Emma Watson na Vanity Fair de março

Já faz mais de um ano desde que Emma Watson anunciou uma espécie de recesso de Hollywood. Na época, quando questionada sobre esse afastamento, Emma foi bem enfática sobre o quanto precisava desse período para se dedicar a uma outra grande prioridade da sua vida: a causa feminista.

Embaixadora pela boa vontade da ONU Mulheres, Emma esteve nesse tempo divulgando pelos quatro cantos do mundo o projeto HeForShe, uma campanha internacional do órgão que busca a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Com um discurso muito belo, forte e corajoso, – e que ela fez questão de levar para a sua vida pública, fosse em suas redes sociais ou mesmo nas aparições que fazia – Emma mostrou um outro lado de si que muitas das pessoas que apenas a conheciam como “a garotinha de Harry Potter”, jamais imaginariam.

Terminado esse um ano, e sem colocar de lado, é claro, tudo que foi conquistado nesse período, a atriz decidiu voltar aos cinemas. E voltar em grande estilo, é importante dizer, já que Emma é a protagonista do live-action de A Bela e A Fera, um dos filmes mais comentados pela imprensa nos últimos tempos.

O longa estreia esse mês e se já não bastasse eu estar muito, muito ansiosa pra ver Emma como protagonista do meu filme preferido da Disney dos anos 90, a atriz ainda me deixou mais empolgada ao aparecer na capa e no recheio da Vanity Fair desse mês falando sobre o longa, sobre seu relacionamento com os fãs, sobre intimidade e, claro, sobre feminismo.

A entrevista na íntegra tá aqui pra quem quiser dar uma olhadinha e eu arriscaria dizer que se você não tem opinião formada sobre a atriz, vai passar a gostar muito mais dela e a entender bem melhor as ações que ela tomou nos últimos anos em relação a sua carreira e a sua vida pessoal.

Além disso, as fotos estão incríveis e tem aquele quê artístico e maravilhosamente maluco do Tim Walker, um fotógrafo que sempre extrapola o mundo real e faz de cada imagem que fotografa um sonho, um acontecimento onírico.

Uma coisa curiosa desse ensaio é que uma de suas fotos gerou uma pequena polêmica no Twitter, trazendo ainda mais à tona a importância de se debater o poder de escolha que nós, mulheres, temos sobre o nosso corpo.

Tudo porque em uma das fotos daqui de baixo, Emma usou apenas um bolero sobre os ombros, deixando parte dos seios à mostra. Isso bastou pra que algumas pessoas começassem a criticar a atriz, apontando a imagem como uma atitude hipócrita vinda de alguém que defende o feminismo.

Bizarro, eu sei.

Só que em tempos assim, onde movimentos sociais tão necessários de existirem ganham distorções absurdas, nossa eterna Hermione Granger soube ser simples e muito sábia na sua resposta “Isso sempre me mostra quantos equívocos e mal-entendidos existem sobre o que é o feminismo. Feminismo significa dar escolhas às mulheres. Feminismo não é um bastão que você usa para bater em outras mulheres. É sobre liberdade, libertação, igualdade. Realmente não sei o que os meus seios têm a ver com isso.”

Emma Watson na Vanity Fair de março

Emma Watson na Vanity Fair de março

Emma Watson na Vanity Fair de março

Emma Watson na Vanity Fair de março

Emma Watson na Vanity Fair de março

E pra quem terminou de ver essas imagens e, assim como eu, acha que tá pouco de Emma Watson, pode mandar mais, fica a dica pra acompanhar o novo perfil que a atriz criou no Instagram pra mostrar os looks que ela têm usado na divulgação de A Bela e a Fera. A ideia é falar sobre os estilistas que estão por trás de cada peça e, assim, ajudar a divulgar o trabalho de pessoas quer possuem um trabalho eco-friendly, e acreditam na sustentabilidade e no comércio justo.

Ou seja, como não amar essa mulher?

Bisous, bisous

O Clube de Discussão de Gilmore Girls | primeira e segunda temporada

Eu sei que pode parecer que os anos 2000 estão logo ali na esquina, mas a verdade é que lá se vão dezesseis anos desde que Gilmore Girls estreou na Warner Bros – o que para o mundo do entretenimento, onde programas de TV nascem e morrem todos os dias, significa praticamente uma outra vida.

A série, no entanto, sempre teve uma linguagem tão direta (e a gente sabe que também bastante rápida) com o público, abordando temas que dezesseis anos depois são até talvez mais importantes e cativantes do que na época, que a Netflix logo percebeu que ainda não havia chegado a hora de apagar as luzes. Isso e é claro o novo público do programa, que descobriu a série quando ela foi colocada no próprio serviço de streaming dos EUA em 2014 e provou que o poder das meninas Gilmore estava mais forte do que nunca.

Assim, em 2016 foi anunciado não apenas que haveria uma nova temporada do seriado, mas ainda que ele teria um formato especial, com quatro episódios de 90 minutos cada chamados de “A Year in the Life”.

No aquecimento para essa que já é uma das minhas maiores expectativas do ano (especialmente por saber que Daniel e Amy Sherman-Palladino estão à frente do projeto), eu e a Amanda Araújo resolvemos reassistir as sete temporadas do programa. E mais: decidimos nos encontrar de tempos em tempos (a cada duas temporadas mais precisamente) pra discutir sobre como está sendo rever cada um dos episódios.

Assim nascia um projeto que nós carinhosamente chamamos de “O Clube de Discussão de Gilmore Girls”.

Antes de falar, no entanto, sobre nosso primeiro encontro (que aconteceu na semana passada e foi obviamente palco de conversas muito rápidas, comidas gostosas e uma boa xícara de café), preciso explicar uma coisinha.

Quando eu e a Amanda assistimos Gilmore Girls pela primeira vez, todo mundo frequentava locadoras de vídeo, era preciso esperar dar meia-noite para usar internet e ter um celular de flip era um verdadeiro sonho de consumo. Ou seja, éramos muito mais próximas da idade da Rory do que da Lorelai, e fomos muito (mas muito mesmo) influenciadas por ela durante a adolescência. O amor pelos livros, a convicção de se acreditar em algo e lutar por aquilo, a mania de fazer listas pra tudo, a vontade de fazer jornalismo… Estava tudo lá.

E ainda está e acho mesmo que sempre estará.

Só que hoje em dia, estando muito mais próximas da idade de Lorelai (ainda que eu particularmente ache que nunca vou conseguir me encaixar nesse mundo de adultos que habita aí fora), é impossível não aproveitar as experiências que esses anos trouxeram pra olhar a série de uma outra forma. Pra notar coisas que antes nunca havíamos reparado e para perceber como certos personagens são ainda mais maravilhosos do que lembrávamos.

Assim sendo, logo que sentamos pra conversar, já sabíamos que não íamos apenas relembrar Star Hollows.

Nós íamos redescobrir Stars Hollow. Por inteiro e ainda melhor

Primeiras temporadas têm sempre uma vantagem: são elas as responsáveis por nos apresentarem os personagens da história. E é esse primeiro contato que a gente tem com cada um deles que cria ou não a magia necessária pra série funcionar.

No caso de Gilmore Girls, praticamente todos os personagens apresentados entre a primeira e segunda temporada estiveram presentes ao longo de todo o seriado, mesmo que com idas e vindas. E de cara já dá pra notar que todos eles são muito únicos, desempenhando diferentes tipos de papeis dentro da sociedade de Stars Hollow e dentro da vida das garotas Gilmore.

Ainda que Kirk, Miss Patty, Luke e tantos outros continuem sendo queridos por nós, foi muito curioso como eu a Amanda criamos uma empatia logo de cara por dois personagens que não costumávamos gostar: Emily e Richard Gilmore.

Talvez seja de novo essa coisa da idade, mas eu fiquei verdadeiramente tocada ao rever a primeira temporada e enxergar nos pais de Lorelai algo muito além do que a própria protagonista enxergava. Eles são sim complicados, difíceis de lidar, apegados a um monte de valores para os quais eu não ligo a mínima, mas tentaram criar sua filha da forma como achavam mais correta, amando-a e educando-a da maneira como sabiam.

A sensação que fica é que por mais que eles tenham construído uma relação toda torta e confusa, no fundo, só queriam estar mais próximos dela, podendo vê-la crescer e amadurecer.

Outra pessoa que também chamou muito nossa atenção nesse começo de série foi a maravilhosa Melissa Mccarthy, que faz o papel da Sookie, melhor amiga da Lorelai.

É tão, tão legal assistir as primeiras temporadas e ver o começo da carreira da atriz!

Confesso que no primeiro episódio tive um pequeno choque quando vi ela sendo apresentada de uma maneira toda caricata e esquisita. Mas conforme a série vai se desenrolando fica bem visível como os roteiristas mudaram de ideia quanto a esse posicionamento.

A gente sabe o quão triste é esse tipo de estereótipo onde melhores amigas de protagonistas nunca podem chamar mais atenção ou serem tão fortes quanta a estrela principal da série. Sinto que se em Gilmore Girls os produtores pensaram em fazer a Sookie dessa forma, o deslize caiu por terra rápido, fazendo com que a personagem crescesse de uma maneira inteligente e bonita ao longo do programa. Um alívio imenso, eu diria.

Outra coisa que a gente não pôde deixar de falar durante o nosso encontro foi sobre um dos temas mais polêmicos das duas primeiras temporadas: a relação Dean & Rory.

Eu juro que tentei reassistir GG de cabeça aberta, procurando descobrir do zero cada personagem, sem me deixar levar pelo que achava deles antes. E sei que a Amanda também apostou nessa ideia. Mas no final, chegamos a mesma conclusão: a gente não torce pro Dean e pra Rory ficarem juntos.

Pra gente fica claro que eles deram certo numa fase muito específica da vida da Rory, mas que as coisas pararam por aí.

Eles queriam coisas completamente diferentes pra si, não só no que dizia respeito aos estudos, mas também na forma como encaravam um relacionamento e uma vida a dois. E não teve jeito, o episódio 11 da primeira temporada, o That Damn Donna Reed, surgiu no assunto, já que pra gente nada simboliza mais esse abismo entre eles do que esse episódio.

Mas olha, não nos entendam mal. O Dean é um garoto bacana de verdade. Ele apenas não é o garoto que a gente acha que saberia lidar com o futuro que a Rory desejava. E sabemos que mudar pra agradar o outro só tende a piorar as coisas, né?

Como último assunto, mas longe de ser menos importante, falamos de algo muito marcante pra mim nessas primeiras temporadas: a desconstrução de Lorelai.

A verdade é que eu sempre enxerguei a gerente da pousada Independence Inn de uma maneira totalmente inabalável, quase ideal. Ela sempre foi uma mãe incrível, a melhor amiga da filha e o tipo de pessoa que foi capaz de sair do zero e conquistar tudo que queria.

E ela realmente é assim.

Mas Lorelai não é perfeita, e foram vários os momentos em que senti que ela agia de maneira infantil nas situações, obrigando Rory a ter muito mais maturidade do que ela.

O que consegui enxergar foi que ela é sim incrível, bem-humorada, confiável e muito convicta das coisas que acredita, mas também tem seus momentos de irresponsabilidade, também pode ser egoísta em algumas situações e não medir as palavras quando está brava. Ela pode ser complexa, pode ser humana, pode ser muito mais real do que eu a via antes. E isso tudo, podem tem certeza, a torna uma mulher ainda melhor.

Mas não pensem que foi apenas a personalidade de cada um dos personagens o tema central da nossa conversa. O tópico mais importante de fato do nosso encontro já tinha surgido antes, quando a Amanda me mandou uma mensagem falando sobre como estava enxergando o feminismo muito presente na série. E ela tava certa, porque se existe algo muito forte em Gilmore Girls, esse algo é o empoderamento feminino.

Conscientemente ou não, Gilmore Girls é mais do que uma série com duas protagonistas mulheres. GG é uma série em que as personagens femininas dominam geral, mostrando sempre personalidades fortes e decisivas. Elas nunca estão em segundo plano e sempre comandam suas vidas, ainda que pra isso precisem enfrentar um monte de obstáculos pelo caminho.

Em algumas personagens esse lado é mais fácil de identificar, como a própria Lorelai que saiu de casa ainda adolescente, com um bebê no colo, e conseguiu conquistar uma vida confortável e amável pra ela e pra Rory. Na mesma situação está Paris, que é mais do que uma aluna dedicada, é também uma garota implacável, consciente do que quer pra si e do quanto precisa ser focada nos seus objetivos.

Mas além delas, também existem outras personagens e situações não tão explícitas em que o empoderamento e o feminismo dominam. É o caso da Gypsy, única mecânica da cidade e maior entendedora de carros do lugar. Já pararam pra pensar quão legal é essa personagem, que está provando que não existe isso de profissão “tradicionalmente” masculina ou de assuntos que só interessam a garotos?!

E tem novamente a Sookie, uma personagem gorda que nunca enxergou isso como um problema, contrariando (ainda bem) muitos estereótipos sobre o assunto. Além de ser uma mulher maravilhosa e extremamente bem resolvida, Sookie usa as roupas que quer e nunca é tratada de forma diferente por ser gorda. Isso nunca é uma questão para a personagem, que se mostra cada vez mais como uma mulher linda, inteligente e que vive um relacionamento feliz.

Além delas, há é claro muitas outras personagens que eu poderia citar nessa linha, assim como outras muitas situações em que o feminismo aparece ainda que de maneira discreta, quase como se nem os próprios roteiristas da série soubessem da importância do que estavam fazendo.

Mas, independente dessa consciência ou não, o importante mesmo é que essa visão está lá e sei que da mesma forma como Rory nos influenciou de maneira crucial na adolescência, isso também contribuiu pra tudo aquilo que acreditamos e lutamos hoje em dia.

Enfim, queria escrever muito mais sobre o nosso encontro nesse post (afinal foram mais de duas horas de conversa!), mas acho que o que fiz aqui já é um bom resumo dos principais tópicos.

Pra finalizar o longo texto e de quebra atender um pedido que fizeram lá no facebook, aqui vai uma listinha dos meus episódios preferidos dessas duas primeiras temporadas. Contem depois nos comentários quais são os de vocês!

Primeira temporada

Episódio 3. Kill me now – porque Rory descobre que seu avô é uma figura muito mais complexa e parecida com ela do que supunha.

Episódio 6. Rory’s Birthday Parties – porque a festa de aniversário de 16 anos da Rory é uma festa gostosa como festas de aniversário devem ser. E porque é bonito ver Emily conhecendo mais da vida da filha e da neta.

Episódio 13. Concert Interruptus – porque tem show do Bangles <3, o início da amizade entre Paris e Rory, e Lorelai sendo uma mãe maravilhosa em vários aspectos.

Episódio 19. Emily in Wonderland – porque Emily vai conhecer Stars Hollow e porque entendemos um pouco melhor dos seus sentimentos em relação a vida de Lorelai.

Episódio 21. Love, Daisies and Troubadours – porque temos 1000 margaridas. “Nem 1001, nem 999, mas 1000.”

Segunda temporada

Episódio 4. Road Trip to Harvard – porque Rory foge com Lorelai de seu casamento, as duas passam por uma road trip divertidíssima e vão parar em Harvard.

Episódio 5. Nick & Nora, Sid & Nancy – porque Jess chega na cidade <3

Episódio 10. The Bracebridge Dinner – porque esse é apenas o jantar mais louco e de todos os tempos.

Episódio 13. A-Tisket, A-Tasket – porque há piqueniques, Jess & Rory, Luke & Lorelai e Jackson & Sookie.

Episódio 19. Teach me Tonight – porque no fatídico acidente de carro com Jess, Rory começa a perceber que sente algo a mais pelo garoto.

Episódio 21. Lorelai’s Graduation Day – porque Lorelai se forma e Rory vai visitar Jess em New York.

 

Venham discutir essas primeiras temporadas de Gilmore Girls com a gente, porfa!

A caixa de comentários é de vocês :)

Bisous e um ótimo final de semana.

(A falta de) mulheres diretoras no Oscar

Vocês devem se lembrar que no Oscar do ano passado, Patricia Arquette, ao ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante por Boyhood, fez um dos discursos mais inspiradores e empoderadores da noite, pedindo igualdade salarial para homens e mulheres. O discurso ganhou uma projeção gigante na mídia, e a falta de espaço e reconhecimento dado ao universo feminino – especialmente dentro da indústria cinematográfica – recebeu, felizmente, muito mais atenção.

Só que vale lembrar que além da questão salarial, outras desigualdades de gênero parecem dominar o cinema, especialmente quando olhamos para Hollywood. E pra constatar isso, não é preciso ir muito longe não.

Quer coisa mais intrigante (pra não dizer absurda) do que perceber que em 86 anos de Oscar, apenas quatro mulheres foram indicados à melhor direção?! A disparidade é tão grande que custa a acreditar que isso é mera coincidência.

A atriz Ingrid Bergman em 1953 no set de filmagens de "Nós, as Mulheres"

A atriz Ingrid Bergman em 1953, no set do filme “Nós, as Mulheres”

No ano passado, a ACLU (American Civil Liberties Union), uma ONG norte-americana de defesa dos direitos do cidadão, enviou uma carta às autoridades da Califórnia pedindo uma fiscalização da indústria cinematográfica de Hollywood devido a uma exclusão generalizada de mulheres diretoras, tanto no cinema quanto na TV.

Os dados que a ACLU mostram são interessantes porque já fazem cair por terra aquela que seria a resposta mais óbvia para a falta de mulheres nessas grandes produções:  a de que há poucas diretoras no mercado. Na verdade, o número de homens e mulheres se formando em escolas de cinema tem sido bastante equiparável nos últimos anos, destruindo a ideia de que não existe uma mão de obra qualificada feminina para o serviço.

Mas se existem então homens e mulheres cineastas quase que na mesma medida, porque apenas homens dominam o mercado?

Eu encontrei a resposta pra essa pergunta na fala de alguém que vê, todos os dias, o preconceito de perto, a diretora Jane Campion, uma das quatro mulheres indicadas à melhor direção no Oscar. Em entrevista ao The Guardian, ela disse “At film schools, the gender balance is about 50/50. Women do really well in short-film competitions. It’s when business and commerce and art come together; somehow men trust men more.” Algo como “Nas escolas de cinema, o equilíbrio entre os sexos é de 50/50. Mulheres se saem muito bem em competições de curta-metragens. É quando o business, o comércio e a arte se juntam, que de alguma maneira homens confiam mais em homens.”

Ou seja, ainda que haja uma mão de obra numerosa e qualificada de mulheres no mercado cinematográfico, quando estamos falando de grandes produções, é ainda uma maioria esmagadora de homens que financiam e dirigem filmes e, consequentemente, ganham mais destaque dentro da indústria e de premiações como o Oscar.

Além de torcer para que se dê cada vez mais espaço e reconhecimento às diretoras de cinema, – assunto que felizmente parece vir ganhando cada vez mais discussão – achei mais do que válido falar aqui nesse post um pouquinho sobre as quatro ganhadoras do Oscar, já que esse prêmio além de ser delas, representa muitas outras das suas colegas profissionais.

E fica aqui a pergunta: quais diretoras de cinema vocês recomendam? Vamos espalhar esses nomes por aí e mostrar o devido reconhecimento que elas merecem!

Bisous, bisous

As revolucionárias botas de Nancy Sinatra

Na semana passada enquanto assistia mais um episódio de Skins UK (ainda vou falar dessa série por aqui), começou a tocar uma música toda bonitinha pra uma das minhas personagens favoritas, a Effy Stonem. E logo no começo da música, quando soaram as primeiras melodias, me deu um estalo: aquilo era Nancy Sinatra?

E sim, era mesmo Nancy Sinatra cantando sua deliciosa Sugar Town.

Sugar Town – Nancy Sinatra

O sobre nome famoso não engana, Nacy é mesmo filha de Frank Sinatra e, assim como o pai, teve esse gosto pelos palcos desde pequenininha. Ela amava música e cinema e durante a sua adolescência, em plena década de 50, conseguia enxergar como essas duas artes estavam mudando a cabeça dos jovens em todo o mundo.

Afinal, foi em 1953 que Marilyn Monroe, a garota mais femme fatale que o cinema já conheceu, estourou em “Os homens preferem as loiras”. Em 1955 James Dean roubou a cena, o coração das meninas e a admiração dos rapazes com seu papel de Jim Stark em “Juventude Transviada”. E, não bastasse tudo isso, no final dos anos 50, ainda tinha Elvis Presley com sua guitarra e seu gingado. Algo inimaginável de ser ver na TV até pouco tempo atrás.

Tinha coisa demais acontecendo, e Nancy, que admirava essas pessoas e o que elas estavam fazendo, também queria fazer parte disso.

Só que aí, já no final da década de 50, por um lance do destino Nancy conheceu Elvis Presley. As versões para esse encontro são várias. Alguns dizem que ela o conheceu numa apresentação com o pai, outros que foi numa base da Força Aérea (?), outros que foi nos bastidores de um programa de TV…  Anyway, o que de fato a gente sabe com certeza é que Nancy e Elvis se deram bem desde o primeiro instante e que pra ela, que realizava o desejo de conhecer um de seus maiores ídolos, a amizade com Elvis foi como um sonho. Não dá pra saber muito bem o que esse encontro do destino despertou de tão corajoso em Nancy, mas, depois dele, ela decidiu que tava mais do que na hora de firmar sua carreira. Passou a atuar em filmes como “Get Yourself a College Girl” (1964) e a fazer relativo sucesso musical na Europa e no Japão.

E tava indo tudo muto bem pra dona Nancy, seguindo ali pela duas carreiras que ela sempre gostou, até que chegou fevereiro de 1968 e… PÁ! Nancy Sinatra virou uma estrela do dia pra noite.

“These boots are made for walking, and that’s just what they’ll do
one of these days these boots are gonna walk all over you”
{“Essas botas foram feitas para andar e é só isso que elas vão fazer.
E um dia desses essas botas vão passar por cima de você!”}

 

Quando “These Boots are Made for Walking” estourou nas paradas de sucesso, todo mundo passou a conhecer Nancy Sinatra. Não só sua voz, mas seu visual, seu jeito meio provocante e, claro, seu estilo “go go boots”. A expressão se refere a um visual onde botinhas – que iam desde as de cano mais curto até aquelas na altura do joelho, independente do tamanho do salto – são a grande estrela de toda a produção, dando destaque pras pernas – algo pra lá de sensual na época – de quem as usava. Nancy não só popularizou o go go boots, como fez questão de mostrar ser uma garota nada convencional pra época.

Ela não tinha medo de aparecer com minissaias, fazer fotos toda trabalhada em poses cheias de segundas intenções e de se mostrar uma mulher completamente independente e feliz com seu corpo.

“These Boots are Made for Walking” virou um hino do feminismo da década de 60 e uma maneira das mulheres expressarem, ainda que cantando, que afinal elas podiam sim mandarem em sua vida e em seus relacionamentos.

Nancy Sinatra continuou a ser uma garota go go boots e a levar suas músicas feministas pros quatro cantos do mundo. Emplacou hit atrás de hit e fez grande sucesso com “Something Stupid”, cantada em dueto com seu pai. Ela ainda lançou “You Only Live Twice” que virou música-tema do filme “007 – Só se vive duas vezes” e regravou “Bang Bang” da Cher, que foi parar em Kill Bill vol.1.

Como atriz, estrelou um filme ao lado de Elvis Presley em 1968 chamado “Speedway”. Há boatos de que durante as gravações do filme, a amizade dos dois se transformou em algo muito maior, e que o brilho de olho de Nancy nas cenas, não era só pelo prazer de atuar haha.

Nancy casou duas vezes e teve uma única filha, Amanda Lambert e, em 1955, do alto da sua beleza e maturidade de 55 anos, foi capa da Playboy americana de maio.

No começo desse ano, Lana Del Rey regravou uma de suas músicas, “Summer Wine”, que ganhou até clipe.

Pra quem quiser conhecer mais sobre Nancy Sinatra, eu indico baixar esse álbum aqui dela que tem os grandes sucessos da sua carreira. Garanto que vai ser difícil não se apaixonar <3

Bisous!

Andei lendo: “Quinta avenida, 5 da manhã”

Terminei de ler “Quinta Avenida, 5 da manhã” no comecinho da semana e posso dizer que o livro foi muito mais surpreendente do que eu poderia imaginar. Isso porque quando eu comecei a lê-lo tinha pra mim que o livro falava apenas sobre os bastidores da produção do filme Bonequinha de Luxo e de como o papel de Holly Golightly foi tão importante para a carreira de Audrey Hepburn. Ah, mas que engano! E que engano BOM!

“Quinta avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna” vai muito além disso. Aliás, ele vai muito além do próprio filme Breakfast at Tiffany’s (nome original do longa), já que ele se debruça também sobre a história que gerou o filme, ou seja, a novela escrita por Truman Capote em 1958.

Uma das coisas que eu mais gostei do livro é que ele não deixa nem um nó solto e conta a história desde lá do seu comecinho até a noite do Oscar em que Bonequinha de Luxo concorreu em cinco categorias – e levou a estatueta de melhor canção com Moon River.

Então primeiro a gente fica conhecendo um pouco mais sobre o próprio Truman Capote, sobre sua infância sofrida, seu interesse pela literatura e, finalmente, como surgiu a ideia do livro na sua cabeça. E, o mais legal de tudo: como foi o processo de criação da Holly, quais mulheres que o inspiraram a montar essa personagem tão única e como Truman passou tudo isso pro papel.

E quem já leu o livro ou viu o filme sabe que Holly tá longe de ser uma personagem fácil. Ela é doce, mas é forte ao mesmo tempo; ela é misteriosa, mas vive a vida como se fosse uma festa 24 horas; ela é uma mulher moderna e independente, mas ainda assim é uma garota de Tulip, interior do Texas, ingênua e cheia de sonhos. Esse tanto de contradição da personagem talvez seja o que a tornou tão querida e tão importante pra história do cinema – e pra 99% das garotas, afinal quem não admira Holly que atire a primeira pedra.

O livro ainda narra como foi a passagem da história do livro para o filme e quais as modificações que a obra precisou sofrer quando foi pras telonas de Hollywood, porque né, manter a história original seria o mesmo que assinar um atestado de fracasso nas bilheterias numa década em que a mulher ainda era tão submissa. E, toda essa construção do filme, inclusive a escolha de todo o elenco e produção, vai sendo destrinchada aos pouquinhos no livro e a cada página a gente mergulha mais e mais nessa história.

Uma coisa que eu achei super interessante foi a maneira linear, porém não divisória, com que Sam Wasson escreveu o livro. Na real isso quer dizer que o livro conta tanto a história de Truman, quanto da Audrey, quanto do livro e do filme, mas sem dividir cada um deles em um capítulo. Ou seja, você vai acompanhando essas quatro ramificações da história desde 1951 (quando Audrey ainda fazia parte da montagem teatral de Gigi) até a repercussão que o filme gerou depois de seu lançamento sem, no entanto, perder nenhuma delas de vista. É uma sequência cronológica onde aos pouquinhos você vai acompanhando a evolução de todas essas ramificações.

E olha, gente, posso dizer sem exageros: pra quem gosta de Audrey Hepburn, esse livro é um prato cheio. Dá pra conhecer muito mais sobre a vida e carreira da Audrey e – pelo menos pra mim isso foi uma surpresa – conhecer muito mais da sua vida íntima, do seu amor incondicional por sua família e que, sem sombra de dúvida, tava acima de qualquer coisa na sua vida. Inclusive da carreira. E também outros detalhes não tão legais assim, como a relação dela com o seu primeiro marido, Mel Ferrer, que… Bom, não vou contar porque tem que ler o livro! Haha

Mais do que um livro sobre os bastidores de Bonequinha de Luxo, “Quinta avenida, 5 da manhã” fala sobre a importância da história de Holly para as mulheres dos anos 50. Afinal, essa foi a primeira vez que uma personagem feminina vivia sozinha, era moderna, comandava a própria vida – e pasmem, era uma garota de programa! – e ainda assim conseguia ser uma menina, que cativava e encantava homens e mulheres do mundo todo. A liberdade sexual e social que Holly trouxe para o cinema ficou refletida em toda a década de 60, quando alguns paradigmas da vida da mulher finalmente começaram a ser questionados.

Para os admiradores da Audrey e, claro, de Bonequinha de Luxo, vale muito ler cada página, mas acho que todo mundo, sem restrições, deveria ler esse livro pra entender um pouco melhor esse cenário submisso e machista que era tão forte até meados dos anos 60. E tanta gente aí achando que feminismo é uma besteira. Mal sabem eles…

“Quinta avenida, 5 da manhã” foi publicado pela editora Zahar aqui no Brasil, tem 256 páginas e um espaçamento de texto nem muito pequeno, nem muito grande, mas bem ali na medida. Nele você ainda encontra algumas imagens em p&b bem incríveis – as desse post foram tiradas do livro – e até a imagem do convite para a estreia de Bonequinha de Luxo nos cinemas.

O meu exemplar eu ganhei do namorado, mas pesquisei e achei o livro por R$44,90 tanto na Livraria Cultura quanto na Livraria Saraiva. Se alguém achar mais barato em outro lugar, divulga aqui nos comentários, por favor 😉

Ah! Como esse livro é um amontoado de frases marcantes, eu achei que valia super a pena separar as mais mais – baita tarefa difícil – pra colocar aqui embaixo. Espero que vocês gostem. Bisous.

Frases marcantes

“Como um daqueles acidentes que não são realmente acidentes, a escolha da “boazinha” Audrey para o papel da “não tão boazinha” garota de programa Holly Golightly mudou o rumo das mulheres do cinema, dando voz ao que até então era uma mudança não expressa no gênero dos anos 50. Sempre houve sexo em Hollywood, mas, antes de Bonequinha de Luxo, só as garotas más é que faziam sexo.”

“Era uma espécia de pioneiro na moda [Hubert de Givenchy] e tirava o glamour do distante e do inatingível e o tornava prático. Depois de Bonequinha, qualquer um, independentemente de sua situação financeira, podia ser chique todo dia, em toda parte.” – palavras do estilista Jeffrey Banks.

“O bebê, Audrey disse, “será a coisa mais importante da minha vida, mais ainda que meu sucesso. Toda mulher sabe o que significa um bebê.” Por fim, essa era a felicidade que Audrey desejara. Não o tipo de felicidade que ia embora, mas o tipo eterno, que nunca parava de se renovar toda manhã e toda noite.”

“Não que Holly fosse uma polemista; ela nunca subiria num caixote para defender nada que não fosse se divertir. Mas em seu leviano amor pela individualidade, quer saiba, quer não, Holly ressoa com o fervor da nova geração.”