Andei lendo: “Quinta avenida, 5 da manhã”

Terminei de ler “Quinta Avenida, 5 da manhã” no comecinho da semana e posso dizer que o livro foi muito mais surpreendente do que eu poderia imaginar. Isso porque quando eu comecei a lê-lo tinha pra mim que o livro falava apenas sobre os bastidores da produção do filme Bonequinha de Luxo e de como o papel de Holly Golightly foi tão importante para a carreira de Audrey Hepburn. Ah, mas que engano! E que engano BOM!

“Quinta avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna” vai muito além disso. Aliás, ele vai muito além do próprio filme Breakfast at Tiffany’s (nome original do longa), já que ele se debruça também sobre a história que gerou o filme, ou seja, a novela escrita por Truman Capote em 1958.

Uma das coisas que eu mais gostei do livro é que ele não deixa nem um nó solto e conta a história desde lá do seu comecinho até a noite do Oscar em que Bonequinha de Luxo concorreu em cinco categorias – e levou a estatueta de melhor canção com Moon River.

Então primeiro a gente fica conhecendo um pouco mais sobre o próprio Truman Capote, sobre sua infância sofrida, seu interesse pela literatura e, finalmente, como surgiu a ideia do livro na sua cabeça. E, o mais legal de tudo: como foi o processo de criação da Holly, quais mulheres que o inspiraram a montar essa personagem tão única e como Truman passou tudo isso pro papel.

E quem já leu o livro ou viu o filme sabe que Holly tá longe de ser uma personagem fácil. Ela é doce, mas é forte ao mesmo tempo; ela é misteriosa, mas vive a vida como se fosse uma festa 24 horas; ela é uma mulher moderna e independente, mas ainda assim é uma garota de Tulip, interior do Texas, ingênua e cheia de sonhos. Esse tanto de contradição da personagem talvez seja o que a tornou tão querida e tão importante pra história do cinema – e pra 99% das garotas, afinal quem não admira Holly que atire a primeira pedra.

O livro ainda narra como foi a passagem da história do livro para o filme e quais as modificações que a obra precisou sofrer quando foi pras telonas de Hollywood, porque né, manter a história original seria o mesmo que assinar um atestado de fracasso nas bilheterias numa década em que a mulher ainda era tão submissa. E, toda essa construção do filme, inclusive a escolha de todo o elenco e produção, vai sendo destrinchada aos pouquinhos no livro e a cada página a gente mergulha mais e mais nessa história.

Uma coisa que eu achei super interessante foi a maneira linear, porém não divisória, com que Sam Wasson escreveu o livro. Na real isso quer dizer que o livro conta tanto a história de Truman, quanto da Audrey, quanto do livro e do filme, mas sem dividir cada um deles em um capítulo. Ou seja, você vai acompanhando essas quatro ramificações da história desde 1951 (quando Audrey ainda fazia parte da montagem teatral de Gigi) até a repercussão que o filme gerou depois de seu lançamento sem, no entanto, perder nenhuma delas de vista. É uma sequência cronológica onde aos pouquinhos você vai acompanhando a evolução de todas essas ramificações.

E olha, gente, posso dizer sem exageros: pra quem gosta de Audrey Hepburn, esse livro é um prato cheio. Dá pra conhecer muito mais sobre a vida e carreira da Audrey e – pelo menos pra mim isso foi uma surpresa – conhecer muito mais da sua vida íntima, do seu amor incondicional por sua família e que, sem sombra de dúvida, tava acima de qualquer coisa na sua vida. Inclusive da carreira. E também outros detalhes não tão legais assim, como a relação dela com o seu primeiro marido, Mel Ferrer, que… Bom, não vou contar porque tem que ler o livro! Haha

Mais do que um livro sobre os bastidores de Bonequinha de Luxo, “Quinta avenida, 5 da manhã” fala sobre a importância da história de Holly para as mulheres dos anos 50. Afinal, essa foi a primeira vez que uma personagem feminina vivia sozinha, era moderna, comandava a própria vida – e pasmem, era uma garota de programa! – e ainda assim conseguia ser uma menina, que cativava e encantava homens e mulheres do mundo todo. A liberdade sexual e social que Holly trouxe para o cinema ficou refletida em toda a década de 60, quando alguns paradigmas da vida da mulher finalmente começaram a ser questionados.

Para os admiradores da Audrey e, claro, de Bonequinha de Luxo, vale muito ler cada página, mas acho que todo mundo, sem restrições, deveria ler esse livro pra entender um pouco melhor esse cenário submisso e machista que era tão forte até meados dos anos 60. E tanta gente aí achando que feminismo é uma besteira. Mal sabem eles…

“Quinta avenida, 5 da manhã” foi publicado pela editora Zahar aqui no Brasil, tem 256 páginas e um espaçamento de texto nem muito pequeno, nem muito grande, mas bem ali na medida. Nele você ainda encontra algumas imagens em p&b bem incríveis – as desse post foram tiradas do livro – e até a imagem do convite para a estreia de Bonequinha de Luxo nos cinemas.

O meu exemplar eu ganhei do namorado, mas pesquisei e achei o livro por R$44,90 tanto na Livraria Cultura quanto na Livraria Saraiva. Se alguém achar mais barato em outro lugar, divulga aqui nos comentários, por favor 😉

Ah! Como esse livro é um amontoado de frases marcantes, eu achei que valia super a pena separar as mais mais – baita tarefa difícil – pra colocar aqui embaixo. Espero que vocês gostem. Bisous.

Frases marcantes

“Como um daqueles acidentes que não são realmente acidentes, a escolha da “boazinha” Audrey para o papel da “não tão boazinha” garota de programa Holly Golightly mudou o rumo das mulheres do cinema, dando voz ao que até então era uma mudança não expressa no gênero dos anos 50. Sempre houve sexo em Hollywood, mas, antes de Bonequinha de Luxo, só as garotas más é que faziam sexo.”

“Era uma espécia de pioneiro na moda [Hubert de Givenchy] e tirava o glamour do distante e do inatingível e o tornava prático. Depois de Bonequinha, qualquer um, independentemente de sua situação financeira, podia ser chique todo dia, em toda parte.” – palavras do estilista Jeffrey Banks.

“O bebê, Audrey disse, “será a coisa mais importante da minha vida, mais ainda que meu sucesso. Toda mulher sabe o que significa um bebê.” Por fim, essa era a felicidade que Audrey desejara. Não o tipo de felicidade que ia embora, mas o tipo eterno, que nunca parava de se renovar toda manhã e toda noite.”

“Não que Holly fosse uma polemista; ela nunca subiria num caixote para defender nada que não fosse se divertir. Mas em seu leviano amor pela individualidade, quer saiba, quer não, Holly ressoa com o fervor da nova geração.”

Links para toda hora #1

Sei que o feriado/final de semana praticamente já acabou, mas como ainda resta esse finzinho de domingo gelado (aqui pelo menos choveu e fez frio o dia todo), ainda dá tempo de ver um monte de link sensa que rolou na última semana.

  •  O GWS subiu um vídeo mega legal feito pelas meninas em parceria com a Glamour. Nele, a Nuta resgata uma tag que já virou marca registrada das meninas em outras edições do Fashion Rio: mostrar um conjunto de fotos, – todas com alguma ligação com moda – para o pessoal que transita por lá. Não importa se é jornalista, fotógrafo, estudante, segurança… A ideia é que todo mundo dê seus pitacos sobre o que aquela imagem representa. O resultado é, no mínimo, engraçadoMudando de assunto...
  • Não é link, mas é uma dica linda e inspiradora. Nesse último mês de maio, a Vanity Fair US recoloriu uma foto da musa Audrey Hepburn para estampar sua capa. E não é só isso: a revista tá recheada com imagens icônicas da atriz, – retiradas do livro “Audrey in Rome” – um texto que reconta um pouco da sua história e uma entrevista com seu filho, Luca Dotti. Vou confessar que eu chorei enquanto lia a entrevista e, uma frase em particular, fez meu coração ficar todo quentinho.

    “When asked in what way his mother remains most physically present in his life, Luca says, “Through scent.” (…) So there are certain scents, you know, a certain cake, or a flower, things like that. It’s not so physical, but it’s powerful. And every spring, especially here in Rome, you have this smell of orange blossom in the air. Spring is coming and it was her favorite season. It makes me think of her.”

    Em tradução livre: “Quando perguntado de que maneira sua mãe permanece mais fisicamente presente em sua vida, Luca diz: “Através do perfume.” (…) É que há determinados aromas, você sabe, um certo bolo, ou uma flor, coisas desse tipo. Não é tão físico, mas é poderoso. E, a cada primavera, especialmente aqui em Roma, você tem esse cheiro de flor de laranjeira no ar. A primavera está chegando e era a estação favorita dela. Isso me faz pensar nela.

    audrey
    Mudando de assunto...

O link de indicação agora vai para blog “Think Olga“. Ué, mas pra ele todo? Sim, pra ele todo haha. Eu descobri esse blog nem faz muito tempo, mas em pouco mais de um texto eu já tava admirada. Juliana de Faria, a jornalista que faz os textos que recheiam o “Think Olga” traz à tona um tema muito importante de ser discutido: a feminilidade nos dias de hoje. Vale ler cada texto e descobrir em cada cantinho uma nova inspiração, uma nova luta, uma nova felicidade em ser mulher.

Think Olga

Ilustração de http://www.lucy-e.com/

Mudando de assunto...

A querida Isabelly Lima tá fazendo um sorteio novo lá no “Refletindo Moda”. Apaixonada por livros que é, o prêmio escolhido é o “Madame Charme – Como viver à française”, livro da Jennifer L. Scott. É facinho de participar!Mudando de assunto...

  • Essa entrevista da T Magazine do New York Times é longa, mas vale muito a pena ler! Miuccia Prada é uma mulher surpreendente não só na moda, mas em todos os outros campos – da política a economia – onde ela decide intervir. Mudando de assunto...
  • O último link do dia é para o canal da Tatiana Feltrim, o Tiny Little Things. Acontece que como eu ando muito viciada em vlogs de resenhas – o da Melina do A series of serendipity, o da Pamela do Garota It, etc e etc – eu fiquei zapeando pelo youtube e acabei descobrindo a Tati. Descobrir é ótimo, né? A mulher tem mais de 30 mil seguidores haha. O que posso dizer é que a Tatiana é uma professora de inglês que devora livros, faz vídeos que vão muito além de resenhas – tem dicas pra aprimorar seu inglês, discussão sobre quem tem cacife pra falar sobre literatura – e tem uma desenvoltura e propriedade pra falar enormes. E o que eu mais gosto é que ela não se prende apenas a leituras contemporâneas, mas sempre resgata clássicos e livros que tão lá no nosso imaginário como difíceis de ler. Sério, vale muito o clique!

 

Então, é isso. Agora vou lá terminar de arrumar minha mala que logo mais pego estrada. Boa leitura pra vocês. Bisous ;}

Audrey e Grace #aquecimentoOscar

Era 21 de março de 1956 e o fotógrafo Allan Grant (que tem fotos memoráveis das maiores estrelas do cinema nas décadas de 40, 50 e 60) registrou para a revista Life o nervosismo de duas moças que estavam nos bastidores do 28º Oscar. Audrey Hepburn e Grace Kelly não haviam sido indicadas a nenhuma categoria daquele ano e estavam ali, na verdade, para apresentarem os ganhadores de melhor filme e melhor ator, respectivamente.

As fotos mostram as duas olhando atentamente para o palco e trocando algumas palavras e, fico eu aqui pensando, como seria estar nessa mesma sala vendo um “encontro” entre duas das maiores divas do cinema.

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Como sempre impecavelmente belas (eu e minhas redundâncias), em dois vestidos de cintura bem marcada (alô Dior!), e com escolhas que fazem bastante sentido com a maneira que sempre se vestiam: Grace Kelly toda feminina, em um vestidão bem volumoso e com um coque bem trabalhado, e Audrey com aquela feminilidade caraterística que sempre ganhava um toque meio excêntrico da atriz. Pode parecer loucura minha, mas sempre tive a impressão que Audrey usava roupas superfemininas a) ou de uma maneira diferente ou b) com detalhes que não deixavam aquilo banal. E é impressão minha ou esse vestido dela aí é meio mullet? Audrey preconizando tendências, um beijo! E claro, finalizando com um coque bem feito e firme, de que ela sempre foi adepta.

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Audrey Hepburn foi a vencedora do Oscar de melhor atriz em 1954 pelo filme “A Princesa e o Plebeu” e em 1992 ganhou o “Prêmio Humanitário Jean Hersholt” (Elizabeth Taylor também ganhou essa premiação no mesmo ano) em uma homenagem póstuma da academia.

O vídeo aqui embaixo foi quando ela ganhou o Oscar em 1954 e eu fiquei emocionadinha ao ver a reação dela ao ganhar o prêmio. Parece que ela tá explodindo de felicidade e, ao mesmo tempo, tá num momento introspectivo, olhando o tempo inteiro pra baixo. Mas também, imagina a sensação de ganhar um Oscar? Se fosse eu, certeza que minha voz ia pífar, eu ia esquecer tudo que havia planejado pra dizer, ia entrar num semi estado de pânico e ia querer chorar de felicidade ali mesmo.

E ah, vocês repararam que na hora de falar as indicadas à estatueta, além delas e dos nomes dos filmes, também se costumava falar a produtora responsável? #detalhes

Já Grace Kelly recebeu o prêmio de melhor atriz em 1955 por “The Country Girl”. Reparei no detalhe de que ela subiu com a bolsa na mão haha. Deve ser o nervosismo (apesar que eu achei até bem charmosinho), afinal, ela tava ganhando um Oscar, mon dieu!

Vocês tão gostando do #aquecimentoOscar? Se tiverem ideias de post, compartilhem nos comentários 😉