Um punhado de opiniões sobre a coleção do Alexandre Herchcovitch para a C&A

Hoje, depois de uma manhã corrida de trabalho na redação, saí da editora e fui para o Bauru Shopping conferir a nova parceria desenvolvida entre o estilista Alexandre Herchcovitch e a C&A. Com uma ansiedade que fazia muito tempo que eu não sentia quando o assunto era parceria de grandes estilistas com redes de fast-fashion, fui ver de perto as peças que já haviam sido divulgadas ontem no site da loja, mas que só chegaram hoje às unidades da rede.

O desfile de lançamento da coleção foi ontem, na Praça das Artes em São Paulo, e dá pra ser visto completinho no vídeo aqui de baixo. Nele a gente nota um casting super diversificado de idades, tipos físicos, estilos… Uma heterogeneidade que faz bastante juz a uma coleção que perpassa um monte de fases diferentes da carreira do estilista. O foco, é claro, são suas raízes, mas pra quem admira o trabalho de Herchcovitch (oi!) e conhece um pouquinho da sua história, a ideia da coleção ganha um sentido ainda mais especial.

Eu amei ver, por exemplo, como eles trouxeram diversos tipos de elementos-chave da carreira do Alexandre, – como as caveiras, o xadrez, a alfaiataria, a risca de giz – de um jeito super, super, super usável. É roupa que você coloca pra trabalhar, roupa que você coloca pra ir no barzinho, roupa que você coloca pra ver o namorado. Roupa que você usa. Mesmo. E ainda que eu ame coleções conceituais, acho que é importantíssimo que as redes de fast-fashion cumpram esse compromisso  de moda comercial com o consumidor.

Dá pra ver e comprar no site da C&A todas as peças da coleção, que chegam quase a 200 itens (!) entre roupas femininas, masculinas e acessórios. Além disso, dá pra ver por lá também um dos itens da parceria que mais causou frisson: o vestido de noiva, que eu achei uma sacada super inteligente e que, quem sabe, pode virar um novo filão a ser explorado nessas parcerias.

Mas vamos ao que interessa: a qualidade, corte e acabamento das peças.

Depois de ver todos os itens no site e ver ao vivo, tive algumas surpresas muito boas e umas pequenas estranhezas também. As blusas de crepe com efeito acetinado, por exemplo, que não tinham chamado minha atenção antes, ganharam meu coração. A amarela é linda e vai ficar especialmente mais chique em quem tem cabelo ou pele morena. Os vestidos florais são mil vezes mais lindos pessoalmente e acho que o maior trunfo da coleção é que os cortes das peças são bons. As calças e shorts são bem alinhados e o casaco vermelho, que eu não resisti e comprei, fica com uma silhueta linda no corpo!

Por outro lado, os vestidos de paetês são meio esquisitos e as camisetas de caveira, uma das peças que eu mais queria comprar, me deixaram um pouco na dúvida. Ainda que vestissem bem, fiquei com medo do tecido e botei na balança se valia a pena os R$89,99 que eles estavam cobrando.

Em geral eu gostei muito da coleção. Ela tá redondinha, bem-feita, muito bem pensada e visando diversos tipos de público. No tempo que fiquei na loja, vi muita gente entrando na C&A só pra provar as peças da coleção e era legal ver a heterogeneidade do pessoal.

Vale a pena dar uma olhadinha pessoalmente se tiver uma unidade com a coleção aí perto da sua casa.

Bisous, bisous e até amanhã!

20 anos de carreira e uma foto histórica

Escrevi esse texto, originalmente, em setembro de 2013 para o À Moda da Casa, uma consultoria de moda para onde eu colaborava até o ano passado. Relendo-o, me deu uma vontade danada de trazê-lo pra cá (com algumas modificações pra contextualizar, é claro)!

Primeiro porque admiro muito mesmo o trabalho do Alexandre e já fiz até um post aqui no blog com looks de TODOS os desfiles dele, desde sua formatura na FASM até a primavera de 06/07. E também porque queria compartilhar a foto do editorial da Vogue e o vídeo de backstage dessa produção – que são mesmo lindos. Pra quem gosta de acompanhar a moda brasileira em um sentido mais histórico, é de deixar qualquer um emocionado 😉

Era final do ano de 1993 e o curso de moda da Faculdade Santa Marcelina, um dos mais respeitados do país, se preparava para o seu tradicional desfile de formatura. Havia muita expectativa em torno de alguns formandos que iriam se apresentar naquela noite, mas o que provavelmente pouca gente imaginava é que aquele desfile seria o cartão de boas-vindas para que um dos maiores estilistas do país começasse de fato sua carreira.

Já se passaram 20 anos desde aquela noite e Alexandre Herchcovitch, o garoto que tinha fama de undergorund, terminou aquele desfile com a certeza de que uma nova fase começava em sua vida.

Ele criou sua própria marca de roupas e foi chamado as pressas por Paulo Borges para completar o line-up do primeiro Phyoervas Fashion, evento embrionário do SPFW. Faltavam pouquíssimos dias para o desfile, mas Alexandre aceitou o desafio mesmo assim, e na data marcada fez uma apresentação que tinha a sua cara: uma mistura de androginia com o lado escuro e perverso da moda.

Inspirações para aquela coleção não faltaram, afinal, antes mesmo de terminar a Santa Marcelina, Herchcovitch já vinha desenvolvendo um estilo próprio, fruto do trabalho que fazia vestindo as prostituas e figuras da noite paulistana. Esse lado undergournd de Herchcovitch perdurou ainda por muitas de suas coleções e até hoje, mesmo em suas peças mais cândidas e suaves, o lado dark do estilista ainda parece aflorar. A caveira se transformou em um de seus maiores símbolos e não foram poucos os desfiles em que o designer trouxe elementos de fetiche e goticismo para a passarela.

A foto histórica feita para a revista Vogue Brasil set/2013

Algumas das lembranças mais memoráveis da moda brasileira estão, com certeza, entre as coleções desfiladas pelo estilista ao longo desses 20 anos. As modelos com os rostos totalmente cobertos em um clima super pesado no inverno de 1997; as influências japônicas tão fortes do inverno de 1999; a parceria com a Disney que colocou até as orelhinhas do Mickey na passarela no inverno 2003 masculino e, mais recentemente, os modelos que ganharam maquiagens de caveira no rosto em seu inverno 2010.

O que fica de certeza é que o que Alexandre alcançou ao longo de sua carreira é um feito muito difícil, e que muitos estilistas de longa estrada ainda não conseguiram realizar: uma moda conceitual que também seja vendável. Esse equilíbrio sempre permeou sua carreira, dando liberdade para que o designer trabalhasse seu estilo muito além das roupas. Tanto que hoje, seu nome está estampado em peças que vão desde coleções de cama, mesa e banho até band-aids, levando o nome de Herchcovitch muito além do mundo da moda.

Para comemorar esses 20 anos de história, a Vogue prestou uma bela homenagem ao estilista. A edição de setembro [de 2013] traz uma foto clicada pelo fotógrafo Miro em que 20 modelos usam 20 looks by Alexandre Herchcovitch, cada um representando 20 momentos dos 20 anos de carreira do estilista. Entre as tops clicadas estão nomes como Geanine Marques, musa de Alexandre e figurinha certeira em seus desfiles; Carol Ribeiro, Luciana Curtis e mais uma lista de tops incríveis. Há ainda um texto de Costanza Pascolato sobre o designer e um editorial estrelado por Isabelli Fontana apenas em looks by Alexandre Herchcovitch.

Homenagem a altura do homenageado.

SPFW verão 2015 | O último dia

Quem me acompanha no instagram (@paulinhav) deve ter visto que na última sexta-feira, dia 04 de abril, fui conferir in loco o último dia de SPFW. Essa foi minha primeira edição no Parque Villa-Lobos, já que a última temporada que eu assisti pessoalmente foi ainda no Ibirapuera. Depois de tanto tempo longe da semana de moda, voltar e ver como as coisas andam foi uma baita experiência, não só porque tava com saudade, mas também porque, inevitavelmente, acabaram rolando muitas comparações entre o que acompanhei nas últimas edições e o que vi agora. Se você quiser saber disso e dos desfiles que rolaram no dia 04, então prepara aí seu copinho d’água e vem comigo nesse post que a história é longa.

O Parque Villa-Lobos fica localizado no bairro do Alto dos Pinheiros e dá pra chegar lá através da dobradinha metrô+trem ou táxi. Se tem algum ônibus que vai até aquela região eu desconheço, mas acho que mesmo que tiver algum que pare lá por perto, pode preparar as suas perninhas que você vai andar bastante. Eu não conheço quase nada de São Paulo, mas tive a impressão que o local é mais “afastado” mesmo do que, por exemplo, o Ibirapuera, onde dava pra chegar facilmente de ônibus.

O Villa-Lobos fica em um espaço enorme e logo que fui chegando perto da entrada do evento, já dei de cara com turmas e mais turmas de skatistas que aproveitam o local pra treinar. Achei bacana ele ser um parque bem abertão assim. Fico imaginando que em um final de semana normal, sem nenhum evento de moda acontecendo, deve ser um lugar gostoso pra passear, fazer piquenique e (por que não?) andar de skate.

Já no evento em si, em termos de espaço é impossível não notar como o Ibirapuera era maior. Começando pelas salas de desfiles que lá eram três e no Villa-Lobos são duas, o que não só implica numa correria louca pra desmontar a cenografia de uma sala a tempo de montar a do desfile seguinte, como também na pressa que os seguranças – que só tavam fazendo seu trabalho – tinham em esvaziar o local. O desfile mal acabava e um segurança já aparecia plantado atrás de você pedindo pras pessoas saírem do lugar. Corrido é apelido.

O line-up da temporada deixava uma diferença de aproximadamente uma hora entre um desfile e outro, mas na real dava a impressão de que era de dez minutos. Pra vocês terem ideia, como eu assisti todos os desfiles desse dia (menos Reinaldo Lourenço que foi de manhã e externo), eu mal consegui ver a exposição que rolou nessa edição, e no FFW Shop nem os pés eu coloquei (o que é muito triste porque eu sempre surto de inspiração com as coisas de lá). Não sei explicar o que aconteceu, – e se nos outros dias também foi assim – mas nem na época que trabalhei na produção do SPFW eu fiquei tão cansada quanto dessa vez. A impressão que se tinha era a de que tudo era uma grande corrida contra o tempo, principalmente, é claro, para o pessoal que tava cobrindo. Precisa nem falar que esse tal de glamour da moda é zero, né? (Pelo menos pra quem trabalha e não vive de comprar.)

Preciso confessar que não sou das maiores fãs da Melissa, mas isso não me impede de admirar o quanto eles conseguiram construir uma marca tão sólida e tão querida por milhares e milhares de meninas. O empreendedorismo ali é forte, e são em desfiles como esse que a gente entende porque a marca chegou onde chegou.

Pode não ser um conceito fácil e nada comercial, – o que soa estranho pra uma marca que é total vendas – mas desde o começo do desfile, quando as luzes se apagam e numa tela gigante surgem imagens que se alternam naquele estilo de máquina de casino, a gente percebe que o que vai acontecer ali é pra soar surreal e total conto-de-fadas mesmo. É pra mexer com a imaginação dessas meninas, pra fazer todo mundo se sentir em um mundo de faz de conta.

Por trás de tudo isso, vem o conceito da apresentação, que faz referência ao prazer de comer. E nessa pegada a Melissa sabe bem do que fala, afinal quem aí não lembra daquele cheiro de chiclete/doce/quero-comer-agora que t-o-d-a Melissa tem? A ideia é transportar isso para as roupas e, principalmente, para a beleza, que pra mim foi o ponto alto da apresentação. Assinada pelo hair stylist  Charlie Le Mindu e pelo maquiador Robert Estevão, cabelo e maquiagem, respectivamente, brincam o tempo inteiro com esse tema. AMEI loucamente os batons das modelos que vinham propositalmente escorridos, como se elas tivesses comido algum doce sem medo de se sujar.

A coleção nova, chamada Eat My Melissa – entre os brindes que vinham na sacola dada no desfile, haviam balinhas em forma de letras que formavam o nome da coleção <3 – traz modelos nada clássicos, apostando muito em rasteirinhas e saltos plataforma. Muitas têm um aspecto mais masculino, bem pesado, e apesar de ser uma das coleções que eu menos gostei da marca, sinto que será um sucesso tão grande quanto quase tudo que ele lançam no mercado…

Ah, vale lembrar que o desfile da Melissa não faz parte do line-up principal do SPFW e é considerado um evento dentro do evento. A stylist da coleção foi a Anna Trevelyan e a cenografia ficou por conta do Pier Balestrieri.

Acho que ao desfile da Ellus cabe perfeitamente a pergunta que Sylvain Justin fez essa semana no twitter “Questionamento da temporada brasileira de moda: um desfile é uma arma de marketing ou a melhor forma de expressar uma coleção, um conceito, um DNA?”

Que a Ellus é uma das marcas mais comerciais do SPFW, todo mundo sabe, até aí não há novidade pra ninguém. Nessa temporada, inclusive, eles trouxeram Cauã Reymond na passarela (e Lea T. também!). O problema é que apesar de um desfile limpo, com uma lavagem bem bonita e super a cara da marca, a roupa aqui foi o que menos contou. As atenções do público ficaram com a bateria da escola de samba da Vai-Vai (que a despeito de qualquer coisa tava linda e com todos os integrantes na mais pura energia e simpatia), nas celebridades que desfilaram e no tal protesto que foi feito no final da apresentação. Com uma camiseta com os dizeres “abaixo este país atrasado”, muita gente ficou sem entender exatamente a que a Ellus se referia.

É super legal quando uma marca usa da sua força e da sua aparição na mídia pra levantar um tema ou fazer uma coleção mais crítica, que coloque o dedo na ferida. O que me soou um pouco triste foi não conseguir ver uma real ligação entre o que a Ellus apresentou na passarela e a camiseta do final do desfile. Reflexão é ótima na medida em que é de fato uma reflexão. E né, quem sou eu pra querer apontar erro de marca, mas na minha humilde opinião, o desfile teria sido muito mais coeso e belo – porque sim, o jeans clarinho e a modelagem foram lindos, lindos mesmo – se o foco tivesse ficado só na roupa. Tava lindo, Ellus, isso já bastava pra gente (:

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Foto FFW | ©Agência Fotosite

Como certas coisas nessa vida só acontecem comigo, as fotos que bati desse desfile – o que eu mais gostei dos que assisti – se perderam no celular. Como eu consigo fazer essas proezas nem eu mesmo sei, e fica aí de tópico pra um outro post. Bom, de qualquer forma, o fato é que Wagner Kallieno foi, assim, uma lufadinha de ar fresco nessa temporada. Não é muito maravilhoso quando um estreante do SPFW chega lá e prova que tem gente talentosa à beça nesse Brasil que merece ter espaço na grande mídia?

Uma das coisas que mais me conquistaram nesse desfile foi o fato de que o estilista resolveu fazer sua estreia bem do jeitinho dele, sem querer botar banca ou fingir algo que não é. Ele falou das suas raízes e de sua cidade, Natal, e sobre o fato de lá ser a primeira cidade no brasil onde nasce o sol. Daí toda a ideia da coleção se desdobrava a partir dessa força do sol do Nordeste, falando sobre o que ele representa para a região e as sensações que transmite. Em uma matéria que li no Estadão, vi uma declaração dele sobre essa coleção que dizia uma coisa muito interessante. Segundo ele, mesmo ela sendo feita a partir de um tema regional, as peças tinham um olhar universal, e eu instantaneamente lembrei da entrevista que o FFW fez com a Li Edelkoort, onde ela disse “Meu conselho à cultura do Brasil seria considerar de onde vocês vem. Porque o mundo está se tornando muito global e o próximo passo no mercado mundial é conquistar a América do Sul e a África. Então a indústria e os designers do Brasil deverão expressar o que os motiva intimamente, e não que está acontecendo em outro lugar.” Muito zeitgeist, não?

Nas peças de Wagner, o que mais se viu foi exatamente essa mistura: fios naturais com bordados regionais maravilhosos que ganhavam interferência de outros materiais mais tecnológicos. As peças variavam entre tons de branco e nude e eu saí de lá fascinada.

Os convidados chegam, sentam e as luzes se apagam. Alguns vídeos passam no telão e, logo em seguida, são ditas as normas de segurança da sala. Silêncio. Vai entrar a primeira modelo na passarela. Só que aí, uma coisa muito estranha acontece. Uma música bem conhecida e, nada imaginável de se estar em uma passarela do SPFW, começa a tocar: “Ula, ula de lá, Tchan, quebra, quebra daqui, Tchan, ô Bahia iaiá, é o Tchan no Havaí.” E foi assim, ao som de É o tchan, que a Amapô fez seu desfile. Na primeira fila, mesmo sentada, uma menina fazia passinhos de coreô, e não foram nem uma, nem duas, nem três pessoas que eu vi cantarolando a música. Foram muitas.

As roupas e o tema que serviu de inspiração para essa coleção justificam a escolha da música – que sério, não poderia ter sido melhor (ah, eu bem sei que você já dançou É o tchan pelo menos uma vez na sua vida, vai, admite!), porque foi um universo de referências ao Havaí que adentrou a passarela. Além dos característicos hibiscos havaianos que apareceram em estampas super coloridas, a cintura alta, tanto nos shorts, quanto nas saias e calças, dominou do começo ao fim. Além do contraste de cores muito fortes, essa coleção apostou também nos acessórios, focando em óculos e chapéus bem chamativos.

Os fãs da marca, que adoram as extravagâncias e loucuras tão gostosas que Pitty e Carô sempre fazem, devem ter pirado com essa coleção.

 

Eu sou muito fã do trabalho do Alexandre Herchcovitch e acho que a esperteza dele em fazer coleções nem sempre fáceis de digerir assim de cara, mas que tem peças hiper vestíveis e com uma alfaiataria de bater palmas, vem desde a sua formatura na FASM – ainda que naquela época sua pegada rocker e soturna fosse muito mais aparente. Na coleção masculina dessa temporada, Alexandre trouxe um casting inteiro de homens negros (tinham duas mulheres também) e uma proposta de coleção que vinha inspirada por uma religião chamada Baptist Nazareth Chrunch, que mistura zulu com cristianismo.

O contraste de cores e as saias estilo kilt pontuaram o desfile do começo ao fim e, mesmo acompanhando moda masculina muito menos do que a feminina, arriscaria dizer que essa coleção tem ingredientes poderosos pra fazer sucesso nas lojas do estilista. Ainda que na passarela elas ganhem um trabalho de styling mais conceitual, tudo tem potencial de ir para as ruas.

O encerramento dessa edição ficou por conta de Samuel Cirnansck que dessa vez fez uma coleção bem leve e etérea (nada de modelos amarradas ou amordaçadas!), com peças mega fluidas. Os vestidos de tons pastel esvoaçavam pela passarela e eram cobertos por bordados, rendas e pedrarias.  Essa era uma coleção que eu queria muito ter visto mais de pertinho pra poder analisar algumas coisas, – como alguns problemas de acabamento que, de longe, pareciam existir. Como estética geral, ela é bem contos-de-fada, com uma aura todo angelical. Saí fascinada da sala, com vontade de ter dinheiro pra comprar nem que fosse um pedacinho daquele brilho e delicadeza toda haha.

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Pra quem chegou até aqui, parabéns haha. Desculpa o tamanho do texto, gente, mas quando é um assunto assim pelo qual eu ando muito inspirada, não consigo ser sucinta. E contem nos comentários o que vocês acharam dessas coleções e das dos outros dias também!

Bisous, bisous e até a próxima.

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 4

Pra ler sobre o , e dia de SPFW verão/2014, é só clicar.

Alexandre Herchcovitch

Alexandre não apresentou sua coleção masculina nessa edição, o que é uma pena, mas pra compensar trouxe uma coleção feminina que tinha como ponto de partida sua própria coleção de verão 98/99. Um mergulho no passado pra entender um pouco mais do estilista no presente. Olhando pras duas coleções, fica impossível não traçar comparações entre o Alexandre de antes e o Alexandre de agora, e se lá em 98/99 ele fazia uma moda “sombria”, “dark” magicamente transformada em prêt-à-porter, no seu verão 2014 ele mostra que, o que se achava impossível acontece: ele só melhorou.

As listras, que já ganharam as ruas de um jeito louco e assustadoramente rápido, aparecem aos montes na coleção. Ora literais e ora em tiras, nesse segundo caso criando uma mistura de tecidos responsáveis por movimentos incríveis quando as modelos andavam. E além das peças da coleção mostrarem tanto primor técnico, o cabelo, tão anos 20, e a make (algumas modelos usaram batom preto!) não deixaram dúvida alguma da mulher elegante, misteriosa e poderosa dessa coleção.

Cereja no topo do bolo: as costas de várias partes de cima que brincavam com a ideia de um cardigã jogado nos ombros. Achei apenas genial.

Amapô

Acho legal pra dedéu o fato da Amapô nunca ter medo de abraçar esse lado exagerado e louco da passarela, do tipo se é pra fazer um desfile e contar uma história, vamos mesmo mostrar tudo que a gente pensou! Nessa coleção de verão 2014, em especial, a Amapô foi no fundo do mar pra buscar suas referências e voltou inspirada. As pérolas vinham traduzidas tanto nos efeitos do tecido quanto nas estampas de pois, da mesma forma como as escamas ganharam suas versões em camadas e babados espaçados. E as roupas masculinas? Nossa, são ainda mais divertidas de ver! Aqueles coletes cheios de recortes diferentes, sobreposições de listras (elas de novo!) e pois, tudo misturado causando aquele efeito pirado de passarela, mas que nas araras, separadamente e um pouco mais ajustado pras ruas, vai ganhar o coração dos apaixonados pela moda. Não é uma coleção – a bem da verdade nem uma marca – que agrada a gregos e troianos, mas a quem eles se dirigem, bom, quanto a isso não resta dúvida de que eles estão fazendo o trabalho deles “muito bem, obrigada”.

Juliana Jabour

Juliana Jabour às vezes me dá a impressão que a cada temporada tenta descobrir um pouco mais de si e de sua própria marca. Não que outros estilistas não tentem inovar e levar seu trabalho por outros caminhos, mas quando vejo as coleções de Juliana tenho a impressão que ela ainda tá procurando, caçando sua verdadeira identidade. Ou a gente pode simplesmente falar que ela tá amadurecendo um tico mais a cada temporada. Aqui nesse seu verão 2014, ela testa um pouquinho de tudo na passarela. No geral é tudo mais pro minimalista, mas até as formas das peças que começam mais justinhas e depois vão ganhando leveza e distância do corpo fazem parte dessa vontade de tentar. Daí vem acessórios maxi pra compensar, roupas que querem ser discretas, mas tem brilhos mil, uma mistura de coisas. E né, Juliana bem sabe que só tentando e experimentando pra chegar lá.

Osklen

No desfile da Osklen, as pedras preciosas – seus tipos, formas e lapidações – foram responsáveis pela inspiração que regeu as peças dessa coleção. E com Oskar Metsavaht não tem erro, afinal se tem uma marca que tem um DNA muito bem definido, explorando os mais diversos assuntos e ainda assim ficando claramente identificável no meio de tudo isso, essa marca é a Osklen. O caimento perfeito das peças, – mesmo nas proporções mais difíceis de se conseguir esse efeito – os recortes geométricos que deixavam as costas das modelos quase totalmente nus, os materiais tecnológicos e artesanais que às vezes se encontravam numa mesma peça e os bicos que se formavam em muitas das partes de cima da coleção são coisas que pulam logo de cara na nossa frente. Mas daí, olhando um pouquinho mais, a gente vê que vai bem longe disso. O design e conforto que a marca sempre explora, agora junto das referências das pedras preciosas, aparece também nos acessórios. Reparem nas bolsas e em como sua segunda alcinha, ali meio que despretensiosamente colocada, se encaixa certinho nas mãos da modelo. Ou ainda na sua alça maior que quando chega aos ombros fica mais larga. Gente, faz todo o sentido ela ser mais larga distribuindo assim o peso da bolsa e ficando mil vezes mais confortável nos ombros!

Tudo muito impecável, bem a cara de Oskar Metsavaht.

Samuel Cirnansck

Não que eu não seja apaixonada por festas, na verdade é o oposto haha, mas não sou propriamente uma fã incontrolável dos vestidos do Samuel. Acho apenas que não sou bem o tipo de mulher pra quem ele se dirige, essa mulher que ama o exagero, que ama armações, babados, grandezas, tudo misturado. Ou talvez seja apenas chatice minha, afinal as noivas, um dos maiores segmentos a quem ele se destina, não querem, podem e devem ter mesmo todas as atenções voltadas pra si nesse dia? Enfim… Essa coleção de verão 2014 foi inspirada nas flores, desde seu desabrochar até sua morte. E olha, elas aparecem mesmo aos montes! Nos cabelos, em redemoinhos, nas formas que lembravam pétalas de alguns vestidos, nas camadas e babados das peças. Tinha de tudo um pouco.

Acho que foi Gloria Kalil quem disse que as roupas dessa coleção pareciam um mostruário, com todas as opções de Samuel pra vestidos de noite e noiva. Não poderia concordar mais.

ColcciA Colcci sempre foi comercial dentro ou fora das passarelas. Sempre. E essa posição sempre é reafirmada pelo tanto de celebridades que eles colocam em seu desfile, sejam elas do mundo da moda ou não. Só nesse ano teve a top modelo brasileira Izabel Goulart, a angel da Victoria’s Secret Erin Heatherton e o ator americano Paul Walter. E, no mínimo, um baita burburinho eles causam. Já na roupas, Colcci não trouxe nenhuma novidade. Daquele jeitinho que mistura uma moda bem jovem e usável com alguns toques de alfaiataria, principalmente no jeans sua marca registrada, eles trazem uma modelagem bonita e que é a sua cara. Vai agradar o público da marca com certeza.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite