As maquiagens surreais de Mathu Andersen

Depois de assistir sete temporadas de RuPaul’s Drag Race (algumas até mais de uma vez), foi obviamente impossível eu não ter ficado interessada em saber mais sobre a história do Mathu Andersen. Além de produtor criativo do programa desde a primeira temporada, Mathu dirige pessoalmente algumas provas da disputa (como sessões de fotos e testes de câmera) orientando as drags em suas apresentações. E, claro, é uma das pessoas mais artísticas e inspiradoras que eu já vi na TV, não apenas porque é amigo e maquiador oficial de Mama Ru há muitos anos, mas também porque Mathu trata da beleza e da maquiagem como arte em seu mais bruto estado.

Diante de um currículo como esse, não dá pra negar a importância do trabalho de Mathu em parceria com outras pessoas e veículos, mas, – e aqui chegamos ao motivo que me levou a escrever esse post – o que mais me chama a atenção de fato nesse maquiador é o trabalho que ele realiza sozinho, usando de seu corpo como uma espécie de tela em branco para suas criações.

As suas famosas selfies artísticas – como ficaram conhecidas na internet – são retratos em que Mathu brinca com seu próprio corpo usando maquiagens, perucas, cílios, tintas, figurinos e tudo que estiver ao seu alcance para se transformar. A ideia de gênero se perde nas suas fotos e existe espaço apenas para o surreal, em um processo artístico maravilhoso e inspirador.

Mathu pode ter cabelos e barba rosa, pode ter olhos profundos e enigmáticos, pode ter metade da cabeça se desfazendo de tinta em uma ilusão de ótica, pode usar terno e salto alto, pode “ganhar chifres e ossos aparentes”; todas as transformações que ele quiser fazer em seu corpo ganham vida e o resultado pode ser belo, dramático, aterrorizante ou chocante (mas sempre inspirador).

Toda a beleza do trabalho de Mathu pode ser conferida em seu Instagram, onde o artista posta suas criações mirabolantes. Apesar de sua conta ser privada, o maquiador tem milhares de seguidores e por conta de tanto frisson virou até tema de exposição! Em novembro do ano passado, a mostra “The Instagram Art of Mathu Andersen” aconteceu na World of Wonder Storefront Gallery e foi um sucesso.

Eu fico completamente admirada com as transformações que o Mathu consegue fazer porque parece que ele suga todas as possibilidades que a moda e a beleza oferecem e brinca de viver cada dia como um personagem diferente. É tudo tão bem executado e pensado nos mínimos detalhes, que a imagem final carrega atrás de si muito mais do que “apenas uma maquiagem” ou “apenas uma roupa”. Ela conta uma história que faz a gente acreditar num ser fantástico cheio de cores e roupas absurdas, e que vive em um mundo surreal e maravilhoso.

Aqui em cima tem uma entrevista maravilhosa que o RuPaul fez com o Mathu em que ele conta como funciona seu processo criativo, o porquê da mudança para Los Angeles e o que ele acha de seu sucesso na internet. Uma inspiração sem fim pra todo nós.

E ah, Mathu Andersen foi recentemente indicado ao Emmy Awards 2015 pela maquiagem que fez em RuPaul no terceiro episódio da sétima temporada de RuPaul’s Drag Race. Tô torcendo demais pra que ele ganhe!

Bisous, bisous

I adore you

Essa não vai ser a primeira vez que eu falo sobre drag queens aqui no blog. E, com certeza, muito menos a última. Esse é um universo que eu admiro, que me inspira e do qual eu ainda pretendo escrever muito por aqui. Mas enquanto não rola textão sobre a história dessas artistas maravilhosas (vai ser textão mesmo, então isso demanda um pouquinho mais de tempo), eu aproveito pra falar de uma drag em especial que roubou meu coração. Uma drag novinha, de uma personalidade admirável (dessas que a gente queria ter de BFF) e que tem uma voz sensacional.

Com vocês, Adore Delano!

Danny Noriega, o garoto que dá vida a drag Adore, tem 25 anos. Em 2008, ele participou do programa American Idol, mostrando pela primeira vez ao mundo o quanto ele amava cantar e o quanto fazia isso muito bem. Já vi algumas entrevistas do Danny em que ele conta sobre as boas e más lembranças que essa sua passagem pelo programa trouxe. Das boas, ficou o reconhecimento do seu talento (ele chegou até as semi-finais daquela edição) e das más, o fato de não ter assumido, sem amarras, quem de fato ele era. Apesar de já ter certeza da sua orientação sexual e do tipo de artista que queria ser, Danny era novinho demais na época da competição e, a pedido de sua mãe que tinha medo das críticas e das piadas que o filho poderia sofrer, ele preferiu não levantar nenhuma bandeira, fosse sobre a homossexualidade, fosse sobre drag queens.

Sempre que fala sobre esse assunto, dá pra sentir o tom de tristeza na voz de Danny. Lembro de um episódio de RuPaul’s Drag Race em que ele fica bem emocionado ao contar essa história e o quanto teve que segurar a onda no programa, emendando com um “Ela devia ter me deixado ir com o cabelo rosa. Isso sim teria sido legal.”

Foi, aliás, sua participação na sexta temporada de RuPaul’s Drag Race, que fez com que Danny, ou melhor Adore Delano, aparecesse mesmo para o mundo. Foi com sua personagem MARAVILHOSA, com jeito de adolescente desbocada, nada polida, doida, melhor amiga e super do bem, que Adore conquistou meu coração e o de todos que assistiam aquela edição de RPDR. O mais engraçado é que apesar de amar Adore, eu não torcia para ela na época do programa. Não vou dar spoilers se ela ganhou ou não (e se você aí não conhece essa competição incrível, dá uma lidinha nesse texto aqui do blog e depois corre dar o play na primeira temporada), mas o que eu posso dizer é que eu acho Adore uma estrela em ascensão, alguém que ainda tem muito a aprender. Quem assistiu o programa, viu, a cada episódio, ela ganhar um pouquinho mais de experiência. Por isso que, na época, minha torcida ia pra Bianca Del Rio, uma das drags mais performáticas que eu já vi na minha vida, comediante nata e que, recentemente, foi chamada pelo New Work Times de “a Joan Rivers do mundo drag queen”.

Adore pra mim é aquela pessoa que a gente sabe que tem um potencial enorme, um coração maior do que ela mesma e que ganha um pouco mais de maturidade a cada show, cada apresentação, cada música, cada passinho que dá na sua vida e na sua carreira. A gente tá vendo ela crescer bem aqui na nossa frente e isso é uma das coisas mais legais da gente poder acompanhar quando é alguém de quem a gente tanto gosta.

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Eu já havia visto Adore cantar algumas vezes – em vídeos do youtube e mesmo em algumas provas do RuPaul’s Drag Race – e apesar de saber que ela tinha uma voz linda, não conhecia de verdade seu trabalho como cantora. Até então, o que tinha me encantado nela era essas mistura danada de boa que resultava da sua personalidade como Danny e da personagem drag por ele criada. Mas aí, no ano passado, ela lançou seu primeiro álbum chamado “Till Death Do Us Party”. Pronto, tava feito o estrago (bom) na minha vida.

De todas as drags que se lançaram em carreiras musicais após a saída do programa, é incontestável que Adore teve a melhor repercussão. Mesmo Courtney Act, (que até onde eu sei não lançou álbum pós RuPaul, mas que sempre foi admirada pela sua voz, foi finalista do Australian Idol e é uma grande celebridade na Austrália) me parece não ter conseguido essa aceitação mundial no meio musical que Adore vem tendo. A quantidade de clipes – muito bem produzidos, por final – e a agenda de shows que não para, só atestam ainda mais seu sucesso.

Minhas músicas preferidas ficam entre “I Adore You” (não à toa, frase título desse post e um trocadilho maravis pro quanto eu gosto dessa drag), “Party” e “Hello, I love you”, mas confesso que ando escutando ” My Adress is Hollywood” no repeat.

(amo esse clipe aqui de baixo por motivos de: Nina Flowers ♥)

Agora em abril, Adore passou com sua turnê de “Till Death Do Us Party” pelo Brasil e, cheia de simpatia, uma boa voz e seus bordões famosos como “I’m a fucking Libra”e “Party!”, ela fez shows em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife. É incrível como todo mundo que eu conheço e/ou sigo em redes sociais e foi no show dela, amou cada segundinho da sua apresentação. Vi gente fazendo altos discursos de como, além de uma delícia de escutar e dançar, aquele foi um momentinho mágico de total aceitação e diversidade.

Não bastasse tudo isso, Adore postou em seu instagram essa imagem aqui, com direito a hashtag de #oiMiga para uma fã brasileira que foi em vários dos seus meet and greet. Diz se não é alguém que você quer colocar num potinho? <3

Bisous, bisous cheios de poder drag

Links para toda hora #5

Roupa de trabalho, principalmente a feminina, ainda é um tema muito discutido hoje em dia.  Se mesmo nos lugares que fazem uso de uniforme, não é difícil perceber algumas características pessoais que cada mulher acaba adotando no visual, nos empregos que dão ainda mais liberdade para você escolher o tipo de roupa que quer vestir, não é de se admirar que a gente acabe encontrando um verdadeiro reflexo da liberdade (ou não) feminina na sociedade daquela época.

Por isso achei tão interessante essas imagens que mostram como a roupa de trabalho feminina mudou ao longo dos anos, mais precisamente desde 1899 até 1999. Mesmo nas fotos em que as mulheres estão usando uniforme, a gente consegue perceber como até essa padronização é reveladora. Fora detalhes super interessante como perceber como a maquiagem adentrou aos pouquinhos os escritórios, como as mulheres começaram a usar os cabelos soltos ou curtinhos e como a roupa ganhou cada vez mais praticidade e conforto, sem que a vaidade fosse posta de lado.

Tô assistindo a sexta temporada de RuPaul’s Drag Race (já começaram a sair anúncios da sétima e eu mal posso esperar pra ela começar logo!) e perambulando pela internet esse mês fui parar nesse post que é velhinho, mas é também atemporal: as lições de autoestima que recheiam esse programa e tornam tudo ainda mais bonito, divertido e maravilhoso.

Quem assiste o reality (e quem não assiste, tem que assistir já!) sabe que o RuPaul é uma pessoa incrível, que incentiva todo mundo que cruza seu caminho a abraçar a si mesmo, a se amar sempre e em primeiro lugar. Mas, além dele, todas as drags que passam por lá têm histórias de vida fantásticas e que fazem a gente aprender um bocado sobre nós mesmos e sobre superação.

O post em questão é bem rapidinho, divertido e cheio de gifs (amo post com gif haha), mas passa bem o espírito do que é o programa e das drags maravilhosas que já apareceram por lá.

Apesar das fotos de street style serem um fenômeno gigantesco hoje em dia, quase sempre quem as estampa são aquelas pessoas que se destacam na multidão, que apresentam um jeito único de se vestir. Mas e o restante de nós? O restante de pessoas que não vão parar nessas fotos, mas que compõem a maior parte das pessoas que estão aí pelas ruas e que apesar de apresentarem característica próprias de estilo, acabam sendo reconhecíveis e massificadas pelas tendências da indústria da moda?

São sobre essas pessoas que nunca saem em fotos, o livro “People of the 21st Century”. Hans Eijkelboom passou 22 anos fotografando pessoas que transitavam por locais bastante movimentados e comerciais, e acabou captando muito mais do que o vai e vem das ruas: captou também o que cada época havia imposto como moda, captou “blocos de pessoas”, captou a massificação de ideias. O intuito foi reunir tudo que ele via com bastante frequência no local, fosse uma roupa, um acessório ou até um tipo de comportamento, e criar diferentes séries de fotografias.

A época em que o jeans reinou absoluto, a época em que as bolsas/carteiras falsificadas com o famoso símbolo da LV invadiram as ruas, a época em que as camisas lenhadoras foram o grande sucesso da vez: está tudo registrado lá, com data, local e ainda muita coisa pra se analisar.

Kim Kardashian é um nome que gera polêmica, seja qual situação for. Entre os mais recentes escândalos (ou baphões, como eu prefiro chamar) que ela protagonizou, teve a tão falada capa da Paper Magazine, onde sua bunda ganhou o posto de bunda mais noticiada, especulada e estudada da história.

Regiões anatômicas à parte, foi no entanto uma outra capa de revista que será estampada por Kim, – a da Elle britânica de janeiro – que chamou a atenção da Thereza do Fashionismo e a fez escrever esse post aqui. Afinal, você já parou pra pensar o quanto Kimberly Kardashian é uma mulher confiante, inteligente pra dedéu – você pode não gostar dela, mas precisa reconhecer que ela é uma mulher de negócios sem igual e com uma noção de auto promoção de fazer inveja –  e, coisa mais legal de se pensar: um símbolo enorme de quebra de padrões de beleza e poder na indústria da moda? Se ainda não, então dá uma lidinha no texto da Thereza e tire suas próprias conclusões.

Fico aqui na torcida então pra que vocês gostem dos links e tenham uma ótima semana!

Bisous, bisous