Eu sempre me pergunto se é possível alguém não gostar da Lula Magazine. Pra mim ela foi e continua sendo (a despeito de muitos burburinhos que surgiram por aí de que a revista andava “vendida” e tinha perdido seu foco inicial) uma síntese de um mundo encantado. Tem tudo aí: as entrevistas nada óbvias, os editoriais que me lembram filmes etéreos e uma curadoria de pautas meticulosamente pensada.

Eu gosto da Lula porque acho ela uma revista, acima de tudo, pra ser lida aos pouquinhos. É muita coisa pra digerir, muita foto linda pra você perder o fôlego quando vê pela primeira vez. Então não é uma revista que você vai abrir e ler inteirinha da primeira a última página assim de uma vez. Ou, se fizer isso, aposto que ainda vai voltar muitas e muitas vezes em algumas das fotos e matérias pra reler/se inspirar de novo com alguma coisa. Porque a Lula é simplesmente assim <3

Pra quem não conhece a revista, tem um texto meu lá de 2010 que conta um pouquinho sobre ela. Naquela época eu ainda não tinha conseguido comprar nenhuma Lula (porque como conto no texto, ela não é uma revista muito fácil de achar aqui no Brasil). Só que de lá pra cá aproveitei as viagens que minha irmã fez pra Londres e arrematei duas edições pra chamar de minhas, a #13 e a #15.

Essa última, que teve um plus de três capas lindas (a minha é a da direita), veio com esse editorial aqui do post, o “I’m on fire”.

“I’m on fire” é um editorial clicado pela dupla Sofia Sanchez &  Mauro Mongiello e conta a história de uma garota, a modelo Monika Sawika, que está comemorando seu aniversário.

Tudo na festa parece estar em seu lugar: a decoração cheia de balões, fitas e até uma pinãta, os copos e pratos da festa arrumados em cima da mesa, os chapéuzinhos dos convidados, as cadeiras, os presentes, tudo… Aliás, quase tudo.

Não há nenhuma pessoa na festa além da aniversariante e a gente fica com aquela sensação horrível de não saber o porquê ninguém apareceu, ou o porquê ninguém foi convidado, ou o porquê… Enfim, são muitos porquês.

Toda a beleza da decoração e das roupas usadas por Monika, que incluem Valentino, Miu Miu, Chanel, Dior, Prada, Nina Ricci e Mulberry só pra começar a conversa, formam um contraste lindo com a locação da festa: aparentemente os fundos de uma casa no meio do nada, cheia de árvores atarracas e secas, paredes rochosas e um campo árido.

O mais lindo e melancólico do editorial – e que talvez, exatamente por isso, me faça lembrar tanto de “As Virgens Suicidas” da Sofia Coppola – é que a menina, mesmo sem amigos, sem família, sem ninguém que comemore seu aniversário junto com ela, segue todo o “ritual” da festa. Ela brinca na pinãta, posa para as fotos, arruma a mesa de doces, recebe os presentes e fecha a “festa” levando embora ainda alguns os balões que tem as mesmas cores de toda a decoração.

Apesar da modelo soar melancólica nas fotos e essas imagens fazerem a gente ter uma pontada de tristeza no coração, a menina parece enfrentar todos os rituais da festa com muita calma e com uma certa leveza até.

Triste e belo na mesma medida.

Bisous, bisosu