Girls!

Eu lembro que bem lá no comecinho de 2012, quando Girls ainda nem havia estreiado na HBO, rolava um grande bafafá de que a série seria um novo “Sex and the City”, ou um SATC mais jovem, com garotas de 20 e poucos anos revivendo muito do espírito de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte. Exatamente por isso, eu achei melhor esperar pra assistir. Por que? Bom, agora vem a parte revelação não me joguem pedras, por favor do post. Eu nunca havia assistido SATC até o final do ano passado porque tinha um mega preconceito com a série. Sim, amigos e amigas, eu era daquelas garotas chatas que apontava o dedo, mesmo sem nunca ter assistido o seriado, e achava tudo fútil, cheio de montação.

Só que a verdade é que a gente cresce e vai vendo que julgar a capa pelo livro ou, no caso, o seriado por um pré-conceito que a gente faz dele é uma das piores besteiras dessa vida. Um dia ainda conto minha história com SATC (ó, já achei até nome pro post haha), mas por enquanto só vou contar que perdi o preconceito e resolvi que tava na hora também de ver Girls. Ainda mais porque depois do início da série, muita gente falou pra eu esquecer essa história de versão mais jovem de “Sex and the City”, já que Girls era um seriado que andava com as próprias pernas. Não era cópia de nada nem de ninguém.

Duas temporadas depois, eu tomei coragem. Baixei todos os episódios e fui ver o que que essas gurias tinham de tão especial – e que renderam dois prêmios no Globo de Ouro 2013, nas categorias de melhor atriz (Lena Dunham) e melhor série.

Cena da 1ª temporada

É difícil explicar o que faz de Girls a série incrível que é. Logo no comecinho da primeira temporada, ainda quando Hannah tenta convencer os pais de que precisa ser sustentada por eles, ela fala que não quer assustá-los, mas que ela talvez seja a voz de sua geração, bem naquele jeito Hannah pedante de ser. E longe de mim querer dizer que a série é isso, mas essa frase dita por Lena Dunham, ainda que não totalmente verdadeira, faz muito sentido quando a gente para pra entender o seriado.

Ele pode até não ser a voz de toda uma geração, mas que Girls é um dos seriados mais verdadeiros dos últimos tempos, ah, isso ele é. Verdadeiro porque ele não tem absolutamente nada demais. As quatro amigas são garotas cheias de qualidades e defeitos, – na maioria das vezes, com muito mais defeitos do que qualidades – sem dinheiro ou emprego certo, ainda descobrindo o que querem da vida, cheia de probleminhas que aos seus olhos são o grande mal do século e com problemas que são de fato um grande mal dessa geração, afinal se os garotas e garotas de vinte e poucos anos tem, na sua maioria, um problema em comum, ele atende pelo nome de “pressão”, ou de “stress”, ou de “vocês precisam crescer rápido”. E Girls fala disso, tendo como personagem principal (pasmem!) uma garota toda normal. Não é aquela garota loser que ninguém quer por perto, nem aquele menina-princesa que todos amam. Hannah não tem nada de especial, só é mais uma garota – bem egoísta, por sinal – que quer virar adulta, mas que ainda não sabe muito bem como chegar lá.

Cena da 1ª temporada

Girls foi criada por Lena Dunham, essa novaiorquina de 26 anos que também é a personagem principal da série. Acho um porre que até hoje, mesmo depois de todo o sucesso, muita gente faça cara de nojinho pra ela por achar que a menina tem “costas quentes” (céus, olha os termos!). Não que isso seja de todo mentira, já que ela e algumas das outras meninas do seriado vieram de famílias que trabalham e são influentes no meio televisivo, mas nem de longe isso apaga ou diminui seus créditos. Pra mim ela é apenas a prova viva daquele ditado: se a vida te der limões, faça uma limonada. Ou seja: ela tinha talento, tinha uma super sinopse nas mãos e teve a chance de mostrar isso ao mundo. E como de boba ela não tem é nada, agarrou a oportunidade.

E é incrível como não bastasse tudo isso, Lena Dunham ainda se mostrou uma atriz hiper talentosa, tanto que não é raro ela se expor de uma tal maneira que nos deixa desconcertados. Na nudez do corpo ou dos sentimentos, dá pra sentir um pouco de vergonha de assistir algumas cenas. Parece que estamos participado de algo muito pessoal, que só diz respeito a ela e a mais ninguém, o que nos torna um pouco intrusos, sabe? É um sentimento muito singular, que poucas séries ou filmes já me fizeram sentir.

Shoshanna e Jessa

Mas o nome desse post e da série nos lembra de algo muito importante: estamos falando de garotas, assim mesmo no plural. E por mais que Lena Dunham seja uma menina excepcional pra sua idade, Girls só é o que é porque tem um quarteto perfeito de meninas à sua frente. A gente pode amar ou odiar determinada personagem, mas acho que todas elas tem características em que nos reconhecemos. A menina descolada, viajada e tão sofrida que é a Jessa (meu eterno amor por você); a sonhadora e ingênua Shoshanna, que aliás, vejam só, é fãzoca assumida de SATC!; a tão centrada, tão adulta… e tão entediada com a vida e boring da Marnie; e, claro, a menina estranha, engraçada e egocêntrica (mesmo sem perceber) que é a Hannah.

Jessa

Jessa

Shoshanna

Shoshanna

Marnie

Marnie

Hannah

Hannah

Pra tentar passar um pouco do espírito da série pra quem ainda não assistiu, – e também pra aumentar meu desespero ao pensar que a terceira temporada tá tão longe de começar – achei que valia a pena postar a cena aqui de baixo. Pra mim, todos os principais elementos de Girls tão nela: a trilha sonora de tombar, a tristeza tão sentida de Jessa, as palhaçadas da Hannah, a amizade entre essas garotas e até aquela invasão de privacidade que o seriado vive jogando na nossa cara.

E pra vocês se apaixonarem ainda mais, aqui tem toda a trilha sonora da primeira temporada e aqui um compilado com as melhores da segunda, com direito a Shoshanna cantando Beautiful Girls! Vale comentar também que foi Girls quem me apresentou pra “I love it” da Icona Pop, ou seja, outro fato pra eu amar muito mesmo esse seriado e suas músicas.

E, por fim, mas nem de longe menos legal, o ensaio que Lena Dunham, Jemima Kirke, Allison Williams e Zosia Mamet (Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna respectivamente), fizeram pra New York Magazine e que teve essa capa lindona com a Leninha.

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

No mundo dos livros de Karl Lagerfeld

É um belo sábado de manhã e você sai para visitar as redondezas de um dos mais famosos bairros de Paris, o Saint Germain. Ali perto, no 7.º arrondissement, você topa com uma ruazinha estreita que atende pelo doce nome de Lille.

7L

Ok, eu não to em Paris, chutaria que você também não está e sei que não estamos assistindo a um filme de Woddy Allen, mas afinal uma garota pode sonhar, não pode? E nunca se sabe quando a gente vai ter uma vontade louca de arrumar as malas e mudar um pouco de paisagem. Se for esse o caso, bom, a ruazinha Lille pode realmente te ajudar. É ali que está a 7L, uma famosa livraria de Paris não apenas por seu objetivo-mor de ter bons livros, mas também por ter como dono uma figura bem ilustre: Karl Lagerfeld.

Nunca foi segredo pra ninguém que Karl ama os livros, no conteúdo e na quantidade, vide sua singela biblioteca de mais de 230 mil títulos. E nunca foi segredo pra ninguém também que esse interesse imenso dele pela leitura é apenas uma parte do seu enorme envolvimento com o mundo das artes, seja como diretor criativo da Chanel, escritor, editor-chefe, fotógrafo, ilustrador, curador e suas mil e uma facetas que ele aumenta todo dia um pouquinho mais. E não que eu queira fazer um post sobre como Karl Lagerfeld é incrível, – apesar dele ser mesmo – mas eu não consigo nem expressar em palavras o quanto eu admiro pessoas que 1) amam livros, 2) transitam tão facilmente em diversas áreas e 3) são inspiradoras. Do mesmo jeito que eu quero ter ao meu redor pessoas que eu admiro (acredito que relacionamentos, sejam de que tipo forem, só podem funcionar com respeito e admiração), também só consigo ‘aprovar’ pessoas de longe que eu admire por algum motivo. E com toda a rasgação de seda do mundo que me é permitida, são muitos os motivos que tenho pra admirar Karl.

Karl Lagerfeld

A 7L, essa livraria que ele comanda, funciona também como uma editora, e é meio que um imenso olhar do próprio Karl sobre o mundo contemporâneo, com títulos de diversas áreas. Moda, design, fotografia, gastronomia, jardinagem, arquitetura e assuntos que versam todos pelo mundo das artes, claro que contando com edições muitas vezes difíceis de achar em outras livrarias por aí. Bem daqueles lugares que a gente entra e nem vê o tempo passar.

A discreta fachada do número 7, além dos livros, abriga também uma salinha de eventos,  onde já se realizaram grandes exposições artísticas. Ou seja, o que fica bem claro pra quem entra na 7L é que mais do que uma livraria, aquele espaço reserva uma experiência tátil, visual e claro que olfativa (cheiro de livro = maior amor do universo) muito próximo ao próprio caminho que Karl Lagerfeld percorreu e percorre no mundo das artes. É daí que vem a curadoria de títulos da livraria, daí que vem a disposição aconchegante das obras no lugar (ora em cavaletes, ora em cima das mesas), com a intenção mesmo de que você vá lá e mergulhe não apenas em um universo, mas em vários. A tal versatilidade de Lagerfeld de transitar por diversas áreas.

Livros da 7L

Alguns dos títulos da 7L

Pra quem ficou curioso e queria dar uma olhadinha no lugar, o site da livraria tem aquele recurso de visualização em 360º com zoom. Divirtam-se e inspirem-se :)

O Rio de Janeiro continua lindo!

Em semana de Fashion Rio, muita gente, – seja daqui do Brasil ou lá de fora – para pra assistir os desfiles que acontecem nesses cinco dias, pra saber o que tá rolando de tendência pra próxima estação, pra ver os famosos que passaram pelo Pier Mauá (é, pois é). Mas não é só isso. Quem vem pra cá ou mesmo pra quem já é do país, quem acompanha a cobertura dos portais ou que tá lá, cobrindo, assistindo, comprando na semana de moda carioca, sente uma vibração que não é exclusiva do evento. É uma coisa que transpira em cada foto que você vê, em cada entrevista dada, em cada matéria que você lê. É uma bossa única que atende pelo nome de Rio de Janeiro.

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E olha que essa história começa lá atrás, quando a cidade ainda nem era uma cidade, mas um pedaço de terra disputado por franceses e portugueses. Nossos colonizadores ganharam a disputa e ali começou a história de fato. A cidade, agora já “São Sebastião do Rio de Janeiro” cresceu, virou região preciosa pro comércio portuário e foi uma das pioneiras no desenvolvimento do país, até que virou capital do Brasil, perdendo o posto em 1960 para Brasília.

E o que que essa história História tem a ver com Fashion Rio? Tem tudo a ver, eu diria.

O desenvolvimento e pioneirismo do Rio foram importantíssimos para a efervescência cultural que dominou a cidade nas décadas de 50 e 60 e que, por sua vez, foi responsável por criar o cartão postal em que ela se transformou, pelo lifestyle que só o carioca tem, que só sua moda, sua literatura e sua música possuem.

Samba do Avião – Tom Jobim
(Quando em 1962 Tom Jobim escreveu os versos de Samba do Avião que diziam “Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você”, Tom tomou a liberdade de falar não só por si, mas por milhares de pessoas que tendo ou não passado pelo Rio, sentem esse amor pela cidade.)


Quando o Fashion Rio surgiu em 2002, a escolha da cidade do Rio de Janeiro não foi à toa. A Dupla Assessoria buscou apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) para que o evento fosse realizado ali por um motivo muito específico: o Rio de Janeiro é uma cidade que representa o Brasil lá fora. “O Rio era e é, sem sobra de dúvida, o melhor cartão-postal do Brasil. É uma ferramenta internacional forte e indiscutível para se chamar atenção para a produção de moda no Brasil. O Rio é idealizado no imaginário do mundo inteiro, como a capital do verão, das pessoas que vivem um lifestyle em torno das águas…” – Eloysa Simão para o “História da moda no Brasil”.

Vale lembrar que nesse mesmo ano, a Dupla Assessoria criou o Fashion Bussiness, uma feira de negócios que ocorria em paralelo aos desfile do Fashion Rio e, dois anos depois, foi a vez de aparecer o Rio Moda Hype, evento que revelava novos talentos da moda brasileira (Fernanda Yamamoto deu seus primeiros passinhos aí!).

Ou seja, o Fashion Rio nasceu de uma vontade bem diferente da do SPFW, que tinha mais a ver com organizar a confusão que eram as apresentações da moda brasileiras na época, acontecendo cada uma em um canto, em um período. Nós já tínhamos o exemplo de que uma semana de moda no Brasil conseguia vingar (depois de Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e o próprio SPFW tava mais do que comprovado), mas ainda havia uma necessidade diferente daquela que reinava na capital paulista. Mais do que um evento pra mostrar o talento de tanta gente incrível que tava aí pelo Brasil, o Fashion Rio já nasceu com essa vontade de ter um espaço mais comercial e aproveitar a ‘imagem carioca’ pra vender, literalmente, nossa moda pra fora. Era uma vontade de dizer que nós não apenas fazíamos moda, mas que também podíamos vendê-la e exportá-la. E que tínhamos competência, público e inteligência pra sermos bom com as ideias e também com a mão na massa.

O Fashion Rio pelas lentes do instagram da @glamourbrasil, @girlswstyle, @riotec, @bazaarbr, @modices e @bluemanbrasil

Entre verdades e meias verdades, desde o seu início o Fashion Rio se tornou o “grande rival” do SPFW, gerando uma série de mudanças no calendário dos eventos, muita falação da mídia e muita coisa entalada na gargante de seus organizadores. O fim de todo o auê só veio mesmo em abril de 2009 quando a Dupla Assessoria saiu de cena e a Abit e Firjan fecharam novo contrato com a Inbrands, que por sua vez passou a organização do evento para a Luminosidade. Ou seja, Paulo Borges estava na jogada, baby.

Teve quem amou e quem odiou. Teve gente que disse que o evento tinha perdido seu gingado carioquês, que o Fashion Rio não era mais o mesmo e que tava tudo errado. Teve aqueles que, por outro lado, amaram, que acharam as mudanças (a começar pelo número de desfiles que caiu de 41 pra 29) incríveis, que o evento finalmente tava na rota certa. Enfim, houve de tudo. De certeza mesmo só ficou uma. Mais do que usar a imagem do Rio pra mostrar o evento, as novas mudanças do Fashion Rio só caminhavam pra um lugar: colocar a cidade como “capital da moda praia” e o evento como seu grande cartão de boas-vindas.

Em pleno 2013, no momento em que acontecem os desfiles do Fashion Rio verão/2014, há muito que o evento parece ter encontrado seu rumo. Sob a batuta da Luminosidade acabaram-se as “brigas”, e as duas semanas de moda passaram a somar e a caminharem cada vez mais pra focos bem diferentes.

Que o Fashion Rio cresceu e cresce a cada temporada é indiscutível. Isso se reflete não apenas na sua grande estrutura e seriedade que se comprovam em toda edição, mas também no destaque nacional e internacional que os desfiles, sua moda praia e é, claro, a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro ganham. Até porque, sejamos sinceros, com tanta beleza assim, como não se apaixonar?

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você”

Samba do Avião – Tom Jobim

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 5

Pra ler sobre o , , e dia de SPFW, é só clicar.

Uma

A artista brasileira Lygia Clark foi a grande estrela da coleção da Uma, que se inspirou em sua história e obra pra fazer um desfile que pra mim pode ser definido em apenas uma palavra: leveza. E bota leveza nisso. As transparências, sobreposições e peças tão longilíneas pareciam dançar em cima da passarela – se um vento muto forte soprasse a gente tinha a impressão que a modelo seria arrastada dali. Séries como “Bichos” tiveram réplicas adornando a cabeça das modelos e “A casa é o corpo”, outra obra de Lygia, teve uma parte de si no cenário do desfile. Tudo muito leve, muito fluido e com poucas cores, já que cartela flertou entre o branco, preto, cinza e apenas uma estampa em amarelo.

Cereja no topo do bolo: a trilha sonora que me deixou em êxtase, com Caetano cantando “Is you hold a stone (Marinheiro Só)” que, inclusive foi escrita para a artista em 1971, e “Não identificado”, umas das canções brasileiras mais lindas e singelas de todos os tempos.

Têca

Eu sou fã confessa da Têca e sempre aguardo ansiosamente seus desfiles (sua coleção de verão 2013, estreia no SPFW, até hoje não me sai da cabeça. Saí da sala de desfiles me sentindo mais leve, mais bonita, mais inspirada). Daí que pra esse verão/2014 eu me surpreendi. Me surpreendi porque a Têca apostou em algo um pouco diferente do que aquela linha mais ‘menininha’ que ela costuma fazer, mas algo tão lindo e tão bem feito como em qualquer um de seus desfiles anteriores. Nessa coleção, as estampas vieram aos montes, às vezes aparecendo só nos barrados ou perto dos decotes dos vestidos e, em alguns momentos tomando a peça toda, como no caso dos casacos. Em uma ou outra situação, elas são ricamente trabalhadas em arabescos e dão uma certa imponência pra delicadeza e fluidez das peças. Um antagonismo gostoso de ver. Pudera! Inspirado na porcelana antiga (ô tema lindo!) fica difícil não gostar de cada milímetro desse desfile. E ainda tem as bolsas que são uma delícia à parte e resgatam esse lado gostoso da marca de fazer dos acessórios peças importantíssimas da coleção.

É, to bem apaixonada.

Rosner

Total drama queen. É sempre assim que as coleções de Rodrigo Ronser gostam de ser, já tomando essa vontade pelo exagero, pelo absurdo como parte de seu DNA. E dessa vez não foi diferente. Os vestidos etéreos e esvoaçantes aparecem ao lado de laços enormes, camadas e mais camadas de tecidos, pedrarias, plumas. Tudo junto e misturado no aqui e agora. Segundo o estilista, a ideia inicial da coleção era a desconstrução do mito do amor romântico, representado pelas modelos que na passarela ganhavam status de princesas. A riqueza e opulência dos vestidos justificam-se aí, mas ainda assim, alguma coisa não me ganhou nessa coleção. Tudo bem que eu já tenho um pezinho ali atrás com esse tanto de exagero nas peças, mas nunca tomei isso como regra, afinal um bom drama é ótimo de vez em quando. Só que dessa vez não rolou…

Lino

O desfile de Lino tá aí pra comprovar que um drama às vezes não é só bom, às vezes é mesmo necessário. Essa coleção, que encerrou os desfile de verão 2014 do SPFW, foi um dos desfiles mais lindos dessa temporada. Pra começar que Lino Villaventura trabalhou (pasmem!) canutilhos de uma forma fora do comum, criando verdadeiros mosaicos nas roupas dos modelos, e tirando aquela imagem meio “carnaval” que às vezes a gente deles. Em preto e prata ou coloridos, eles davam um caimento e efeito lindos na passarela! As transparências vieram trabalhadas em detalhes, como em alguns colos de modelos masculinos, e às vezes na peça inteira, como foi o caso da modelo que abriu o desfile. Apesar de tudo pender pro lado do exagero – tudo mesmo, desde os materiais atá as silhuetas – é tudo muito bem dosado e a coleção de Lino que não teve apenas uma inspiração, mas que “viaja na imaginação” como disse o próprio estilista, cria exatamente esse efeito de sonho, de resgate do passado, mas com um pezinho no presente.

Pra bater mesmo palmas de pé, o que foi feito por quem assistiu o desfile lá na Bienal.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 4

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Alexandre Herchcovitch

Alexandre não apresentou sua coleção masculina nessa edição, o que é uma pena, mas pra compensar trouxe uma coleção feminina que tinha como ponto de partida sua própria coleção de verão 98/99. Um mergulho no passado pra entender um pouco mais do estilista no presente. Olhando pras duas coleções, fica impossível não traçar comparações entre o Alexandre de antes e o Alexandre de agora, e se lá em 98/99 ele fazia uma moda “sombria”, “dark” magicamente transformada em prêt-à-porter, no seu verão 2014 ele mostra que, o que se achava impossível acontece: ele só melhorou.

As listras, que já ganharam as ruas de um jeito louco e assustadoramente rápido, aparecem aos montes na coleção. Ora literais e ora em tiras, nesse segundo caso criando uma mistura de tecidos responsáveis por movimentos incríveis quando as modelos andavam. E além das peças da coleção mostrarem tanto primor técnico, o cabelo, tão anos 20, e a make (algumas modelos usaram batom preto!) não deixaram dúvida alguma da mulher elegante, misteriosa e poderosa dessa coleção.

Cereja no topo do bolo: as costas de várias partes de cima que brincavam com a ideia de um cardigã jogado nos ombros. Achei apenas genial.

Amapô

Acho legal pra dedéu o fato da Amapô nunca ter medo de abraçar esse lado exagerado e louco da passarela, do tipo se é pra fazer um desfile e contar uma história, vamos mesmo mostrar tudo que a gente pensou! Nessa coleção de verão 2014, em especial, a Amapô foi no fundo do mar pra buscar suas referências e voltou inspirada. As pérolas vinham traduzidas tanto nos efeitos do tecido quanto nas estampas de pois, da mesma forma como as escamas ganharam suas versões em camadas e babados espaçados. E as roupas masculinas? Nossa, são ainda mais divertidas de ver! Aqueles coletes cheios de recortes diferentes, sobreposições de listras (elas de novo!) e pois, tudo misturado causando aquele efeito pirado de passarela, mas que nas araras, separadamente e um pouco mais ajustado pras ruas, vai ganhar o coração dos apaixonados pela moda. Não é uma coleção – a bem da verdade nem uma marca – que agrada a gregos e troianos, mas a quem eles se dirigem, bom, quanto a isso não resta dúvida de que eles estão fazendo o trabalho deles “muito bem, obrigada”.

Juliana Jabour

Juliana Jabour às vezes me dá a impressão que a cada temporada tenta descobrir um pouco mais de si e de sua própria marca. Não que outros estilistas não tentem inovar e levar seu trabalho por outros caminhos, mas quando vejo as coleções de Juliana tenho a impressão que ela ainda tá procurando, caçando sua verdadeira identidade. Ou a gente pode simplesmente falar que ela tá amadurecendo um tico mais a cada temporada. Aqui nesse seu verão 2014, ela testa um pouquinho de tudo na passarela. No geral é tudo mais pro minimalista, mas até as formas das peças que começam mais justinhas e depois vão ganhando leveza e distância do corpo fazem parte dessa vontade de tentar. Daí vem acessórios maxi pra compensar, roupas que querem ser discretas, mas tem brilhos mil, uma mistura de coisas. E né, Juliana bem sabe que só tentando e experimentando pra chegar lá.

Osklen

No desfile da Osklen, as pedras preciosas – seus tipos, formas e lapidações – foram responsáveis pela inspiração que regeu as peças dessa coleção. E com Oskar Metsavaht não tem erro, afinal se tem uma marca que tem um DNA muito bem definido, explorando os mais diversos assuntos e ainda assim ficando claramente identificável no meio de tudo isso, essa marca é a Osklen. O caimento perfeito das peças, – mesmo nas proporções mais difíceis de se conseguir esse efeito – os recortes geométricos que deixavam as costas das modelos quase totalmente nus, os materiais tecnológicos e artesanais que às vezes se encontravam numa mesma peça e os bicos que se formavam em muitas das partes de cima da coleção são coisas que pulam logo de cara na nossa frente. Mas daí, olhando um pouquinho mais, a gente vê que vai bem longe disso. O design e conforto que a marca sempre explora, agora junto das referências das pedras preciosas, aparece também nos acessórios. Reparem nas bolsas e em como sua segunda alcinha, ali meio que despretensiosamente colocada, se encaixa certinho nas mãos da modelo. Ou ainda na sua alça maior que quando chega aos ombros fica mais larga. Gente, faz todo o sentido ela ser mais larga distribuindo assim o peso da bolsa e ficando mil vezes mais confortável nos ombros!

Tudo muito impecável, bem a cara de Oskar Metsavaht.

Samuel Cirnansck

Não que eu não seja apaixonada por festas, na verdade é o oposto haha, mas não sou propriamente uma fã incontrolável dos vestidos do Samuel. Acho apenas que não sou bem o tipo de mulher pra quem ele se dirige, essa mulher que ama o exagero, que ama armações, babados, grandezas, tudo misturado. Ou talvez seja apenas chatice minha, afinal as noivas, um dos maiores segmentos a quem ele se destina, não querem, podem e devem ter mesmo todas as atenções voltadas pra si nesse dia? Enfim… Essa coleção de verão 2014 foi inspirada nas flores, desde seu desabrochar até sua morte. E olha, elas aparecem mesmo aos montes! Nos cabelos, em redemoinhos, nas formas que lembravam pétalas de alguns vestidos, nas camadas e babados das peças. Tinha de tudo um pouco.

Acho que foi Gloria Kalil quem disse que as roupas dessa coleção pareciam um mostruário, com todas as opções de Samuel pra vestidos de noite e noiva. Não poderia concordar mais.

ColcciA Colcci sempre foi comercial dentro ou fora das passarelas. Sempre. E essa posição sempre é reafirmada pelo tanto de celebridades que eles colocam em seu desfile, sejam elas do mundo da moda ou não. Só nesse ano teve a top modelo brasileira Izabel Goulart, a angel da Victoria’s Secret Erin Heatherton e o ator americano Paul Walter. E, no mínimo, um baita burburinho eles causam. Já na roupas, Colcci não trouxe nenhuma novidade. Daquele jeitinho que mistura uma moda bem jovem e usável com alguns toques de alfaiataria, principalmente no jeans sua marca registrada, eles trazem uma modelagem bonita e que é a sua cara. Vai agradar o público da marca com certeza.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite