Minhas cenas musicais preferidas #1

Eu amo música e amo cinema, mas amo mais ainda quando essas duas áreas se juntam.

Nem precisa necessariamente ser um musical, mas, às vezes, uma pequena cena de um filme ou série que teve uma trilha sonora que casou muito bem com aquela situação, que fez muita diferença para o resultado final da história. Isso já me deixa absurdamente apaixonada!

Foi pensando nisso, que surgiu a ideia de fazer esse post aqui, listando as 20 cenas musicais mais importantes, significativas e bonitas que eu já assisti. Tem drama, comédia, romance e músicas dos mais variados gêneros, mas todas essas cenas, sem exceção, possuem uma mesma coisa em comum: são incríveis e se tornaram inesquecíveis pra mim.

E é claro que eu vou dividir esse post em dois, porque se não, haja barra de rolagem pra dar conta de ver tudo :p

Minha cena preferida, do meu filme preferido, onde toca minha música preferida <3

Acho que depois dessa introdução já deu pra sacar o quanto eu amo “Quase Famosos”, né? Já falei, inclusive, sobre o que o filme representa pra mim nesse post aqui, e não canso nunca de rever essa cena porque a acho uma das mais mágicas que já assisti.

Acho incrível que mesmo assistindo esse trecho isolado, fora de contexto do filme, ele produz um efeito muito revigorante na gente. Dá pra sentir o clima de tensão no ônibus e como a música é a responsável por unir as pessoas e por deixar tudo bem de novo. E pode paracer bobo, mas acho que já me senti muito como o William, procurando um lugar chamado “casa” e percebendo que, na real, eu já estou nela.

Bônus: têm muitas cenas de Quase Famosos que eu queria colocar aqui, mas me contive e decidi colocar apenas uma cena de cada filme/série pra não ficar um texto imenso. Ainda assim, não pude resistir em deixar pelo menos o link de outra cena que eu amo muito desse filme e que acabou nem entrando na montagem final da história. O que é uma pena, né, já que qualquer cena que tenha Stairway to Heaven como pano de fundo, já diz o quanto é incrível por si só. Afinal, como diz William, “this song will change your life.”

Além de “Bonequinha de Luxo” ser um dos meus filmes mais amados (alô, coleção Audrey Hepburn!), a cena em que Audrey canta Moon River é absurdamente encantadora. A música, a interpretação de Audrey, a câmera enfocando as primeiras palavra do texto de Paul, o enquadramento da atriz na janela tocando o violão… Sabe quanto tudo se encaixa de uma maneira perfeita? Essa cena é assim.

“The was once a very lovely,  very frightened girl. She lived alone except for a nameless cat.”

“10 coisas que eu odeio em você” é uma das comédias românticas mais engraçadas e bonitinhas que existem (cês sabiam que o filme é uma adaptação bem moderninha de “A Megera Domada” do Shakespeare?) e atire a primeira pedra a menina que quando adolescente nunca escreveu em algum diário, caderno ou agenda o poema que a Kat recita pro Patrick no final do filme.

A cena em que Heath Ledger (ai, que saudade!) canta “Can’t Take My Eyes Off You” durante o treino de futebol feminino, é daquelas que não tem como a gente ver e não dançar junto, com direito a passinho coreografado e braços abertos acompanhando o ator haha.

“O casamento do meu melhor amigo” é daquelas comédias que eu não canso de assistir! Primeiro porque eu adoro a Julia Robert e ela tá especialmente espetacular nesse filme, e segundo porque o Rupert Everett interpreta um personagem tão divertido e carismático que mesmo sabendo o que acontece em cada cena, eu sempre me divirto e fico enfofada com as suas aparições.

Essa cena em que eles cantam “I say a little prayer for you” é tão marcante – pra mim e pra história do cinema – que eu não consigo mais escutar essa música sem lembrar instantaneamente dela. E é batata como toda vez que eu a assisto, me pego cantando junto com os personagens.

Eu não podia deixar algumas séries de fora dessa lista e, com toda certeza, Anos Incríveis é uma delas.

A série por si só já é muito famosa pela sua trilha sonora, que é tão incrível, mas tão incrível, que foi o motivo número um pelo qual a história de Kevin Arnold demorou tantos anos pra sair lá dos anos 80/90 e desembarcar aqui nos anos 2000: os direitos autorais das músicas beiravam um valor estratosférico (só pra vocês terem ideia tem Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan e Jimi Hendrix entre os artistas da trilha) e só no final de 2014 que a gente vai finalmente poder ter o box dessa série na nossa estante.

Entre as muitas cenas marcantes do seriado, eu não consigo desapegar do final do primeiro episódio, quando Kevin encontra Winnie depois de um dia muito triste pra ela (vou tentar não dar spoiler haha) e acontece o primeiro beijo dos dois ao som de “When a man loves a woman”. Some-se a essa boa música a narração do protagonista sempre cheia de grandes lições e você tem a síntese do que é Anos Incríveis <3

Na época em que eu não trabalhava e não tinha redação, fechamento e uma crazy life por trás de tudo isso, eu chegava em casa da escola, almoçava, ligava a TV e me preparava pra assistir Dirty Dancing. Sério, eu perdi a conta de quantas vezes esse filme passou na Sessão da Tarde e quantas vezes eu o assisti, dançando loucamente, é claro, a música título do filme.

É difícil dizer o que tem de tão bom por trás dessa história, já que a protagonista é tão bobinha e o enredo tão água com açúcar, mas acho que um dos fatores que mais contribuíram pra ele ter se eternizado na história do cinema é mesmo sua trilha sonora e essa ideia da música nos dar coragem para ser quem de fato somos, a transpormos barreiras, a enfrentarmos nossos medos.

Como? Também não sei explicar, mas a garota de 24 anos que há cinco minutos dançava enquanto selecionava esse vídeo pro post acha que a chave desse sucesso deve estar aí.

“Quero ser Grande” é aquele tipo de filme que a gente vê hoje em dia e pensa “como que ninguém via nada de errado nisso”? haha Tirando esse pequeno detalhe, eu adoro esse filme, mas a cena do piano supera qualquer outra e faz a gente ficar com essa música em um looping infinito na cabeça.

Ah, Casablanca! (insira aqui muitos suspiros).

Apesar de ser um clássico eu demorei um bocado pra ver esse filme, mas me apaixonei quase que instantaneamente. Ainda tá na minha listinha de DVDs que quero adquirir em breve e essa cena em particular, com essa música maravilhosa sendo tocada no piano por Sam para Ilsa (Ingrid Berman, essa maravilhosa!) é uma cena tão envolvente, tão bonita que dá vontade de fechar os olhos e só ficar escutando a canção.

“We’ll always have Paris.”

“Hairspray”, de 2007, é um dos meus musicais preferidos e ainda esse ano eu quero muito ver o original, de 1988, que imagino que seja tão incrível quanto. Eu adoro a história desse filme e fico imaginando como no teatro ele deve ser ainda mais maravilhoso (ele é um musical da Broadway também!)

Além de falar muito sobre música, claro, Hairspray é filme que se passa no começo dos anos 60 e traz um pouco da realidade social da época, mostrando como a segregação racial ainda era tão forte nos EUA.

Essa cena aqui é bem grandinha, mas vale a pena ver e dançar ao som de “You can’t stop the beat” (até porque não dá mesmo pra ouvi-la e ficar parado) e se você ainda não assistiu esse filme, não preciso nem falar que já tem que ir fazer isso já, né?

“500 days of summer” é um filme que se eu assistir mil vezes, nas mil vou chorar, me emocionar e ficar pensando ainda muito – e intensamente – sobre tudo o que ele quer dizer. Porque ele tem uma história que causa muitas sensações na gente, que podem ir de um extremo ao outro, e que sempre são intensas.

A cena aqui de cima é um pouco da representação do lado doce desse filme, quando Tom dança pela ruas, passarinhos cantam à sua volta e o mundo todo parece sorrir e ser um lugar melhor. Todos os exageros e fofurices dessa parte representam muito intensamente esse lado do filme. A outra parte… Bom, você vai ter que assistir pra saber porque eu não sou dessas de dar spoiler haha.

Bisous, bisous e até mais!

Continua…

Quase famosos

“One day you’ll be cool.” 
Frase de despedida de Anita (Zooey Deschanel) para seu irmão caçula William (Patrick Fugit) quando sai de casa para encarar uma nova vida.

Você tem 15 anos, mas não é como os rapazes de 15 anos da sua escola. Você tem uma mãe controladora, é introvertido, zoado por meio mundo e tem a certeza de que seu maior sonho na vida, – o de se tonar um crítico musical – está há milhas de distância de se realizar. Só que aí um belo dia você acorda e parece que o destino acordou de bom humor e, magicamente, resolveu mudar a sua história. Você consegue um freela pra Rolling Stones (!) e, pra poder cumprir a pauta solicitada, precisa acompanhar a turnê da sua banda preferida.

Parece mentira, eu sei, mas a verdade é que a história aqui de cima aconteceu de verdade e foi protagonizada por Cameron Crowe. Cameron era um jovem aspirante a crítico musical quando no começo da década de 70 conseguiu seu primeiro trabalho na área. O trabalho dos sonhos, diga-se de passagem: acompanhar o Led Zeppelin em uma turnê e conviver com os integrantes da banda 24 horas por dia, registrando tudo o que era possível para poder escrever uma matéria para a Rolling Stone. Muita coisa aconteceu naquela turnê e, anos depois, já adulto e trabalhando como diretor de cinema, Cameron achou que aquilo daria um bom filme. Fez alguns ajustes ali, outros aqui, mas manteve a essência da história fiel.

E estava pronto então o roteiro de “Quase Famosos”, filme que em 2001 foi indicado ao Oscar de melhor edição, melhor atriz coadjuvante (com dupla participação de Frances Mcdormand e Kate Hudson) e ainda levou pra casa a estatueta de melhor roteiro original.

Em “Quase Famosos”, William é o garoto que representa Cameron e que vai realizar o sonho de conhecer sua banda – no filme chamada de “Stillwater” – e acompanhá-los em uma turnê. No filme ele tem 15 anos; na história real o diretor era um pouco mais velho que isso, mas nem de longe isso apaga a magia do que aconteceu.

O que talvez mais impressione em Quase Famosos é que quando William finalmente vive seu sonho, ele se descobre muito mais pessoalmente do que profissionalmente. Os seus grandes ídolos, astros da música, são caras problemáticos, cheios de inseguranças, que ganham a vida fazendo aquilo que amam, mas que também se sentem pressionados por uma indústria que é ilusória: em um dia rei, no outro um mero desconhecido. A graça que a gente vê em cada personagem desse filme é linda porque é real: das fãs que acompanham os shows e que tentam provar para os outros (ou será que é pra elas mesmas?) que elas não são apenas groupies, até o agente da banda que nem de longe é um cara experiente no assunto, mas que em compensação é o cara que sempre esteve ali por eles.

Todo esse cenário de loucura, paixão, músicas, mas, principalmente, de muita humanidade, é tudo que o garoto precisava para uma boa pauta. Mas, – que se faça uso de um bom clichê aqui – quem aprendeu muito mais foi ele. As histórias que ficaram guardadas (Penny Lane existiu de verdade, assim como Lester Bangs), a vida na estrada, o sofrimento mascarado pelo sucesso, o medo de ser “só mais um”… Tudo é jogado no colo de William.

Quase Famosos é, acima de tudo, um filme sobre o poder da música. O poder revolucionário que o rock inflamou na década de 70 e que se estendeu para a moda, para o comportamento, para o cinema e até para a forma de pensar dos jovens daquela década. O poder que uma canção tem de resumir o que a gente sente ali, em uns poucos minutos de harmonia e voz, como quando William explica pra sua mãe em forma de música porque o rock abre horizontes (essa cena foi deletada do longa por problemas com os direitos autorais e é uma perda e tanto pra história). Há ainda o poder que a música tem de curar uma dor, um momento ruim, um dia cinzento. O sentimento pode não ser permanente, mas por alguns minutos ela faz a gente sorrir, faz a gente se sentir meio idiota de estar reclamando de algo, faz até a gente adotar uma postura diferente diante de uma situação.

Em Quase Famosos tudo gira em torno da música. Os motivos, as vontades, as lições, as perdas, as vitórias, até a felicidade.

Pode até ser um filme semibiográfico da vida do diretor, mas pra mim ele é um filme completamente biográfico da vida de todos nós, de quando quebramos um casulo e descobrimos todo um outro mundo que existe lá fora, que tava só esperando pela gente. Há quem chame isso de amadurecimento e a quem prefira expressar esse aprendizado diário em forma de música…

“Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
There’s still time to change the road you’re on” – Stairway to Heaven, Led Zeppelin

{Sim, há dois caminhos que você pode seguir, mas na longa caminhada
Ainda há tempo de mudar o caminho que você segue}

Eles indicam: shows inesquecíveis!

Sempre tem algum show que marca a gente de uma maneira inexplicável e nem sempre precisa ser daquela banda que a gente esperou meses pelo dia da apresentação ou daquele álbum que a gente ama desde o lançamento.

Daí que por tudo isso – e pelo VMA de ontem que vai ficar eternizado na minha memória pelos gifs fantásticos que gerou haha –  a edição do eles indicam de hoje é sobre shows inesquecíveis! Então, com vocês, Bárbara Carneiro, João Magagnin e Soraia Alves contando aqui os shows inesquecíveis das suas vidas. Aqueles que vale colocar na wishlist pra um dia também ir ;}Mudando de assunto...

Mika - Planeta Terra Festival 2010

  “Poucas coisas são mais fáceis na minha vida do que escolher um show inesquecível. Em razão de não ser uma assídua frequentadora desses eventos, de viver desatualizada de música e de fazer incursões constantes a playlists com artistas mortos, foram poucos os shows a que fui e de um deles, em especial, eu tive uma perspectiva de visão muito favorável. Em 2010, fui ao Planeta Terra Festival por causa do Mika e tivemos, eu e meus amigos, a felicidade de ficarmos bem próximos ao palco. Em determinado momento, no intervalo entre um show e o do Mika, pessoas da produção começaram a chamar meninas da platéia para entrar no palco. Com uma trajetória caótica, acabei sendo uma das escolhidas para dançar a última música com o cantor. Não é todo dia que a pessoa sobe no palco com um dos seus artistas favoritos e ainda dança com um vestido-de-noiva e uma máscara de coelho para uma multidão de pessoas. Apesar de ter as fotos e o autógrafo, a lembrança mesmo é superior a qualquer recordação material.” | Autora do The Cactus Tree.

O Mika é libanês, mas ainda novinho foi morar na França e logo em seguida em Londres, onde se naturalizou britânico. Desde 2007 quando apareceu para o grande público (foi difícil achar uma gravadora que investisse naquele cara de voz tão aguda e letras muitas vezes irônicas), ele lançou três álbuns:  “Life in Cartoon Motion” (2007), “The Boy Who Knew Too Much” (2009) e “The Origin of Love”  (2012).  Pra quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele, seguem os clipes de “Lollipop”, “We are Golden” e “Origin of Love”, respectivamente de cada um dos seus álbuns.

Mudando de assunto...

Ivete Sangalo - Réveillon 2011/2012

 

“O show mais-mais inesquecível da minha vida foi durante o Réveillon de 2011/2012 em Fortaleza – CE. Cidade lotada, gente maravilhosa e uma turma fantástica. Tudo decidido de última hora, conseguimos pegar um ônibus e chegar a tempo da festa começar. Showzaço da musa baiana Ivete Sangalo, que mesmo a uma penca de metros de distância da gente, encantava e nos seduzia daquele jeitinho nordestino de ser. Não tem pra ninguém, Veveta é tudo!” | Autor do Come on John.

 

 

Apenas que eu amei a escolha do João! Primeiro por ele ter escolhido uma cantora brasileira, mega arretada e de uma personalidade sem igual, e segundo porque apesar de eu nunca ter ido a um show da Ivete, posso imaginar que deve ser daqueles em que é impossível ficar com o pé no chão!

Bom, acho difícil ninguém conhecer Veveta, mas vamos lá… Ela é uma cantora baiana (mas também é produtora, atriz, compositora, instrumentista e insira aqui milhares de outras habilidades) que do alto dos seus 41 anos tem corpinho e vitalidade de 20. Ivete Sangalo começou na Banda Eva e depois seguiu carreira solo, quando lançou seu primeiro álbum em 1999. De lá pra cá já foram 10 álbuns, entre os de estúdio e ao vivo. E além de toda essa beleza por fora, Ivete é linda também por dentro: ela é a embaixadora da ONU no Brasil na luta contra o tráfico de pessoas (:

Mudando de assunto...

Foo Fighters - Lollapalooza 2011

  

“Apesar de achar que alguns outros shows tomarão o lugar de inesquecível (Bruce Springsteen mês que vem, Mumford & Sons talvez em 2014), das apresentações que vi até hoje a mais marcante, com certeza, foi a do Foo Fighters como headliner no primeiro dia do Lollapalooza 2011, em São Paulo. Foram pouco mais de duas horas e meia de show, com um Dave Grohl extremamente carismático, um Taylor Hawkins incansável e uma energia incrível, que me fez pular sem cansar em meio à 75 mil pessoas. O show do Pearl Jam esse ano também foi demais! Kings of Leon, The Killers… todos incríveis. Mas ouvir o FF tocando minha faixa favorita (Hey, Johnny Park) e que não estava na setlist há tempos foi realmente especial.” | Autora no Rock’n’Beats.

O Foo Fighters começou sua carreira em 1995 e tem um ~pequeno~ resquício de uma outra banda que eu adoro: seu vocalista, Dave Grohl, já foi baterista do Nirvana! Ao álbum de estreia se seguiram mais outros seis álbuns, que transformaram essa banda de rock numa mais famosas dos anos 2000. Na pequena lista de sucessos dos cinco integrantes do Foo Fighters, há canções como “Learn to fly”, “My hero”, “Best of you” e “All my Life”.

Foto Estadão/ Marcelo Justo

Foto Estadão/ Marcelo Justo

Mudando de assunto...

Paul McCartney - Up and Coming Tour 2010

Eu nem titubeio quando me perguntam qual meu show inesquecível da vida. Acho que o que eu vivi – e senti – no dia 22 de novembro de 2010, em um Morumbi lotado ao som de Paul McCartney, é uma experiência quase impossível de descrever. Eu cresci escutando Beatles por causa do meu pai, e em 2009, quando comecei a namorar o Diego, descobri um garoto ainda mais fã de Beatles do que eu, que fez eu me apaixonar ainda mais por esses garotos de Liverpool. Escutar Paul ao vivo, cantando “All my loving”, “Let it be”, “Yesterday” e tantas outras músicas que funcionam como trilha sonora de vários momentos da minha vida, foi um momento mágico.

Sir Paul é de uma simpatia que olha, gente, dá vontade de apertar as bochechas (a Bárbara Carneiro daqui do post pode confirmar minha teoria, porque nós cantamos, gritamos e choramos juntas nesse dia haha). Durante o show não foram poucas às vezes em que ele se esforçou ao máximo pra conversar com a plateia em português, pra fazer piadinhas sobre o tempo (que tava de uma chuva tremenda aquele dia) e pra manter a vitalidade e energia nas quase duas horas de apresentação. Isso com 71 anos!! Na sua turnê atual, “Out there”, Paul voltou ao Brasil e dessa vez foi lá pra BH, dando a chance pra mais brasileiros assistirem uma das maiores lendas vivas do rock.

Fotos tiradas pela Bárbara Carneiro

Fotos tiradas pela Bárbara Carneiro

O Rio de Janeiro continua lindo!

Em semana de Fashion Rio, muita gente, – seja daqui do Brasil ou lá de fora – para pra assistir os desfiles que acontecem nesses cinco dias, pra saber o que tá rolando de tendência pra próxima estação, pra ver os famosos que passaram pelo Pier Mauá (é, pois é). Mas não é só isso. Quem vem pra cá ou mesmo pra quem já é do país, quem acompanha a cobertura dos portais ou que tá lá, cobrindo, assistindo, comprando na semana de moda carioca, sente uma vibração que não é exclusiva do evento. É uma coisa que transpira em cada foto que você vê, em cada entrevista dada, em cada matéria que você lê. É uma bossa única que atende pelo nome de Rio de Janeiro.

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E olha que essa história começa lá atrás, quando a cidade ainda nem era uma cidade, mas um pedaço de terra disputado por franceses e portugueses. Nossos colonizadores ganharam a disputa e ali começou a história de fato. A cidade, agora já “São Sebastião do Rio de Janeiro” cresceu, virou região preciosa pro comércio portuário e foi uma das pioneiras no desenvolvimento do país, até que virou capital do Brasil, perdendo o posto em 1960 para Brasília.

E o que que essa história História tem a ver com Fashion Rio? Tem tudo a ver, eu diria.

O desenvolvimento e pioneirismo do Rio foram importantíssimos para a efervescência cultural que dominou a cidade nas décadas de 50 e 60 e que, por sua vez, foi responsável por criar o cartão postal em que ela se transformou, pelo lifestyle que só o carioca tem, que só sua moda, sua literatura e sua música possuem.

Samba do Avião – Tom Jobim
(Quando em 1962 Tom Jobim escreveu os versos de Samba do Avião que diziam “Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você”, Tom tomou a liberdade de falar não só por si, mas por milhares de pessoas que tendo ou não passado pelo Rio, sentem esse amor pela cidade.)


Quando o Fashion Rio surgiu em 2002, a escolha da cidade do Rio de Janeiro não foi à toa. A Dupla Assessoria buscou apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) para que o evento fosse realizado ali por um motivo muito específico: o Rio de Janeiro é uma cidade que representa o Brasil lá fora. “O Rio era e é, sem sobra de dúvida, o melhor cartão-postal do Brasil. É uma ferramenta internacional forte e indiscutível para se chamar atenção para a produção de moda no Brasil. O Rio é idealizado no imaginário do mundo inteiro, como a capital do verão, das pessoas que vivem um lifestyle em torno das águas…” – Eloysa Simão para o “História da moda no Brasil”.

Vale lembrar que nesse mesmo ano, a Dupla Assessoria criou o Fashion Bussiness, uma feira de negócios que ocorria em paralelo aos desfile do Fashion Rio e, dois anos depois, foi a vez de aparecer o Rio Moda Hype, evento que revelava novos talentos da moda brasileira (Fernanda Yamamoto deu seus primeiros passinhos aí!).

Ou seja, o Fashion Rio nasceu de uma vontade bem diferente da do SPFW, que tinha mais a ver com organizar a confusão que eram as apresentações da moda brasileiras na época, acontecendo cada uma em um canto, em um período. Nós já tínhamos o exemplo de que uma semana de moda no Brasil conseguia vingar (depois de Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e o próprio SPFW tava mais do que comprovado), mas ainda havia uma necessidade diferente daquela que reinava na capital paulista. Mais do que um evento pra mostrar o talento de tanta gente incrível que tava aí pelo Brasil, o Fashion Rio já nasceu com essa vontade de ter um espaço mais comercial e aproveitar a ‘imagem carioca’ pra vender, literalmente, nossa moda pra fora. Era uma vontade de dizer que nós não apenas fazíamos moda, mas que também podíamos vendê-la e exportá-la. E que tínhamos competência, público e inteligência pra sermos bom com as ideias e também com a mão na massa.

O Fashion Rio pelas lentes do instagram da @glamourbrasil, @girlswstyle, @riotec, @bazaarbr, @modices e @bluemanbrasil

Entre verdades e meias verdades, desde o seu início o Fashion Rio se tornou o “grande rival” do SPFW, gerando uma série de mudanças no calendário dos eventos, muita falação da mídia e muita coisa entalada na gargante de seus organizadores. O fim de todo o auê só veio mesmo em abril de 2009 quando a Dupla Assessoria saiu de cena e a Abit e Firjan fecharam novo contrato com a Inbrands, que por sua vez passou a organização do evento para a Luminosidade. Ou seja, Paulo Borges estava na jogada, baby.

Teve quem amou e quem odiou. Teve gente que disse que o evento tinha perdido seu gingado carioquês, que o Fashion Rio não era mais o mesmo e que tava tudo errado. Teve aqueles que, por outro lado, amaram, que acharam as mudanças (a começar pelo número de desfiles que caiu de 41 pra 29) incríveis, que o evento finalmente tava na rota certa. Enfim, houve de tudo. De certeza mesmo só ficou uma. Mais do que usar a imagem do Rio pra mostrar o evento, as novas mudanças do Fashion Rio só caminhavam pra um lugar: colocar a cidade como “capital da moda praia” e o evento como seu grande cartão de boas-vindas.

Em pleno 2013, no momento em que acontecem os desfiles do Fashion Rio verão/2014, há muito que o evento parece ter encontrado seu rumo. Sob a batuta da Luminosidade acabaram-se as “brigas”, e as duas semanas de moda passaram a somar e a caminharem cada vez mais pra focos bem diferentes.

Que o Fashion Rio cresceu e cresce a cada temporada é indiscutível. Isso se reflete não apenas na sua grande estrutura e seriedade que se comprovam em toda edição, mas também no destaque nacional e internacional que os desfiles, sua moda praia e é, claro, a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro ganham. Até porque, sejamos sinceros, com tanta beleza assim, como não se apaixonar?

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você”

Samba do Avião – Tom Jobim