Revistas de setembro #3 2015

Outubro já tá quase dando às caras, mas ainda dá tempo de fazer um último post com três capas de revistas que arrasaram em setembro – e que eu não podia deixar de fora daqui do blog!
E pra quem perdeu o primeiro e o segundo post dessa micro série, é só clicar nos respectivos links.

Nesse mês a Harper’s Bazaar arrasou em dose dupla, já que tanto na sua capa que foi para as bancas quanto na sua capa de assinante, ela trouxe duas imagens super lindas, divertidas e originais. Em ambas, a cover girl da edição é a Katy Perry, – que inclusive acabou de fazer um showzaço aqui no Rock in Rio – e eu fiquei completamente dividida entre as duas, sem saber por qual fiquei mais apaixonada.

Enquanto na edição que foi para as bancas a Katy tá bem drama queen, na de assinante ela aparece em cores vibrantes e numa brincadeira de colagem, encarnando ninguém menos do que a lendária Elizabeth Taylor.

A foto faz parte de um dos editoriais que recheiam a revista, onde diversas celebridades como Willow Smith (de Kali), Mariah Carey (de Maria Antonieta) e Oprah Winfrey (de Glinda de O Mágico de Oz) dão vida a grandes ícones, sob o comando de Carine Roitfeld e Jean-Paul Goude.

Capa que foi para as bancas

Capa que foi para as bancas

 

Capa para assinantes

Capa para assinantes

Gente, eu amei as cores da capa da Seventeen desse mês!

Apesar da pegada da revista ser quase sempre a mesma, dessa vez achei que tanto a escolha das cores quanto o próprio look usado pela Iggy tão mais doces, menos posudos e não forçando tanto uma imagem de garota-perfeição, sabem?

Achei legal também que no miolo a revista trata bastante da cirurgia plástica no nariz que a Iggy Azalea fez, mas, ao invés de trazer isso como uma espécie de “fofoca”, ela fala sobre questões como aceitação do nosso corpo, imperfeições (que todo mundo tem) e sobre como é importante levar esse procedimento cirúrgico a sério, sem, no entanto, entendê-lo como uma uma falha ou uma vergonha.

“Plastic surgery is an emotional journey (…) It’s no easy feat to live with your flaws and accept yourself—and it’s no easy feat to change yourself. Either way you look at it, it’s a tough journey. There are things that I didn’t like about myself that I changed through surgery. There are other things I dislike but I’ve learned to accept” diz Igyy no miolo da revista.

Pode querer pra ontem esse cabelo da Rosie?

Sério, fiquei meio embasbacada por ele e por esse vestido maravilhoso que ela tá usando na capa da Harper’s Bazaar UK. O modelito é Prada, e o editorial estrelado por ela no miolo da edição foi fotografado por Alexi Lubormirski e teve styling de Miranda Almond.

Eu amo a mistura que a revista fez de rosa e azul bebê na capa, e apesar dela não ser “muito trabalhada” ou de não trazer nada muito extraordinário, acho que aqui o simples conseguiu me cativar. É uma imagem fresh, gostosa de ver, descomplicada e sofisticada ao mesmo tempo. Eu gosto disso e gosto desse tantinho de pele a mostra que deixa a capa ainda mãos jovem e leve.

E me contem agora vocês. Quais as capas das revistas de moda desse mês que você mais amaram?

Bisous, bisous

Diana Vreeland: the eye has to travel

Nessa última terça-feira tão fria que tivemos, me enfiei debaixo das cobertas por pouco mais de uma hora e assisti ao documentário “Diana Vreeland: the eye has to travel” (traduzido para o português como “Diana Vreeland: o olho tem que viajar”), que já tava na minha to-do list faz tempo.

E terminei esses 80 minutos com os olhos lacrimejando e o coração mais feliz.

Cabe aqui um parênteses.

Eu sempre tive um apreço gigantesco pela Diana Vreeland, sempre a achei uma musa-mor e uma mulher extremamente sábia e culta. Tudo que eu sempre li e vi sobre ela me inspirava de uma maneira louca e me dava aquela vontade de “fazer acontecer, sabe?” Porque se tem uma coisa que Diana fez com maestria – aliás, o que ela não fez com maestria?! – e que com certeza serve de exemplo pra qualquer um, é que não é só uma questão de fazer. É preciso fazer com paixão, com a mente aberta, com o olhar apurado, com uma boa dose de loucura até.

É preciso abrir nossos horizontes pra que a gente consiga enxergar a história por trás de uma foto enquanto a maioria das pessoas só enxerga uma foto.

“Diana Vreeland: the eye has to travel” foi lançado no ano passado, 2012, junto com um livro e uma exposição de mesmo nome. A ideia veio de Lisa Immordino Vreeland, mulher do neto de Diana, que apesar de nunca tê-la conhecida pessoalmente sempre foi encantada pela figura que DV era. Tendo o apoio da família e dos amigos – que ajudam a rechear o documentário com as mais interessantes falas e histórias – Lisa foi à luta e fez esse trio de homenagens a Diana.

O documentário segue então uma ordem cronológica, que vai contando desde a infância de DV até seus últimos dias, relembrando fatos importantes de sua vida e carreira. Tá tudo ali, desde sua relação difícil com a mãe quando pequena até sua extrema paixão e entrega pra moda anos depois.

Muita gente acha que Diana começou sua carreira na moda trabalhando na Harper’s Bazaar. Errado! Antes mesmo dela começar a escrever sua famosa coluna “Why don’t you?” na revista, Diana era dona de uma loja de lingeries em Londres. Desde aquela época, DV já era super influente e tinha os amigos mais importantes e cultos que se poderia ter na década de 30, em todos os cantos do mundo. Aliás, Diana já tinha viajado muito nessa época e tinha vivido de pertinho a Belle Epoque dos anos 20 em Paris.

Daí pra ser chamada na Harper’s não demorou muito e a coluna “Why don’t you”, que tinha uma proposta completamente diferente de tudo que já havia sido feito na revista – e em outras revistas de moda – fez o olho de todos os leitores brilharem. Ela entrou na revista em 1963 e só saiu de lá em 1962, já tendo há anos se tornado a editora de moda da publicação.

Quando começou como editora-chefe na Vogue (1963 a 1971), a revista teve um de seus períodos mais férteis de ideias e inspirações. É meio que unânime pra todos aqueles que trabalharam com ela que Diana enxergava além da moda. Ela falava sobre cultura, arte, música, cinema, sociedade… Era um pouco de tudo, aquela vontade de ir a fundo e mostrar que “o olho tem que viajar” (trocadilho besta, mas que faz todo sentido aqui).

Até porque, só uma mulher de muita visão falaria algo como

“Why don’t you… paint a map of the world on all four walls of your boys’ nursery so they won’t grow up with a provincial point of view?” 

E Diana era exatamente isso.

A cada história contada no documentário, a cada amigo que relembra alguma de suas frases tão marcantes, algumas de suas vontades que pareceram tremenda loucura e depois se provaram tão extraordinárias, é como se a gente desvendasse um pouquinho mais dessa mulher incrível que DV foi. Ela revolucionou o mundo do jornalismo de moda e fazia de cada nova revista que editava, como se fosse a primeira. Olhando tudo como se fosse a primeira vez e descobrindo todas as nuances escondidas por trás daquilo.

Em 1971, quando já não trabalhava mais na Vogue, Diana, no entanto, sabia que ainda tinha muita energia e perspectiva pra dar ao mundo. Do alto da sabedoria e experiência dos seus 70 anos, foi trabalhar então em algo completamente novo pra ela, mas que era o ápice da inspiração que ela sempre buscou nas artes: a consultoria do Institute of the Metropolitan Museum of Art.

E se nas revistas de moda Vreeland tinha sido um furacão, lá não foi diferente. Pra começar que Diana mudou radicalmente aquilo que se entendia como exposição no museu, tirando aquela ideia quadradinha que tinha até então e levando a experiência de visitação a outros níveis. Ela não poupou esforços em transformar a fantasia daquelas salas em uma quase realidade pra quem as visitava. Pra isso usou de fragrâncias, luzes, músicas, novos designs, adereços, até a construção de cenas dramáticas entre os manequins pra proporcionar exposições que mexessem com todos sentidos do público.

Além do balé, uma de suas maiores paixões desde pequena, DV também levou muito do seu amor pela moda para dentro do museu, realizando exposições sobre a carreira de Yves Saint Laurent e Balenciaga.

Ela só saiu do Metropolitan Museum of Art em 1989, ano de sua morte.

Capas da Harper's Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

Capas da Harper’s Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

“Diane Vreeland: the eye has to travel” tem depoimentos de Anna Sui, Diane Von Furnstenberg, Manolo Blahnik e vários outros profissionais, amigos e familiares de Diana Vreeland. Assisti o documentário por aqui e ate tentei procurar alguma versão legendada pra postar aqui no blog, mas não achei. Se alguém souber de alguma, por favor, compartilha o link aqui nos comentários!

Pra quem ficou interessado em se aventurar ainda mais por esse olhar tão vanguardista da Diana, o livro “Allure”, escrito por ela em 1980, foi relançado em 2011 sob o título de “Glamour”. O livro foi lançado no Brasil pela Cosac Naify, conta com prefácio escrito por Marc Jacobs e pode ser encontrado por R$ 85,00 na livraria Cultura. Espero que esse, assim como o documentário, seja riscado da minha wishlist em breve…

“You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It’s a way of life. Without it, you’re nobody. I’m not talking about lots of clothes – Diana Vreeland”

Bisous!