Andei lendo: “Dormindo com o inimigo”

Uma das minhas última leituras foi o livro “Dormindo com o Inimigo”, do Hal Vaughan, aquele mesmo que quando foi lançado em 2011 causou o maior burburinho entre o povo das modas. O assunto, aliás, é muto delicado: o livro aborda a participação que Coco Chanel teve no período da Segunda Guerra Mundial, servindo como colaboradora do partido nazista no território francês.

Eu lembro que quando esse livro foi lançado eu tava louca pra lê-lo, mas, no final das contas, ter esperado um tempinho pra poder comprar o meu exemplar e me jogar de cabeça nessa leitura valeu muito a pena. Primeiro porque eu consegui sair daquela atmosfera de escândalo que cercava o livro na época e não me influenciar tanto pelo que tava sendo comentado. Aliás, eu fugi muito de resenhas do livro, pra que quando eu pudesse finalmente lê-lo, conseguisse enxergar tudo do zero, sem nenhuma imagem já montada. E em segundo porque ler esse livro agora só me deu ainda mais vontade de devorar o “A Era Chanel”, que eu comprei no final do ano passado e tá aqui na estante do apartamento.

Anyway, “Dormindo com o inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel” tem seus pontos altos e baixos. O livro trata principalmente do período que Chanel morou no hotel Ritz, em Paris, durante a Segunda Grande Guerra. Mantendo sua mesma rotina dos anos anteriores, Chanel vivia no extremo oposto do povo francês, que tinha que ou morrer de fome nas ruas do país ou fugir de lá com medo das tropas nazistas que haviam tomado o lugar. Por causa disso, e do relacionamento que Chanel tinha – e que nunca escondeu de ninguém – com Hans Günther von Dincklage, agente da Gestapo, algumas ligações dela com as tropas alemãs começaram a ser especuladas.

Ao longo dos anos foram vários os rumores que surgiram de que a permanência de Chanel no Ritz tinha uma única e clara razão: mademoiselle era colaboradora das tropas nazistas.

Entre os pontos altos do livro eu destacaria o fato dele trazer um mini-biografia da Chanel. Pra minha surpresa, ele fala de Coco não apenas nesse período obscuro da guerra, mas também de toda sua carreira. Pra mim que esperava apenas uma rápida passagem nessas partes e um livro quase que todo de “Chanel e nazismo”, foi uma surpresa descobrir que o livro faz um belo apanhado de toda a sua vida e carreira. Claro que a Segunda Guerra Mundial ganha destaque, tendo praticamente metade do livro dedicado a ela, mas conhecer todo o antes e depois desse período facilita muito na hora de acompanhar os passos de Chanel em Paris durante a guerra.

Entre os pontos baixos eu destacaria uma certa confusão que se instaura no livro quando chegamos nas partes que falam sobre os documentos e pessoas que comprovam que Chanel esteve realmente envolvida com toda essa história. E, gente, não to falando isso pra tentar “inocentá-la” de nada, até porque por mais confuso que o livro possa ser em alguns momentos, dá pra sacar que mesmo que Chanel não tenha sido uma espiã ou uma diaba (como a sinopse do livro deu levemente a entender), ela não era nenhuma santa. Na real, eu não acho que o livro resolva a fundo essa questão do quanto ela ajudou ou não os nazistas, simplesmente porque o sensacionalismo envolvido em algumas passagens é tão grande que a gente fica na dúvida até que ponto pode acreditar ou não no autor. O que me irritou profundamente também foi essa quantidade de nomes, datas, lugares e negociações que aparece no livro e que às vezes mais do que esclarecer, confundem, dando uma impressão de que o autor precisa se justificar de mil e uma maneiras pra transformar a imagem da Chanel em algo “do mal”.

Sensacionalismos à parte, uma coisa bem legal no livro é mostrar os muitos amores que Chanel teve ao longo de sua vida. Conforme a gente vai conhecendo mais e mais dela, fica muito claro que Chanel apenas queria amar e ser amada em troca.

Foram muitos os seus amantes, amores, casos, escapadelas (haha), enfim, como vocês queiram chamar. Mas cada um deles teve seu significado e importância na sua vida. Pode soar o cúmulo da contradição dizer isso de uma mulher tão poderosa como ela demonstrava ser, mas nesse tocante de relacionamentos, Chanel era totalmente carente. Ela só tava completa, só era inteira e forte com um amor ao seu lado.

“Dormindo com o inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel” é da Companhia das Letras e tem 361 páginas. Ele pode ser encontrado na Livraria Cultura por R$43,00. Pra quem se interessa pela vida e carreira de Coco (esqueci de falar, mas o livro fala super sobre o Chanel nº5!) ou sobre Segunda Guerra Mundial, vale muito a pena ler!

Bisous, bisous

A cor do preconceito

Em 1939 a Alemanha nazista invadiu a Polônia, desencadeando o primeiro evento – dos muitos que se sucederiam – que daria origem a Segunda Guerra Mundial, o conflito mais letal de toda a história da humanidade. A guerra durou até 1945 e durante esse período milhares de judeus foram caçados e exterminados em campos de concentração.

Isso tudo a gente aprendeu em livos de História, de literatura e em uma pancada de filmes que tiveram como mote a guerra ou que ainda usaram dela como pano de fundo para contar uma outra história.

No entanto, um assunto que na real é pouco lembrado no meio disso tudo, quer pelos livros, quer pelos filmes é que não foram só os judeus que foram mandados para os campos de concentração. Essa lista negra abrangia ainda um grande número de pessoas, que incluíam ciganos, negros, deficientes físicos e mentais e homossexuais.

Dentro do campo, pra que houvesse uma distinção entre o “motivo da permanência de cada preso ali”, um símbolo/cor era designado para cada um deles. Aos homossexuais coube o triângulo rosa, o desenho que eles eram obrigados a usar em seus uniformes. Ou seja, mais de 10 mil símbolos desses – número apurado de quanto gays estiveram presos – foram usados nos campos pra catalogar o preconceito e loucura nazista.

Em 2011 foi lançado o livro “Triângulo Rosa – Um homossexual no campo de concentração nazista”, que conta a história de Rudolf Brazda, homossexual que permaneceu três anos preso no campo de Buchenwald. centro da Alemanha. O livro já foi pra minha to-do list e pra quem quiser saber mais informações sobre ele, é só clicar aqui.

Rudolf Brazda e o livro que conta a história de sua vida dentro de um campo de concentração nazista

Mais de 65 anos depois que a Segunda Guerra Mundial terminou algum dos seus resquícios ainda podem ser sentidos.

A cor rosa, por exemplo, permanece enraizada no imaginário mundial como uma cor associada ao universo gay. Ou vai dizer que você nunca escutou aquela ladainha de que “ai, mas rosa não é coisa de homem”? E sei que o discurso aqui é bem diferente, mas pra mim querer associar uma cor específica a um determinado grupo de pessoas é tão incoerente quanto seção infantil que é divida entre rosa pra menina e azul pra menino. Sabe aquela história do Kinder Ovo? Pois então.

Associar o rosa com o homossexualismo me soa até mais assustador.

Diferente do livro citado aqui em cima e da Companhia Revolucionário do Triângulo Rosa, que utilizaram o símbolo impingido aos homossexuais no campo de concentração para poderem lutar contra o preconceito, delimitar o uso do rosa ao gay é como falar que a cor de menino é azul, que batom vermelho só é usado por puta e quantos mais exemplos bizarros vocês conseguirem lembrar.

Aliás, ô palavra sem sentido essa quando estamos falando de pessoas. Delimitar. Delimitar afinal o quê?

Amor tem cor?

Sexo tem cor?

Crença tem cor?

Pode até ser piração da minha cabeça, mas quando eu vejo esse tipo de pensamento que propaga que a gente fixe uma cor, um estereótipo, um seja la o quê a determinadas pessoas, é como se classificássemos nós mesmos em gavetinhas. Tem a gavetinha do loser, tem a gavetinha do gay, tem a gavetinha da certinha e etc. E daí tem uma etiquetinha junto que mostra como aquela pessoa deve se portar, e pensar, e falar.

E aí falando do rosa, especificamente, (que pra quem ainda não entendeu, não tô falando que a cor é que é abominável e toda preconceituosa né haha, mas sim de todo o pré-conceito que vem imbuído nela, seja na questão feminina ou na questão homossexual), a gente lida com dois problemas. O que aparece logo de cara é o preconceito, claro, contra o próprio gay, de um homem achar que não pode usar essa cor porque o torna menos hetero. Até porque se realmente ela fosse “uma cor gay”, seria ainda mais preconceituoso alguém achar que não poderia usá-la também. Afinal, você tá querendo se manter a margem de quê? De pessoas iguaizinhas a você?

O segundo, e o motivo principal que me fez querer escrever esse post, é o do quão bizarro é isso de associar estereótipos a torto e a direito. Porque vocês percebem o quanto é assustador a gente atribuir uma série de preconceitos até pra uma cor?

Mudando de assunto...

Pra encerrar esse post deixo vocês com uma série de fotos incríveis de streetstyle masculino. Claro, todas com muito rosa =)

Bisous!