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Já vi gente lançando a pergunta aí pela internet e reforço aqui o coro: os anos 70 estão mesmo voltando pras ruas? Pelo que a gente viu dessa temporada, deu pra perceber que se depender da moda das passarelas e do que as brands apostam como a nova década pra se repaginar (tchau anos 90), a era disco, o estilo boho e todo o clima de paz e amor – agora bem mais moderninho – vão sim dominar as ruas. A Gucci, por exemplo, traz uma mistura de tudo isso de um jeito bem moderno e chic, apostando em estampas étnicas e chinesas, jeans (muito jeans!) e um toque de militarismo que deixa alguns dos looks um pouco mais formais e utilitários. O vestido chemise ou vestido-camisa, (como vocês preferirem chamar) é minha grande paixão dessa coleção.

Só por esse primeiro look já dá pra gente pegar um pouco desse espírito “Art Déco” que invadiu a passarela da Dsquared2. Os geometrismos e cubismos permeiam toda a coleção e me peguei várias vezes lembrando daqueles vitrais de igrejas todos coloridos e iluminados. O mais legal é que essas ideias de linhas e abstrações não ficam apenas nas estampas e nessas mil cores que se formam na coleção, mas nos próprios designs e shapes que capa peça ganha: tudo vai formando linhas e imagens geométricas, especialmente os top croppeds, as jaquetas trucker e as sandálias gladiadoras.

O verão da Prada (um beijo Miuccia, te acho incrível!) não parece ser assim de temperaturas muito altas. Os looks são todos fechadinhos, pesados, quase austeros e a gente só fica com um pouquinho de pele à mostra nos joelhos, divididos entre as saias, ora lady likes, ora retilíneas, e os pés. Aliás, repararam nas meias ¾? Taí uma peça tão desprezada no nosso dia a dia que eu acho linda.

O mais legal pra mim dessa coleção é que olhando no todo ela não parece ter tanta informação, mas quando você olha cada look separado é como se mil coisas pulassem e acontecessem ao mesmo tempo. Algumas peças lembram costuras de vários retalhos (o tal famoso patchwork) e outras apresentam mil sobreposições que brincam com as silhuetas do look.

É, com certeza, o do it yourself mais incrível de todos os tempos.

Ps: esse é um daqueles desfiles que tem que assistir pra catar um pouco do espírito da coleção – e delirar com o cenário e pirar com a trilha sonora.

Sai o McDonald’s, entra o mundo da Barbie!

Eu fiquei apaixonada por essa coleção do Jeremy Scott! Assim, apaixonada. Amo como esse cara sabe “rir” da moda, sabe brincar com o desejo das pessoas, sabe imprimir tão fortemente a marca dele (tem o nome da Moschino pulando nos cintos, roupas, mochilas, em tudo!) de um jeito muito esperto, que com certeza vai virar hit e vender horrores – não só as roupas, mas principalmente os acessórios.

A Barbie aparece aí, em peso, em todo os detalhes e em todos os looks: tem ela na hora das compras, tem a Barbie fitness, tem a patinadora (quando assisti o vídeo do desfile, achei que a modelo não fosse conseguir frear o patins, tadinha), a fashionista, a “vamos para a praia” e, claro, a Barbie festa de gala.

Uma coisa muito interessante que eu li na Vogue, e que pra mim resume bem essa sacadas geniais que o Jeremy tem, é que algumas multimarcas como Net-a-Porter, Farfetch, Nordstrom e Opening Ceremony compraram a coleção da Moschino sem saber o que seria desfilado em Milão. Ou seja, confiando cegamente na força da marca e no poder de sedução do estilista. Incrível, né?

Enquanto a coleção da Versace pra Riachuelo não desembarca logo nas lojas, o desfile da marca lá em Milão traz um clima bem disco, cheio de brilhos, cores fluos e listras nas mais variadas direções brincando nos looks. E tudo com aquela pitadinha de sexy e provocativo que a Versace tem, ainda que aqui seja em uma escala bem menor do que o normal.

No meio de tudo isso, o mood esportivo somado a essas cores, só me fizeram lembrar de uma coisa: David Bowie. Fui a única?

A mistura de tecidos, estampas e shapes da Giorgio Armani pode até ter suas principais inspirações no mar e na areia, mas pra mim fica impossível não associar esses tecidos fluidos, – e essas combinações de “vestidos + calças” – com as histórias do livro mil e uma noites e daquela ideia romantizada que criamos da odalisca.  O último look desfilado, inclusive, é inteiro feito de tule e brilhos (até na peruca!) e fecha com chave de ouro essa coleção, mostrando uma “imagem divina” de mulher.

É, acho que Emilio Pucci levou a ideia da volta dos anos 70 ainda mais a sério do que a maioria dos estilistas e suas coleções dessa temporada. Tudo aqui respira a alma setentinha, o clima de paz e amor e o espírito hippie. Estampas tie-dye, bordados florais, blusas de crochê, batas, macramé e rendas aparecem aos montes, sempre em cores vibrantes, e os vestidos parecem flutuar pela passarela, criando movimentos lindos. Com certeza, uma das coleções mais literais sobre a década, com um trabalho apuradíssimo de handmade e técnicas artesanais que valorizam ainda mais cada uma das peças.

Os quimonos já se mostram ser o novo grande hit da temporada, e aqui na coleção da Dolce & Gabbana aparecem enormes, combinados a ponchos e franjas mil. O vermelho e o amarelo (que aqui ganha um toque de dourado em pedras e bordados deslumbrantes), cores da Espanha, ditam o tom da coleção, e a imagem do Sagrado Coração aparece em vários dos looks.

Vale muito a pena assistir o vídeo do desfile e ver o final da apresentação, quando 65 modelos, todas usando o mesmo look no estilo clássico de toureiro, adentraram a passarela juntas. Fica aquele gostinho de coleção bela e marcante, extremamente sedutora e com uma riqueza de detalhes não só aparente, mas também nas inspirações e estudos que resultaram na sua apresentação final.

Imagens: FFW

Bisous, bisous