SPFW verão 2015 | O último dia

Quem me acompanha no instagram (@paulinhav) deve ter visto que na última sexta-feira, dia 04 de abril, fui conferir in loco o último dia de SPFW. Essa foi minha primeira edição no Parque Villa-Lobos, já que a última temporada que eu assisti pessoalmente foi ainda no Ibirapuera. Depois de tanto tempo longe da semana de moda, voltar e ver como as coisas andam foi uma baita experiência, não só porque tava com saudade, mas também porque, inevitavelmente, acabaram rolando muitas comparações entre o que acompanhei nas últimas edições e o que vi agora. Se você quiser saber disso e dos desfiles que rolaram no dia 04, então prepara aí seu copinho d’água e vem comigo nesse post que a história é longa.

O Parque Villa-Lobos fica localizado no bairro do Alto dos Pinheiros e dá pra chegar lá através da dobradinha metrô+trem ou táxi. Se tem algum ônibus que vai até aquela região eu desconheço, mas acho que mesmo que tiver algum que pare lá por perto, pode preparar as suas perninhas que você vai andar bastante. Eu não conheço quase nada de São Paulo, mas tive a impressão que o local é mais “afastado” mesmo do que, por exemplo, o Ibirapuera, onde dava pra chegar facilmente de ônibus.

O Villa-Lobos fica em um espaço enorme e logo que fui chegando perto da entrada do evento, já dei de cara com turmas e mais turmas de skatistas que aproveitam o local pra treinar. Achei bacana ele ser um parque bem abertão assim. Fico imaginando que em um final de semana normal, sem nenhum evento de moda acontecendo, deve ser um lugar gostoso pra passear, fazer piquenique e (por que não?) andar de skate.

Já no evento em si, em termos de espaço é impossível não notar como o Ibirapuera era maior. Começando pelas salas de desfiles que lá eram três e no Villa-Lobos são duas, o que não só implica numa correria louca pra desmontar a cenografia de uma sala a tempo de montar a do desfile seguinte, como também na pressa que os seguranças – que só tavam fazendo seu trabalho – tinham em esvaziar o local. O desfile mal acabava e um segurança já aparecia plantado atrás de você pedindo pras pessoas saírem do lugar. Corrido é apelido.

O line-up da temporada deixava uma diferença de aproximadamente uma hora entre um desfile e outro, mas na real dava a impressão de que era de dez minutos. Pra vocês terem ideia, como eu assisti todos os desfiles desse dia (menos Reinaldo Lourenço que foi de manhã e externo), eu mal consegui ver a exposição que rolou nessa edição, e no FFW Shop nem os pés eu coloquei (o que é muito triste porque eu sempre surto de inspiração com as coisas de lá). Não sei explicar o que aconteceu, – e se nos outros dias também foi assim – mas nem na época que trabalhei na produção do SPFW eu fiquei tão cansada quanto dessa vez. A impressão que se tinha era a de que tudo era uma grande corrida contra o tempo, principalmente, é claro, para o pessoal que tava cobrindo. Precisa nem falar que esse tal de glamour da moda é zero, né? (Pelo menos pra quem trabalha e não vive de comprar.)

Preciso confessar que não sou das maiores fãs da Melissa, mas isso não me impede de admirar o quanto eles conseguiram construir uma marca tão sólida e tão querida por milhares e milhares de meninas. O empreendedorismo ali é forte, e são em desfiles como esse que a gente entende porque a marca chegou onde chegou.

Pode não ser um conceito fácil e nada comercial, – o que soa estranho pra uma marca que é total vendas – mas desde o começo do desfile, quando as luzes se apagam e numa tela gigante surgem imagens que se alternam naquele estilo de máquina de casino, a gente percebe que o que vai acontecer ali é pra soar surreal e total conto-de-fadas mesmo. É pra mexer com a imaginação dessas meninas, pra fazer todo mundo se sentir em um mundo de faz de conta.

Por trás de tudo isso, vem o conceito da apresentação, que faz referência ao prazer de comer. E nessa pegada a Melissa sabe bem do que fala, afinal quem aí não lembra daquele cheiro de chiclete/doce/quero-comer-agora que t-o-d-a Melissa tem? A ideia é transportar isso para as roupas e, principalmente, para a beleza, que pra mim foi o ponto alto da apresentação. Assinada pelo hair stylist  Charlie Le Mindu e pelo maquiador Robert Estevão, cabelo e maquiagem, respectivamente, brincam o tempo inteiro com esse tema. AMEI loucamente os batons das modelos que vinham propositalmente escorridos, como se elas tivesses comido algum doce sem medo de se sujar.

A coleção nova, chamada Eat My Melissa – entre os brindes que vinham na sacola dada no desfile, haviam balinhas em forma de letras que formavam o nome da coleção <3 – traz modelos nada clássicos, apostando muito em rasteirinhas e saltos plataforma. Muitas têm um aspecto mais masculino, bem pesado, e apesar de ser uma das coleções que eu menos gostei da marca, sinto que será um sucesso tão grande quanto quase tudo que ele lançam no mercado…

Ah, vale lembrar que o desfile da Melissa não faz parte do line-up principal do SPFW e é considerado um evento dentro do evento. A stylist da coleção foi a Anna Trevelyan e a cenografia ficou por conta do Pier Balestrieri.

Acho que ao desfile da Ellus cabe perfeitamente a pergunta que Sylvain Justin fez essa semana no twitter “Questionamento da temporada brasileira de moda: um desfile é uma arma de marketing ou a melhor forma de expressar uma coleção, um conceito, um DNA?”

Que a Ellus é uma das marcas mais comerciais do SPFW, todo mundo sabe, até aí não há novidade pra ninguém. Nessa temporada, inclusive, eles trouxeram Cauã Reymond na passarela (e Lea T. também!). O problema é que apesar de um desfile limpo, com uma lavagem bem bonita e super a cara da marca, a roupa aqui foi o que menos contou. As atenções do público ficaram com a bateria da escola de samba da Vai-Vai (que a despeito de qualquer coisa tava linda e com todos os integrantes na mais pura energia e simpatia), nas celebridades que desfilaram e no tal protesto que foi feito no final da apresentação. Com uma camiseta com os dizeres “abaixo este país atrasado”, muita gente ficou sem entender exatamente a que a Ellus se referia.

É super legal quando uma marca usa da sua força e da sua aparição na mídia pra levantar um tema ou fazer uma coleção mais crítica, que coloque o dedo na ferida. O que me soou um pouco triste foi não conseguir ver uma real ligação entre o que a Ellus apresentou na passarela e a camiseta do final do desfile. Reflexão é ótima na medida em que é de fato uma reflexão. E né, quem sou eu pra querer apontar erro de marca, mas na minha humilde opinião, o desfile teria sido muito mais coeso e belo – porque sim, o jeans clarinho e a modelagem foram lindos, lindos mesmo – se o foco tivesse ficado só na roupa. Tava lindo, Ellus, isso já bastava pra gente (:

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Como certas coisas nessa vida só acontecem comigo, as fotos que bati desse desfile – o que eu mais gostei dos que assisti – se perderam no celular. Como eu consigo fazer essas proezas nem eu mesmo sei, e fica aí de tópico pra um outro post. Bom, de qualquer forma, o fato é que Wagner Kallieno foi, assim, uma lufadinha de ar fresco nessa temporada. Não é muito maravilhoso quando um estreante do SPFW chega lá e prova que tem gente talentosa à beça nesse Brasil que merece ter espaço na grande mídia?

Uma das coisas que mais me conquistaram nesse desfile foi o fato de que o estilista resolveu fazer sua estreia bem do jeitinho dele, sem querer botar banca ou fingir algo que não é. Ele falou das suas raízes e de sua cidade, Natal, e sobre o fato de lá ser a primeira cidade no brasil onde nasce o sol. Daí toda a ideia da coleção se desdobrava a partir dessa força do sol do Nordeste, falando sobre o que ele representa para a região e as sensações que transmite. Em uma matéria que li no Estadão, vi uma declaração dele sobre essa coleção que dizia uma coisa muito interessante. Segundo ele, mesmo ela sendo feita a partir de um tema regional, as peças tinham um olhar universal, e eu instantaneamente lembrei da entrevista que o FFW fez com a Li Edelkoort, onde ela disse “Meu conselho à cultura do Brasil seria considerar de onde vocês vem. Porque o mundo está se tornando muito global e o próximo passo no mercado mundial é conquistar a América do Sul e a África. Então a indústria e os designers do Brasil deverão expressar o que os motiva intimamente, e não que está acontecendo em outro lugar.” Muito zeitgeist, não?

Nas peças de Wagner, o que mais se viu foi exatamente essa mistura: fios naturais com bordados regionais maravilhosos que ganhavam interferência de outros materiais mais tecnológicos. As peças variavam entre tons de branco e nude e eu saí de lá fascinada.

Os convidados chegam, sentam e as luzes se apagam. Alguns vídeos passam no telão e, logo em seguida, são ditas as normas de segurança da sala. Silêncio. Vai entrar a primeira modelo na passarela. Só que aí, uma coisa muito estranha acontece. Uma música bem conhecida e, nada imaginável de se estar em uma passarela do SPFW, começa a tocar: “Ula, ula de lá, Tchan, quebra, quebra daqui, Tchan, ô Bahia iaiá, é o Tchan no Havaí.” E foi assim, ao som de É o tchan, que a Amapô fez seu desfile. Na primeira fila, mesmo sentada, uma menina fazia passinhos de coreô, e não foram nem uma, nem duas, nem três pessoas que eu vi cantarolando a música. Foram muitas.

As roupas e o tema que serviu de inspiração para essa coleção justificam a escolha da música – que sério, não poderia ter sido melhor (ah, eu bem sei que você já dançou É o tchan pelo menos uma vez na sua vida, vai, admite!), porque foi um universo de referências ao Havaí que adentrou a passarela. Além dos característicos hibiscos havaianos que apareceram em estampas super coloridas, a cintura alta, tanto nos shorts, quanto nas saias e calças, dominou do começo ao fim. Além do contraste de cores muito fortes, essa coleção apostou também nos acessórios, focando em óculos e chapéus bem chamativos.

Os fãs da marca, que adoram as extravagâncias e loucuras tão gostosas que Pitty e Carô sempre fazem, devem ter pirado com essa coleção.

 

Eu sou muito fã do trabalho do Alexandre Herchcovitch e acho que a esperteza dele em fazer coleções nem sempre fáceis de digerir assim de cara, mas que tem peças hiper vestíveis e com uma alfaiataria de bater palmas, vem desde a sua formatura na FASM – ainda que naquela época sua pegada rocker e soturna fosse muito mais aparente. Na coleção masculina dessa temporada, Alexandre trouxe um casting inteiro de homens negros (tinham duas mulheres também) e uma proposta de coleção que vinha inspirada por uma religião chamada Baptist Nazareth Chrunch, que mistura zulu com cristianismo.

O contraste de cores e as saias estilo kilt pontuaram o desfile do começo ao fim e, mesmo acompanhando moda masculina muito menos do que a feminina, arriscaria dizer que essa coleção tem ingredientes poderosos pra fazer sucesso nas lojas do estilista. Ainda que na passarela elas ganhem um trabalho de styling mais conceitual, tudo tem potencial de ir para as ruas.

O encerramento dessa edição ficou por conta de Samuel Cirnansck que dessa vez fez uma coleção bem leve e etérea (nada de modelos amarradas ou amordaçadas!), com peças mega fluidas. Os vestidos de tons pastel esvoaçavam pela passarela e eram cobertos por bordados, rendas e pedrarias.  Essa era uma coleção que eu queria muito ter visto mais de pertinho pra poder analisar algumas coisas, – como alguns problemas de acabamento que, de longe, pareciam existir. Como estética geral, ela é bem contos-de-fada, com uma aura todo angelical. Saí fascinada da sala, com vontade de ter dinheiro pra comprar nem que fosse um pedacinho daquele brilho e delicadeza toda haha.

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Pra quem chegou até aqui, parabéns haha. Desculpa o tamanho do texto, gente, mas quando é um assunto assim pelo qual eu ando muito inspirada, não consigo ser sucinta. E contem nos comentários o que vocês acharam dessas coleções e das dos outros dias também!

Bisous, bisous e até a próxima.

Wishlist de dezembro

Nesse ano, dezembro tem sido pra mim sinônimo de muito, muito trabalho, e posso afirmar com toda certeza que nunca um mês foi tão louco na minha vida quando este está sendo. Mas tá tudo bem, porque é um sacrifício que vai valer a pena. Aliás, já valeu a pena, porque vou começar 2014 cheia de novidades. Mas calma que em janeiro eu venho aqui contar essa história 😉

Por ora, tô muito animada com minha wishlist de final de ano e, dessa vez, não tem nenhum tema específico em que eu esteja muito focada. Portanto, nela tem um pouquinho de tudo, desde decoração a beleza, até moda a cinema. Espero que vocês gostem e se tiverem indicações de lugares que vendam algum dos itens abaixo, contem nos comentários que eu vou amar saber.

  • DVD Edward Mãos de Tesoura

Edward Mãos de Tesoura não é só um dos meus filmes de Natal preferidos, mas também um dos meus filmes preferidos de todos os tempos! Pra vocês terem ideia, lá na casa dos meus pais em Leme, eu tenho esse filme gravado em VHS (!) porque desde pequena eu já o amava e perdi a conta de quantas vezes o assisti. Agora com o Natal se aproximando bateu uma vontade muito grande de revê-lo pela milésima vez, e decidi que quero tê-lo em DVD na estante pra assistir sempre que quiser.

  • Maletas vintage

Eu acho essas maletas vintage muito charmosas e apesar de muita gente usá-las apenas como decoração, eu não vejo problema algum de usá-las de fato no dia a dia, como se fossem uma bolsa. Dai que esses dias pesquisando itens de decoração na internet, encontrei alguns modelos bem belos e fiquei morrendo de vontade de ter uma para chamar de minha =)

  • Delineador líquido Vult

Eu demorei um tempão pra começar a usar delineador (e isso tem muito a ver com aquele medo de maquiagem que eu tinha e que contei nesse post aqui), mas depois que eu o passei pela primeira vez, virou amor eterno. Hoje em dia não consigo não ter um delineador por perto pra fazer meu olho gatinho e como o que eu tava usando acabou essa semana, tô meio desesperada pra comprar um novo. Li algumas resenhas na internet sobre esse da Vult que me empolgaram. Alguém aí já usou? Gostou?

  • Molduras de gesso

Eu já tinha visto essas molduras no quarto da Mel do A Series of a Serendipity, e essa semana me deparei de novo com elas vendo o vídeo da Bruna do Depois dos Quinze. Lindas, elas podem ou não ter espelho e existem em vários modelos. E se você quiser o cômodo mais colorido, dá pra pintá-las com tinta acrílica.

Tô louca pra comprar algumas e colocar na sala junto com meus quadrinhos!

  • Melissa Ballet II

Essa sapatilha vai ser o presente que eu mesma vou me dar de Natal!

Teve gente que a achou meio infantil, mas ai, não tô nem aí e vou comprar mesmo assim! hahaha. Eu nem sou uma super consumidora da Melissa, mas essa sapatilha me encantou muito, e, além disso, acho que se as roupas usadas com elas derem uma balanceada nessa viba boneca, o look vai ficar bem belo mesmo. Tipo de sapato que eu sei que vou usar até ele quase andar sozinho 😛

E a wishlist de dezembro/Natal de vocês? Já fizeram?

Bisous, bisous