Ainda que quando o assunto seja cinema eu goste de acompanhar um pouquinho de tudo, longa-metragens de terror são, de longe, o tipo de filme que eu mais assisto. E, talvez por isso mesmo, o fato desses filmes serem bastante desvalorizados dentro da indústria sempre foi algo que me incomodou (e ainda incomoda) muito.

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Ninguém precisa ser cinéfilo de carteirinha pra perceber como os filmes de terror são tratados muitas vezes como o patinho feio dos gêneros cinematográficos. É como se eles sempre fossem avaliados já com alguns pontos a menos só por fazerem parte dessa lista, saindo um pouco atrás da largada quando comparados a gêneros como drama e romance.

Além de grande parte das produções não serem levadas a sério, é de incomodar o fato de muitos filmes de horror serem olhados como puro entretenimento de má qualidade, sem uma avaliação crítica e séria do que está sendo mostrado – e talvez até mais importante do que isso, de como está sendo mostrado.

Não me entendam mal, existem inúmeros filmes de terror ruins. O grande problema é que existem filmes ruins em qualquer gênero, mas, aparentemente para a crítica, quando estamos falando de filmes de horror, essa é a regra, e não a exceção.

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarFalando dessa situação especificamente no Oscar (o que pra mim é apenas um espelho de como a crítica em geral trata o gênero), recentemente li um texto bem interessante do cineasta Daniel Bydlowski que fala exatamente sobre esse “preconceito” que os filmes de horror sofreram por muito tempo na premiação.

Uma das coisas mais interessantes dele, no entanto, é mostrar como as coisas vem mudando, e como a academia – que sempre priorizou filmes de drama -, parece finalmente estar abrindo os olhos para outros gêneros. E isso não apenas devido a mudanças políticas e sociais, mas também da própria indústria, que hoje em dia possui um público muito mais fragmentado devido as diversas formas de se consumir cinema.

Aproveitando todo esse gancho e o fato de termos um filme de terror concorrendo a melhor filme do ano no Oscar (falo mais sobre “Corra!” no finalzinho desse post), decidi escrever um pouquinho sobre todos os filmes que já concorreram nessa categoria da premiação – e também sobre o único que até hoje conseguiu levar a estatueta para casa. É uma pequena, mas poderosa lista.

O Exorcista (1974)

 

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O Exorcista, de 1973, além de ser um dos filmes mais populares do gênero, é o único filme dessa lista classificado exclusivamente como terror (mais especificamente como terror sobrenatural). Além de suas indicações e vitórias no Oscar, ele também conquistou diversos prêmios no Globo de Ouro, como melhor filme de drama, melhor diretor, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro.

Baseado em um livro escrito por William Peter Blatty, o filme conta a história da pequena Regan, uma garota de 12 anos que é possuída pelo demônio. Sua mãe, desesperada com o comportamento da filha, pede ajuda de um padre, que chama um exorcista profissional para lidar com a garota.

 

Tubarão (1976)

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Tubarão, de 1975, conta a história de uma praia turística dos EUA onde os banhistas passam a sofrer ataques mortais de um tubarão-branco, o que faz com que o chefe da polícia da cidade, um biólogo e um caçador de tubarões unam forças para caçá-lo.

O filme, que é dirigido por Steven Spielberg, teve sua trilha sonora criada por John Williams (um dos compositores mais famosos e premiados do Oscar) fazendo com que uma das suas músicas, a que é tocada durante os ataques do tubarão, se tornasse uma referência de “temas de suspense” na história do cinema.

O silêncio dos inocentes (1992)

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Baseado em um livro homônimo escrito por Thomas Harris, o filme O Silêncio dos Inocentes, de 1991, é até hoje o único longa-metragem de terror a ganhar como melhor filme do Oscar. Ele conta a história de Clarice Starling, uma investigadora do FBI escalada para descobrir o paradeiro de um serial killer chamado Buffalo Bill. A fim de entender como funciona sua mente, Clarice começa a entrevistar o Dr. Hannibal Lecter (personagem que já havia aparecido no filme “Caçador de Assassinos”), um ex-psiquiatra e assassino condenado à prisão perpétua.

Com uma trama que usa e abusa do terror psicológico para construir sua narrativa, o filme foi extremamente aclamado pelo público e pela crítica, e acabou ganhando uma sequência, “Hannibal”, e dois prelúdios, “Dragão Vermelho” e “Hannibal – A Origem do Mal”.

O sexto sentido (2000)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarCom um dos finais mais surpreendentes da história do cinema, O Sexto Sentido, de 1999, conta a história do psicólogo infantil Malcolm Crowe, um profissional que tenta ajudar um garotinho solitário que diz ser assombrado por pessoa mortas. Concomitante a isso, o psicólogo também enfrenta problemas pessoais, vivendo em um casamento problemático onde sua mulher se recusa a falar com ele.

O longa, que consagrou de vez a imagem do pequeno Haley Joel Osment no cinema (depois de O Sexto Sentido, o garotinho ainda brilharia em “A Corrente do Bem” e “A.I. – Inteliigência Artificial”), foi indicado também ao Globo de Ouro nas categorias de melhor ator coadjuvante e melhor direção.

Cisne Negro (2011)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarCisne Negro, de 2010, possui um enredo que explora o suspense e o terror psicológico, e que conta a história de Nina, uma bailarina extremamente dedicada e entregue à profissão. Em busca de conseguir o papel principal de uma produção do balé O Lago dos Cisnes, – onde interpretaria tanto o bondoso Cisne Branco quanto o malvado Cisne Negro -, Nina se vê sob um stress tremendo, especialmente quando uma nova bailarina chega na companhia e passa a disputar o papel com ela. Com seu emocional forçado ao extremo, a dançarina começa a sofrer alucinações e não distinguir mais realidade de fantasia.

Corra! (2018)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Indicado ao Oscar de melhor filme desse ano e aumentando essa lista tão poderosa de filmes de terror, Corra!, de Jordan Peele, é um dos longas do gênero mais inteligentes que me lembro de já ter assistido. Além de fazer uso do terror psicológico e do suspense, ele se vale de elementos sarcásticos para ditar o tom do filme, fazendo uma crítica feroz ao racismo ainda tão presente em nossa sociedade.

Tudo começa quando Chris, um jovem negro americano, viaja durante um final de semana com sua nova namorada para conhecer os pais dela que moram no interior. A família da garota, branca e bastante endinheirada, parece amigável em um primeiro momento, mas acaba inquietando o rapaz, que pecerbe que algo estranho está acontecendo no lugar.

Com um desenrolar brilhante e uma atuação fantástica de Daniel Kaluuya, Corra! é, até agora, meu filme favorito para levar a estatueta para casa (ainda preciso assistir “Três anúncios para um crime” e “Trama Fantasma”), e, espero, um exemplo importante para a academia do enorme potencial que longas de terror possuem.

Beijos e até já, já, com mais #aquecimentoOscar