Um amor que atende pelo nome de revistas de moda

É comum as pessoas estranharem essa paixão desmesurada que eu tenho por revistas. Tem gente que coleciona cartões postais, tem gente que coleciona carrinhos em miniatura, tem gente até que coleciona ingressos de shows. Eu gosto de colecionar inspirações palpáveis, que eu possa recortar (mentira, na maioria das vezes eu morro de dó) e colar na parede do quarto. Ou então, depois que devorar cada letra, só deixar embaixo da arara de roupas como referência, pra quando eu olhar pra capa, ter um minuto de renovação, ter uma ideia louca, ter uma inspiração que me faça sentir um negócio gostoso e quentinho aqui dentro do peito, sabe?

Em um desses dias de caça à referências e inspirações nas revistas

Em um desses dias de caça à referências e inspirações nas revistas – foto do meu instagram @paulinhav

Eu nunca acreditei que revistas de moda fossem simplesmente montes de páginas com tendências e propagandas de marcas de roupas. Na verdade, até elas têm seus encantos, mas desde que comecei a comprar essas revistas passei a conhecer um universo que me ensinava muito mais do que “moda sapato e roupa”.

Mesmo com a crise do mercado editorial, o tanto de opções de revistas do gênero nas bancas é imenso e a gente tem desde aquela revista A que faz um balanço dos desfiles da última temporada, até aquela revista B com artigos acadêmicos. A gente nem precisa de revistas tão opostas assim, tipo uma Vogue e uma Dobras, pra ver como hoje em dia a grande maioria das revistas de moda são diversificadas em termos de informação e nas maneiras de passar isso aos seus leitores.

Não tô aqui querendo fazer um post pra defender revista nenhuma e nem tô aqui pra falar que toda revista de moda é incrível ou que toda revista de moda foge do comercial. Exemplos contrários a isso a gente tem aos montes. Acontece, no entanto, que não é porque a grande maioria das revistas precisa de “modelos comerciais” pra serem vendidas nas bancas que elas são superficiais ou trazem só o que a nova it girl tá vestindo. Aliás, a gente precisa parar de achar (e eu me incluo nessa também) que o comercial é ruim, que coisa boa necessariamente não é massificada e fica só voltada pra uma uma elite, seja ela intelectual, política ou social.

Eu sei que é duro defender esse lado “intelectual” das revistas quando nos deparamos com um preconceito e um problema sério sobre elas. O primeiro, o preconceito, é essa imagem que se criou em torno da grande maioria das consumidoras dessas revistas. Elas querem se informar profundamente sobre moda ou só consumir os produtos veiculados? Elas querem ver uma galeria de peças jeans ou lerem um texto que explica como o denim se popularizou na moda e foi uma das primeiras peças a quebrar paradigmas, fazendo o caminho inverso ao ir das ruas para as passarelas?

O segundo, o problema, é o preço. A maioria dessas revistas varia entre R$10,00 e R$15,00 na banca, e algumas mais artísticas, como a Mag!, chegam a custar quase R$30,00! E revista gringa então? Pagar R$80,00 numa Vogue Paris não seria nada anormal.

Por causa dessas duas coisas, o público dessas revistas acaba tendo uma imagem preestabelecida no imaginário coletivo: se ela não é da área, ela é uma ativa consumidora, uma mulher com condição social estável, com vontade de saber de tendências (zzz), com desejo de consumir um determinado “padrão de vida”.

Mas será mesmo?

Pra mim um dos maiores preconceitos que existem quando tratamentos de moda, tanto nas revistas quanto na área como um todo, é essa imagem de que a moda é completamente visual. Tá aí uma das maiores inverdades que já se espalharam. É claro que tem muita gente que compra revista de moda pra ver. Quem não quer enlouquecer com editoriais, quem não quer ver as fotos do último desfile e diz aí que mulher não quer suspirar um pouquinho por uma bolsa bapho também?

Só que se as revistas de moda fossem só isso e as consumidores dessas revistas quisessem só isso, só ver e receber tudo mastigadinho, desculpa, mas elas iam comprar um catálogo e não uma revista.

Leitora não é besta. Da área ou não, ela compra pra ver, mas compra (e muito!) pra ler. Aliás, essa tal intelectualidade das revistas não precisa vir expressa só em matérias. Tem cada editorial de moda dos mais geniais espalhados por aí, que ensinam tanto pra nós em termos culturais, de história, de poesia, que seria muito besta da minha parte querer dizer que conteúdo só é passado em texto.

Então, esqueça essa ideia de “consumidora padrão”. O mundo e as pessoas que se interessam por moda e por suas revistas são absurdamente diversas!

Vogue e Harper's Bazaar

Vogue e Harper’s Bazaar

L'officiel e Catarina

L’officiel e Catarina

Elle e Mag!

Elle e Mag!

Têxtil Moda e Dobras

Têxtil Moda e Dobras

Em relação ao preço das revistas, esse realmente é um problema sério. O mercado editorial como um todo não é barato no Brasil. Tanto em revistas quanto em livros, o preço a se pagar por aqui não é pequeno. Apesar disso, o que essas revistas valem é equivalente ao quanto elas podem ser enriquecedoras pra gente. E isso não é balela nem discurso pra soar bonitinho. Isso é realidade. Ou você realmente acha que a história que as revistas de moda fizeram (a primeira Harper’s Bazaar surgiu em 1867!), que as inúmeras editoras (alô Diana Vreeland) e que o tanto de fotógrafos, artistas, estilistas, maquiadores, stylists e afins que passaram por suas páginas não contribuíram em nada com a história passada e presente da moda?

E vale o recadinho pro povo das modas: roupa bonitinha pode até causar primeira boa impressão, mas conhecimento, nem bolsa Chanel passa por osmose.

Anyway, esse texto longo daqui, no fundo, só quer mesmo dizer que revistas de moda são extremamente enriquecedoras em termos de pesquisa, aprendizado e história.

Como uma aspirante a jornalista de moda, eu fico triste em ver que há uma tremenda falta de reconhecimento sobre isso. Tanto que, pra vocês terem ideia, essa semana foi a segunda vez no ano que vi alguém da área dizer que “não lê revista de moda” como se isso fosse algum troféu, algo que coloca aquela pessoa numa categoria além, sabe? “Não sou dessas que lê revista.” Really?

Querer esboçar isso como uma coisa boa não é apenas triste, mas também é uma baita falta de humildade. Ninguém sabe tudo. Como parte dessa indústria, aliás, que a cada ano recebe cada vez mais gente inteligente e com vontade de trabalhar, a pessoa dizer que se não se interessa em evoluir, aprender mais, acompanhar o que tá rolando no meio me soa uma mega falta de profissionalismo.

Ela mal sabe o mundo incrível de inspirações que tá perdendo, e que tá ali, todo dentro de uma revista <3

Novo cantinho

Assim como eu já tinha contado lá no facebook, meu feriado não foi pulando Carnaval e nem descansando, mas nem por isso deixou de ser agitado. Tudo porquê finalmente mudei de apartamento, algo que eu queria já fazia um tempão.

www.theyallhateus.com

E olha, fui pega desprevenida, porque nem de longe imaginava que seria tão trabalhoso quanto foi! Não só na mudança literal das coisas, mas também na disposição dos móveis, na arrumação de cada cantinho… Tanto que por erro de logística (sou jornalista gente, desculpa haha) foi preciso sair correndo de última hora pra comprar móveis novos. Mas né, pensei que se era preciso comprar, arrumar tudo de novo, enfim, botar a mão na massa, na mudança, ia fazer da melhor e mais proveitosa maneira possível. E deu tão certo que eu fiquei ainda mais apaixonada por decoração, algo que já fazia um tempão que eu andava me interessando.

Daí que tanta inspiração me deu a ideia de criar uma categoria disso aqui no blog, e até o próximo post espero já ter batido algumas fotos do apartamento pra mostrar em detalhes algumas coisas que eu organizei. São coisas pequenas, mas acho que em decoração (e na vida também) dos pequenos detalhes se fazem os grandes. Como eu não sou perita no assunto vou procurar dividir aqui no blog as descobertas e tentativas de uma novata. Podem parecer coisas bobas, mas se deram certo comigo, vai que tem alguém tão inexperiente quanto eu que não sabe e também pode se aproveitar da ideia?

E o melhor de tudo: a categoria aqui é pra indicar bons links de decoração (sou fã da área de decor do Fashionismo), pra fazer todo mundo suspirar com a beleza de algumas imagens – e também pra gente descobrir como adaptá-las mais realisticamente pra nossa vida – e quem sabe até pra se arriscar em alguns diys. O importante é testar, ser feliz e saber deixar cada canto – da casa, do escritório, whatever – mais a nossa cara e mais aconchegante.

E claro que pra começar, imagens inspiradoras até dizer chega!

– É só clicar que elas abrem numa janelinha e mostram os créditos!

www.feedfloyd.com

http://m.pinterest.com/pin/410601690996150264/

www.cupcakesclothes.com

endlesswinds.tumblr.com

www.girlscene.nl

www.homeadore.com

rcazt1811.deviantart.com

Ah, ideias e dicas de decoração são mais do que bem-vindas! Como eu já disse, sou uma novata no assunto e quero ajuda 😉