Vocês devem se lembrar que no Oscar do ano passado, Patricia Arquette, ao ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante por Boyhood, fez um dos discursos mais inspiradores e empoderadores da noite, pedindo igualdade salarial para homens e mulheres. O discurso ganhou uma projeção gigante na mídia, e a falta de espaço e reconhecimento dado ao universo feminino – especialmente dentro da indústria cinematográfica – recebeu, felizmente, muito mais atenção.

Só que vale lembrar que além da questão salarial, outras desigualdades de gênero parecem dominar o cinema, especialmente quando olhamos para Hollywood. E pra constatar isso, não é preciso ir muito longe não.

Quer coisa mais intrigante (pra não dizer absurda) do que perceber que em 86 anos de Oscar, apenas quatro mulheres foram indicados à melhor direção?! A disparidade é tão grande que custa a acreditar que isso é mera coincidência.

A atriz Ingrid Bergman em 1953 no set de filmagens de "Nós, as Mulheres"

A atriz Ingrid Bergman em 1953, no set do filme “Nós, as Mulheres”

No ano passado, a ACLU (American Civil Liberties Union), uma ONG norte-americana de defesa dos direitos do cidadão, enviou uma carta às autoridades da Califórnia pedindo uma fiscalização da indústria cinematográfica de Hollywood devido a uma exclusão generalizada de mulheres diretoras, tanto no cinema quanto na TV.

Os dados que a ACLU mostram são interessantes porque já fazem cair por terra aquela que seria a resposta mais óbvia para a falta de mulheres nessas grandes produções:  a de que há poucas diretoras no mercado. Na verdade, o número de homens e mulheres se formando em escolas de cinema tem sido bastante equiparável nos últimos anos, destruindo a ideia de que não existe uma mão de obra qualificada feminina para o serviço.

Mas se existem então homens e mulheres cineastas quase que na mesma medida, porque apenas homens dominam o mercado?

Eu encontrei a resposta pra essa pergunta na fala de alguém que vê, todos os dias, o preconceito de perto, a diretora Jane Campion, uma das quatro mulheres indicadas à melhor direção no Oscar. Em entrevista ao The Guardian, ela disse “At film schools, the gender balance is about 50/50. Women do really well in short-film competitions. It’s when business and commerce and art come together; somehow men trust men more.” Algo como “Nas escolas de cinema, o equilíbrio entre os sexos é de 50/50. Mulheres se saem muito bem em competições de curta-metragens. É quando o business, o comércio e a arte se juntam, que de alguma maneira homens confiam mais em homens.”

Ou seja, ainda que haja uma mão de obra numerosa e qualificada de mulheres no mercado cinematográfico, quando estamos falando de grandes produções, é ainda uma maioria esmagadora de homens que financiam e dirigem filmes e, consequentemente, ganham mais destaque dentro da indústria e de premiações como o Oscar.

Além de torcer para que se dê cada vez mais espaço e reconhecimento às diretoras de cinema, – assunto que felizmente parece vir ganhando cada vez mais discussão – achei mais do que válido falar aqui nesse post um pouquinho sobre as quatro ganhadoras do Oscar, já que esse prêmio além de ser delas, representa muitas outras das suas colegas profissionais.

E fica aqui a pergunta: quais diretoras de cinema vocês recomendam? Vamos espalhar esses nomes por aí e mostrar o devido reconhecimento que elas merecem!

Bisous, bisous