O tapete vermelho já começou (acompanhem meus pitacos lá no twitter!), mas eu precisava vir aqui para um último post do #aquecimentoOscar antes que a cerimônia de fato começasse.

Ontem terminei de ver todos os filmes indicados a melhor filme, e assim como fiz no ano passado queria muito escrever aqui o que achei de cada um e em quais categorias estou torcendo pra eles ganharem. Fiquem tranquilos que não tem spoilers, e tá liberado pra todo mundo ler, tendo ou não assistido os filmes.

E ah, se você não viu os outros posts do aquecimento, é só clicar aqui pra ver os melhores curtas de animação dos últimos anos, aqui pra saber mais sobre as estatuetas que Edith Head já ganhou e aqui pra ver o Oscar honorário levado por Charles Chaplin.

Espero que vocês gostem e que suas apostas do Oscar se confirmem hehe.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz (Felicity Jones), melhor ator (Eddie Redmayne), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Precico confessar que quando fui assistir A Teoria de Tudo, eu conhecia muito pouco sobre a vida de Stephen Hawking. Apesar de saber que ele era uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo e um físico sem igual, eu não conhecia muito de seu trabalho, de suas teorias e tampouco da sua história pessoal. Por isso que pra mim assistir esse filme foi ainda mais incrível. Saber como foi a trajetória de vida desse homem e como ele driblou obstáculo por obstáculo da sua vida pessoal e profissional é mais do que bonito, é encorajador. Stephen ama o que faz, isso fica claro em cada segundo do filme, e a gente fica com essa certeza de que é graças ao amor pela física e a presença de pessoas que sempre o apoiaram, como a esposa interpretada por Felicity Jones, que ele teve no que se agarrar pra continuar vivendo. Sei que pode parecer clichê falar isso, mas fico com essa certeza de que Stephen sabia que ele poderia fazer a diferença no mundo. E que por isso, absolutamente nada, fosse uma doença, fosse uma decepção, fosse qualquer problema, poderia impedi-lo.

Vi muita gente reclamando desse filme por ele ter focado mais na trajetória pessoal de Hawking e na sua história com Jane do que em sua carreira. Não que eu também não gostaria de ter visto mais desse lado do físico, mas o que muita gente esquece (ou não sabe mesmo) é que a Teoria de Tudo é adaptado de um livro publicado em 2008 e escrito por… Jane. Não é como se alguém se debruçasse sobre a vida de Stephen e com total imparcialidade (ou quase isso) escrevesse sobre ela. A história contada parte da visão da esposa de Hawking, o que explica porque o filme foca tanto no relacionamento dos dois.

Apesar disso, A Teoria de Tudo é um filme muito, muito bonito e provavelmente o mais mainstream dos indicados. Minha torcida pra melhor ator está com certeza com Eddie Redmayne (apesar de ter gostado demais da atuação do Michael Keaton em Bidman) já que ele praticamente carrega o filme sozinho nas costas e transforma um papel tão difícil em um personagem tão verossímil.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette), melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke), melhor diretor (Richard Linklater), melhor roteiro original e melhor edição,

Assista o trailer.

Boyhood é um filme sem igual na história do cinema. E isso não só pela forma como ele retrata a infância, adolescência e juventude do personagem principal, mas também obviamente pela forma como ele foi gravado. Foram 12 anos desde a primeira cena até a última. 12 anos acompanhando a vida do personagem Mason e, de quebra, todas as mudanças sofridas pelo garoto de carne e osso, Ellar Coltrane.

Lá fora o filme foi um sucesso inquestionável. Nos EUA, por exemplo, o público abraçou Boyhood. A história de Mason encantou crítica e telespectadores, e provou que o cinema também sabe retratar com maestria a vida de alguém de maneira nua e crua. Não é como se o garoto fizesse parte de um grande enredo. Ele faz parte apenas do enredo da sua própria história e é ela que a gente vai acompanhando em todas as suas fases.

Aqui no Brasil, o filme parece não ter agradado tanto quanto lá fora, e tenho pra mim que isso aconteceu, principalmente, porque o filme é um espelho do estilo de vida do norte-americano de classe média. Pra quem viveu ou vive essa realidade, o reconhecimento, é claro, é muito mais forte. As referências do filme, apesar de também fazerem sentido aqui no Brasil, criam muito mais empatia e se encaixam muito mais na vida deles. Eles se sentem muito mais representados na história, enquanto nós, apesar de enxergamos todos os méritos e belezas do filme, olhamos de uma maneira muito mais distanciada para o crescimento do menino.

Boyhood e Birdman são os grandes cotados pra ganharem a principal estatueta de hoje, e apesar de eu torcer pelo segundo, não poderia discordar se Boyhood fosse o grande vencedor.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Benedict Cumberbatch), melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley), melhor diretor (Marten Tyldum), melhor roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Uma das coisas que eu mais gostei do Oscar desse ano foi que grande parte dos filmes são inspirados em histórias reais. Eu sempre crio empatia com longas assim, porque as emoções que eles me despertam são até mais fortes. Eu não consigo assistir o filme e não ficar imaginando como aquilo aconteceu de verdade e como algumas pessoas de fato passaram por aquela situação. É maravilhoso e tocante. E assustador em muitos casos.

O Jogo da Imitação é um desses filmes. Baseado na história do matemático Alan Turing (falei rapidinho sobre esse filme aqui), o filme retrata um período específico da sua vida, quando Turing ajudou a desvendar o código usado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Eu não vou dar spoilers sobre o filme, fiquem tranquilos haha, mas queria muito dizer que apesar do que Turing fez em prol da humanidade ser obviamente maravilhoso, o que mais me toca nesse filme fica mesmo é focado é na sua vida pessoal. Turing me parece ter sido uma dessas pessoas que fez coisas maravilhosas para o mundo e que não ganhou um pingo de respeito e gratidão em troca. É revoltante assistir algo assim.

Apesar de estar indicado em muitas categorias do Oscar, acho que real chance de ganhar mesmo, ele só tem com roteiro adaptado. Tomara que ele consiga!

Concorrendo também nas categorias de: melhor canção original (Glory).

Assista o trailer.

Selma foi o último filme que eu assisti dos indicados e fiquei muito feliz pela forma como encerrei essa maratona. É triste pensar que ele só foi indicado em duas categorias, ainda mais quando levamos em consideração todas as indicações que American Sniper teve…

Assim como O Jogo da Imitação, o filme aqui também é baseado em fatos reais e também foca em apenas um período da vida do personagem principal. No caso, Martin Luther King Jr e sua luta pelo direto dos afro-americanos votarem. Não é spoiler algum contar que o nome do filme vem da cidade em que se passa a história, Selma, e que a luta de Martin culminou com a marcha que saiu da cidade em direção a Montgomery para protestar por esses direitos.

Eu acho que filmes assim são extremamente importantes não só no que diz respeito a questões cinematográficas, mas principalmente no que diz respeito a questões históricas. Esses acontecimentos e lutas nunca devem ser esquecidos porque não foram importantes apenas quando acontecerem. Eles nos ensinam ainda mais agora e nos ajudam a levantar questões que apenas achamos que já foram superadas. Ou você acha mesmo que o racismo não existe mais?

Além de ver o filme, vale muito a pena também escutar com atenção a maravilhosa Glory, música que faz parte da trilha sonora do longa (e que com certeza vai ganhar de melhor canção no Oscar). É incrível, gente.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Michael Keaton), melhor atriz coadjuvante (Emma Stone), melhor ator coadjuvante (Edward Norton), melhor dirteor (Alejandro González Iñárritu), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

E aqui temos mais um filme único na história do cinema e que deve bater de frente com Boyhood na corrida de melhor filme da noite.

Birdman conta a história de Riggan (Michael Keaton), um ator de Hollywood famoso por representar num passado já distante um super-herói chamado Batman Birdman. Sonhando em ter de volta a antiga fama, Riggan decide montar uma peça na Broadway, mas, as vésperas de sua estreia, se vê confrontando com problemas que vão muito além do teatro. Numa mistura de realidade e fantasia, de drama e comédia, de loucura e razão, Birdman é simplesmente insano. Nao só nas atuações e no enredo, mas inclusive na forma como foi gravado: sem cortes, em um plano sequência interminável.

O cinismo do filme é tão grande que o diretor fez questão de escalar atores com histórias de vida, digamos assim, bem próximas aos dos personagens que representam. O próprio Michael Keaton, que está concorrendo a melhor ator da noite, foi famoso no passado por interpretar Batman e não participa há anos de um filme de prestígio ou sequer é escalado para algum papel relevante em Hollywood. Edward Norton, que está concorrendo a melhor ator coadjuvante e que faz o papel do ator que só pensa em si mesmo e que não gosta de seguir scripts, leva a fama de não ser muito diferente por trás das câmeras, gostando de “mandar no próprio nariz.”

Nessa mistura de arte com vida real e de vida real com arte, Birdman tem ainda uma fotografia linda (vai ser um páreo duro com Grande Hotel Budapeste), diálogos memoráveis e uma Emma Stone arrasadora em seu papel como filha de Riggan.

Concorrendo também nas categorias de: melhor diretor (Wes Anderson), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e penteado, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Quando penso em Grande Hotel Budapeste, o que me vem à cabeça são aquelas bonecas matrioskas, que saem  umas de dentro das outras formando várias bonequinhas de tamanhos variados. Pra mim, a ideia desse roteiro segue mais ou menos esse raciocínio: é uma história que está dentro de outra história, que está dentro de outra história e assim sucessivamente. A narrativa central do filme, no entanto, está focada na época em que o tal Hotel Budapeste  do título vivia seus dias mais áureos. É nesse período que seu concierge, a figura central do estabelecimento, admite um novo aprendiz no hotel. Os dois se tornam melhores amigos e quando o concierge se torna o suspeito número um de um assassinato no qual herdou um valiosíssimo quadro, é o aprendiz que fica ao seu lado lhe ajudando contra a raiva da família da vítima.

Todos os filmes de Wes Anderson são uma delícia de assistir, mas Grande Hotel Budapeste consegue ser ainda mais incrível. As cenas muitas vezes nos lembram animações, com objetos e figurinos estrategicamente posicionados e com uma paleta de cores singular, marca registrada do diretor. Pra mim, esse filme é esteticamente o mais lindo de todos os indicados e torço por ele em todas as categorias do gênero e também como melhor roteiro original, apesar de saber que a concorrência com Birdman não será fácil.

Um detalhe interessante ainda de se falar desse filme é que para marcar as diferenças de épocas em que o filme se passa, as tais diferentes ”bonecas” que ele tem, Wes Anderson manteve os formatos originais de tela de cada período, com imagens ora mais quadradas ora mais retangulares. São ”detalhes” que não apenas fazem diferença, mas que constroem uma estética que nenhum outro filme possui. Uma história deliciosa de assistir!

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Bradley Cooper), melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Sniper Americano foi o filme que menos gostei de todos os indicados. Não que a história não seja interessante (esse é outro filme inspirado em fatos reais), mas esse é um daqueles longas que antes mesmo de assistir eu já me cansei do roteiro de tanto que ele puxa o saco dos EUA. É muito america fuck yeah pro meu gosto.

Implicações à parte, Sniper Americano conta a história de um atirador de elite das forças especiais da marinha que prestou seus serviços durante dez anos para os EUA. Ele fez parte de vários conflitos armados e matou mais de 150 pessoas ao longo desse tempo. O filme vai então alternando entre a pressão que ele sentia nessa função e todos os problemas emocionais que ela acarretou para sua vida pessoal.

É um longa interessante? É. Mas não acho mesmo que ele deveria estra entre os indicados a melhor filme.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator coadjuvante (J. K. Simmons), melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Andrew é um jovem baterista que sonha em marcar seu nome na história da música e que vê uma chance de realizar esse sonho quando passa a ter aulas com um lendário musicista, Terence Fletcher. O professor, no entanto, tem técnicas bastante agressivas de ensino, e Andrew passa a manter uma relação doentia com a bateria e com seu desejo de sucesso.

Em um primeiro momento, o filme parece não ter um sinopse que agrada facilmente a todos ou que crie muita identificação, mas acho difícil encontrar alguém que tenha assistido Whiplash e não tenha se sentido hipnotizado pela história. A construção do filme é incrível, e existem cenas memoráveis que fazem a gente segurar a respiração de tanta tensão.  J.K. Simmons que faz o papel do professor está cotadíssimo para ganhar o Oscar de melhor ator coadjuvante, e minha torcida vai mesmo pra ele que está sensacional no longa.

Além disso, ainda aposto em Whiplash para ganhar como melhor mixagem de sonho (apesar de muita gente acreditar que Sniper Americano tem grandes chances nessa categoria). Independente de qualquer coisa, o que eu tenho certeza é que esse é um filme maravilhoso que todo mundo deveria assistir. Todo mundo mesmo.

E agora me contem vocês, quais dos filmes indicados vocês assistiram e pra quem estão torcendo?

Bisous, bisous!