Pois toda idade tem prazer e medo

Como contei no último vídeo do blog, eu amo comemorar aniversários. E quando digo isso eu tô me referindo a todas as possibilidades de comemorações que existem. De uma ida a um barzinho, passando por um bolinho no meio da tarde ou mesmo uma festa pensada nos mínimos detalhes. Eu topo qualquer uma dessas opções, desde que a data nunca passe em branco.

Só que nos últimos anos, por causa dessa vida de morar em um lugar, ter família em outro e amigos espalhados por um monte de cidades lindas desse Brasil, eu comemorava meu aniversário em doses homeopáticas: um bolinho em Leme, uma saidinha com os amigos de todo dia, um sorvete de comemoração-atrasada com a amiga de longe… E mais um monte de coisas pequenininhas que eram sim maravilhosas, mas que sempre “separavam as turmas”. Eu sempre pensava que não ia nunca conseguir reunir todo mundo em um mesmo dia, em um mesmo local e comemorar meu aniversário com festa, bexiga, bolo, brigadeiro e tudo mais que eu tivesse direito.

Pensava. No passado.

Esse ano eu vi que as coisas podiam sim ser diferentes.

Eu decidi que eu ia dar um jeito de reunir todo mundo aqui, do meu ladinho. E ainda que eu soubesse que pra muita gente seria dificílimo vir pra cá, – obrigada mesmo Isa por considerar a possibilidade de vir de outro estado, Lets e Marina por terem mandado mensagens tão lindas e Nat que mesmo passeando por Versailles demonstrou tristeza de não estar na minha festa haha – eu ia tentar.

Foi assim que no último dia 09, eu consegui reunir (quase) todo mundo que eu queria em uma chácara aqui de Bauru. Com uma playlist cheia de músicas boas, salgadinhos, docinhos, um bolo delicioso de brigadeiro com leite ninho, e uma piscina que acabou não sendo usada por causa da chuva, – mas que serviu de cais pras bexigas de coração – eu comemorei a chegada dos meus 26 anos.

Eu cantei, ri, conversei, comi demais, abracei um monte de gente querida, joguei sinuca e vi – mais uma vez – que chegar ao final de uma idade e começar outra acaba sendo sempre só um passo a mais numa corda bamba.

É claro que tem um monte de experiências acumuladas no meio do caminho, é claro que têm erros, têm tombos, têm acertos, têm vitórias, têm felicidades, têm tristezas, tem um pouquinho de tudo que a gente vai somando no meio do caminho até chegar aí. Mas tem também aquela incerteza, aquele tiro no escuro, aquele desconhecido que é sempre assustador, mas também sempre maravilhoso. E a gente tem que pagar pra ver e descobrir, afinal, como é que vai ser o próximo capítulo.


As fotos com os amigos e a família que ilustram esse post foram todas batidas com a minha câmera polaroid nova, a Instax Mini 8 (tô pensando em fazer um post sobre ela aqui no blog. Vocês acham que vale a pena?). Sei que dá pra sentir um pouco do clima de felicidade que foi a festa através delas. Particularmente, me dá um quentinho bom no peito toda vez que olho esses retratos e essas pessoas, e percebo que esse tiro no escuro que vai ser essa nova idade (já tem sido, na real), tá muito bem assegurado com eles do meu lado.

Bisous, bisous

Sejamos clichês

Sejamos clichês. Quando for pra valer, não vamos ter medo de falar “Eu te amo”. O “Eu te amo” já anda tão escasso, já anda tão mal falado, tão usado como quem diz “Vou ali na esquina comprar pão”, que quando for de verdade, a gente não pode ter medo de dizer. Não pode se achar bobo, não pode ter medo de arriscar. Se a gente deixa o momento passar, nem sempre haverá um outro igual.

Sejamos clichês. Vamos dar importância mesmo pra cada pequeno momento. Porque toda mulher ama juras de amor, ama receber um buquê de flores enormes e cheirosas.  Mas o que eu amo mais ainda é que ele abra a porta do carro pra eu entrar, que ele me surpreenda as 16h de uma tarde chuvosa de terça-feira com um “Te amo” no meu celular, que ele me conte coisas que eu sei que pra ele são dificílimas de contar. Isso pra mim importa mais do que qualquer outra coisa. Porque no final o amor é mesmo construído nesses pequenos momentos, quando você aprende a vê-los com um olhar de surpresa, de quem se encanta como se fosse a primeira vez pela pessoa.

Sejamos clichês. A gente já tem que ser tão duro no dia a dia, já tem que levar uma vida que não te dá um minuto pra respirar, que te obriga (ainda bem) a usar todas as suas horas do dia sem deixar nada pra depois. Então, quando a gente tiver esse tempo extra milagroso, vamos aproveitar com quem a gente ama. Seja namorado, amigos, cachorro… A vida é curta demais pra gente achar que as pessoas estarão sempre esperando pela gente.

Sejamos clichês. Vamos dizer “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite” sempre. Vamos lembrar que um “Com licença” e “Por favor” são fundamentais nessa vida, mon dieu. Vamos ser gentis e flexíveis, porque eu acredito mesmo que tudo o que você faz nessa vida, volta pra você em dobro, mesmo que não seja tão já.

Vamos ser clichês. E parar de achar que o mundo é um lugar feio, brutal e incoerente. Às vezes ele até pode ser, mas se você acredita e desiste de jogar, ninguém, absolutamente ninguém vai conseguir te colocar no jogo de novo.

Sejamos clichês.  Vamos achar que a gente merece. Porque a gente tem tendência a se subestimar, a se colocar como incapaz pra uma coisa, a acreditar que a gente não tem chances. Se você não acreditar e correr atrás disso, quem vai acreditar por você?

Sejamos clichês. E vamos escrever cartas. E vamos ver filmes. E vamos escutar música, e ver peças de teatro, e assistir mais séries, e sermos mais românticos, e chorarmos de alegria. Vamos ser viscerais com cada momento, vamos saber tirar o máximo de tudo. E vamos perguntar muito, e perguntar mais um pouco, e sermos absurdamente fortes quando precisarmos. Vamos reclamar menos e fazer mais, ou se for pra reclamar, reclamar pelo que a gente acredita, sabendo usar todas as cartas da manga. E vamos estudar muito. Estudar um mar de assuntos, aproveitando tudo aquilo que cair em nossas mãos.

Sejamos clichês. Porque, afinal, ser clichê nessa vida tem muito mais a ver com saber aproveitá-la do que ter medo de fazer papel de bobo. A escolha é sua.

Sejamos clichês e exageradamente felizes.

*Este texto foi originalmente publicado em um dos milhares de blogs pessoais que eu já tive nesses 24 anos de vida – no caso, o In Wonderland.

The Christmas Tree

Eu sempre tive uma relação de muito encantamento por dezembro. Mesmo quando o mês ainda nem tinha começado, eu já ficava toda em alvoroço esperando que o primeiro dia chegasse pra poder repetir baixinho pra mim mesma que dezembro tava ali, que as luzinhas de Natal já estavam espalhadas pela cidade e que esse espírito natalino que tanta gente acha balela, não era mentira. Ele existia mesmo e eu sempre sentia sua magia.

Ou melhor, eu sempre fiz com que dezembro fosse, de fato, um mês mágico na minha vida.

Eu sei que não é todo mundo que nutre essa paixão meio maravilhada por dezembro e pelo Natal. Tem gente que acha a época uma forçação de barra pra gente ter que se sentir feliz o tempo todo e pra mascarar uma data comercial. Eu sei de tudo isso e até entendo um pouco esse bode que algumas pessoas têm.

Mas, pra mim, a diferença é que quando é dezembro e o dia tá um caos, com tudo dando errado e meu único desejo sendo o de chegar em casa e dormir, eu saio na rua e tem milhares de luzes espalhadas pela cidade. Tem algumas decorações bonitas, outras bregas e outras que não tão nem lá nem cá, mas todas elas me deixam meio extasiada de andar pela rua e ver todas aquelas luzes juntas.

A diferença é que que quando é dezembro e eu venho para a casa dos meus pais em Leme, toda a família da minha mãe tá reunida decidindo como será a Ceia. E todo mundo tira amigo secreto, e todo mundo ri e todo mundo fica trocando mil telefonemas para decidir os últimos detalhes da festa.

A diferença é que quando é dezembro, eu sei que nesse mês, por mais que a minha vida esteja uma loucura (e eu bem sei esse ano como dezembro pode ser uma verdadeira loucura), em algum momento aquilo vai parar e do lado da minha família e/ou dos meus amigos eu vou ter alguns momentos deliciosos. Eu vou esquecer de toda a correria dos últimos dias e vou só dar risada, vou conversar, vou comer um monte, vou ter tipo um daqueles momentos que a gente lembra ainda por muito tempo depois com vontade de voltar no tempo e reviver tudo de novo.

A diferença essencial pra mim é essa.

Pra mim dezembro e Natal tem mais a ver com despertar na gente uma vontade de ter um tempo só pra nós, pra nossa felicidade, pra nossa renovação do que essa ideia da gente ter que ser feliz o tempo todo.

E com o Ano Novo logo em seguida a gente tem a chance de aproveitar esses momentos de descanso e felicidade pra pensar nos rumos que a gente quer dar pra nossa vida daqui em diante. Ok, não há diferença entre qualquer dia de 2013 com o primeiro dia de 2014. Você vai acordar, tomar seu café e ter 24 horas do dia normalmente pra trabalhar, comer, dormir, dar risada, ver filme e etc. Não há uma diferença real. Mas há uma diferença que a gente pode fazer de entender o ano como um ciclo e de pensar que há 365 novas possibilidades, com 24 horas cada, da gente fazer algo maior da nossa vida.

Ninguém precisa largar sua história toda pra trás e começar tudo do zero. Mas talvez se a gente entender que existem essas 365 novas possibilidades pra mudar algo que a gente não tá contente, pra realizar um sonho, pra conhecer alguém de carne e osso que a gente já é amigo há um tempão pela internet, pra ter mais tempo pra gente, pra ser mais esforçado, anyway, pra gente ser o que a gente quiser ser, fazer o que a gente quiser fazer e até pra descobrir quem a gente quer ser e o que a gente quer fazer, taí a oportunidade.

Até pode ser que Natal e Ano Novo sejam datas muito mais a ver com desejos e vontades do que fatos reais. Não dá pra você apertar um botão e programar o ano de 2014, eu sei. Mas se existe uma época em que tudo converge – desde a família, até os amigos, as inspirações, o descanso, a paz de espírito – pra gente entender isso como um novo começo, essa época é dezembro e as festas de final de ano.

E eu não sou dessas que deixa passar oportunidades 😉

Mudando de assunto...

Feliz Natal! (e muita gente amada por perto, muita gordice e muita diversão essa noite).

Ainda não vou desejar feliz Ano Novo porque antes do dia 31 volto aqui pra falar sobre outros assuntos e também pra contar das minhas resoluções de 2014 :p

Bisosu, bisous