Em 1939 a Alemanha nazista invadiu a Polônia, desencadeando o primeiro evento – dos muitos que se sucederiam – que daria origem a Segunda Guerra Mundial, o conflito mais letal de toda a história da humanidade. A guerra durou até 1945 e durante esse período milhares de judeus foram caçados e exterminados em campos de concentração.

Isso tudo a gente aprendeu em livos de História, de literatura e em uma pancada de filmes que tiveram como mote a guerra ou que ainda usaram dela como pano de fundo para contar uma outra história.

No entanto, um assunto que na real é pouco lembrado no meio disso tudo, quer pelos livros, quer pelos filmes é que não foram só os judeus que foram mandados para os campos de concentração. Essa lista negra abrangia ainda um grande número de pessoas, que incluíam ciganos, negros, deficientes físicos e mentais e homossexuais.

Dentro do campo, pra que houvesse uma distinção entre o “motivo da permanência de cada preso ali”, um símbolo/cor era designado para cada um deles. Aos homossexuais coube o triângulo rosa, o desenho que eles eram obrigados a usar em seus uniformes. Ou seja, mais de 10 mil símbolos desses – número apurado de quanto gays estiveram presos – foram usados nos campos pra catalogar o preconceito e loucura nazista.

Em 2011 foi lançado o livro “Triângulo Rosa – Um homossexual no campo de concentração nazista”, que conta a história de Rudolf Brazda, homossexual que permaneceu três anos preso no campo de Buchenwald. centro da Alemanha. O livro já foi pra minha to-do list e pra quem quiser saber mais informações sobre ele, é só clicar aqui.

Rudolf Brazda e o livro que conta a história de sua vida dentro de um campo de concentração nazista

Mais de 65 anos depois que a Segunda Guerra Mundial terminou algum dos seus resquícios ainda podem ser sentidos.

A cor rosa, por exemplo, permanece enraizada no imaginário mundial como uma cor associada ao universo gay. Ou vai dizer que você nunca escutou aquela ladainha de que “ai, mas rosa não é coisa de homem”? E sei que o discurso aqui é bem diferente, mas pra mim querer associar uma cor específica a um determinado grupo de pessoas é tão incoerente quanto seção infantil que é divida entre rosa pra menina e azul pra menino. Sabe aquela história do Kinder Ovo? Pois então.

Associar o rosa com o homossexualismo me soa até mais assustador.

Diferente do livro citado aqui em cima e da Companhia Revolucionário do Triângulo Rosa, que utilizaram o símbolo impingido aos homossexuais no campo de concentração para poderem lutar contra o preconceito, delimitar o uso do rosa ao gay é como falar que a cor de menino é azul, que batom vermelho só é usado por puta e quantos mais exemplos bizarros vocês conseguirem lembrar.

Aliás, ô palavra sem sentido essa quando estamos falando de pessoas. Delimitar. Delimitar afinal o quê?

Amor tem cor?

Sexo tem cor?

Crença tem cor?

Pode até ser piração da minha cabeça, mas quando eu vejo esse tipo de pensamento que propaga que a gente fixe uma cor, um estereótipo, um seja la o quê a determinadas pessoas, é como se classificássemos nós mesmos em gavetinhas. Tem a gavetinha do loser, tem a gavetinha do gay, tem a gavetinha da certinha e etc. E daí tem uma etiquetinha junto que mostra como aquela pessoa deve se portar, e pensar, e falar.

E aí falando do rosa, especificamente, (que pra quem ainda não entendeu, não tô falando que a cor é que é abominável e toda preconceituosa né haha, mas sim de todo o pré-conceito que vem imbuído nela, seja na questão feminina ou na questão homossexual), a gente lida com dois problemas. O que aparece logo de cara é o preconceito, claro, contra o próprio gay, de um homem achar que não pode usar essa cor porque o torna menos hetero. Até porque se realmente ela fosse “uma cor gay”, seria ainda mais preconceituoso alguém achar que não poderia usá-la também. Afinal, você tá querendo se manter a margem de quê? De pessoas iguaizinhas a você?

O segundo, e o motivo principal que me fez querer escrever esse post, é o do quão bizarro é isso de associar estereótipos a torto e a direito. Porque vocês percebem o quanto é assustador a gente atribuir uma série de preconceitos até pra uma cor?

Mudando de assunto...

Pra encerrar esse post deixo vocês com uma série de fotos incríveis de streetstyle masculino. Claro, todas com muito rosa =)

Bisous!