Uma história sobre óculos e maquiagem

Eu já falei disso lá na página do blog, mas sério, fiquei tão feliz de ver uma revista dedicando um espaço de suas páginas pra esse assunto que eu queria mesmo escrever mais sobre isso.

Mas calma! Vamos começar essa história do começo que ninguém deve estar entendendo nada…

No final de semana passado saí com dois amigos queridos, a Ariane e Pedro, pra comprar presentes pras nossas respectivas mães (isso foi no sábado e domingo era dia das mães) e também pra caçar coisas legais pra gente, que ninguém é de ferro haha. No meio de tudo isso, fizemos uma parada estratégica na banca e eis que, no momento em que meu celular tocava – namorado saindo do futebol e querendo se juntar ao nosso passeio, há! – vi a nova Gloss desse mês num dos cantinhos do lugar. Vou confessar que nunca tinha comprado uma Gloss (sim, shame on me), mas é claro que eu já vi a revista diversas vezes, só nunca tinha calhado de parar na banca e arrematar uma pra mim.

Essa edição de maio tá com uma capa deusa com a Julia Petit e, de quebra, ainda tem uma matéria bem bacana sobre blogueiras (onde, inclusive, aparece a dona Juliana Cunha, uma das garotas que eu mais admiro na blogosfera e no jornalismo) Bom, daí pra comprar a revista foi um pulo, né. Saí de lá com minha edição nas mãos, fui pro apartamento dos amigos e, enquanto eles arrumavam umas coisas, sentei no sofá e comecei a leitura.

Look total gracinha da dona Julia Petit

Look total gracinha da dona Julia Petit

E sim, essa edição de maio tá uma lindeza, mas o ponto onde eu queria chegar – ou mais especificamente o texto onde eu queria chegar – atende pelo nome de “Foco no resultado”.

Esse foi o título dado a matéria que foi a razão-mor do meu surto de felicidade com a revista. E o motivo é muito simples: em anos de compras de revistas – especializadas ou não em beleza – foram poucas as vezes que encontrei uma matéria que falasse sobre makes para meninas com óculos. E né, a matéria da Gloss não é giga (vocês tão perdendo tempo, revistas de beleza!) e foi a resposta de uma dúvida de leitora, mas ainda assim foi um achado e tanto no meio desse problema gigante que é a hora de passar maquiagem pra quem usa óculos.

Que fique claro: se você jogar o assunto no google, você até vai achar bastante coisa, mas o problema é que quase sempre as matérias esquecem das meninas que tem um grau de correção alto (e vamos lembrar que não é todo mundo que pode/quer/tem dinheiro pra fazer cirurgia, certo?). e acabam investindo nas mesmas fórmulas de sempre, trazendo um “passo a passo pra x ocasião”. E não que isso seja ruim, ao contrário, quanto mais gente falando do assunto, melhor ainda! Mas o grande problema de quem usa óculos é que nossas dúvidas são muito mais lá na “raiz da maquiagem”, envolvendo coisas como segurar o pincel (lembre que sem os óculos você não enxerga quase nada!), cores que se sobressaem mais, espelhos específicos pra esse tipo de problema e até armações adaptadas (tipo essa, que eu ainda sonho um dia poder usar).

Eu nunca fui uma perita em beleza, mas no ano passado comecei a escrever sobre o assunto devido ao trabalho e aí botei a mão na massa – e nas makes – e fui aprender pra poder escrever direitinho. Sei ainda bem pouco, beeem pouco e leio aqui e acolá pra todo dia ir aprendendo um pouquinho mais. Só que esse lance de makes para garotas com óculos sempre foi algo difícil pra mim, tanto no quesito aprender para escrever, quanto no quesito aprender pra botar em prática. Como uma garota que usa óculos desde os seis anos (pra quem não sabe tenho 23), e que viu ao longo de todo esse tempo seu grau aumentar e aumentar, lidar com maquiagens nunca foi fácil.

Tenho pra mim que demorei tanto tempo pra descobrir esse lado da beleza exatamente por isso. Eu não sabia muito bem como pegar todos aqueles batons e sobras e lápis e bases e fazer aquilo aparecer mesmo com o óculos na frente. Fui perder o medo só com os 20 anos e, ainda hoje, admito ser meio travada pra colocar todas essas coisas em prática.

Um 3x4 de "sem e com óculos"

Um 3×4 de “sem e com óculos”

Pra quem nunca usou óculos na vida ou pra quem usa só pra ler, deve ser difícil imaginar passar quase que 24 horas do dia grudada neles, mas gente… Eu tenho 12 graus (!) É tipo algo MUITO ALTO e até onde meus exames disseram, não conseguirei fazer uma cirurgia tão cedo. Se não fossem as santas lentes de cristal (essas lindas e fininhas) eu provavelmente usaria aqueles óculos de fundo de garrafa. Daí que crescer assim, sem praticamente enxergar nada, não é fácil. E sim, eu até tenho lentes de contato, mas são daquelas rígidas e daí só arrisco usá-las em ocasiões bem especiais, já que além de cansarem muito os olhos elas não se encontram naquela lista de coisas confortáveis pra se usar.

Logo, eu e meu companheiro fiel óculos sempre enfrentamos essa batalha com o espelho: eu tiro ele pra fazer a maquiagem e tenho que grudar no espelho pra conseguir enxergar alguma coisa. Se não tiro, não consigo fazer lápis, delineador, whatever, funcionar do jeito devido. E não para por aí! Mesmo que alguém me maquie – e né, cadê beauty artist 24 horas pra nos acompanhar? – os óculos encobrem muito do que tá ali. Enfim, uma bagunça.

O que eu aprendi nesses últimos anos foi totalmente na base do testa, testa e testa mais um pouquinho. Diego é a prova viva de quantas vezes eu passei delineador em um mesmo dia até conseguir fazer o risco bonitinho haha. E mesmo uma maquiagem “normal” eu vou adaptando pra aparecer no meu rosto do jeito que deveria. É, gente, não é fácil.

Nesse lance de tentativa e erro aprendo todo dia um pouco mais, e vou descobrindo maquiagens que dão super certo pro dia a dia, pra balada, pra jantar com o mon amour, etc. Ainda que pra isso eu tenha que tentar fazê-la várias e várias vezes. A verdade é que pra quem usa óculos nos 365 dias do ano, as opções são quase sempre mais restritas, então, não tem jeito. Tem que se jogar na frente do espelho e testar até achar o que dá mais certo pra você.

Editorial da Vogue Japão de janeiro/2012 dedicado a óculos + make. Dessas coisas que fazem nosso olhar brilhar, sabe? <3

Entre erros e acertos, certeza mesmo é que eu nunca vou desistir de me maquiar, ainda que pra isso eu tenha que escutar o namorado na maior das delicadezas falando ‘tá borrado só um pouquinho aqui’ e quando eu coloco o óculos to parecendo uma palhaça hahaha. Com o tempo, a gente pega o jeito ;}

E né, obrigada a Gloss, essa linda, que fez eu me sentir tão bem e tão feliz em uma única página de revista. Fez meu dia, de verdade.

E ah, se alguém tiver uma experiência com óculos divertida/legal pra contar, compartilha nos comentários que eu quero muito saber!

O que é beleza para você?

Este texto é de 2011 e já foi postado em um antigo blog de moda que eu tinha e nem tá mais no ar, mas como eu o amo muito resolvi trazê-lo pra cá. Espero que vocês gostem!

Sempre me pego pensando no que beleza realmente significa pra mim. O que realmente enxergo em alguma coisa, pessoa ou situação pra dizer que aquilo é belo. Talvez seja sua essência, talvez suas cores, talvez a forma como me atinja e me faça pensar. Beleza pode ter uma série de significados e sentidos pra mim e, se pra mim, apenas uma entre milhões que habitam esse planeta, beleza não é apenas uma coisa, mas inúmeras coisas que se misturam e se confundem, como a gente pode acreditar que exista um padrão de beleza universal? E não, não to falando apenas de beleza física ou intelectual, porque podemos encontrar beleza nos costumes, nas épocas, no modo de caminhar, nas roupas, nas expressões, nas atitudes….

Se tamanha heterogeneidade me faz desprezar esse tão famoso padrão de beleza universal, me pergunto de onde ele surge, pra onde vai, mas o mais importante de tudo: quando e como quebramos essa chamada “beleza correta” vigente? Porque sim, esse chamado padrão também é cíclico, também é um tanto quanto efêmero e sai de cena quando alguém (ou algo) derruba o que é aceito pela maioria. E são essas pessoas que chacoalham nosso mundinho quadrado que me encantam.
Isso tudo porque, em um dia como outro qualquer, de repente alguém resolveu perguntar: “mas porquê isso também não é belo?”

Podemos começar olhando lá atrás, ainda no Renascimento. O corpo começou a ser muito estudado na época, em áreas que iam da antropologia até a pintura, por ser uma das bases do movimento Renascentista. E aí que, numa época em que a desigualdade social era massacrante (não, gente, eu to falando do passado mesmo), a importância da posição social e do satus era tão forte que a ideia que se fazia de beleza física vinha associada a isso. No caso das mulheres, que ficavam muito mais tempo enfurnadas em seus grandes palácios – muito mais do que os homens – comida em excesso era normal. Ter muita comida, poder comer muito era sinônimo de dinheiro, poder, status mesmo e, assim, bonitas eram as mulheres mais roliças, com braços mais fortes e com um corpo que demonstrasse literalmente os excessos da vida no reino.

Através da pintura a gente consegue entender muito bem esse espírito de beleza da época

Venus of Urbino, Tiziano Vecellio

Vênus de Urbino (1538) de Tiziano Vecellio

Essa é uma das imagens mais fortes de mudança nos padrões de beleza físico que já tivemos. Foi uma mudança drástica, influenciada pelos costumes, pela saúde, pela preocupação com o bem-estar não só da cabeça, mas também do corpo. E se hoje tem muita menina com medo dos ponteiros da balança (uma preocupação normal, ok? Não to entrando em questões médicas como anorexia, bulimia, etc), a gente vê nessas imagens uma quebra de valores enorme, profunda.

Mas não parou por aí. Outras mudanças viriam, thankgod,.

E pra começar, ninguém melhor do que ela, dona madeimoselle Chanel, pra tirar um sarro desse tal ”padrão de beleza” reinante.

Até Chanel chegar – fundou sua primeira casa em 1909 – e deixar as francesas atônitas com suas peças minimalistas e que emprestavam muita inspiração do armário masculino, o espartilho, as jóias e um sem fim de exuberância reinavam na França. Portanto, se antes a tal beleza vigente vinha traduzida no físico com a mulheres renascentistas mais roliças, agora vinha no vestuário, com as mulheres cada vez mais “enfeitadas”, presas e limitadas dentro de suas roupas. Mas aí chegou Coco Chanel mostrando que a liberdade também podia – e devia – ser beleza.

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Se a gente der um salto maior ainda, vamos ver lá na década de 80 uma outra quebra de padrão de beleza. Vindo de uma pessoa que, particularmente, eu admiro e acho um estouro de modelo. Kate Moss, quem mais poderia ser?

Na década de 80 as modelos que faziam sucesso, sucesso mesmo, estavam bem longe do tipo físico que a gente vê nas passarelas de agora. Só pra ter uma ideia, os nomes iam de Cindy Crawford até Naomi Campbell, mostrando modelos com um visual mais bombshell, mais curvilíneo mesmo.

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Aí Kate Moss apareceu com seus 15 anos num ensaio histórico para a revista britânica The Face. Em fotos p&b em que aparecia semi-nua, o mundo viu uma garota esquálida, com um Q de androginia e uma beleza mega diferente aparecer. O editorial chamado “O terceiro Verão do Amor” rendeu um falatório imenso na época. Afinal, quem era aquela menina?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Hoje, numa rápida pesquisa sobre sua vida, a palavra antimodelo aparece aos montes, exatamente porque Kate conseguiu se destacar como o belamente estranho naquele mundinho tão “perfeito” das passarelas. Acho uma revolução linda. Acho que talvez nem ela mesma tivesse noção do que a sua aparência, o seu jeito meio menino, meio punk significasse. E óbvio que Kate Moss mudou muito dos seus 15 anos pra cá. Teve altos e baixos, – se envolveu com as drogas, foi julgada, demitida da Chanel, Burberry, H&M e H. Stern e, praticamente, viu sua vida pessoal e profissional ruir diante de seus olhos – mas continua aí, linda e com uma imagem mega forte.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

A mudança que Lara Stone trouxe pode até parecer menor, mas acho que é uma mudança significativa também, em vários pontos. Ela não foi a primeira menina com diastema a ser um estouro no mundo da moda – Brigitte Bardot já dava escola muito antes dela – mas acho que talvez tenha sido a primeira que soube usar como seu ponto forte, um considerado ‘defeito’ de beleza.

Lara Stone

Se a Lara Stone soube aproveitar isso, que já nasceu com ela – e é claro que não foi apenas os dentes da frente separados que a transformaram no que ela é hoje – porque você, cara pálida, também não faz o mesmo contigo? Não to falando apenas de beleza física aqui, mas qualquer tipo de beleza singela e verdadeira que cada um tem de uma maneira diferente.

São essas pequenas belezas diferentes, esses pequenos brilhos que tornam a vida mais rica. De cores, pessoas e atitudes.

Ps: as imagens de mulheres dos anos 1910 e 1920 não são de minha autoria. Eu tinha as imagens salvas aqui nos arquivos do meu antigo blog, mas não consegui achar os créditos :/ Se você for o dono da montagem é só deixar um comentário aqui que eu vou ficar bem feliz de creditá-la pra ti!

Girls!

Eu lembro que bem lá no comecinho de 2012, quando Girls ainda nem havia estreiado na HBO, rolava um grande bafafá de que a série seria um novo “Sex and the City”, ou um SATC mais jovem, com garotas de 20 e poucos anos revivendo muito do espírito de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte. Exatamente por isso, eu achei melhor esperar pra assistir. Por que? Bom, agora vem a parte revelação não me joguem pedras, por favor do post. Eu nunca havia assistido SATC até o final do ano passado porque tinha um mega preconceito com a série. Sim, amigos e amigas, eu era daquelas garotas chatas que apontava o dedo, mesmo sem nunca ter assistido o seriado, e achava tudo fútil, cheio de montação.

Só que a verdade é que a gente cresce e vai vendo que julgar a capa pelo livro ou, no caso, o seriado por um pré-conceito que a gente faz dele é uma das piores besteiras dessa vida. Um dia ainda conto minha história com SATC (ó, já achei até nome pro post haha), mas por enquanto só vou contar que perdi o preconceito e resolvi que tava na hora também de ver Girls. Ainda mais porque depois do início da série, muita gente falou pra eu esquecer essa história de versão mais jovem de “Sex and the City”, já que Girls era um seriado que andava com as próprias pernas. Não era cópia de nada nem de ninguém.

Duas temporadas depois, eu tomei coragem. Baixei todos os episódios e fui ver o que que essas gurias tinham de tão especial – e que renderam dois prêmios no Globo de Ouro 2013, nas categorias de melhor atriz (Lena Dunham) e melhor série.

Cena da 1ª temporada

É difícil explicar o que faz de Girls a série incrível que é. Logo no comecinho da primeira temporada, ainda quando Hannah tenta convencer os pais de que precisa ser sustentada por eles, ela fala que não quer assustá-los, mas que ela talvez seja a voz de sua geração, bem naquele jeito Hannah pedante de ser. E longe de mim querer dizer que a série é isso, mas essa frase dita por Lena Dunham, ainda que não totalmente verdadeira, faz muito sentido quando a gente para pra entender o seriado.

Ele pode até não ser a voz de toda uma geração, mas que Girls é um dos seriados mais verdadeiros dos últimos tempos, ah, isso ele é. Verdadeiro porque ele não tem absolutamente nada demais. As quatro amigas são garotas cheias de qualidades e defeitos, – na maioria das vezes, com muito mais defeitos do que qualidades – sem dinheiro ou emprego certo, ainda descobrindo o que querem da vida, cheia de probleminhas que aos seus olhos são o grande mal do século e com problemas que são de fato um grande mal dessa geração, afinal se os garotas e garotas de vinte e poucos anos tem, na sua maioria, um problema em comum, ele atende pelo nome de “pressão”, ou de “stress”, ou de “vocês precisam crescer rápido”. E Girls fala disso, tendo como personagem principal (pasmem!) uma garota toda normal. Não é aquela garota loser que ninguém quer por perto, nem aquele menina-princesa que todos amam. Hannah não tem nada de especial, só é mais uma garota – bem egoísta, por sinal – que quer virar adulta, mas que ainda não sabe muito bem como chegar lá.

Cena da 1ª temporada

Girls foi criada por Lena Dunham, essa novaiorquina de 26 anos que também é a personagem principal da série. Acho um porre que até hoje, mesmo depois de todo o sucesso, muita gente faça cara de nojinho pra ela por achar que a menina tem “costas quentes” (céus, olha os termos!). Não que isso seja de todo mentira, já que ela e algumas das outras meninas do seriado vieram de famílias que trabalham e são influentes no meio televisivo, mas nem de longe isso apaga ou diminui seus créditos. Pra mim ela é apenas a prova viva daquele ditado: se a vida te der limões, faça uma limonada. Ou seja: ela tinha talento, tinha uma super sinopse nas mãos e teve a chance de mostrar isso ao mundo. E como de boba ela não tem é nada, agarrou a oportunidade.

E é incrível como não bastasse tudo isso, Lena Dunham ainda se mostrou uma atriz hiper talentosa, tanto que não é raro ela se expor de uma tal maneira que nos deixa desconcertados. Na nudez do corpo ou dos sentimentos, dá pra sentir um pouco de vergonha de assistir algumas cenas. Parece que estamos participado de algo muito pessoal, que só diz respeito a ela e a mais ninguém, o que nos torna um pouco intrusos, sabe? É um sentimento muito singular, que poucas séries ou filmes já me fizeram sentir.

Shoshanna e Jessa

Mas o nome desse post e da série nos lembra de algo muito importante: estamos falando de garotas, assim mesmo no plural. E por mais que Lena Dunham seja uma menina excepcional pra sua idade, Girls só é o que é porque tem um quarteto perfeito de meninas à sua frente. A gente pode amar ou odiar determinada personagem, mas acho que todas elas tem características em que nos reconhecemos. A menina descolada, viajada e tão sofrida que é a Jessa (meu eterno amor por você); a sonhadora e ingênua Shoshanna, que aliás, vejam só, é fãzoca assumida de SATC!; a tão centrada, tão adulta… e tão entediada com a vida e boring da Marnie; e, claro, a menina estranha, engraçada e egocêntrica (mesmo sem perceber) que é a Hannah.

Jessa

Jessa

Shoshanna

Shoshanna

Marnie

Marnie

Hannah

Hannah

Pra tentar passar um pouco do espírito da série pra quem ainda não assistiu, – e também pra aumentar meu desespero ao pensar que a terceira temporada tá tão longe de começar – achei que valia a pena postar a cena aqui de baixo. Pra mim, todos os principais elementos de Girls tão nela: a trilha sonora de tombar, a tristeza tão sentida de Jessa, as palhaçadas da Hannah, a amizade entre essas garotas e até aquela invasão de privacidade que o seriado vive jogando na nossa cara.

E pra vocês se apaixonarem ainda mais, aqui tem toda a trilha sonora da primeira temporada e aqui um compilado com as melhores da segunda, com direito a Shoshanna cantando Beautiful Girls! Vale comentar também que foi Girls quem me apresentou pra “I love it” da Icona Pop, ou seja, outro fato pra eu amar muito mesmo esse seriado e suas músicas.

E, por fim, mas nem de longe menos legal, o ensaio que Lena Dunham, Jemima Kirke, Allison Williams e Zosia Mamet (Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna respectivamente), fizeram pra New York Magazine e que teve essa capa lindona com a Leninha.

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

Girls - New York Magazine

No mundo dos livros de Karl Lagerfeld

É um belo sábado de manhã e você sai para visitar as redondezas de um dos mais famosos bairros de Paris, o Saint Germain. Ali perto, no 7.º arrondissement, você topa com uma ruazinha estreita que atende pelo doce nome de Lille.

7L

Ok, eu não to em Paris, chutaria que você também não está e sei que não estamos assistindo a um filme de Woddy Allen, mas afinal uma garota pode sonhar, não pode? E nunca se sabe quando a gente vai ter uma vontade louca de arrumar as malas e mudar um pouco de paisagem. Se for esse o caso, bom, a ruazinha Lille pode realmente te ajudar. É ali que está a 7L, uma famosa livraria de Paris não apenas por seu objetivo-mor de ter bons livros, mas também por ter como dono uma figura bem ilustre: Karl Lagerfeld.

Nunca foi segredo pra ninguém que Karl ama os livros, no conteúdo e na quantidade, vide sua singela biblioteca de mais de 230 mil títulos. E nunca foi segredo pra ninguém também que esse interesse imenso dele pela leitura é apenas uma parte do seu enorme envolvimento com o mundo das artes, seja como diretor criativo da Chanel, escritor, editor-chefe, fotógrafo, ilustrador, curador e suas mil e uma facetas que ele aumenta todo dia um pouquinho mais. E não que eu queira fazer um post sobre como Karl Lagerfeld é incrível, – apesar dele ser mesmo – mas eu não consigo nem expressar em palavras o quanto eu admiro pessoas que 1) amam livros, 2) transitam tão facilmente em diversas áreas e 3) são inspiradoras. Do mesmo jeito que eu quero ter ao meu redor pessoas que eu admiro (acredito que relacionamentos, sejam de que tipo forem, só podem funcionar com respeito e admiração), também só consigo ‘aprovar’ pessoas de longe que eu admire por algum motivo. E com toda a rasgação de seda do mundo que me é permitida, são muitos os motivos que tenho pra admirar Karl.

Karl Lagerfeld

A 7L, essa livraria que ele comanda, funciona também como uma editora, e é meio que um imenso olhar do próprio Karl sobre o mundo contemporâneo, com títulos de diversas áreas. Moda, design, fotografia, gastronomia, jardinagem, arquitetura e assuntos que versam todos pelo mundo das artes, claro que contando com edições muitas vezes difíceis de achar em outras livrarias por aí. Bem daqueles lugares que a gente entra e nem vê o tempo passar.

A discreta fachada do número 7, além dos livros, abriga também uma salinha de eventos,  onde já se realizaram grandes exposições artísticas. Ou seja, o que fica bem claro pra quem entra na 7L é que mais do que uma livraria, aquele espaço reserva uma experiência tátil, visual e claro que olfativa (cheiro de livro = maior amor do universo) muito próximo ao próprio caminho que Karl Lagerfeld percorreu e percorre no mundo das artes. É daí que vem a curadoria de títulos da livraria, daí que vem a disposição aconchegante das obras no lugar (ora em cavaletes, ora em cima das mesas), com a intenção mesmo de que você vá lá e mergulhe não apenas em um universo, mas em vários. A tal versatilidade de Lagerfeld de transitar por diversas áreas.

Livros da 7L

Alguns dos títulos da 7L

Pra quem ficou curioso e queria dar uma olhadinha no lugar, o site da livraria tem aquele recurso de visualização em 360º com zoom. Divirtam-se e inspirem-se :)

O Rio de Janeiro continua lindo!

Em semana de Fashion Rio, muita gente, – seja daqui do Brasil ou lá de fora – para pra assistir os desfiles que acontecem nesses cinco dias, pra saber o que tá rolando de tendência pra próxima estação, pra ver os famosos que passaram pelo Pier Mauá (é, pois é). Mas não é só isso. Quem vem pra cá ou mesmo pra quem já é do país, quem acompanha a cobertura dos portais ou que tá lá, cobrindo, assistindo, comprando na semana de moda carioca, sente uma vibração que não é exclusiva do evento. É uma coisa que transpira em cada foto que você vê, em cada entrevista dada, em cada matéria que você lê. É uma bossa única que atende pelo nome de Rio de Janeiro.

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E olha que essa história começa lá atrás, quando a cidade ainda nem era uma cidade, mas um pedaço de terra disputado por franceses e portugueses. Nossos colonizadores ganharam a disputa e ali começou a história de fato. A cidade, agora já “São Sebastião do Rio de Janeiro” cresceu, virou região preciosa pro comércio portuário e foi uma das pioneiras no desenvolvimento do país, até que virou capital do Brasil, perdendo o posto em 1960 para Brasília.

E o que que essa história História tem a ver com Fashion Rio? Tem tudo a ver, eu diria.

O desenvolvimento e pioneirismo do Rio foram importantíssimos para a efervescência cultural que dominou a cidade nas décadas de 50 e 60 e que, por sua vez, foi responsável por criar o cartão postal em que ela se transformou, pelo lifestyle que só o carioca tem, que só sua moda, sua literatura e sua música possuem.

Samba do Avião – Tom Jobim
(Quando em 1962 Tom Jobim escreveu os versos de Samba do Avião que diziam “Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você”, Tom tomou a liberdade de falar não só por si, mas por milhares de pessoas que tendo ou não passado pelo Rio, sentem esse amor pela cidade.)


Quando o Fashion Rio surgiu em 2002, a escolha da cidade do Rio de Janeiro não foi à toa. A Dupla Assessoria buscou apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) para que o evento fosse realizado ali por um motivo muito específico: o Rio de Janeiro é uma cidade que representa o Brasil lá fora. “O Rio era e é, sem sobra de dúvida, o melhor cartão-postal do Brasil. É uma ferramenta internacional forte e indiscutível para se chamar atenção para a produção de moda no Brasil. O Rio é idealizado no imaginário do mundo inteiro, como a capital do verão, das pessoas que vivem um lifestyle em torno das águas…” – Eloysa Simão para o “História da moda no Brasil”.

Vale lembrar que nesse mesmo ano, a Dupla Assessoria criou o Fashion Bussiness, uma feira de negócios que ocorria em paralelo aos desfile do Fashion Rio e, dois anos depois, foi a vez de aparecer o Rio Moda Hype, evento que revelava novos talentos da moda brasileira (Fernanda Yamamoto deu seus primeiros passinhos aí!).

Ou seja, o Fashion Rio nasceu de uma vontade bem diferente da do SPFW, que tinha mais a ver com organizar a confusão que eram as apresentações da moda brasileiras na época, acontecendo cada uma em um canto, em um período. Nós já tínhamos o exemplo de que uma semana de moda no Brasil conseguia vingar (depois de Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e o próprio SPFW tava mais do que comprovado), mas ainda havia uma necessidade diferente daquela que reinava na capital paulista. Mais do que um evento pra mostrar o talento de tanta gente incrível que tava aí pelo Brasil, o Fashion Rio já nasceu com essa vontade de ter um espaço mais comercial e aproveitar a ‘imagem carioca’ pra vender, literalmente, nossa moda pra fora. Era uma vontade de dizer que nós não apenas fazíamos moda, mas que também podíamos vendê-la e exportá-la. E que tínhamos competência, público e inteligência pra sermos bom com as ideias e também com a mão na massa.

O Fashion Rio pelas lentes do instagram da @glamourbrasil, @girlswstyle, @riotec, @bazaarbr, @modices e @bluemanbrasil

Entre verdades e meias verdades, desde o seu início o Fashion Rio se tornou o “grande rival” do SPFW, gerando uma série de mudanças no calendário dos eventos, muita falação da mídia e muita coisa entalada na gargante de seus organizadores. O fim de todo o auê só veio mesmo em abril de 2009 quando a Dupla Assessoria saiu de cena e a Abit e Firjan fecharam novo contrato com a Inbrands, que por sua vez passou a organização do evento para a Luminosidade. Ou seja, Paulo Borges estava na jogada, baby.

Teve quem amou e quem odiou. Teve gente que disse que o evento tinha perdido seu gingado carioquês, que o Fashion Rio não era mais o mesmo e que tava tudo errado. Teve aqueles que, por outro lado, amaram, que acharam as mudanças (a começar pelo número de desfiles que caiu de 41 pra 29) incríveis, que o evento finalmente tava na rota certa. Enfim, houve de tudo. De certeza mesmo só ficou uma. Mais do que usar a imagem do Rio pra mostrar o evento, as novas mudanças do Fashion Rio só caminhavam pra um lugar: colocar a cidade como “capital da moda praia” e o evento como seu grande cartão de boas-vindas.

Em pleno 2013, no momento em que acontecem os desfiles do Fashion Rio verão/2014, há muito que o evento parece ter encontrado seu rumo. Sob a batuta da Luminosidade acabaram-se as “brigas”, e as duas semanas de moda passaram a somar e a caminharem cada vez mais pra focos bem diferentes.

Que o Fashion Rio cresceu e cresce a cada temporada é indiscutível. Isso se reflete não apenas na sua grande estrutura e seriedade que se comprovam em toda edição, mas também no destaque nacional e internacional que os desfiles, sua moda praia e é, claro, a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro ganham. Até porque, sejamos sinceros, com tanta beleza assim, como não se apaixonar?

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você”

Samba do Avião – Tom Jobim