Links para toda hora | Especial SPFW verão 2016

Nessa temporada, não dei um pulinho no Parque Cândido Portinari pra conferir a decoração e os desfiles do SPFW, mas assisti e li tantas coisas legais sobre o assunto – e também sobre coisas fora do evento, mas que tão instrinsecamente ligadas ao momento atual da moda brasileira – que achei que essa listinha merecia demais se transformar em um “links para toda hora” especial. Bora lá então conferir esses links cheios de amor e bom conteúdo.

“Daqui a 100 anos, as pessoas vão olhar para as fotos de moda de hoje e vão saber como as pessoas se vestiam, quais eram os costumes… A moda é importante tanto como indústria e a questão economica, quanto culturalmente. É a crônica de um tempo.”

Essas palavras são do fotógrafo Bob Wolfenson, o responsável pelo ensaio fotográfico “Sonhando Acordado”, uma celebração aos 20 anos de SPFW e aos encontros de inúmeros profissionais que fizeram parte dessa história. A mostra tem curadoria de ninguém menos que Paulo Borges e pode ser conferida em primeira mão nessa edição do SPFW, seguindo depois para outras cidades. O Estadão fez uma entrevista bem incrível com o fotógrafo sobre essas fotos, sobre sua carreira e sobre a importância que ele vê na fotografia de moda.

A Marina Espindola do Costanza Who fez um texto bem interessante sobre a necessidade (ou falta dela) da semana de moda carioca e o que esse hiato de Fashion Rio representa para a indústria de moda brasileira. Vale a pena ler e acompanhar os próximos capítulos dessa história.

Erika Palomino não só é uma das profissionais de moda mais talentosas e importantes do Brasil, como também não tem papas na língua e fala o que pensa (desde o começo de sua carreira), sem medo das críticas. Ela tem um olhar de insider e de vanguardismo que eu admiro horrores e nessa entrevista para a FFWMag 39 – e que teve uma parte postada no site do FFW – ela, mais uma vez, bota o dedo na ferida e fala sobre moda, blogs, seu trabalho, sua saída da L’officiel, suas visões para o mercado e mais uma porrada de coisas que fazem a gente pensar um bocado. Da série: tem que ler!

Todo mundo viu e reviu a despedida de Gisele Bundchen das passarelas, mas eu não podia deixá-la de fora dessa lista, pois continuo a achar esse momento emocionante e super importante pra moda brasileira. Porque, verdade seja dita, Gisele está ligada de forma incontestável com a moda nacional, não só porque cresceu nesse meio, mas porque foi uma importante “ferramenta” para que os olhos da indústria por aqui pousassem. Sua despedida foi tão bonita, divertida e humilde (ela fez questão de encerrar a carreira por aqui, no SPFW, desfilando pra marca que sempre a apoiou) quanto a sua trajetória profissional. No videozinho aqui de baixo do canal da Lilian Pacce dá pra rever esse momento.

E como não se faz uma semana de moda sem bons desfiles, pra encerrar essa lista fica aqui esse textinho da Harper’s Bazaar falando sobre a coleção de verão 2016 da Acquastudio que eu achei mega inspiradora e que foi buscar referências na flor que anuncia a chegada da primavera no Japão, a cerejeira. Na galeria de fotos é possível conferir de perto os shapes e estampas de que falam a matéria e ficar tão apaixonada quanto eu por essa coleção.

Bisous, bisous

O Rio de Janeiro continua lindo!

Em semana de Fashion Rio, muita gente, – seja daqui do Brasil ou lá de fora – para pra assistir os desfiles que acontecem nesses cinco dias, pra saber o que tá rolando de tendência pra próxima estação, pra ver os famosos que passaram pelo Pier Mauá (é, pois é). Mas não é só isso. Quem vem pra cá ou mesmo pra quem já é do país, quem acompanha a cobertura dos portais ou que tá lá, cobrindo, assistindo, comprando na semana de moda carioca, sente uma vibração que não é exclusiva do evento. É uma coisa que transpira em cada foto que você vê, em cada entrevista dada, em cada matéria que você lê. É uma bossa única que atende pelo nome de Rio de Janeiro.

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E olha que essa história começa lá atrás, quando a cidade ainda nem era uma cidade, mas um pedaço de terra disputado por franceses e portugueses. Nossos colonizadores ganharam a disputa e ali começou a história de fato. A cidade, agora já “São Sebastião do Rio de Janeiro” cresceu, virou região preciosa pro comércio portuário e foi uma das pioneiras no desenvolvimento do país, até que virou capital do Brasil, perdendo o posto em 1960 para Brasília.

E o que que essa história História tem a ver com Fashion Rio? Tem tudo a ver, eu diria.

O desenvolvimento e pioneirismo do Rio foram importantíssimos para a efervescência cultural que dominou a cidade nas décadas de 50 e 60 e que, por sua vez, foi responsável por criar o cartão postal em que ela se transformou, pelo lifestyle que só o carioca tem, que só sua moda, sua literatura e sua música possuem.

Samba do Avião – Tom Jobim
(Quando em 1962 Tom Jobim escreveu os versos de Samba do Avião que diziam “Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você”, Tom tomou a liberdade de falar não só por si, mas por milhares de pessoas que tendo ou não passado pelo Rio, sentem esse amor pela cidade.)


Quando o Fashion Rio surgiu em 2002, a escolha da cidade do Rio de Janeiro não foi à toa. A Dupla Assessoria buscou apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) para que o evento fosse realizado ali por um motivo muito específico: o Rio de Janeiro é uma cidade que representa o Brasil lá fora. “O Rio era e é, sem sobra de dúvida, o melhor cartão-postal do Brasil. É uma ferramenta internacional forte e indiscutível para se chamar atenção para a produção de moda no Brasil. O Rio é idealizado no imaginário do mundo inteiro, como a capital do verão, das pessoas que vivem um lifestyle em torno das águas…” – Eloysa Simão para o “História da moda no Brasil”.

Vale lembrar que nesse mesmo ano, a Dupla Assessoria criou o Fashion Bussiness, uma feira de negócios que ocorria em paralelo aos desfile do Fashion Rio e, dois anos depois, foi a vez de aparecer o Rio Moda Hype, evento que revelava novos talentos da moda brasileira (Fernanda Yamamoto deu seus primeiros passinhos aí!).

Ou seja, o Fashion Rio nasceu de uma vontade bem diferente da do SPFW, que tinha mais a ver com organizar a confusão que eram as apresentações da moda brasileiras na época, acontecendo cada uma em um canto, em um período. Nós já tínhamos o exemplo de que uma semana de moda no Brasil conseguia vingar (depois de Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e o próprio SPFW tava mais do que comprovado), mas ainda havia uma necessidade diferente daquela que reinava na capital paulista. Mais do que um evento pra mostrar o talento de tanta gente incrível que tava aí pelo Brasil, o Fashion Rio já nasceu com essa vontade de ter um espaço mais comercial e aproveitar a ‘imagem carioca’ pra vender, literalmente, nossa moda pra fora. Era uma vontade de dizer que nós não apenas fazíamos moda, mas que também podíamos vendê-la e exportá-la. E que tínhamos competência, público e inteligência pra sermos bom com as ideias e também com a mão na massa.

O Fashion Rio pelas lentes do instagram da @glamourbrasil, @girlswstyle, @riotec, @bazaarbr, @modices e @bluemanbrasil

Entre verdades e meias verdades, desde o seu início o Fashion Rio se tornou o “grande rival” do SPFW, gerando uma série de mudanças no calendário dos eventos, muita falação da mídia e muita coisa entalada na gargante de seus organizadores. O fim de todo o auê só veio mesmo em abril de 2009 quando a Dupla Assessoria saiu de cena e a Abit e Firjan fecharam novo contrato com a Inbrands, que por sua vez passou a organização do evento para a Luminosidade. Ou seja, Paulo Borges estava na jogada, baby.

Teve quem amou e quem odiou. Teve gente que disse que o evento tinha perdido seu gingado carioquês, que o Fashion Rio não era mais o mesmo e que tava tudo errado. Teve aqueles que, por outro lado, amaram, que acharam as mudanças (a começar pelo número de desfiles que caiu de 41 pra 29) incríveis, que o evento finalmente tava na rota certa. Enfim, houve de tudo. De certeza mesmo só ficou uma. Mais do que usar a imagem do Rio pra mostrar o evento, as novas mudanças do Fashion Rio só caminhavam pra um lugar: colocar a cidade como “capital da moda praia” e o evento como seu grande cartão de boas-vindas.

Em pleno 2013, no momento em que acontecem os desfiles do Fashion Rio verão/2014, há muito que o evento parece ter encontrado seu rumo. Sob a batuta da Luminosidade acabaram-se as “brigas”, e as duas semanas de moda passaram a somar e a caminharem cada vez mais pra focos bem diferentes.

Que o Fashion Rio cresceu e cresce a cada temporada é indiscutível. Isso se reflete não apenas na sua grande estrutura e seriedade que se comprovam em toda edição, mas também no destaque nacional e internacional que os desfiles, sua moda praia e é, claro, a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro ganham. Até porque, sejamos sinceros, com tanta beleza assim, como não se apaixonar?

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você”

Samba do Avião – Tom Jobim