As músicas que ganharam um Oscar

Em uma noite onde filmes é que deveriam brilhar, vocês não acham curioso que exista uma categoria no Oscar que premie a área musical? Intrusa na festa, a categoria de melhor canção original foi adicionada a premiação em 1935 e, desde então, vem revelando músicas que não são apenas importantes dentro do filme em que estão, mas que também são fortes, emocionantes e possuem letras e melodias incríveis mesmo fora deles.

Fiz uma listinha então de algumas músicas que já ganharam o Oscar, que entraram pra história – da indústria cinematográfica e fonográfica – e que eu adoro! Pra quem quiser ver a lista completa de músicas vencedoras, é só clicar aqui.

 

Selma (2015)
Glory | John Legend e Common

No ano passado quando falei sobre os longas que estavam concorrendo a estatueta de melhor filme, cheguei a comentar que apostava todas as minhas fichas que Glory do filme Selma seria a grande canção vencedora da noite. Dito e feito! A música é maravilhosa (olha essa letra!) e tem uma presença enorme no filme. Ganhou merecidíssimo.

 

Frozen (2014)
Let it go | Idina Menzel

Frozen foi o filme que definitivamente fez a Disney reviver seus momentos áureos dos anos 90. Valente, de 2012, já tinha feito um ensaio desse retorno, mas foi mesmo com o filme da princesa que tem poderes mágicos de criar gelo que o estúdio fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo.

O mesmo aconteceu com Let it Go, trilha sonora do longa interpretada por Idina Menzel, que também resgatou o legado de grandes canções que a empresa sempre teve (nas próximas músicas desse post vocês vão entender o que eu tô falando!).
Além da canção original que toca no filme, há uma versão da música interpretada pela Demi Lovato.

 

Quem quer ser um milionário? (2009)
Jai Ho | A. R. Rahman

Quem quer ser um milionário, apesar de britânico, é inspirado em um livro do escritor indiano Vikas Swarup e foi todinho gravado na Índia. Ao todo, o filme recebeu 10 indicações ao Oscar, das quais ele ganhou oito, inclusive a de melhor filme.

A música Jai Ho é de A. R. Rahman, mas acabou ganhando uma versão mais popular quando o cantor a gravou junto com as meninas do Pussycat Dolls.

 

8 miles (2003)
Lose Yourself | Eminem

Estrelado pelo próprio Eminem, 8 miles – Rua das Ilusões é um filme sobre um jovem rapper lutando contra seus problemas pessoais. O filme foi bem recebido pela crítica na época do lançamento e a música Lose Yourself, eu lembro bem, tocava quase que em repeat nas rádios e na MTV.

 

Tarzan (2000)
You’ll be in my heart | Phil Collins

Como eu havia comentado lá em cima, é impressionante (e merecido) como as animações da Disney dominaram o Oscar durante toda a década de 90!

Além da própria premiação, Tarzan também ganhou o Globo de Ouro de melhor canção e uma indicação ao Grammy. A sua versão em português foi gravada por Ed Motta e recebeu o nome de “No meu coração você vai sempre estar”.

Ps: escutei umas cinco vezes essa música antes de subir o post e é impressionante como cada vez ela fica mais linda!

 

Príncipe do Egito (1999)
When you believe | Stephen Schwartz 

Nunca assisti O Príncipe do Egito, mas é praticamente impossível ter nascido no começo dos anos 90 e nunca ter escutado essa canção nas vozes de Mariah Carey e Whitney Houston. A música foi um sucesso enorme na época e acabou sendo indicada também para melhor canção do Globo de Ouro. A letra é do compositor Stephen Schwartz (que também escreveu letras para Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame) e o filme é do estúdio Dreamworks.

 

O Rei Leão (1995)
Can you fell the love tonight | Elton John

O Rei Leão é uma animação meio que sem precedentes na história do cinema, né? Até hoje, mesmo que animações com gráficos e enredos completamente incríveis tenham sido lançados, o filme acabou conquistando um espaço e uma importância só dele, impossível de tirar.

No ano em que Can you feel the love tonight ganhou como melhor canção do Oscar (e do Globo de Ouro!), mais duas músicas do filme também concorriam nessa categoria: a divertidíssima Hakuna Matata e Circle of Life. O longa levou ainda o prêmio de melhor trilha sonora nas duas premiações e de melhor filme de comédia ou musical no Globo de Ouro.

 

A Bela e a Fera (1992)
Beauty and the best | Alan Menken 

Além de ser um dos meus filmes preferidos da Disney e ter essa canção maravilhosa de trilha sonora, A Bela e a Fera foi um filme tão bem feito, tanto no que diz respeito ao seu roteiro quanto na sua parte artística, que foi a primeira animação da história a concorrer ao Oscar de melhor filme.

Além da própria música Beauty and the Beast, o filme também concorreu com mais duas músicas na categoria de melhor canção. As escolhidas foram Be our Guest e Belle (lembram do verso “The must be more than this provencial life”? <3). As três músicas foram feitas por Alan Menken, responsável por várias das trilhas sonoras da Disney.

Outras músicas que ele fez para a empresa e ganharam na categoria de melhor canção foram Under the Sea de A Pequena Sereia (1990), A Whole New World de Aladin (1993) e Colors of the Wind de Pocahontas (1996).

Dirty Dancing – Ritmo Quente (1988)
(I’ve had) The time of my life | Bill Medley e Jennifer Warnes

Provavelmente um dos filmes mais vistos e revistos da Sessão da Tarde, Dirty Dancing já apareceu aqui no blog em um outro post, quando falei sobre as minhas cenas musicais preferidas. E confesso, ele é sim um dos meus melhores guilty pleasures!

Além do Oscar, a música tema do longa concorreu ao Globo de Ouro, onde o próprio filme foi indicado a melhor filme de comédia/musical, e Patrck Swayze e Jennifer Grey a melhor ator e melhor atriz, respectivamente.

 

Flashdance (1984)
Flashdance… What a felling | Giorgio Moroder

Ok que eu tenho essa falha cinéfila de nunca ter assistido Flashdance, mas mesmo quem nunca assistiu ao filme já deve ter visto a cena final da história, quando a atriz Jennifer Beals dança ao som dessa música.

O filme virou um clássico dos anos 80 e no Oscar daquele ano foi indicado também nas categorias de melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora.

 

Fama (1981)
Fame | Michael Gore

Sabem aquelas músicas de final de festa? Pois bem, Fame com certeza vai estar nessa playlist. E eu acho a música divertidíssima, mas confesso que foi só quando selecionava as músicas que iam entrar nesse post que descobri que ela fazia parte de um filme.

Esse musical dos anos 80, aliás, parece ter uma vibe meio Glee, contando a história de oito adolescentes que sonham entrar na Escola de Artes Performáticas de New York. As poucas cenas que vi me deixaram bem curiosa pela história e coloquei na minha lista pra ver em breve.

 

Butch Cassidy (1970)
Raindrops Keep Fallin’ on My Head | Burt Bacharach

Estrelado por Paul Newman, Butch Cassidy chegou derrubando a porta – e tudo que tivesse atrás dela – do Oscar de 1970: além de concorrer para melhor filme, melhor diretor e melhor mixagem de som, o longa ganhou nas categorias de melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor trilha sonora, e claro, melhor canção original.

A música Raindrops Keep Fallin’ on My Head foi o sucesso musical número 1 dos anos 70 e ganhou uma dimensão tão maior do que o filme nos anos posteriores que chegou a entrar para o top 100 de maiores canções de todos os tempos da Billboard.


Bonequinha de Luxo (1962)
Moon River | Henry Mancini (interpretado por Audrey Hepburn)

Moon River é uma das minhas músicas preferidas da vida e tem uma letra que me toca e emociona muito. Aliás, acho que não só eu, afinal a canção foi a vencedora do Oscar e do Grammy de 1962.

A cena em que Audrey Hepburn toca violão e canta a música na janela do seu apartamento ficou eternizada na história do cinema e deu ainda mais beleza e leveza ao filme de Blake Edwards.

 

Pinóquio (1941)
When  you wish upon a star | Leigh Harline (interpretado por Cliff Edwards)

Pinóquio foi o segundo filme produzido pela Disney (o primeiro foi A Bela Adormecida) e como muitos de vocês devem saber, conta a história do bonequinho de madeira que se torna um menino de verdade graças aos poderes mágicos da fada azul.

A letra da música “When you wish upon a star” é das coisas mais maravilhosas que eu já escutei na minha vida e ainda que Pinóquio não seja das minhas histórias preferidas, sempre tive um carinho especial pelo personagem de Geppeto, o entalhador que cria o boneco.

 

O Mágico de Oz (1940)
Somewhere over the rainbow | Harold Arlen (interpretado por Judy Garland)

É incrível como essa música já foi regravada tantas vezes, cantada em inúmeros programas e competições de TV, e recebido os mais diferentes tipos de versões, mas ficou para sempre marcada na voz de Judy Garland.

A atriz que fazia a Dorothy em O Mágico de Oz, mesmo tão novinha tinha uma voz linda e afinada e teve a música feita especialmente para ela.  Assim como desejava sua personagem, a canção fala sobre a existência de um lugar além do arco-íris, onde os problemas derretem como balas de limão e os sonhos se tornam realidade.

 

Ritmo Louco (1937)
The way you look tonight | Jerome Kern

Qualquer filme com Fred Astaire já ganha de cara um sorriso meu, especialmente se esse filme tem o ator cantando uma música tão bela quanto The Way You Look Tonight.  De brinde, Swing Time tem ainda Ginger Rogers, atriz ganhadora do Oscar em 1941 e que ao longo de sua carreira fez inúmeras parcerias com Fred Astaire no cinema.

 

Bisous, bisous e semana que vem tem mais post do #aquecimentoOscar!!

Esse é só o começo do fim da nossa vida

Descobri Los Hermanos aos quinze anos de idade. E quando eu digo descobrir, eu tô querendo dizer descobrir por completo, sem nada pela metade, mergulhando fundo em todas as composições da banda.

Anna Julia, a primeira música que fez eles estourarem pro mundo, foi lançada em 1999.  Ela virou hit em tudo quanto era canto do país e não havia um jovem em pleno começo dos anos 2000 que com acesso a TV, nunca tivesse visto o clipe da música, com Mariana Ximenes dançando em um bailinho de escola enquanto a banda tocava ao fundo.

Então é claro que eu já havia visto o grupo algumas vezes, mas até então pra mim eles eram apenas uma banda desconhecida, com um single bonitinho tocando nas rádios.

Corta pra seis anos depois. Começo de 2005 e eu, do alto dos meus 15 anos de idade, doida de vontade de escutar a playlist que uma amiga havia feito e me emprestado em um CD. Foi aí, no meio de outras várias canções nacionais que estavam virando famosas na época que eu escutei Primavera, música do primeiro CD (homônimo) do grupo.

Primavera era suave, bonita, romântica – sem ser melosa – e inteligente. E eu gostei demais do que ouvi. Mas gostei mesmo. E decidi procurar mais coisas que aqueles garotos escreviam e cantavam de um jeito único.

O começo foi meio chocante. As canções era melancólicas pra caralho. Mas tinham umas coisas mais agitadas no meio também, umas críticas inteligentes, umas histórias bem contadas, um jeito de escrever música que eu nunca tinha visto antes, mas que me encantava. Era uma coisa meio louca, mas muito, muito, muito boa.

Minha adolescência foi moldada por músicas e os Los Hermanos foram uma das maiores influências nessa área. Eu descobri a banda na época de seu último CD e tentei recuperar o tempo perdido escutando tudo, cantando tudo a plenos pulmões e esmiuçando cada um dos versos de suas músicas. Eu peguei os últimos anos de banda, quando o grupo já tinha sofrido grandes mudanças (especialmente do primeiro para o segundo álbum), e aprendi a gostar de cada uma das suas fases, aprendi a sentir um quentinho bom no peito com cada uma das suas declarações, com cada uma das suas canções.

Olhando pra todo esse histórico da banda e pro quanto eles sempre colocaram de sentimento nas suas músicas, faz total sentido o processo catártico que foi usado na gravação dos últimos três álbuns: ir pra um sítio no meio do nada, com quase nada de acesso ao “mundo real”, e ficar por lá durante dois meses inteirinhos, compondo, cantando, tocando e criando melodias.

As coisas fluíam naturais assim, como eles mesmo gostavam de dizer, e os quatro podiam criar um trabalho de fato deles, sem influência de gravadoras e sem pressão da mídia.

O reconhecimento acabava vindo por outros meios, como a legião de fãs absurda da banda que se criou aqui fora – e que muitas vezes foi taxada de chata, mas que na real tava pouco ligando pra esse tipo de coisa.

De lá pra cá já se passaram dez anos de admiração pela banda e oito desde que eles anunciaram a separação, em 2007.
Um tempo que serviu pra eu entender ainda melhor algumas das coisas que eles cantavam e pra ter ainda mais dimensão do quanto eles foram importantes pra música brasileira dos últimos anos. Como quando a gente passa a olhar alguma coisa de forma muito mais crítica e madura, e vê que ela é muito mais do que apenas “bonitinha”. É inteligente mesmo, é humana, é de emocionar.

Por isso que no começo desse ano, ao saber que eles fariam uma nova turnê especial pra relembrar os velhos tempos – a primeira foi em 2012 e deu origem a um documentário que tem o mesmo título desse post “Esse é só o começo do fim da nossa vida” – eu sabia que agora era a hora de finalmente realizar uma das minhas maiores vontades de quando adolescente, e de prestigiar uma banda que merece ser lembrada, que conquistou um espaço importante demais na nossa música.

Eu posso dizer que o que aconteceu no último sábado na Arena Anhembi, ao lado de outras 30 mil pessoas, muitas que como eu, assistiam a um show deles pela primeira vez, foi um presente que eu dei pro meu eu de dez anos atrás. Foi um presente que eu dei pra aquela garota que escrevia as letras de música das suas bandas preferidas em um caderno e que aprendeu que a música era uma das maneiras mais bonitas de se expressar. Pra aquela garota que amava escrever, que sonhava em ser jornalista, e que sabia que algumas canções conseguiam tocar tão fundo quanto uma boa história.

Mas não é só isso. O show de sábado na Arena Anhembi foi um presente pro meu eu de agora também. Pra garota que não tem mais um caderno com as letras das suas bandas preferidas, mas que continua a achar que alguns grupos e cantores conseguem fazer dos versos de uma música um lugar lindo pra se repousar.

E uma certeza que eu tenho é que desse presente que eu vou lembrar pra sempre, especialmente quando, distraidamente, eu escutar alguém cantarolando uma canção dos Los Hermanos por perto.

Bisous, bisous

Os cinco de abril 2015

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

Muitas leituras de moda!

Aos poucos tô colocando minhas leituras de moda em dia, e olha que não é pouca coisa não! Além dessas revistas que comprei na viagem (mostrei um pouquinho mais delas nesse vídeo aqui de comprinhas, mas ainda quero falar sobre cada uma com mais detalhes), tem também a Vogue Brasil e a Elle Brasil desse mês que tão com capas deslumbrantes e com conteúdos muito bacanas.

Na foto, além das minhas leituras de domingo, estão também um vasinho de flor e um cupcake que ganhei do Diego pra acompanharem esse momento. Achei que o pacote completo combinou bastante.

Todo um amor pelo rock nacional dos anos 80

Todo um amor pelo rock nacional dos anos 80

Apesar de ter nascido nos anos 90, desde pequena eu tenho um bocadinho de amor pelos anos 80, especialmente no que diz respeito a filmes e músicas. Isso é tão verdade que mesmo hoje escutando de tudo (as coisas aqui vão de de Beatles a Jessie J!), no que diz respeito a música nacional, não tem jeito, minha paixão maior tá mesmo no rock dos anos 80.

Plebe Rude, Cazuza, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Aborto Elétrico… Tá tudo aí nesse pacote. E exatamente por isso que em abril eu fui no meu primeiro show da vida do Capital Inicial!

Apesar de não ser muito fã do trabalho atual da banda (até 2005, quando eles lançaram o CD especial Aborto Elétrico, eu ainda achava o som que eles faziam muito bom, mas de lá pra cá o rumo das músicas mudou absurdamente), eu fiquei empolgada demais com o setlist do show. Teve Veraneio Vascaína, Fátima, Geração Coca-Cola, Que País É Este, Olhos Vermelhos e muito mais. Foi muito bom escutar essas músicas que eu tanto gosto, assim, pessoalmente, e espero mesmo que o Capital volte a fazer um som mais rock (e com letras mais interessantes) e não tão “prontinho pra tocar na rádio” como tem feito atualmente. Seria muito bom ter esse tipo de música no nosso cenário atual.

Mudando um pouquinho

Mudando um pouquinho

Desde o mês passado tenho trabalhado em um horário diferente na editora e acabou que agora não tô mais tão pertinho dessa turma toda aí da foto. Mas tá tudo bem, porque a gente sempre se encontra pelos corredores e a qualquer hora dá pra marcar um café, uma pizza, um imagem e ação, um qualquer-coisa-pra-matar-a-saudade <3

Porn food

Porn food

Eu gosto de comer, simples assim. E amo experimentar pratos novos, ir em restaurantes, cafeterias, barzinhos… Posso não saber cozinhar muito bem, mas sou boa de garfo e acho mesmo prazeroso pratos que além de deliciosos são visualmente atraentes. Eu adoro um prato bem feito, caprichado (seja doce ou salgado), bastante bonito e que realmente me deixe com vontade de experimentar nem que seja uma colheradinha, sabem? O clássico porn food.

A foto daqui é de um desses dias quando depois de comer uma salada maravis de deliciosa (e também muito bonita!), eu comi de sobremesa esse crepe de chocolate, morangos e suspiro. Posso garantir que o sabor tava tão bom quanto o visual.

Muito importantes na minha infância e adolescência

Muito importantes na minha infância e adolescência

Esses dias enquanto arrumava minha estante de livros, achei essas duas lembranças tão queridas da infância e adolescência: os livros A Droga da Obediência e A Droga do Amor. Pra quem não conhece essas publicações, os dois títulos, – juntamente com Droga de Americana, Pântano de Sangue e Anjo da Morte – fazem parte de uma série chamada “Os Karas”, um sucesso nacional dos anos 90 escrito pelo Pedro Bandeira.

Antes mesmo de me apaixonar por Harry Potter, já existia essa série na minha vida. Não sei dizer ao certo se foi por causa dela que eu passei a gostar de ler (na real, eu lembro de gostar de ler desde que eu me entendo por gente), mas, com certeza, ela e a série Vaga-Lume foram as primeiras publicações que realmente me marcaram e me trasformaram nessa apaixoanada por livros que sou hoje.

E o mês de abril de vocês, como é que foi?

Bisous, bisous

I adore you

Essa não vai ser a primeira vez que eu falo sobre drag queens aqui no blog. E, com certeza, muito menos a última. Esse é um universo que eu admiro, que me inspira e do qual eu ainda pretendo escrever muito por aqui. Mas enquanto não rola textão sobre a história dessas artistas maravilhosas (vai ser textão mesmo, então isso demanda um pouquinho mais de tempo), eu aproveito pra falar de uma drag em especial que roubou meu coração. Uma drag novinha, de uma personalidade admirável (dessas que a gente queria ter de BFF) e que tem uma voz sensacional.

Com vocês, Adore Delano!

Danny Noriega, o garoto que dá vida a drag Adore, tem 25 anos. Em 2008, ele participou do programa American Idol, mostrando pela primeira vez ao mundo o quanto ele amava cantar e o quanto fazia isso muito bem. Já vi algumas entrevistas do Danny em que ele conta sobre as boas e más lembranças que essa sua passagem pelo programa trouxe. Das boas, ficou o reconhecimento do seu talento (ele chegou até as semi-finais daquela edição) e das más, o fato de não ter assumido, sem amarras, quem de fato ele era. Apesar de já ter certeza da sua orientação sexual e do tipo de artista que queria ser, Danny era novinho demais na época da competição e, a pedido de sua mãe que tinha medo das críticas e das piadas que o filho poderia sofrer, ele preferiu não levantar nenhuma bandeira, fosse sobre a homossexualidade, fosse sobre drag queens.

Sempre que fala sobre esse assunto, dá pra sentir o tom de tristeza na voz de Danny. Lembro de um episódio de RuPaul’s Drag Race em que ele fica bem emocionado ao contar essa história e o quanto teve que segurar a onda no programa, emendando com um “Ela devia ter me deixado ir com o cabelo rosa. Isso sim teria sido legal.”

Foi, aliás, sua participação na sexta temporada de RuPaul’s Drag Race, que fez com que Danny, ou melhor Adore Delano, aparecesse mesmo para o mundo. Foi com sua personagem MARAVILHOSA, com jeito de adolescente desbocada, nada polida, doida, melhor amiga e super do bem, que Adore conquistou meu coração e o de todos que assistiam aquela edição de RPDR. O mais engraçado é que apesar de amar Adore, eu não torcia para ela na época do programa. Não vou dar spoilers se ela ganhou ou não (e se você aí não conhece essa competição incrível, dá uma lidinha nesse texto aqui do blog e depois corre dar o play na primeira temporada), mas o que eu posso dizer é que eu acho Adore uma estrela em ascensão, alguém que ainda tem muito a aprender. Quem assistiu o programa, viu, a cada episódio, ela ganhar um pouquinho mais de experiência. Por isso que, na época, minha torcida ia pra Bianca Del Rio, uma das drags mais performáticas que eu já vi na minha vida, comediante nata e que, recentemente, foi chamada pelo New Work Times de “a Joan Rivers do mundo drag queen”.

Adore pra mim é aquela pessoa que a gente sabe que tem um potencial enorme, um coração maior do que ela mesma e que ganha um pouco mais de maturidade a cada show, cada apresentação, cada música, cada passinho que dá na sua vida e na sua carreira. A gente tá vendo ela crescer bem aqui na nossa frente e isso é uma das coisas mais legais da gente poder acompanhar quando é alguém de quem a gente tanto gosta.

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Eu já havia visto Adore cantar algumas vezes – em vídeos do youtube e mesmo em algumas provas do RuPaul’s Drag Race – e apesar de saber que ela tinha uma voz linda, não conhecia de verdade seu trabalho como cantora. Até então, o que tinha me encantado nela era essas mistura danada de boa que resultava da sua personalidade como Danny e da personagem drag por ele criada. Mas aí, no ano passado, ela lançou seu primeiro álbum chamado “Till Death Do Us Party”. Pronto, tava feito o estrago (bom) na minha vida.

De todas as drags que se lançaram em carreiras musicais após a saída do programa, é incontestável que Adore teve a melhor repercussão. Mesmo Courtney Act, (que até onde eu sei não lançou álbum pós RuPaul, mas que sempre foi admirada pela sua voz, foi finalista do Australian Idol e é uma grande celebridade na Austrália) me parece não ter conseguido essa aceitação mundial no meio musical que Adore vem tendo. A quantidade de clipes – muito bem produzidos, por final – e a agenda de shows que não para, só atestam ainda mais seu sucesso.

Minhas músicas preferidas ficam entre “I Adore You” (não à toa, frase título desse post e um trocadilho maravis pro quanto eu gosto dessa drag), “Party” e “Hello, I love you”, mas confesso que ando escutando ” My Adress is Hollywood” no repeat.

(amo esse clipe aqui de baixo por motivos de: Nina Flowers ♥)

Agora em abril, Adore passou com sua turnê de “Till Death Do Us Party” pelo Brasil e, cheia de simpatia, uma boa voz e seus bordões famosos como “I’m a fucking Libra”e “Party!”, ela fez shows em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife. É incrível como todo mundo que eu conheço e/ou sigo em redes sociais e foi no show dela, amou cada segundinho da sua apresentação. Vi gente fazendo altos discursos de como, além de uma delícia de escutar e dançar, aquele foi um momentinho mágico de total aceitação e diversidade.

Não bastasse tudo isso, Adore postou em seu instagram essa imagem aqui, com direito a hashtag de #oiMiga para uma fã brasileira que foi em vários dos seus meet and greet. Diz se não é alguém que você quer colocar num potinho? <3

Bisous, bisous cheios de poder drag

Update: queria agradecer a Dianety por me lembrar que o termo correto é homossexualidade e não homoessexualismo, já que essa palavra tem uma conotação extremamente errada e negativa vinda do sufixo ismo (que remete a doença). De maneira alguma eu quis ofender alguém com meu erro, mas peço desculpa de coração se alguém se sentiu assim. Infelizmente essa palavra ainda é amplamente usada e tá tão enraixada no nosso vocabulário que acaba sendo dita no automático, sem que a gente perceba o erro que tá cometendo. Tô aqui na batalha pra riscá-la de vez do meu dicionário!

Minhas cenas musicais preferidas #2

Para ver a primeira parte desse post, é só clicar aqui.

Cantando na chuva

“I’m singin’ in the rain
Just singin’ in the rain
What a glorious feeling
and I’m happy again
I’m laughing at clouds
So dark, up above
The sun’s in my heart
And I’m ready for love”

Singin’ in the rain, esse filme maravilhoso de 1952, tem como pano de fundo a transição do cinema mudo para o cinema falado, e é aquele tipo de filme que já nasceu um clássico. Além de ser um musical de primeira, essa cena é daquelas coisas maravilhosas que só mesmo a sétima arte nos proporciona.

Depois de dispensar o carro que o levaria embora são e seco, Gene Kelly (no filme, fazendo o papel principal de Don Lockwood), canta, dança, vibra e declara seu amor e sua felicidade em alto e bom som, debaixo de chuva e em meio a passos coreografados e a famosa imagem dele agarrado no poste de luz. É bonito, é gostoso de ver, é contagiante e principalmente, é mágico mesmo.

As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível é um daqueles filmes que conseguem superar o livro. Os personagens têm uma química maravilhosa, a história foi retratada de um jeito delicado e intenso ao mesmo tempo, e a trilha sonora é foda em um grau absurdo. A minha cena preferida do filme é essa de quando Sam e Patrick começam a dançar loucamente na festa do colégio. Eu amo os passinhos coreografados, amo o “tô nem aí para o que os outros vão pensar” deles e amo como eles acolhem o Charlie nesse momento tão libertador e divertido.

Além dessa parte, acho lindas as duas cenas que se passam no túnel ao som de “Heroes” (eu amava essa música quando ela foi lançada como trilha sonora do Godzilla em 98. Tenho até o clipe gravado dela em VHS! haha), quando Sam abre os braços e também quando é a vez de Charlie fazer o mesmo.

Before Sunrise

Essa pra mim não é só uma grande cena musical, mas é também uma grande cena da história do cinema. Ela pode parecer bobinha, mas acho que a mágica dela consiste exatamente no fato de ser tão simples e dizer tanto. Não existem falas na cena principal, e a bem da verdade quase que não existem movimentos dos atores. No entanto, são nas suas sutilezas, como a troca de olhares entre os dois, o embaraço pela situação e a trilha sonora que serve como o diálogo, que faz tudo ser tão bonito.

Essa trilogia de filmes, – Before Sunrise, Before Sunset e Before Midnight – é uma das coisas mais lindas que eu já assisti. Essa cena, tão contrária a todo o resto da história, onde as grandes conversas entre os dois personagens é que ganham destaque, é exatamente o que sobressai como o simples, como o mais apaixonado, como o mais mágico.

Across the Universe

Acho que todas as cenas de Across the Universe poderiam entrar nessa lista, mas a que mais me toca sempre que eu assisto o filme é mesmo “Let it Be”, que é metade interpretada pelo garotinho em meio aos tiros e explosões, e metade interpretada pelo coral em seu enterro. A canção ganha um significado tão maior e mais profundo nessas vozes e diante do que acontece nessa parte do filme, que é impossível não ficarmos emocionados.

Além dessa música, eu ainda colocaria nessa lista a cena em que toca “I want you (she’s so have)” e a que toca “I’ve just seen a face”, essa última de um momento bem mais fofinho e romântico do filme.

Closer

Eu tenho essa mania de sempre olhar os primeiros comentários de todas as coisas que leio e vejo, e quando fui procurar essa cena aqui pra colocar no post, não foi diferente. E tava lá, como primeiro comentário, aquilo que alguém disse, mas eu poderia muito bem ter escrito porque é exatamente o que eu penso. “I have always said, that this movie could be only this 2 minutes and be still wonderfull.”

A cena que abre Closer (um filme que quando eu assisti pela primeira vez, me atingiu como um soco na boca do estômago) é absurdamente linda. Primeiro porque essa música é maravilhosa (qual canção-deprimente de Damien Rice não é?!), segundo porque essa é outra cena que aposta numa troca de olhares que dispensa o diálogo e mesmo assim consegue dizer tanto, e terceiro porque o “Hello, stranger” de Natalie Portman faz qualquer um soltar um sorriso de canto de boca.

A Lot Like Love

Me diz como não amar Ashton Kutcher largando a guitarra, abrindo os braços e gritando a plenos pulmões “I pray to God you give me one more chance, girl!” ? <3

A Lot Like Love é um dos poucos filmes românticos que eu realmente gosto, que eu realmente me animo pra rever várias e várias vezes, dar risada, chorar e ficar emocionada toda vez. Fora que eu amo o casal principal!

Chicago

Essa é uma das minhas cenas mais preferidas mesmo! Ela não é tão dançante quanto as outras (apesar de eu amar cantar a plenos pulmões junto com as detentas), mas eu acho tão legal e inteligente a forma como ela foi pensada, colocando as presas pra contarem umas as outras os  crimes que cometeram dessa forma. É lindo a mistura de vermelho no preto, uma clara referência ao sangue, as grandes que aparecem no final cheias de sombras, o lenço branco da presa que não é culpada, as caras e bocas, a carga dramática da situação… Tudo.

Já assisti uma peça de teatro de Chicago e, essa cena, no palco, tem tanta força quanto no cinema. Ela é pensada em todos os detalhes para ser incrível e é mesmo.

Os Miseráveis

Fui assistir Os Miseráveis no cinema, sozinha e lembro como se fosse hoje o rio de lágrimas que eu derramei nessa cena. Do tipo chorar como um bebê e soluçar alto. E não que você precise estar inserido no contexto do filme pra se emocionar com toda a carga dramática e tristeza que existem nessa cena, mas tendo assistido o que veio antes dela, fica ainda mais impossível não sentir que seu coração tá sendo arrancado quando a atriz termina de cantar.

Anne Hathaway ganhou o Oscar por essa atuação, mas olha, eu acho sinceramente que não existe prêmio a altura do que essa mulher fez com essa personagem!

Pulp Fiction

A dança protagonizada por Uma Thurman e John Travolta em Pulp Fiction é uma das melhores cenas desse filme, daquelas que a gente faz questão de reproduzir depois na sala de casa. Pra mim ela tem tudo a ver com a estética que os diretores quiseram imprimir no longa, que tem um roteiro incrível de doido, e uma ironia e sarcasmo muito refinados que pouquíssimos filmes conseguiram alcançar.

The O.C.

Foi muito difícil escolher apenas uma cena de The O.C. pra esse post! Afinal, essa série tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos e são várias as cenas (ou sequências de cenas como a desse caso) que ficaram marcadas na nossa memória associadas a uma música. No final das contas, a grande escolhida acabou sendo mesmo “Hallellujah”, que toca no desfecho da primeira temporada. Isso porque apesar de gostar de cada temporada de The O.C. de um jeito diferente, eu amo o final da primeira, (SPOILERS!) especialmente por causa da fuga de barco do Seth e dessa última imagem que aparece dele perdido na imensidão do mar.

Não posso esquecer também de mencionar a sequência de cenas que acontece na terceira temporada ao som de “Forever Young” do Youth Group. Essa música é linda com ou sem The O.C., mas acabou marcando muito o seriado e se tornando “A” música de Ryan e Marissa.

Menções honrosas: vocês não fazem ideia de como foi difícil fazer uma lista de apenas 20 cenas musicais! Não que eu não tenha dado uma roubadinha e indicado algumas cenas adicionais de filmes e séries que já estavam na lista, mas ainda assim senti que eu tava sendo injusta em deixar de lado alguns outros longas e seriados. Por isso, vão aqui algumas menções honrosas bem rapidinhas: a cena de Laranja Mecânica em que Alex canta sarcasticamente Singin’ in the Rain enquanto ataca o escritor e sua mulher. A sequência de cenas de Gossip Girl em que Blair dança em cima do palco e depois transa com Chuck na limusine. Ainda em Gossip Girl: a cena que Blair e Chuck decidem parar de brigar, brigam e transam (de novo haha) ao som de “Dancing on My Own” da Robyn. A cena de Romeu e Julieta (o filme de 1996) quando começa a festa dos Capuleto e Mercutio de drag canta “Young Hearts Run Free”. A cena de Girls em que Hannah e Marnie dançam ao som de “Dancing on My Own” (sim, de novo!) no quarto. Ainda em Girls: a cena (que eu AMO!) de quando Jessa chorando entra na banheira com Hannah ( que tava cantando Wonderwall” do Oasis) e depois de um momento ~divertido~ entre as duas começa a tocar a música de verdade. E, por fim, a cena de Grey’s Anatomy em que Christina Yang descobre que Burke foi embora antes do casamento dos dois e tem um momento de total desespero, que casa de uma maneira dolorida e comovente com a música de fundo.

E pra vocês quais são as melhores cenas musicais dos filmes e seriados? Contem aí nos comentários!

Bisous, bisous.