Essa não vai ser a primeira vez que eu falo sobre drag queens aqui no blog. E, com certeza, muito menos a última. Esse é um universo que eu admiro, que me inspira e do qual eu ainda pretendo escrever muito por aqui. Mas enquanto não rola textão sobre a história dessas artistas maravilhosas (vai ser textão mesmo, então isso demanda um pouquinho mais de tempo), eu aproveito pra falar de uma drag em especial que roubou meu coração. Uma drag novinha, de uma personalidade admirável (dessas que a gente queria ter de BFF) e que tem uma voz sensacional.

Com vocês, Adore Delano!

Danny Noriega, o garoto que dá vida a drag Adore, tem 25 anos. Em 2008, ele participou do programa American Idol, mostrando pela primeira vez ao mundo o quanto ele amava cantar e o quanto fazia isso muito bem. Já vi algumas entrevistas do Danny em que ele conta sobre as boas e más lembranças que essa sua passagem pelo programa trouxe. Das boas, ficou o reconhecimento do seu talento (ele chegou até as semi-finais daquela edição) e das más, o fato de não ter assumido, sem amarras, quem de fato ele era. Apesar de já ter certeza da sua orientação sexual e do tipo de artista que queria ser, Danny era novinho demais na época da competição e, a pedido de sua mãe que tinha medo das críticas e das piadas que o filho poderia sofrer, ele preferiu não levantar nenhuma bandeira, fosse sobre a homossexualidade, fosse sobre drag queens.

Sempre que fala sobre esse assunto, dá pra sentir o tom de tristeza na voz de Danny. Lembro de um episódio de RuPaul’s Drag Race em que ele fica bem emocionado ao contar essa história e o quanto teve que segurar a onda no programa, emendando com um “Ela devia ter me deixado ir com o cabelo rosa. Isso sim teria sido legal.”

Foi, aliás, sua participação na sexta temporada de RuPaul’s Drag Race, que fez com que Danny, ou melhor Adore Delano, aparecesse mesmo para o mundo. Foi com sua personagem MARAVILHOSA, com jeito de adolescente desbocada, nada polida, doida, melhor amiga e super do bem, que Adore conquistou meu coração e o de todos que assistiam aquela edição de RPDR. O mais engraçado é que apesar de amar Adore, eu não torcia para ela na época do programa. Não vou dar spoilers se ela ganhou ou não (e se você aí não conhece essa competição incrível, dá uma lidinha nesse texto aqui do blog e depois corre dar o play na primeira temporada), mas o que eu posso dizer é que eu acho Adore uma estrela em ascensão, alguém que ainda tem muito a aprender. Quem assistiu o programa, viu, a cada episódio, ela ganhar um pouquinho mais de experiência. Por isso que, na época, minha torcida ia pra Bianca Del Rio, uma das drags mais performáticas que eu já vi na minha vida, comediante nata e que, recentemente, foi chamada pelo New Work Times de “a Joan Rivers do mundo drag queen”.

Adore pra mim é aquela pessoa que a gente sabe que tem um potencial enorme, um coração maior do que ela mesma e que ganha um pouco mais de maturidade a cada show, cada apresentação, cada música, cada passinho que dá na sua vida e na sua carreira. A gente tá vendo ela crescer bem aqui na nossa frente e isso é uma das coisas mais legais da gente poder acompanhar quando é alguém de quem a gente tanto gosta.

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Adore e Bianca, Bianca e Adore <3

Eu já havia visto Adore cantar algumas vezes – em vídeos do youtube e mesmo em algumas provas do RuPaul’s Drag Race – e apesar de saber que ela tinha uma voz linda, não conhecia de verdade seu trabalho como cantora. Até então, o que tinha me encantado nela era essas mistura danada de boa que resultava da sua personalidade como Danny e da personagem drag por ele criada. Mas aí, no ano passado, ela lançou seu primeiro álbum chamado “Till Death Do Us Party”. Pronto, tava feito o estrago (bom) na minha vida.

De todas as drags que se lançaram em carreiras musicais após a saída do programa, é incontestável que Adore teve a melhor repercussão. Mesmo Courtney Act, (que até onde eu sei não lançou álbum pós RuPaul, mas que sempre foi admirada pela sua voz, foi finalista do Australian Idol e é uma grande celebridade na Austrália) me parece não ter conseguido essa aceitação mundial no meio musical que Adore vem tendo. A quantidade de clipes – muito bem produzidos, por final – e a agenda de shows que não para, só atestam ainda mais seu sucesso.

Minhas músicas preferidas ficam entre “I Adore You” (não à toa, frase título desse post e um trocadilho maravis pro quanto eu gosto dessa drag), “Party” e “Hello, I love you”, mas confesso que ando escutando ” My Adress is Hollywood” no repeat.

(amo esse clipe aqui de baixo por motivos de: Nina Flowers ♥)

Agora em abril, Adore passou com sua turnê de “Till Death Do Us Party” pelo Brasil e, cheia de simpatia, uma boa voz e seus bordões famosos como “I’m a fucking Libra”e “Party!”, ela fez shows em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife. É incrível como todo mundo que eu conheço e/ou sigo em redes sociais e foi no show dela, amou cada segundinho da sua apresentação. Vi gente fazendo altos discursos de como, além de uma delícia de escutar e dançar, aquele foi um momentinho mágico de total aceitação e diversidade.

Não bastasse tudo isso, Adore postou em seu instagram essa imagem aqui, com direito a hashtag de #oiMiga para uma fã brasileira que foi em vários dos seus meet and greet. Diz se não é alguém que você quer colocar num potinho? <3

Bisous, bisous cheios de poder drag