Meryl Streep e o Oscar #aquecimentoOscar

São 67 anos de vida e 40 anos desde que Meryl Streep estreou em seu primeiro filme. E pode até soar estranho e frio se prender a números quando estamos falando da carreira de uma atriz que já disse e continua a dizer tanto em suas atuações,  mas a verdade é que são eles quem nos ajudam a ter uma dimensão do que é essa história.

Pra começar que são 20 indicações ao Oscar e 29 ao Globo de Ouro (!), além de uma premiação em Cannes, duas no Emmy, duas no BAFTA e uma no Festival de Berlim. E não é só isso. Meryl recebeu ainda uma Medalha Presidencial da Liberdade – título que é considerado a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos!

Meryl Streep

A primeira indicação de Meryl ao Oscar foi em 1979, como atriz coadjuvante pelo filme O franco Atirador. Só que já nessa época ela não era uma completa desconhecida do público. Além de ter atuado muito no teatro, inclusive em grandes produções da Broadway, Meryl havia estrelado a minissérie Holocausto, que havia tido um sucesso enorme de audiência e lhe rendido um Emmy de melhor atriz.

Foi assim que ela passou a se tornar uma figurinha carimbada nas premiações de Hollywood, especialmente porque em uma indústria tão complicada quanto essa, ela já chamava atenção pelo talento fora do comum. E assim sendo, o que não faltaram foram papeis difíceis – e extremamente elogiados pela crítica – que passaram a se suceder em uma velocidade chocante na sua carreira.

Ela foi uma mãe que lutava pela guarda de seu filho em “Kramer vs Kramer”, assim como uma pacata dona de casa vivendo um romance extraconjugal em “As Pontes de Madison”. Foi também uma professora de violino em “Música do Coração” e a temida editora da revista de moda Runway em “O Diabo Veste Prada”. Se transformou em Julia Child – a famosa autora de livros de culinária e apresentadora de TV – no filme “Julie & Julia”, e foi ainda uma socialite que sonhava obstinadamente em ser uma cantora de ópera (sem, no entanto, ter talento para isso) em sua mais recente indicação ao Oscar, em o longa “Florence – Quem é essa mulher?”.

As 20 indicações de Meryl Streep ao Oscar

Sempre colocando sua vida pessoal longe do olhar da imprensa, Meryl depositou toda a atenção dos fãs, de Hollywood e obviamente da crítica especializada nos trabalhos que fazia. E, muitas vezes, utilizou desse espaço que tinha para apoiar ou mesmo levantar questões importantes dentro e fora da indústria cinematográfica.

No último Globo de Ouro, por exemplo, quando recebeu uma homenagem na premiação, fez um discurso emocionante condenando as recentes medidas tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu deportar milhões de imigrantes. Além disso, em 2015, durante o discurso de Patricia Arquette no Oscar pedindo igualdade salarial para homens e mulheres, Meryl foi uma das primeiras a ficar de pé e gritar em apoio a colega de profissão.

Foi ela também uma das atrizes a participar de uma campanha em 2016 contra (novamente) Donald Trump, em oposição a comentários sexistas que o até então candidato à presidência havia falado. E foi a atriz também quem não teve medo de durante uma renomada premiação cinematográfica em 2014, relembrar os perigos de se “endeusar” certas figuras do cinema como Walt Disney, que a despeito de todo o trabalho que realizou, teve sua carreira marcada por episódios racistas e misóginos.

Meryl Streep no Oscar

Meryl recebendo a estatueta por Kramer vs Kramer em 1980

Considerada uma atriz que “começou tarde” na carreira, Meryl se tornou uma lenda viva no cinema. O recorde de indicações ao Oscar pertence a ela, que só não tem o maior número de estatuetas da premiação porque fica atrás da igualmente maravilhosa Katherine Hepburn – que ganhou 4 vezes enquanto Meryl “apenas” ganhou três.

Com um dos currículos mais respeitados da área, a atriz estará mais uma vez concorrendo ao Oscar desse ano como melhor atriz. Ela não é apontada como favorita para levar o prêmio pra casa, mas continua a fazer de seu nome uma presença constante no cinema e nas premiações da área, não importa quanto tempo passe ou quantas outras atrizes apareçam e (ainda bem) façam muito sucesso nas telonas.

Tudo porque, acredito eu, certos brilhos e um talento de verdade realmente nunca se apagam.

Beijos e até amanhã com mais #aquecimentoOscar!

As músicas que ganharam um Oscar

Em uma noite onde filmes é que deveriam brilhar, vocês não acham curioso que exista uma categoria no Oscar que premie a área musical? Intrusa na festa, a categoria de melhor canção original foi adicionada a premiação em 1935 e, desde então, vem revelando músicas que não são apenas importantes dentro do filme em que estão, mas que também são fortes, emocionantes e possuem letras e melodias incríveis mesmo fora deles.

Fiz uma listinha então de algumas músicas que já ganharam o Oscar, que entraram pra história – da indústria cinematográfica e fonográfica – e que eu adoro! Pra quem quiser ver a lista completa de músicas vencedoras, é só clicar aqui.

 

Selma (2015)
Glory | John Legend e Common

No ano passado quando falei sobre os longas que estavam concorrendo a estatueta de melhor filme, cheguei a comentar que apostava todas as minhas fichas que Glory do filme Selma seria a grande canção vencedora da noite. Dito e feito! A música é maravilhosa (olha essa letra!) e tem uma presença enorme no filme. Ganhou merecidíssimo.

 

Frozen (2014)
Let it go | Idina Menzel

Frozen foi o filme que definitivamente fez a Disney reviver seus momentos áureos dos anos 90. Valente, de 2012, já tinha feito um ensaio desse retorno, mas foi mesmo com o filme da princesa que tem poderes mágicos de criar gelo que o estúdio fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo.

O mesmo aconteceu com Let it Go, trilha sonora do longa interpretada por Idina Menzel, que também resgatou o legado de grandes canções que a empresa sempre teve (nas próximas músicas desse post vocês vão entender o que eu tô falando!).
Além da canção original que toca no filme, há uma versão da música interpretada pela Demi Lovato.

 

Quem quer ser um milionário? (2009)
Jai Ho | A. R. Rahman

Quem quer ser um milionário, apesar de britânico, é inspirado em um livro do escritor indiano Vikas Swarup e foi todinho gravado na Índia. Ao todo, o filme recebeu 10 indicações ao Oscar, das quais ele ganhou oito, inclusive a de melhor filme.

A música Jai Ho é de A. R. Rahman, mas acabou ganhando uma versão mais popular quando o cantor a gravou junto com as meninas do Pussycat Dolls.

 

8 miles (2003)
Lose Yourself | Eminem

Estrelado pelo próprio Eminem, 8 miles – Rua das Ilusões é um filme sobre um jovem rapper lutando contra seus problemas pessoais. O filme foi bem recebido pela crítica na época do lançamento e a música Lose Yourself, eu lembro bem, tocava quase que em repeat nas rádios e na MTV.

 

Tarzan (2000)
You’ll be in my heart | Phil Collins

Como eu havia comentado lá em cima, é impressionante (e merecido) como as animações da Disney dominaram o Oscar durante toda a década de 90!

Além da própria premiação, Tarzan também ganhou o Globo de Ouro de melhor canção e uma indicação ao Grammy. A sua versão em português foi gravada por Ed Motta e recebeu o nome de “No meu coração você vai sempre estar”.

Ps: escutei umas cinco vezes essa música antes de subir o post e é impressionante como cada vez ela fica mais linda!

 

Príncipe do Egito (1999)
When you believe | Stephen Schwartz 

Nunca assisti O Príncipe do Egito, mas é praticamente impossível ter nascido no começo dos anos 90 e nunca ter escutado essa canção nas vozes de Mariah Carey e Whitney Houston. A música foi um sucesso enorme na época e acabou sendo indicada também para melhor canção do Globo de Ouro. A letra é do compositor Stephen Schwartz (que também escreveu letras para Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame) e o filme é do estúdio Dreamworks.

 

O Rei Leão (1995)
Can you fell the love tonight | Elton John

O Rei Leão é uma animação meio que sem precedentes na história do cinema, né? Até hoje, mesmo que animações com gráficos e enredos completamente incríveis tenham sido lançados, o filme acabou conquistando um espaço e uma importância só dele, impossível de tirar.

No ano em que Can you feel the love tonight ganhou como melhor canção do Oscar (e do Globo de Ouro!), mais duas músicas do filme também concorriam nessa categoria: a divertidíssima Hakuna Matata e Circle of Life. O longa levou ainda o prêmio de melhor trilha sonora nas duas premiações e de melhor filme de comédia ou musical no Globo de Ouro.

 

A Bela e a Fera (1992)
Beauty and the best | Alan Menken 

Além de ser um dos meus filmes preferidos da Disney e ter essa canção maravilhosa de trilha sonora, A Bela e a Fera foi um filme tão bem feito, tanto no que diz respeito ao seu roteiro quanto na sua parte artística, que foi a primeira animação da história a concorrer ao Oscar de melhor filme.

Além da própria música Beauty and the Beast, o filme também concorreu com mais duas músicas na categoria de melhor canção. As escolhidas foram Be our Guest e Belle (lembram do verso “The must be more than this provencial life”? <3). As três músicas foram feitas por Alan Menken, responsável por várias das trilhas sonoras da Disney.

Outras músicas que ele fez para a empresa e ganharam na categoria de melhor canção foram Under the Sea de A Pequena Sereia (1990), A Whole New World de Aladin (1993) e Colors of the Wind de Pocahontas (1996).

Dirty Dancing – Ritmo Quente (1988)
(I’ve had) The time of my life | Bill Medley e Jennifer Warnes

Provavelmente um dos filmes mais vistos e revistos da Sessão da Tarde, Dirty Dancing já apareceu aqui no blog em um outro post, quando falei sobre as minhas cenas musicais preferidas. E confesso, ele é sim um dos meus melhores guilty pleasures!

Além do Oscar, a música tema do longa concorreu ao Globo de Ouro, onde o próprio filme foi indicado a melhor filme de comédia/musical, e Patrck Swayze e Jennifer Grey a melhor ator e melhor atriz, respectivamente.

 

Flashdance (1984)
Flashdance… What a felling | Giorgio Moroder

Ok que eu tenho essa falha cinéfila de nunca ter assistido Flashdance, mas mesmo quem nunca assistiu ao filme já deve ter visto a cena final da história, quando a atriz Jennifer Beals dança ao som dessa música.

O filme virou um clássico dos anos 80 e no Oscar daquele ano foi indicado também nas categorias de melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora.

 

Fama (1981)
Fame | Michael Gore

Sabem aquelas músicas de final de festa? Pois bem, Fame com certeza vai estar nessa playlist. E eu acho a música divertidíssima, mas confesso que foi só quando selecionava as músicas que iam entrar nesse post que descobri que ela fazia parte de um filme.

Esse musical dos anos 80, aliás, parece ter uma vibe meio Glee, contando a história de oito adolescentes que sonham entrar na Escola de Artes Performáticas de New York. As poucas cenas que vi me deixaram bem curiosa pela história e coloquei na minha lista pra ver em breve.

 

Butch Cassidy (1970)
Raindrops Keep Fallin’ on My Head | Burt Bacharach

Estrelado por Paul Newman, Butch Cassidy chegou derrubando a porta – e tudo que tivesse atrás dela – do Oscar de 1970: além de concorrer para melhor filme, melhor diretor e melhor mixagem de som, o longa ganhou nas categorias de melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor trilha sonora, e claro, melhor canção original.

A música Raindrops Keep Fallin’ on My Head foi o sucesso musical número 1 dos anos 70 e ganhou uma dimensão tão maior do que o filme nos anos posteriores que chegou a entrar para o top 100 de maiores canções de todos os tempos da Billboard.


Bonequinha de Luxo (1962)
Moon River | Henry Mancini (interpretado por Audrey Hepburn)

Moon River é uma das minhas músicas preferidas da vida e tem uma letra que me toca e emociona muito. Aliás, acho que não só eu, afinal a canção foi a vencedora do Oscar e do Grammy de 1962.

A cena em que Audrey Hepburn toca violão e canta a música na janela do seu apartamento ficou eternizada na história do cinema e deu ainda mais beleza e leveza ao filme de Blake Edwards.

 

Pinóquio (1941)
When  you wish upon a star | Leigh Harline (interpretado por Cliff Edwards)

Pinóquio foi o segundo filme produzido pela Disney (o primeiro foi A Bela Adormecida) e como muitos de vocês devem saber, conta a história do bonequinho de madeira que se torna um menino de verdade graças aos poderes mágicos da fada azul.

A letra da música “When you wish upon a star” é das coisas mais maravilhosas que eu já escutei na minha vida e ainda que Pinóquio não seja das minhas histórias preferidas, sempre tive um carinho especial pelo personagem de Geppeto, o entalhador que cria o boneco.

 

O Mágico de Oz (1940)
Somewhere over the rainbow | Harold Arlen (interpretado por Judy Garland)

É incrível como essa música já foi regravada tantas vezes, cantada em inúmeros programas e competições de TV, e recebido os mais diferentes tipos de versões, mas ficou para sempre marcada na voz de Judy Garland.

A atriz que fazia a Dorothy em O Mágico de Oz, mesmo tão novinha tinha uma voz linda e afinada e teve a música feita especialmente para ela.  Assim como desejava sua personagem, a canção fala sobre a existência de um lugar além do arco-íris, onde os problemas derretem como balas de limão e os sonhos se tornam realidade.

 

Ritmo Louco (1937)
The way you look tonight | Jerome Kern

Qualquer filme com Fred Astaire já ganha de cara um sorriso meu, especialmente se esse filme tem o ator cantando uma música tão bela quanto The Way You Look Tonight.  De brinde, Swing Time tem ainda Ginger Rogers, atriz ganhadora do Oscar em 1941 e que ao longo de sua carreira fez inúmeras parcerias com Fred Astaire no cinema.

 

Bisous, bisous e semana que vem tem mais post do #aquecimentoOscar!!

(A falta de) mulheres diretoras no Oscar

Vocês devem se lembrar que no Oscar do ano passado, Patricia Arquette, ao ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante por Boyhood, fez um dos discursos mais inspiradores e empoderadores da noite, pedindo igualdade salarial para homens e mulheres. O discurso ganhou uma projeção gigante na mídia, e a falta de espaço e reconhecimento dado ao universo feminino – especialmente dentro da indústria cinematográfica – recebeu, felizmente, muito mais atenção.

Só que vale lembrar que além da questão salarial, outras desigualdades de gênero parecem dominar o cinema, especialmente quando olhamos para Hollywood. E pra constatar isso, não é preciso ir muito longe não.

Quer coisa mais intrigante (pra não dizer absurda) do que perceber que em 86 anos de Oscar, apenas quatro mulheres foram indicados à melhor direção?! A disparidade é tão grande que custa a acreditar que isso é mera coincidência.

A atriz Ingrid Bergman em 1953 no set de filmagens de "Nós, as Mulheres"

A atriz Ingrid Bergman em 1953, no set do filme “Nós, as Mulheres”

No ano passado, a ACLU (American Civil Liberties Union), uma ONG norte-americana de defesa dos direitos do cidadão, enviou uma carta às autoridades da Califórnia pedindo uma fiscalização da indústria cinematográfica de Hollywood devido a uma exclusão generalizada de mulheres diretoras, tanto no cinema quanto na TV.

Os dados que a ACLU mostram são interessantes porque já fazem cair por terra aquela que seria a resposta mais óbvia para a falta de mulheres nessas grandes produções:  a de que há poucas diretoras no mercado. Na verdade, o número de homens e mulheres se formando em escolas de cinema tem sido bastante equiparável nos últimos anos, destruindo a ideia de que não existe uma mão de obra qualificada feminina para o serviço.

Mas se existem então homens e mulheres cineastas quase que na mesma medida, porque apenas homens dominam o mercado?

Eu encontrei a resposta pra essa pergunta na fala de alguém que vê, todos os dias, o preconceito de perto, a diretora Jane Campion, uma das quatro mulheres indicadas à melhor direção no Oscar. Em entrevista ao The Guardian, ela disse “At film schools, the gender balance is about 50/50. Women do really well in short-film competitions. It’s when business and commerce and art come together; somehow men trust men more.” Algo como “Nas escolas de cinema, o equilíbrio entre os sexos é de 50/50. Mulheres se saem muito bem em competições de curta-metragens. É quando o business, o comércio e a arte se juntam, que de alguma maneira homens confiam mais em homens.”

Ou seja, ainda que haja uma mão de obra numerosa e qualificada de mulheres no mercado cinematográfico, quando estamos falando de grandes produções, é ainda uma maioria esmagadora de homens que financiam e dirigem filmes e, consequentemente, ganham mais destaque dentro da indústria e de premiações como o Oscar.

Além de torcer para que se dê cada vez mais espaço e reconhecimento às diretoras de cinema, – assunto que felizmente parece vir ganhando cada vez mais discussão – achei mais do que válido falar aqui nesse post um pouquinho sobre as quatro ganhadoras do Oscar, já que esse prêmio além de ser delas, representa muitas outras das suas colegas profissionais.

E fica aqui a pergunta: quais diretoras de cinema vocês recomendam? Vamos espalhar esses nomes por aí e mostrar o devido reconhecimento que elas merecem!

Bisous, bisous

E o melhor filme vai para… #aquecimentoOscar

O tapete vermelho já começou (acompanhem meus pitacos lá no twitter!), mas eu precisava vir aqui para um último post do #aquecimentoOscar antes que a cerimônia de fato começasse.

Ontem terminei de ver todos os filmes indicados a melhor filme, e assim como fiz no ano passado queria muito escrever aqui o que achei de cada um e em quais categorias estou torcendo pra eles ganharem. Fiquem tranquilos que não tem spoilers, e tá liberado pra todo mundo ler, tendo ou não assistido os filmes.

E ah, se você não viu os outros posts do aquecimento, é só clicar aqui pra ver os melhores curtas de animação dos últimos anos, aqui pra saber mais sobre as estatuetas que Edith Head já ganhou e aqui pra ver o Oscar honorário levado por Charles Chaplin.

Espero que vocês gostem e que suas apostas do Oscar se confirmem hehe.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz (Felicity Jones), melhor ator (Eddie Redmayne), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Precico confessar que quando fui assistir A Teoria de Tudo, eu conhecia muito pouco sobre a vida de Stephen Hawking. Apesar de saber que ele era uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo e um físico sem igual, eu não conhecia muito de seu trabalho, de suas teorias e tampouco da sua história pessoal. Por isso que pra mim assistir esse filme foi ainda mais incrível. Saber como foi a trajetória de vida desse homem e como ele driblou obstáculo por obstáculo da sua vida pessoal e profissional é mais do que bonito, é encorajador. Stephen ama o que faz, isso fica claro em cada segundo do filme, e a gente fica com essa certeza de que é graças ao amor pela física e a presença de pessoas que sempre o apoiaram, como a esposa interpretada por Felicity Jones, que ele teve no que se agarrar pra continuar vivendo. Sei que pode parecer clichê falar isso, mas fico com essa certeza de que Stephen sabia que ele poderia fazer a diferença no mundo. E que por isso, absolutamente nada, fosse uma doença, fosse uma decepção, fosse qualquer problema, poderia impedi-lo.

Vi muita gente reclamando desse filme por ele ter focado mais na trajetória pessoal de Hawking e na sua história com Jane do que em sua carreira. Não que eu também não gostaria de ter visto mais desse lado do físico, mas o que muita gente esquece (ou não sabe mesmo) é que a Teoria de Tudo é adaptado de um livro publicado em 2008 e escrito por… Jane. Não é como se alguém se debruçasse sobre a vida de Stephen e com total imparcialidade (ou quase isso) escrevesse sobre ela. A história contada parte da visão da esposa de Hawking, o que explica porque o filme foca tanto no relacionamento dos dois.

Apesar disso, A Teoria de Tudo é um filme muito, muito bonito e provavelmente o mais mainstream dos indicados. Minha torcida pra melhor ator está com certeza com Eddie Redmayne (apesar de ter gostado demais da atuação do Michael Keaton em Bidman) já que ele praticamente carrega o filme sozinho nas costas e transforma um papel tão difícil em um personagem tão verossímil.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette), melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke), melhor diretor (Richard Linklater), melhor roteiro original e melhor edição,

Assista o trailer.

Boyhood é um filme sem igual na história do cinema. E isso não só pela forma como ele retrata a infância, adolescência e juventude do personagem principal, mas também obviamente pela forma como ele foi gravado. Foram 12 anos desde a primeira cena até a última. 12 anos acompanhando a vida do personagem Mason e, de quebra, todas as mudanças sofridas pelo garoto de carne e osso, Ellar Coltrane.

Lá fora o filme foi um sucesso inquestionável. Nos EUA, por exemplo, o público abraçou Boyhood. A história de Mason encantou crítica e telespectadores, e provou que o cinema também sabe retratar com maestria a vida de alguém de maneira nua e crua. Não é como se o garoto fizesse parte de um grande enredo. Ele faz parte apenas do enredo da sua própria história e é ela que a gente vai acompanhando em todas as suas fases.

Aqui no Brasil, o filme parece não ter agradado tanto quanto lá fora, e tenho pra mim que isso aconteceu, principalmente, porque o filme é um espelho do estilo de vida do norte-americano de classe média. Pra quem viveu ou vive essa realidade, o reconhecimento, é claro, é muito mais forte. As referências do filme, apesar de também fazerem sentido aqui no Brasil, criam muito mais empatia e se encaixam muito mais na vida deles. Eles se sentem muito mais representados na história, enquanto nós, apesar de enxergamos todos os méritos e belezas do filme, olhamos de uma maneira muito mais distanciada para o crescimento do menino.

Boyhood e Birdman são os grandes cotados pra ganharem a principal estatueta de hoje, e apesar de eu torcer pelo segundo, não poderia discordar se Boyhood fosse o grande vencedor.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Benedict Cumberbatch), melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley), melhor diretor (Marten Tyldum), melhor roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Uma das coisas que eu mais gostei do Oscar desse ano foi que grande parte dos filmes são inspirados em histórias reais. Eu sempre crio empatia com longas assim, porque as emoções que eles me despertam são até mais fortes. Eu não consigo assistir o filme e não ficar imaginando como aquilo aconteceu de verdade e como algumas pessoas de fato passaram por aquela situação. É maravilhoso e tocante. E assustador em muitos casos.

O Jogo da Imitação é um desses filmes. Baseado na história do matemático Alan Turing (falei rapidinho sobre esse filme aqui), o filme retrata um período específico da sua vida, quando Turing ajudou a desvendar o código usado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Eu não vou dar spoilers sobre o filme, fiquem tranquilos haha, mas queria muito dizer que apesar do que Turing fez em prol da humanidade ser obviamente maravilhoso, o que mais me toca nesse filme fica mesmo é focado é na sua vida pessoal. Turing me parece ter sido uma dessas pessoas que fez coisas maravilhosas para o mundo e que não ganhou um pingo de respeito e gratidão em troca. É revoltante assistir algo assim.

Apesar de estar indicado em muitas categorias do Oscar, acho que real chance de ganhar mesmo, ele só tem com roteiro adaptado. Tomara que ele consiga!

Concorrendo também nas categorias de: melhor canção original (Glory).

Assista o trailer.

Selma foi o último filme que eu assisti dos indicados e fiquei muito feliz pela forma como encerrei essa maratona. É triste pensar que ele só foi indicado em duas categorias, ainda mais quando levamos em consideração todas as indicações que American Sniper teve…

Assim como O Jogo da Imitação, o filme aqui também é baseado em fatos reais e também foca em apenas um período da vida do personagem principal. No caso, Martin Luther King Jr e sua luta pelo direto dos afro-americanos votarem. Não é spoiler algum contar que o nome do filme vem da cidade em que se passa a história, Selma, e que a luta de Martin culminou com a marcha que saiu da cidade em direção a Montgomery para protestar por esses direitos.

Eu acho que filmes assim são extremamente importantes não só no que diz respeito a questões cinematográficas, mas principalmente no que diz respeito a questões históricas. Esses acontecimentos e lutas nunca devem ser esquecidos porque não foram importantes apenas quando acontecerem. Eles nos ensinam ainda mais agora e nos ajudam a levantar questões que apenas achamos que já foram superadas. Ou você acha mesmo que o racismo não existe mais?

Além de ver o filme, vale muito a pena também escutar com atenção a maravilhosa Glory, música que faz parte da trilha sonora do longa (e que com certeza vai ganhar de melhor canção no Oscar). É incrível, gente.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Michael Keaton), melhor atriz coadjuvante (Emma Stone), melhor ator coadjuvante (Edward Norton), melhor dirteor (Alejandro González Iñárritu), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

E aqui temos mais um filme único na história do cinema e que deve bater de frente com Boyhood na corrida de melhor filme da noite.

Birdman conta a história de Riggan (Michael Keaton), um ator de Hollywood famoso por representar num passado já distante um super-herói chamado Batman Birdman. Sonhando em ter de volta a antiga fama, Riggan decide montar uma peça na Broadway, mas, as vésperas de sua estreia, se vê confrontando com problemas que vão muito além do teatro. Numa mistura de realidade e fantasia, de drama e comédia, de loucura e razão, Birdman é simplesmente insano. Nao só nas atuações e no enredo, mas inclusive na forma como foi gravado: sem cortes, em um plano sequência interminável.

O cinismo do filme é tão grande que o diretor fez questão de escalar atores com histórias de vida, digamos assim, bem próximas aos dos personagens que representam. O próprio Michael Keaton, que está concorrendo a melhor ator da noite, foi famoso no passado por interpretar Batman e não participa há anos de um filme de prestígio ou sequer é escalado para algum papel relevante em Hollywood. Edward Norton, que está concorrendo a melhor ator coadjuvante e que faz o papel do ator que só pensa em si mesmo e que não gosta de seguir scripts, leva a fama de não ser muito diferente por trás das câmeras, gostando de “mandar no próprio nariz.”

Nessa mistura de arte com vida real e de vida real com arte, Birdman tem ainda uma fotografia linda (vai ser um páreo duro com Grande Hotel Budapeste), diálogos memoráveis e uma Emma Stone arrasadora em seu papel como filha de Riggan.

Concorrendo também nas categorias de: melhor diretor (Wes Anderson), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e penteado, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Quando penso em Grande Hotel Budapeste, o que me vem à cabeça são aquelas bonecas matrioskas, que saem  umas de dentro das outras formando várias bonequinhas de tamanhos variados. Pra mim, a ideia desse roteiro segue mais ou menos esse raciocínio: é uma história que está dentro de outra história, que está dentro de outra história e assim sucessivamente. A narrativa central do filme, no entanto, está focada na época em que o tal Hotel Budapeste  do título vivia seus dias mais áureos. É nesse período que seu concierge, a figura central do estabelecimento, admite um novo aprendiz no hotel. Os dois se tornam melhores amigos e quando o concierge se torna o suspeito número um de um assassinato no qual herdou um valiosíssimo quadro, é o aprendiz que fica ao seu lado lhe ajudando contra a raiva da família da vítima.

Todos os filmes de Wes Anderson são uma delícia de assistir, mas Grande Hotel Budapeste consegue ser ainda mais incrível. As cenas muitas vezes nos lembram animações, com objetos e figurinos estrategicamente posicionados e com uma paleta de cores singular, marca registrada do diretor. Pra mim, esse filme é esteticamente o mais lindo de todos os indicados e torço por ele em todas as categorias do gênero e também como melhor roteiro original, apesar de saber que a concorrência com Birdman não será fácil.

Um detalhe interessante ainda de se falar desse filme é que para marcar as diferenças de épocas em que o filme se passa, as tais diferentes ”bonecas” que ele tem, Wes Anderson manteve os formatos originais de tela de cada período, com imagens ora mais quadradas ora mais retangulares. São ”detalhes” que não apenas fazem diferença, mas que constroem uma estética que nenhum outro filme possui. Uma história deliciosa de assistir!

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Bradley Cooper), melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Sniper Americano foi o filme que menos gostei de todos os indicados. Não que a história não seja interessante (esse é outro filme inspirado em fatos reais), mas esse é um daqueles longas que antes mesmo de assistir eu já me cansei do roteiro de tanto que ele puxa o saco dos EUA. É muito america fuck yeah pro meu gosto.

Implicações à parte, Sniper Americano conta a história de um atirador de elite das forças especiais da marinha que prestou seus serviços durante dez anos para os EUA. Ele fez parte de vários conflitos armados e matou mais de 150 pessoas ao longo desse tempo. O filme vai então alternando entre a pressão que ele sentia nessa função e todos os problemas emocionais que ela acarretou para sua vida pessoal.

É um longa interessante? É. Mas não acho mesmo que ele deveria estra entre os indicados a melhor filme.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator coadjuvante (J. K. Simmons), melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Andrew é um jovem baterista que sonha em marcar seu nome na história da música e que vê uma chance de realizar esse sonho quando passa a ter aulas com um lendário musicista, Terence Fletcher. O professor, no entanto, tem técnicas bastante agressivas de ensino, e Andrew passa a manter uma relação doentia com a bateria e com seu desejo de sucesso.

Em um primeiro momento, o filme parece não ter um sinopse que agrada facilmente a todos ou que crie muita identificação, mas acho difícil encontrar alguém que tenha assistido Whiplash e não tenha se sentido hipnotizado pela história. A construção do filme é incrível, e existem cenas memoráveis que fazem a gente segurar a respiração de tanta tensão.  J.K. Simmons que faz o papel do professor está cotadíssimo para ganhar o Oscar de melhor ator coadjuvante, e minha torcida vai mesmo pra ele que está sensacional no longa.

Além disso, ainda aposto em Whiplash para ganhar como melhor mixagem de sonho (apesar de muita gente acreditar que Sniper Americano tem grandes chances nessa categoria). Independente de qualquer coisa, o que eu tenho certeza é que esse é um filme maravilhoso que todo mundo deveria assistir. Todo mundo mesmo.

E agora me contem vocês, quais dos filmes indicados vocês assistiram e pra quem estão torcendo?

Bisous, bisous!

O Oscar honorário de Charles Chaplin #aquecimentoOscar

Quando assisti pela primeira vez o vídeo daqui de baixo, percebi que nunca antes havia visto Charles Chaplin sem as roupas e a maquiagem que o tornaram tão famoso. Ainda que sua importância dentro do cinema e da comédia palestão tenha ido muito além da atuação, já que Chaplin também dirigiu e roteirizou diversos filmes, foi mesmo sua pintura carregada e suas roupas tão características que acabaram ficando pra sempre na nossa memória.

Carlito e seu chapéu coco, seu terno preto, seus sapatos enormes, sua bengala que nunca parava quieta… É fácil reconhecer o personagem mais famoso de Chaplin. Ele se tornou uma figura intrínseca ao cinema, representante-mor da época em que na telona as cenas não tinham falas e as expressões precisavam falar por si só.

Mas, mais do que tudo isso, o que eu sinto que Charles Chaplin realmente levou de mais importante para os longa-metragens foi a sua capacidade de transformar seus filmes em uma voz. Em um meio de se debater, ainda que não explicitamente, aspirações políticas e problemas sociais.

No entanto, nem todos estavam contentes com essa influência do diretor: em 1952, ele foi oficialmente proibido de permanecer nos EUA sob a alegação de propagar ideias comunistas, tendo que se exilar na Europa até 1972. Nesse ano, Chaplin finalmente voltou aos EUA, dessa vez para receber um Oscar honorário da academia devido ao conjunto de sua obra e a influência que teve para o cinema.

Não sei se é expressão assustada, se é a emoção explícita no rosto de Chaplin ou se são os aplausos de pé que ele recebeu – a maior ovação até hoje da história da premiação – que me fizeram ficar tão hipnotizada por esse vídeo quando o vi. Esse é com certeza um dos momentos mais bonitos da história do evento, porque, pelo menos pra mim, mostra um reconhecimento muito maior do que uma atuação, direção ou qualquer outra categoria em que se possa ganhar uma estatueta. Chaplin dedicou sua vida ao cinema, entregou sua liberdade em prol do cinema e defendeu seus valores e visões través do cinema. Ele enxergava nos filmes um poder que muito poucos enxergavam e pagou um preço alto por isso. Um preço que anos depois ele parecia suportar sem ressentimentos ou raivas, devido ao reconhecimento não só da academia, mas principalmente de si próprio, de que tudo valeu a pena.

 

Pra quem quiser ver mais vídeos marcantes da história do Oscar, o canal oficial deles no youtube é maravilhoso. Cliquem e se emocionem tanto quanto eu hehe.

Bisous, bisous e até amanhã com mais #aquecimentoOscar