Desfiles SPFW verão/2014 – dia 5

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Uma

A artista brasileira Lygia Clark foi a grande estrela da coleção da Uma, que se inspirou em sua história e obra pra fazer um desfile que pra mim pode ser definido em apenas uma palavra: leveza. E bota leveza nisso. As transparências, sobreposições e peças tão longilíneas pareciam dançar em cima da passarela – se um vento muto forte soprasse a gente tinha a impressão que a modelo seria arrastada dali. Séries como “Bichos” tiveram réplicas adornando a cabeça das modelos e “A casa é o corpo”, outra obra de Lygia, teve uma parte de si no cenário do desfile. Tudo muito leve, muito fluido e com poucas cores, já que cartela flertou entre o branco, preto, cinza e apenas uma estampa em amarelo.

Cereja no topo do bolo: a trilha sonora que me deixou em êxtase, com Caetano cantando “Is you hold a stone (Marinheiro Só)” que, inclusive foi escrita para a artista em 1971, e “Não identificado”, umas das canções brasileiras mais lindas e singelas de todos os tempos.

Têca

Eu sou fã confessa da Têca e sempre aguardo ansiosamente seus desfiles (sua coleção de verão 2013, estreia no SPFW, até hoje não me sai da cabeça. Saí da sala de desfiles me sentindo mais leve, mais bonita, mais inspirada). Daí que pra esse verão/2014 eu me surpreendi. Me surpreendi porque a Têca apostou em algo um pouco diferente do que aquela linha mais ‘menininha’ que ela costuma fazer, mas algo tão lindo e tão bem feito como em qualquer um de seus desfiles anteriores. Nessa coleção, as estampas vieram aos montes, às vezes aparecendo só nos barrados ou perto dos decotes dos vestidos e, em alguns momentos tomando a peça toda, como no caso dos casacos. Em uma ou outra situação, elas são ricamente trabalhadas em arabescos e dão uma certa imponência pra delicadeza e fluidez das peças. Um antagonismo gostoso de ver. Pudera! Inspirado na porcelana antiga (ô tema lindo!) fica difícil não gostar de cada milímetro desse desfile. E ainda tem as bolsas que são uma delícia à parte e resgatam esse lado gostoso da marca de fazer dos acessórios peças importantíssimas da coleção.

É, to bem apaixonada.

Rosner

Total drama queen. É sempre assim que as coleções de Rodrigo Ronser gostam de ser, já tomando essa vontade pelo exagero, pelo absurdo como parte de seu DNA. E dessa vez não foi diferente. Os vestidos etéreos e esvoaçantes aparecem ao lado de laços enormes, camadas e mais camadas de tecidos, pedrarias, plumas. Tudo junto e misturado no aqui e agora. Segundo o estilista, a ideia inicial da coleção era a desconstrução do mito do amor romântico, representado pelas modelos que na passarela ganhavam status de princesas. A riqueza e opulência dos vestidos justificam-se aí, mas ainda assim, alguma coisa não me ganhou nessa coleção. Tudo bem que eu já tenho um pezinho ali atrás com esse tanto de exagero nas peças, mas nunca tomei isso como regra, afinal um bom drama é ótimo de vez em quando. Só que dessa vez não rolou…

Lino

O desfile de Lino tá aí pra comprovar que um drama às vezes não é só bom, às vezes é mesmo necessário. Essa coleção, que encerrou os desfile de verão 2014 do SPFW, foi um dos desfiles mais lindos dessa temporada. Pra começar que Lino Villaventura trabalhou (pasmem!) canutilhos de uma forma fora do comum, criando verdadeiros mosaicos nas roupas dos modelos, e tirando aquela imagem meio “carnaval” que às vezes a gente deles. Em preto e prata ou coloridos, eles davam um caimento e efeito lindos na passarela! As transparências vieram trabalhadas em detalhes, como em alguns colos de modelos masculinos, e às vezes na peça inteira, como foi o caso da modelo que abriu o desfile. Apesar de tudo pender pro lado do exagero – tudo mesmo, desde os materiais atá as silhuetas – é tudo muito bem dosado e a coleção de Lino que não teve apenas uma inspiração, mas que “viaja na imaginação” como disse o próprio estilista, cria exatamente esse efeito de sonho, de resgate do passado, mas com um pezinho no presente.

Pra bater mesmo palmas de pé, o que foi feito por quem assistiu o desfile lá na Bienal.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 4

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Alexandre Herchcovitch

Alexandre não apresentou sua coleção masculina nessa edição, o que é uma pena, mas pra compensar trouxe uma coleção feminina que tinha como ponto de partida sua própria coleção de verão 98/99. Um mergulho no passado pra entender um pouco mais do estilista no presente. Olhando pras duas coleções, fica impossível não traçar comparações entre o Alexandre de antes e o Alexandre de agora, e se lá em 98/99 ele fazia uma moda “sombria”, “dark” magicamente transformada em prêt-à-porter, no seu verão 2014 ele mostra que, o que se achava impossível acontece: ele só melhorou.

As listras, que já ganharam as ruas de um jeito louco e assustadoramente rápido, aparecem aos montes na coleção. Ora literais e ora em tiras, nesse segundo caso criando uma mistura de tecidos responsáveis por movimentos incríveis quando as modelos andavam. E além das peças da coleção mostrarem tanto primor técnico, o cabelo, tão anos 20, e a make (algumas modelos usaram batom preto!) não deixaram dúvida alguma da mulher elegante, misteriosa e poderosa dessa coleção.

Cereja no topo do bolo: as costas de várias partes de cima que brincavam com a ideia de um cardigã jogado nos ombros. Achei apenas genial.

Amapô

Acho legal pra dedéu o fato da Amapô nunca ter medo de abraçar esse lado exagerado e louco da passarela, do tipo se é pra fazer um desfile e contar uma história, vamos mesmo mostrar tudo que a gente pensou! Nessa coleção de verão 2014, em especial, a Amapô foi no fundo do mar pra buscar suas referências e voltou inspirada. As pérolas vinham traduzidas tanto nos efeitos do tecido quanto nas estampas de pois, da mesma forma como as escamas ganharam suas versões em camadas e babados espaçados. E as roupas masculinas? Nossa, são ainda mais divertidas de ver! Aqueles coletes cheios de recortes diferentes, sobreposições de listras (elas de novo!) e pois, tudo misturado causando aquele efeito pirado de passarela, mas que nas araras, separadamente e um pouco mais ajustado pras ruas, vai ganhar o coração dos apaixonados pela moda. Não é uma coleção – a bem da verdade nem uma marca – que agrada a gregos e troianos, mas a quem eles se dirigem, bom, quanto a isso não resta dúvida de que eles estão fazendo o trabalho deles “muito bem, obrigada”.

Juliana Jabour

Juliana Jabour às vezes me dá a impressão que a cada temporada tenta descobrir um pouco mais de si e de sua própria marca. Não que outros estilistas não tentem inovar e levar seu trabalho por outros caminhos, mas quando vejo as coleções de Juliana tenho a impressão que ela ainda tá procurando, caçando sua verdadeira identidade. Ou a gente pode simplesmente falar que ela tá amadurecendo um tico mais a cada temporada. Aqui nesse seu verão 2014, ela testa um pouquinho de tudo na passarela. No geral é tudo mais pro minimalista, mas até as formas das peças que começam mais justinhas e depois vão ganhando leveza e distância do corpo fazem parte dessa vontade de tentar. Daí vem acessórios maxi pra compensar, roupas que querem ser discretas, mas tem brilhos mil, uma mistura de coisas. E né, Juliana bem sabe que só tentando e experimentando pra chegar lá.

Osklen

No desfile da Osklen, as pedras preciosas – seus tipos, formas e lapidações – foram responsáveis pela inspiração que regeu as peças dessa coleção. E com Oskar Metsavaht não tem erro, afinal se tem uma marca que tem um DNA muito bem definido, explorando os mais diversos assuntos e ainda assim ficando claramente identificável no meio de tudo isso, essa marca é a Osklen. O caimento perfeito das peças, – mesmo nas proporções mais difíceis de se conseguir esse efeito – os recortes geométricos que deixavam as costas das modelos quase totalmente nus, os materiais tecnológicos e artesanais que às vezes se encontravam numa mesma peça e os bicos que se formavam em muitas das partes de cima da coleção são coisas que pulam logo de cara na nossa frente. Mas daí, olhando um pouquinho mais, a gente vê que vai bem longe disso. O design e conforto que a marca sempre explora, agora junto das referências das pedras preciosas, aparece também nos acessórios. Reparem nas bolsas e em como sua segunda alcinha, ali meio que despretensiosamente colocada, se encaixa certinho nas mãos da modelo. Ou ainda na sua alça maior que quando chega aos ombros fica mais larga. Gente, faz todo o sentido ela ser mais larga distribuindo assim o peso da bolsa e ficando mil vezes mais confortável nos ombros!

Tudo muito impecável, bem a cara de Oskar Metsavaht.

Samuel Cirnansck

Não que eu não seja apaixonada por festas, na verdade é o oposto haha, mas não sou propriamente uma fã incontrolável dos vestidos do Samuel. Acho apenas que não sou bem o tipo de mulher pra quem ele se dirige, essa mulher que ama o exagero, que ama armações, babados, grandezas, tudo misturado. Ou talvez seja apenas chatice minha, afinal as noivas, um dos maiores segmentos a quem ele se destina, não querem, podem e devem ter mesmo todas as atenções voltadas pra si nesse dia? Enfim… Essa coleção de verão 2014 foi inspirada nas flores, desde seu desabrochar até sua morte. E olha, elas aparecem mesmo aos montes! Nos cabelos, em redemoinhos, nas formas que lembravam pétalas de alguns vestidos, nas camadas e babados das peças. Tinha de tudo um pouco.

Acho que foi Gloria Kalil quem disse que as roupas dessa coleção pareciam um mostruário, com todas as opções de Samuel pra vestidos de noite e noiva. Não poderia concordar mais.

ColcciA Colcci sempre foi comercial dentro ou fora das passarelas. Sempre. E essa posição sempre é reafirmada pelo tanto de celebridades que eles colocam em seu desfile, sejam elas do mundo da moda ou não. Só nesse ano teve a top modelo brasileira Izabel Goulart, a angel da Victoria’s Secret Erin Heatherton e o ator americano Paul Walter. E, no mínimo, um baita burburinho eles causam. Já na roupas, Colcci não trouxe nenhuma novidade. Daquele jeitinho que mistura uma moda bem jovem e usável com alguns toques de alfaiataria, principalmente no jeans sua marca registrada, eles trazem uma modelagem bonita e que é a sua cara. Vai agradar o público da marca com certeza.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite

“O Formigueiro”: bem-vindo e volte sempre

Já faz alguns dias eu recebi o convite da querida Natália Nogueira pra visitar “O Formigueiro”, um lugar que até então eu só conhecia de nome, mas que tava bem curiosa pra conferir de perto. Explico: o Formigueiro é um bazar-brechó que acontece no Galpão Magan, um espaço aqui de Bauru dedicado as artes cênicas, e onde tem um pouquinho de tudo – e quando eu digo de tudo, é tudo mesmo: brinquedos, vinis, livros, comidinhas, acessórios e muitas, muitas roupas.

Parte da turma hoje responsável pelo Formigueiro começou todo esse trabalho primeiro lá na cidade de Votorantim, interior de São Paulo, onde aconteceu o primeiro bazar (na época ainda sem nome). A Nat e o espaço do Galpão Magan se juntaram a essa turma depois, e uma nova história começou a se delinear a partir daí: o  bazar ganhou a alcunha mais do que fofa de “O Formigueiro”, uma cidade nova pra chamar de sua, uma página no facebook e fotos incríveis pra divulgar todo esse trabalho.

As cinco pessoas que atualmente são responsáveis pelo bazar têm diferentes “especialidades”: uma faz e vende docinhos, outra faz trabalhos artesanais com bonecas, agendas, etc, e algumas meninas cuidam só do brechó. Tudo junto e misturado, o que torna tudo ainda mais legal, já que isso acaba atraindo gente de todos os tipos, jeitos e idades, e transformando esse espaço em um lugar onde você vai pra comprar brigadeiro e sai de lá com uma camisa nova, um vinil dos Beatles e milhares de ideias na cabeça.

Arrematei uma camisa amarelo pastel lindeza dessa arara de roupa!

Arrematei uma camisa amarelo pastel lindeza dessa arara de roupa!

Uma pequena parte da decoração mega colorida e divertida do bazar

E não dá pra negar que entre todas as coisas lindas do O Formigueiro, a parte que envolve roupas e acessórios virou a menina dos meus olhos, e eu e saí de lá (ainda mais) empolgada com essa cultura de brechós que cada vez mais ganha espaço no comércio nacional. E fiquem tranquilos que isso tá longe de ser um post ecochato, mas também não dá pra negar que todo esse crescimento dos brechós não tem relação alguma com os problemas ambientais pelos quais a gente tem passado, e que a gente sabe que se não cuidar agora, vai passar por muito mais ainda lá na frente.

Pra começar que a sustentabilidade nunca foi um tema tão falado como tem sido nesse século XXI, e isso em todas as áreas. Acho que a preocupação com o que acontecerá daqui pra frente com nossos recursos naturais é um dos temas mais importantes, falados e pensados nesse século, e é meio que uma metáfora também daquilo que acontece muitas vezes com a gente mesmo: só começamos a pensar no problema quando ele começa de fato a incomodar. Ou vai dizer que a gente nunca tentou resolver uma situação só quando ela já tava no limite e mostrando sinais de perigo? E já que aquele vestidinho de algodão fofo que a gente tem dentro do armário já não serve mais pra gente e tá em completo bom estado, por que não pensar então em maneiras de manter à moda a pleno vapor sem pra isso, necessariamente, aumentar tanto o fluxo de novas peças no mercado? E se isso não é o bastante, por que então não economizar seu precioso dinheiro e ao invés de gastar todo seu salário rios de dinheiro naquela camisa bapho, não investir em uma de brechó tão linda quanto, bem cuidada e menos que um terço do preço? E vale lembrar que tem brechós pra todos os gostos, dos mais caros aos mais baratos. Vai da gente garimpar e achar aqueles que realmente valem a pena. Olha aí O Formigueiro pra comprovar!

O formigueiro

Esses dias, lendo uma matéria sobre essa invasão de brechós em tudo que é canto, foi levantada uma questão que vale a pena mesmo ser pensada: numa época em que tantas tendências nos são impostas cada vez em maior número e em menor tempo, os brechós acabam sendo um lugar onde a gente pode fugir disso e deixar com o que o tal do estilo próprio – que independe de época ou moda vigente – fale mais alto. É onde a gente pode comprar sem se preocupar em ver um bendito vestido bandage em três de cada cinco peças na vitrine da loja.

Mudando de assunto...

Pra quem quiser conhecer O Formigueiro, o endereço do brechó é:

Av. Elias Miguel Maluf, 1-116
Galpão Magan – Bauru (SP)

Ele funciona em sábados e domingos específicos, então tem que ficar ligado lá no facebook pra ficar por dentro das datas!

Queria agradecer ao Di, Pedro e Ari que foram comigo conhecer o lugar e especialmente pra querida Nat, essa menina que faz os shorts customizados mais lindos ever, pelo convite. Vou voltar sempre ao Formigueiro, pode ter certeza :}

Ps: Esse não é um publipost! Se um dia tiver disso no blog, podem ter certeza que haverá uma categoria só pra eles por aqui muito bem identificada.

Ps2: Nesse mesmo dia a Nat pediu pra eu ajudar a divulgar uma das peças do brechó e tchan tchan tchan, tive uma tarde de modelo haha. Valeu, Nat!

paulinha

Momento modelete do post =P

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 3

Pra ler sobre o 1º dia de SPFW verão/2014 é só clicar aqui e, para ler sobre o 2º dia, é só clicar aqui ;}

Fause Haten

Imagino que para um estilista deva ser um sonho dourado reunir em seu desfile um casting das modelos mais incríveis de todos os tempos. O que seria uma tarefa difícil pra qualquer um, foi contornada com muito sucesso por Fause Haten: se o estilista não podia trazer as modelos de carne e osso, podia trazê-las então como… Bonecas! E assim, com muita criatividade e beleza, o estilista transformou seu top casting de modelos (Gisele Bundchen, Naomi Campbell, Shirley Mallmann, Linda Evangelista e outras tantas) em bonequinhas de biscuit. Na FAAP, local onde realizou seu desfile, as mini modelos foram as estrelas principais, além da bonequinha Maria Rita que cantou “Brincadeira de Roda.”
No final, as verdadeiras peças – agora em tamanho real e expostas em manequins – foram mostradas, revelando uma coleção que é a cara de Fause Haten: total drama queen. Vestidos de festa, tules, camadas, volumes e mais volumes; tudo aquilo que o estilista ama. E daí que toda essa intensidade de Fause Haten funciona ora bem e ora mal, isso tanto em suas coleções quanto em seus desfiles que sempre tem alguma coisinha fora do convencional. E, dessa vez, Fause me conquistou.

Fernanda YamamotoFernanda Yamamoto abraçou a ideia de uma coleção conceitual que quer contar uma história, que quer passar sensações e inspirações mil através da roupa. Partindo do tema das donas de casa americanas da década de 50, Fernanda usa toda sua técnica japonista – que em outras coleções ela já mostrou total desenvoltura – pra brincar com essa imagem, seja nos aventais, seja nos materiais utilizados, seja até nas perucas. E como eu gostei de ver tanta desconstrução – mesmo para quem não gostou do desfile, seria muita besteira falar que Fernanda foi literal em suas criações – que ela fez! Ver um ar lúdico ganhar a passarela e ver uma história ser contada ali, em mínimos detalhes como as dobraduras tão bem trabalhadas e os bordados pequeninos e minuciosos, é de uma riqueza enorme.

João Pimenta

Céus, como é difícil falar dessa coleção do João Pimenta! Pra começar que falar de moda masculina já não me soa fácil. Aliás, taí um universo que eu queria estudar bastante em 2013. Só que, além disso, como nós estamos acostumados a ver João Pimenta sendo sempre tão conceitual, fica difícil digerir uma coleção tão usável, que possa abraçar um novo público consumidor e que tenha poucos tons, porém fortes e bonitos. E sim, eu achei uma coleção bem bela, bem limpa, e que apesar do usável, ainda dá pra ver lá no fundo muita daquela vontade de João Pimenta de fazer uma roupa que vá além da ideia de vestimenta, e que vista o seu tal homem muito mais com ideias. Parece um pouco utópico, eu sei, mas é exatamente desse jeitinho que me soam suas coleções. Outro ponto que eu achei interessante no desfile é algo que não tava li na passarela: o fato de Alexandre Herchcovitch ter pulado essa edição e João, propositalmente ou não, ter feito um desfile que poderia muito bem agradar ao público de Alexandre. Resta agora esperar os próximos capítulos pra ver que rumos irão tomar a moda de João Pimenta.

Água de coco

Como eu já disse aqui, moda praia é um tema meio estranho pra mim, mas acho que é meio natural de toda brasileira (mesmo aquelas que não moram em cidades praianas) conhecerem ainda que minimamente sobre a moda praia do nosso país, tão rica e tão bem falada lá fora. E nessa coleção da Água de Coco, meu medo inicial – o de pegar um tema tão batido, principalmente em coleções de moda praia, pra nortear o desfile – acabou indo por terra. Isso porque, apesar da flora e fauna brasileira serem sempre temas exploradas nesse universo, a Água de Coco desenvolveu essa ideia em inspirações de cinco blocos diferentes: o paisagismo de Roberto Burle Marx, o artesanato dos irmãos Campana, as frutas tropicais, as aves brasileiras e as pedras preciosas. Dividindo a ideia inicial em grandes blocos, a marca fez bonito e não se perdeu. Ao contrário desenvolveu estampas maravilhosas, fosse pra hora da piscina/mar propriamente dita ou pra hora da saída. A segunda foto daqui da imagem mostra uma peça linda com inspiração de cestaria (uma alusão ao trabalho dos irmãos Campana), e como dá gosto ver uma marca se arriscando em materiais ricos, porém tão pouco utilizados.

Neon

Tenho cá pra mim que os consumidores da Neon devem ter delirado com essa coleção, porque nessa comemoração de 10 anos da marca, tudo aquilo que a Neon sabe fazer de melhor está lá, mostrando seu DNA tão lindamente. E tenho certeza que até aqueles que não são muito fãs de estampas (oi!), têm respeito e admiração imensos por essa marca. Por que? Esse verão 2014 pode servir como resposta. Primeiro porque eles mostram que não têm medo de apostar em uma estampa, por exemplo, pra nortear boa parte da coleção. E que imagem bonita essa da primeira foto! Repetida várias vezes no desfile, ela vinha brincando com as cores tão, mas tão fortes que a Neon trouxe. E por falar em cores, fiquei encantada deles terem explorado o pink sempre em duplas: pink com amarelo, pink com roxo e pink com laranja. Esse último, uma das minhas combinações preferidas ever. No fim, dá aquela sensação gostosa de que a Neon consegue ser sempre alegre e identificável sem pra isso parecer repetitiva ou boring. Clap clap clap.

triton

Como é bom ver uma marca tão comercial quanto a Triton provando que é possível sim aliar os desejos da juventude das ruas com a riqueza de materiais, o bom corte, as boas ideias. Partindo do verão californiano e de uma onda meio hippie, a Triton vai mostrando um bonito trabalho de tie dye (na verdade uma técnica digital que imita o tie dye, mas que na passarela cria o mesmo efeito), trançados, materiais plastificados (as bermudas dos meninos davam um efeito lindo!), estamparia e até alfaiataria muito bem feita, que na ala masculina brincava o tempo inteiro com a roupa mais informal, chegando muitas vezes a confundir o espectador entre o que era “sério” e o que era “descontraído”. Os acessórios são um capítulo à parte: a bolsa em formato de triângulos (que foi explorado também nas estampas, de uma forma toda mística) e a sandália que de frente parecia uma mule tradicional, mas que quando vista por trás era toda repaginada, deram ainda mais beleza a coleção.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite

Pensando em voz alta com a Betty Magazine

Nesse feriado/final de semana tinha planejado subir post das coleções do SPFW (já viram que falei aqui no blog sobre o e odia?) e também post sobre “O Formigueiro”, texto que eu to há dias pra escrever. Só que eu to em Leme na casa dos meu pais e eu deixei em Bauru, cidade onde moro, as fotos que bati do “O Formigueiro”. E claro também que eu não trouxe o photoshop portátil, e assim não posso arrumar as fotos do desfile.  E né, nem pensar em baixar photoshop no meu netbook, ia ser pedir demais do coitado. Ou seja, acho que agora só na semana que vem pra subir esses textos =(

Só que aí, enquanto eu esbravejava pela minha cabeça de vento de ter esquecido tudo em Bauru, lembrei também de um assunto que tem feito meu coração bater acelerado e que tava morrendo de vontade de falar aqui no blog.

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Capa da Betty Magazine summer 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Betty ;)

Lindezas da edição de verão 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Lindezas da edição de verão 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Não é segredo pra ninguém que eu amo revistas. As de moda, é claro, tem um lugar especial no meu coração, mas eu sou fascinada por revistas em geral, – o fato de trabalhar em uma editora de revistas não é mera coincidência – e principalmente com aquele momento de ir até a banca e escolher quais naquele mês irei levar embora pra casa comigo, saltitando pelo caminho. E sim, eu tenho um gosto bem variado na área, que vai da Elle, passa pela Piauí, pela Lula Magazine, pela Bravo! e chega até na Zupi (ainda quero falar dela também aqui no blog!). Claro que tem mais um montão, mas esse post ia ficar deveras longo se eu falasse de todas por aqui haha.

Mas há alguns meses, enquanto zapeva pela internet, descobri uma revista que já me encantou pelo nome “Betty Magazine”, mas que conforme eu fui conhecendo mais da história e das páginas da própria revista foi me deixando mais e mais curiosa: será que eu tinha achado um novo amor?

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

A Betty começou como uma revista online independente que tinha o slogan “your new best friend” e uma proposta que de cara já me encantou “You won’t find any weight loss or diet tips here, we don’t play on people’s insecurities: our philosophy is for people to embrace who they are and celebrate it.”, em tradução livre “[Aqui] você não encontrará como perder peso ou tipos de dieta, nós não jogamos com a insegurança das pessoas: nossa filosofia é para pessoas que abraçam quem elas são e celebram isso.”

Achei bem diferente e conforme fui conhecendo mais da revista percebi que essa proposta faz mesmo total sentido. A Betty não é uma revista de moda, nem de cultura, nem de economia, nem de nada que eu consiga classificar em apenas uma palavra. Ela é uma revista para meninas, e que versa sobre diversos assuntos, desde receitas para se fazer bolos no café da tarde, entrevistas incríveis, conselhos de maquiagem, artigos sobre assuntos do universo feminino, editorias de moda encantadores, música, estilo de vida e ilustrações de babar. Tudo isso junto sem um pingo de vontade de impingir nada, de ditar nada: não, a Betty quer conversar com você, quer trocar conselhos e dicas como sua melhor amiga faria. Uma fofura!

Das cinco edições que ela possui, as duas primeiras foram apenas virtuais e, depois que elas começaram a ser impressas – com mudanças significativa em relação a identidade visual – a revista parece querer apagar esse “passado”. Vide o site que nem faz menção a essas duas primeiras edições. O porquê disso tudo eu sinceramente não sei, mas pra comprovar que eu não to tirando isso da minha cabeça, aqui tem a issue nº2, só clicar e ler. As últimas três, impressas, podem ser encontradas em alguns locais descritos no site da revista. Infelizmente, eu ainda não consegui nenhuma em mãos, mesmo com a minha irmã tendo feito uma busca gigantesca em janeiro lá em Londres.

E tem um detalhe muito importante que eu não contei ainda: a Betty nasceu como um projeto de conclusão de curso! Sim, podem acreditar, a Betty era um TCC! Dois formandos do curso de moda da University for the Creative Arts (UCA Rochester), Hannah e Charlotte Jackloin, tiveram a ideia de fazer essa revista tão peculiar e o resultado foi essa lindeza!

Editorial "Endless of summer"

Editorial “Endless of summer”

Além de tudo isso, a revista tem um blog superbacana, uma página no facebook bem ativa e um twitter que eu comecei a seguir hoje haha mas tenho certeza que vai deixar minha timeline muito mais divertida. Em todos esses lugares uma coisa que fica bem evidente da Betty é esse clima meio vintage, meio paz e amor, meio de sonhos. É difícil imaginar tudo isso em um só lugar, mas é exatamente assim que vejo a revista. Tenho a sensação de que ela é meu pensamento em voz alta, ou no caso, meu pensamento em textos, fotos e ilustrações inspiradoras.

Ilustra de Calico Melton para a revista

Ilustra de Calico Melton para a revista

  • Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha.
  • E já passou da meia-note, gente! Feliz Páscoa pra todos nós 😉