Meryl Streep e o Oscar #aquecimentoOscar

São 67 anos de vida e 40 anos desde que Meryl Streep estreou em seu primeiro filme. E pode até soar estranho e frio se prender a números quando estamos falando da carreira de uma atriz que já disse e continua a dizer tanto em suas atuações,  mas a verdade é que são eles quem nos ajudam a ter uma dimensão do que é essa história.

Pra começar que são 20 indicações ao Oscar e 29 ao Globo de Ouro (!), além de uma premiação em Cannes, duas no Emmy, duas no BAFTA e uma no Festival de Berlim. E não é só isso. Meryl recebeu ainda uma Medalha Presidencial da Liberdade – título que é considerado a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos!

Meryl Streep

A primeira indicação de Meryl ao Oscar foi em 1979, como atriz coadjuvante pelo filme O franco Atirador. Só que já nessa época ela não era uma completa desconhecida do público. Além de ter atuado muito no teatro, inclusive em grandes produções da Broadway, Meryl havia estrelado a minissérie Holocausto, que havia tido um sucesso enorme de audiência e lhe rendido um Emmy de melhor atriz.

Foi assim que ela passou a se tornar uma figurinha carimbada nas premiações de Hollywood, especialmente porque em uma indústria tão complicada quanto essa, ela já chamava atenção pelo talento fora do comum. E assim sendo, o que não faltaram foram papeis difíceis – e extremamente elogiados pela crítica – que passaram a se suceder em uma velocidade chocante na sua carreira.

Ela foi uma mãe que lutava pela guarda de seu filho em “Kramer vs Kramer”, assim como uma pacata dona de casa vivendo um romance extraconjugal em “As Pontes de Madison”. Foi também uma professora de violino em “Música do Coração” e a temida editora da revista de moda Runway em “O Diabo Veste Prada”. Se transformou em Julia Child – a famosa autora de livros de culinária e apresentadora de TV – no filme “Julie & Julia”, e foi ainda uma socialite que sonhava obstinadamente em ser uma cantora de ópera (sem, no entanto, ter talento para isso) em sua mais recente indicação ao Oscar, em o longa “Florence – Quem é essa mulher?”.

As 20 indicações de Meryl Streep ao Oscar

Sempre colocando sua vida pessoal longe do olhar da imprensa, Meryl depositou toda a atenção dos fãs, de Hollywood e obviamente da crítica especializada nos trabalhos que fazia. E, muitas vezes, utilizou desse espaço que tinha para apoiar ou mesmo levantar questões importantes dentro e fora da indústria cinematográfica.

No último Globo de Ouro, por exemplo, quando recebeu uma homenagem na premiação, fez um discurso emocionante condenando as recentes medidas tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu deportar milhões de imigrantes. Além disso, em 2015, durante o discurso de Patricia Arquette no Oscar pedindo igualdade salarial para homens e mulheres, Meryl foi uma das primeiras a ficar de pé e gritar em apoio a colega de profissão.

Foi ela também uma das atrizes a participar de uma campanha em 2016 contra (novamente) Donald Trump, em oposição a comentários sexistas que o até então candidato à presidência havia falado. E foi a atriz também quem não teve medo de durante uma renomada premiação cinematográfica em 2014, relembrar os perigos de se “endeusar” certas figuras do cinema como Walt Disney, que a despeito de todo o trabalho que realizou, teve sua carreira marcada por episódios racistas e misóginos.

Meryl Streep no Oscar

Meryl recebendo a estatueta por Kramer vs Kramer em 1980

Considerada uma atriz que “começou tarde” na carreira, Meryl se tornou uma lenda viva no cinema. O recorde de indicações ao Oscar pertence a ela, que só não tem o maior número de estatuetas da premiação porque fica atrás da igualmente maravilhosa Katherine Hepburn – que ganhou 4 vezes enquanto Meryl “apenas” ganhou três.

Com um dos currículos mais respeitados da área, a atriz estará mais uma vez concorrendo ao Oscar desse ano como melhor atriz. Ela não é apontada como favorita para levar o prêmio pra casa, mas continua a fazer de seu nome uma presença constante no cinema e nas premiações da área, não importa quanto tempo passe ou quantas outras atrizes apareçam e (ainda bem) façam muito sucesso nas telonas.

Tudo porque, acredito eu, certos brilhos e um talento de verdade realmente nunca se apagam.

Beijos e até amanhã com mais #aquecimentoOscar!

Os filmes que concorreram na categoria de melhor figurino do Oscar

Eu sei que o Oscar já passou, mas, mesmo tendo feito dois posts de aquecimento aqui no blog, ainda assim quis voltar e escrever sobre os filmes que concorreram na categoria de melhor figurino. Isso porque, como vocês sabem, eu sempre faço uma maratona com todos os indicados, e ainda que esse ano eu tenha ficado um pouco decepcionadas com a lista no geral, achei que especialmente nessa categoria os concorrentes estavam muito fortes.

Os cinco filmes desse ano além de serem muito originais em seus figurinos (mesmo quando a história já era uma velha conhecida nossa), utilizaram-se de tecidos, técnicas, recursos, histórias e contextos muito diversos para criarem suas roupas. Ainda que Mad Max tenha sido o grande vencedor da categoria, em aspectos diferentes, todos foram muito geniais. Portanto, aqui embaixo falei sobre os cinco incríveis longas que concorreram a melhor figurino do Oscar, contando um pouquinho sobre sua história e todo o processo de criação de suas roupas e acessórios.

Adaptado pelo direto Todd Haynes do livro de mesmo nome da autora Patricia Highsmith, Carol se passa na Nova York dos anos 50, quando duas mulheres muito fortes e independentes, mas que possuem estilos de vida e idades completamente diferentes, se conhecem e se apaixonam.

Além de duas protagonistas maravilhosas, – Cate Blanchett (Carol) e Rooney Mara (Therese) – o filme tem ainda por trás de si a mão de Sandy Powell, uma das maiores figurinistas de Hollywood. Profissional tarimbada no Oscar, ela já teve 14 filmes indicados à estatueta de melhor figurino, tendo sido três vencedores: Shakespeare Apaixonado de 1998, O Aviador de 2004 e a Jovem Rainha Vitória de 2009.

Logo que a gente vê os primeiros looks de Carol e Therese, já conseguimos perceber que o guarda-roupa das duas é muito diferente, ainda que ambos representem estilos que se sobressaíram na década de 50. Em uma entrevista para a Variety, Sandy contou, por exemplo, que ainda que ela seja uma grande fã de cores chamativas, os figurinos das duas são no geral de tons sóbrios e frios, sendo assim mais fiéis à época e lugar onde a história se passa.

Enquanto Carol, uma mulher experiente e rica, veste roupas e acessórios mais glamourosos, como casacões, conjuntinhos, jaquetas trapézio, lenços e óculos estilo gatinho, Therese tem um estilo mais simples, com pouca mistura de tecidos ou volumes. Ainda que eu tenha ficado apaixonada pelo figurino de Carol, que tem uma vibe bem lady like, achei superinteressante o fato de que as roupas de Therese foram todas garimpadas em brechós. Pouco se ligou para etiquetas ou nomes de marcas famosas no figurino do filme, porque o intuito foi mesmo o de resgatar a moda da época da forma mais literal possível.

Concorreu também nas categorias de: melhor atriz (Cate Blanchett), melhor trilha sonora, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara)

Um dos filmes mais badalados da noite, especialmente por ter sido o responsável por Leonardo DiCaprio finalmente levar uma estatueta para casa, O Regresso (The Revenant, em inglês) é do diretor Alejandro González Iñárritu. Baseado em eventos reais, ele conta a história de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um caçador que parte numa expedição pelo deserto dos EUA, acaba sendo atacado por um urso, traído por um de seus companheiros e vendo seu filho ser assassinado.

Depois de quase morrer por ter sido largado para trás, Hugh parte atrás de John Fitzgerald (Tom Hardy) em busca de vingança, numa jornada épica, cheia de cenas sobre o poder da natureza e da força espiritual.

Com quase três horas de duração, o filme que foi gravado ao longo de nove meses na Argentina e no Canadá, em ambientes externos e apenas com luz natural, teve também seu figurino como um dos maiores trunfos para torná-lo o mais verídico possível. A grande responsável por tudo isso foi Jacqueline West, designer de moda e figurinista que já teve outras duas indicações ao Oscar pelos filmes Contos Proibidos do Marquês de Sade de 2000 e O Curioso Caso de Benajmin Button de 2008.

Apesar de ter me decepcionado um pouco com O Regresso, achei bastante curioso e incrível como Jacqueline conseguiu fazer de um filme que é completamente o oposto das grandes produções
luxuosas que muitas vezes concorrem nessa categoria, um longa que tem um figurino extremamente complexo, bem pensado e que retrata de maneira bastante fiel o ambiente e ritmo da história.

Li uma matéria no UOL que contava que para costurar as roupas, a figurinista se aprofundou em técnicas muito próximas as usadas pelos caçadores da época (1820), criando réplicas de processos feitos com intestinos secos de pequenos animais. Já para impermeabilizar os casacos, foi usado gordura animal misturada com terra, criando uma cor e brilho especiais às peças.

Um dos maiores destaques desse figurino foi com certeza a pele de urso usada por Leonardo DiCaprio em grande pate do filme. A pele era de verdade e quando molhada chegava a pesar mais de 45kg! Como ao longo do filme ela e todos os outros figurinos vão sendo envelhecidos, surrados e sujos, foram feitas várias réplicas do casaco, de forma a se obter uma para cada desventura passada pelo ator em cena.

Concorreu também nas categorias de: melhor filme, melhor design de produção, melhores efeitos viuais,melhor montagem, melhor ator codjuvante (Tom Hardy), melhor edição de som, melhor mixagem de som e melhor cabelo e maquiagem.

Vencedor nas categorias de: melhor diretor, melhor ator (Leonardo DiCaprio) e melhor fotografia.

Adaptado do livro homônimo escrito por David Ebershoff (que foi baseado nos diários da protagonista), A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, em inglês) conta a história do casal de artistas Einar Weegener (Eddie Redmayne) e Gerda Weneger (Alicia Vikander). A história se passa na Copenhagem dos anos 20 e ainda que romanceada, conta o momento em que durante o casamento dos dois, Einar toma consciência de viver em um corpo em que não se reconhece. É nesse contexto que surge então uma das primeiras transexuais da história a passarem por uma cirurgia de mudança de sexo.

Einar se transforma em Lili Elbe e, junto a isso, muda-se também seu comportamento, jeito de falar, traquejos, desejos e, claro, suas roupas. Com inspirações vindas de grandes nomes da moda na época, como Coco Chanel, Jeanne Lanvin e Paul Poiret, o figurinista Paco Delgado fez com que a transição de guarda-roupa de Einar para Lili fosse linda de se ver na medida em que refletia as próprias descobertas que a protagonista enfrentava.

Saem as roupas super ajustadas e austeras de Einar e entram em cenas as peças e tecidos fluidos de Lili. Ainda que aos poucos, o guarda-roupa da protagonista vai ganhando cores, volumes e formas diferentes, especialmente quando o casal se muda para Paris, um dos ambientes culturais e intelectuais mais efervescentes da época.

As pesquisas de Paco, – que também já foi indicado para a categoria de melhor figurino por Os Miseráveis, de 2012 – acabaram fazendo com que Edddie Redmayne não precisasse de enchimentos quando no corpo de Lili. Isso porque, seguindo a moda da época e os padrões de beleza impostos, os corpos das mulheres tendiam a ser mais retos, sem peças que marcassem seus quadris ou seios. Assim, Eddie usou apenas um espartilho para deixá-lo mais esguio e lânguido, dando ao ator mais movimento em cena.

Concorreu também nas categorias de: melhor ator (Eddie Redmayne) e melhor design de produção.

Vencedor nas categorias de: melhor atriz coadjuvante (Alicia Vikander).

Ainda que eu tenha ressalvas sobre essa adaptação que Cinderela ganhou no ano passado, a história da garota explorada pela madrasta que ganha uma noite de “princesa” graças a sua fada madrinha (Helena Bonham Carter), continua a conquistar diferentes gerações e é sempre muito bonitinha de se ver. O figurino, é claro, é uma paixão à parte, e pelas mãos de Sandy Powell (olha ela aí de novo!) fica ainda mais rico de referências e belezas.

As inspirações pra madrastá má (Cate Blanchett) e suas filhas (Holliday Grainger e Sophie McShera) tem claras influências dos anos 50, década de estilo bastante clássico e glamouroso, que deixava em bastante evidência a feminilidade da mulher. Os acessórios de cabeça, os vestidos armados, os tecidos leves e fluidos, e o corpo bastante marcado são características-mor da época e podem ser muito bem observadas nas três atrizes e em outras mulheres da alta sociedade (sic) da história.

Mas é claro que no conto de fadas de Cinderela, é seu sapatinho de cristal e sua roupa para o baile, – que em todas as suas versões sempre chamou muita atenção – as grandes estrelas do figurino. Para confecicionar o maravilhoso vestido azul que a menina vai à festa, Sandy criou uma das peças mais lindas e trabalhosas que lembro de ter visto no cinema até hoje.

A atriz Lily James, além de usar um espartilho para deixar seu corpo mais modelado, também usou uma estrutura de aço enorme para dar sustentação a sua roupa. E que roupa! Para confecicionar o vestido, foram usados centenas de metros de seda, dispostos em diversas camadas, com aplicações de cerca de 10 mil cristais Swarovski! E se não bastasse tanto luxo para uma só peça, ainda foram feitas 8 réplicas da roupa, com pequenas alterações em cada uma, para que o vestido se “adaptasse” a diferentes tipos de cena.

A cor da roupa, aliás, foi um dos detalhes mais pensados e discutidos ao longa da produção, já que o azul final do vestido deveria ser de um tom que reluzisse e se sobressaíse de uma maneira única no baile. Depois de muitas pesquisas, chegou-se finalmente a esse tom da imagem, que pra mim é um azul super onírico, bem cor de conto de fadas mesmo.

Salvo todas essas belezes da produção, apenas um detalhe parece ter “manchado” um pouco o tão maravilhoso figurino da história: a cintura finíssima com que a a atriz Lily James apareceu na cena do baile. Essa questão foi duramente criticada pelo público, que acusou o longa de celebrar um padrão irreal e preocupante de corpo para milhares de crianças e jovens. Mesmo com a fugirinista Sandy Powell e a própria Lily dizendo que a cintura da cena foi apenas um efeito de ilusão de ótica do vestido e não o resultado de uma intervenção de photoshop, a polêmica demorou muito tempo para acabar.

O filme não concorreu em outras categorias.

O grande vencedor de melhor figurino da noite (e que ganhou mais cinco estatuetas) foi um dos meus filmes preferidos do ano passado. E confesso que por mais que eu achasse que Spotlight levaria a estatueta de melhor filme pra casa (acho que ele tem a “cara” típica dos filmes que o Oscar premia), lá no fundinho eu desejava muito que Mad Max ganhasse essa também.

Gravado todo no deserto da Namíbia e com direção de George Miller, o filme se passa em um futuro pós-apocalíptico em que além de haver muitas guerras, intempéries e pobreza, a água se tornou um bem bastante escasso. Para fazer jus aos personagens bastante únicos, cada figurino foi pensado de maneira diferente, nos mais ínfimos detalhes, e produzido com materiais nada convencionais.

Couro, plástico, pedaços de bonecos e celulares, medalhas e partes de carros e talheres (!) são alguns dos elementos que compõem as roupas do elenco. A figurinista Jenny Beavan, que já foi indicado outras nove vezes ao Oscar e foi vencedora em 1985 pelo filme “Uma Janela para o Amor”, foi a responsável por montar roupas que além de mostrarem todas as agruras sofridas, como sujeira, desgaste e doenças, ainda fez com que elas conversassem com a história de cada personagem.

Furiosa (Charlize Theron), por exemplo, é uma das personagens mulheres mais fortes que já vi no cinema (alguém me explica por que ela não foi indicada a melhor atriz?!) e suas roupas e acessórios foram todos pensados para tornar sua imagem ainda mais forte e destemida, deixando de lado toda e qualquer feminilidade. O próprio Mad Max (Tom Hardy) é bastante inspirado no primeiro herói da franquia, só que aqui em uma versão ainda mais desgastada; e o vilão-mor da história, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), carrega uma das peças mais chocantes e imponentes do filme: uma máscara que o permite respirar e que imita a arcada dentária de um cavalo.

Existem ainda os The War Boys, quem tem na sua maquiagem um dos elementos mais marcantes do longa (outra categoria, aliás, na qual o filme foi vencedor), e claro, as esposas de Immortan Joe, que são um choque de beleza e frescor e que usam tecidos leves, claros e fluidos.

Ou seja, um filme que definitivamente levou a excelência de seu roteiro para cada um dos trajes que fez.

Também concorreu nas categorias de: melhor filme, melhor diretor (George Miller), melhor fotografia e melhores efeitos especiais.

Também ganhou nas categorias de: melhor design de produção, melhor montagem, melhor cabelo e maquiagem, melhor mixagem de som e melhor edição de som.

BIsous, bisous

As músicas que ganharam um Oscar

Em uma noite onde filmes é que deveriam brilhar, vocês não acham curioso que exista uma categoria no Oscar que premie a área musical? Intrusa na festa, a categoria de melhor canção original foi adicionada a premiação em 1935 e, desde então, vem revelando músicas que não são apenas importantes dentro do filme em que estão, mas que também são fortes, emocionantes e possuem letras e melodias incríveis mesmo fora deles.

Fiz uma listinha então de algumas músicas que já ganharam o Oscar, que entraram pra história – da indústria cinematográfica e fonográfica – e que eu adoro! Pra quem quiser ver a lista completa de músicas vencedoras, é só clicar aqui.

 

Selma (2015)
Glory | John Legend e Common

No ano passado quando falei sobre os longas que estavam concorrendo a estatueta de melhor filme, cheguei a comentar que apostava todas as minhas fichas que Glory do filme Selma seria a grande canção vencedora da noite. Dito e feito! A música é maravilhosa (olha essa letra!) e tem uma presença enorme no filme. Ganhou merecidíssimo.

 

Frozen (2014)
Let it go | Idina Menzel

Frozen foi o filme que definitivamente fez a Disney reviver seus momentos áureos dos anos 90. Valente, de 2012, já tinha feito um ensaio desse retorno, mas foi mesmo com o filme da princesa que tem poderes mágicos de criar gelo que o estúdio fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo.

O mesmo aconteceu com Let it Go, trilha sonora do longa interpretada por Idina Menzel, que também resgatou o legado de grandes canções que a empresa sempre teve (nas próximas músicas desse post vocês vão entender o que eu tô falando!).
Além da canção original que toca no filme, há uma versão da música interpretada pela Demi Lovato.

 

Quem quer ser um milionário? (2009)
Jai Ho | A. R. Rahman

Quem quer ser um milionário, apesar de britânico, é inspirado em um livro do escritor indiano Vikas Swarup e foi todinho gravado na Índia. Ao todo, o filme recebeu 10 indicações ao Oscar, das quais ele ganhou oito, inclusive a de melhor filme.

A música Jai Ho é de A. R. Rahman, mas acabou ganhando uma versão mais popular quando o cantor a gravou junto com as meninas do Pussycat Dolls.

 

8 miles (2003)
Lose Yourself | Eminem

Estrelado pelo próprio Eminem, 8 miles – Rua das Ilusões é um filme sobre um jovem rapper lutando contra seus problemas pessoais. O filme foi bem recebido pela crítica na época do lançamento e a música Lose Yourself, eu lembro bem, tocava quase que em repeat nas rádios e na MTV.

 

Tarzan (2000)
You’ll be in my heart | Phil Collins

Como eu havia comentado lá em cima, é impressionante (e merecido) como as animações da Disney dominaram o Oscar durante toda a década de 90!

Além da própria premiação, Tarzan também ganhou o Globo de Ouro de melhor canção e uma indicação ao Grammy. A sua versão em português foi gravada por Ed Motta e recebeu o nome de “No meu coração você vai sempre estar”.

Ps: escutei umas cinco vezes essa música antes de subir o post e é impressionante como cada vez ela fica mais linda!

 

Príncipe do Egito (1999)
When you believe | Stephen Schwartz 

Nunca assisti O Príncipe do Egito, mas é praticamente impossível ter nascido no começo dos anos 90 e nunca ter escutado essa canção nas vozes de Mariah Carey e Whitney Houston. A música foi um sucesso enorme na época e acabou sendo indicada também para melhor canção do Globo de Ouro. A letra é do compositor Stephen Schwartz (que também escreveu letras para Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame) e o filme é do estúdio Dreamworks.

 

O Rei Leão (1995)
Can you fell the love tonight | Elton John

O Rei Leão é uma animação meio que sem precedentes na história do cinema, né? Até hoje, mesmo que animações com gráficos e enredos completamente incríveis tenham sido lançados, o filme acabou conquistando um espaço e uma importância só dele, impossível de tirar.

No ano em que Can you feel the love tonight ganhou como melhor canção do Oscar (e do Globo de Ouro!), mais duas músicas do filme também concorriam nessa categoria: a divertidíssima Hakuna Matata e Circle of Life. O longa levou ainda o prêmio de melhor trilha sonora nas duas premiações e de melhor filme de comédia ou musical no Globo de Ouro.

 

A Bela e a Fera (1992)
Beauty and the best | Alan Menken 

Além de ser um dos meus filmes preferidos da Disney e ter essa canção maravilhosa de trilha sonora, A Bela e a Fera foi um filme tão bem feito, tanto no que diz respeito ao seu roteiro quanto na sua parte artística, que foi a primeira animação da história a concorrer ao Oscar de melhor filme.

Além da própria música Beauty and the Beast, o filme também concorreu com mais duas músicas na categoria de melhor canção. As escolhidas foram Be our Guest e Belle (lembram do verso “The must be more than this provencial life”? <3). As três músicas foram feitas por Alan Menken, responsável por várias das trilhas sonoras da Disney.

Outras músicas que ele fez para a empresa e ganharam na categoria de melhor canção foram Under the Sea de A Pequena Sereia (1990), A Whole New World de Aladin (1993) e Colors of the Wind de Pocahontas (1996).

Dirty Dancing – Ritmo Quente (1988)
(I’ve had) The time of my life | Bill Medley e Jennifer Warnes

Provavelmente um dos filmes mais vistos e revistos da Sessão da Tarde, Dirty Dancing já apareceu aqui no blog em um outro post, quando falei sobre as minhas cenas musicais preferidas. E confesso, ele é sim um dos meus melhores guilty pleasures!

Além do Oscar, a música tema do longa concorreu ao Globo de Ouro, onde o próprio filme foi indicado a melhor filme de comédia/musical, e Patrck Swayze e Jennifer Grey a melhor ator e melhor atriz, respectivamente.

 

Flashdance (1984)
Flashdance… What a felling | Giorgio Moroder

Ok que eu tenho essa falha cinéfila de nunca ter assistido Flashdance, mas mesmo quem nunca assistiu ao filme já deve ter visto a cena final da história, quando a atriz Jennifer Beals dança ao som dessa música.

O filme virou um clássico dos anos 80 e no Oscar daquele ano foi indicado também nas categorias de melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora.

 

Fama (1981)
Fame | Michael Gore

Sabem aquelas músicas de final de festa? Pois bem, Fame com certeza vai estar nessa playlist. E eu acho a música divertidíssima, mas confesso que foi só quando selecionava as músicas que iam entrar nesse post que descobri que ela fazia parte de um filme.

Esse musical dos anos 80, aliás, parece ter uma vibe meio Glee, contando a história de oito adolescentes que sonham entrar na Escola de Artes Performáticas de New York. As poucas cenas que vi me deixaram bem curiosa pela história e coloquei na minha lista pra ver em breve.

 

Butch Cassidy (1970)
Raindrops Keep Fallin’ on My Head | Burt Bacharach

Estrelado por Paul Newman, Butch Cassidy chegou derrubando a porta – e tudo que tivesse atrás dela – do Oscar de 1970: além de concorrer para melhor filme, melhor diretor e melhor mixagem de som, o longa ganhou nas categorias de melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor trilha sonora, e claro, melhor canção original.

A música Raindrops Keep Fallin’ on My Head foi o sucesso musical número 1 dos anos 70 e ganhou uma dimensão tão maior do que o filme nos anos posteriores que chegou a entrar para o top 100 de maiores canções de todos os tempos da Billboard.


Bonequinha de Luxo (1962)
Moon River | Henry Mancini (interpretado por Audrey Hepburn)

Moon River é uma das minhas músicas preferidas da vida e tem uma letra que me toca e emociona muito. Aliás, acho que não só eu, afinal a canção foi a vencedora do Oscar e do Grammy de 1962.

A cena em que Audrey Hepburn toca violão e canta a música na janela do seu apartamento ficou eternizada na história do cinema e deu ainda mais beleza e leveza ao filme de Blake Edwards.

 

Pinóquio (1941)
When  you wish upon a star | Leigh Harline (interpretado por Cliff Edwards)

Pinóquio foi o segundo filme produzido pela Disney (o primeiro foi A Bela Adormecida) e como muitos de vocês devem saber, conta a história do bonequinho de madeira que se torna um menino de verdade graças aos poderes mágicos da fada azul.

A letra da música “When you wish upon a star” é das coisas mais maravilhosas que eu já escutei na minha vida e ainda que Pinóquio não seja das minhas histórias preferidas, sempre tive um carinho especial pelo personagem de Geppeto, o entalhador que cria o boneco.

 

O Mágico de Oz (1940)
Somewhere over the rainbow | Harold Arlen (interpretado por Judy Garland)

É incrível como essa música já foi regravada tantas vezes, cantada em inúmeros programas e competições de TV, e recebido os mais diferentes tipos de versões, mas ficou para sempre marcada na voz de Judy Garland.

A atriz que fazia a Dorothy em O Mágico de Oz, mesmo tão novinha tinha uma voz linda e afinada e teve a música feita especialmente para ela.  Assim como desejava sua personagem, a canção fala sobre a existência de um lugar além do arco-íris, onde os problemas derretem como balas de limão e os sonhos se tornam realidade.

 

Ritmo Louco (1937)
The way you look tonight | Jerome Kern

Qualquer filme com Fred Astaire já ganha de cara um sorriso meu, especialmente se esse filme tem o ator cantando uma música tão bela quanto The Way You Look Tonight.  De brinde, Swing Time tem ainda Ginger Rogers, atriz ganhadora do Oscar em 1941 e que ao longo de sua carreira fez inúmeras parcerias com Fred Astaire no cinema.

 

Bisous, bisous e semana que vem tem mais post do #aquecimentoOscar!!

(A falta de) mulheres diretoras no Oscar

Vocês devem se lembrar que no Oscar do ano passado, Patricia Arquette, ao ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante por Boyhood, fez um dos discursos mais inspiradores e empoderadores da noite, pedindo igualdade salarial para homens e mulheres. O discurso ganhou uma projeção gigante na mídia, e a falta de espaço e reconhecimento dado ao universo feminino – especialmente dentro da indústria cinematográfica – recebeu, felizmente, muito mais atenção.

Só que vale lembrar que além da questão salarial, outras desigualdades de gênero parecem dominar o cinema, especialmente quando olhamos para Hollywood. E pra constatar isso, não é preciso ir muito longe não.

Quer coisa mais intrigante (pra não dizer absurda) do que perceber que em 86 anos de Oscar, apenas quatro mulheres foram indicados à melhor direção?! A disparidade é tão grande que custa a acreditar que isso é mera coincidência.

A atriz Ingrid Bergman em 1953 no set de filmagens de "Nós, as Mulheres"

A atriz Ingrid Bergman em 1953, no set do filme “Nós, as Mulheres”

No ano passado, a ACLU (American Civil Liberties Union), uma ONG norte-americana de defesa dos direitos do cidadão, enviou uma carta às autoridades da Califórnia pedindo uma fiscalização da indústria cinematográfica de Hollywood devido a uma exclusão generalizada de mulheres diretoras, tanto no cinema quanto na TV.

Os dados que a ACLU mostram são interessantes porque já fazem cair por terra aquela que seria a resposta mais óbvia para a falta de mulheres nessas grandes produções:  a de que há poucas diretoras no mercado. Na verdade, o número de homens e mulheres se formando em escolas de cinema tem sido bastante equiparável nos últimos anos, destruindo a ideia de que não existe uma mão de obra qualificada feminina para o serviço.

Mas se existem então homens e mulheres cineastas quase que na mesma medida, porque apenas homens dominam o mercado?

Eu encontrei a resposta pra essa pergunta na fala de alguém que vê, todos os dias, o preconceito de perto, a diretora Jane Campion, uma das quatro mulheres indicadas à melhor direção no Oscar. Em entrevista ao The Guardian, ela disse “At film schools, the gender balance is about 50/50. Women do really well in short-film competitions. It’s when business and commerce and art come together; somehow men trust men more.” Algo como “Nas escolas de cinema, o equilíbrio entre os sexos é de 50/50. Mulheres se saem muito bem em competições de curta-metragens. É quando o business, o comércio e a arte se juntam, que de alguma maneira homens confiam mais em homens.”

Ou seja, ainda que haja uma mão de obra numerosa e qualificada de mulheres no mercado cinematográfico, quando estamos falando de grandes produções, é ainda uma maioria esmagadora de homens que financiam e dirigem filmes e, consequentemente, ganham mais destaque dentro da indústria e de premiações como o Oscar.

Além de torcer para que se dê cada vez mais espaço e reconhecimento às diretoras de cinema, – assunto que felizmente parece vir ganhando cada vez mais discussão – achei mais do que válido falar aqui nesse post um pouquinho sobre as quatro ganhadoras do Oscar, já que esse prêmio além de ser delas, representa muitas outras das suas colegas profissionais.

E fica aqui a pergunta: quais diretoras de cinema vocês recomendam? Vamos espalhar esses nomes por aí e mostrar o devido reconhecimento que elas merecem!

Bisous, bisous

E o melhor filme vai para… #aquecimentoOscar

O tapete vermelho já começou (acompanhem meus pitacos lá no twitter!), mas eu precisava vir aqui para um último post do #aquecimentoOscar antes que a cerimônia de fato começasse.

Ontem terminei de ver todos os filmes indicados a melhor filme, e assim como fiz no ano passado queria muito escrever aqui o que achei de cada um e em quais categorias estou torcendo pra eles ganharem. Fiquem tranquilos que não tem spoilers, e tá liberado pra todo mundo ler, tendo ou não assistido os filmes.

E ah, se você não viu os outros posts do aquecimento, é só clicar aqui pra ver os melhores curtas de animação dos últimos anos, aqui pra saber mais sobre as estatuetas que Edith Head já ganhou e aqui pra ver o Oscar honorário levado por Charles Chaplin.

Espero que vocês gostem e que suas apostas do Oscar se confirmem hehe.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz (Felicity Jones), melhor ator (Eddie Redmayne), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Precico confessar que quando fui assistir A Teoria de Tudo, eu conhecia muito pouco sobre a vida de Stephen Hawking. Apesar de saber que ele era uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo e um físico sem igual, eu não conhecia muito de seu trabalho, de suas teorias e tampouco da sua história pessoal. Por isso que pra mim assistir esse filme foi ainda mais incrível. Saber como foi a trajetória de vida desse homem e como ele driblou obstáculo por obstáculo da sua vida pessoal e profissional é mais do que bonito, é encorajador. Stephen ama o que faz, isso fica claro em cada segundo do filme, e a gente fica com essa certeza de que é graças ao amor pela física e a presença de pessoas que sempre o apoiaram, como a esposa interpretada por Felicity Jones, que ele teve no que se agarrar pra continuar vivendo. Sei que pode parecer clichê falar isso, mas fico com essa certeza de que Stephen sabia que ele poderia fazer a diferença no mundo. E que por isso, absolutamente nada, fosse uma doença, fosse uma decepção, fosse qualquer problema, poderia impedi-lo.

Vi muita gente reclamando desse filme por ele ter focado mais na trajetória pessoal de Hawking e na sua história com Jane do que em sua carreira. Não que eu também não gostaria de ter visto mais desse lado do físico, mas o que muita gente esquece (ou não sabe mesmo) é que a Teoria de Tudo é adaptado de um livro publicado em 2008 e escrito por… Jane. Não é como se alguém se debruçasse sobre a vida de Stephen e com total imparcialidade (ou quase isso) escrevesse sobre ela. A história contada parte da visão da esposa de Hawking, o que explica porque o filme foca tanto no relacionamento dos dois.

Apesar disso, A Teoria de Tudo é um filme muito, muito bonito e provavelmente o mais mainstream dos indicados. Minha torcida pra melhor ator está com certeza com Eddie Redmayne (apesar de ter gostado demais da atuação do Michael Keaton em Bidman) já que ele praticamente carrega o filme sozinho nas costas e transforma um papel tão difícil em um personagem tão verossímil.

Concorrendo também nas categorias de: melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette), melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke), melhor diretor (Richard Linklater), melhor roteiro original e melhor edição,

Assista o trailer.

Boyhood é um filme sem igual na história do cinema. E isso não só pela forma como ele retrata a infância, adolescência e juventude do personagem principal, mas também obviamente pela forma como ele foi gravado. Foram 12 anos desde a primeira cena até a última. 12 anos acompanhando a vida do personagem Mason e, de quebra, todas as mudanças sofridas pelo garoto de carne e osso, Ellar Coltrane.

Lá fora o filme foi um sucesso inquestionável. Nos EUA, por exemplo, o público abraçou Boyhood. A história de Mason encantou crítica e telespectadores, e provou que o cinema também sabe retratar com maestria a vida de alguém de maneira nua e crua. Não é como se o garoto fizesse parte de um grande enredo. Ele faz parte apenas do enredo da sua própria história e é ela que a gente vai acompanhando em todas as suas fases.

Aqui no Brasil, o filme parece não ter agradado tanto quanto lá fora, e tenho pra mim que isso aconteceu, principalmente, porque o filme é um espelho do estilo de vida do norte-americano de classe média. Pra quem viveu ou vive essa realidade, o reconhecimento, é claro, é muito mais forte. As referências do filme, apesar de também fazerem sentido aqui no Brasil, criam muito mais empatia e se encaixam muito mais na vida deles. Eles se sentem muito mais representados na história, enquanto nós, apesar de enxergamos todos os méritos e belezas do filme, olhamos de uma maneira muito mais distanciada para o crescimento do menino.

Boyhood e Birdman são os grandes cotados pra ganharem a principal estatueta de hoje, e apesar de eu torcer pelo segundo, não poderia discordar se Boyhood fosse o grande vencedor.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Benedict Cumberbatch), melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley), melhor diretor (Marten Tyldum), melhor roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Uma das coisas que eu mais gostei do Oscar desse ano foi que grande parte dos filmes são inspirados em histórias reais. Eu sempre crio empatia com longas assim, porque as emoções que eles me despertam são até mais fortes. Eu não consigo assistir o filme e não ficar imaginando como aquilo aconteceu de verdade e como algumas pessoas de fato passaram por aquela situação. É maravilhoso e tocante. E assustador em muitos casos.

O Jogo da Imitação é um desses filmes. Baseado na história do matemático Alan Turing (falei rapidinho sobre esse filme aqui), o filme retrata um período específico da sua vida, quando Turing ajudou a desvendar o código usado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Eu não vou dar spoilers sobre o filme, fiquem tranquilos haha, mas queria muito dizer que apesar do que Turing fez em prol da humanidade ser obviamente maravilhoso, o que mais me toca nesse filme fica mesmo é focado é na sua vida pessoal. Turing me parece ter sido uma dessas pessoas que fez coisas maravilhosas para o mundo e que não ganhou um pingo de respeito e gratidão em troca. É revoltante assistir algo assim.

Apesar de estar indicado em muitas categorias do Oscar, acho que real chance de ganhar mesmo, ele só tem com roteiro adaptado. Tomara que ele consiga!

Concorrendo também nas categorias de: melhor canção original (Glory).

Assista o trailer.

Selma foi o último filme que eu assisti dos indicados e fiquei muito feliz pela forma como encerrei essa maratona. É triste pensar que ele só foi indicado em duas categorias, ainda mais quando levamos em consideração todas as indicações que American Sniper teve…

Assim como O Jogo da Imitação, o filme aqui também é baseado em fatos reais e também foca em apenas um período da vida do personagem principal. No caso, Martin Luther King Jr e sua luta pelo direto dos afro-americanos votarem. Não é spoiler algum contar que o nome do filme vem da cidade em que se passa a história, Selma, e que a luta de Martin culminou com a marcha que saiu da cidade em direção a Montgomery para protestar por esses direitos.

Eu acho que filmes assim são extremamente importantes não só no que diz respeito a questões cinematográficas, mas principalmente no que diz respeito a questões históricas. Esses acontecimentos e lutas nunca devem ser esquecidos porque não foram importantes apenas quando acontecerem. Eles nos ensinam ainda mais agora e nos ajudam a levantar questões que apenas achamos que já foram superadas. Ou você acha mesmo que o racismo não existe mais?

Além de ver o filme, vale muito a pena também escutar com atenção a maravilhosa Glory, música que faz parte da trilha sonora do longa (e que com certeza vai ganhar de melhor canção no Oscar). É incrível, gente.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Michael Keaton), melhor atriz coadjuvante (Emma Stone), melhor ator coadjuvante (Edward Norton), melhor dirteor (Alejandro González Iñárritu), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

E aqui temos mais um filme único na história do cinema e que deve bater de frente com Boyhood na corrida de melhor filme da noite.

Birdman conta a história de Riggan (Michael Keaton), um ator de Hollywood famoso por representar num passado já distante um super-herói chamado Batman Birdman. Sonhando em ter de volta a antiga fama, Riggan decide montar uma peça na Broadway, mas, as vésperas de sua estreia, se vê confrontando com problemas que vão muito além do teatro. Numa mistura de realidade e fantasia, de drama e comédia, de loucura e razão, Birdman é simplesmente insano. Nao só nas atuações e no enredo, mas inclusive na forma como foi gravado: sem cortes, em um plano sequência interminável.

O cinismo do filme é tão grande que o diretor fez questão de escalar atores com histórias de vida, digamos assim, bem próximas aos dos personagens que representam. O próprio Michael Keaton, que está concorrendo a melhor ator da noite, foi famoso no passado por interpretar Batman e não participa há anos de um filme de prestígio ou sequer é escalado para algum papel relevante em Hollywood. Edward Norton, que está concorrendo a melhor ator coadjuvante e que faz o papel do ator que só pensa em si mesmo e que não gosta de seguir scripts, leva a fama de não ser muito diferente por trás das câmeras, gostando de “mandar no próprio nariz.”

Nessa mistura de arte com vida real e de vida real com arte, Birdman tem ainda uma fotografia linda (vai ser um páreo duro com Grande Hotel Budapeste), diálogos memoráveis e uma Emma Stone arrasadora em seu papel como filha de Riggan.

Concorrendo também nas categorias de: melhor diretor (Wes Anderson), melhor roteiro original, melhor direção de fotografia, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e penteado, melhor edição e melhor trilha sonora.

Assista o trailer.

Quando penso em Grande Hotel Budapeste, o que me vem à cabeça são aquelas bonecas matrioskas, que saem  umas de dentro das outras formando várias bonequinhas de tamanhos variados. Pra mim, a ideia desse roteiro segue mais ou menos esse raciocínio: é uma história que está dentro de outra história, que está dentro de outra história e assim sucessivamente. A narrativa central do filme, no entanto, está focada na época em que o tal Hotel Budapeste  do título vivia seus dias mais áureos. É nesse período que seu concierge, a figura central do estabelecimento, admite um novo aprendiz no hotel. Os dois se tornam melhores amigos e quando o concierge se torna o suspeito número um de um assassinato no qual herdou um valiosíssimo quadro, é o aprendiz que fica ao seu lado lhe ajudando contra a raiva da família da vítima.

Todos os filmes de Wes Anderson são uma delícia de assistir, mas Grande Hotel Budapeste consegue ser ainda mais incrível. As cenas muitas vezes nos lembram animações, com objetos e figurinos estrategicamente posicionados e com uma paleta de cores singular, marca registrada do diretor. Pra mim, esse filme é esteticamente o mais lindo de todos os indicados e torço por ele em todas as categorias do gênero e também como melhor roteiro original, apesar de saber que a concorrência com Birdman não será fácil.

Um detalhe interessante ainda de se falar desse filme é que para marcar as diferenças de épocas em que o filme se passa, as tais diferentes ”bonecas” que ele tem, Wes Anderson manteve os formatos originais de tela de cada período, com imagens ora mais quadradas ora mais retangulares. São ”detalhes” que não apenas fazem diferença, mas que constroem uma estética que nenhum outro filme possui. Uma história deliciosa de assistir!

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator (Bradley Cooper), melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Sniper Americano foi o filme que menos gostei de todos os indicados. Não que a história não seja interessante (esse é outro filme inspirado em fatos reais), mas esse é um daqueles longas que antes mesmo de assistir eu já me cansei do roteiro de tanto que ele puxa o saco dos EUA. É muito america fuck yeah pro meu gosto.

Implicações à parte, Sniper Americano conta a história de um atirador de elite das forças especiais da marinha que prestou seus serviços durante dez anos para os EUA. Ele fez parte de vários conflitos armados e matou mais de 150 pessoas ao longo desse tempo. O filme vai então alternando entre a pressão que ele sentia nessa função e todos os problemas emocionais que ela acarretou para sua vida pessoal.

É um longa interessante? É. Mas não acho mesmo que ele deveria estra entre os indicados a melhor filme.

Concorrendo também nas categorias de: melhor ator coadjuvante (J. K. Simmons), melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som.

Assista o trailer.

Andrew é um jovem baterista que sonha em marcar seu nome na história da música e que vê uma chance de realizar esse sonho quando passa a ter aulas com um lendário musicista, Terence Fletcher. O professor, no entanto, tem técnicas bastante agressivas de ensino, e Andrew passa a manter uma relação doentia com a bateria e com seu desejo de sucesso.

Em um primeiro momento, o filme parece não ter um sinopse que agrada facilmente a todos ou que crie muita identificação, mas acho difícil encontrar alguém que tenha assistido Whiplash e não tenha se sentido hipnotizado pela história. A construção do filme é incrível, e existem cenas memoráveis que fazem a gente segurar a respiração de tanta tensão.  J.K. Simmons que faz o papel do professor está cotadíssimo para ganhar o Oscar de melhor ator coadjuvante, e minha torcida vai mesmo pra ele que está sensacional no longa.

Além disso, ainda aposto em Whiplash para ganhar como melhor mixagem de sonho (apesar de muita gente acreditar que Sniper Americano tem grandes chances nessa categoria). Independente de qualquer coisa, o que eu tenho certeza é que esse é um filme maravilhoso que todo mundo deveria assistir. Todo mundo mesmo.

E agora me contem vocês, quais dos filmes indicados vocês assistiram e pra quem estão torcendo?

Bisous, bisous!