TAG: com que filme eu vou

Desde que eu descobri a newsletter da Anna, fiquei completamente viciada em todos os lugares que ela escreve, incluindo o seu blog, o So Contagious, de onde eu descaradamente roubei essa tag aqui. Ela é uma tag de filmes e vocês sabem como eu amo falar sobre isso (ainda que meu desafio do “1001 filmes para ver antes de morrer” esteja estacionado há milênios no vídeo de apresentação).

Pois bem, quero voltar em breve aqui pra indicar decentemente a newsletter dela e de algumas outras meninas maravilhosas que venho acompanhando, mas, por ora, vamos falar de filmes pra assistir nas mais diferentes situações, fechado? Já aviso que eu fiz uma pequena misturinha e respondi algumas categorias de forma mais geral e algumas de forma bem pessoal. Espero que não tenha ficado confuso.

1. Um filme para assistir sozinha: 

Noah Baumbach (2012)

Eu não sei nem como classificar um filme como Frances Ha. Ele é leve, mas tem momentos de tensão também. É engraçado, mas me fez sentir um aperto no peito em vários cenas. É sobre uma história quase que banal, mas que ganha uma profundidade gigante ao longo da seu desenrolar. Definitivamente, algo difícil de classificar.

O que dá pra dizer é que Frances Ha é um filme que te faz mergulhar dentro dele e experimentar diversos sentimentos diferentes. E acho que filmes assim, quando vistos sozinhos, tornam a experiência ainda mais intensa, mais transformadora. Vale a pena ver aproveitando cada cena, cada momentinho de beleza que ele tem.

Sei que vocês não vão se arrepender.

2. Um filme para assistir quando está chovendo: 

Giuseppe Tornatore (1988)

Cinema Paradiso, além de ser um dos meus filmes preferidos da vida, tem aquele tipo de história impossível de não emocionar o mais duro dos corações. Tenho pra mim que a melhor forma de assistir a esse filme é em um dia chuvoso, debaixo das cobertas, comendo muita pipoca e chorando e rindo sem pudores em cada uma das suas cenas maravilhosas.

Ele foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1990 e, no fundo, ele nada mais é do que uma grande ode ao cinema, a todas as suas histórias e a toda a sua importância na vida das pessoas.

De uma delicadeza e inocência gigantes, tem aqui o trailer do filme pra quem quiser dar uma olhadinha.

3, Um filme para te fazer dormir: 

Ti West (2012)

Eu sou fã assumida de histórias de terror/suspense. Assisto tudo que vocês possam imaginar de filmes nessa categoria, indo dos clássicos aos blockbusters e passando ainda por aqueles filmes lado B mega trashs que quase ninguém nunca escutou falar.

Tem muita porcaria no meio? Claro que tem. Mas é uma alegria muito grande (meio creep isso, eu sei haha) quando a gente acha um bom filme na categoria, desses que tem uma história sólida, um enredo bem amarrado e que não menospreza a inteligência do espectador. E sim, era exatamente tudo isso que eu tava esperando quando fui assistir esse filme aqui.

Além de Hotel da Morte ser do Ti West, um dos diretores de terror mais aclamados dos últimos anos, os elogios ao longa foram bastante impressionantes. A crítica especializada amou o filme e eu fui com as minhas expectativas lá em cima pra assistir aos seus 90 minutos de história. Bom, vocês já podem imaginar que eu tive um tombo daqueles, né? Aliás, não só eu, mas praticamente todo mundo que foi assistir, já que esse é um daqueles clássicos filmes que agrada muito ao pofissionais de cinema, mas que deixa nós, meros mortais, sem entender o porquê de tanto alvoroço.

Pra piorar a situação o filme tem um ritmo extremamente lento, mas assim, extremamente lento mesmo. E não de um jeito interessante, que cria um terror psicológico na gente. Na real é de um jeito que faz todo mundo morrer de sono e nem se importar em saber o que vai acontecer no final da história.

4. Um filme para assistir bêbada:

Seth Rogen e Evan Goldberg (2013)

Esse filme tem tantas coisas bizarras acontecendo ao mesmo tempo que deve ser muito maravilhoso assisti-lo estando bêbada. A bem da verdade, o roteiro dele é tão doido que pode muito bem ter saído de uma noite de porre do Jay Baruchel e do Seth Rogen. Posso até imaginar eles muito loucos, contando um para o outro sobre um monte de histórias doidas sobre o fim do mundo, até que de repente alguém fala “imagina se isso virasse um filme!”.

Pronto, tava aí a chance desses caras (e mais James Franco e toda essa turminha de sempre) usarem um pouquinho do dinheiro que eles tem pra fazerem um filme doido, sem compromisso algum, mas que no fundo é uma zoeira com eles mesmos e com todos os filmes que eles já fizeram. E tudo isso com participações de um monte de gente famosa, como Rihanna e Emma Watson.

5. Um filme para passar enquanto você está fazendo outra coisa:

Gil Junger (1999)

Vejam bem, 10 coisas que eu odeio em você é um filme adorável. Além de ser um dos melhores romances teenagers já produzidos, ele tem uma cena musical impagável, com Heath Ledger cantando e dançando Can’t Take My Eyes Off You. Só que como esse é um filme que todo mundo já viu incontáveis vezes, seja por vontade própria ou por ele sempre passar na TV, a gente praticamente já decorou as cenas, as falas e toda a sequência da história (tudo bem, essa parte eu devo estar falando apenas por mim haha).

Anyway, o filme é ótimo pra quando a gente tá arrumando a casa, ou cozinhando ou fazendo qualquer outra coisa do tipo. Quando rola um tempinho, é só olhar pra tela que a gente ainda sabe o que tá acontecendo.

6. Dois filmes para serem assistidos em sequência:

William Wyler (1953)

Blake Edwards (1961)

A escolha mais óbvia pra essa categoria seria é claro a de colocar uma sequência de filmes, tipo “Meu primeiro amor” e “Meu primeiro amor – parte 2”. Mas, assim como a Anna fez, preferi optar por dois filmes que não tem relação direta entre si, mas que ainda assim tem um vínculo bastante forte. No caso, um vínculo chamado Audrey Hepburn.

O filme A Princesa e o Plebeu, de William Wyler, foi responsável pela estreia de Audrey nas telonas. Na verdade, ela até já tinha feito outros filmes antes, mas em papéis muito menores, o que tornava a princesa Ann de fato sua primeira protagonista. E a sua estreia foi tão triunfal que de cara Audrey conquistou um Oscar de melhor atriz. Além disso o filme é uma graça, cheio de delicadezas e cenas lindas de Roma, e a química entre Audrey e Gregory Peck é tão boa que você torce o tempo todo para que o dia de plebéia da princesa nunca mais termine.

Bonequinha de Luxo, em contrapartida, mostra um outro lado da atriz. O filme foi a consagração da carreira de Audrey e transformou a sua personagem em uma referência atemporal para diversas garotas que se apaixonavam por seu tubinho preto e seu colar de pérolas.

Assistir os dois filmes em sequência, além de ser delicioso, mostra a evolução de uma das atrizes mais incríveis que Hollywood já teve, em dois momentos chaves que fizeram a imagem de Audrey perdurar como um ícone ate hoje. É legal ver essas diferenças e, claro, aproveitar dois filmes tão lindos e com histórias tão envolventes.

7. Um filme para (não) assistir com o namorado:

Tom Hooper (2012)

Foi bem difícil pensar em um filme pra essa categoria, especialmente porque nos meus quase sete anos de namoro com o Di, a gente já assistiu filmes de tudo quanto foi tipo, desde os que eu morri de rir, morri de chorar ou morri de tanto tomar susto.

Sendo bem pessoal nessa resposta, acho que o único filme que eu não veria (e de fato não vi, já que nem ele e nem nenhum dos meus amigos quis assistir ao filme comigo e eu acabei indo ao cinema sozinha) é Os Miseráveis do Tom Hooper. Nem tanto por ele não se interessar pela história, mas pura e simplesmente pelo fato de que Os Miseráveis é um musical e Diego tem zero de paciência com musicais (na verdade só os de cinema, os de teatro ele gosta).

Eu, em compensação, indico fortemente esse filme haha. Ele é maravilhoso do começo ao fim, tem cenas super fortes e conta uma das histórias mais maravilhosas que eu já vi, que se passa ao longo da Revolução Francesa. Sou doida pra ler o livro também, que é do escritor francês Victor Hugo.

8. Um filme para assistir com amigos:

Christopher Smith (2009)

Eu falei que sou a doida dos filmes de terror/suspense, né? O que talvez eu não tenha falado é que eu tenho uma turma de amigos tão louca quanto eu por filmes desse tipo. E Triângulo do Medo foi um dos melhores longas que a gente já viu juntos!

No começo ele até parece ter uma história de suspense qualquer, mas conforme o filme vai se desenrolando a gente vai percebendo que as coisas não são bem assim, e que existem diversas teorias e caminhos malucos que ele toma e que contradizem tudo aquilo que a gente imaginava que era certo.

Sério, se você tem amigos que também gostam de longas de suspense, vocês precisam assistir esse filme aqui juntos! Tenho certeza que vocês também vão ficar discutindo sobre todas as possibilidades malucas que vão surgindo (durante e mesmo depois do filme acabar) e debatendo qualquer detalhezinho que aparece na tela – e que pode mudar a história toda.

9. Um filme para assistir com a sua mãe:

Brian Percival (2014)

Mais uma resposta pessoal hehe. Talvez A Menina que Roubava Livro não seja o filme mais indicado pra essa categoria, mas como eu assisti ele no cinema com a minha mãe e nós duas gostamos do filme e ficamos um tempão conversando sobre tudo que aconteceu, foi inevitável que ele fosse o primeiro longa a aparecer na minha cabeça.

O filme é inspirado no livro homônimo escrito por Markus Zusak e é contado do ponto de vista da Morte, que observa os passos dados pela garota Liesel Meminger durante a Segunda Guerra Mundial. Eu já o tinha lido muito antes do filme, o que me fez ir preparada emocionalmente para o cinema. E, claro, não adiantou nada. Ainda que o filme não tenha a mesma profundidade do livro, ele é bastante triste e poético, e mexeu muito com a gente. Sabe filme que faz você ficar pensando nele um tempão mesmo depois que a sessão terminou? Esse daqui é um deles.

10. Um filme para assistir com o seu pai:

Steven Soderbergh (2001)

Eu tenho bastante certeza que Onze Homens e um Segredo é o típico filme que meu pai adoraria assistir. Ele tem todos os pontos fortes dos filmes de ação, tem bons atores no elenco e tem uma história bastante interessante, que prende a gente do começo ao fim.

Ainda que eu não seja fã dos filmes do gênero, esse é um dos poucos que eu adoro. Acho o máximo esses filmes de ação que têm planos inteligentíssimos por trás (na história, 11 ladrões especialistas em diferentes áreas arquitetam um plano para assaltar três grandes cassinos de Las Vegas na mesma noite).

O filme, aliás, teve duas continuações: o Doze Homens e Outro Segredo, lançado em 2004, e o Treze Homens e Um Novo Segredo, de 2007, ambos também do Steven Soderbergh.

 

E vocês, o que indicariam em cada uma dessas categorias?

Bisous, bisous e até amanhã!

Os filmes que concorreram na categoria de melhor figurino do Oscar

Eu sei que o Oscar já passou, mas, mesmo tendo feito dois posts de aquecimento aqui no blog, ainda assim quis voltar e escrever sobre os filmes que concorreram na categoria de melhor figurino. Isso porque, como vocês sabem, eu sempre faço uma maratona com todos os indicados, e ainda que esse ano eu tenha ficado um pouco decepcionadas com a lista no geral, achei que especialmente nessa categoria os concorrentes estavam muito fortes.

Os cinco filmes desse ano além de serem muito originais em seus figurinos (mesmo quando a história já era uma velha conhecida nossa), utilizaram-se de tecidos, técnicas, recursos, histórias e contextos muito diversos para criarem suas roupas. Ainda que Mad Max tenha sido o grande vencedor da categoria, em aspectos diferentes, todos foram muito geniais. Portanto, aqui embaixo falei sobre os cinco incríveis longas que concorreram a melhor figurino do Oscar, contando um pouquinho sobre sua história e todo o processo de criação de suas roupas e acessórios.

Adaptado pelo direto Todd Haynes do livro de mesmo nome da autora Patricia Highsmith, Carol se passa na Nova York dos anos 50, quando duas mulheres muito fortes e independentes, mas que possuem estilos de vida e idades completamente diferentes, se conhecem e se apaixonam.

Além de duas protagonistas maravilhosas, – Cate Blanchett (Carol) e Rooney Mara (Therese) – o filme tem ainda por trás de si a mão de Sandy Powell, uma das maiores figurinistas de Hollywood. Profissional tarimbada no Oscar, ela já teve 14 filmes indicados à estatueta de melhor figurino, tendo sido três vencedores: Shakespeare Apaixonado de 1998, O Aviador de 2004 e a Jovem Rainha Vitória de 2009.

Logo que a gente vê os primeiros looks de Carol e Therese, já conseguimos perceber que o guarda-roupa das duas é muito diferente, ainda que ambos representem estilos que se sobressaíram na década de 50. Em uma entrevista para a Variety, Sandy contou, por exemplo, que ainda que ela seja uma grande fã de cores chamativas, os figurinos das duas são no geral de tons sóbrios e frios, sendo assim mais fiéis à época e lugar onde a história se passa.

Enquanto Carol, uma mulher experiente e rica, veste roupas e acessórios mais glamourosos, como casacões, conjuntinhos, jaquetas trapézio, lenços e óculos estilo gatinho, Therese tem um estilo mais simples, com pouca mistura de tecidos ou volumes. Ainda que eu tenha ficado apaixonada pelo figurino de Carol, que tem uma vibe bem lady like, achei superinteressante o fato de que as roupas de Therese foram todas garimpadas em brechós. Pouco se ligou para etiquetas ou nomes de marcas famosas no figurino do filme, porque o intuito foi mesmo o de resgatar a moda da época da forma mais literal possível.

Concorreu também nas categorias de: melhor atriz (Cate Blanchett), melhor trilha sonora, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara)

Um dos filmes mais badalados da noite, especialmente por ter sido o responsável por Leonardo DiCaprio finalmente levar uma estatueta para casa, O Regresso (The Revenant, em inglês) é do diretor Alejandro González Iñárritu. Baseado em eventos reais, ele conta a história de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um caçador que parte numa expedição pelo deserto dos EUA, acaba sendo atacado por um urso, traído por um de seus companheiros e vendo seu filho ser assassinado.

Depois de quase morrer por ter sido largado para trás, Hugh parte atrás de John Fitzgerald (Tom Hardy) em busca de vingança, numa jornada épica, cheia de cenas sobre o poder da natureza e da força espiritual.

Com quase três horas de duração, o filme que foi gravado ao longo de nove meses na Argentina e no Canadá, em ambientes externos e apenas com luz natural, teve também seu figurino como um dos maiores trunfos para torná-lo o mais verídico possível. A grande responsável por tudo isso foi Jacqueline West, designer de moda e figurinista que já teve outras duas indicações ao Oscar pelos filmes Contos Proibidos do Marquês de Sade de 2000 e O Curioso Caso de Benajmin Button de 2008.

Apesar de ter me decepcionado um pouco com O Regresso, achei bastante curioso e incrível como Jacqueline conseguiu fazer de um filme que é completamente o oposto das grandes produções
luxuosas que muitas vezes concorrem nessa categoria, um longa que tem um figurino extremamente complexo, bem pensado e que retrata de maneira bastante fiel o ambiente e ritmo da história.

Li uma matéria no UOL que contava que para costurar as roupas, a figurinista se aprofundou em técnicas muito próximas as usadas pelos caçadores da época (1820), criando réplicas de processos feitos com intestinos secos de pequenos animais. Já para impermeabilizar os casacos, foi usado gordura animal misturada com terra, criando uma cor e brilho especiais às peças.

Um dos maiores destaques desse figurino foi com certeza a pele de urso usada por Leonardo DiCaprio em grande pate do filme. A pele era de verdade e quando molhada chegava a pesar mais de 45kg! Como ao longo do filme ela e todos os outros figurinos vão sendo envelhecidos, surrados e sujos, foram feitas várias réplicas do casaco, de forma a se obter uma para cada desventura passada pelo ator em cena.

Concorreu também nas categorias de: melhor filme, melhor design de produção, melhores efeitos viuais,melhor montagem, melhor ator codjuvante (Tom Hardy), melhor edição de som, melhor mixagem de som e melhor cabelo e maquiagem.

Vencedor nas categorias de: melhor diretor, melhor ator (Leonardo DiCaprio) e melhor fotografia.

Adaptado do livro homônimo escrito por David Ebershoff (que foi baseado nos diários da protagonista), A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, em inglês) conta a história do casal de artistas Einar Weegener (Eddie Redmayne) e Gerda Weneger (Alicia Vikander). A história se passa na Copenhagem dos anos 20 e ainda que romanceada, conta o momento em que durante o casamento dos dois, Einar toma consciência de viver em um corpo em que não se reconhece. É nesse contexto que surge então uma das primeiras transexuais da história a passarem por uma cirurgia de mudança de sexo.

Einar se transforma em Lili Elbe e, junto a isso, muda-se também seu comportamento, jeito de falar, traquejos, desejos e, claro, suas roupas. Com inspirações vindas de grandes nomes da moda na época, como Coco Chanel, Jeanne Lanvin e Paul Poiret, o figurinista Paco Delgado fez com que a transição de guarda-roupa de Einar para Lili fosse linda de se ver na medida em que refletia as próprias descobertas que a protagonista enfrentava.

Saem as roupas super ajustadas e austeras de Einar e entram em cenas as peças e tecidos fluidos de Lili. Ainda que aos poucos, o guarda-roupa da protagonista vai ganhando cores, volumes e formas diferentes, especialmente quando o casal se muda para Paris, um dos ambientes culturais e intelectuais mais efervescentes da época.

As pesquisas de Paco, – que também já foi indicado para a categoria de melhor figurino por Os Miseráveis, de 2012 – acabaram fazendo com que Edddie Redmayne não precisasse de enchimentos quando no corpo de Lili. Isso porque, seguindo a moda da época e os padrões de beleza impostos, os corpos das mulheres tendiam a ser mais retos, sem peças que marcassem seus quadris ou seios. Assim, Eddie usou apenas um espartilho para deixá-lo mais esguio e lânguido, dando ao ator mais movimento em cena.

Concorreu também nas categorias de: melhor ator (Eddie Redmayne) e melhor design de produção.

Vencedor nas categorias de: melhor atriz coadjuvante (Alicia Vikander).

Ainda que eu tenha ressalvas sobre essa adaptação que Cinderela ganhou no ano passado, a história da garota explorada pela madrasta que ganha uma noite de “princesa” graças a sua fada madrinha (Helena Bonham Carter), continua a conquistar diferentes gerações e é sempre muito bonitinha de se ver. O figurino, é claro, é uma paixão à parte, e pelas mãos de Sandy Powell (olha ela aí de novo!) fica ainda mais rico de referências e belezas.

As inspirações pra madrastá má (Cate Blanchett) e suas filhas (Holliday Grainger e Sophie McShera) tem claras influências dos anos 50, década de estilo bastante clássico e glamouroso, que deixava em bastante evidência a feminilidade da mulher. Os acessórios de cabeça, os vestidos armados, os tecidos leves e fluidos, e o corpo bastante marcado são características-mor da época e podem ser muito bem observadas nas três atrizes e em outras mulheres da alta sociedade (sic) da história.

Mas é claro que no conto de fadas de Cinderela, é seu sapatinho de cristal e sua roupa para o baile, – que em todas as suas versões sempre chamou muita atenção – as grandes estrelas do figurino. Para confecicionar o maravilhoso vestido azul que a menina vai à festa, Sandy criou uma das peças mais lindas e trabalhosas que lembro de ter visto no cinema até hoje.

A atriz Lily James, além de usar um espartilho para deixar seu corpo mais modelado, também usou uma estrutura de aço enorme para dar sustentação a sua roupa. E que roupa! Para confecicionar o vestido, foram usados centenas de metros de seda, dispostos em diversas camadas, com aplicações de cerca de 10 mil cristais Swarovski! E se não bastasse tanto luxo para uma só peça, ainda foram feitas 8 réplicas da roupa, com pequenas alterações em cada uma, para que o vestido se “adaptasse” a diferentes tipos de cena.

A cor da roupa, aliás, foi um dos detalhes mais pensados e discutidos ao longa da produção, já que o azul final do vestido deveria ser de um tom que reluzisse e se sobressaíse de uma maneira única no baile. Depois de muitas pesquisas, chegou-se finalmente a esse tom da imagem, que pra mim é um azul super onírico, bem cor de conto de fadas mesmo.

Salvo todas essas belezes da produção, apenas um detalhe parece ter “manchado” um pouco o tão maravilhoso figurino da história: a cintura finíssima com que a a atriz Lily James apareceu na cena do baile. Essa questão foi duramente criticada pelo público, que acusou o longa de celebrar um padrão irreal e preocupante de corpo para milhares de crianças e jovens. Mesmo com a fugirinista Sandy Powell e a própria Lily dizendo que a cintura da cena foi apenas um efeito de ilusão de ótica do vestido e não o resultado de uma intervenção de photoshop, a polêmica demorou muito tempo para acabar.

O filme não concorreu em outras categorias.

O grande vencedor de melhor figurino da noite (e que ganhou mais cinco estatuetas) foi um dos meus filmes preferidos do ano passado. E confesso que por mais que eu achasse que Spotlight levaria a estatueta de melhor filme pra casa (acho que ele tem a “cara” típica dos filmes que o Oscar premia), lá no fundinho eu desejava muito que Mad Max ganhasse essa também.

Gravado todo no deserto da Namíbia e com direção de George Miller, o filme se passa em um futuro pós-apocalíptico em que além de haver muitas guerras, intempéries e pobreza, a água se tornou um bem bastante escasso. Para fazer jus aos personagens bastante únicos, cada figurino foi pensado de maneira diferente, nos mais ínfimos detalhes, e produzido com materiais nada convencionais.

Couro, plástico, pedaços de bonecos e celulares, medalhas e partes de carros e talheres (!) são alguns dos elementos que compõem as roupas do elenco. A figurinista Jenny Beavan, que já foi indicado outras nove vezes ao Oscar e foi vencedora em 1985 pelo filme “Uma Janela para o Amor”, foi a responsável por montar roupas que além de mostrarem todas as agruras sofridas, como sujeira, desgaste e doenças, ainda fez com que elas conversassem com a história de cada personagem.

Furiosa (Charlize Theron), por exemplo, é uma das personagens mulheres mais fortes que já vi no cinema (alguém me explica por que ela não foi indicada a melhor atriz?!) e suas roupas e acessórios foram todos pensados para tornar sua imagem ainda mais forte e destemida, deixando de lado toda e qualquer feminilidade. O próprio Mad Max (Tom Hardy) é bastante inspirado no primeiro herói da franquia, só que aqui em uma versão ainda mais desgastada; e o vilão-mor da história, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), carrega uma das peças mais chocantes e imponentes do filme: uma máscara que o permite respirar e que imita a arcada dentária de um cavalo.

Existem ainda os The War Boys, quem tem na sua maquiagem um dos elementos mais marcantes do longa (outra categoria, aliás, na qual o filme foi vencedor), e claro, as esposas de Immortan Joe, que são um choque de beleza e frescor e que usam tecidos leves, claros e fluidos.

Ou seja, um filme que definitivamente levou a excelência de seu roteiro para cada um dos trajes que fez.

Também concorreu nas categorias de: melhor filme, melhor diretor (George Miller), melhor fotografia e melhores efeitos especiais.

Também ganhou nas categorias de: melhor design de produção, melhor montagem, melhor cabelo e maquiagem, melhor mixagem de som e melhor edição de som.

BIsous, bisous

Meus filmes preferidos de Natal (e que não são sobre o Natal)

É claro que eu também adoro os filmes Esqueceram de Mim e O Estranho Mundo de Jack. Mas ainda que inevitavelmente eu os assista no Natal, já que alguns canais vão fazer questão de transmiti-los ou eu simplesmente fique embriagada pelo clima e queira ver algum filme com essa temática, os meus filmes preferidos dessa época são outros.

A real é que eu levo muito a sério o final de ano. Eu festejo, descanso e me divirto, mas passo de verdade por um processo de renovação. Eu me jogo de verdade nesse lance de repensar o ano que está acabando, de fazer planos e metas para o ano que está por vir e de sentar a bunda na cadeira e ter um momento só meu pra pensar e repensar na vida. E, nesse momento, eu preciso estar cercada de alguns filmes especiais que signifiquem coisas diferentes e importantes pra mim.

São filmes que me abraçam, que me fazem pensar em coisas, que me deixam mais madura, mais esperta, mais sentimental, mais feliz. E que pra mim combinam demais com essa época tão magica e deliciosa.

Não existe uma lista certinha, mas resolvi reunir cinco desses filmes aqui (os cinco que eu vi ou planejo ver até dia 31, agora nesse ano) e que representam tudo isso pra mim.

Coincidentemente alguns deles têm um pouquinho de Natal também: Quase Famosos começa com uma cena que se passa nessa época, e Edward Mãos de Tesoura e As Vantagens de Ser Invisível têm cenas que se passam na noite de Natal.

Fiquem a vontade pra contarem nos comentários quais são seus filmes preferidos dessa época e que, claro, não precisam ser sobre o Natal. Vou adorar ter sugestões para os próximos anos.

As Vantagens de Ser Invisível

“Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer.”

Um dos poucos filmes que faz jus ao livro que lhe deu origem, As Vantagens de Ser Invisível tem o trio de atores mais fofos da história do cinema: Ezra Miller, que também arrasa em “Precisamos falar sobre o Kevin”, Emma Watson, que mostra mais uma vez que atriz maravilhosa que é, e Logan Lerman, que deu vida ao protagonista Charlie melhor do que ninguém.

Baseado no livro escrito por Stephen Chbosky (e que também é o diretor do filme), The perks of being a wallflower me fisgou desde a primeira vez que o vi. Não só pelas cenas e frases de efeito, mas por tratar com complexidade e profundidade problemas sérios, como deslocamento na escola, paixão, adolescência, amizade, bullyng e muito outros temas que eu não arrisco dizer aqui pra não dar spoiler caso você ainda não tenha assistido o filme.

Na história, Patrick acaba de começar o Ensino Médio, e o que prometia ser uma continuação dos anos de solidão do Ensino Fundamental se mostra diferente quando ele conhece um de seus novos professores, – que não apenas o incentiva nas leituras, como enxerga um potencial enorme no menino – e os irmãos Sam e Patrick, que o apresentam à uma turma de amigos e a uma nova visão sobre a escola, a adolescência e o amor.

Eu poderia enumerar muitos motivos pra você ver As Vantagens de Ser Invisível, mas vou focar em três principais: a identificação que você cria com os personagens em diferentes passagens da história, as referências literárias tão pertinentes e a trilha sonora maravilhosa, que vai de The Smiths a David Bowie.

Edward Mãos de Tesoura

” – O que aconteceu de errado com você?
– Estou inacabado.”

Esse filme é um clássico da Sessão da Tarde e uma amostra muito interessante de todo o lifestyle americano do final dos anos 80 e começo dos anos 90. O bairro que ele foi gravado, inclusive, já foi tema de um “links para toda hora” aqui no blog, e vale muito a pena dar uma olhadinha no post.

Edward Mãos de Tesoura conta a história de um inventor que resolveu criar a maior das invenções: um humano de carne e osso. Só que o inventor acabou morrendo antes de finalizar sua obra, e Edward, como o humano havia sido chamado, acabou ficando com tesouras no lugar das mãos.

Inacabado, Edward passou muitos anos sozinho, até que em um belo dia foi acolhido por uma mulher que o levou para morar na sua casa. Lá ele se torna a nova sensação do bairro e passa a descobrir um mundo completamente diferente, para melhor e pior, do que ele imaginava existir.

Acho Edward Scissorhands um dos melhores filmes do Tim Burton, assim como acho Edward um dos melhores papeis já interpretados por Johnny Depp. E não poderia classificá-lo de outra forma que não fosse “estranhamente encantador e estranhamente apaixonante”.

Tem que ver e se deixar ser abraçada pela sua história.

500 dias com ela

“Você deve saber de início que esta não é uma história de amor.”

Fazer uma comédia de amor que trate o tema com graça, leveza e, ao mesmo toda a profundidade que ele precisa, não é fácil. E isso tudo sem cair em clichês ou roteiros que nós já estamos cansados de ver por aí, é mais difícil ainda. Por isso que logo de início eu já gosto desse filme. Ele foge dos estereótipos de uma maneira inteligente, ainda que ele pareça ser um filme de amor como qualquer outro.

500 dias com ela conta a história de Tom Hansen (o maravilhoso Joseph Gordon-Levitt), um escritor de uma empresa de cartões que se apaixona perdidamente por uma das novas funcionárias do escritório, Summer Finn (a pouco bela Zooey Deschanel). De maneira não linear e muita profunda, nós vamos acompanhando o que aconteceu ao longo dos 500 dias em que eles estiveram juntos, e vamos entendendo também o que isso tudo ensinou para a vida de cada um deles.

Talvez um dos filmes mais inteligentes sobre relações amorosas que eu já assisti, e que não trata o espectador como bobo, 500 days of summer é um filme que mostra em lente de aumento os problemas e as delícias de se ter alguém que amamos na nossa vida. E que de maneira honesta retrata outro tipo de história de amor que existe, mas que os filmes do gênero quase nunca fazem questão de mostrar.

De Repente é Amor

“Se você não está disposto a parecer um idiota, então você não merece se apaixonar.”

Não quis colocar o trailer de A Lot Like Love aqui (eu amo a sonoridade desse título em inglês!) por um motivo muito simples: eu acho que ele não consegue mostrar nem 1% do quão maravilhoso ele é. Achei que fazia muito mais sentido colocar uma das minhas cenas preferidas, que mostra o quanto esse filme é original e encantador sem esforço, do que uma prévia mal feita da história. E ainda que ele não seja uma comédia romântica como 500 dias com ela que foge completamente dos estereótipos do gênero, De Repente é Amor consegue ser único e apaixonante do seu jeito.

A história aqui começa em um voo, quando as duas pessoas mais opostas da face da Terra se conhecem: Oliver, Ashton Kutcher, e Emily, Amanda Peet. Ele acabou de se formar na faculdade e tem um plano pronto para o resto da sua vida. Ela vive cada dia como se não houvesse amanhã e preza pela independência mais do que qualquer coisa.
Ainda que de uma maneira estranha, os dois descobrem que se dão muito bem juntos, mas ao final do dia, seguindo aquilo que cada um imagina para o seu destino, se despedem e partem para viverem suas respectivas vidas.

Ao longo dos próximos sete anos eles vão se encontrar esporadicamente, em fases completamente diferentes e em circunstâncias completamente malucas da vida, sendo muito mais importantes um para o outro do que poderiam imaginar.

É sim uma delícia de filme, é sim uma fase do Ashton Kutcher que eu gosto (antes, é claro, dele fazer Two and a Half Man), é sim um casal que a gente torce desesperadamente pra ficar junto e é sim um filme que eu tenho certeza que você vai amar.

Quase Famosos

“Meu bem, você é doce demais para o rock’n’roll.”

Fica difícil falar qualquer coisa sobre Quase Famoso porque eu já fiz um post gigantesco sobre ele no blog, porque ele é meu filme preferido da vida (e eu fico muito ansiosa com isso, querendo que vocês entendam tudo que ele representa pra mim) e porque ele tem também minha música preferida de todos os tempos, Tiny Dancer.

O fato é que Almost Famous é um filme mágico do começo ao fim. História biográfica do seu diretor, Cameron Crowe, o longa conta a história de William, garoto nerd e saco de pancadas do colégio, que vê seu sonho de vida virar realidade: ele é contratado para fazer um freela para a Rolling Stones, onde deve acompanhar a turnê da banda Stillwater (na vida real, a banda em questão era ninguém menos do que o Led Zeppelin) e fazer uma matéria sobre a vida do grupo na estrada.

Com um gravador à tiracolo, muita coragem e sem ter noção alguma do que estava à sua espera, William embarca numa jornada maluca, que o desilude um pouco dos seus ídolos, que o aproxima mais da vida real, que o ensina a ver as qualidades e defeitos de cada um e aprender a lidar com isso, e que muda a sua vida e um pouquinho da nossa também.

É uma história pra se emocionar mesmo, assim como um prato cheio pra quem ama rock, com músicas maravilhosas que vão desde a já citada Tiny Dancer do Elton John, até a própria Fever Dog do Stillwater.

Podem ver, ouvir e se apaixonar sem reservas.

Bisous, bisous

As estatuetas de Edith Head #aquecimentoOscar

Uma das maiores lendas do cinema e de toda a história de Hollywood, Edith Head não atou em frente às câmeras e nem mesmo coordenando o set. Com seus óculos de aro grosso, baixa estatura e franja simétrica, Edith trabalhou foi mesmo por trás dos cenários e produções, como a figurinista responsável por filmes produzidos na Paramount, onde ficou 29 anos, e na Universal, onde trabalhou os últimos 11 anos de sua vida. Ao todo ela teve 35 indicações ao Oscar e dessas, levou oito vezes a estatueta pra casa.

>> Para ver os croquis de Edith com mais detalhes, é só clicar na imagem que ela abre grandona! 😉

O primeiro Oscar de Edith veio com Tarde Demais, romance de 1949 que já estreou com gostinho de sucesso, afinal o casal principal era interpretado por Olivia de Havilland e Montgomery Clift, atores que já haviam sido indicados ao Oscar outras vezes (Olivia já tinha até levado uma estatueta pra casa) e que mais tarde se tornariam lendas do cinema por suas interpretações em “E o Vento Levou…” e “Um Lugar ao Sol”.

Até 1966 a academia premiava figurinos em duas categorias, os em preto e branco e os coloridos, e Tarde Demais concorreu entre os p&b. Os figurinos usados por Olivia, que no filme fazia o papel da pobre garota rica, solitária e tímida que descobria o primeiro amor, eram produções extremamente volumosas e cheias de babados. Roupas bastante austeras, que ainda seguiam a moda e os padrões da época de ouro de Hollywood. Para entender um pouco mais do espírito do filme, é interessante dar uma olhadinha no trailer criado para o longa, que é no mínimo bem bizarro.

Fiquei com essa sensação incômoda de que a prioridade foi mais de montar um “hall de estrelas de Hollywood” e uma história de amor quadradinha, do que a de realmente apresentar uma sinopse interessante para o público. E vale dizer: além do figurino em preto e branco, Tarde Demais ganhou o Oscar de melhor atriz, melhor direção de arte em preto e branco e melhor trilha sonora de comédia ou drama, e foi ainda indicado a melhor filme daquele ano.

A Malvada é até hoje um dos filmes mais importantes da história do Oscar. Ele teve 14 indicações à estatueta, um recorde que só foi igualado em 1997 por Titanic. O filme conta a história de uma aspirante à atriz de Hollywood que se torna auxiliar de uma estrela do cinema (a incrível Bette Davis) e passa a usar desse posto e da confiança das pessoas do ramo para alcançar a fama.

Eu nunca assisti esse filme, mas fico muito curiosa em fazê-lo porque ele se tornou um marco para o cinema, com uma história focada em poucos personagens e que se baseia principalmente em diálogos maravilhosos. Seu figurino empresta todo o charme e glamour de Hollywod e trabalha com terninhos e vestidos bem charmosos e exuberantes, principalmente os usados por Bette Davis. E, além de tudo isso, há ainda um detalhe muito especial nessa história: a atuação da linda Marilyn Monroe em um dos seus primeiros papeis importantes no cinema.

Além do Oscar de melhor figurino em preto e branco, a Malvada levou pra casa também as estatuetas de melhor filme, melhor direção, melhor ator coadjuvante (George Sanders), melhor som e melhor roteiro. Aqui tem o trailer pra quem quiser assistir.

Porque não basta ganhar o Oscar de melhor figurino em preto e branco por A Malvada. Edith Head é mesmo destruidora e vai lá e ganha também, no mesmo ano, a estatueta de melhor figurino colorido.

O responsável pela premiação foi o longa “Sansão e Dalila”, um filme bíblico e épico da história do cinema que também ganhou o Oscar nas categorias de melhor efeitos visuais e melhor direção de arte. É por aí que a gente vai vendo a importância dada a construção visual dessa história, que, afinal, tem mesmo uma imagem muito forte por trás de si devido ao período temeroso e conflitante em que se passa: o do Velho Testamento.

As roupas usadas no filme são de cair o queixo. Extremamente sensuais e suntuosas, tudo parece respirar riqueza, com joias em todos os detalhes.  Por essa imagem aqui, dá pra gente ter uma ideia…

Não é qualquer filme que recebe nove indicação ao Oscar e acaba levando seis estatuetas pra casa. Assim como também não é qualquer filme que consegue unir Montgomery Clift e Elizabeth Taylor como um casal-sensação parte de um triângulo amoroso. E olha que esses são só alguns dos motivos que fizeram de “Um Lugar ao Sol” um filme tão inesquecível, que vive servindo de referência e inspiração para outros longas.

Uma das coisas mais legais de behind the scenes de “A Place in The Sun (amo o som da pronúncia desse título em inglês!) é que foi nele que Edith e Elizabeth passaram a travar uma parceria que duraria para o resto de suas vidas.  Edith Head finalmente encontrou alguém que vestia suas criações como ninguém e Elizabeth Taylor achou uma profissional que entendia suas vontades como nenhuma outra pessoa antes fizera. A amizade entre as duas era tão grande que essa sintonia transpareceu também na tela: o vestido tomara que caia de tule branco desenhado pela figurinista e usado pela atriz se tornou uma das peças mais aclamadas da história do cinema.

Um Lugar ao Sol levou o Oscar de melhor figurino em preto e branco, melhor direção, melhor montagem, melhor fotografia em preto e branco, melhor trilha sonora de comédia ou drama e melhor roteiro. Aqui tem o trailer pra quem quiser dar uma olhadinha.

Já teve post aqui no blog sobre A Princesa e o Plebeu, esse filme gracinha que apresentou Audrey Hepburn ao mundo. O filme por si só tem uma história extremamente bonita e delicada, mas que se tornou ainda mais interessante com a presença da atriz novata que conquistou Hollywood num piscar de olhos.

No começo das gravações, Edith Head encontrou dificuldades nas roupas de Audrey: segundo a figurinista, a menina era muito peculiar e cheia de defeitos (!), possuindo seios muito pequenos, quadris estreitos, pés enormes e um pescoço muito longo, o que foi contornado com o uso de muitos lenços e golas altas nas gravações. Mesmo com esses “obstáculos”, a figurinista conseguiu deixar a atriz (ainda mais) deslumbrante, fazendo com que as roupas do filme não apenas acompanhassem a transição da princesa em plebeia, mas que se tornassem quase que um outro personagem da história.

A Princesa e o Plebeu tem um trailer tão bonitinho quanto o filme e ganhou o Oscar de melhor figurino em preto e branco, melhor atriz e melhor roteiro de história para cinema.

Se vestir Audrey Hepburn era realmente difícil para Edith Head, não foi isso que a impediu de fazer seu trabalho bem feito. Tanto que no ano seguinte a Roman Holiday, lá estava a figurinista ganhando mais uma estatueta por Sabrina, filme também estrelado pela atriz.

Vale lembrar, no entanto, que esse filme teve um toque de midas em seu figurino que foi além do talento de Edith, já que a bela Audrey contou com a ajuda do mestre Rubert de Givenchy para vesti-la. E que ajuda! Givenchy montou um guarda-roupa inteirinho para a atriz, fazendo uma parceria com Audrey que seria um sucesso em muitos de seus filmes, mas também fora das telas, onde a atriz sempre desfilava com roupas do estilista.

Sabrina portanto pode ter seus créditos divididos entre a dama do cinema, Edith Head, e o mestre da elegância, Hubert de Givenchy (apesar das más línguas dizerem que a figurinista ficou morta de raiva pela situação e nem dividiu a honra do Oscar com Hubert), mas também – e principalmente – pela construção da história que casa tão bem com os figurinos apresentados. Ainda que o enredo da “gata borralheira” possa ser batido, Sabrina não fica perdido no meio da multidão, e é esteticamente tão interessante quanto a delícia de história dirigida por Billy Wilder.

Sabrina concorreu nas categorias de melhor direção, melhor atriz, melhor fotografia em preto e branco, melhor direção de arte em preto e branco e melhor roteiro, e ganhou como melhor figurino em preto e branco. Aqui o trailer pra quem quiser assistir.

O Jogo Proibido do Amor parece ser uma comédia romântica divertidíssima de se assistir e foi o segundo filme em que Edith Head levou o Oscar de melhor figurino tendo Lucille Bal, nossa eterna Lucy de I Love Lucy, como protagonista.

Saem os vestidos cheios de firulas e entra um visual muito mais clean, mas nem por isso menos elegante, com conjuntinhos e pérolas roubando a cena. Eram os anos 60 começando e renovando os tipos de filmes que o cinema até então produzia e priorizava.

O Jogo Proibido do Amor foi indicado nas categorias de melhor canção, melhor roteiro original, melhor direção de arte em preto e branco e melhor fotografia em preto e branco, e ganhou a estatueta por melhor figurino em preto e branco.

Depois de uma sucessão de premiações ao longo de toda a década de 50 e começo da de 60, Edith Head teve um hiato de Oscars até 1974, quando com o filme “Um Golpe de Mestre” a figurinista voltou a brilhar. E brilhar de uma forma que antes nunca havia feito, afinal, foi deixado de lado os vestidos, as festas e toda a sua sabedoria sobre o guarda-roupa feminino, e colocado em cena os figurinos masculinos, já que Um Golpe de Mestre tem como personagens principais uma dupla de vigaristas.

A comédia que foi inspirada em fatos reais, apresentava um novo desafio para Edith, que apesar de já ter trabalhado incansavelmente com atores, tinha sempre atrizes como as grandes estrelas de suas produções. Eram sempre as mulheres que ditavam o tom do filme e era em seus figurinos que Edith podia sonhar e ousar.

Se reinventando, Edith criou figurinos impecáveis para Robert Redford e Paul Newman, recriando o espírito da década de 30 e reforçando personalidades e funções que cada um dos personagens cumpria dentro da dupla de trapaceiros.

Um Golpe de Mestre ganhou Oscar de melhor figurino (o cinema colorido havia se popularizado de vez e a academia não dividia mais a categoria), melhor direção de arte, melhor trilha sonora, melhor montagem, melhor roteiro original, melhor direção e melhor filme. Aqui tem o trailer pra quem quiser assistir.

 

Tão gostando do #aquecimentooscar, gente? Tô atrasada com as coisas que queria escrever aqui, mas prometo postar mais sobre o assunto ainda essa semana! E ah, quem ainda não viu, não esquece de dar uma olhadinha no primeiro post que entrou da série falando sobre os últimos curtas de animação que ganharam a premiação.

Bisous, bisous

The Movie Issue

Ontem a W revelou as sete capas que vão estampar sua edição de fevereiro e já podemos dizer que sim, 2015 começou bem para as revistas de moda.

Além dessa edição ser dedicada ao cinema e as personalidades que brilharam nas telonas em 2014, as fotos de capa são maravilhosas… Melhor dizendo, MARAVILHOSAS, em letras garrafais mesmo, porque elas merecem.

Emma Stone, minha capa preferida de todas, foi escolhida pela sua atuação em Birdman (com estreia prevista para 29 de janeiro aqui no Brasil). O filme teve sete indicações (número cabalístico, hein?) ao Globo de Ouro de 2015 e as críticas ao filme e principalmente a Emma têm sido tão maravilhosas, que minha vontade de assistir ao longa só cresce. Principalmente depois de ter visto essa cena aqui.

Benedict Cumberbatch e Keira Knightley estão no elenco de The Imitation Game, ainda sem previsão de estreia aqui no Brasil. O que muita gente já dá como certo é a indicação de Benedict para o Oscar de melhor ator, principalmente depois do sucesso que ele e o longa alcançaram no Festival de Toronto.

Eu confesso que não tinha me interessado muito pelo filme até assistir o trailer e ir procurar mais sobre a vida de Alan Turing, o matemático a quem Benedict dá vida no filme. Ele contribuiu tanto para a ciência da computação, teve um papel tão importante nos rumos que a Segunda Guerra Mundial tomou e foi tão duramente massacrado pela opinião pública por simplesmente ser quem ele era, que eu já criei uma puta admiração e respeito pelo cara.

Eu devo ser provavelmente a única garota que ainda não assistiu A Culpa é Das Estrelas, filme que fez Shailene estampar uma das sete capas da W [aqui o trailer]. Eu arriscaria dizer que ele foi um dos filmes mais vistos – se não dos mais vistos, mas com certeza dos mais comentados – do ano passado. O que não foi muita surpresa já que ele vinha sendo aguardado muito ansiosamente por meio mundo, desde que a notícia de que o livro viraria filme pipocou na imprensa.

Um dos motivos pra eu não ter visto o filme ainda é que eu fiquei com birra da Shailene desde aquele comentário infeliz que ela fez sobre feminismo. Tô, no entanto, tentando botar em prática o que aprendi com o Think Olga sobre sororidade e pensar que ela, assim como tantas outras meninas por aí, só propaga um discurso que foi mostrado pra ela desde sempre. Com a repercussão ruim que a declaração teve, me dá um pouco de esperança de que ela e quem mais diz isso tenha entendido que esse conceito de feminismo tá definitivamente errado.

A capa que traz Amy Adams (e que tá muito incrível) tem tudo a ver com o filme que a colocou aí: Big Eyes, o novo longa-metragem de Tim Burton, que chega aqui no Brasil dia 29 de janeiro.

Desde que eu vi o trailer do filme, fiquei numa ansiedade level hard, afinal Tim Burton é um dos meus diretores preferidos e eu tô bastante curiosa pra ver os toques tão característicos dele em um filme que não é nem de terror e nem de fantasia.  Acho que essa é a chance de Tim voltar a fazer trabalhos tão incríveis quanto os seus mais antigos.

Wild, que vem dia 15 de janeiro para o Brasil e é estrelado por Reese Witherspoon, é mais um filme que promete aparecer na lista do Oscar [aqui o trailer]. Inspirado no livro que conta a história real de Cheryl Strayed, uma mulher que se aventura sozinha e em busca de si mesma na selva, ele parece ter mesmo virado queridinho da crítica.

Um detalhe de behind the scenes do filme que me chamou a atenção é que como Reese precisava viver essa mulher tão intensa, que tava em um lugar tão isolado e passando por um momento de raiva tremenda, o diretor pediu pra que todos os espelhos do trailer-camarim dela fossem tampados. Ela não podia ver sua aparência, porque esse tipo de preocupação e de vaidade não podiam ter espaço naquele papel.

Essas curiosidades sobre construção de personagem sempre me chamam a atenção. Eu fico pensando quão louco e maravilhoso é, por um tempo, você praticamente viver uma outra vida, completamente diferente da sua e mergulhar naquilo de cabeça. É muito incrível quando a gente para pra pensar no papel da atuação sobre esse aspecto.

Filme novo de Clint Eastwood merece atenção! E é graças a ele, chamado American Sniper, que Bradley Cooper entrou na lista das sete capas de fevereiro da W. Parece que o filme chega por aqui só dia 19 de fevereiro, mas pelo trailer já dá pra ter uma ideia do que vem por aí. E se eu fiquei tensa só com isso, não quero nem pensar na hora que ele chegar nos cinemas daqui…

Teremos Julianne Moore como melhor atriz desse ano no Oscar? Muita gente tá fazendo apostas de que sim, mas eu sempre deixo pra formar minha opinião só depois de ver todos os filmes (esse ano vai ter #aquecimentoOscar de novo aqui no blog, aguardem!). Se isso realmente acontecer, vai ser a primeira vez que a atriz vai ganhar a estatueta. E isso aos 54 anos de idade, gente, o que pra mim torna tudo ainda mais especial.

Still Alice, o longa responsável por todo esse burburinho, conta a história de uma renomada professora que é diagnosticada com Alzheimer e passa a sofrer os terrores da doença em todos os aspectos da sua vida. Ele chega dia 26 de fevereiro no Brasil, mas tem o trailer aqui pra quem quiser assistir. Vale notar que esse é mais um filme que veio adaptado de um livro. Coisa que sempre aconteceu no cinema, mas que eu tenho a impressão que nos últimos anos cresceu de uma forma gigantesca e tem sido responsável por inúmeros filmes com sucesso de crítica e público.

Enfim, listadinhos aqui todos os filmes que mereceram a atenção da W, já pode começar a contagem regressiva pra estreia deles no Brasil, pro Oscar e pra comprar a revista (eu quero MUITO essa edição). E se isso não te convenceu ainda, vai aí o plus de que apesar de sete estrelas terem sido escolhidas pra capa, o miolo conta com a participação de 39 atrizes e atores que arrasaram em 2014. Todos em fotos fodas clicadas por Tim Walker.

Tudo tão bonito quanto uma sessão de cinema em um fim de tarde.

Bisous, bisous