Inconsciente (ou não) cinematográfico: a moda nas aberturas de Cannes

É domingo agora, 25 de maio, que acontece o encerramento da 67ª edição do Festival de Cannes, um dos eventos de cinema mais importantes do mundo. Desde 1946, o evento oferece pra todo mundo que gosta de cinema um espaço mais artístico e conceitual, pelo menos se a gente pensar em outros festivais e premiações de mesmo porte. Isso não quer dizer que filmes comerciais fiquem fora da rota de Cannes. O que acontece, no entanto, é que aqui há espaço também para longas e curtas muito aquém dos recordes de bilheteria, dos grandes estúdios e efeitos especiais. Grandes filmes (aqueles da série: todo mundo foi assistir no cinema e virou sucesso absoluto) existem dentro do evento, mas Cannes abre um espaço muito grande e importante também para filmes independentes.

Eu curto acompanhar Cannes ainda que muitos dos filmes sejam difíceis de encontrar em um cinema próximo depois. E ainda que, nem de longe, eu seja uma entendedora de cinema-conceito (nem de cinema em geral, na real, mas né, cinema me fisga de um jeito que eu amo às vezes mesmo sem entender).

Só que aí, enquanto pesquisava sobre algumas curiosidades do festival, acabei percebendo uma similaridade bacana – e muito interessante de ser analisada – entre os filmes que abriram o evento nos últimos quatro anos. Em tempo: o filme que abre Cannes, todo ano, tem uma importância enorme dentro do evento. Ele fica fora da competição (são diversas categorias, mas ao melhor filme cabe o prêmio da Palma de Ouro) e tem meio que a função de representar aquela edição e ser um filme que fisgue público e crítica.

Olhando para os últimos quatro anos e vendo os filmes que abriram o festival, é interessante notar que ainda que a moda não seja o foco número um desses longas, ela tem um papel de extrema relevância nos filmes, quase como se fosse um personagem a mais da história. Isso me faz pensar que, conscientemente ou não, Cannes bota pra gente ver uma coisa que já tá aí borbulhando faz tempo: a moda tá cada vez mais relacionada a outros aspectos e áreas da nossa vida.

Se a gente parar pra olhar bem, nos últimos anos a moda tem andado ainda mais de mãos dadas com diversas outras áreas, como a arte, a música, a decoração… Isso já acontecia antes, é claro, mas acho que quanto mais globalizada e democratizada a moda vai se tornando, ela acaba influenciando (e sendo influenciada) por outros campos. É aquela velha e sábia ideia de sempre lembrar que a moda é muito mais ampla do que pode parecer a primeira vista já que tá intrinsecamente relacionada ao novo.

E pra quem ficou curioso sobre quais foram esses tais filmes que abriram o festival em 2014, 2013, 2012 e 2011, fiz um pequeno resuminho abaixo sobre eles. Bora ver?

Cannes 2011 - Meia Noite em Paris | Woody Allen

O cenário de Meia-noite em Paris é tão maravilhoso que só pra admirar a cidade já valeria a pena assisti-lo, mas, como sempre, Woody Allen faz uma história que prende a gente do começo ao fim. O filme conta a história de um roteirista de Hollywood que está de férias em Paris com a família da noiva, e que não se cansa de passear pelas ruas da cidade se imaginando nos anos 20. E, claro, frequentando as festas, cafés e a vida noturna da cidade, acompanhado pelos grandes escritores desse tempo.

Só que aí chega uma noite em que seu desejo vira realidade e, como em um sonho, o protagonista volta no tempo e conhece F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso e todas essas pessoas que abrilhantaram os anos 20. A sinopse parece uma loucura e de fato é: uma loucura boa, deliciosa, que a faz a gente embarcar sem medo nessa década e querer viver lá também.

O figurino, principalmente o retratado nos anos 20, é uma delícia a parte. As roupas e acessórios usados por Marion Cotillard são de chorar de lindas e são obra da figurinista Sonia Grande que também trabalhou com o diretor em “Vicky, Cristina, Barcelona”.

Cannes 2012 - O Grande Gatsby | Baz Luhrmann

O Grande Gatsby já foi falado e refalado tantas vezes que mesmo ainda não tendo assistido o filme (o que vou fazer em breve agora que terminei de ler o livro), a impressão que tenho é que já conheço todas as cenas. Em termos de sinopse, essa não é a primeira vez que o livro de F. Scott Fitzgerald ganha uma adaptação para o cinema: ao todos foram cinco (!) versões que já apareceram nas telonas. Da mesma forma o figurino já foi extensamente falado, afinal, com tanta exuberância fica difícil isso não virar um tópico recorrente.

Nessa mais recente versão com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan, o figurino é tão importante quanto a história do filme. É ele quem dita o tom da Era do Jazz, é ele quem esparrama nas cenas toda a exuberância das festas de Gatsby, é ele quem – sob a batuta de Miuccia Prada e Catherine Martin – rouba a cena. Vale lembrar ainda que ele foi o vencedor do Oscar de melhor figurino e que é de se perder de vista o tanto de editoriais e coleções que foram lançados inspirados em suas roupas e acessórios.

Amor, loucura, festas e um guarda-roupa poderoso: é claro que isso ia dar certo.

Cannes 2013 - Moonrise Kingdom | Wes Anderson

Moonrise Kingdom é de uma estética tão linda que fica até difícil botar em palavras toda essa atmosfera do filme. As cores, as angulações da câmera, a trilha sonora e, é claro, o figurino, que aposta muito intensamente nas cores para criar uma clima de sonho, de filtro vintage, fazem a gente mergulhar sem volta nesse filme. Eu confesso que não conheço muito da filmografia do Wes Anderson, mas depois de ver esse filme aqui, fiquei doida de vontade de ver Os excêntricos Tenenbaums e seu novo longa, o Grande Hotel Budapeste.

Aqui em MK, a história se passa em torno de duas crianças de 12 anos que se apaixonam, passam a se corresponder por carta e decidem fugir sozinhas para uma ilha. Wes Anderson e Roman Coppola, que ajudou no roteiro do filme, conseguiram transformar os personagens Suzy (Kara Hayward) e Sam (Jared Gilman) em criaturas que misturam ingenuidade e doçura com uma sabedoria muito além da sua idade. Além disso, o charme que esses pequenos atores conseguiram imprimir aos seus papeis somado ao elenco de peso que estrela a história, combinam tão perfeitamente com essa estética do filme que a gente termina de assistir suspirando e querendo mais.

Cannes 2014 - Grace de Mônaco | Olivier Dahan

Espero que Grace de Mônaco chegue logo nos cinemas daqui, porque além de prometer um figurino deslumbrante, o filme já chega com ar de mistério. Acontece que desde quando foi lançado, Grace de Mônaco virou uma grande polêmica: a família real de Mônaco não apoiou o lançamento do filme, alegando que toda sua história é uma grande farsa.  Vale entender que o longa aqui não conta toda a história de Grace, mas sim um momento muito específico da sua vida quando Hollywood e a vida de princesa se viram confrontadas. Toda essa confusão com a família real, no entanto, parece não ter abalado em nada a decisão de Cannes, que manteve sua ideia original de colocá-lo como filme de abertura desse ano. O que só resultou em ainda mais polêmica, já que diante disso a família real resolveu boicotar sua presença no evento.

Bom, tretas à parte, pelo menos no que se trata de figurino a gente pode ter certeza que tudo aqui é muito real. Praticamente todas as marcas que foram usadas por Grace abriram suas portas e emprestaram suas criações para serem usadas no filme: Hermes com sua bolsa Kelly e seus lenços de seda, Chanel com um terninho feminino e Jimmy Choo e Salvatore Ferragamo com sapatos. Além disso, o filho do chapeleiro oficial da princesa confeccionou chapéus especialmente para o longa e vários outros vestidos foram criados tomando-se como inspiração o estilo de Grace. Ou seja, vale ficar na torcida para que a história de fato empolgue tanto quanto o figurino.

A título de curiosidade, pra quem quer saber mais detalhes sobre Cannes e entender também porque não devemos traçar comparações entre ele e o Oscar, vale muito a apena ler esse texto aqui.

E por hoje é só.

Bisous, bisous e bom filme pra você que se empolgou com algum dos longas daqui do post :)

And the Oscar goes to… #aquecimentoOscar

Chegou o grande dia! Vamos fazer nossas apostas e nos preparamos para a premiação – e também para o red carpet – com todas as comidas, bebidas, companhias e a torcida, claro, que a gente merece. Eu vou ver tudinho da premiação junto com os amigos e o namorado, mas ficarei dando meus pitacos lá pelo twitter (@paulinha_v). Quem quiser acompanhar, tá mais do que convidado.

Enquanto isso, pra quem perdeu a maratona #aquecimentoOscar aqui do blog ainda dá tempo de conferir o que rolou. Então, vamos lá…

Poster do 85° Oscar que relembra de uma maneira super original quais foram os vencedores (de acordo com o ano de lançamento) das edições passadas. E a última, quem será que irá ocupar? A gente fica sabendo essa noite :)

Poster do 85° Oscar que relembra de uma maneira super original quais foram os vencedores (de acordo com o ano de lançamento) das edições passadas. E a última posição quem será que irá ocupar? A gente fica sabendo essa noite!

O primeiro post falou sobre nada mais, nada menos que os melhores looks de red carpet. Na minha humilde opinião, é claro. Pra quem adora essa parte, – confesso que apesar de gostar, sou muito mais a hora da premiação – lá no instagram da Oficina de Estilo tão rolando umas postagens bem legais com os looks que mais fizeram até hoje nosso olho brilhar. Vale a pena conferir :)

Teve também um post sobre umas fotos tiradas de Audrey Hepburn e Grace Kelly nos bastidores do 28º Oscar. Deu até pra relembrar quando as duas ganharam por melhor atriz, e se emocionar um tanto sem fim com a reação que elas tiveram.

Já nos preparativos para o Oscar desse ano, teve esse texto aqui sobre os filmes que estão concorrendo na categoria de melhor figurino. Os comentários são bem pessoais, mas como esse ano consegui ver todos dessa categoria fiquei empolgada de meter meu bedelho e falar o que penso #souenxerida.

E por último, mas nem de longe menos importante, um post com as premiações que tiveram os discursos/reações mais legais. Vai de Halle Berry até Anna Paquin.

Então, é isso. Um bom Oscar pra todo mundo e que os nossas apostas vencem (to participando do bolão da editora e to empolgada hahaha).

Bisous!

O melhor do red carpet #aquecimentoOscar

Esse mês tem nada mais nada menos que a premiação mais aguardada do cinema… o Oscar! Dia 23 vai estar todo mundo grudado na telinha da TV – ou do computador, no meu caso – acompanhando o tapete vermelho e as premiações da noite. Mas enquanto esse dia não chega, dá pra assistir os indicados (to atrasada na minha lista desse ano, poft), fazer suas apostas e também um aquecimento pra premiação! Por isso, até dia 23 de fevereiro vou fazer uma série de posts aqui no blog que falem sobre o Oscar, seja o de 2013 ou de anos passados. Eles vão ficar todos na categoria Cineminha, a qual eu espero que cresça muito esse ano porque quero falar bastante de cinema por aqui.

Então, pra inaugurar essa série eu decidi começar pelo lado mais modístico da coisa: o red carpet. Com uma mega ajuda do The New York Times, fiz uma seleção de trajes que arrasaram – junto com suas respectivas moçoilas (haha) – no tapete vermelho. E olha o tanto de roupas e pessoas inspiradoras que já passaram por esse tapete desde 1997!

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Começar logo causando polêmica, já que esse vestido da Gwyneth Paltrow é ame-o ou odeie-o, assim mesmo sem meio termo. E eu amo. Penso aqui comigo que se fosse em outra pessoa talvez não tivesse o mesmo efeito, ainda mais com essa mistura de ‘vim do futuro’ com ‘sou uma deusa grega’ haha. Mas ela segura tão bem a pose que quando olho pra essa capa imagino ela deslizando pelo tapete e não andando. E afinal, red carpet bom é red carpet em que alguém se arrisca. E nesse quesito, Gwyneth arrasou!

  • Desde o ano passado, Ryan Murphy – o cara que escreveu a série Glee – tá em negociações com a Sony pra escrever uma série de comédia musical com um elenco de estrelas invejáveis, do tipo Cameron Diaz, Beyoncé, Andy Samberg e… Gwyneth Paltrow e Reese Witherspoon.

reese-witherspoon-oscars-2007-08

Reese Witherspoon pode até não ter feito muita graça no cabelo, mas o vestido compensou. Vestidos com camadas tem uma linha ali bem tênue entre ficarem lindos e horríveis, mas esse tá super bem dosado! E elas vão aumentando e virando uma cauda toda em degradê, – o que eu acho bem fora do óbvio de tudo que a gente costuma ver em tapete vermelho – mas sem ser over demais. Lindo e original.

  • Naquele mesmo ano de 2007 quando Reese Witherspoon apareceu no Oscar com seu super Nina Ricci, uma atriz deu as caras no red carpet com um Balenciaga pra ninguém botar defeito – e que em 2012 teria uma versão bem parecida, mas dessa vez em pink, usada por Emma Stone. É claro que estamos falando de… Nicole Kidman.

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Gorgeous! Define bem o modo como Nicole Kidman apareceu nesse red carpet. Acho a silhueta e o caimento do vestido – ainda mais em vermelho – deslumbrantes. E aí pra dar um tchan na produção, tem esses “detalhess” do laço e do véu (?). Nem tão clássico e nem tão diferente.

  • Nicole Kidman tá entre uma seleta lista de mulheres que já conquistaram a estatueta de melhor atriz no Oscar – nesse caso por “As Horas”, em 2002. Além dela, uma outra ganhadora desse prêmio faturou a estatueta não uma, mas duas vezes! A primeira por “Meninos não choram”, de 2000, e a segunda por “Menina de ouro”, em 2005. Essa façanha só podia mesmo ter vindo de Hilary Swank.

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Como não amar esse decote nas costas de Hilary Swank? Particularmente, eu sou fã declarada de costas abertas. Acho elas sexys pra dedéu e de um jeito nada óbvio. Tipo, não é aquele decotão na frente feat fenda do vestido. É todo o poder disso daí de uma maneira bem mais elegante e misteriosa.

  • Hilary Swank nasceu em 1974, mais precisamente no dia 30 de julho. Outra atriz que nasceu nesse mesmo, só que em 28 de abril é Penélope Cruz.

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Penélope Cruz é uma das poucas que sempre se veste incrivelmente bem no tapete vermelho. Muita gente elege a escolha dela de 2007 como um dos vestidos mais lindos de todos os tempos do Oscar. Longe de mim discordar disso, mas aqui tá a prova de que bem antes disso ela já deixava todo mundo suspirando quando chegava pra premiação.

  • Penélope Cruz é adepta de uma dieta que agora tá fazendo sucesso no Brasil, a Dukan, – o nome vem do inventor dela, o nutricionista Pierre Dukan – mas que lá fora já era bem conhecida. Baseada em uma alimentação rica em proteínas e que promete um emagrecimento rápido (sou sempre pé atrás com essa história de emagrecimento rápido, mas enfim), além de Penélope, a Dukan também era feita por… Jennifer Lopez!

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Eu adoro esse vestido porque 1) todo mudo esperava a Jennifer Lopez em algo super sexy, cheio de fendas e decotes, mostrando bem essa sensualidade que só ela tem. Mas aí ela vai lá e quebra com as expectativas de todo mundo mostrando que não é bem assim. 2) O vestido não precisa de muito esforço pra ser querido. Acho ele clássico, porém adicionado de toques rycos lá em cima. Engraçado que eu poderia esperar tudo dela, menos uma beleza clássica como essa que ela mostrou. E adoro quando as pessoas surpreendem no quesito roupa.

  • Em 1998, Jennifer Lopez emprestou sua voz para a animação “Formiguinhas Z”, onde dublou a personagem Azteca. Anos mais tarde, mais precisamente em 2006, um outro filme de animação sobre formiguinhas, “Lucas, um intruso no formigueiro”, tinha como dubladora da personagem Hova, tchan tchan… Julia Roberts!

Jerzy Dabrowski Celebrity Archive

Julia Roberts foi para a premiação de 2001 – onde faturou a estatueta de melhor atriz pelo filme “Erin Brockovich” – com um vestido vintage preto e branco Valentino de 1982. Um clássico de fazer o coração disparar.

  • Julia Roberts é a garota propaganda do perfume da Lâncome “La vie est belle” (A vida é bela), mas não é a única a emprestar seu rosto – e sua beleza – para a imagem de um perfume. Outra que fez o mesmo, mas dessa vez com o “Manifesto” da Yves Saint Laurent, foi Jessica Chastain.

Jessica Chastain

E pra fechar com chave de ouro, Jessica Chastain em um maravilhoso Alexander McQueen (sintam o tanto de redundância que tem nessas últimas palavras). Se eu tivesse que escolher apenas um vestido pra eleger como meu predileto do Oscar, por mais difícil que fosse essa decisão, não teria como esconder meu amor por esse aqui. Adoro o modo como ele abre da cintura para baixo (sem ser super rodadão) e acho impactante esses desenhos dourados que contrastam com o fundo preto. Tem a cara do McQueen em cada milímetro dele. <3

  • E adivinhem? Jessica Chastain foi cotadíssima para o papel de uma cientista mega inteligente em “Homem de Ferro 3”. Apesar da participação não ter rolado, a série “Homem de Ferro” teve a presença de uma outra atriz muito famosa desde seu primeiro filme.

Beijo pra quem chutou Gwyneth Paltrow!