Um giro no último dia do SPFW N41

Na última sexta-feira, dia 29 de abril, fiquei bastante feliz por São Paulo ter amanhecido gelada. Eu tinha ido pra lá na quinta para cobrir um evento pela editora, e acabei estendendo a viagem e aproveitando para ficar na cidade durante a sexta e o final de semana também.

Um dos motivos pra isso é que no dia 29 ia rolar o último dia de SPFW, e vocês bem sabem que sempre que possível, eu gosto de acompanhar de perto essa semana de moda.

Os corredores

Exposição “How Do I Feel Today”, da modelo e artista plástica Nathalie Edenburg, que criou diferentes tipos de intervenções artísticas em uma mesma foto sua

Quem costuma ir a semana de moda de Sâo Paulo sabe que é de praxe ver a produção e a imprensa correndo como uns loucos no entra e sai de cada desfile, mas outra coisa comum a todas as edições são as ações super diferentes e legais que rolam pelos corredores.

Nessa temporada, por exemplo, além de um espaço da TNT onde você podia customizar uma camiseta da Cotton Projec, havia ainda uma máquina da Coca-Cola pra você personalizar sua bebida escrevendo seu nome na garrafinha, e um carrinho da Magnum que além do tradicional sorvete mara deles, ainda oferecia uma versão do picolé derretido como um cappuccino (!!).

Ainda nessa parte de ações, tinham os já ‘tradicionais’ food trucks e um espaço lindo da Natura onde rolaram palestras e pocket shows durante toda a semana de moda, com gente como Jout Jout, Liniker e Elza Soares. (Pausa nesse momento pra chorar um pouquinho ao lembrar que teve show do Liniker em Bauru e eu não fui.)

E é claro, tiveram as exposições também, que em toda temporada estão espalhadas pelos corredores, mas que infelizmente nem sempre são muito lembradas pelas pessoas que passam pelo evento.

Nessa edição, além da exposição da modelo Nathalie Edenburg (mostrada na primeira foto desse post), havia também uma área dedicada a joias dos finalistas e vencedores do AuDITIONS Brasil, o maior concurso de joias de ouro do país. E, junto a tudo isso – e pra mim, a mais emblemática exposição dessa edição – havia também uma sessão de fotos chamada “Apolônias do Bem” que mostrava mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que receberam tratamento odontológico gratuito da ONG  Turma do Bem.

As fotos mostravam algo como um “antes e depois” da mudança, e era chocante a diferença de expressão que cada uma dessas mulheres carregava. Se as fotos do antes mostravam seriedade, tristeza e quase um tom sombrio, as que vinham depois eram recheadas de risos, brincadeiras e caretas. Uma mudança assustadora, mas muito representativa também da transformação que a vida dessas mulheres teve.

O FFWSHOP como sempre cheio de itens de arte que me fazem suspirar

E como não podia deixar de ser, a lojinha do FFW, a FFWSHOP, também estava lá nessa edição, ainda mais repleta de coisas lindas do que de costume. Eram livros, objetos de decoração, plantinhas, camisetas e uma infinidade de objetos de arte encantadores.

Dessa vez, eu fiquei tentada mais do que o normal em trazer um item pra casa, já que entre os livros do estande havia um com todas as ilustrações originais do filme Inside Out da Pixar. Mas, como sempre, fiquei barrada no preço (que não era dos mais convidativos) e acabei deixando quieto. Uma pena, na real.

Os desfiles

Assisti a todos os desfiles que rolaram na sexta-feira, com exceção do da Ellus (momento que eu aproveitei pra pegar um táxi em paz, sem correria e disputa, e ir pra casa descansar hehe) e achei que esse último dia teve um balanço mais do que excelente de apresentações.

Lino Villaventura

Lino, que costuma ser sempre performático em seus desfiles, se superou dessa vez. O que aconteceu foi que as modelos entravam, paravam em um local montado com holofotes e posavam em sofás ou carrinhos (que eram trocados de tempos em tempos) para o fotógrafo Miro. No ato as fotos apareciam no telão, e só depois de muitas poses – lindas e dramáticas – as modelos levantavam, cruzavam a passarela e saíam de cena.

Pra mim a ideia de transformar seu desfile em uma sessão de fotos feita assim, na frente de todos os telespectadores e sem cortes, foi genial. Em roupas dramáticas, com muito volume e bordados, tudo era puro conceito, puro drama, pura arte. A beleza ajudava ainda mais nesse resultado, com cabelos super elaborados e presos em hastes no alto da cabeça. Tudo bem drama queen mesmo, apostando em um resultado que vai ser visto só daqui algum tempo, em uma exposição que será feita com as fotos do desfile.

Mas, se existe uma ressalva que pode ser feita quando a essa apresentação, é a de que ainda que Lino quisesse fazer suspense sobre o resultado do ensaio, ficou uma situação meio esquisita para os fotógrafos que estavam no PIT registrar tudo aquilo, já que as modelos posavam de lado, e não de frente para eles. E, se por outro lado, a ideia era dirigir todo o foco para o público que assistia a apresentação, nem a gente conseguiu enxergar bem o que se passou, já que os enormes spots de luz tapavam boa parte da visão.

Nesse ponto, a estrutura da sessão de fotos poderia ter sido diferente (a apresentação, aliás, ia ser externa, mas dias antes do evento começar, voltou para o line-up da Bienal), o que teria deixado o espetáculo ainda mais bonito.

Wagner Kallieno

Já no desfile do Wagner Kallieno, os anos 80 apareceram em peso e o que vimos na passarela foi uma profusão de blazers (daqueles que pareciam ter enchimento nos ombros e o deixavam ainda maior) e peças sortidas, como calças, saias e vestidos que adotaram com força o lamê pra si. O desfile inteiro, aliás, foi uma brincadeira de juntar o armário feminino com o armário masculino, numa tentativa (bem sutil) de pincelar o tão controverso e discutido estilo unissex.

Li depois no Chic que essa coleção tomou como inspiração a personagem Alex do filme Flashdance, o que justifica bastante a escolha dos tecidos e especialmente os primeiros looks que cruzaram a passarela. Além disso, outra coisa bastante marcante na apresentação foram as peças oversized, que parecem mesmo ser a grande aposta de várias marcas pra essa temporada.

GIG Couture

Minha primeira impressão do desfile da GIG Couture foi a de que estava rolando uma invasão de babados e plissados na passarela. Foi só depois, olhando com mais atenção, que percebi como esse volume que as duas formas faziam nas roupas é que eram os responsáveis por misturar as cores da coleção. Eram nos plissados que as cores se intercalavam ou criavam diferentes efeitos, e nos babados que elas se misturavam ou criavam blocos de cores.

Esse jogo de cores, formas e luz resultou em um trabalho bastante autoral e bonito. Desses que deixa a gente curiosos pra acompanhar os próximos passos da marca.

Ratier

O desfile da Ratier era o que eu mais tava ansiosa pra assistir, já que vi a estreia deles na temporada passada e amei loucamente a proposta da marca. Ainda assim conseguiu me surpreender com a qualidade (e quantidade!) de peças que eles apresentaram, e só confirmei a minha teoria de que a Ratier ainda vai voar muito longe.

Vale dizer que essa é uma das poucas grifes que eu piro na proposta e acho lindo a vibe minimalista rock, mesmo sem ser o estilo de roupa que eu uso no meu dia a dia. Sabe marca que independente de gosto pessoal, ganha espaço e respeito no nosso coração? Pois é.

Nessa edição, a proposta deles de ser clean, minimal e com poucos pontos de luz continuou, mas com um up aparente nas peças que ganharam um pouco mais de sofisticação. Lindo de verdade.

Cotton Project

É sempre uma delícia assistir a estreia de uma marca no evento e a Cotton Project fez muito bonito nessa sua primeira apresentação. A marca que é do diretor criativo Rafael Varandas e do estilista Acácio Mendes (vocês lembram que ele participou do reality show “Projeto Fashion” do SBT?!) já havia desfilado na Casa de Criadores temporada passada e, pra essa edição, mudou um pouco de ares e caiu de cabeça na Bienal.

Eu confesso que conhecia pouco do trabalho da dupla, mas achei interessante essa proposta que eles possuem bastante comercial e direcionada a um público específico, bem easy e descolado. A vibe do desfile todo foi bem colorida e cheia de peças fáceis de usar, combinar e brincar no look. Gostoso de ver.

Algumas considerações

Foi apenas um dia de evento, mas já deu pra sentir que havia um clima mais animado nos corredores do que nas últimas temporadas. Ainda que várias marcas como Colcci, Animale e Amapô tenham pulado essa edição, fiquei com a sensação de que o público em geral gostou muito dessa não generalização de estações e achou que fez mais sentido essa “liberdade” que foi dada as marcas.

Já a imprensa, por outro lado, me pareceu meio perdida nessa edição. É como se nesse momento onde tantas mudanças estão acontecendo, muitos veículos e jornalistas não soubessem muito bem onde havia um terreno seguro para se colocar os pés. Senti falta, port exemplo, de coberturas mais detalhadas da semana de moda e percebi que até alguns portais deixaram de fazer vídeos e críticas nessa temporada.

Enfim, o jeito agora é esperar e ver como as próximas edições irão se desdobrar dentro e fora da Bienal.

E mais...

Pra quem, assim como eu, também fica lendo, vendo e digerindo tudo que rolou no SPFW mesmo mais de uma semana depois, fica aqui a indicação de alguns links que achei bem interessantes sobre o assunto.

Esse texto do Costanza Who que mostra quem são, o que de fato fazem e qual a rotina de um fotógrafo de PIT em uma semana de moda.

A matéria do FFW que faz um resumão de vários acontecimentos importantes dessa temporada.

O artigo que Paulo Borges escreveu para o BoF (Business of Fashion) sobre as mudanças dessa e das próxima edições, e onde o criador do SPFW fala um pouco sobre a indústria de moda no país, porque essas mudanças foram tão necessárias e o que se espera com essas alterações no calendário.

– E essa propaganda da Natura que passava antes de todos os desfiles e que me deixou emocionada da cabeça aos pés todas as vezes.

E vocês, o que acharam dessa edição? Gostaram das mudanças?

Bisous, bisous e até mais!

Little Vlog | Bienal do Livro de São Paulo

Como eu já tinha contado lá no facebook do blog, no último sábado, dia 23, fui na Bienal do Livro de São Paulo, e tava doida de vontade de gravar muitas coisas pra mostrar aqui pra vocês. No final das contas, isso acabou não dando muito certo haha (e eu explico no vídeo o que aconteceu), mas ainda assim deu pra gravar um pouquinho e fazer até um vlog falando sobre o que eu achei do evento – e algumas coisitas que eu fiquei pensando muito sobre depois.

Aqui tem o site oficial da Bienal com todas as informações de horários, programação e transporte. E ah, esqueci de falar no vídeo, mas queria dar uma dica amiga (que eu não fiz e me arrependi muito) pra quem estiver se preparando para ir lá: levem água e comida! Acho que no almoço/jantar não dá pra fugir das opções da Bienal, mas pelo menos pra lanchinhos mais rápidos, vale a pena não encarar as filas enormes e nem o preço salgado de lá. E se estiver pensando em comprar muitos livros, leve malas com rodinhas, porque ninguém merece ficar carregando toneladas de livros no braço (conselho de uma menina que ficava revezando com o namorado pra carregar o Battle Royale mais o 100 anos de Moda em sacolas :~).

Espero que vocês gostem do vídeo e corram já pra Bienal que tá muito legal!

Bisous, bisous!

Crédito da imagem: Ideal Bookshelf

SPFW pelas páginas do Journal

Ironia ou não, o São Paulo Fashion Week verão/2014 começou justamente no dia em que temperaturas um pouquinho mais geladas resolveram dar às caras no país, que né, andava de um calor desértico.

Foto tirada daqui, ó http://instagram.com/spfwoficial/

Foto tirada daqui, ó http://instagram.com/spfwoficial/

Nessa edição estou bem longe da Bienal, (saudade enorme da minha época de produção do SPFW e Fashion Rio) mas nem por isso deixo de acompanhar tudo daqui mesmo, assistindo os desfiles, lendo as críticas, dando uma olhada nas belezas inspiradoras de cada marca, me maravilhando com a decoração da Bienal (irmãos Campana arrasaram!), dando uma olhadela e pitacos em tudo um pouco.

Só que com a aproximação do SPFW – e com uma ajudinha da mudança de apartamento que me fez achar algumas coisas que eu nem lembrava mais que tinha – acabei desenterrando algumas edições lá de 2006/2007 do SPFW Journal que me fizeram ter um click momentâneo: que fim teve o Journal?!

Apenas um dos muitos Journals que achei aqui no apartamento

Apenas um dos muitos Journals que achei aqui no apartamento

Pra quem não conhece, o SPFW Journal era um jornal que circulava diariamente durante a semana de moda de São Paulo trazendo imagens dos desfiles, críticas sobre cada apresentação, curiosidades dos louges e corredores do dia anterior, novidades que circulavam pela Bienal, enfim, um mundo de notícias sobre o universo daqueles dias de evento. As edições que eu tenho em casa foram doadas por uma amiga (obrigada, Jana!) e já foram usadas muitas vezes quando precisei de material pra pesquisa. Só que escondidas num canto do quarto, elas acabaram sumindo junto com as revistas, e só agora consegui juntar tudo pra rever esse material que é tão, tão rico.

Editado por Erika Palomino e Jackson Araújo, o Journal circulava (ou circula?) desde 2005 e é cheio de textos inspiradores, de saudosismo de desfiles marcantes na história do SPFW, de lembranças que fazem parte da moda brasileira. E tem algumas pérolas, do tipo “olha mais um fotolog superlegal de modelo na rede pra você conferir”. Sim, gente, fotolog! Ou você já se esqueceu como era o mundo em 2006?

A equipe da publicação (e alguns colaboradores incríveis, como Katylene e Marcelona) trabalhava todo santo dia – e madrugada – pra fazer com que o jornalzinho deixasse todo mundo a par do que tinha rolado na Bienal no dia anterior. A ideia do impresso era tão legal e inteligente que eles conseguiram uma parceria com o jornal Metro, que em janeiro de 2009 distribuiu gratuitamente o Journal em alguns pontos da cidade de São Paulo, levando o universo da semana de moda para bem além da Bienal.

Journals de jan/2010

Edições do inverno 2010

Última edição do SPFW Journal de inverno/2010

Última edição do SPFW Journal de inverno/2010

Publicado pela Luminosidade e editado pela House of Palomino desde jan/2010 não há mais nenhuma menção dele na internet. Nem nas vezes que fui à bienal (depois de 2011) nunca achei um exemplar dele pra contar história. Alguém aí sabe que fim ele teve? Fiquei curiosa mesmo pra saber se ele acabou de vez e, nesse caso, pra ter um saudosismo tardio das suas notícias impressas cheirando à tinta e a histórias.