Ouvindo sem parar: Plutão já foi planeta

“Você quer ir embora de você
Como se você não lhe fosse
Todos os destinos possíveis”
(Viagem Perdida)

Sejamos sinceros, eu não sou uma pessoa que assiste muita TV. A bem da verdade, nem TV eu tenho há uns bons quatro anos, fato que sempre causa um espanto gigantesco nas pessoas. Nada contra, de verdade, até tenho amigos que tem uma, mas a verdade é que a internet já consome tanto, mas tanto do meu dia, que no pouco tempo que fico fora dela, prefiro ler ou sair pra comer com os amigos e o namorado. Como disse um amigo essa semana “vamos trazer uma barraca e aceitar que a nossa vida é dentro da internet mesmo, não tem jeito.”

Mas o fato é que apesar de não assistir TV com tanta assiduidade, de vez em quando me dá vontade de assistir alguns programas e novelas que todo mundo anda comentando ou que eu simplesmente fiquei com vontade de rever (alô, Verdades Secretas e Laços de Família).  Assim, por esse motivo, decidi recentemente assinar a Globo Play, aquele serviço de assinatura da Globo que além de ter toda a programação atual da emissora, conta também com um pequeno arquivo de tudo que eles já transmitiram. Foi assim que eu consegui assistir “O Rebu”, por exemplo, uma minissérie maravilhosa que passou na Globo em 2014, e foi assim também que eu comecei a assistir o programa Superstar desse ano (aquela competição entre bandas que passa aos domingos na emissora, sabem?) e conheci a Plutão Já Foi Planeta.

“Meus gostos estranham os teus
Mas eu não estranho você
A diferença não faz diferença
Se você é você”
(Você não é mais planeta)

A banda é de Natal, Rio Grande do Norte, se define dentro do gênero indie rock/pop e possui cinco integrantes: Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele e escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra e baixo), Vitória de Santi (baixo e synth), Khalil Oliveira (bateria) e Natália Noronha (voz, baixo e synth). O grupo é de uma leveza, de uma beleza e de uma gostosura de cantar e dançar assim sozinho pela casa, que só escutando mesmo pra entender. Pra mim foi amor à primeira vista, ou no caso, à primeira nota.

Na sua estreia no programa eles se apresentaram com a música “Viagem Perdida” e eu fiquei tão maravilhada com a canção, especialmente com a letra da música que é linda, que fui procurar mais sobre a banda. Foi assim que descobri que eles já tem um álbum lançado, o “Daqui Pra Lá”. São sete músicas deliciosas de ouvir e que pra mim parecem transitar ali numa mistura de Los Hermanos com Kid Abelha das antigas. As letras são indiscutivelmente incríveis, mas os arranjos das músicas são muitos originais e diferentes também do que estamos costumados a ouvir nas rádios.

Ainda que eu tenha amado todas as canções, as minhas preferidas são a já citada “Viagem Perdida”, a “Você Não é Mais Planeta” e a belíssima “Sonho de Palmer”.

“Me leve pra longe agora
O que nos espera lá fora
É mais do que a gente sonha
Mais do que a gente sabe”
(Me Leve)

A banda nasceu em 2013 e “Daqui pra Lá” foi gravado no ano seguinte. Na época, a Natália Noronha, vocalista do grupo, deu uma entrevista para o site Apartamento 702 contando sobre o processo de gravação do CD, sobre as composições das músicas e sobre essa vontade que eles tinham – e imagino que continuam a ter – de que as pessoas não apenas baixassem o álbum, mas que o escutassem de verdade, que prestassem atenção nas letras, que sentissem os acordes e aprendessem a cantar junto.

Eles tão com um álbum novo quase saindo do forno e já apresentaram três das novas músicas no programa: “Me Leve” , “Mesa 16” e “O Ficar e o Ir da Gente”. Todas lindas e ainda mais maduras do que as do primeiro disco. E acho que não sou só eu que acho isso, já que a Plutão se apresentou apenas com músicas próprias no Superstar (pra não dizer que foram só músicas autorais, em um dos programas eles cantaram Educação Sentimental II do Kid Abelha. Falei que tinha uma referência bem clara aí, não falei?) e fez todo mundo se apaixonar por eles, chegando entre as quatro bandas finalistas do programa.

A decisão da vencedora, aliás, sai nesse domingo e acho que não preciso nem falar que se você também gostou da banda, não custa nada dar um votinho pra eles durante a apresentação, já que ganhar o programa com certeza vai abrir muitas portas e ajudar demais na divulgação do trabalho do quinteto. E né, banda boa eu quero mais é que se espalhe pelo vento e conquiste o mundo todo.

“A cidade tá na mesma e eu volto pro mesmo abraço
Eu sei muito bem o traço da saudade”
(O Ficar e o Ir da Gente)

Nesse link tem todas as apresentações que eles já fizeram no programa, aqui fica o Instagram da banda e aqui a página no Facebook. E ah, pra quem quiser escutar loucamente o CD “Daqui pra Là”, tem tudinho no Spotify, bem aqui. De nada!

Bisous, bisous e até mais

Esse é só o começo do fim da nossa vida

Descobri Los Hermanos aos quinze anos de idade. E quando eu digo descobrir, eu tô querendo dizer descobrir por completo, sem nada pela metade, mergulhando fundo em todas as composições da banda.

Anna Julia, a primeira música que fez eles estourarem pro mundo, foi lançada em 1999.  Ela virou hit em tudo quanto era canto do país e não havia um jovem em pleno começo dos anos 2000 que com acesso a TV, nunca tivesse visto o clipe da música, com Mariana Ximenes dançando em um bailinho de escola enquanto a banda tocava ao fundo.

Então é claro que eu já havia visto o grupo algumas vezes, mas até então pra mim eles eram apenas uma banda desconhecida, com um single bonitinho tocando nas rádios.

Corta pra seis anos depois. Começo de 2005 e eu, do alto dos meus 15 anos de idade, doida de vontade de escutar a playlist que uma amiga havia feito e me emprestado em um CD. Foi aí, no meio de outras várias canções nacionais que estavam virando famosas na época que eu escutei Primavera, música do primeiro CD (homônimo) do grupo.

Primavera era suave, bonita, romântica – sem ser melosa – e inteligente. E eu gostei demais do que ouvi. Mas gostei mesmo. E decidi procurar mais coisas que aqueles garotos escreviam e cantavam de um jeito único.

O começo foi meio chocante. As canções era melancólicas pra caralho. Mas tinham umas coisas mais agitadas no meio também, umas críticas inteligentes, umas histórias bem contadas, um jeito de escrever música que eu nunca tinha visto antes, mas que me encantava. Era uma coisa meio louca, mas muito, muito, muito boa.

Minha adolescência foi moldada por músicas e os Los Hermanos foram uma das maiores influências nessa área. Eu descobri a banda na época de seu último CD e tentei recuperar o tempo perdido escutando tudo, cantando tudo a plenos pulmões e esmiuçando cada um dos versos de suas músicas. Eu peguei os últimos anos de banda, quando o grupo já tinha sofrido grandes mudanças (especialmente do primeiro para o segundo álbum), e aprendi a gostar de cada uma das suas fases, aprendi a sentir um quentinho bom no peito com cada uma das suas declarações, com cada uma das suas canções.

Olhando pra todo esse histórico da banda e pro quanto eles sempre colocaram de sentimento nas suas músicas, faz total sentido o processo catártico que foi usado na gravação dos últimos três álbuns: ir pra um sítio no meio do nada, com quase nada de acesso ao “mundo real”, e ficar por lá durante dois meses inteirinhos, compondo, cantando, tocando e criando melodias.

As coisas fluíam naturais assim, como eles mesmo gostavam de dizer, e os quatro podiam criar um trabalho de fato deles, sem influência de gravadoras e sem pressão da mídia.

O reconhecimento acabava vindo por outros meios, como a legião de fãs absurda da banda que se criou aqui fora – e que muitas vezes foi taxada de chata, mas que na real tava pouco ligando pra esse tipo de coisa.

De lá pra cá já se passaram dez anos de admiração pela banda e oito desde que eles anunciaram a separação, em 2007.
Um tempo que serviu pra eu entender ainda melhor algumas das coisas que eles cantavam e pra ter ainda mais dimensão do quanto eles foram importantes pra música brasileira dos últimos anos. Como quando a gente passa a olhar alguma coisa de forma muito mais crítica e madura, e vê que ela é muito mais do que apenas “bonitinha”. É inteligente mesmo, é humana, é de emocionar.

Por isso que no começo desse ano, ao saber que eles fariam uma nova turnê especial pra relembrar os velhos tempos – a primeira foi em 2012 e deu origem a um documentário que tem o mesmo título desse post “Esse é só o começo do fim da nossa vida” – eu sabia que agora era a hora de finalmente realizar uma das minhas maiores vontades de quando adolescente, e de prestigiar uma banda que merece ser lembrada, que conquistou um espaço importante demais na nossa música.

Eu posso dizer que o que aconteceu no último sábado na Arena Anhembi, ao lado de outras 30 mil pessoas, muitas que como eu, assistiam a um show deles pela primeira vez, foi um presente que eu dei pro meu eu de dez anos atrás. Foi um presente que eu dei pra aquela garota que escrevia as letras de música das suas bandas preferidas em um caderno e que aprendeu que a música era uma das maneiras mais bonitas de se expressar. Pra aquela garota que amava escrever, que sonhava em ser jornalista, e que sabia que algumas canções conseguiam tocar tão fundo quanto uma boa história.

Mas não é só isso. O show de sábado na Arena Anhembi foi um presente pro meu eu de agora também. Pra garota que não tem mais um caderno com as letras das suas bandas preferidas, mas que continua a achar que alguns grupos e cantores conseguem fazer dos versos de uma música um lugar lindo pra se repousar.

E uma certeza que eu tenho é que desse presente que eu vou lembrar pra sempre, especialmente quando, distraidamente, eu escutar alguém cantarolando uma canção dos Los Hermanos por perto.

Bisous, bisous

Eles indicam: shows inesquecíveis!

Sempre tem algum show que marca a gente de uma maneira inexplicável e nem sempre precisa ser daquela banda que a gente esperou meses pelo dia da apresentação ou daquele álbum que a gente ama desde o lançamento.

Daí que por tudo isso – e pelo VMA de ontem que vai ficar eternizado na minha memória pelos gifs fantásticos que gerou haha –  a edição do eles indicam de hoje é sobre shows inesquecíveis! Então, com vocês, Bárbara Carneiro, João Magagnin e Soraia Alves contando aqui os shows inesquecíveis das suas vidas. Aqueles que vale colocar na wishlist pra um dia também ir ;}Mudando de assunto...

Mika - Planeta Terra Festival 2010

  “Poucas coisas são mais fáceis na minha vida do que escolher um show inesquecível. Em razão de não ser uma assídua frequentadora desses eventos, de viver desatualizada de música e de fazer incursões constantes a playlists com artistas mortos, foram poucos os shows a que fui e de um deles, em especial, eu tive uma perspectiva de visão muito favorável. Em 2010, fui ao Planeta Terra Festival por causa do Mika e tivemos, eu e meus amigos, a felicidade de ficarmos bem próximos ao palco. Em determinado momento, no intervalo entre um show e o do Mika, pessoas da produção começaram a chamar meninas da platéia para entrar no palco. Com uma trajetória caótica, acabei sendo uma das escolhidas para dançar a última música com o cantor. Não é todo dia que a pessoa sobe no palco com um dos seus artistas favoritos e ainda dança com um vestido-de-noiva e uma máscara de coelho para uma multidão de pessoas. Apesar de ter as fotos e o autógrafo, a lembrança mesmo é superior a qualquer recordação material.” | Autora do The Cactus Tree.

O Mika é libanês, mas ainda novinho foi morar na França e logo em seguida em Londres, onde se naturalizou britânico. Desde 2007 quando apareceu para o grande público (foi difícil achar uma gravadora que investisse naquele cara de voz tão aguda e letras muitas vezes irônicas), ele lançou três álbuns:  “Life in Cartoon Motion” (2007), “The Boy Who Knew Too Much” (2009) e “The Origin of Love”  (2012).  Pra quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele, seguem os clipes de “Lollipop”, “We are Golden” e “Origin of Love”, respectivamente de cada um dos seus álbuns.

Mudando de assunto...

Ivete Sangalo - Réveillon 2011/2012

 

“O show mais-mais inesquecível da minha vida foi durante o Réveillon de 2011/2012 em Fortaleza – CE. Cidade lotada, gente maravilhosa e uma turma fantástica. Tudo decidido de última hora, conseguimos pegar um ônibus e chegar a tempo da festa começar. Showzaço da musa baiana Ivete Sangalo, que mesmo a uma penca de metros de distância da gente, encantava e nos seduzia daquele jeitinho nordestino de ser. Não tem pra ninguém, Veveta é tudo!” | Autor do Come on John.

 

 

Apenas que eu amei a escolha do João! Primeiro por ele ter escolhido uma cantora brasileira, mega arretada e de uma personalidade sem igual, e segundo porque apesar de eu nunca ter ido a um show da Ivete, posso imaginar que deve ser daqueles em que é impossível ficar com o pé no chão!

Bom, acho difícil ninguém conhecer Veveta, mas vamos lá… Ela é uma cantora baiana (mas também é produtora, atriz, compositora, instrumentista e insira aqui milhares de outras habilidades) que do alto dos seus 41 anos tem corpinho e vitalidade de 20. Ivete Sangalo começou na Banda Eva e depois seguiu carreira solo, quando lançou seu primeiro álbum em 1999. De lá pra cá já foram 10 álbuns, entre os de estúdio e ao vivo. E além de toda essa beleza por fora, Ivete é linda também por dentro: ela é a embaixadora da ONU no Brasil na luta contra o tráfico de pessoas (:

Mudando de assunto...

Foo Fighters - Lollapalooza 2011

  

“Apesar de achar que alguns outros shows tomarão o lugar de inesquecível (Bruce Springsteen mês que vem, Mumford & Sons talvez em 2014), das apresentações que vi até hoje a mais marcante, com certeza, foi a do Foo Fighters como headliner no primeiro dia do Lollapalooza 2011, em São Paulo. Foram pouco mais de duas horas e meia de show, com um Dave Grohl extremamente carismático, um Taylor Hawkins incansável e uma energia incrível, que me fez pular sem cansar em meio à 75 mil pessoas. O show do Pearl Jam esse ano também foi demais! Kings of Leon, The Killers… todos incríveis. Mas ouvir o FF tocando minha faixa favorita (Hey, Johnny Park) e que não estava na setlist há tempos foi realmente especial.” | Autora no Rock’n’Beats.

O Foo Fighters começou sua carreira em 1995 e tem um ~pequeno~ resquício de uma outra banda que eu adoro: seu vocalista, Dave Grohl, já foi baterista do Nirvana! Ao álbum de estreia se seguiram mais outros seis álbuns, que transformaram essa banda de rock numa mais famosas dos anos 2000. Na pequena lista de sucessos dos cinco integrantes do Foo Fighters, há canções como “Learn to fly”, “My hero”, “Best of you” e “All my Life”.

Foto Estadão/ Marcelo Justo

Foto Estadão/ Marcelo Justo

Mudando de assunto...

Paul McCartney - Up and Coming Tour 2010

Eu nem titubeio quando me perguntam qual meu show inesquecível da vida. Acho que o que eu vivi – e senti – no dia 22 de novembro de 2010, em um Morumbi lotado ao som de Paul McCartney, é uma experiência quase impossível de descrever. Eu cresci escutando Beatles por causa do meu pai, e em 2009, quando comecei a namorar o Diego, descobri um garoto ainda mais fã de Beatles do que eu, que fez eu me apaixonar ainda mais por esses garotos de Liverpool. Escutar Paul ao vivo, cantando “All my loving”, “Let it be”, “Yesterday” e tantas outras músicas que funcionam como trilha sonora de vários momentos da minha vida, foi um momento mágico.

Sir Paul é de uma simpatia que olha, gente, dá vontade de apertar as bochechas (a Bárbara Carneiro daqui do post pode confirmar minha teoria, porque nós cantamos, gritamos e choramos juntas nesse dia haha). Durante o show não foram poucas às vezes em que ele se esforçou ao máximo pra conversar com a plateia em português, pra fazer piadinhas sobre o tempo (que tava de uma chuva tremenda aquele dia) e pra manter a vitalidade e energia nas quase duas horas de apresentação. Isso com 71 anos!! Na sua turnê atual, “Out there”, Paul voltou ao Brasil e dessa vez foi lá pra BH, dando a chance pra mais brasileiros assistirem uma das maiores lendas vivas do rock.

Fotos tiradas pela Bárbara Carneiro

Fotos tiradas pela Bárbara Carneiro