Desfiles SPFW verão/2014 – dia 2

Pra ler sobre os desfiles do primeiro dia de SPFW verão/2014 é só clicar aqui.

Adriana Degreas

Eu sou meio chatinha pra moda praia, devo confessar, mas a Adriana Degreas fez um desfile tão bonito e tão distante daquela visão que eu sempre tive de moda praia que me encheu os olhos! Primeiro que o tema escolhido, o Rio de Janeiro dos anos 20, 30, 40 e 50 (!), por si só já é um tema que me faz dar pulinhos de inspiração. Amo as cores e as formas geométricas que foram trabalhadas ao longo do desfile, que ora apareciam em peças distantes do corpo (e que me fizeram lembrar muito de Pierre Cardin) e que às vezes apareciam tão justas, quase anatômicas. Foi um desfile lindo, com uma beleza bem arrebatadora – inspirada em Audrey Hepburn, como poderia não ser? Uma moda praia extremamente elegante.

Acquastudio

Diretamente do Fashion Rio pra Bienal do Ibirapuera, a Acquastudio desdobrou o tema “navy couture” naquilo que a gente já conhece: pérolas (que apareciam nas roupas e também naquele colar (?) que quase todas as modelos tinham), mistura de branco e azul marinho e muitas listras. Além disso, o que não faltou foram babados, plissados e tudo aquilo que fosse necessário pra deixar a roupa mais ‘gordinha’. E claro que os tecidos ficaram ali entre o tule e a organza, que além de darem armação para a peça, davam muita fluidez.
Eu que sou fissurada no tema e em seus desdobramentos não tinha como não gostar e ó, to mega apaixonada por esses óculos!

Ronaldo Fraga

E lá vou eu de novo falar de Ronaldo Fraga tentando não ser piegas. E olha, isso não é fácil! Os desfiles dele sempre têm essa veia mais conceitual (já falei desse assunto aqui) explorando temas brasileiríssimos. No de verão/2014 foi a vez de falar sobre futebol! E vale revisitar as décadas de 30 a 50, dando especial atenção pra inserção dos negros no esporte, coisa rara até então. E é gostoso observar como o tema foi desdobrado de maneira tão esperta. Quase que literal nos sapatos em forma de chuteira (abertos na frente, exatamente como eram as chuteiras da época, usadas por diferentes jogadores e que portanto tinham que servir no pé de qualquer um), nos brasões dos times e nos calções que apareceram diversas vezes na coleção; de maneira mais discreta nas listras – em referências as demarcações do campo e das traves – e nos hexágonos que oram brincavam com a ideia de uma bola desconstruída e ora com a rede do gol.
É lindo ver o trabalho de Ronaldo! Fico verdadeiramente emocionada.

Forum

O desfile da Forum também falou sobre o universo navy, mas dessa vez ele foi embalado pela bossa nova dos anos 60. E até aí, como ponto de partida, é algo que me cria muita curiosidade e expectativa. Por um lado, eu fiquei muito satisfeita com o resultado final: as estampas usadas são lindas, mas lindas mesmo, provavelmente as estampas mais bonitas desse segundo dia de desfile. Além disso, o turbante usado por muitas modelos foi algo bem fresh, que trouxe interessância pra roupa sem pesar. No entanto, por outro lado, o que talvez mais me desgoste nesse desfile da Forum é a modelagem das peças, que às vezes vinham chapadas demais, largas demais. Faltava um pouco de vida pra roupa, coisa que só a estampa não dava conta de fazer.

Ellus

Antes de falar de Ellus eu quero falar de Lindsey Wixson. E, por favor, não joguem pedras em mim! Eu amo a Lindsey na fotografia, amo esses lábios de coração que só ela tem, amo esse jeito menina-mulherão que ela passa na foto, mas na passarela… pode ser apenas um estilo diferente, é claro, mas eu ainda não consegui me acostumar com a forma como ela desfila. Deem uma olhada no vídeo (ela é a primeira a entrar) e tirem suas próprias conclusões. Assisti um vídeo da Gloria Kalil em que ela compara a Lindsey a uma ‘potra selvagem’ (?) na passarela. Por mais bizarra que possa parecer a comparação, Glorinha (intimidades) tem toda razão.
Mas vamos falar de Ellus! Eu tinha quase certeza que, em algum momento, uma modelo ia entrar na passarela pilotando uma moto pra fazer jus às peças da coleção. Brincadeirinha. Mas que a Ellus veio toda street, toda urbana, ah, isso veio! Não é das coleções que eu mais amo, mas é bem comercial, é super bem acabada e totalmente puxada para o militar, que já tá voltando nada tímido paras as vitrines. Além disso, a marca trouxe jaquetas perfectos que vão vender horrores nas lojas e veio seguindo a mesma linha das suas últimas coleções. No seu jeitinho bem Ellus de ser.

Mudando de assunto...

  • Quero falar de todos os desfiles desse SPFW, mas juro que nos próximos vou tentar ser mais rápida pra subir os textos! ;}
  • As montagens daqui do post ficaram boas? Com a ajuda do namorado, muitas dicas e inspirações vindas da @IamYasminAraujo (obrigada Ya, suas montagens são as mais lindas do universo!) e depois de muito tempo no photoshop, acho que encontrei um ‘padrão’ aqui pro blog pra subir imagens de desfiles. É claro que de vez em quando dá pra fazer algo diferente, mas gostei desse resultado final aqui de cima! Me deem suas opiniões! :*

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite

É permitido sonhar!

O último desfile do primeiro dia de SPFW fez muita gente rasgar elogios a torto e a direto pra Cavalera. Vi muita gente comentando que aquele tinha sido um desfile único, que há anos não se via nada igual da marca.

Eu sou apaixonada por desfiles que se entregam, que se jogam, que correm riscos. É claro que tem muito desfile corretinho que eu também gosto, – do tipo entra modelos desfilando na passarela, sai modelo desfilando, volta na fila final e acabou – mas quando algum desfile resolve fazer alguma coisa diferente, alguma coisa que mexe com o público, eu fico muito feliz.

O foco de um desfile é sim a coleção, é sim uma exposição para a imprensa, consumidores e público em geral daquilo que a marca trará em sua próxima temporada. Só que a gente sabe também que aquilo que aparece em cima da passarela é mais um preview, uma ideia do que vai de vez para as araras da lojas depois da apresentação. Muitas das peças desfiladas são apenas norteadoras do tema da coleção, da ideia que o estilista vai passar. Daí que quando elas ganham as ruas vão com uma roupagem bem mais usável, mais adaptada a realidade. Então na hora do desfile é sim permitido sonhar e ousar, é bom até que se mostre o lado da roupa fora do dia a dia, em seu contexto de ideia, de lúdico. Pra mim dá até mais sentido aquilo que entendemos como linguagem das roupas.

Na segunda-feira, enquanto assistia o desfile da Cavalera lembrei de algumas outras coleções que foram tão ou mais vibrantes, que mostraram sim cada detalhe da peça, cada tecido, cada silhueta e modelagem, mas que não deixaram de usar o espaço da passarela – ou o espaço fora dela – como uma forma de levar tudo isso de maneira mais divertida, mais reflexiva, mais inspiradora. De levar ao extremo a ideia da coleção.

 

Ronaldo Fraga - O cronista do Brasil

Tive a oportunidade de ver esse desfile aí ao vivo e foi emocionante.

O problema de falar de Ronaldo Fraga é que a gente acaba sendo sempre piegas. Fica difícil não ter carinho e respeito por esse estilista que fala de temas brasileiros de uma maneira tão pouco estigmatizada, que sabe ser tão “regional” e tão “mundial” ao mesmo tempo. Nesse desfile de verão 2012, o último da sua edição, Ronaldo Fraga falou sobre o sambista Noel Rosa. Embalado pela bateria da Vila Isabel e pela cantoria do ator Rafael Raposo – o mesmo que interpretou Noel Rosa no cinema, no filme “Poeta da Vila” – o mineiro transformou a passarela em um salão de baile, os convidados em dançarinos, a música em marchinha de carnaval. Depois que as modelos desfilaram uma a uma na passarela e voltaram para a fila final, a bateria não parou de tocar e todo mundo da arquibancada cantou e dançou junto. E foi lindo!

Lembro que eu olhei para a sala e todo mundo tava dançando. Mesmo quem não desceu para a passarela – na foto ainda estou na arquibancada, mas segundos depois já tava sambando loucamente haha junto com as modelos – ficava ali, dançando a seu modo. Eu lembro desse desfile de uma maneira muito especial. Foi um dos momentos mais bonitos que lembro de ter visto na Bienal.

Noel Rosa, Ronaldo Fraga e a alegria

Noel Rosa, Ronaldo Fraga e a alegria

 

Cavalera - Espelhos d'água

Olha a Cavalera aí de novo! Bom, não é surpresa pra ninguém que a marca sempre faz uns desfiles diferentes, – vide o que abriu esse post – às vezes até fora da Bienal. Esse daqui, o de inverno/2011 foi outro que me deixou muito embevecida. Ele encerrou os desfiles daquela edição e, pra fechar com chave de ouro, a Cavalera decidiu fazer tudo fora da sala de desfiles. Na entrada da Bienal, onde corredores d´água já tinham deixado muita gente encantada desde que tinha chegado, eles resolveram fazer uma chuva artificial. As modelos desfilavam em cima dos espelhos (o que dava a impressão que elas andavam sobre a água) e a chuva caía por cima delas. Todo mundo ficou um pouco agoniado e com medo das modelos escorregarem – uma, na verdade, até chegou a escorregar, tadinha – mas a ideia em conjunto ficou tão bonita, mas tão bonita que lembro que logo que eu sentei a menina que tava do meu lado soltou um ‘certeza que daqui há alguns anos vão falar dessa edição lembrando desse desfile’.

Imagem de http://nonabahia.wordpress.com

 

Karlla Girotto - De Verdade

Tchau sala de desfiles, bem-vindo ar livre! E foi assim, em meio as árvores do Parque Ibirapuera, em uma das escadarias da Bienal que foi o desfile verão/2007 da Karlla Girotto. Enquanto os modelos masculinos ficaram postados na escadaria com as roupas da coleção, as modelos femininas foram substituídas por balões que carregavam as outras peças. Uma imagem poética, bonita de se ver.

E com o detalhe de que todos as peças femininas apresentadas foram feitas em números maiores do que as convencionais de passarela, em uma numeração que ia do 44 ao 50.

 

Jum Nakao - A Costura do Invisível

Agora vamos voltar um pouco mais no tempo, mais precisamente na edição de verão/2005. Esse talvez seja o desfile mais relembrado de toda a história do SPFW. Além de ter sido o último da carreira de Jum Nakao, – que foi viver a moda de uma outra maneira – ele explora uma ideia que sempre foi e sempre vai ser discutida incansavelmente na área (alô Gilles Lipovetsky!): a efemeridade.

As modelos entraram na passarela com vestidos brancos enormes, cheios de detalhes, recortes, volumes… Mas além da beleza, o que aqueles vestidos tinham ainda de mais especial era o fato de terem sido construídos com papel. Um trabalho bem meticuloso, ainda mais ao ver os detalhes, a construção de cada vestido, ficando quase impossível acreditar que aquilo tudo tenha sido feito daquele jeito. No final do desfile, as modelos rasgaram as peças, levando a ideia da coleção ao extremo e deixando todo mundo com uma sensação proposital de encanto e tristeza. Uma amiga que assistiu esse desfile me contou que muitas modelos choraram quando foram rasgar as roupas. E a plateia… Bom, nessa não sobrou ninguém que não tivesse ficado emocionado.

E ah, “A Costura do Invisível” virou livro e documentário.

Tem muitos outros desfiles que mexeram de uma forma especial com a plateia da Bienal e que acabaram entrando pra história – e pras histórias – do SPFW. Elencar aqui todos eles não é uma tarefa fácil, mas os que coloquei aí em cima são muito especiais pra mim.

Mas e pra vocês, quais outros desfiles foram tão emocionantes quanto esses daí?

Ps: é só clicar nas imagens que elas abrem em outra janelinha e mostram os créditos!

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 1

Que fique claro que os textos abaixo não são críticas de moda. Se eu fosse fazer isso teria que reservar no mínimo um texto pra cada desfile, teria que ter uma pesquisa muito, mas muito profunda mesmo sobre a coleção apresentada e até de tudo aquilo que a marca já fez até hoje. E né, cada degrau de uma vez. Pra fazer crítica de moda, o buraco é muito mais embaixo. Pra ler grandes textos desse tipo, eu recomendo Suzy Menkes ou, em um exemplo mais próximo de nós, a Vivian Whiteman.

Mas voltando ao post: os textos abaixo são algumas pequenas observações sobre cada desfile, sobre aquilo que mais me saltou aos olhos. É legal olhar o tema da coleção e perceber como ele foi trabalhado, tentar enxergar o que deu certo, o que não deu. Perceber como foi o efeito final dos tipos de materiais usados e até o que a gente acha que vai fácil, fácil pras ruas depois. Ou, pelo menos, aquilo que eu usaria fácil, fácil haha.
Enfim, esses textos são totalmente despretensiosos, e é claro também que eu ia amar se mais gente palpitasse aqui o que achou de cada desfile.

Animale

A Animale teve como ponto de partida para a sua coleção a ilha de Bali, na Indonésia. Foi ela que serviu de inspiração para as estampas usadas ao longo de todo o desfile: folhagens e flores, principalmente, mas também xadrezes e listras, que nas muitas vezes em que apareceram em azul, me fizeram associá-los ao movimento do mar. Vi muita gente reclamando do tanto de dessimetria que a marca trouxa para a passarela. Eu, no entanto, gosto bastante dessa dessimetria da Animale, porque mesmo bem pontuada, bem forte, ela vinha acompanhada de tecidos leves, fluidos – cetim, seda e jérsei apareceram muito na coleção – e acabava que o efeito final não me soava preso, nem confuso. A modelo Karlie Kloss – nº2 do mundo no ranking da Models.com – desfilou pra marca, assim como as queridinhas Ana Beatriz Barros, Laís Ribeiro e minha musa master Carol Trentini.

Cori

Pra quem viu o desfile da Cori na sequência do da Animale deve ter sido meio que um choque porque tudo aquilo de dessimetria que a primeira marca propunha, vinha agora invertida na Cori. Eu só consegui ficar um pouco mais relaxada na metade pra frente do desfile, porque até então a exatidão das peças, aquele branco sem fim, os cortes tão retos, tudo tão certinho tava me dando uma sensação de aprisionamento. Aos poucos, veio entrando mais fluidez na passarela, mais simetria sim, mas nada que me deixasse com aquela sensação de sufoco. Eu fiquei bem impressionada, em especial, com os materiais usados pela marca. Porque poxa, é verão, você espera tudo muito leve, daí vem a Cori e trabalha só com materiais pesados, difíceis de serem adaptados para a estação. E, mais uma vez, do meio em diante do desfile, foram várias as peças que mostraram uma alfaiataria que resolveu muito bem esse problema, que era pesada sim, mas que você conseguia enxergá-la completamente no verão.

Tufi Duek

Eduardo Pombal foi buscar inspiração na obra do artista Pablo Picasso pra contar a história que mostrou na passarela da Tufi Duek. Muita alfaiataria, muito minimalismo, muita exatidão. Não, essa não me aprisiona, mas também não me faz sonhar… Eduardo Pombal, no entanto, é tão bom naquilo que faz que mesmo uma coleção tão exata vai mostrando uma evolução gostosa na passarela, tanto no uso de cores – amei a variação entre preto e branco, rosa e azul – como nos recortes das peças. E o desfile ainda ganha assimetria e volume com saias que tem apenas um lado plissado – que depois eu fui descobrir ser um kilt amarrado na cintura.

Cavalera

Ai, que difícil que é falar da Cavalera! A marca apresentou não apenas um desfile, mas uma apresentação de dançarinos – todo alunos do coreógrafo Nelson Triunfo – que ao som de clássicos do soul music dos anos 70, cantados por Toni Tornado ali, ao vivo mesmo na boca de cena, fizeram todo mundo que assistia ao desfile nem pensar na possibilidade de ficar parado. Tentando não me influenciar pela apresentação, pela dança, pelo ritmo tão gostoso que foi esse desfile, vou tentar focar só na roupa haha. A marca fez jus ao seu tema e logo na primeira peça deixou muito claro que essa coleção ia ser um mar de cores. Aliás, essa coleção é um ar de muitas coisas. Cores, estampas, grafismos, recortes… Mesmo pra quem, como eu, não tá acostumado com essa mistura tão grande de estamparia, fica difícil não olhar com muito agrado pra esse trabalho lindo do Marcelo Sommer. Comercial até o dedinho do pé e sem medo nenhum de assumir isso, a Cavalera traz vida pra suas peças sem medo de ser feliz.

Créditos: FFW | ©Ag. Fotosite

SPFW pelas páginas do Journal

Ironia ou não, o São Paulo Fashion Week verão/2014 começou justamente no dia em que temperaturas um pouquinho mais geladas resolveram dar às caras no país, que né, andava de um calor desértico.

Foto tirada daqui, ó http://instagram.com/spfwoficial/

Foto tirada daqui, ó http://instagram.com/spfwoficial/

Nessa edição estou bem longe da Bienal, (saudade enorme da minha época de produção do SPFW e Fashion Rio) mas nem por isso deixo de acompanhar tudo daqui mesmo, assistindo os desfiles, lendo as críticas, dando uma olhada nas belezas inspiradoras de cada marca, me maravilhando com a decoração da Bienal (irmãos Campana arrasaram!), dando uma olhadela e pitacos em tudo um pouco.

Só que com a aproximação do SPFW – e com uma ajudinha da mudança de apartamento que me fez achar algumas coisas que eu nem lembrava mais que tinha – acabei desenterrando algumas edições lá de 2006/2007 do SPFW Journal que me fizeram ter um click momentâneo: que fim teve o Journal?!

Apenas um dos muitos Journals que achei aqui no apartamento

Apenas um dos muitos Journals que achei aqui no apartamento

Pra quem não conhece, o SPFW Journal era um jornal que circulava diariamente durante a semana de moda de São Paulo trazendo imagens dos desfiles, críticas sobre cada apresentação, curiosidades dos louges e corredores do dia anterior, novidades que circulavam pela Bienal, enfim, um mundo de notícias sobre o universo daqueles dias de evento. As edições que eu tenho em casa foram doadas por uma amiga (obrigada, Jana!) e já foram usadas muitas vezes quando precisei de material pra pesquisa. Só que escondidas num canto do quarto, elas acabaram sumindo junto com as revistas, e só agora consegui juntar tudo pra rever esse material que é tão, tão rico.

Editado por Erika Palomino e Jackson Araújo, o Journal circulava (ou circula?) desde 2005 e é cheio de textos inspiradores, de saudosismo de desfiles marcantes na história do SPFW, de lembranças que fazem parte da moda brasileira. E tem algumas pérolas, do tipo “olha mais um fotolog superlegal de modelo na rede pra você conferir”. Sim, gente, fotolog! Ou você já se esqueceu como era o mundo em 2006?

A equipe da publicação (e alguns colaboradores incríveis, como Katylene e Marcelona) trabalhava todo santo dia – e madrugada – pra fazer com que o jornalzinho deixasse todo mundo a par do que tinha rolado na Bienal no dia anterior. A ideia do impresso era tão legal e inteligente que eles conseguiram uma parceria com o jornal Metro, que em janeiro de 2009 distribuiu gratuitamente o Journal em alguns pontos da cidade de São Paulo, levando o universo da semana de moda para bem além da Bienal.

Journals de jan/2010

Edições do inverno 2010

Última edição do SPFW Journal de inverno/2010

Última edição do SPFW Journal de inverno/2010

Publicado pela Luminosidade e editado pela House of Palomino desde jan/2010 não há mais nenhuma menção dele na internet. Nem nas vezes que fui à bienal (depois de 2011) nunca achei um exemplar dele pra contar história. Alguém aí sabe que fim ele teve? Fiquei curiosa mesmo pra saber se ele acabou de vez e, nesse caso, pra ter um saudosismo tardio das suas notícias impressas cheirando à tinta e a histórias.

Dicionário de sapatos – parte 2

A primeira parte desse post foi publicada aqui.

Dicionário de Sapatos

Monk: é um sapato masculino dos mais clássicos. Ele é um primo bem distante do oxford e, assim como o parente, ganhou várias adaptações ao longo dos anos recebendo também o direito de fazer parte do armário feminino. Os novos modelos de monk mantêm algumas características do original, como as cores mais escuras e o formato fechado e alongado, mas entre essas versões moderninhas dá pra encontrar modelos que sumiram com a fivela (que era um dos detalhes indispensáveis do original) e colocaram botões de pressão no lugar. A versão mais conhecida deve ser, no entanto, a “Double monk strap” que é nada mais nada menos que o monk original com não uma, mas duas fivelas!

Loafer: um suspiro de conforto. Ele também é original do armário masculino, mas já faz um bom tempo que as mulheres perceberam o quanto ele era lindo, aconchegante e combinava com praticamente qualquer peça de roupa. Ali no meio termo entre o oxford e o mocassim, ele voltou com força total nos últimos invernos ganhando salto, tachas e inúmeros outros detalhes. E é bem provável que você o conheça por um outro nome: sim, o famoso slipper!

Converse: é o nome do sapato, mas também da empresa responsável pela sua fabricação. E olha que a Converse tem muita história pra contar, já que tá nesse ramo dos calçados desde o comecinho do século XX. O clássico tênis feito por eles – que a gente vê no pé de adolescentes sim, mas de crianças, idosos, adultos, até bebezinhos – é o famosos all star. Desde a década de 90 ele é um dos tênis mais populares do mundo.

Oxford: muitos dos sapatos do armário masculino que acabaram ganhando sua versão para o feminino são de algum modo um parente distante desse daí. O oxford é um querido; amo o original, mas as versões com saltinho tem um lugar especial no meu coração. Pra quem se perguntou se a Universidade de Oxford na Inglaterra poderia ter alguma ligação com o nome do sapato, acertou em cheio! Ele ficou conhecido por esse nome porque durante a década de 17 era tendência (haha) entre os universitários de lá.

Ballerina flats: as queridinhas sapatilhas são talvez os sapatos mais atemporais da história, porque desde muito tempo que o seu modelo – ou modelos com características bem próximas – agradam gregos e troianos mulheres do mundo todo. Fechada, sem salto e extremamente confortável, ela atravessou anos e mais anos de história e mesmo com a popularização dos saltos continua sendo um item amado pelas mulheres.

Slip-on: ele tá naquela categoria de sapatos extremamente confortáveis. São fechados, de bico redondo e sem salto algum. Esses tênis se tornaram muito populares pela marca Vans que em 1966 resgatou o slip-on quadiculadinhoe tornando-o um dos seus principais produtos.

Mocassim: diferente da maioria dos sapatos dessa lista, o mocassim não foi criado por nenhuma grande marca ou estilista. Usado pelo índios norte-americanos era ela feito de pele de búfalo e casca de árvore (!). É, as coisas mudaram um pouco, e hoje ele pode ser encontrado nos pés de homens e mulheres ainda mantendo seu toque mais rústico, mas com designs, estampas e materiais, como couro e camurça, que o deixam bem mais moderno e étnico.

Dockside: no começo eles eram usados apenas por esportistas náuticos e velejadores, mas com o passar do tempo foram adotados como um sapato mais casual, podendo tranquilamente serem usados pelo homem no dia a dia. As características mais naves ainda estão lá, além do solado mais grosso, emborrachado e o cadarço que passa pela lateral até chegar na parte de cima.

Continua…