Um bate-papo com Kathia Castilho

Na penúltima quinta-feira, 05 de junho, aconteceu na UNESP aqui de Bauru a palestra “Corpo, Moda e Consumo” ministrada pela editora e pesquisadora Kathia Castilho – uma autoridade no assunto e alguém de quem sou fã de carteirinha. Eu fiquei imensamente honrada de assistir a palestra e de conhecer e entrevistar a Kathia porque acho o trabalho dessa mulher sensacional! Aliás, pra quem tem vontade de seguir na área de moda, seja como estilista, jornalista, designer ou o campo que for, vale muito a pena conhecer mais sobre a carreira da Kathia e tentar pescar um pouquinho dos ensinamento dela.

Com medo de esquecer o tanto de publicações, pesquisas e empreendimentos da moda brasileira dos quais essa mulher está por trás, empresto aqui então das palavras da Estação Letras e Cores, onde a Kathia é editora, pra explicar um pouco mais sobre o seu trabalho.

Kathia Castilho é doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Dirige o Ateliê Moda e Cidade no Centro de Pesquisa Sociosemióticas – CPS. É Pesquisadora convidada do Grupo ETHOS: Comunicação, Comportamento e Estratégias Corporais da ECO-UFRJ. É coordenadora da coleção de livros Moda e Comunicação da Editora Anhembi Morumbi na qual é autora do livro Moda e Linguagem (São Paulo; Anhembi Morumbi, 2004) e Discursos da Moda: semiótica, design e corpo. (São Paulo Anhembi Morumbi, 2005). É presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda e dirige a Estação das Letras e Cores, editora que publica livros na área de Moda e Design e a revista dObra[s].” – Estação Letras e Cores

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Aqui uma fotinho da Kathia com a Mônica Moura, uma grande pesquisadora de design que organizou a palestra e que é minha amiga, anjo da guarda e ídola; tudo ao mesmo tempo

O nome da palestra da Kathia já adiantava um pouquinho do que estava por vir:  mostrar as relações entre a moda, o corpo e o consumo através da linha do tempo de cada uma, fazendo com que a gente entendesse como elas evoluíram e se conectaram desde sempre. Pra exemplificar tudo isso, além das próprias explicações dadas pela Kathia, ela levou uma série de imagens que mostravam toda essa caminhada da moda ao longo da História: desde o seu comecinho, quando ainda na pré-história serviu pela primeira vez como adorno e não só como item de proteção, até os tempos atuais, quando a moda passou a ser uma forma de expressão.

Outra coisa muito legal mostrada na palestra é a ideia de que mais do que o corpo servir como um “cabide” pra roupa, de forma a criar diferentes sentidos de acordo com aquilo que queremos representar, é que ele, assim como  as roupas, o consumo, a sociedade, etc, evoluiu. Se a roupa mudou ao longo do tempo, se as relações sociais mudaram ao longo do tempo, o corpo não poderia ficar de lado. Por isso que as mudanças corporais, como as tatuagens, os piercings e as plásticas, por exemplo, ganharam proporções gigantescas dentro da nossa sociedade. O corpo virou também uma forma de expressão e é interessante quando olhamos pra ele com esse viés mais distante, como algo mutável.

Depois da palestra, foi a vez da Kathia falar de consumo e contar sobre a última pesquisa que ela fez relacionada ao tema e a cidade de São Paulo. Tendo como base grandes ruas da capital paulista que vivem do comércio com vestuário, como a  Oscar Freire e a José Paulino, foram analisadas alguns aspectos de cada uma a partir de um mesmo período de amostragem. Ou seja, durante um determinado número de dias, no mesmo horário, foram avaliadas quais as diferenças e semelhanças entre essas ruas.

É muito legal esse tipo de comparação, porque é um balde de água fria que cai na cabeça da gente: apesar de na teoria essas ruas representarem e viverem de um mesmo tipo de comércio, na prática ha um abismo de diferenças entre elas.

Enquanto na Oscar Freire, rua famosa pelas suas lojas bapho de grandes nomes da moda nacional e internacional, as pessoas vão pra passear e “passar o tempo vendo vitrine ou fazendo compras”, na José Paulino o fluxo é tão intenso que se você ficar parado é levado pela multidão. Enquanto na Oscar Freire as pessoas se vestem com peças mais coloridas, de grandes grifes, na José Paulino as pessoas se vestem pra desaparecer. Muita gente não quer ser vista lá, até porque o que é comprado na José Paulino muitas vezes acaba depois sendo vendido na própria Oscar Freire…

A relação das pessoas com a rua, os tipos de lojas (a Oscar Freire é cheia de lojas-conceito, que na real nem estão ali com o intuito de venderem), as sacolas (as enormes da OF em contrapartida as embalagens com sacos de lixo da JP), o tempo gasto em cada uma dessas ruas, o conceito de ser visto x desaparecer em meio a multidão e até os tipos de cachorro (segundo a Kathia, a Oscar Freire tem cinco raças de cães predominantes!) são pontos a serem levados em consideração nessa análise. É muito, muito interessante mesmo parar pra pesquisar esse tipo de comportamento. Acho que diz muito não só sobre a moda, mas também sobre nós, consumidores, e sobre o tipo de relação que nós mantemos com ela (e que há muito tempo deixou ser o de “apenas uma peça do armário”).

Por fim, mas nem de longe menos importante, no final de toda essa conversa eu consegui conhecer a Kathia mais de pertinho e fazer a entrevista que comentei ali em cima. Fiz em vídeo pra ficar mais legal e espero mesmo que vocês gostem do resultado. O áudio não tá lá aquelas coisas, mas na primeira pergunta, a mais prejudicada pelo barulho, eu coloquei uma legendinha pra facilitar a compreensão.

Então, é isso. Contem aí nos comentários o que vocês acharam do bate-papo e se tiverem outras perguntas pra fazer pra Kathia digam também. Tô doida de vontade de tentar entrevistá-la de novo, dessa vez em um lugar mais calmo e com mais tempo pra gente conversar.

E ah, pra quem não conhece a Dobras, revista fundada pela Kathia e que eu falo no vídeo, quero ver se trago pra cá em breve um texto antiguinho que tenho e que fala um pouco da história dessa revista. É o tipo de publicação que todo mundo que se interessa pela área precisa conhecer.

Bisous, bisous

Inconsciente (ou não) cinematográfico: a moda nas aberturas de Cannes

É domingo agora, 25 de maio, que acontece o encerramento da 67ª edição do Festival de Cannes, um dos eventos de cinema mais importantes do mundo. Desde 1946, o evento oferece pra todo mundo que gosta de cinema um espaço mais artístico e conceitual, pelo menos se a gente pensar em outros festivais e premiações de mesmo porte. Isso não quer dizer que filmes comerciais fiquem fora da rota de Cannes. O que acontece, no entanto, é que aqui há espaço também para longas e curtas muito aquém dos recordes de bilheteria, dos grandes estúdios e efeitos especiais. Grandes filmes (aqueles da série: todo mundo foi assistir no cinema e virou sucesso absoluto) existem dentro do evento, mas Cannes abre um espaço muito grande e importante também para filmes independentes.

Eu curto acompanhar Cannes ainda que muitos dos filmes sejam difíceis de encontrar em um cinema próximo depois. E ainda que, nem de longe, eu seja uma entendedora de cinema-conceito (nem de cinema em geral, na real, mas né, cinema me fisga de um jeito que eu amo às vezes mesmo sem entender).

Só que aí, enquanto pesquisava sobre algumas curiosidades do festival, acabei percebendo uma similaridade bacana – e muito interessante de ser analisada – entre os filmes que abriram o evento nos últimos quatro anos. Em tempo: o filme que abre Cannes, todo ano, tem uma importância enorme dentro do evento. Ele fica fora da competição (são diversas categorias, mas ao melhor filme cabe o prêmio da Palma de Ouro) e tem meio que a função de representar aquela edição e ser um filme que fisgue público e crítica.

Olhando para os últimos quatro anos e vendo os filmes que abriram o festival, é interessante notar que ainda que a moda não seja o foco número um desses longas, ela tem um papel de extrema relevância nos filmes, quase como se fosse um personagem a mais da história. Isso me faz pensar que, conscientemente ou não, Cannes bota pra gente ver uma coisa que já tá aí borbulhando faz tempo: a moda tá cada vez mais relacionada a outros aspectos e áreas da nossa vida.

Se a gente parar pra olhar bem, nos últimos anos a moda tem andado ainda mais de mãos dadas com diversas outras áreas, como a arte, a música, a decoração… Isso já acontecia antes, é claro, mas acho que quanto mais globalizada e democratizada a moda vai se tornando, ela acaba influenciando (e sendo influenciada) por outros campos. É aquela velha e sábia ideia de sempre lembrar que a moda é muito mais ampla do que pode parecer a primeira vista já que tá intrinsecamente relacionada ao novo.

E pra quem ficou curioso sobre quais foram esses tais filmes que abriram o festival em 2014, 2013, 2012 e 2011, fiz um pequeno resuminho abaixo sobre eles. Bora ver?

Cannes 2011 - Meia Noite em Paris | Woody Allen

O cenário de Meia-noite em Paris é tão maravilhoso que só pra admirar a cidade já valeria a pena assisti-lo, mas, como sempre, Woody Allen faz uma história que prende a gente do começo ao fim. O filme conta a história de um roteirista de Hollywood que está de férias em Paris com a família da noiva, e que não se cansa de passear pelas ruas da cidade se imaginando nos anos 20. E, claro, frequentando as festas, cafés e a vida noturna da cidade, acompanhado pelos grandes escritores desse tempo.

Só que aí chega uma noite em que seu desejo vira realidade e, como em um sonho, o protagonista volta no tempo e conhece F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso e todas essas pessoas que abrilhantaram os anos 20. A sinopse parece uma loucura e de fato é: uma loucura boa, deliciosa, que a faz a gente embarcar sem medo nessa década e querer viver lá também.

O figurino, principalmente o retratado nos anos 20, é uma delícia a parte. As roupas e acessórios usados por Marion Cotillard são de chorar de lindas e são obra da figurinista Sonia Grande que também trabalhou com o diretor em “Vicky, Cristina, Barcelona”.

Cannes 2012 - O Grande Gatsby | Baz Luhrmann

O Grande Gatsby já foi falado e refalado tantas vezes que mesmo ainda não tendo assistido o filme (o que vou fazer em breve agora que terminei de ler o livro), a impressão que tenho é que já conheço todas as cenas. Em termos de sinopse, essa não é a primeira vez que o livro de F. Scott Fitzgerald ganha uma adaptação para o cinema: ao todos foram cinco (!) versões que já apareceram nas telonas. Da mesma forma o figurino já foi extensamente falado, afinal, com tanta exuberância fica difícil isso não virar um tópico recorrente.

Nessa mais recente versão com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan, o figurino é tão importante quanto a história do filme. É ele quem dita o tom da Era do Jazz, é ele quem esparrama nas cenas toda a exuberância das festas de Gatsby, é ele quem – sob a batuta de Miuccia Prada e Catherine Martin – rouba a cena. Vale lembrar ainda que ele foi o vencedor do Oscar de melhor figurino e que é de se perder de vista o tanto de editoriais e coleções que foram lançados inspirados em suas roupas e acessórios.

Amor, loucura, festas e um guarda-roupa poderoso: é claro que isso ia dar certo.

Cannes 2013 - Moonrise Kingdom | Wes Anderson

Moonrise Kingdom é de uma estética tão linda que fica até difícil botar em palavras toda essa atmosfera do filme. As cores, as angulações da câmera, a trilha sonora e, é claro, o figurino, que aposta muito intensamente nas cores para criar uma clima de sonho, de filtro vintage, fazem a gente mergulhar sem volta nesse filme. Eu confesso que não conheço muito da filmografia do Wes Anderson, mas depois de ver esse filme aqui, fiquei doida de vontade de ver Os excêntricos Tenenbaums e seu novo longa, o Grande Hotel Budapeste.

Aqui em MK, a história se passa em torno de duas crianças de 12 anos que se apaixonam, passam a se corresponder por carta e decidem fugir sozinhas para uma ilha. Wes Anderson e Roman Coppola, que ajudou no roteiro do filme, conseguiram transformar os personagens Suzy (Kara Hayward) e Sam (Jared Gilman) em criaturas que misturam ingenuidade e doçura com uma sabedoria muito além da sua idade. Além disso, o charme que esses pequenos atores conseguiram imprimir aos seus papeis somado ao elenco de peso que estrela a história, combinam tão perfeitamente com essa estética do filme que a gente termina de assistir suspirando e querendo mais.

Cannes 2014 - Grace de Mônaco | Olivier Dahan

Espero que Grace de Mônaco chegue logo nos cinemas daqui, porque além de prometer um figurino deslumbrante, o filme já chega com ar de mistério. Acontece que desde quando foi lançado, Grace de Mônaco virou uma grande polêmica: a família real de Mônaco não apoiou o lançamento do filme, alegando que toda sua história é uma grande farsa.  Vale entender que o longa aqui não conta toda a história de Grace, mas sim um momento muito específico da sua vida quando Hollywood e a vida de princesa se viram confrontadas. Toda essa confusão com a família real, no entanto, parece não ter abalado em nada a decisão de Cannes, que manteve sua ideia original de colocá-lo como filme de abertura desse ano. O que só resultou em ainda mais polêmica, já que diante disso a família real resolveu boicotar sua presença no evento.

Bom, tretas à parte, pelo menos no que se trata de figurino a gente pode ter certeza que tudo aqui é muito real. Praticamente todas as marcas que foram usadas por Grace abriram suas portas e emprestaram suas criações para serem usadas no filme: Hermes com sua bolsa Kelly e seus lenços de seda, Chanel com um terninho feminino e Jimmy Choo e Salvatore Ferragamo com sapatos. Além disso, o filho do chapeleiro oficial da princesa confeccionou chapéus especialmente para o longa e vários outros vestidos foram criados tomando-se como inspiração o estilo de Grace. Ou seja, vale ficar na torcida para que a história de fato empolgue tanto quanto o figurino.

A título de curiosidade, pra quem quer saber mais detalhes sobre Cannes e entender também porque não devemos traçar comparações entre ele e o Oscar, vale muito a apena ler esse texto aqui.

E por hoje é só.

Bisous, bisous e bom filme pra você que se empolgou com algum dos longas daqui do post :)

Os cinco de abril 2014

Todas as fotos desse post são do meu instagram (@paulinhav).

Um dos quadros maravilhosos que tem na Luminosidade

Lá em 2010/2011 eu morei durante um tempinho em São Paulo e trabalhei na Luminosidade, – maior empresa de moda do Brasil – fazendo a produção do SPFW e Fashion Rio. Foi uma das experiências mais incríveis e inspiradoras da minha vida, e além de eu ter tido a oportunidade de conhecer todo o behind the scenes da maior semana de moda da América Latina, eu tive certeza que moda era mesmo aquilo com o que eu queria/quero trabalhar.

Bom, passaram-se alguns anos desde então, e agora em 2014, no comecinho de abril, como fui pra São Paulo assistir o SPFW e rever alguns amigos, aproveitei também pra passar na Lumi e matar a saudade do lugar. Muita coisa mudou de 2011 pra cá (até o prédio agora fica em outro lugar), mas a inspiração que eu senti quando coloquei os pés naquela empresa é a mesma de quando entrei pela primeira vez.

Na foto aqui aparece um dos inúmeros quadros de moda que eles têm espalhados pelas suas paredes. É tipo um pedacinho bem pequeno de como essa lugar é lindo e transborda moda e beleza em todos os seus cantos.

Amiga & cupcakes <3

Em São Paulo aproveitei também pra matar a saudade da amiga & fotógrafa Bárbara Carneiro. Eu e a Babi somos amigas há anos, mas como ela mora em São Paulo e eu em Bauru, quando a gente se vê pessoalmente é praticamente uma festa haha. A gente tenta aproveitar bastante mesmo e fazer o máximo de programas que pudermos.

Dessa vez, além de termos almoçado juntas na sexta-feira, – quando também comemos esses deliciosos cupcakes comprados pela Bá – conseguimos nos ver no domingo. Passeamos pela Livraria Cultura e fomos tomar um café em um Starbucks ali perto, ou seja, o tipo de programa que eu não reclamaria de fazer todo final de semana :)

Desfile da Melissa na 37ª edição do SPFW

Ainda sobre São Paulo: como eu contei, um dos motivos de ter ido pra lá em abril foi que tava rolando o SPFW verão 2015. Eu fui assistir os desfiles do último dia e fiz um post aqui no blog contando como foi. Pra ler, é só clicar!

A foto aqui de cima é de um pedacinho do desfile da Melissa, que tinha como tema central da coleção o prazer de comer.

Uma vez sponsor, sempre sponsor

Lembram que contei ali em cima sobre a época que trabalhei na Luminosidade? Pois então, além da experiência profissional incrível que tirei disso, acabou que fiz verdadeiros amigos nessa lugar.

Desde então nós tentávamos  marcar um almoço pra reunir todo mundo, mas nunca dava certo porque muita gente não mora mais em São Paulo (alguns nem moram mais no Brasil). Só que aí no começo de abril, apesar de não termos conseguido reunir todo mundo, uma parte de nós conseguiu se ver, e finalmente fizemos com que aquele almoço – que já tava virando lenda! haha – desse certo. Foi lindo, lindo, e agora eu morro ainda mais de saudade deles.

Um dos melhores chás que já tomei

Uma amiga minha comprou esse chá de frutas silvestres da Twinings e disse que era “uma das melhores coisas que ela já havia tomado”. Não demorou muito e eu vi a Melina do A Series of a Serendipity falando sobre como ele era maravilhoso também. Pronto, coloquei na cabeça então que queria experimentar esse chá haha.

Comprei essa caixinha e uma outra da mesma marca, mas com sabor diferente, em um Pão de Açúcar lá em São Paulo. Se alguém se interessar, não sei se eles tem esses chás em todas as unidades, mas ainda acho o lugar mais provável de se achar.

Bisous, bisous e até o próximo post o/

III Bazar na Varanda

No último sábado, 12/04, aconteceu a terceira edição do Bazar na Varanda, projeto que une arte, moda e gastronomia e que visa valorizar o lado artesanal e natural das coisas. A ideia por trás de tudo isso parte de um princípio super legal: é possível sim consumir de forma inteligente, aumentando o tempo de vida útil dos objetos. Por isso, o bazar se propõe a colocar o consumo consciente em prática, trabalhando sempre a troca de ideias entre quem vai expor no local e focando em trabalhos com conceitos próximos ao do bazar. Quem organiza tudo isso é a querida Natália Nogueira, formada em Artes Plásticas pela UNESP e que “acredita na arte e na moda como um bem maior para o mundo, com a união de novos artistas contribuindo para essa jornada”, e o Gustavo Vidrih, estudante de arquitetura na FAU-USP, colecionador de vinil e integrante do Xurumy  (coletivo musical de São Paulo).

Sob a batuta dos dois, o projeto já chega na sua terceira edição, com gente talentosíssima expondo por lá. No sábado, mesmo com a chuva forte que caiu aqui em Bauru, o local estava super lotado e o bazar foi um verdadeiro sucesso! Eu estive lá pra conferir tudo de pertinho e, aqui nesse post, além de conhecer o trabalho de todos os expositores, você também vai poder ver fotos de como foi o evento – e já ficar ansioso pra que sua quarta edição chegue logo 😉

Anabell Vizaccro

A Anabell trabalha com várias vertentes dentro da arte e da moda: pinta tela, pinta tecido, faz artesanato, etc, mas, hoje em dia, seu foco mesmo tem sido a customização de roupas. Há pouco mais de um ano ela decidiu levar seus 16 anos de experiência em pintura para as roupas, e o resultado de todo esse know-how pôde ser conferido no evento. O mais legal de tudo era chegar no bazar e ver como as peças da artista trabalham com diversos tipos e técnicas de customização: pintura, tingimento, colocação de tachas, patch apliquê, sobreposição de tecidos, descoloração de jeans… Tinha para todos os gostos!

Dona Chica - Delícias Caseiras

Quase todo mundo tem alguma lembrança muito forte e saudosa da infância, não é? A Bruna Moscatelli aproveitou de lembranças saborosas da sua infância e criou a Dona Chica, que busca inspiração nas delícias que eram feitas pela sua nona Angelina, e que incluíam doces, geleias, temperos, vinagres, mostardas, pastinhas e patês, e pelo seu nono Mário, com pinguinhas e licores. Pra vocês verem o tanto de gostosuras que tinham nesse bazar!

Hendy Monteiro

A Hendy e o Grupo Pavio de Candiero – um grupo de música e danças brasileiras – levaram um pouquinho de  arte, moda e gastronomia para o evento. Entre os produtos que estavam expostos por eles, ganha destaque os seus sketchbooks, confeccionados artesanalmente e que utilizam ao máximo materiais que seriam descartados. Para quem não conhece, os sketchbooks são uma espécie de “caderno de inspiração”, onde o artista coloca suas ideias, desenhos e projetos. Além disso, para vender no evento, eles levaram ainda flores de cabelo, brincos artesanais, bolos e chás caseiros, e roupas e calçados novos e semi-novos.

La Femme Bauru

A La Femme Bauru é uma loja daqui da cidade que trabalha com roupas para o público feminino, apostando em peças novas, que compõem a maior parte da sua produção, e roupas usadas, que ganham um trabalho de customização como rasgos e tachas. Essas peças são feitas todas à mão e com ferramentas especiais para esse tipo de trabalho. No bazar, eles marcaram presença levando todo esse universo para sua arara.

Toxic Kitty

Comandada pelas sócias Gabriela Paveloski e Mariana Papasson, a Toxic Kitty tem uma pegada bem jovem e alternativa, com um estilo bem rebel girl de ser. A proposta da loja e das roupas que a dupla vende é, como Gabriela define, “para quebrar padrões de moda e mostrar que moda é usar o que te faz bem”. No bazar, elas venderam peças bem rockers, além de lindas tiaras de flores – que todo mundo que passava por lá fazia questão de experimentar.

M. A. Store

Comandada por Marly Motta e sua irmã Adriana Motta, a M. A. Store produz peças exclusivas do tamanha 34 ao 52, visando um público-alvo que vai desde meninas até mulheres mais maduras. As sócias buscam fazer peças de qualidade e sofisticadas, mas com preço acessíveis. Foi nessa pegada que elas montaram sua arara no bazar – e só pela simpatia da Marly já dava prazer em passar lá.

Alumia

Três amigos e artistas, Bruna Moscatelli, Bruno Ducatti e Bruna Machado, resolveram se juntar e formar esse projeto aqui, que tem uma proposta diferente de tudo mais que tava rolando no bazar. A ideia é fazer uma arte reciclada e criativa, usando de luminárias e saboneteiras em garrafas para decoração. Diferente e legal, né? O cantinho deles no evento tava super colorido!

Linhagem ancestral

E a Bruna Moscatelli está em todas! Nesse projeto aqui, o público-alvo dela são mamães e bebês, e daí a referência do nome da marca à palavra ancestralidade. O foco do trabalho aqui, totalmente artesanal, é criar travesseirinhos aromatizados, chaveiros, fios de luz, costurices e wrap slings, uma espécie de carregador de bebê. Tudo isso com o máximo de carinho e cuidado na escolha de tecidos, criando assim lindas peças que priorizam sempre o bem-estar da criança e do pai. Um trabalho muito bonito, conferido de pertinho por quem passou lá pelo bazar.

Mini Nina

A Mini Nina, além do nome gracinha, tem também um lindo trabalho feito pela artista Marcela Fernandes. Ela, que sempre gostou de DIY e tudo que tem a ver com o universo handmade, se inspira em filmes, livros, memórias de infância, amor, amizade e muito mais para criar lindas bonecas e bonecos. E ah, é tudo exclusivo! No bazar, um dos seus bonecos que mais fez sucesso foi o do Walter White de Breaking Bad.

Respect Life

Coisas gostosas foram o que não faltaram no bazar, e uma das responsáveis por isso foi a Respect Life, marca da Paula Maria que existe desde 2012 e que trabalha apenas com delícias veganas. No bazar, a Respect Life marcou presença com cupcakes e salgados incríveis.

Yngrid Bradsheawd

Tanto na moda quanto na arte, a Yngrid arrasa muito. Na primeira, o trabalho dela é todo focado em customização, com aplicações e bordados com pedrarias e tecidos. Já no segundo, o foco é o artesanato, especialmente a confecção de sachês perfumados. No bazar ela levou um pouquinho desses dois universos, sempre priorizando o uso de roupas de brechó na sua produção, – bonitas e com um preço camarada – já que como ela mesma diz “hoje em dia o pessoal só que saber de comprar coisas novas”.

Extinção

O Empório Contracultural Extinção existe desde 2003 aqui na cidade de Bauru e é especializado em LP’s, peças de roupa e várias formas de artes alternativas. Além de funcionar como loja, é cinema também, exibindo alguns filmes gratuitos no seu espaço. No evento eles marcaram presença com discos de vinil e livros incríveis – tinha até Rê Bordosa!

Arthur Mizutani

O Arthur marcou presença no bazar levando camisetas descoladas e estampadas manualmente! O trabalho dele é super delicado e envolve um processo longo e feito minuciosamente: primeiro vem a criação da arte, depois a queima da tela e finalmente a impressão na camiseta, sempre focando em apresentar um trabalho criativo e original.

Aleluia!

Arte, música e moda são três coisas que eu gosto muito, e sei que tem gente à beça que divide esse gosto comigo. Imagine então uma loja que tem como proposta reunir essas três expressões artísticas em um lugar só? Difícil não conquistar a gente logo de cara, né? Pois foi seguindo esses pilares que a Beatriz Monti criou a Aleluia!, essa loja que “funciona não só como um laboratório de estilo, mas como um ponto de encontro para mentes que buscam cultura”, define ela. No bazar, suas camisetas fizeram o maior sucesso!

Gabriela Neves

A arara de roupas que a Gabriela expôs, toda fofa e vintage, me conquistou logo de cara. Ela vendeu tanto roupas novas quanto usadas (em preços bem camaradas!), e tudo tinha uma bossa gostosa, meio cara de filme antiguinho. As estampas florais, em especial, e um vestido xadrez-paixão bem anos 60 fizeram meu coração disparar.

O Formigueiro

Eu já falei do Formigueiro por aqui, lembram? Pois então, o projeto comandado pela Bruna Moscatelli (ela realmente está em todas!), pela Bruna Machado e pela Natália Nogueira reúne só coisas legais: peças garimpadas, comidas gostosas e objetos artísticos e culturais. Elas hoje vendem seus achados de moda em uma lojinha no enjoei, e para o bazar separaram coisas bacanérrimas pra sua arara, apostando bastante em jaquetas jeans.

Jimp Handmade

Criado pela Jaqueline Xavier, a Jimp Handmade é um atelier de Piratininga (cidade próxima aqui de Bauru) nascido de uma ideia muito legal: recém-chegada na cidade com sua família e sem emprego em vista, a Jaqueline resolveu voltar seu tempo para a costura. O resultado não poderia ser mais prazeroso, já que além de descobrir uma nova paixão, ela ganhou uma segunda profissão! Hoje, além de professora ela também é artesã e fez questão de estar no bazar levando seu trabalho de customização de roupas, brechó, patchwork e costura em feltro.

Bike & Burguer

Comandada pelo Liu Corte, a Bike & Burguer é uma mini-cooperativa focada em culinária vegana, e com uma proposta que, como eles mesmo definem, “cria e distribui alimentos e ideias”. Até aulas de culinária vegana eles oferecem, e, é claro, possuem um cardápio super variado e apetitoso.

Marina Wang

A Marina tem um trabalho bem diferente do resto do pessoal: trabalha com mandalas, objetos que harmonizam o ambiente, os campos físico, energético, mental e emocional. Ela cria essas mandalas em um trabalho super demorado e carinhoso – cada uma leva em médias três horas pra ser confeccionada! – e utiliza de linha de lã e madeira reaproveitada para sua confecção. No bazar, além de vender suas criações, ela ainda, de quebra, distribuía boas energias para o ambiente.

Maria Odila e Maria Eleonora

A parceria entre essas duas Marias resultou em uma combinação de vária coisas legais: roupas e acessórios seminovos, artesanato em geral e bolos integrais. Unindo essas três vertentes elas marcaram presença no bazar, sendo muito bem representadas pela Maria Eleonora.

Alfineteria

A Lívia foi e é um pouco de tudo: professora de história da moda, professora de artes, costureira, figurinista, produtora teatral, ixi, a lista vai longe! Mas, além de tudo isso, desde 2009 ela tem o atelier Alfineteria, que já foi uma lojinha física, mas, devido a essas suas mil facetas e trabalhos, acabou se tornando um atelier que funciona dentro da sua casa e através de redes sociais, bazares, etc. No sábado, ela levou peças de morrer de lindas para o evento, com destaque para as suas saias rodadas e laçarotes.

N. Ecochic

A Natália Nogueira, além de organizadora do evento, também marcou presença no sábado com uma arara da sua loja, afinal a N. Ecochic não podia ficar de fora dessa, né? Eu conheço a Natália – e o trabalho da N – já faz tempo, e o conceito por trás da marca de produzir uma alternativa ao industrial, prezando pela arte e por uma peça “ecochic” é coisa linda de ver. Vale muito a pena conhecer esse trabalho

Mudando de assunto...

E pra sentir o clima dessa terceira edição do Bazar na Varanda, o Diego, que me acompanhou no evento, fez vários registros do que rolou por lá. Olha só…

Fotos: Diego Melo

As amigas Ana Teresa e Carla foram ao bazar pela primeira vez e disseram que não só gostaram do evento e arremataram muitas peças para o seu armário, como ainda acharam o bazar uma ótima opção de programa para os sábados à tarde.

As amigas Ana Teresa e Carla foram ao bazar pela primeira vez e disseram que adoraram o evento e o acharam uma ótima opção de programa para os sábados à tarde.

Bisous, bisous!

Conhecendo a coleção Fashion Five da Riachuelo

Quem acompanhou meu instagram na noite de ontem (tô postando isso quase a uma da manhã, então já estamos oficialmente na quinta-feira), viu que eu participei de uma ação bem, bem legal desenvolvida pela Riachuelo.

Eu e mais três amigas fomos convidadas por eles a conhecer com exclusividade a sua nova coleção, a Fashion Five, que chega oficialmente nessa quinta-feira, 28/11, nas lojas. A coleção foi desenvolvida por 10 personalidade da moda no Brasil, desde estilistas a blogueiros, e é bacana ver que mesmo em áreas tão diferentes, todos eles ali são personalidades que inspiram pessoas dentro e fora do país com seu estilo, suas ideias e seu jeito de entender a moda.

Ainda essa semana farei um post bem massa com maiores detalhes sobre a Fashion Five, imagens das 50 peças que estão nas lojas, um vídeo que gravamos ontem durante a ação e um pouco sobre a história que essa coleção conta. Por enquanto, fiquem com umas fotos da nossa diversão de ontem (:

Esse blazer lindeza da Claudia Leitte (as outras peças não são da coleção não, gente, são roupas minhas mesmo) ficou grande pra mim, mas depois consegui achar uma numeração menor e ele veio alegrar minha estante do quarto (:

As fotos daqui do post são todas dela!

Esse vestido da Thássia Naves é super estruturado e eu amei esse decote das costas que deixa charmoso feat sexy.

Já deu pra perceber que a coleção da Thássia é inteira com estampa de azulejo português, né? Tá bem bela!

Na foto, ali atrás escondidinha, tá a Mariana, gerente da loja, e essa na frente é a Nat Dian, uma amiga muito querida que entende super sobre tecidos e modelagens.  Foi legal que tivemos um bate-papo ótimo com a Mariana, que queria saber tim tim por tim tim das nossas opiniões sobre as peças.

A parte de acessórios da coleção tá bem recheada e quem gosta de ear cuff então vai pirar!

As estampas das peças da Adriana Degreas são de chorar de emoção. Esse vestido da ponta foi a peça mais amada por todo mundo (uma pena ele ser tão longo e não rolar pra mim) e o maiô desenvolvido por ela segue uma estampa tao linda quanto.

O que eu trouxe pra casa!

Então, é isso! Aguardem que em breve vai ter aqui no blog um post giga com maiores detalhes sobre essa coleção.

Espero que vocês já tenham gostado desse preview e tenham ótimas compras amanhã! E ah, me contem o que vocês acharam das peças nos comentários.

Bisous, bisous