Gigi Hadid, a nova geração de modelos e um pouco da W de setembro

Não sei se já aconteceu com vocês esse tipo de situação, mas ela funciona mais ou menos do seguinte jeito: em uma bela manhã você “descobre” a existência de uma pessoa e pronto, do dia pra noite, ela coincidentemente começa a aparecer em todos os lugares por onde você vai, todos os livros e revistas que você lê e em todas as conversas que você se mete. O que te leva logo a pensar se a pessoa em questão sempre esteve por lá e você que nunca havia notado, ou se é só a vida mesmo brincando um pouquinho com a sua cara.

Eu não sei em qual dos dois casos eu me encaixo, mas sei que há alguns meses eu resolvi ler uma matéria sobre a Gigi Hadid, modelo que desde o ano passado vem tendo uma projeção meteórica na moda, e de repente começou a rolar uma profusão de fotos, notícias, imagens, curiosidades e tudo mais sobre essa mulher na minha vida. E sim, eu sei que é normal esse assédio louco da imprensa em cima dela por causa do momento da sua carreira, mas acreditem quando eu digo que comigo, em especial, tá rolando uma perseguição haha

Eu decidi então que seria melhor não nadar contra a corrente dessa conspiração e, ao contrário, olhar com mais atenção pra essa modelo que chegou de voadora na moda conquistando todo mundo e que, de quebra, ainda entrou pra gangue de amigas da Taylor Swift!

A Gigi Hadid vem dessa geração de modelos que transformou as redes sociais, especialmente o Instagram, em um veículo tão importante quanto as capas de revistas que faz. A gente já tinha visto esse fenômeno com outras (lembram quando Cara Delavigne estourou?) e Gigi entrou pra esse clubinho, que parece crescer cada vez mais e ditar um novo panorama no mercado: o das modelos que fazem sucesso porque são um sucesso, quase num fenômeno a la Kim Kardashian. E por falar em Kardashians, não dá pra esquecer de citar a irmã mais nova da família, Kylie Jenner, que também é um bom exemplo desse time.

Ainda que o estereótipo das supermodelos não tenho mudado em quase nada, o jeito de se fazer publicidade com ela e sobre elas, tem. E muito.  Por exemplo: ainda que eu acredite de fato que a gangue da Taylor é só feita de amigas, não é coincidência demais o fato de todas elas serem fenômenos no Instagram? E de Bad Blood ter sido gravado com todas juntas, gerando um buzz absurdo em cima da sua produção? E de elas fazerem uma aparição maravilhosa em um show da turnê de 1989, gerando notícias em todos os sites e revistas?

Eu acho que não e, na real, nem acho isso ruim. Acho apenas um novo jeito de se jogar o jogo.

A Gigi Hadid é uma das modelos que mais exemplificam esse cenário e é exatamente esse o assunto da W de setembro, que traz a modelo na capa, bem bombshell, e também no miolo, com um texto que tenta “desvendar o fenômeno Gigi” e com as fotos que ilustram esse post.

Fotografado por Steven Meisel e maquiada por Pat McGrath, nesse ensaio Gigi me lembra mais do que nunca Brigitte Bardot. Eu já havia notado a semelhança antes, mas nessas fotos, além da própria modelo, tem também o cenário, as fotos preto e brancas, os efeitos borrados e a atmosfera retrô e elegante que me transportam diretamente para as fotos e imagens de BB. E Gigi arrasa muito no editorial com seu jeito atrevido, ar glamouroso e roupas e lingeries sensuais.

Eu vejo as fotos e fico com vontade de usar uma lingerie bem linda, uns lenços poderosos na cabeça, um perfume bem cheiroso (daqueles que parece que abraçam a gente, sabem?) e ficar bem bonita pra mim mesma. Porque é assim que eu vejo esse ensaio: uma mulher agradando a si mesma, se dando o direito de ser linda e sensual pra ela e mais ninguém.

As fotos tão maravilhosas demais e vale lembrar que as revistas de moda de setembro são sempre mais especiais, o que só prova como Gigi Hadid é mesmo a garota da vez.

Fotos | Steven Meisel
Make up | Pat McGrath
Hair | Guido Palau
Styled | Edward Enninful

Bisous, bisous

Repetto no Brasil

Tem esse filme francês, com o nome poderoso de “E Deus criou a mulher”, que tem uma das cenas mais clássicas – e sexys – do cinema: Brigitte Bardot descalça, completamente envolvida pelo som do mambo e dançando em cima de uma mesa.

De 1956 e dirigido por Roger Vadim, marido de BB, o filme “E Deus criou a mulher” fez com que Brigitte estourasse em Hollywood. Do dia pra noite, todo mundo descobriu aquela menina que tinha um sexy appeal fora do comum e que dali pra frente viraria símbolo sexual.

Mas, acontece que enquanto “E Deus criou a mulher” se tornava um sucesso enorme nos cinemas, não era só a musa BB quem despontava. Em uma outra cena desse mesmo filme, uma sapatilha vermelha usada pela atriz chamou muito a atenção do público. Da marca francesa Repetto, a sapatilha tinha sido encomendada especialmente por Brigitte a Rose Repetto, fundadora da marca, e aparecia displicentemente nos seus pés enquanto ela esperava sentada em cima de um carro.

Em 1947, Rose Repetto, mãe de um jovem bailarino da companhia Ópera Nacional de Paris, criou uma marca especializada em roupas e sapatilhas de balé que virou queridinha de bailarinos do quilate de Caroline Carlson e Mikhail Baryshnikov. Rose entendeu tão bem o mundo do balé que transportou toda essa beleza e sentimento pro trabalho que fazia. E foi amor a primeira, segunda, terceira vista de todo mundo do balé que pousava os olhos nas suas criações.

Dez anos depois, nos pés de Brigitte Bardot, muito mais gente conheceu a Repetto, e toda aquela doçura e leveza do balé foi parar em sapatilhas para o dia a dia, para serem usadas muito além dos palcos.

Em 1980 Rose faleceu e a Repetto quase acabou, mas daí entrou em cena Jean Marc Gaucher, ex-executivo da Reebok, que foi tipo uma fada madrinha e conseguiu unir o espírito original da Repetto a sua expertise de mercado. Trouxe parcerias a rodo (gente como Issey Miyake, Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo) e, de repente, fez das suas sapatilhas um verdadeiro clássico e da marca a sua maior referência.

Mês passado inaugurou a primeira loja da Repetto no Brasil e, ainda que eu saiba que comprar uma sapatilha da marca tá fora da minha realidade (os preços na loja do Shopping Cidade Jardim variam de R$700 a R$2.000) eu quero muito ir até lá fazer uma visita assim que for pra São Paulo.

Tem essas marcas e suas lojas que pra mim mais do que trazerem um produto, contam uma história. Pode parecer bem piegas, mas eu acredito nessa ideia de que “valor agregado” é um dos maiores presentes que uma marca pode te oferecer, e posso até não ser uma Brigitte Bardot calçando uma Repetto, mas sou uma fã assumida de sapatilhas e uma fã (não tão assumida assim) do balé.

Aqui, uma pitada de imagens inspiradoras da Repetto pra tornarem nossa quarta mais bela, mais pura e mais delicada, assim como eu enxergo o balé e essa marca.