Os cinco de outubro

Agora sou uma jornalista formada! \o/

Outubro foi um mês muito importante pra mim. Entre os vários motivos que explicam isso (um beijo, Di, que completou 26 aninhos nesse mês!), a minha colação de grau, ao lado de toda minha família, amigos e do próprio Diego que pra quem não sabe era da minha turma da faculdade e se formou junto comigo, foi tipo a coisa mais incrível desse mês que passou. Como eu já tinha contado nesse post aqui, eu terminei todas as minhas aulas já no final do ano passado, entreguei o TCC em junho e, teoricamente, deveria ter me formado em jornalismo ainda no meio do ano. A Unesp, no entanto, entrou em uma greve que durou meses (a primeira desde quando eu comecei a estudar lá, em 2009) e só agora as aulas voltaram e a faculdade pode fazer nossa colação de grau. E digo sem pieguices que valeu mesmo cada minuto de espera.

Sei que “é só um papel”, mas o significado que há por trás dele é tão forte, tão importante e tão recompensador na minha vida, pessoal e profissional, que chega a ser difícil colocar tudo isso em palavras. Fora que poder me formar junto com o Diego e viver esse momento de felicidade juntos, é algo que não tem preço.

Lá na cidade dos meus sonhos…

Paris é a cidade que eu mais sonho em conhecer no mundo. Lógico que há uma lista bem grande de lugares, dentro e fora do Brasil, que eu espero (e vou!) um dia colocar meus pés, mas Paris é inigualável. Já faz muito tempo que eu sonho com o dia que eu vou ver a Torre Eiffel toda iluminada durante a noite, com o dia que vou passear pelos jardins do Château de Versailles, com o tão esperado dia que vou conhecer a Champs Elysées, o Arco do Triunfo, a Praça da Concórdia e tantos outros lugares não tão famosos, mas nem de longe menos importantes ou menos belos. Na real, eu espero em breve realizar um sonho que eu e Diego temos de fazer uma grande viagem pela Europa e conhecermos essas cidades e lugares que a gente ama, ainda que através dos livros e filmes. Essa é, com certeza, uma das maiores metas de 2014.

Universo de referências

Cês me perdoem a redundância já que eu falei desse assunto aqui no blog mês passado, mas me sinto muito inspirada toda vez que olho pra estante (e pras mil pilhas espalhadas pelo quarto e sala) e vejo minha coleção de revistas ali à mostra. E nem são só revistas de moda, mas algo bem mais geral mesmo. Tem Piauí, tem Zupi, tem Carta Capital, tem um pouquinho de tudo.

Lógico que tem muitas magazines que a gente acaba se apegando mais porque tem mais a ver com a gente e com nosso universo, mas eu gosto muito de comprar coisas novas na banca – e quando não dá, conseguir ter pelo menos um gostinho dela pela internet ou ler pelo ipad. Nunca se sabe quando a gente vai encontrar uma nova Lula por aí, né? Aliás, falar mais sobre revistas, sua história e sua importância, é algo que quero botar em prática aqui no blog.

O amor pela passarela

Eu conheço muita gente que ama moda, mas que não é muito fascinado assim por esse lance de assistir desfiles. Só que pra mim quando as luzes se apagam, vem aquela voz de fundo anunciando quem vai se apresentar (ou tipo as normas de segurança como é no SPFW), já me dá um friozinho na barriga. Eu gosto MESMO de ver desfile, gosto MESMO de ler release, de querer saber o que as pessoas acharam, de ver os detalhes das roupas. Mexe comigo de uma forma diferente ver as roupas ali em cima da passarela fazendo parte de um contexto ao invés de vê-las simplesmente penduradas em cabides numa arara. Desfile pra mim é mais do que algo que vejo por causa da profissão que quero seguir, mas é principalmente algo que vejo porque me inspira, me enche de ideias, me dá uma sensação boa. É amor e amor é mesmo algo difícil de se explicar.

A foto daqui é do Social Bauru Fashion Show, um evento muito bacana que fui em outubro e de que eu falei aqui.

Dançar como se não houvesse amanhã

“Blue jean baby, L.A lady
Seamstress for the band
Pretty eyed
Pirate smile
You’ll marry a music man
Ballerina, you must’ve seen her
Dancing in the sand
And now she’s in me, always with me
Tiny dancer in my hand”

Em um momento super bobo, mas muito gostoso: brincar de posar pra câmera enquanto dançava uma das músicas mais importantes da minha vida, “Tiny Dancer”.

Todas as fotos do post são do meu instagram, @paulinhav.

Bisous, bisous.

Rick Owens e a beleza sem padrões

As semanas de moda internacionais acabaram e o São Paulo Fashion Week também. Amém. Dá-lhe ver desfile, se apaixonar por tema de coleção, pirar na exposição “The Little Black Jacket” que agora tá no Brasil, acompanhar dança de cadeira de estilista e ainda dar uma zapeada pelas notícias únicas que sempre têm em cada edição. E claro, junto com tudo isso, ainda ter fôlego pra acompanhar Fashion Rio que tá só começando.

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

Eu sei que alguns acontecimentos dessas semanas de moda já foram incansavelmente falados, – e em tempos de internet o conceito de notícia velha tá mais pra dias do que meses ou anos – mas ainda assim eu me pergunto qual o propósito de ter um blog, portal, revista ou qualquer outro meio que gere debate e informação se a gente se priva de falar de tudo aquilo que já foi noticiado ou que teoricamente já esfriou. Não existe cartilha pra opinião e, penso eu, algumas coisas precisam mesmo serem vistas e revistas pra gente poder enxergar outros dos seus ângulos e influências a curto e longo prazo.

Então, eu quero sim falar sobre o desfile do Rick Owens.

Pra quem não viu o desfile ou não leu nenhuma das notícias que pipocaram sobre o assunto, no seu desfile de verão 2014 Rick Owens fez uma performance onde as modelos deram lugar a 40 mulheres de quatro grupos de danças dos EUA, o The Zetas, o Washington Divas, o Soul Steppers e o Momentums. Todos grupos de step, que pelo que eu pesquisei é um estilo de dança onde as pessoas utilizam o corpo todo como uma forma de expressão, usando passos de dança, palavras e gritos de força e palmas pra criar a coreografia. Ou seja, substitui-se o carão de modelo pelo carão de força das dançarinas, que gritaram, dançaram, pularam, bateram palmas e passaram um energia meio alucinante até pra quem assistia pela internet, como eu.

Negras, brancas, magras, gordas, whatever, a passarela se transformou no palco delas e em uma mensagem muito clara de respeito à individualidade e respeito às diferenças. Vale ler esse texto aqui do FFW pra entender com mais detalhes o que rolou no desfile.

“Nós rejeitamos a beleza convencional e criamos nossa própria beleza”
Rick Owens, após sua apresentação.

O Trend Coffee, que eu tenho lido cada vez com mais brilho no olho pelos textos bem embasados e incri que vem publicando, já disse algo muito importante sobre o assunto: “Rick Owens não inventou a roda”. E é verdade. Tanto não inventou que o conceito de desfile espetáculo é mais do que normal na moda e em toda temporada a gente vê não só um, mas vários desfiles que usam da ideia de criar um “show” para ajudar a contar a história daquela coleção.

Acontece, no entanto, que a grande maioria desses desfiles trabalha com apresentações que servem apenas de suporte pra mostrar aquilo que em teoria é o cerne da questão, ou seja, a própria coleção. A apresentação serve pra dar aquele gostinho a mais de inspiração, pra criar uma atmosfera que mostre ao público o que aquelas peças querem dizer e no que aquela coleção foi inspirada. Ela é suporte e não motivo.

Por isso que muito me espantou e deixou feliz ver esse desfile do Rick Owens. Que ele sabe ser criativo nas suas apresentações eu já tava sabendo, mas o que eu não sabia – e que me faz entender esse desfile como algo muito maior do que um cenário, uma atmosfera ou um suporte para uma coleção – é que ele sabe enxergar o espaço que ele tem dentro da moda muito além do que um espaço de autopromoção. Citando a Babi Carneiro que soltou essa frase foda enquanto conversávamos sobre o assunto “(…) Se você não subverte o modelo num momento em que todos os holofotes estão contigo, não subverte nunca ”

E é bem isso.

©Reprodução

©ImaxTREE

©Reprodução

É difícil falar de beleza, de aceitação, seja do corpo, do biótipo, do estilo, do tipo de cabelo, whatever, quando a gente vive não só em uma época cheia de imperativos no assunto, mas principalmente em uma área onde ao longo dos anos criou-se uma ideia de beleza ideal. E se você quer ser diferente daquele tipo de beleza, tudo bem, ‘eles entendem’, mas tu precisa vir com uma etiquetinha que expresse bem isso: se é modelo pluz-size precisa estar em um editorial ou em um desfile disso; se é tida como andrógina, maravilha, o mundo da moda te acolhe, mas essa sua característica é aquilo que te define e que te coloca em determinados tipos de casting. Ou você realmente espera pegar todo tipo de desfile que uma modelo “comum” pegaria?

Há uma falsa ideia que ronda nosso mundo e nossas ações de que a despeito de tanto ideal de beleza aí impingido pelo mundo, nós pensamos diferente. Acreditamos que a beleza de cada um é a beleza de cada um, e que essa história de beleza ideal é pura besteira. Veja bem, nós acreditamos nisso, e eu não duvido mesmo disso em momento algum, mas apesar de defendermos essa ideia, a gente só aceita a modelo plus-size quando ela tá inserida em um contexto específico pra isso. E se alguém resolver colocar uma mulher normal em meio a um desfile de modelos magérrimas, a certeza de que a mídia vai falar sobre isso é 99 em 100. Por que? Porque a gente ainda acha isso diferente, porque apesar de acreditarmos que beleza ideal não existe, a gente aceita a diversidade em contextos específicos.

Em resumo, aquilo que a gente acredita e aquilo que a gente faz ainda são coisas muito distintas.

©The Sartorialist

©The Sartorialist

©The Sartorialist

Por isso que pra mim falar sobre beleza da maneira como o Rick Owens falou é tão importante. Ele não criou a roda, eu sei, mas ao meu ver, diferente do que a maioria faz, o que ele usou como suporte do desfile foi a roupa e não a apresentação. Aqui a apresentação foi fim e não meio. E mais importante de tudo: ele encontrou um jeito forte, poderoso e baita reflexivo de fazer a gente pensar sobre a beleza que domina a passarela, sobre a beleza que a gente acredita, e sobre a ideia de beleza que a gente de fato pratica.

E, veja bem, isso é um bocado para se pensar.