As maquiagens surreais de Mathu Andersen

Depois de assistir sete temporadas de RuPaul’s Drag Race (algumas até mais de uma vez), foi obviamente impossível eu não ter ficado interessada em saber mais sobre a história do Mathu Andersen. Além de produtor criativo do programa desde a primeira temporada, Mathu dirige pessoalmente algumas provas da disputa (como sessões de fotos e testes de câmera) orientando as drags em suas apresentações. E, claro, é uma das pessoas mais artísticas e inspiradoras que eu já vi na TV, não apenas porque é amigo e maquiador oficial de Mama Ru há muitos anos, mas também porque Mathu trata da beleza e da maquiagem como arte em seu mais bruto estado.

Diante de um currículo como esse, não dá pra negar a importância do trabalho de Mathu em parceria com outras pessoas e veículos, mas, – e aqui chegamos ao motivo que me levou a escrever esse post – o que mais me chama a atenção de fato nesse maquiador é o trabalho que ele realiza sozinho, usando de seu corpo como uma espécie de tela em branco para suas criações.

As suas famosas selfies artísticas – como ficaram conhecidas na internet – são retratos em que Mathu brinca com seu próprio corpo usando maquiagens, perucas, cílios, tintas, figurinos e tudo que estiver ao seu alcance para se transformar. A ideia de gênero se perde nas suas fotos e existe espaço apenas para o surreal, em um processo artístico maravilhoso e inspirador.

Mathu pode ter cabelos e barba rosa, pode ter olhos profundos e enigmáticos, pode ter metade da cabeça se desfazendo de tinta em uma ilusão de ótica, pode usar terno e salto alto, pode “ganhar chifres e ossos aparentes”; todas as transformações que ele quiser fazer em seu corpo ganham vida e o resultado pode ser belo, dramático, aterrorizante ou chocante (mas sempre inspirador).

Toda a beleza do trabalho de Mathu pode ser conferida em seu Instagram, onde o artista posta suas criações mirabolantes. Apesar de sua conta ser privada, o maquiador tem milhares de seguidores e por conta de tanto frisson virou até tema de exposição! Em novembro do ano passado, a mostra “The Instagram Art of Mathu Andersen” aconteceu na World of Wonder Storefront Gallery e foi um sucesso.

Eu fico completamente admirada com as transformações que o Mathu consegue fazer porque parece que ele suga todas as possibilidades que a moda e a beleza oferecem e brinca de viver cada dia como um personagem diferente. É tudo tão bem executado e pensado nos mínimos detalhes, que a imagem final carrega atrás de si muito mais do que “apenas uma maquiagem” ou “apenas uma roupa”. Ela conta uma história que faz a gente acreditar num ser fantástico cheio de cores e roupas absurdas, e que vive em um mundo surreal e maravilhoso.

Aqui em cima tem uma entrevista maravilhosa que o RuPaul fez com o Mathu em que ele conta como funciona seu processo criativo, o porquê da mudança para Los Angeles e o que ele acha de seu sucesso na internet. Uma inspiração sem fim pra todo nós.

E ah, Mathu Andersen foi recentemente indicado ao Emmy Awards 2015 pela maquiagem que fez em RuPaul no terceiro episódio da sétima temporada de RuPaul’s Drag Race. Tô torcendo demais pra que ele ganhe!

Bisous, bisous

Savage Beauty, a exposição insana de Alexander McQueen

Aberta ao público em 2011 no MET, o Metropolitan Museum of Art de New York, a exposição Savage Beauty foi um sucesso incontestável. Realizada para mostrar, relembrar e prestigiar a trajetória profissional de Alexander McQueen, ela foi visitada por milhares de pessoas e entrou para a lista das 10 exposições mais bem-sucedidas do lugar – o que só mostra a importância que vem sendo dada a moda dentro dos museus (soltando um ‘uhull’ aqui).

O sucesso foi tanto que desde aquela época criou-se um movimento em Londres que reivindicava a presença da exposição na cidade. Afinal, McQueen é londrino, e teve muitas influências britânicas em seus trabalhos, criações e parcerias. A espera foi longa, mas, em 2015,  o Victoria and Albert Museum se mostrou capaz de repetir o mesmo clima das salas do MET, levando finalmente a mostra para casa.

Assim que fiquei sabendo da exposição (o que não era muito difícil já que haviam cartazes espalhados por toda a cidade), gritei primeiro alucinadamente no quarto do hostel e depois tratei de abrir o site do museu pra conferir os preços e horários da exibição. Foi assim que, com o coração aos pedaços, eu fiquei sabendo que todos os ingressos online já estavam esgotados para aquele mês.

No final das contas, foi só mesmo indo pessoalmente ao museu que eu consegui comprar nossas entradas (levei Diego à tiracolo na exposição e até ele saiu maravilhado de lá) e mesmo assim só pra dali alguns dias (isso tudo pra vocês terem ideia de como a exposição chegou mesmo fazendo barulho em Londres, e como estava disputadíssimo conseguir um momento pra visitá-la).

Dia 19 de março então fui até o Victoria and Albertu Museum finalmente ver tudo isso de perto, e ainda que eu não tenha tirado fotos ou gravado nada – já que, infelizmente, era proibido –  decidi falar sobre as minha impressões por aqui.

Savage Beauty cobre toda a trajetória profissional de Alexander McQueen, desde sua graduação da Central Saint Martins até sua coleção inacabada de inverno 2010, e possui explicações muito detalhadas sobre cada um dos desfiles e peças ali mostrados.

Li uma matéria no FFW em que a jornalista contava que, quando visitou a exposição no MET, estava difícil transitar e olhar com calma cada criação, pois o número de pessoas na sala era muito grande. Não sei se, exatamente por isso o Victoria and Albert Museu quis fazer as coisas com mais calma, mas fato é que as visitas à exposição em Londres são feitas todas com hora marcada, em grupos pequenos que entram com 15 minutos de diferença no lugar. Assim, eu que entrei no horário das 14h15, tive tempo suficiente para ler as informações de uma sala e passar para a seguinte, enquanto a próxima turma das 14h30 ocupava a sala que eu acabava de deixar.

O espaço ainda era disputado por muita gente (afinal, tem gente que vai e volta nas salas o tempo todo), mas mesmo assim deu pra ler com clareza as informações e olhar peça por peça (coisa que eu fiz questão de fazer) com atenção.

O que eu posso dizer é que, ainda que eu sempre tenha sido uma fã confessa do trabalho de McQueen, eu realmente, REALMENTE, não estava preparada para o que eu vi por lá. São roupas que berram na nossa cara quando nos aproximamos. Roupas que parecem pular na nossa frente e pedirem para serem apreciadas, vistas com olhos microscópicos, pois merecem esse tipo de atenção. E é olhando assim, mais atenciosamente, que a gente percebe que não são apenas as silhuetas que o estilista cria que são tão “estranhamente belas”, mas que o próprio uso de materiais nada convencionais torna as peças únicas. Vidro, cabelo humano, penas pretas de pato, crinolina de fios de metal e alumínio são alguns exemplos, mas existem muitos outros, inusitados e selvagens.

Acho que é muito importante também enfatizar que cada uma das salas da exposição se dedica a relembrar uma época, um conceito ou mesmo um desfile do estilista de uma forma que vai além das roupas. Porque é exatamente esse cuidado em criar um ambiente e um contexto pra cada uma de suas criações que nos faz mergulhar na exposição e entender com mais clareza o que o estilista pensava. A música, o jogo de luzes, a disposição estratégica das peças – o vestido pintado por robôs, por exemplo, fica no centro de uma das salas, de forma que você possa olhar seus detalhes em 360º – foram todos pensados para que você entre de cabeça na experiência. Além disso, há espaços em que as criações são divididas em nichos de diferentes tamanhos que sobem até o teto. É maravilhoso e amedrontador ver as criações de McQueen assim, por todos os lados, em um turbilhão de tecidos, cores, formas, volumes, brilhos…

Uma das frases que li na mostra e que mais me marcaram, parte de um depoimento do estilista, era uma em que ele contava que passou anos tentando construir roupas, até finalmente compreender que ele devia, na verdade, desconstruí-las.

Pra mim isso esclarece muito porque McQueen sempre trabalhou de maneira oposta a outros estilistas. Ele não queria criar símbolos de beleza convencional ou esteticamente quadradinhos, que agradassem a todos na passarela. Ele queria criar, com materiais diferentes, com silhuetas diferentes, com conceitos diferentes, o que era tido como estranho. Ele queria descontruir conceitos, tirar qualquer resquício dos padrões da moda impostos e criar uma peça que ele via como uma tela em branco esperando para criar vida. McQueen não queria agradar, ele queria se superar. Tanto que criava com uma fúria e intensidade gigantescas.

Em uma das mais de dez salas da exposição, onde era possível assistir a famosa projeção holográfica de Kate Moss apresentada no inverno 2006 do estilista, me bateu essa certeza de que McQueen usava da moda como seu “diário de escape do mundo”. Todos os seus sentimentos ele despejava ali, com toda entrega, com todo ímpeto. E nós, daqui, só podíamos ver, aplaudir e nos emocionar com alguém que deu para a moda o lugar dentro do universo das artes que sempre lhe foi merecido.

 

A exposição Savage Beauty está no Victoria and Albert Museum em Londres ate o dia 02 de gosto de 2015, e repito que como a procura pela mostra está grande, se você tem intenção de vê-la deve olhar já o site do V&A e/ou correr até o museu para garantir seu ingresso. Vale imensamente a pena.

Bisous, bisous!

Os cinco de novembro

Amo passar horas e mais horas nesse lugar

Acho que quem acompanha o blog já tá careca de saber o quanto eu amo livros, mas quando vou para a casa dos meus pais e fico na beirada da piscina acompanhada de um bom romance, a leitura fica ainda mais gostosa. É uma mistura de vento batendo no rosto, com a delícia de deixar os pés naquela água geladinha e a companhia de um bom livro que deixam a tarde perfeita. Pode soar um exagero, mas eu realmente amo passar umas boras horas ali, desligada do resto do mundo e apenas aproveitando aquele momento.

Dia de beauté!

Tô numa fase muito forte de produtos de beleza, experimentando um pouquinho de tudo desse universo mágico.

Eu já contei por aqui que passei muitos anos da minha vida me privando de usar produtos de beauté. Isso porque, além de me incomodar o fato de usar óculos, eu sentia uma séria dificuldade de enxergar direito (haha) quando eu tava passando maquiagem. Dei um chega pra lá nesse medo já faz um tempo e tô vivendo uma fase de vamos testar e ser feliz. O que consequentemente tem me levado a investir em produtos de beleza mais do que o normal.

Na foto aqui de cima tem a máscara de cílios Noir Couture da Givenchy, o duo de sombras Glacee Shine da Make B., o B. B. Cream da L’óréal (que eu amo de paixão!), o batom cor 28 (não tenho certeza, gente, haha, porque uso tanto que ele até tá meio apagadinho) da Natura Aquarela e o Dahlia Noir Eau de Parfum da Givenchy. Também recomendo fortemente a base Perfection Lumière da Chanel, que já virou uma das minhas preferidas desde que experimentei.

Pretendo fazer posts sobre esses produtos – e uns outros que andei comprando – pra dar mais detalhes sobre cada um deles e também pra contar como eles têm me ajudado nesse processo de deixar a beleza entrar na minha vida. Aguardem!

Menina Paulista

Em novembro passei uns dias em São Paulo – fiz um post aqui contando dos lugares legais que eu fui – e, como de praxe, reservei um tempinho para passear na Paulista.

Olha, pode ser clichê, brega, caipira, o que for, mas não tô nem aí: a Paulista é a menina dos meus olhos, e sempre que vou pra São Paulo gosto de caminhar por lá, entrar na Livraria Cultura, dar uma bisbilhotada na Fnac, me deslumbrar pela milésima vez com a escadaria da Cásper, tomar um Mocha Branco no Starbucks… Eu amo a mistura de pessoas que passam pela Paulista, amo a imensidão da Avenida, os prédios enormes, os casarões ali por perto e todas as suas particularidades. Me faz um bem danado.

Matando a saudade

São Paulo pra mim também é sinônimo de matar a saudade da Babi.

Eu sei que a Babi meio que dispensa apresentações, afinal ela já apareceu em diversos posts por aqui, mas não sei se eu já comentei em algum momento desse blog que nós moramos em cidades diferentes (eu em Bauru e ela em São Paulo) e a gente costuma passar uns 360 dias do ano conversando por gtalk e nos outros cinco passeando juntas por lá ou por aqui. E Diego, claro, sempre nos acompanha, afinal (e acho que eu nunca contei isso aqui também), eu só conheci a Babi por causa dele. Lá em 2004 (!) os dois se conheceram pela internet, viraram amigos e em 2009 quando começamos a namorar, ele me apresentou ela.

Depois disso, Babi entrou na minha vida pra nunca mais sair <3

 

Cada uma com uma peça da coleção

Cada uma com uma peça da coleção

Já falei sobre a coleção Fashion Five da Riachuelo aqui e aqui (viram que criei coragem e gravei um vlog?!), e esse dia aí realmente foi uma delícia por causa principalmente da companhia dessas três amigas incríveis da foto. Ainda que tenha faltado mais gente querida no dia, fiquei felizona por ter reunido as três e conseguido essa imagem de recordação :)

Rick Owens e a beleza sem padrões

As semanas de moda internacionais acabaram e o São Paulo Fashion Week também. Amém. Dá-lhe ver desfile, se apaixonar por tema de coleção, pirar na exposição “The Little Black Jacket” que agora tá no Brasil, acompanhar dança de cadeira de estilista e ainda dar uma zapeada pelas notícias únicas que sempre têm em cada edição. E claro, junto com tudo isso, ainda ter fôlego pra acompanhar Fashion Rio que tá só começando.

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

Eu sei que alguns acontecimentos dessas semanas de moda já foram incansavelmente falados, – e em tempos de internet o conceito de notícia velha tá mais pra dias do que meses ou anos – mas ainda assim eu me pergunto qual o propósito de ter um blog, portal, revista ou qualquer outro meio que gere debate e informação se a gente se priva de falar de tudo aquilo que já foi noticiado ou que teoricamente já esfriou. Não existe cartilha pra opinião e, penso eu, algumas coisas precisam mesmo serem vistas e revistas pra gente poder enxergar outros dos seus ângulos e influências a curto e longo prazo.

Então, eu quero sim falar sobre o desfile do Rick Owens.

Pra quem não viu o desfile ou não leu nenhuma das notícias que pipocaram sobre o assunto, no seu desfile de verão 2014 Rick Owens fez uma performance onde as modelos deram lugar a 40 mulheres de quatro grupos de danças dos EUA, o The Zetas, o Washington Divas, o Soul Steppers e o Momentums. Todos grupos de step, que pelo que eu pesquisei é um estilo de dança onde as pessoas utilizam o corpo todo como uma forma de expressão, usando passos de dança, palavras e gritos de força e palmas pra criar a coreografia. Ou seja, substitui-se o carão de modelo pelo carão de força das dançarinas, que gritaram, dançaram, pularam, bateram palmas e passaram um energia meio alucinante até pra quem assistia pela internet, como eu.

Negras, brancas, magras, gordas, whatever, a passarela se transformou no palco delas e em uma mensagem muito clara de respeito à individualidade e respeito às diferenças. Vale ler esse texto aqui do FFW pra entender com mais detalhes o que rolou no desfile.

“Nós rejeitamos a beleza convencional e criamos nossa própria beleza”
Rick Owens, após sua apresentação.

O Trend Coffee, que eu tenho lido cada vez com mais brilho no olho pelos textos bem embasados e incri que vem publicando, já disse algo muito importante sobre o assunto: “Rick Owens não inventou a roda”. E é verdade. Tanto não inventou que o conceito de desfile espetáculo é mais do que normal na moda e em toda temporada a gente vê não só um, mas vários desfiles que usam da ideia de criar um “show” para ajudar a contar a história daquela coleção.

Acontece, no entanto, que a grande maioria desses desfiles trabalha com apresentações que servem apenas de suporte pra mostrar aquilo que em teoria é o cerne da questão, ou seja, a própria coleção. A apresentação serve pra dar aquele gostinho a mais de inspiração, pra criar uma atmosfera que mostre ao público o que aquelas peças querem dizer e no que aquela coleção foi inspirada. Ela é suporte e não motivo.

Por isso que muito me espantou e deixou feliz ver esse desfile do Rick Owens. Que ele sabe ser criativo nas suas apresentações eu já tava sabendo, mas o que eu não sabia – e que me faz entender esse desfile como algo muito maior do que um cenário, uma atmosfera ou um suporte para uma coleção – é que ele sabe enxergar o espaço que ele tem dentro da moda muito além do que um espaço de autopromoção. Citando a Babi Carneiro que soltou essa frase foda enquanto conversávamos sobre o assunto “(…) Se você não subverte o modelo num momento em que todos os holofotes estão contigo, não subverte nunca ”

E é bem isso.

©Reprodução

©ImaxTREE

©Reprodução

É difícil falar de beleza, de aceitação, seja do corpo, do biótipo, do estilo, do tipo de cabelo, whatever, quando a gente vive não só em uma época cheia de imperativos no assunto, mas principalmente em uma área onde ao longo dos anos criou-se uma ideia de beleza ideal. E se você quer ser diferente daquele tipo de beleza, tudo bem, ‘eles entendem’, mas tu precisa vir com uma etiquetinha que expresse bem isso: se é modelo pluz-size precisa estar em um editorial ou em um desfile disso; se é tida como andrógina, maravilha, o mundo da moda te acolhe, mas essa sua característica é aquilo que te define e que te coloca em determinados tipos de casting. Ou você realmente espera pegar todo tipo de desfile que uma modelo “comum” pegaria?

Há uma falsa ideia que ronda nosso mundo e nossas ações de que a despeito de tanto ideal de beleza aí impingido pelo mundo, nós pensamos diferente. Acreditamos que a beleza de cada um é a beleza de cada um, e que essa história de beleza ideal é pura besteira. Veja bem, nós acreditamos nisso, e eu não duvido mesmo disso em momento algum, mas apesar de defendermos essa ideia, a gente só aceita a modelo plus-size quando ela tá inserida em um contexto específico pra isso. E se alguém resolver colocar uma mulher normal em meio a um desfile de modelos magérrimas, a certeza de que a mídia vai falar sobre isso é 99 em 100. Por que? Porque a gente ainda acha isso diferente, porque apesar de acreditarmos que beleza ideal não existe, a gente aceita a diversidade em contextos específicos.

Em resumo, aquilo que a gente acredita e aquilo que a gente faz ainda são coisas muito distintas.

©The Sartorialist

©The Sartorialist

©The Sartorialist

Por isso que pra mim falar sobre beleza da maneira como o Rick Owens falou é tão importante. Ele não criou a roda, eu sei, mas ao meu ver, diferente do que a maioria faz, o que ele usou como suporte do desfile foi a roupa e não a apresentação. Aqui a apresentação foi fim e não meio. E mais importante de tudo: ele encontrou um jeito forte, poderoso e baita reflexivo de fazer a gente pensar sobre a beleza que domina a passarela, sobre a beleza que a gente acredita, e sobre a ideia de beleza que a gente de fato pratica.

E, veja bem, isso é um bocado para se pensar.

Os cinco de agosto

Já faz um tempo que eu quero compartilhar um pouco mais da minha vida pessoal aqui no blog. Uma ou outra vez eu até falo um pouco mais de mim por aqui, mas eu pensei que seria legal fazer no começo de todo mês dois tipos de posts mais rapidinhos, mas que também mostrem um pouco de quem eu sou pra vocês. Porque né, conhecer as pessoas, sua vida, vontades e desejos pode ser um ótimo exercício também pra entender como a moda se encaixa ali, como tá presente no dia-a-dia dela.

Então é isso! A partir de hoje o blog ganha dois posts fixos todo mês na categoria Minha Vida. O primeiro é esse daqui, “Os 5 de (insira aqui o mês que acabou de terminar)”, onde eu conto, e mostro em fotos do meu instagram (aka @paulinhav), cinco coisas legais que aconteceram no meu último mês. O segundo é “Wishlist de (insira aqui o mês que estamos)”, com todos os meus desejos de consumo, não só de roupas e sapatos, claro, do mês que tá começando.

E é isso hehe. Espero mesmo que vocês curtam e também deem seus pitacos nos comentários!

Elle Brasil de agosto e "Dormindo com o Inimigo - A Guerra Secreta de Coco Chanel"

Elle Brasil de agosto e “Dormindo com o Inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel”

No comecinho de agosto eu fui passar uns dias com os meus pais e minha irmã lá na minha cidade natal, Leme, interior de São Paulo. O bom de ir pra lá é que quase sempre eu acabo tendo dias muito quietinhos, dedicados a rever amigos queridos em programas caseiros ou programas tipo ir tomar café e pegar um cineminha, e a me entregar de corpo e alma pras minhas revistas e livros. E eu não to exagerando nessa parte não haha. Sempre que vou pra Leme levo quase que metade da mala com roupas, acessórios e o que mais eu for precisar pra aquelas dias, e a outra metade vai toda abarrotada de revistas e livros :p Juro que já tentei ser mais contida, mas não adianta, sempre acho melhor me precaver e levar milhões de livros e revistas porque “vai que eu acabo tudo e não tenho mais nada pra ler?” haha.

A foto aqui foi em um momento onde eu dividia minha leitura com a Elle Brasil de agosto (essa é a capa pra assinante, mas a capa que tava nas bancas era tão linda quanto) e o livro “Dormindo com o Inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel”, que já teve até resenha aqui no blog.

Cabelo novo, vida nova!

Cabelo novo, vida nova!

Agosto também foi mês de cortar o cabelo e fazer uma grande mudança no visual!
Mas antes de explicar essa minha mudança, vamos voltar um pouco no tempo lá em 2006/2007. Na época eu tinha 16, 17 anos e sofria com um sério problema capilar. Foi uma época em que eu passei por vários problemas pessoais e acabou que quem sofreu com todo esse stress foram meus cabelos. A queda dos fios era tão intensa, mas tão intensa que eu passei vários anos da minha vida entrando e saindo de tratamentos, testando produtos, fazendo tudo que era possível e imaginável pra poder mantê-los bem. Ou seja, nessa época o que eu mais sonhava era poder mantê-los compridos e saudáveis, uma coisa meio impossível pra quem via seu cabelo caindo aos montes todo dia.

Em 2009 eu vim então pra Bauru e as coisas começaram a mudar. Foi uma grande transformação na minha vida e acho que a felicidade de dentro começou a se refletir também por fora. Meus cabelos ganharam vida, os tratamentos pararam e eu finalmente pude aproveitar minhas longas madeixas, só que como eu já tinha sofrido tanto antes pra poder mantê-lo assim, acabei mantendo o mesmo comprimento durante anos, só cortando as pontinhas pra dar força, sabem?

Bom, tava na hora de mudar então né haha? Ganhei uma leve franja e cortei o cabelo numa altura média!

No início eu até estranhei, mas agora to tirando de letra deixá-lo assim!

Jantar a luz de velas no dia 17

Jantar a luz de velas no dia 17

Eu e Diego começamos a namorar no dia 17 de maio de 2009, e além dos aniversários que comemoramos todo ano quando essa data se repete, a gente mantém o dia 17 de todo mês como um dia especial. Às vezes a gente só faz uma comida mais caprichada aqui no apartamento ou faz um programa não comum na nossa rotina, porque depende do quanto aquele dia tá sendo agitado ou não, mas dessa vez conseguimos ir em um jantar bem romântico. Decidimos então jantar em um restaurante de comida asiática chamado Bangkok, que além de ter uma decoração deslumbrante, um clima super intimista e uma comida deliciosa, fica todo ao ar livre, em um jardim lindo e com uma iluminação feita toda a luz de velas. Lindo, lindo!

O melhor quiche da história dos quiches

O melhor quiche da história dos quiches

Não sei se eu já contei isso aqui no blog, mas eu sou fã número um de cafeterias. Tenho até uma listinha no listography com as cafeterias que já fui e qual foi a minha impressão sobre elas a respeito da comida, atendimento e decoração.

O Lokma Café é um bistrô e cafeteria aqui de Bauru que eu já tinha ido antes, mas que na época não tinha experimentado o quiche mediterrâneo deles. Só que agora eu to trabalhando perto de lá (aliás, em breve vou falar aqui no blog sobre o meu trabalho novo hihi) e depois que experimentei essa delícia, não quero saber de mais nada. É divino e super levinho. E pela foto já dá pra vocês verem o quanto é graciosa a decoração que eles fazem também no prato, né? Comida bonita e gostosa = puro amor.

Palestra de beleza no Top Chic 2013

Palestra de beleza no Top Chic 2013

E pra fechar agosto com chave de ouro, participei de um evento chamado Top Chic que já tá na sua quarta edição e serve como um painel de tendências pra próxima estação. Esse evento sempre foca em três áreas que mudam de ano pra ano e dessa vez as contempladas foram a moda, a beleza e o visual merchandising.

A palestra de beleza foi legal à beça! Quem ministrou foi a maquiadora Cinthia Sganzella e o hairstylist Edu Oliveira, e além de trazerem tendências de cortes e cores de cabelo tanto pro público feminino quanto pro público masculino, eles ainda falaram sobre as academias internacionais de beleza e o Edu compartilhou as suas preferidas com a gente (:

E fim. O post não ficou nem parecido com o “rapidinho” que eu havia planejado, mas tudo bem hehe.

Bisous, bisous.