Na semana passada enquanto assistia mais um episódio de Skins UK (ainda vou falar dessa série por aqui), começou a tocar uma música toda bonitinha pra uma das minhas personagens favoritas, a Effy Stonem. E logo no começo da música, quando soaram as primeiras melodias, me deu um estalo: aquilo era Nancy Sinatra?

E sim, era mesmo Nancy Sinatra cantando sua deliciosa Sugar Town.

Sugar Town – Nancy Sinatra

O sobre nome famoso não engana, Nacy é mesmo filha de Frank Sinatra e, assim como o pai, teve esse gosto pelos palcos desde pequenininha. Ela amava música e cinema e durante a sua adolescência, em plena década de 50, conseguia enxergar como essas duas artes estavam mudando a cabeça dos jovens em todo o mundo.

Afinal, foi em 1953 que Marilyn Monroe, a garota mais femme fatale que o cinema já conheceu, estourou em “Os homens preferem as loiras”. Em 1955 James Dean roubou a cena, o coração das meninas e a admiração dos rapazes com seu papel de Jim Stark em “Juventude Transviada”. E, não bastasse tudo isso, no final dos anos 50, ainda tinha Elvis Presley com sua guitarra e seu gingado. Algo inimaginável de ser ver na TV até pouco tempo atrás.

Tinha coisa demais acontecendo, e Nancy, que admirava essas pessoas e o que elas estavam fazendo, também queria fazer parte disso.

Só que aí, já no final da década de 50, por um lance do destino Nancy conheceu Elvis Presley. As versões para esse encontro são várias. Alguns dizem que ela o conheceu numa apresentação com o pai, outros que foi numa base da Força Aérea (?), outros que foi nos bastidores de um programa de TV…  Anyway, o que de fato a gente sabe com certeza é que Nancy e Elvis se deram bem desde o primeiro instante e que pra ela, que realizava o desejo de conhecer um de seus maiores ídolos, a amizade com Elvis foi como um sonho. Não dá pra saber muito bem o que esse encontro do destino despertou de tão corajoso em Nancy, mas, depois dele, ela decidiu que tava mais do que na hora de firmar sua carreira. Passou a atuar em filmes como “Get Yourself a College Girl” (1964) e a fazer relativo sucesso musical na Europa e no Japão.

E tava indo tudo muto bem pra dona Nancy, seguindo ali pela duas carreiras que ela sempre gostou, até que chegou fevereiro de 1968 e… PÁ! Nancy Sinatra virou uma estrela do dia pra noite.

“These boots are made for walking, and that’s just what they’ll do
one of these days these boots are gonna walk all over you”
{“Essas botas foram feitas para andar e é só isso que elas vão fazer.
E um dia desses essas botas vão passar por cima de você!”}

 

Quando “These Boots are Made for Walking” estourou nas paradas de sucesso, todo mundo passou a conhecer Nancy Sinatra. Não só sua voz, mas seu visual, seu jeito meio provocante e, claro, seu estilo “go go boots”. A expressão se refere a um visual onde botinhas – que iam desde as de cano mais curto até aquelas na altura do joelho, independente do tamanho do salto – são a grande estrela de toda a produção, dando destaque pras pernas – algo pra lá de sensual na época – de quem as usava. Nancy não só popularizou o go go boots, como fez questão de mostrar ser uma garota nada convencional pra época.

Ela não tinha medo de aparecer com minissaias, fazer fotos toda trabalhada em poses cheias de segundas intenções e de se mostrar uma mulher completamente independente e feliz com seu corpo.

“These Boots are Made for Walking” virou um hino do feminismo da década de 60 e uma maneira das mulheres expressarem, ainda que cantando, que afinal elas podiam sim mandarem em sua vida e em seus relacionamentos.

Nancy Sinatra continuou a ser uma garota go go boots e a levar suas músicas feministas pros quatro cantos do mundo. Emplacou hit atrás de hit e fez grande sucesso com “Something Stupid”, cantada em dueto com seu pai. Ela ainda lançou “You Only Live Twice” que virou música-tema do filme “007 – Só se vive duas vezes” e regravou “Bang Bang” da Cher, que foi parar em Kill Bill vol.1.

Como atriz, estrelou um filme ao lado de Elvis Presley em 1968 chamado “Speedway”. Há boatos de que durante as gravações do filme, a amizade dos dois se transformou em algo muito maior, e que o brilho de olho de Nancy nas cenas, não era só pelo prazer de atuar haha.

Nancy casou duas vezes e teve uma única filha, Amanda Lambert e, em 1955, do alto da sua beleza e maturidade de 55 anos, foi capa da Playboy americana de maio.

No começo desse ano, Lana Del Rey regravou uma de suas músicas, “Summer Wine”, que ganhou até clipe.

Pra quem quiser conhecer mais sobre Nancy Sinatra, eu indico baixar esse álbum aqui dela que tem os grandes sucessos da sua carreira. Garanto que vai ser difícil não se apaixonar <3

Bisous!