Antes de mais nada vocês precisam saber que eu sou uma garota que ama séries. Esse é um fato muito importante sobre mim, porque por mais estranho que isso possa soar, eu acho de verdade que séries me influenciaram muito ao longo da vida.

É impressionante a empatia que eu criei com determinados personagens, de me ver ali, de me reconhecer naquelas atitudes, de entender quando ele não fazia o que as pessoas esperavam dele, mas o que ele esperava dele mesmo.  As cenas impossíveis (mas ainda assim cheias de lições) que eu muitas vezes “vivi” através de séries e até mesmo os dramas, – familiares, com amigos, namorado, no trabalho – também sempre fizeram um sentido muito concreto pra mim. Eu não precisava passar pela mesma situação pra entender o recado, mas entender o recado, de certa forma, me preparava para os problemas reais que eu enfrentava no mundo aqui fora.

Por isso tudo, fazia algum tempo que eu tava com vontade de escrever aqui no blog sobre as séries que mais marcaram minha vida. Esse era um pedaço muito grande da minha história pra eu simplesmente deixar de fora, sabem?

Então, decidi fazer assim: de tempos em tempos vou vir aqui falar sobre três séries que me marcaram muito. Vai ser um post longo, dividido em várias partes, mas foi o jeito que achei pra falar sobre cada uma delas do jeito que elas merecem. Tomara que vocês se identifiquem com elas pelo menos um pouquinho do tanto que eu me identifiquei (:

Dentre tantas séries maravilhosas que já cruzaram meu caminho, fica difícil apontar apenas uma como a “série da minha vida”. Mas, se por algum motivo eu precisasse responder a essa questão, muito provavelmente Gilmore Girls seria a grande escolhida.

A série foi transmitida pelo canal The WB de 2000 a 2007 (eu só fui assistir a série inteirinha tempos depois, quando ela já havia acabado) e apesar de ter uma sinopse bem água com açúcar, esse é um dos poucos seriados que eu consigo ver repetidas vezes, sem nunca enjoar da história ou dos personagens.  São os seus personagens, aliás, – especialmente as duas estrelas principais da história, Lorelai e Rory Gilmore – que transformam a série em algo muito maior do que a sua própria sinopse poderia prever. O que era para ser uma história sobre uma mãe jovem e solteira criando sua filha em uma cidadezinha pacata e cheia de bons vizinhos, se transformou em um show que mostra a relação de duas mulheres extremamente diferentes e fortes, de personalidades marcantes e, assim como eu e como você, cheias de altos e baixos na vida.

Lorelai é engraçada e esperta, mas mete os pés pelas mãos em várias situações do dia a dia, tem medo de se entregar ao amor e muitas vezes faz transparecer sua fragilidade por ter sido obrigada a amadurecer tão rápido.

Rory é a menina exemplar, que vê na mãe sua melhor amiga e só tem olhos para os livros e seu futuro, mas que vai vendo que no meio do caminho, as coisas nem sempre seguem a estradinha perfeita que a gente imaginou para elas.

Tem ainda os outros personagens da história que também são muito maravilhosos (Luke, Sookie, Emily…) e que trazem uma contribuição gigante para a série se transformar no programa atemporal, cheio de referências inteligentes (de Kurt Cobain a livros clássicos) e com lições de vida nada impostas, mas que facilmente mexem com a gente, que ele é.

Se eu posso, portanto, dar apenas um conselho pra você que está lendo esse texto, eu digo sem titubear: pegue uma boa xícara de café, vista suas meias mais quentinhas e vá já assistir a esse seriado.

FRIENDS -- Season 2 -- Pictured: (l-r) Matthew Perry as Chandler Bing, Jennifer Aniston as Rachel Green, David Schwimmer as Ross Geller, Courteney Cox as Monica Geller, Matt LeBlanc as Joey Tribbiani, Lisa Kudrow as Phoebe Buffay (Photo by NBC/NBCU Photo Bank via Getty Images)

Já pararam pra pensar em como a sinopse de Friends é bem simples? Um grupo de seis amigos que moram no mesmo prédio, amam tomar café no mesmo lugar e têm personalidades completamente diferentes, mas que se dão super bem juntas. Pronto, era só isso que os produtores precisavam (mentira, eles precisavam exatamente dos seis atores que fazem os personagens principais, porque sem eles, dificilmente teria rolado a química tão forte que o seriado tem) para que tudo desse certo.

Friends é uma série de comédia, mas eu consigo encontrar tantos outros elementos dentro dela, que acho até difícil classificá-la apenas como uma coisa. O seriado foi um dos mais famosos e rentáveis da história (o episódio final da série teve mais de 50 milhões de espectadores!) e acho que a já citada química entre os atores, os personagens tão engraçados e carismáticos, a ideia de uma amizade tão forte entre um grupo de pessoas e uma espécie de simplicidade que o roteiro da série seguia, fizeram dela o clássico que se tornou. 

Uma das maiores proezas que eu vejo na série, é que mesmo estando por dez temporadas no ar, eles conseguiram manter o mesmo nível de comédia, drama, amor e empatia em todo o tempo. Imagina como deve ser difícil manter um programa de tanto sucesso ao longo de dez anos sempre superando as expectativas do público? Sempre criando novas histórias que não caíam naquele limbo de enrolação que muitas séries legais acabaram caindo simplesmente pra se manterem na TV?

Friends conseguiu manter o mesmo tom em dez anos e o mais importante de tudo: soube a hora de parar. E mesmo que tanto tempo depois eu ainda alimente o desejo de que exista um filme com os personagens, acho que Friends conseguiu se manter tão incrível e tão atemporal exatamente porque não quis forçar a barra e teve o timing necessário para saber o que era legal e o que não era pra história.

Pra ser bem sincera com vocês, eu não lembro muito bem porque comecei a assistir Skins. Acho que alguém comentou sobre a série no facebook e eu fiquei curiosa (ou eu tava procurando algo pra assistir e simplesmente fui parar no episódio piloto), mas a única coisa que lembro com certeza é que desde o comecinho eu achei a série estranha pra caramba. Mas estranha de um jeito bom, digamos assim.

A impressão que dá é que Skins é uma série meio caseirona, que não tá nem aí pra aquilo que já foi feito em termos de séries adolescentes. É como se eles desprezassem o que todo mundo enxerga nas séries do gênero e quisessem mostrar na real o que de incrível e de ruim pode acontecer nessa fase da vida. Isso tudo de um jeito bem cru, bem descarado, bem dedo na ferida.

Esse é um dos motivos porque a série – que é original britânica – se deu tão bem no Reino Unido, que tem esse jeito mais blasé e mais underground. Quando ela ganhou uma versão americana, o programa foi um verdadeiro fiasco, porque além de ter o maior distanciamento possível de séries adolescentes que por lá nos EUA fazem sucesso (vide Gossip Girl e cia), a série era considerada esquisita demais, pesada demais para aquele público.

E se tem uma coisa que não podemos negar é que Skins é de fato mesmo pesada.

A série conta a história de um grupo de amigos que vive em Bristol, sudoeste da Inglaterra, e apresenta aspectos da adolescência que os seriados quase sempre fazem questão de não mostrar. Anorexia, drogas, sexo, problemas com autoestima, estranhamento com os pais, dores de amor pesadas, depressão, alcoolismo…

Uma das coisas mais inteligentes de Skins é que a série, a cada duas temporadas, mostra um grupo de adolescentes diferente de Bristol. Alguns grupos têm até relação uns com os outros, como é o caso de Effy Stonem (Kaya Scodelario), uma das principais personagens da segunda geração (cada turma é chamada de geração em Skins) e que na primeira, aparecia apenas como a irmã mais nova de Tony (Nicholas Hoult).

São essas duas gerações, aliás, a primeira e a segunda, que pra mim são responsáveis pelo sucesso que o seriado foi e continua sendo. Quando a terceira geração começou, parecia até que os produtores estavam meio perdidos, sem saber como desenvolver os novos personagens, e eu confesso que nem quis terminar de assistir tudo porque fiquei bastante decepcionada com o roteiro e com o desenrolar das coisas.

Mas pra minha felicidade, nem tudo estava perdido. Pra sétima temporada, os produtores de Skins tiveram uma ideia maravilhosa: fazer uma temporada especial de três episódios, divididos cada um em duas partes, que se dedicassem a mostrar o que aconteceu no futuro de três dos personagens mais queridos do público.

Os escolhidos foram a própria Effy (Kaya Scodelario), para o episódio Fire, James Cook (Jack O’Connell), em Rise, e Cassie Ainsworth (Hannah Murray), minha personagem favorita, em Pure.

O resultado ficou um absurdo de incrível, até porque, não foram apenas os personagens que cresceram. Ainda que o clima pesadíssimo da série tenha continuado nesses episódios especiais, os produtores, a série, os atores, a história toda em si evoluiu. O que trouxe uma certa dose de poesia e de beleza em toda a sétima temporada, encerrando maravilhosamente um dos programas mais controversos e inteligentes que eu já vi.

Bisous, bisous e aguardem que em breve sobem mais posts sobre as séries da minha vida!