Uma tarde de shooting, café e conversinhas com Natalia Dian

Conheci a Nat em uma tarde ensolarada de 2010, quando cursava meu segundo ano de faculdade e queria cada vez mais juntar o jornalismo que eu aprendia em sala de aula com as muitas coisas de moda que eu lia e via por aí.

Na época, a Nat havia montado um grupo de estudos de moda com outras meninas e meninos de Design, e de alguma maneira eu fiquei sabendo desse grupo e na cara de pau, resolvi ir lá me apresentar. Por mais estranho que possa aparecer, eu lembro muito bem desse dia. Lembro bem porque nessa tarde não apenas tive certeza de que queria conversar e aprender ainda mais sobre moda com aquelas pessoas, mas também porque foi aí que conheci a Natália e a Mônica Moura, duas pessoas que me acompanhariam e me ajudariam demais ao longo de toda a minha graduação – e muito depois dela também.

Pos isso que na semana passada, quando a Nat me avisou que estaria em Bauru, a gente decidiu se encontrar pra colocar a conversa em dia e tomar um café. Alguns dias antes nós já tínhamos conversado sobre a possibilidade de fazer um shooting aqui pro blog, uma categoria que eu tinha acabado de estrear e tava morrendo de vontade de fazer mais posts. Com a vinda da Nat pra cá, pronto, tava criado o momento ideal.

As fotos foram feitas em vários lugares daqui de Bauru, de livrarias a floriculturas, de ruazinhas escondidas a feirinhas de frutas, e o resultado não podia ter sido mais incrível. Eu tô verdadeiramente honrada de ter sido fotografada pela Nat, porque sei o quão talentosa ela é e como o trabalho que ela faz precisa ser conhecido – e reconhecido – pelo mundo. Pra que vocês possam conhecer um pouco mais sobre a Nat e seu trabalho como fotógrafa, fiz uma entrevistinha com ela contando um pouco sobre as suas inspirações, lembranças e vontades. E ah, não deixem de conferir o shooting todo (são mais de quarenta fotos!) lá no flickr dela.

“Eu sou designer gráfico por graduação da Unesp de Bauru, fotógrafa freelancer por amor, costureira por hobby, artista por paixão e produtora de moda em projetos variados. Crio e produzo tudo o que se pode ter a ver com imagens: design, fotografia e arte. Hoje eu moro em Araraquara/SP, mas viajo bastante pra todos os lados.
Apesar da minha graduação ser em design, acabei pendendo para a fotografia. Acho que ter tido esse embasamento teórico me ajudou muito a desenvolver um repertório estético mais evoluído e a ter a minha própria identidade artística. A fotografia tem muito a ver com desenho, sabe. Temos que estudar as linhas e as cores da imagem da mesma forma e isso torna o processo geral de criação bem semelhante.
Sempre gostei de foto, comecei a me dedicar a ela mais profissionalmente depois da criação do Coletivo Contos em Retrato (que também foi meu trabalho de Conclusão de Curso). Com o coletivo eu aprendi muito da parte técnica e criativa – dificilmente eu conseguiria ir tão longe sozinha.
Desde então eu me dediquei mais a fotografia autoral – artística – e estou nesse processo de auto-descoberta: o trabalho criativo nunca para, ele evolui com você e com tudo o que acontece ao seu redor. É complicado, difícil e apaixonante.”
(Natalia Dian)

Comparando a Natalia de antes da faculdade e a Natalia de depois, o que você acha que mudou na visão que você tem da sua profissão?

Hoje eu me vejo muito mais madura pro mercado em si. Na faculdade a gente aprende muita coisa, faz muita coisa e às vezes parece que não dá tempo de assimilar. Depois que voltei pra casa experimentei vários cargos diferentes, desde desenvolvimento de produto à secretária de uma consultora de imagem empresarial. Tudo foi muito válido e aprendi demais.
Passei um bom tempo naquela crise de identidade pós universidade, mas foi pondo a mão na massa e conhecendo um pouco de tudo que eu consegui me conhecer também. Ainda tenho muito pra evoluir, mas (por enquanto) me encontrei na fotografia e nela eu quero ficar.
Passar esse tempo saltitando de um lado pro outro também me fez ver que o mundo não é tão fácil e que tem que saber muito bem onde pisar e como pisar. O mercado profissional é feito de sutilezas e arranhões, tem que saber agarrar o osso e andar com cuidado pra não tropeçar e deixar ele cair. Infelizmente, a concorrência é brava, às vezes desonesta, e você tem que encontrar um meio justo de crescer e se sobressair.

Eu sei o quanto você gosta de moda, mas queria saber qual a lembrança mais distante que você tem dela na sua vida.

Eu não lembro exatamente de onde veio essa minha paixão aguda pelo mundo da moda (talvez seja uma boa pergunta pra fazer pra minha mãe na próxima reunião de família), mas eu sempre gostei de desenhar. Eu desenhava o tempo todo: tinha uma lousa branca de canetão exclusiva – chiquérrima! – na qual eu criava histórias. Com o tempo acho que fui pegando gosto pelo desenho mais delicado, feminino e fantasioso (croquis, talvez?!) e toda história precisa de um figurino apropriado, certo?!
Durante o colegial eu tinha certeza que seria estilista, depois designer (isso eu consegui!), hoje acho que estou mais pra artista visual buscando um lado “fashion fine art photography” dentro mim.

Me conta sobre alguém que te inspira (e porquê).

Falar de um alguém que me inspira é uma coisa complicada porque eu sou na verdade uma mistureba de referências com uma pitada de loucura própria! Eu tenho como referência e inspiração desde histórias em quadrinhos à livros, celebridades, os próprios fotógrafos em si e pessoas próximas de mim. O que eu posso fazer é um agregadinho de paixões, pode ser?
Em quadrinhos: Habib, de Craig Thompson, pelo trabalho extremamente detalhista, real e delicado e por trabalhar o tema que eu mais gosto: Amor. Dez pãezinhos de Moon e Bá: cores lindas, quadros lindos e textos cotidianos pra vida.
No cinema: os Clássicos Disney (precisa explicar?! rs). Orgulho e Preconceito, de Joe Wright; Maria Antonieta, de Sofia Coppola; Tarantino; Lars Von Trier; e essa galera mais conceitual que brinca sem medo com os quadros e as cores do filme. Filmes são sempre um banho de inspiração na alma.
Na música: Lady Gaga e Florence Welch pelos estilos impecáveis e pelo caráter etéreo e artsy dos figurinos e músicas.
Na fotografia: Annie Leibovitz, quando faz seus retratos fantasiosos. David LaChapelle, por ser arte e cor puras. Maria Emilia Dinat, araraquarense que trouxe um pouco de luz, mesmo que sem querer, pra minha escolha profissional e pra fotografia autoral nessa cidade do interior. E minha imensa lista de favoritos no Flickr.
No dia a dia: Meus pais pelo esforço diário, exemplos de vida e conselhos eternos. O André por me ensinar alguns macetes de ilustração e profissão de criação – eu acho ele lindo e por isso fotografo ele o tempo todo. A RomeuMag, uma revista exclusiva de fotografias autorais masculinas que eu acompanho, e os ensaios maravilhosos da Elle. Os feeds do Instagram e do Pinterest também me ajudam muito quando a questão é inspiração: o povo aí fora faz cada imagem linda!

Por que você decidiu seguir pela área de fotografia? O que ela desperta em você?

Desde bem nova, eu sempre busquei criar mundos coloridos através de ilustrações, brincadeiras, imagens, roupas, e claro, na minha imaginação. E para criá-los, as pessoas sempre foram minha principal fonte de inspiração.
Todo toque, olhar e gesto são para mim únicos e sensacionais. Diria merecedores da eternidade. E só a fotografia consegue captar e gravar essas coisas que são tão importantes pra todos nós.
É através dela que consigo me expressar da forma que mais me agrada. É um pouco clichê dizer, mas ela me completa. Dessa maneira vou “desenhando” momentos exclusivos, como se desvendasse o que existe dentro de cada pessoa que registro, além de suas histórias.

Se você pudesse escolher apenas uma pessoa, um lugar ou um evento para fotografar, qual seria?

Provavelmente meus possíveis futuros filhos/sobrinhos: ia querer guardar cada passinho deles. Eu gosto de acompanhar o crescimento das crianças, quando forem as minhas vai ser melhor ainda! Vou poder criar um monte de coisas e eles serão minhas “cobainhas”… Hahaha.

O que você leva da moda para a fotografia e vice-versa?

Tudo! A moda me ajuda na produção das minhas imagens, no uso das cores e do que fica bom em cada pessoa. Editoriais de moda são pra mim um livro de estudos, uma fonte de referências e pesquisa. A fotografia de moda permite uma criação e ousadia combinada com a beleza estética que os outros campos da arte talvez ainda não consigam alcançar.

O que seria uma foto perfeita para você?

Sinceramente, eu vejo muito o sentimento de cada imagem. O olhar é importantíssimo! Tem muita foto que a gente vê e não expressa nada, falta um je-ne-sais-quoi. O sentimento conta muito. Se através de minhas fotos conseguir tocar pessoas, trazer alguma diferença em suas vidas e fazer com que se orgulhem de suas trajetórias, estarei mais que satisfeita.

Para entrar em contato com a Nat, conhecer mais so seu trabalho e segui-la nas redes sociais >>

E-mail: nataliacdian@gmail.com
Facebook: /NataliaDianND
Flickr: /Natedian
Pinterest: /NateDian
Site: www.nataliadian.com.br
Contos em Retrato: www.contosemretrato.46graus.com

Bisous, bisous

Desbravando São Paulo #1

Como contei lá no facebook do blog, eu e Diego passamos alguns dias em São Paulo por três motivos: o número um era o de rever a Babi, a amiga-fotógrafa-gênia, que depois de seis meses na Argentina e uma rápida passagem de uma semana pelo Uruguai, voltou para sua casinha em São Paulo matando assim a saudade dos amigos brasileiros. O segundo motivo era porque queríamos (e merecíamos) uma mini férias e o terceiro era que a gente tava sentindo falta de uns programas assim mais culturais – e que a Babi sempre nos guia maravilhosamente bem. Fiz uma listinha dos lugares que fomos em São Paulo durante esses dias. Fica de ajuda pra quem é de lá, mas ainda não visitou alguma dessas lindezas, ou mesmo pra quem, como a gente, tá indo passar uns dias por lá e não sabe muito bem o que fazer.

Espero que vocês curtam e se tiverem outras indicações, fiquem a vonts nos comentários pra contar! Vou anotar tudo pra uma próxima passagem por lá (:

O Museu do Futebol fica no próprio Estádio do Pacaembu (que eu também não conhecia) e foi uma parada obrigatória pra gente porque fazia um tempão que o Diego queria conhecê-lo. Apesar do museu ser grande e ter várias salas dedicadas a diferentes épocas do futebol, senti falta de um espaço para o futebol feminino – só existe, literalmente, um painel que faz menção a isso – e um pouco mais de história e menos de ufanismo. Apesar de algumas áreas do museu acabarem contando eventos paralelos ao futebol – seja no campo político, social ou cultural – e isso ser uma sacada e tanto pra gente entender alguns eventos que aconteceram dentro do estádio, todas as salas transbordam patriotismo, o que em teoria não deveria ser o objetivo principal do lugar.

É sim de se esperar que o futebol brasileiro acabe ganhando um grande destaque dentro da história do futebol, mas soa um pouco claustrofóbico ver que a ideia ali dentro é mais de exaltação de nossos jogadores e história do que propriamente do que o futebol representa no mundo.

Site do Museu: http://www.museudofutebol.org.br/
Endereço: Praça Charles Miller, S/N – Estádio do Pacaembu 

O Café Girondino vale uma visita assim de cara já por causa da sua história: ele apenas é o café mais antigo de São Paulo! Inaugurado no começo do século XX ele é um prédio de dois andares que transpira história, mas tudo com um toque bem moderno, e que além de cafeteria, funciona como bar e restaurante. Apesar de eu ter ficado apenas no capuccino com misto quente (vocês não tem ideia da delícia que era esse misto quente! haha), a fama dos seus pratos é invejável. Além disso, o lugar tem uma decoração linda, é super intimista e pelas janelas a gente vê o movimento dos transeuntes do centro e o Mosteiro São Bento.

Site do Café: http://www.cafegirondino.com.br/
Endereço: Rua Boa Vista, 365 – Centro, São Paulo  

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo tem uma das arquiteturas mais incríveis que já vi. São vários andares e tudo lá, desde as escadarias até os lustres e colunas, são absurdamente imponentes. São várias exposições e mostras que rolam no lugar, mas as que visitamos foram a exposição “Resistir é Preciso”, que reconta a história da ditadura militar no Brasil entre os anos de 1960 a 1985, e a mostra “Musas, Nova Geração”.

A exposição tá muito bem organizada, com uma curadoria incri. A gente ficou um bom tempo lá conversando enquanto olhávamos tudo – a Babi é formada em História pela USP então vocês já podem imaginar que papo não faltou – e é de ficar abobado ver o  panorama de todos os acontecimentos que influenciaram direta e indiretamente na ditadura militar assim expostos em um mesmo lugar. Não dá mesmo pra imaginar o que as pessoas que de fato vivenciaram a ditadura dentro de suas famílias, em seu círculo de amigos e no trabalho, sofreram com todas coisas que aconteceram na época. A gente consegue entender, é claro, o contexto histórico, mas esse sentimento é muito mais profundo e só quem viveu, viveu. Essa exposição fica até 06 de janeiro no CCBB então se você ainda não viu, corre que dá tempo!

Já “Musas, Nova Geração” é uma mostra de filmes que tem como fio condutor dos longas a presença de atrizes ícones do cinema contemporâneo. Na mostra tem filmes como “As Vantagens de Ser Invisível”, “A Pele que Habito”, “Melancolia”, “Shame” e muitos outros, e nós assistimos a” Que mais posso Querer”. O filme é italiano e de uma realidade nua e crua. Esqueça ápices, ações e aquelas quebras de linearidade que a maioria dos longas têm, aqui é vida real mesmo. A mostra não rola todos os dias então precisa dar uma olhadinha na programação, mas ela vai até dia 08 de dezembro, então ainda dá tempo de você pegar um cineminha também.

Site do Centro Cultural: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/sao-paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

A Livraria Cultura é parada obrigatória em São Paulo. Não acharia ruim mesmo morar lá, afinal, com o tanto de bons livros que ela tem nem preciso de mais nada (brinks, preciso sim haha). Essa que eu fui é a principal, que fica no Conjunto Nacional na Avenida Paulista, tem três pisos e além da loja central, possui outras várias separadas por temas específicos, como a parte de Artes e Geek. Além disso, ela tem uma revistaria incrível (com verdadeiros achados de revistas de moda), é a maior livraria do país e tem mais 11 unidades espalhadas pelo Brasil.

Site da loja: http://www.livrariacultura.com.br
Endereço: Avenida Paulista, 2073 

A Honey Pie pode até ser novinha nesse mundo da moda, mas esse tempo já foi suficiente pra mostrar que ali o trabalho é sério (e lindo!). É bacana que o trabalho ali é realmente artesanal, eles nem seguem esse lance de tendências ou estações, e as peças são feitas todas a mão na maison e depois vendidas na boutique (essa da foto). Eu fui conhecê-los, na verdade, por causa da Marina Espindola, uma guria fofa, fofa que eu conheci aqui nesse mundo dos blogs de moda, virou amiga de conversas no gmail e facebook e eu tive o prazer de conhecer nessa passagem por São Paulo. A Má é assessora de imprensa da Honey Pie e fui prestigiá-la na festa de um ano da boutique que aconteceu esse final de semana na Cidade Jardim.

A festa teve até degustação de cerveja artesanal, a Dear Prudence, feita especialmente para o evento (aliás, essas referências todas ao quarteto britânico mais amado do mundo tem a ver com o slogan da marca, que é “atemporal como uma música do Beatles? <3) e foi bacana porque a loja tava aberta e deu pra ver bem mais de pertinho algumas das peças lindas que eles têm. Tudo muito girlie e apaixonante.

Site da loja: http://www.maisonhoneypie.com.br/
Endereço da maison: R. Eng. Oscar Americano, 26 – Cidade Jardim

Endereço da boutique: Av. Cidade Jardim, 662 – Jardim Europa – São Paulo

O Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) aos domingos abriga uma Feirinha de Antiguidade no seu vão livre. Lá são vendidos os mais diferentes tipos de antiguidades, como aneis, vasos, coleções (de bonecos a selos), notas antigas, estátuas, instrumentos musicais, etc e etc. Tem de tudo que você puder imaginar. Claro que o Masp em si é muito mais do que isso e abriga inúmeras exposições também, mas dessa vez eu só dei um pulo mesmo na feirinha que tinha visto por cima das outras vezes e amei. Pra quem estiver ali perto da Paulista durante o domingo, é uma ótima pedida.

Site do Masp: http://masp.art.br
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César

Essa foi a primeira vez que fui em uma Livraria da Vila. Depois que a Isabelly foi lá e me contou que a disposição das prateleiras davam uma sensação de infinito, fiquei curiosíssima pra conhecer o lugar. Ao todo são oito unidades em São Paulo e eu fui na da Lorena, essa da foto, que tem dois andares e esse “buracão” no meio da loja onde você vê a parte de baixo. A disposição é linda mesmo e a atendente foi de uma fofura sem fim comigo, vasculhando cada canto do lugar até achar o livro que eu queria. Agora fiquei com vontade de conhecer as outras unidades e suas particularidades (:

Site da livraria: http://www.livrariadavila.com.br
Endereço da loja da Lorena: Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista

Ps: pra quem quiser ver mais fotos desses dias, lá no meu instagram (aka paulinhav) tem várias.

Bisous, Bisous!

No mundo dos livros de Karl Lagerfeld

É um belo sábado de manhã e você sai para visitar as redondezas de um dos mais famosos bairros de Paris, o Saint Germain. Ali perto, no 7.º arrondissement, você topa com uma ruazinha estreita que atende pelo doce nome de Lille.

7L

Ok, eu não to em Paris, chutaria que você também não está e sei que não estamos assistindo a um filme de Woddy Allen, mas afinal uma garota pode sonhar, não pode? E nunca se sabe quando a gente vai ter uma vontade louca de arrumar as malas e mudar um pouco de paisagem. Se for esse o caso, bom, a ruazinha Lille pode realmente te ajudar. É ali que está a 7L, uma famosa livraria de Paris não apenas por seu objetivo-mor de ter bons livros, mas também por ter como dono uma figura bem ilustre: Karl Lagerfeld.

Nunca foi segredo pra ninguém que Karl ama os livros, no conteúdo e na quantidade, vide sua singela biblioteca de mais de 230 mil títulos. E nunca foi segredo pra ninguém também que esse interesse imenso dele pela leitura é apenas uma parte do seu enorme envolvimento com o mundo das artes, seja como diretor criativo da Chanel, escritor, editor-chefe, fotógrafo, ilustrador, curador e suas mil e uma facetas que ele aumenta todo dia um pouquinho mais. E não que eu queira fazer um post sobre como Karl Lagerfeld é incrível, – apesar dele ser mesmo – mas eu não consigo nem expressar em palavras o quanto eu admiro pessoas que 1) amam livros, 2) transitam tão facilmente em diversas áreas e 3) são inspiradoras. Do mesmo jeito que eu quero ter ao meu redor pessoas que eu admiro (acredito que relacionamentos, sejam de que tipo forem, só podem funcionar com respeito e admiração), também só consigo ‘aprovar’ pessoas de longe que eu admire por algum motivo. E com toda a rasgação de seda do mundo que me é permitida, são muitos os motivos que tenho pra admirar Karl.

Karl Lagerfeld

A 7L, essa livraria que ele comanda, funciona também como uma editora, e é meio que um imenso olhar do próprio Karl sobre o mundo contemporâneo, com títulos de diversas áreas. Moda, design, fotografia, gastronomia, jardinagem, arquitetura e assuntos que versam todos pelo mundo das artes, claro que contando com edições muitas vezes difíceis de achar em outras livrarias por aí. Bem daqueles lugares que a gente entra e nem vê o tempo passar.

A discreta fachada do número 7, além dos livros, abriga também uma salinha de eventos,  onde já se realizaram grandes exposições artísticas. Ou seja, o que fica bem claro pra quem entra na 7L é que mais do que uma livraria, aquele espaço reserva uma experiência tátil, visual e claro que olfativa (cheiro de livro = maior amor do universo) muito próximo ao próprio caminho que Karl Lagerfeld percorreu e percorre no mundo das artes. É daí que vem a curadoria de títulos da livraria, daí que vem a disposição aconchegante das obras no lugar (ora em cavaletes, ora em cima das mesas), com a intenção mesmo de que você vá lá e mergulhe não apenas em um universo, mas em vários. A tal versatilidade de Lagerfeld de transitar por diversas áreas.

Livros da 7L

Alguns dos títulos da 7L

Pra quem ficou curioso e queria dar uma olhadinha no lugar, o site da livraria tem aquele recurso de visualização em 360º com zoom. Divirtam-se e inspirem-se :)