SPFW inverno 2015 | Highlights de cada dia

Como já havia contado nesse post aqui quando falei sobre os corredores do SPFW, resolvi escrever sim sobre os desfiles dessa temporada, mas de um jeito diferente do que sempre faço. Pensei que ao invés de falar de desfile por desfile, seria mais legal se eu fizesse uma espécie de “melhores momentos” de cada dia, em um post mais leve e sem aquela bateria enorme de análises de apresentações.  O resultado é esse daqui de baixo, onde em cada dia escolhi uma coleção, uma beleza e uma trilha sonora preferida pra falar. E, em alguns, ainda rola um plus com algumas informações que não cabiam nessas categorias, mas que mereciam um espaço de destaque entre as melhores.

Comentem a vontade sobre o que vocês acharam desses “highlights” (e se vocês não concordam e destacariam outras coisas nesses dias) e o que mais amaram dessa temporada. Falar sobre desfiles é uma das coisas que mais gosto :)

Primeiro dia

É difícil não amar uma coleção da Animale e é difícil não amar uma coleção do Vitorino Campos, mas é mais difícil ainda não amar uma coleção que junte o estilista e a marca de uma vez só. Com uma estreia linda, dessas de fazer nosso queixo cair, Vitorino trouxe uma pegada mais contemporânea (e eu diria até mais comercial) pra Animale, algo que eu, apesar de amar a marca, achava mesmo que era necessário já fazia algum tempo. A inspiração da coleção foi “a rota da seda” e a camisaria adequada a um styling bem único foi um dos pontos mais bonitos da apresentação. Por falar em camisaria, tá aí um item pra ficar de olho. Usadas de formas, tamanhos e propostas diferentes, a camisa branca foi uma das maiores sensações dessa edição do SPFW.

As maquiagens dessa edição foram bem naturais, não apostaram em quase nada de cor e nem de longe em um bom drama (tirando Ronaldo Fraga de quem eu falo um pouco mais logo abaixo). Ainda assim, minha preferida do primeiro dia foi a da PatBo, que inclusive tem passo a passo, com listinha de todos os produtos usados, lá no site do FFW. O make foi feito pelo Henrique Martins e ainda que a cor seja discreta, em uma leve cintilância por cima do delineado preto, achei que deu uma graça e um “tchan” na produção.

Minha trilha preferida desse primeiro dia também é da Animale, que trouxe o som divertido do projeto musical SBTRKT. A música chama “New Dorp, New York” e foi amor à primeira vista, ou melhor dizendo, ao primeiro som. Aqui tem o clipe pra quem quiser assistir.

Segundo dia

Mais uma vez na FAAP, o inverno 2015 de Reinaldo Lourenço foi uma continuação das homenagens que o estilista tem prestando a algumas cidades nas últimas temporadas. Depois de Paris e Londres, foi a vez agora de Florença, na Itália, e o mote central da apresentação girou em torno do Renascimento e da descoberta de “um novo mundo” com novos valores e conceitos. São vários os materiais trabalhados na coleção, como a seda, o couro e o jérsei, e as cores na maioria dos looks são bem escuras, variando entre o verde, o preto e o cinza.

A beleza da Pat Pat’s tinha tudo pra ser ~só~ mais um olho esfumado, mas o toque de cor trazido na linha d’água do olho variando entre o rosa, o azul e o azul claro, faz uma diferença absurda. Os cabelos não têm muito segredo (como quase todos os cabelos dessa edição, que também seguiram a ideia do minimalismo das maquiagens), e vêm bem chapados e divididos ao meio.

Não que Gisele não ganhe meu coração toda vez que aparece em cima de uma passarela (acho ela de uma presença avassaladora), mas a trilha sonora da Colcci acertou em cheio com “Love Runs Out” do OneRepublic. O clima da coleção e a música, que tem uma batida divertidíssima, casaram mega bem e deixaram a apresentação ainda mais bonita de se ver.

Terceiro dia

Lilly Sarti me conquistou no primeiro look (esse que abre a imagem daqui de cima), mas aí, a cada nova peça desfilada, a paixão foi crescendo. A inspiração mor da coleção veio dos anos 60 (que eu amo!) e dos 70 (a década mais usada como referência nas coleções desfiladas lá fora) e eu fiquei com a impressão que a década sessentinha apareceu mais nos shapes das peças (ai, esses vestidos) e para os anos de “paz e amor” coube as estampas psicodélicas e alguns acessórios (como não amar os chapéus desse desfile?). Dessa mistura surge essa coleção tão bonita, tão chique, tão feminina, que eu queria ter inteirinha na minha arara.

Já deu pra perceber que as belezas dessa edição que não optaram por um make sem nada, só com uma pele perfeita, deram uma pequena inovada usando lápis e delineadores coloridos, né? São detalhes que fazem sim muita diferença, e nesse caso aqui, a beleza do desfile do Vitorino Campos ainda contou com os cabelos molhados e revoltos, quase como se a modelo tivesse acabado de sair do mar. Quem cuidou dessa parte foi a Krisna Carvalho e a maquiagem ficou por conta da maquiadora sênior da MAC, Fabiana Gomes.

Por que escolher “Beat it” do Michael Jackson como melhor trilha sonora do terceiro dia? Porque é “Beat it”, uai! Haha. Adoro essa música e acho que pra desfile ela é ótima e imprime um ritmo gostoso pra apresentação. Ellus arrasou na escolha!

Plus: nessa edição, a Triton se inspirou na saga Star Wars pra sua coleção (shame on me, mas acreditam que eu ainda não assisti todos os filmes?) e antes da apresentação começar, rolou uma invasão do Darth Vader na passarela. Nos vídeos dá pra ver a confusão que foi entre os fotógrafos pra acompanhar os movimentos do personagem. Tá pensando que é fácil cobrir semana de moda? Haha

Vale ainda lembrar que foi nesse dia que o Ronaldo Fraga se apresentou, e que o estilista apostou em uma beleza que, sem sombra de dúvidas, foi a mais comentada dessa edição. Problema é que não pelos motivos mais legais que a gente sempre espera… Depois de pintar suas modelos de vermelho da cabeça aos pés (e Ronaldo foi um desfile que aconteceu lá pelo meio do dia), não havia mágica que conseguisse tirar toda a maquiagem que havia sido colocada. Resultado? Um atraso enorme no line-up, muita confusão e muita modelo chorando porque não pode ir para o próximo desfile.

Quarto dia

Intitulada como “floresta medieval”, a inspiração da Têca para esse inverno 2015 veio traduzida em muito, mas muito mesmo brilho. Pedras, bordados, lantejoulas e muitos maxipaetês invadiram a passarela do começo ao fim, trazendo ares de riqueza e de luxo ostensivo. Apesar de carregada (na lojas, com certeza as peças terão menos informação), eu já tava sentindo falta mesmo de uma apresentação com um pouco mais de drama pra essa edição.

Apesar de ter gostado muito da beleza das Glória Coelho (que era um pouco da própria Glória Coelho nas modelos), a beleza da Patrícia Viera me conquistou mais. A apresentação foi na Faculdade Belas Artes e trocou a passarela por uma aula de modelagem, explicando modelo a modelo o que foi pensado para a coleção. No campo das maquiagens, feita aqui por Max Weber, voltamos de novo o foco para os olhos, que se sagraram os grandes destaques dessa edição. Bem esfumados e marcados, tanto em cima quanto embaixo, eles ganham ainda camadas e mais camadas de rímel.  Os cabelos foram meus preferidos dos cinco dias, em um loiro mega platinado e sedoso.

Estreante no SPFW, a marca GIG Couture fez bonito nas roupas e na trilha com um remix da música Gavitron do trio de garotas Au Revoir Simone. Comandada pelo DJ Bitt, a apresentação dava vontade de balançar os pezinhos enquanto a gente assistia às belezuras que a grife trouxe pra passarela.

Plus: o dia com o line-up mais cheio teve também uma das apresentações mais aguardadas dessa temporada: Versace para Riachuelo, com a presença da própria Donatella. Realizada na Bienal do Ibirapuera (saudade do SPFW ser lá), a sala se transformou em um parque de diversões e a passarela em um ringue de carrinhos de bate-bate. Uma outra passarela que contornava o ringue foi o local onde as modelos e os mais de 50 looks da coleção desfilaram.

Quinto dia

Pra mim foi impossível não escolher o desfile da Acquastudio como meu preferido desse dia porque além de ver pessoalmente a apresentação, eu assisti esse de muito pertinho, e consegui ver detalhes incríveis da roupa que nem sempre pelo vídeo funcionam da mesma maneira. Vale dizer que ele foi feito inteirinho em dourado, e o que poderia ter sido entediante ou esquisito, ficou lindíssimo! Com inspiração vinda do barroco mineiro, o trabalho de modelagem e de detalhes (bordados, bordados, bordados por todos os lados) é absurdo de lindo. Além disso, uma das coisas que mais amei nesse desfile foi a combinação dos vestidos e saias enormes com os tênis (também todos cravejados de pedras e brilhantes) que formaram uma combinação tão inusitada e tão bonita.

Fiquei chateada que em nenhum site consegui encontrar informações sobre como foi feita a beleza da Llas, que eu achei super fresh e que mesmo seguindo a tendência de beleza natural que dominou nesses cinco dias, ainda assim conseguiu se destacar em meio à multidão. Os cabelos presos e os fios propositalmente caindo desajeitados são detalhes que eu acho uma graça, e gostei da forma como o blush/bronzer foi usado, sem pesar muito a mão.

Juro que tentei ser imparcial nessa escolha, mas sério, gente, o desfile da Acquastudio me impactou mesmo nessa edição. Essa trilha sonora me emocionou do começo ao fim da apresentação e os violinos criaram um efeito poderoso e lindo na passarela. A música em questão se chama Smooth Criminal e é do 2CELLOS, e aqui nesse vídeo que gravei dá pra ver como as modelos se cruzavam na passarela de um jeito diferente ao som da música. Lindo, lindo!

Fotos: FFW | Ag. Fotosite

Bisous, bisous e boa terça-feira pra todos nós!

Nos corredores do SPFW

Na última sexta-feira, 07/11, acabou que o compromisso que eu tinha em São Paulo terminou bem mais cedo do que eu pensava, e como eu tava li perto do parque Parque Cândido Portinari (que é integrado ao Parque Villa-Lobos), não tive dúvida: chamei um táxi e corri para o SPFW!

Assim, pelo menos, dava pra dar uma espiadinha na cenografia dessa edição e dar uma abraço apertado em algumas amigas (tão bom rever Lets e Má Espindola!) de que tava com muita saudade. E, de quebra, deu tempo ainda de ver o desfile da Acquastudio, que tava muito lindo e inspirador, e que tinha como tema da coleção a arte barroca mineira <3

Aproveitei então que estava por lá e bati algumas fotos de lugares off passarela que também mereceram destaque nessa edição. Na real, mesmo tendo uma saudade giga da Bienal do Ibirapuera (acho mesmo lá o lugar mais apropriado para o SPFW, não só porque a Bienal é linda, mas também por questões estruturais mesmo, de divisão de salas de desfiles e funcionamento do evento), achei a cenografia dessa edição a mais bonita desde 2011 – quando comecei a visitar a semana de moda de São Paulo. Quem fez toda a “decoração” foi o arquiteto Marko Brajovic, que nunca tinha trabalhado antes para o evento, mas que fez uma estreia arrasadora. Pegando como inspiração a Bauhaus, todas as áreas, decorações e instalações do SPFW apresentavam linhas e formas exploradas pelo movimento, numa tradução muito bacana e original feito pelo artista.

Selecionei então algumas dessas fotos pra postar aqui, contando um pouco sobre cada um desses cantinhos, e, ainda essa semana, subo um outro post sobre a SPFW mais focado de fato nas passarelas, mas também um pouco diferente do que eu tô acostumada a fazer por aqui. Aguardem 😉

A “praça de alimentação” dessa edição foi aproveitada de uma maneira muito legal e se transformou em um dos espaços mais bacanas e decorados! Toda em estilo food trucks, haviam comidas e bebidas de diferentes tipos espalhados pelo lugar. Os preços tavam salgados, como em todas as edições do SPFW, mas o crepe de parma com brie que comi tava uma delícia (paguei R$20,00) e valeu o investimento haha (gordinha mode on). Além dos crepes, tinha também milk-shakes, cachorros-quentes, sucos orgânicos, paellas e vinhos.

Um pouco dos corredores propriamente ditos…

Quem não entra na sala de desfile, consegue assistir a apresentação mesmo assim, em um telão que passa ao vivo tudo o que rola nas salas. Aqui tinha um pessoal assistindo o desfile da 2nd Floor, o primeiro do último dia de SPFW. O telão ficava na área do Boticário (o Boticário também tem um lounge, assim como algumas revistas e patrocinadores do evento), que além dos sofás e cadeiras espalhadas para o pessoal que tava por lá, ainda disponibilizava serviço de maquiagem e esmaltação de graça.

O FFWSHOP é uma pop-up store que rola em toda edição do SPFW e sempre tem coisas lindaaas de morrer! Livros, quadros, roupas, itens de decoração, esculturas e tudo que você puder imaginar, em uma curadoria incrível. É sempre um lugar que quando vou, saio apaixonada por milhares de coisas.

E aqui um último acontecimento que não foi off passarela (o vídeo e as fotos são do desfile da Acquastudio que comentei lá em cima), mas que merecia muito entrar no post porque realmente foi muito inspirador. Apesar do barroco mineiro ser um tema até que já bem manjado em desfiles nacionais, a proposta da Acquastudio foi linda e conseguiu algo dificílimo: trabalhar apenas com uma cor em todo a coleção. Todos os looks, detalhes e acessórios eram dourados e foi lindo ver o choque produzido entre os vestidos volumosos, cheios de pedras e bordados, com os tênis pesadões usados pelas modelos. Uma coleção radiosa e muito bela.

Bisous bisous e até logo com mais post sobre o SPFW! 😉