Paris Fashion Week verão 2014 #2

Pra quem perdeu a primeira parte dos desfiles queridinhos de Paris, é só clicar.

E vem comigo que agora é hora da parte 2!

Chanel

Chanel verão 2014Chanel com certeza sempre é um dos desfiles mais aguardados da temporada. Claro que o motivo número um são as roupas, que sempre fazem a gente suspirar, mas já faz tempo que Lagerfeld mostra beleza não só nas peças desfiladas, mas na própria cenografia da apresentação, que sempre tem um toque de interessância. Dessa vez não foi diferente e no Grand Palais, local do desfile, o que os convidados viram assim que chegaram foram identidades muito fortes da marca em tamanhos gigas e revisitadas. Por exemplo? O logo da maison, o famoso perfume Chanel nº5 (trabalhado todo em uma versão meio robótica) e até uma de suas clássicas bolsas, todos enormes e em versões modernas e artísticas. Arte, aliás, foi o assunto que mais permeou o desfile aqui, já que a ideia de transformar o clássico em lúdico e artístico não ficou só na cenografia, mas foi também pra peças. O destaque pra mim com certeza são para os tailleurs da marca, um dos maiores símbolos da Chanel e que, aqui nesse desfile, ganharam as mais variadas versões. Parece até que Karl Lagerfeld brinca de provar pra gente que peças assim, com um DNA e uma história tão forte, são possíveis de serem adaptadas para os mais diferentes estilos e formas. Ou seja, que roupa atemporal é atemporal exatamente por isso, porque se adapta, porque permite experimentações, porque funciona de diferentes maneiras.

Alexander McQueen

Alexander McQueen verão 2014Nunca mais irá existir alguém igual a Alexander McQueen. Tô até com vontade de resgatar um post antigo meu em que falei sobre o estilista e trazer aqui pro blog, porque com certeza ele é um dos meus maiores ícones, um dos caras mais originais, gênios, louváveis e inteligentes que souberam trabalhar a moda como expressão cultural e artística.

Quando uma nova pessoa teve que assumir a direção criativa da marca, depois da trágica morte do estilista, deu um aperto no peito e um medo do que ia acontecer. A Sarah tinha a maior das competências, é claro, mas o trabalho do McQueen parecia tão intocável que havia um certo temor, sabe? Uma coisa difícil de explicar, mas que se justificava pelo trabalho tão visceral que o estilista fazia em cada uma de suas apresentações. Mas aí veio a Sarah, que já tinha trabalhado anos a fio ao lado de Alexander, e que mostrou que por mais que nunca a gente vá ter um novo McQueen, ainda é possível manter sua marca extremamente forte e extremamente artística, fazendo jus a memória de seu dono. A Sarah captou muitas das nuances do McQueen e às vezes são vislumbres tão grandes – como nessa coleção – que a gente sente que, de alguma forma, McQueen deixou um legado não só naquilo que fez, mas nos seguidores que deixou por aqui.

Deu uma nostalgia, sabe…

Louis Vuitton

Louis Vuitton verão 2014Coisa mais incri esse desfile. Incrível porque ele presta uma homenagem linda à carreira de Marc Jacobs, afinal nesse verão 2014 o estilista deu adeus a Louis Vuitton, a marca onde foi diretor criativo nos últimos 14 anos e a marca também que fez ressurgir das cinzas e voltar a ser badalada, a ser comercial, sensual e ousada.

No desfile tudo era uma homenagem ao que Marc já fez em suas apresentações pela maison e também as inspirações que grandes mulheres sempre levaram para as coleções que desenhou. Tanto que o estilista disse que dedicava o desfile a “todas as mulheres que o inspiraram e à “showgirl” em cada uma delas” e citou ainda  alguns nomes como Coco Chanel, Cher, Sofia Coppola, Catherine Deneuve, Diana Vreeland e Vivienne Westwood. Mulheres que inspiram poder e beleza por inúmeros motivos. Já na retrospectiva de sua carreira, o revival começou pela cenografia – que misturou várias das ambientações que Marc Jacobs já fez em desfiles da Louis Vuitton, como carrossel, escada rolante, corredores de hotel, etc, – com a sua própria história na marca contada através das roupas.

De cara, abrindo o desfile, um look que não poderia ser mais a cara de Marc Jacobs: cheio de transparência, sensualidade e os já famosos grafites de Stephen Sprouse que já apareceram incansavelmente em várias das peças e acessórios da Louis Vuitton. Além disso, o preto foi a cor que dominou o desfile do início ao fim (detalhe para algumas calças jeans que quebraram o total black e trouxeram aquela mistura de estilos que o estilista sempre faz tão bem), exatamente o mesmo que havia acontecido em sua estreia na marca.

Só dá ara desejar que essa nova fase com Nicolas Ghesquière seja tão inspiradora e chocante (acho que esse é o melhor termo pra se falar do que foi Marc Jacobs na Louis Vuitton) quanto foi até aqui.

Miu Miu

Miu Miu verão 2014Eu sou uma pessoa bem chata pra estampas. Bem chata mesmo. No entanto, – entre outras milhares de inspirações, é claro – a Miu Miu tá nesse pequeno reduto de marcas que conseguem me deixar com essa sensação de “aff, sai de baixo que vou querer ter essa estampa pra sempre na minha vida”. Pode parecer bobo, mas é assim mesmo que eu me sinto desde aquele desfile de verão 2010, quando surgiram essas estampas aqui e eu fiquei ainda mais hipnotizada pela marca.

Agora, no verão 2014, as estampas voltaram. De uma maneira bem diferente sim, mas tão lindas quanto as da outra coleção e agora inspirada em papeis de parede! Junto com elas, toda uma referência aos anos 60 que vem refletida no formato das peças, nas meias 5/8, no ar retrô e até nos sapatinhos estilo Mary Jane. Os casacões de tamanho giga são sempre meu preferidos e nessa coleção tão especialmente lady like e elegantes.

Um beijo, Miu Miu, que cê é muito linda mesmo!

Ps: como já tinha falado no primeiro post de Paris, não é que eu esqueci do desfile do Rick Owens não! Acontece que ele é tão importante pra esse momento que estamos atravessando, não apenas na moda, mas também na área de beleza, onde parece que cava vez mais esse lance de estereótipos e “padrões” tá sendo jogado (e aceito!) pela mídia, pelas pessoas, pela sociedade em geral, que vale muito a pena fazer um post só pra ele, pra gente poder refletir juntos sobre seu significado. Ok? Até o final da semana tento postá-lo por aqui…

E ah, espero que vocês tenham gostado desses meus pitacos sobre as semanas de moda internacionais! Pra quem não viu, seguem abaixo os links de todos os posts.

Nova York Fashion Week verão 2014

Mais da NYFW verão 2014

London Fashion Week verão 2014

Milão Fashion Week verão 2014

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Deixem suas impressões sobre os desfiles nos comentários!

Bisous, bisous

O que é beleza para você?

Este texto é de 2011 e já foi postado em um antigo blog de moda que eu tinha e nem tá mais no ar, mas como eu o amo muito resolvi trazê-lo pra cá. Espero que vocês gostem!

Sempre me pego pensando no que beleza realmente significa pra mim. O que realmente enxergo em alguma coisa, pessoa ou situação pra dizer que aquilo é belo. Talvez seja sua essência, talvez suas cores, talvez a forma como me atinja e me faça pensar. Beleza pode ter uma série de significados e sentidos pra mim e, se pra mim, apenas uma entre milhões que habitam esse planeta, beleza não é apenas uma coisa, mas inúmeras coisas que se misturam e se confundem, como a gente pode acreditar que exista um padrão de beleza universal? E não, não to falando apenas de beleza física ou intelectual, porque podemos encontrar beleza nos costumes, nas épocas, no modo de caminhar, nas roupas, nas expressões, nas atitudes….

Se tamanha heterogeneidade me faz desprezar esse tão famoso padrão de beleza universal, me pergunto de onde ele surge, pra onde vai, mas o mais importante de tudo: quando e como quebramos essa chamada “beleza correta” vigente? Porque sim, esse chamado padrão também é cíclico, também é um tanto quanto efêmero e sai de cena quando alguém (ou algo) derruba o que é aceito pela maioria. E são essas pessoas que chacoalham nosso mundinho quadrado que me encantam.
Isso tudo porque, em um dia como outro qualquer, de repente alguém resolveu perguntar: “mas porquê isso também não é belo?”

Podemos começar olhando lá atrás, ainda no Renascimento. O corpo começou a ser muito estudado na época, em áreas que iam da antropologia até a pintura, por ser uma das bases do movimento Renascentista. E aí que, numa época em que a desigualdade social era massacrante (não, gente, eu to falando do passado mesmo), a importância da posição social e do satus era tão forte que a ideia que se fazia de beleza física vinha associada a isso. No caso das mulheres, que ficavam muito mais tempo enfurnadas em seus grandes palácios – muito mais do que os homens – comida em excesso era normal. Ter muita comida, poder comer muito era sinônimo de dinheiro, poder, status mesmo e, assim, bonitas eram as mulheres mais roliças, com braços mais fortes e com um corpo que demonstrasse literalmente os excessos da vida no reino.

Através da pintura a gente consegue entender muito bem esse espírito de beleza da época

Venus of Urbino, Tiziano Vecellio

Vênus de Urbino (1538) de Tiziano Vecellio

Essa é uma das imagens mais fortes de mudança nos padrões de beleza físico que já tivemos. Foi uma mudança drástica, influenciada pelos costumes, pela saúde, pela preocupação com o bem-estar não só da cabeça, mas também do corpo. E se hoje tem muita menina com medo dos ponteiros da balança (uma preocupação normal, ok? Não to entrando em questões médicas como anorexia, bulimia, etc), a gente vê nessas imagens uma quebra de valores enorme, profunda.

Mas não parou por aí. Outras mudanças viriam, thankgod,.

E pra começar, ninguém melhor do que ela, dona madeimoselle Chanel, pra tirar um sarro desse tal ”padrão de beleza” reinante.

Até Chanel chegar – fundou sua primeira casa em 1909 – e deixar as francesas atônitas com suas peças minimalistas e que emprestavam muita inspiração do armário masculino, o espartilho, as jóias e um sem fim de exuberância reinavam na França. Portanto, se antes a tal beleza vigente vinha traduzida no físico com a mulheres renascentistas mais roliças, agora vinha no vestuário, com as mulheres cada vez mais “enfeitadas”, presas e limitadas dentro de suas roupas. Mas aí chegou Coco Chanel mostrando que a liberdade também podia – e devia – ser beleza.

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Se a gente der um salto maior ainda, vamos ver lá na década de 80 uma outra quebra de padrão de beleza. Vindo de uma pessoa que, particularmente, eu admiro e acho um estouro de modelo. Kate Moss, quem mais poderia ser?

Na década de 80 as modelos que faziam sucesso, sucesso mesmo, estavam bem longe do tipo físico que a gente vê nas passarelas de agora. Só pra ter uma ideia, os nomes iam de Cindy Crawford até Naomi Campbell, mostrando modelos com um visual mais bombshell, mais curvilíneo mesmo.

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Aí Kate Moss apareceu com seus 15 anos num ensaio histórico para a revista britânica The Face. Em fotos p&b em que aparecia semi-nua, o mundo viu uma garota esquálida, com um Q de androginia e uma beleza mega diferente aparecer. O editorial chamado “O terceiro Verão do Amor” rendeu um falatório imenso na época. Afinal, quem era aquela menina?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Hoje, numa rápida pesquisa sobre sua vida, a palavra antimodelo aparece aos montes, exatamente porque Kate conseguiu se destacar como o belamente estranho naquele mundinho tão “perfeito” das passarelas. Acho uma revolução linda. Acho que talvez nem ela mesma tivesse noção do que a sua aparência, o seu jeito meio menino, meio punk significasse. E óbvio que Kate Moss mudou muito dos seus 15 anos pra cá. Teve altos e baixos, – se envolveu com as drogas, foi julgada, demitida da Chanel, Burberry, H&M e H. Stern e, praticamente, viu sua vida pessoal e profissional ruir diante de seus olhos – mas continua aí, linda e com uma imagem mega forte.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

A mudança que Lara Stone trouxe pode até parecer menor, mas acho que é uma mudança significativa também, em vários pontos. Ela não foi a primeira menina com diastema a ser um estouro no mundo da moda – Brigitte Bardot já dava escola muito antes dela – mas acho que talvez tenha sido a primeira que soube usar como seu ponto forte, um considerado ‘defeito’ de beleza.

Lara Stone

Se a Lara Stone soube aproveitar isso, que já nasceu com ela – e é claro que não foi apenas os dentes da frente separados que a transformaram no que ela é hoje – porque você, cara pálida, também não faz o mesmo contigo? Não to falando apenas de beleza física aqui, mas qualquer tipo de beleza singela e verdadeira que cada um tem de uma maneira diferente.

São essas pequenas belezas diferentes, esses pequenos brilhos que tornam a vida mais rica. De cores, pessoas e atitudes.

Ps: as imagens de mulheres dos anos 1910 e 1920 não são de minha autoria. Eu tinha as imagens salvas aqui nos arquivos do meu antigo blog, mas não consegui achar os créditos :/ Se você for o dono da montagem é só deixar um comentário aqui que eu vou ficar bem feliz de creditá-la pra ti!

100 anos de Chanel

Falar do desfile da Chanel me soa muito condizente com aquela expressão “chover no molhado”. Isso porque, até aqui, quase todos os sites e blogs de moda já devem ter subido suas opiniões e/ou análises sobre esse que é um dos desfiles mais aguardados da semana de moda de Paris. Só que por mais que todo mundo já tenha falado repetidas vezes sobre isso, eu fico me perguntando como não me juntar ao coro…

Beleza Chanel inverno 2013/2014

Beleza Chanel inverno 2013/2014

Mas por enquanto, vamos deixar de lado qualquer análise sobre a coleção em si. Chanel, só pra variar, foi deslumbrante. Só que nessa coleção, no ano em que a maison comemora os 100 anos de legado de mademoiselle Chanel, muita coisa – e não só a roupa – vem à tona e merece ser falada.

São 100 anos. Não 100 dias, nem 100 meses. 100 anos de história de uma das maiores marcas – pra muita gente a maior mesmo – do planeta. 100 anos de roupas que não são apenas roupas, mas que em muitas vezes alcançaram o status de arte e, em todas as vezes, o de inspiração.

No Grand Palais, local em que foi o desfile dessa coleção de inverno 2013/2014, Chanel parece mostrar que a seriedade, bom gosto e peso que tem desde seu lançamento continuam imutáveis mesmo depois de todo esse tempo. E afinal, tem como não se espantar com uma marca que tem o famoso toque de Midas? Que tudo aquilo que faz – absolutamente tudo – vira febre do dia pra noite, aparece copiada over and over again e faz uma legião de pessoas usarem ou resgatarem uma peça, acessório, maquiagem que jamais pensariam usar? Isso pra mim soa mais do que um poder de convencimento, isso pra mim tem a ver com um lugar na escalada do sucesso e, principalmente, do respeito ao seu consumidor ou só apreciador, – já que no caso da marca os da segunda categoria são muitos – em que eles confiam de olhos fechados naquilo que a grife faz. Em qualquer outra situação eu acharia isso ruim. Esse ‘vou fechar os olhos e deixar que ela me leve’. Em se tratando de Chanel eu acho entendível, acho até certo.

Eu só não consigo não me embevecer em ver uma marca com tantos anos se reinventar a cada coleção. Ser original sem precisar esquecer seu passado, suas raízes. Ser rentável sem precisar fugir da beleza, da arte. Eu me espanto todas as vezes.

E me encanto cada vez um pouco mais.

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

cChanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014