatomy parece o ensino médio dentro de um hospital? 
Orange parece o ensino médio dentro de uma cadeia.”
(frase-disse-tudo retirada desse texto aqui)

Apesar do nome sugerir que você está prestes a ver uma série do estilo “mulherzinha”, pode esquecer que o negócio aqui não tem nada a ver. E, veja bem, não que eu não goste das séries do gênero (um beijo Gilmore Girls!), mas acontece que Orange is the new black não traça esse perfil, e tá muito mais pra uma série de gêneros múltiplos – leia-se todo mundo vai querer assistir – do que pra uma classificação exata.

A trama se passa em torno da personagem Piper (Taylor Schilling), uma mulher de classe média alta, inteligente, bonita e noiva do escritor Larry Bloom (Jason Biggs, o carinha de American Pie!). Daí em um belo dia como outro qualquer, Piper descobre que será presa e terá que passar seus próximos 15 meses dividindo 24 horas do seu dia com as criminosas de uma cadeia feminina. Ah, o motivo da prisão? Há dez anos Piper ajudou sua namorada Alex a transportar uma mala de dinheiro, fruto do trabalhinho da sua amada como traficante de um cartel internacional de drogas.

A série começa então com Piper indo pra prisão e vai mesclando momentos da sua vida de dez anos atrás com Alex (que eu não comentei ali em cima, mas é a Chelsea de Are you there, Chelsea?), com sua vida com Larry e os momentos dentro da cadeia. Junto a tudo isso, cada episódio foca em alguma outra das suas “colegas de estadia”, e vai contando a vida – e os motivos que as levaram a ser presas – de cada uma dessas mulheres.

E aí que, à primeira vista, esse quadro de mulheres da prisão aparentam ter os estereótipos bem definidos… A mulher durona que cuida da cozinha e que tem algumas protegidas entre as meninas do lugar; a louca que não está numa clínica psiquiátrica porque a família sabe usar muito do seu dinheiro pra conseguir algumas regalias; a sonhadora que seguiu o mesmo caminho da mãe, companheira de cadeia, e sonha com um amor impossível atrás das grades, e vários outros perfis que vão aparecendo capítulo após capítulo. Mas aí acontece a magia de Orange a gente percebe que esse tal estereótipo de cada detenta é só a pontinha do iceberg pra toda imensidão que cada personagem é na série. E olha, acho que isso é uma das coisas mais fantásticas que esse seriado conseguiu fazer: explorar muito mais profundamente cada personagem do que a gente se supõe poder fazer em apenas 13 capítulos e com tantas detentas a serem mostradas. Ninguém ali é só a durona, ou só a sonhadora, ou só a louca, ou só a religiosa. Algumas características se sobressaem, claro, mas como em toda vida real, ninguém se resume a apenas uma palavra.  Ainda mais na cadeia.

As modas e as belezas

“Tá louca, menina, querendo falar de figurino em uma série onde só existem detentas de macacão laranja e cinza?”

Ok, eu sei de tudo isso, mas acontece que as modas e as belezas de Orange is the new black são super importantes e presentes no filme.

Como?

Porque a todo momento, enquanto acompanhamos as histórias de antes e depois de cada uma das presas da cadeia, mais do que saber como e porquê elas foram parar ali, a gente conhece também as mulheres que, fora daquelas grades, imprimiam personalidade pras roupas que usavam. E, – veja só que incrível! – não foi um macacão laranja ou cinza que apagou isso delas.

Basta reparar como mesmo não podendo usar uma roupa ou nada muito pessoal dentro da cadeia, cada uma dessas presas mantém um penteado, uma maquiagem, ou às vezes até um ritualzinho de beleza pequeno, mas que conserva nela as mesmas características que a gente vê ao saber sobre a sua história. Eu até destacaria a personagem da Laverne Cox, a poderosíssima Sophia Burset, que é de longe a mais ligada a esse mundo da beleza. E, – olha que legal! – a Sophia é uma transsexual, que além de ter uma maquiagem e cabelo impecáveis, ainda tem um “salão de cabeleireira” dentro da prisão!

As cenas dentro do salão, aliás, são os momentos em que eu mais acredito que as presas esquecem de onde estão. Ali parece que elas simplesmente tão no salão de uma amiga, escolhendo um penteado bacana novo, dando risada de si mesmas e se divertindo. E, olha, não me venham dizer que eu to querendo reduzir o lugar  “ao antro da fofoca das mulheres” da série. A questão aqui, e que mais me anima em ficar ligada em tudo que ronda a parte de moda/beleza da série, é poder entender – e olha que são muitas as cenas que vão jogando isso sutilmente pra gente – como as presas afinal encaram essa falta de liberdade não só do corpo, mas também da sua personalidade, da sua forma de se expressar.

Entender essas formas de escape, seja com um penteado novo ou seja vendo o estilo da personagem antes e como ela o demonstra de outras formas na cadeia, é um exercício muito legal de construção de identidade de cada uma das detentas.

Orange is The New Black é uma série do Netflix (tem todos os episódios aqui pra quem é assinante) e teve uma primeira temporada com 13 episódios, com uma média de 55 minutos cada. Não achei nenhuma data oficial pra estreia da segunda temporada, mas hoje mesmo, enquanto escrevia esse post, o namorado me mandou esse link que já adianta que a Laura Prepon fará só alguns poucos episódios nessa nova temporada. Uma perda gigantesca, eu diria.

E ah, a música de abertura da série, uma delícia à parte, chama “You’ve Got Time”e é da Regina Spektor.

Vocês tão assistindo ou ficaram com vontade de ver a série? Contem nos comentários!

Bisous, bisous

Girls!

Eu lembro que bem lá no comecinho de 2012, quando Girls ainda nem havia estreiado na HBO, rolava um grande bafafá de que a série seria um novo “Sex and the City”, ou um SATC mais jovem, com garotas de 20 e poucos anos revivendo muito do espírito de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte. Exatamente por isso, eu achei melhor esperar pra assistir. Por que? Bom, agora vem a parte revelação não me joguem pedras, por favor do post. Eu nunca havia assistido SATC até o final do ano passado porque tinha um mega preconceito com a série. Sim, amigos e amigas, eu era daquelas garotas chatas que apontava o dedo, mesmo sem nunca ter assistido o seriado, e achava tudo fútil, cheio de montação.

Só que a verdade é que a gente cresce e vai vendo que julgar a capa pelo livro ou, no caso, o seriado por um pré-conceito que a gente faz dele é uma das piores besteiras dessa vida. Um dia ainda conto minha história com SATC (ó, já achei até nome pro post haha), mas por enquanto só vou contar que perdi o preconceito e resolvi que tava na hora também de ver Girls. Ainda mais porque depois do início da série, muita gente falou pra eu esquecer essa história de versão mais jovem de “Sex and the City”, já que Girls era um seriado que andava com as próprias pernas. Não era cópia de nada nem de ninguém.

Duas temporadas depois, eu tomei coragem. Baixei todos os episódios e fui ver o que que essas gurias tinham de tão especial – e que renderam dois prêmios no Globo de Ouro 2013, nas categorias de melhor atriz (Lena Dunham) e melhor série.

Cena da 1ª temporada

É difícil explicar o que faz de Girls a série incrível que é. Logo no comecinho da primeira temporada, ainda quando Hannah tenta convencer os pais de que precisa ser sustentada por eles, ela fala que não quer assustá-los, mas que ela talvez seja a voz de sua geração, bem naquele jeito Hannah pedante de ser. E longe de mim querer dizer que a série é isso, mas essa frase dita por Lena Dunham, ainda que não totalmente verdadeira, faz muito sentido quando a gente para pra entender o seriado.

Ele pode até não ser a voz de toda uma geração, mas que Girls é um dos seriados mais verdadeiros dos últimos tempos, ah, isso ele é. Verdadeiro porque ele não tem absolutamente nada demais. As quatro amigas são garotas cheias de qualidades e defeitos, – na maioria das vezes, com muito mais defeitos do que qualidades – sem dinheiro ou emprego certo, ainda descobrindo o que querem da vida, cheia de probleminhas que aos seus olhos são o grande mal do século e com problemas que são de fato um grande mal dessa geração, afinal se os garotas e garotas de vinte e poucos anos tem, na sua maioria, um problema em comum, ele atende pelo nome de “pressão”, ou de “stress”, ou de “vocês precisam crescer rápido”. E Girls fala disso, tendo como personagem principal (pasmem!) uma garota toda normal. Não é aquela garota loser que ninguém quer por perto, nem aquele menina-princesa que todos amam. Hannah não tem nada de especial, só é mais uma garota – bem egoísta, por sinal – que quer virar adulta, mas que ainda não sabe muito bem como chegar lá.

Cena da 1ª temporada

Girls foi criada por Lena Dunham, essa novaiorquina de 26 anos que também é a personagem principal da série. Acho um porre que até hoje, mesmo depois de todo o sucesso, muita gente faça cara de nojinho pra ela por achar que a menina tem “costas quentes” (céus, olha os termos!). Não que isso seja de todo mentira, já que ela e algumas das outras meninas do seriado vieram de famílias que trabalham e são influentes no meio televisivo, mas nem de longe isso apaga ou diminui seus créditos. Pra mim ela é apenas a prova viva daquele ditado: se a vida te der limões, faça uma limonada. Ou seja: ela tinha talento, tinha uma super sinopse nas mãos e teve a chance de mostrar isso ao mundo. E como de boba ela não tem é nada, agarrou a oportunidade.

E é incrível como não bastasse tudo isso, Lena Dunham ainda se mostrou uma atriz hiper talentosa, tanto que não é raro ela se expor de uma tal maneira que nos deixa desconcertados. Na nudez do corpo ou dos sentimentos, dá pra sentir um pouco de vergonha de assistir algumas cenas. Parece que estamos participado de algo muito pessoal, que só diz respeito a ela e a mais ninguém, o que nos torna um pouco intrusos, sabe? É um sentimento muito singular, que poucas séries ou filmes já me fizeram sentir.

Shoshanna e Jessa

Mas o nome desse post e da série nos lembra de algo muito importante: estamos falando de garotas, assim mesmo no plural. E por mais que Lena Dunham seja uma menina excepcional pra sua idade, Girls só é o que é porque tem um quarteto perfeito de meninas à sua frente. A gente pode amar ou odiar determinada personagem, mas acho que todas elas tem características em que nos reconhecemos. A menina descolada, viajada e tão sofrida que é a Jessa (meu eterno amor por você); a sonhadora e ingênua Shoshanna, que aliás, vejam só, é fãzoca assumida de SATC!; a tão centrada, tão adulta… e tão entediada com a vida e boring da Marnie; e, claro, a menina estranha, engraçada e egocêntrica (mesmo sem perceber) que é a Hannah.

Jessa

Jessa

Shoshanna

Shoshanna

Marnie

Marnie

Hannah

Hannah

Pra tentar passar um pouco do espírito da série pra quem ainda não assistiu, – e também pra aumentar meu desespero ao pensar que a terceira temporada tá tão longe de começar – achei que valia a pena postar a cena aqui de baixo. Pra mim, todos os principais elementos de Girls tão nela: a trilha sonora de tombar, a tristeza tão sentida de Jessa, as palhaçadas da Hannah, a amizade entre essas garotas e até aquela invasão de privacidade que o seriado vive jogando na nossa cara.

E pra vocês se apaixonarem ainda mais, aqui tem toda a trilha sonora da primeira temporada e aqui um compilado com as melhores da segunda, com direito a Shoshanna cantando Beautiful Girls! Vale comentar também que foi Girls quem me apresentou pra “I love it” da Icona Pop, ou seja, outro fato pra eu amar muito mesmo esse seriado e suas músicas.

E, por fim, mas nem de longe menos legal, o ensaio que Lena Dunham, Jemima Kirke, Allison Williams e Zosia Mamet (Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna respectivamente), fizeram pra New York Magazine e que teve essa capa lindona com a Leninha.

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine