Links para toda hora #1

Sei que o feriado/final de semana praticamente já acabou, mas como ainda resta esse finzinho de domingo gelado (aqui pelo menos choveu e fez frio o dia todo), ainda dá tempo de ver um monte de link sensa que rolou na última semana.

  •  O GWS subiu um vídeo mega legal feito pelas meninas em parceria com a Glamour. Nele, a Nuta resgata uma tag que já virou marca registrada das meninas em outras edições do Fashion Rio: mostrar um conjunto de fotos, – todas com alguma ligação com moda – para o pessoal que transita por lá. Não importa se é jornalista, fotógrafo, estudante, segurança… A ideia é que todo mundo dê seus pitacos sobre o que aquela imagem representa. O resultado é, no mínimo, engraçadoMudando de assunto...
  • Não é link, mas é uma dica linda e inspiradora. Nesse último mês de maio, a Vanity Fair US recoloriu uma foto da musa Audrey Hepburn para estampar sua capa. E não é só isso: a revista tá recheada com imagens icônicas da atriz, – retiradas do livro “Audrey in Rome” – um texto que reconta um pouco da sua história e uma entrevista com seu filho, Luca Dotti. Vou confessar que eu chorei enquanto lia a entrevista e, uma frase em particular, fez meu coração ficar todo quentinho.

    “When asked in what way his mother remains most physically present in his life, Luca says, “Through scent.” (…) So there are certain scents, you know, a certain cake, or a flower, things like that. It’s not so physical, but it’s powerful. And every spring, especially here in Rome, you have this smell of orange blossom in the air. Spring is coming and it was her favorite season. It makes me think of her.”

    Em tradução livre: “Quando perguntado de que maneira sua mãe permanece mais fisicamente presente em sua vida, Luca diz: “Através do perfume.” (…) É que há determinados aromas, você sabe, um certo bolo, ou uma flor, coisas desse tipo. Não é tão físico, mas é poderoso. E, a cada primavera, especialmente aqui em Roma, você tem esse cheiro de flor de laranjeira no ar. A primavera está chegando e era a estação favorita dela. Isso me faz pensar nela.

    audrey
    Mudando de assunto...

O link de indicação agora vai para blog “Think Olga“. Ué, mas pra ele todo? Sim, pra ele todo haha. Eu descobri esse blog nem faz muito tempo, mas em pouco mais de um texto eu já tava admirada. Juliana de Faria, a jornalista que faz os textos que recheiam o “Think Olga” traz à tona um tema muito importante de ser discutido: a feminilidade nos dias de hoje. Vale ler cada texto e descobrir em cada cantinho uma nova inspiração, uma nova luta, uma nova felicidade em ser mulher.

Think Olga

Ilustração de http://www.lucy-e.com/

Mudando de assunto...

A querida Isabelly Lima tá fazendo um sorteio novo lá no “Refletindo Moda”. Apaixonada por livros que é, o prêmio escolhido é o “Madame Charme – Como viver à française”, livro da Jennifer L. Scott. É facinho de participar!Mudando de assunto...

  • Essa entrevista da T Magazine do New York Times é longa, mas vale muito a pena ler! Miuccia Prada é uma mulher surpreendente não só na moda, mas em todos os outros campos – da política a economia – onde ela decide intervir. Mudando de assunto...
  • O último link do dia é para o canal da Tatiana Feltrim, o Tiny Little Things. Acontece que como eu ando muito viciada em vlogs de resenhas – o da Melina do A series of serendipity, o da Pamela do Garota It, etc e etc – eu fiquei zapeando pelo youtube e acabei descobrindo a Tati. Descobrir é ótimo, né? A mulher tem mais de 30 mil seguidores haha. O que posso dizer é que a Tatiana é uma professora de inglês que devora livros, faz vídeos que vão muito além de resenhas – tem dicas pra aprimorar seu inglês, discussão sobre quem tem cacife pra falar sobre literatura – e tem uma desenvoltura e propriedade pra falar enormes. E o que eu mais gosto é que ela não se prende apenas a leituras contemporâneas, mas sempre resgata clássicos e livros que tão lá no nosso imaginário como difíceis de ler. Sério, vale muito o clique!

 

Então, é isso. Agora vou lá terminar de arrumar minha mala que logo mais pego estrada. Boa leitura pra vocês. Bisous ;}

Dicionário de sapatos – parte 3

A primeira parte deste post foi publicada aqui e a segunda aqui :}Dicionário de Sapatos

Cone heel: o nome dele, por si só, já dá uma boa pista do que vem por aí. Os cone heels nada mais são do aqueles sapatos que tem o salto em formato de cone, com a base mais larga em cima e a mais estreita embaixo. Agora, se o salto é padronizado, já não podemos dizer o mesmo das partes de cima, que podem vir em formato de oxford, scarpin, botas de cano médio, sandálias gladiadoras… Tá tudo liberado (ops!).

D’orsay: tradicionais e extremamente ladylike, eles são fechados na frente e no calcanhar, com uma abertura (mais ou menos larga, dependendo do modelo), entre esses dois extremos.

Ankle strap: as tiras são sua marca registrada, mas podem ser reguláveis ou não, caindo bem em diversos modelos. Mas, pelo bem dos nossos tornozelos, vamos lembrar que nossos pés devem estar muito bem presos não só nas tiras, mas também em todo o sapato. Já vi gente usando ankle strap e colocando todo o peso do corpo na tira enquanto o pé dançava no solado da sandália! Santa maria protetora das quedas tem que trabalhar muito nessas situação, gente, então vamos evitar o desgaste.

T-Strap: o t ali do começo da palavra tem um significado muito importante porque é exatamente o formato que a tira desse sapato faz. Como? Desse jeitinho aqui, com uma tira que dá a volta em todo o tornozelo e outra tira que sai do meio dessa e atravessa toda o pé até a parte da frente do sapato. Elas dão uma super segurança para o andar e, de quebra, ainda são mega sexys.

Open toe: são super controversos e, pra falar bem a verdade, eu sempre fico na dúvida quando um sapato é open toe ou peep toe. Dizem que a real diferença tá na parte da frente do calçado, já que os open toes deixam todos os dedos do pé à mostra, enquanto os peep toes são mais contidos e mostram apenas um pedacinho. Meio confuso, né?

Wedge: vamos dizer que a wedge é uma prima moderninha da anabela, tá? Ela aprendeu tudo com a prima mais velha, mas deixou de lado aquele jeitão de anos 90 e aqueles saltos de cortiça. Agora, as novas anabelas wedges tem couro, tachas, saltos poderosos e são de tombar qualquer um. No inverno são uma das opções mais incríveis pra esquentar os pezinhos – e sair daquela monotonia chamada botas.

Chunky heel: eles têm um lugar só deles no meu coração por um motivo muto importante… Esses saltos maravilhosos e grossos que dão toda uma firmeza pra andar e trazem um sexy appeal que eu amo. Apesar do salto ser sempre bem grosso, com uma base maior em cima e uma menor embaixo, há inúmeras variações na sua altura. Já no calçado propriamente dito, existem diversos modelos, mas eu gosto dos mais fechado ou dos abertos só com tiras grossas. Sempre tenho a impressão que partes de cima muito finas não ornam (haha ornar é uma palavrinha engraçada) muito legal com o peso e poder desse salto.

Jelly: um beijo, Melissa! Vai falar que quando a gente fala de Jellys, as Melissas não são os primeiros sapatos que vem à nossa cabeça? Mas vamos ser justos e lembrar que as jellys, na verdade, tem uma infinidade de marcas e modelos, com a característica-mor de serem feitas de plástico. Elas apareceram pela primeira vez lá na década de 80, mas ficaram cada vez mais moderninhas e, hoje, tendo como exemplo a própria Melissa, conseguiram sair daquele estigma de “sapato popular”.

Continua…

O girl power de Jessie J.

É fato: quando uma cantora me conquista, ela me conquista em maiúscula, sem meios termos.

Com Jessie J foi assim. Eu não conhecia muito do trabalho dela, – e quase nada do seu jeito – mas depois que comecei a assistir o The Voice UK, onde ela é mentora ao lado de Will.i.am, Tom Jones e Dany O’Donoghue, eu posso dizer que sou team Jessie pra sempre.

O girl power de Jessie J.

A carreira da Jessie J. é bem única. Pra começar que antes de ser essa cantora de sucesso que é, J. J. era compositora e escreveu várias músicas que outros artistas gravaram e viraram tops hits nas paradas da Inglaterra e do mundo todo. Pra vocês entenderem bem do que eu to falando, vamos voltar lá pra 2010 e para aquela música gruda-na-cabeça-e-nunca-mais-sai “Party in the USA” da Miley Cyrus. Pois bem, ela foi escrita por nossa Jessie em parceria com Dr. Luke. Tá bom pra vocês? E não foi só isso, ainda teve Justin Timberlake, Chris Brown, Christina Aguilera e mais um monte de artistas sensa que gravaram composições dela.

Quando ela finalmente assinou um contrato com uma gravadora, todo mundo descobriu que mais do que compor, Jessie tinha um vozeirão de tombar qualquer um. E sério, é um vozeirão mesmo.

O girl power de Jessie J.

A Jessie J passa uma imagem tão forte, tão de mulherão que às vezes até assusta as pessoas. Um dos episódios da segunda temporada do The Voice que eu mais apeguei, ainda nas Blind Auditions, foi quando a Jessie virou a cadeira dela pra um monte de cantoras e nenhuma, absolutamente nenhuma foi pro seu time! Ela ficou tão chateada que disse em alto e bom som “não entendo porquê as mulheres tem medo de mim”. E olha, eu comecei a reparar e é verdade. Não sei explicar o que acontece, mas a Jessie é tão forte, é tão segura de si (não é pra qualquer uma segurar esses looks, essa atitude, esse girl power) que parece que rola um certo receio. Não dá pra explicar se é medo de ser ofuscada, de não conseguir acompanhar o ritmo louco dela ou sei lá eu o quê, mas algo me diz que esse tipo de atitude a Jessie tem de enfrentar muito, não só em um programa de TV.

Smile!

E quanto mais eu conheço dessa garota, mais eu me apaixono. E não é só por Domino, Who’s laughing now? ou Price Tag, mas também porque Jessie é daquelas cantoras que vem com pacote completo. Os figurinos usados nos seus shows e mesmo as roupas  assim, na sua vida real, quando tá longe dos holofotes, são os mais coloridos, extravagantes e over possíveis. Pense em brilhos, bocas com glitter, perucas de todas os tons  de uma caixinha de lápis de cor e muitas fendas. Acrescente roupas justas (mas não vulgares!), litas estampadas nos pés, acessórios imensos e um jeito sexy-poderoso único. O espírito da Jessie vai bem por esse caminho.

Uma das coisas mais legais que ela já fez desde que começou a fazer sucesso, foi participar de uma ação da “Comic Relief”, entidade que luta contra a fome em países africanos. Se as doações para a entidade chegassem até os U$S 115 milhões, ela rasparia todo seu cabelo ao vivo, no palco do programa que tem o nome da instituição e que é transmitido pela BBC britânica. Dito e feito. Jessie perdeu os cabelos, mas não a beleza, nem a solidariedade e o carisma.

instagram.com/isthatjessiej‎

instagram.com/isthatjessiej‎

Jessie J. nasceu em Essex na Inglaterra, tem 25 anos, não bebe, não fuma, já teve um AVC aos 18 anos de idade (ela tem um fraco batimento cardíaco desde os 11), já foi backing vocal de Cyndi Lauper, é bissexual assumida, tem apenas um álbum lançado (de cabeça agora, contei 7 músicas do CD que ganharam clipe) e cantou no encerramento das Olimpíadas de Londres em 2012, coisa que né, tá longe de ser pra qualquer um. No dia 15 de setembro, já foi confirmada sua participação no Rock in Rio 2013. Sorte dos cariocas…

Mummy they call me names – Mamãe, eles me deram apelidos
They wouldn’t let me play – Eles não me deixavam jogar
I run home – Eu corro pra casa
Sit and cry almost everyday – Sento e choro quase todos os dias
Hey Jessica you look like an alien – Hey, Jessica, você parece um alien
With green skin – Com a pele verde
You look fit in this play then – Você não se encaixa nesse planeta
Oh they pull my hair – Oh, eles puxam o meu cabelo
They took away my chair – Eles arrastam a minha cadeira
I kept it in and pretend that I didn’t care – Eu guardei para mim e fingi que não me importava
But who’s laughing now? – Mas quem está rindo agora?
Who’s laughing now? – Quem está rindo agora?”
(Letra de Who’s laughing now? de Jessie J.)

Uma história sobre óculos e maquiagem

Eu já falei disso lá na página do blog, mas sério, fiquei tão feliz de ver uma revista dedicando um espaço de suas páginas pra esse assunto que eu queria mesmo escrever mais sobre isso.

Mas calma! Vamos começar essa história do começo que ninguém deve estar entendendo nada…

No final de semana passado saí com dois amigos queridos, a Ariane e Pedro, pra comprar presentes pras nossas respectivas mães (isso foi no sábado e domingo era dia das mães) e também pra caçar coisas legais pra gente, que ninguém é de ferro haha. No meio de tudo isso, fizemos uma parada estratégica na banca e eis que, no momento em que meu celular tocava – namorado saindo do futebol e querendo se juntar ao nosso passeio, há! – vi a nova Gloss desse mês num dos cantinhos do lugar. Vou confessar que nunca tinha comprado uma Gloss (sim, shame on me), mas é claro que eu já vi a revista diversas vezes, só nunca tinha calhado de parar na banca e arrematar uma pra mim.

Essa edição de maio tá com uma capa deusa com a Julia Petit e, de quebra, ainda tem uma matéria bem bacana sobre blogueiras (onde, inclusive, aparece a dona Juliana Cunha, uma das garotas que eu mais admiro na blogosfera e no jornalismo) Bom, daí pra comprar a revista foi um pulo, né. Saí de lá com minha edição nas mãos, fui pro apartamento dos amigos e, enquanto eles arrumavam umas coisas, sentei no sofá e comecei a leitura.

Look total gracinha da dona Julia Petit

Look total gracinha da dona Julia Petit

E sim, essa edição de maio tá uma lindeza, mas o ponto onde eu queria chegar – ou mais especificamente o texto onde eu queria chegar – atende pelo nome de “Foco no resultado”.

Esse foi o título dado a matéria que foi a razão-mor do meu surto de felicidade com a revista. E o motivo é muito simples: em anos de compras de revistas – especializadas ou não em beleza – foram poucas as vezes que encontrei uma matéria que falasse sobre makes para meninas com óculos. E né, a matéria da Gloss não é giga (vocês tão perdendo tempo, revistas de beleza!) e foi a resposta de uma dúvida de leitora, mas ainda assim foi um achado e tanto no meio desse problema gigante que é a hora de passar maquiagem pra quem usa óculos.

Que fique claro: se você jogar o assunto no google, você até vai achar bastante coisa, mas o problema é que quase sempre as matérias esquecem das meninas que tem um grau de correção alto (e vamos lembrar que não é todo mundo que pode/quer/tem dinheiro pra fazer cirurgia, certo?). e acabam investindo nas mesmas fórmulas de sempre, trazendo um “passo a passo pra x ocasião”. E não que isso seja ruim, ao contrário, quanto mais gente falando do assunto, melhor ainda! Mas o grande problema de quem usa óculos é que nossas dúvidas são muito mais lá na “raiz da maquiagem”, envolvendo coisas como segurar o pincel (lembre que sem os óculos você não enxerga quase nada!), cores que se sobressaem mais, espelhos específicos pra esse tipo de problema e até armações adaptadas (tipo essa, que eu ainda sonho um dia poder usar).

Eu nunca fui uma perita em beleza, mas no ano passado comecei a escrever sobre o assunto devido ao trabalho e aí botei a mão na massa – e nas makes – e fui aprender pra poder escrever direitinho. Sei ainda bem pouco, beeem pouco e leio aqui e acolá pra todo dia ir aprendendo um pouquinho mais. Só que esse lance de makes para garotas com óculos sempre foi algo difícil pra mim, tanto no quesito aprender para escrever, quanto no quesito aprender pra botar em prática. Como uma garota que usa óculos desde os seis anos (pra quem não sabe tenho 23), e que viu ao longo de todo esse tempo seu grau aumentar e aumentar, lidar com maquiagens nunca foi fácil.

Tenho pra mim que demorei tanto tempo pra descobrir esse lado da beleza exatamente por isso. Eu não sabia muito bem como pegar todos aqueles batons e sobras e lápis e bases e fazer aquilo aparecer mesmo com o óculos na frente. Fui perder o medo só com os 20 anos e, ainda hoje, admito ser meio travada pra colocar todas essas coisas em prática.

Um 3x4 de "sem e com óculos"

Um 3×4 de “sem e com óculos”

Pra quem nunca usou óculos na vida ou pra quem usa só pra ler, deve ser difícil imaginar passar quase que 24 horas do dia grudada neles, mas gente… Eu tenho 12 graus (!) É tipo algo MUITO ALTO e até onde meus exames disseram, não conseguirei fazer uma cirurgia tão cedo. Se não fossem as santas lentes de cristal (essas lindas e fininhas) eu provavelmente usaria aqueles óculos de fundo de garrafa. Daí que crescer assim, sem praticamente enxergar nada, não é fácil. E sim, eu até tenho lentes de contato, mas são daquelas rígidas e daí só arrisco usá-las em ocasiões bem especiais, já que além de cansarem muito os olhos elas não se encontram naquela lista de coisas confortáveis pra se usar.

Logo, eu e meu companheiro fiel óculos sempre enfrentamos essa batalha com o espelho: eu tiro ele pra fazer a maquiagem e tenho que grudar no espelho pra conseguir enxergar alguma coisa. Se não tiro, não consigo fazer lápis, delineador, whatever, funcionar do jeito devido. E não para por aí! Mesmo que alguém me maquie – e né, cadê beauty artist 24 horas pra nos acompanhar? – os óculos encobrem muito do que tá ali. Enfim, uma bagunça.

O que eu aprendi nesses últimos anos foi totalmente na base do testa, testa e testa mais um pouquinho. Diego é a prova viva de quantas vezes eu passei delineador em um mesmo dia até conseguir fazer o risco bonitinho haha. E mesmo uma maquiagem “normal” eu vou adaptando pra aparecer no meu rosto do jeito que deveria. É, gente, não é fácil.

Nesse lance de tentativa e erro aprendo todo dia um pouco mais, e vou descobrindo maquiagens que dão super certo pro dia a dia, pra balada, pra jantar com o mon amour, etc. Ainda que pra isso eu tenha que tentar fazê-la várias e várias vezes. A verdade é que pra quem usa óculos nos 365 dias do ano, as opções são quase sempre mais restritas, então, não tem jeito. Tem que se jogar na frente do espelho e testar até achar o que dá mais certo pra você.

Editorial da Vogue Japão de janeiro/2012 dedicado a óculos + make. Dessas coisas que fazem nosso olhar brilhar, sabe? <3

Entre erros e acertos, certeza mesmo é que eu nunca vou desistir de me maquiar, ainda que pra isso eu tenha que escutar o namorado na maior das delicadezas falando ‘tá borrado só um pouquinho aqui’ e quando eu coloco o óculos to parecendo uma palhaça hahaha. Com o tempo, a gente pega o jeito ;}

E né, obrigada a Gloss, essa linda, que fez eu me sentir tão bem e tão feliz em uma única página de revista. Fez meu dia, de verdade.

E ah, se alguém tiver uma experiência com óculos divertida/legal pra contar, compartilha nos comentários que eu quero muito saber!

O que é beleza para você?

Este texto é de 2011 e já foi postado em um antigo blog de moda que eu tinha e nem tá mais no ar, mas como eu o amo muito resolvi trazê-lo pra cá. Espero que vocês gostem!

Sempre me pego pensando no que beleza realmente significa pra mim. O que realmente enxergo em alguma coisa, pessoa ou situação pra dizer que aquilo é belo. Talvez seja sua essência, talvez suas cores, talvez a forma como me atinja e me faça pensar. Beleza pode ter uma série de significados e sentidos pra mim e, se pra mim, apenas uma entre milhões que habitam esse planeta, beleza não é apenas uma coisa, mas inúmeras coisas que se misturam e se confundem, como a gente pode acreditar que exista um padrão de beleza universal? E não, não to falando apenas de beleza física ou intelectual, porque podemos encontrar beleza nos costumes, nas épocas, no modo de caminhar, nas roupas, nas expressões, nas atitudes….

Se tamanha heterogeneidade me faz desprezar esse tão famoso padrão de beleza universal, me pergunto de onde ele surge, pra onde vai, mas o mais importante de tudo: quando e como quebramos essa chamada “beleza correta” vigente? Porque sim, esse chamado padrão também é cíclico, também é um tanto quanto efêmero e sai de cena quando alguém (ou algo) derruba o que é aceito pela maioria. E são essas pessoas que chacoalham nosso mundinho quadrado que me encantam.
Isso tudo porque, em um dia como outro qualquer, de repente alguém resolveu perguntar: “mas porquê isso também não é belo?”

Podemos começar olhando lá atrás, ainda no Renascimento. O corpo começou a ser muito estudado na época, em áreas que iam da antropologia até a pintura, por ser uma das bases do movimento Renascentista. E aí que, numa época em que a desigualdade social era massacrante (não, gente, eu to falando do passado mesmo), a importância da posição social e do satus era tão forte que a ideia que se fazia de beleza física vinha associada a isso. No caso das mulheres, que ficavam muito mais tempo enfurnadas em seus grandes palácios – muito mais do que os homens – comida em excesso era normal. Ter muita comida, poder comer muito era sinônimo de dinheiro, poder, status mesmo e, assim, bonitas eram as mulheres mais roliças, com braços mais fortes e com um corpo que demonstrasse literalmente os excessos da vida no reino.

Através da pintura a gente consegue entender muito bem esse espírito de beleza da época

Venus of Urbino, Tiziano Vecellio

Vênus de Urbino (1538) de Tiziano Vecellio

Essa é uma das imagens mais fortes de mudança nos padrões de beleza físico que já tivemos. Foi uma mudança drástica, influenciada pelos costumes, pela saúde, pela preocupação com o bem-estar não só da cabeça, mas também do corpo. E se hoje tem muita menina com medo dos ponteiros da balança (uma preocupação normal, ok? Não to entrando em questões médicas como anorexia, bulimia, etc), a gente vê nessas imagens uma quebra de valores enorme, profunda.

Mas não parou por aí. Outras mudanças viriam, thankgod,.

E pra começar, ninguém melhor do que ela, dona madeimoselle Chanel, pra tirar um sarro desse tal ”padrão de beleza” reinante.

Até Chanel chegar – fundou sua primeira casa em 1909 – e deixar as francesas atônitas com suas peças minimalistas e que emprestavam muita inspiração do armário masculino, o espartilho, as jóias e um sem fim de exuberância reinavam na França. Portanto, se antes a tal beleza vigente vinha traduzida no físico com a mulheres renascentistas mais roliças, agora vinha no vestuário, com as mulheres cada vez mais “enfeitadas”, presas e limitadas dentro de suas roupas. Mas aí chegou Coco Chanel mostrando que a liberdade também podia – e devia – ser beleza.

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Se a gente der um salto maior ainda, vamos ver lá na década de 80 uma outra quebra de padrão de beleza. Vindo de uma pessoa que, particularmente, eu admiro e acho um estouro de modelo. Kate Moss, quem mais poderia ser?

Na década de 80 as modelos que faziam sucesso, sucesso mesmo, estavam bem longe do tipo físico que a gente vê nas passarelas de agora. Só pra ter uma ideia, os nomes iam de Cindy Crawford até Naomi Campbell, mostrando modelos com um visual mais bombshell, mais curvilíneo mesmo.

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Aí Kate Moss apareceu com seus 15 anos num ensaio histórico para a revista britânica The Face. Em fotos p&b em que aparecia semi-nua, o mundo viu uma garota esquálida, com um Q de androginia e uma beleza mega diferente aparecer. O editorial chamado “O terceiro Verão do Amor” rendeu um falatório imenso na época. Afinal, quem era aquela menina?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Hoje, numa rápida pesquisa sobre sua vida, a palavra antimodelo aparece aos montes, exatamente porque Kate conseguiu se destacar como o belamente estranho naquele mundinho tão “perfeito” das passarelas. Acho uma revolução linda. Acho que talvez nem ela mesma tivesse noção do que a sua aparência, o seu jeito meio menino, meio punk significasse. E óbvio que Kate Moss mudou muito dos seus 15 anos pra cá. Teve altos e baixos, – se envolveu com as drogas, foi julgada, demitida da Chanel, Burberry, H&M e H. Stern e, praticamente, viu sua vida pessoal e profissional ruir diante de seus olhos – mas continua aí, linda e com uma imagem mega forte.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

A mudança que Lara Stone trouxe pode até parecer menor, mas acho que é uma mudança significativa também, em vários pontos. Ela não foi a primeira menina com diastema a ser um estouro no mundo da moda – Brigitte Bardot já dava escola muito antes dela – mas acho que talvez tenha sido a primeira que soube usar como seu ponto forte, um considerado ‘defeito’ de beleza.

Lara Stone

Se a Lara Stone soube aproveitar isso, que já nasceu com ela – e é claro que não foi apenas os dentes da frente separados que a transformaram no que ela é hoje – porque você, cara pálida, também não faz o mesmo contigo? Não to falando apenas de beleza física aqui, mas qualquer tipo de beleza singela e verdadeira que cada um tem de uma maneira diferente.

São essas pequenas belezas diferentes, esses pequenos brilhos que tornam a vida mais rica. De cores, pessoas e atitudes.

Ps: as imagens de mulheres dos anos 1910 e 1920 não são de minha autoria. Eu tinha as imagens salvas aqui nos arquivos do meu antigo blog, mas não consegui achar os créditos :/ Se você for o dono da montagem é só deixar um comentário aqui que eu vou ficar bem feliz de creditá-la pra ti!