São Paulo Fashion Week N45: o que rolou no terceiro dia do evento

Para ver o que rolou no primeiro e segundo dia é só clicar nos links.

Reinaldo Lourenço

Reinaldo Lourenço

Sempre fazendo escolhas certeiras nas locações dos seus desfiles, a apresentação de Reinaldo Lourenço que abriu o terceiro dia de SPFW não fugiu à regra. Para ambientar ainda mais o tema da coleção inspirada no cinema e que marcou o retorno do estilista ao evento (fazia duas temporadas que Reinaldo não se apresentava), o designer apostou em um prédio bastante cinematográfico na região da Paulista.

Ali, uma série de looks foram desfilados pegando onda nos filmes “De olhos bem fechados”, de Stanley Kubrick e “Morte em Veneza” de Luchino Visconti, além de um toque de inspiração vindo da estética do cantor Sid Vicious, baixista do Sex Pistols.

Toda essa mistura resultou em uma coleção bastante elogiada pela crítica, que foi de conjuntinhos ora xadrezes ora com babados descontruídos, até vestidos com transparências estratégicas. Esses últimos, aliás, eram extremamente fluidos, e pareciam saídos de um sonho que, ainda que fosse sensual, eram sofisticado na medida para agradar em cheio ao público do designer.

Modem

Modem

Estreante no SPFW N45, a Modem, marca comanda pela dupla André Boffano e Sam Mendes, nasceu há cerca de três anos no mercado fashion, e mesmo com tão pouco tempo de estrada, conseguiu conquistar um público fiel e chamar atenção da crítica especializada. Feito esse bastante admirável, vale dizer, tendo em vista tantas grifes incríveis que levam anos para consolidar seu nome na cena nacional.

Em seu primeiro desfile na semana de moda de São Paulo, a marca manteve as características de alfaiataria e arquitetura que apresenta desde sua primeira apresentação, mantendo como objetivo fazer roupas que não sigam tendências e passem a fazer parte da vida de suas clientes de modo atemporal. Com uma cartela de cores mais ampla do que o normal, a Modem trouxe inspirações (e não um tema, como eles mesmo gostam de frisar) no Memphis Group e no artista austríaco Ettore Sottssas, apostando bastante no couro, cortes retos, terninhos e camisas de seda.

As fendas e franjas das saias de couro, os babados assimétricos dos vestidos e as peças de tricô com bordados manuais deram um toque original a apresentação da marca que, assim esperamos, promete ter uma vida longa e belíssima no SPFW.

Fernanda Yamamoto

Fernanda Yamamoto

Inspirada por um tema extremamente interessante e humano, a designer Fernanda Yamamoto foi buscar referências para sua coleção na comunidade japonesa agrícola Yuba, que fica no interior de São Paulo, nos arredores da cidade de Mirandópolis. Lá, centenas de imigrantes vivem em um sistema extremamente sustentável, que não utiliza moeda e que se baseia na cultura agrícola e no universo artístico. Na prática, isso quer dizer que além de plantarem seus próprios alimentos e construírem suas próprias casas, a comunidade se dedica na mesma medida às artes, seja através da música, do teatro ou da dança.

Esse universo de harmonia entre o manual e o artístico foi levada para as peças da estilista através da escolha dos tecidos (extremamente leves), dos tingimentos (feitos todos manualmente utilizando cúrcuma, semente de avocado, feijão preto e outras matérias-primas), dos plissados e amarrações (que remetiam a cultura japonesa) e da própria escolha do casting, que contou com sete mulheres vindas diretamente da comunidade para desfilarem.

Uma apresentação conceitual sem dúvida alguma leve, inspiradora e na mais perfeita harmonia.

TOP 5

Borana

Borana

Kalline

Kalline

Karine Fouvry

Karine Fouvry

LED

LED

Vankoke

Vankoke

Dando sequência ao line-up do terceiro dia de apresentações, foi a vez do projeto TOP5 mostrar um pouco do seu trabalho para o público do Ibirapuera. Parceria entre o Instituto Nacional de Moda e Design (IN-MOD) e do SEBRAE Nacional, o TOP5 é uma plataforma que visa orientar e dar visibilidade a pequenos negócios da indústria de moda durante um período de 12 meses. Nesse tempo, as marcas escolhidas para compor o projeto são ajudadas por especialistas da área fashion, com conselhos sobre gestão empresarial e consultoria em desenvolvimento de produto. E, no final do período, fazem uma apresentação no SPFW mostrando tudo que aprenderam e levaram para sua nova coleção.

Nessa edição, a plataforma contou com as marcas Borana, do Espírito Santo, Kalline, de Santa Catarina, Karine Fouvry, do Rio de Janeiro, LED, de Minas Gerais e Vankoke, do Rio Grande do Norte. Elas já haviam se apresentado na edição passada do evento, – antes de passarem pela ajuda da plataforma – e agora voltaram para a semana de moda para mostrarem os resultados dessa iniciativa.

A grife Borana, focada em moda praia, veio bastante leve e colorida, com estampas tropicas feitas todas em aquarela e usando materiais bastante brasileiros, como o macramê e a palha. Já a Kalline, que existe há mais de 25 anos no mercado e é expert em peças de couro, abraçou a ideia de se reinventar, aperfeiçoando algumas técnicas no uso desse tecido e apostando em um design diferenciado do que estava habituada. A LED, por sua vez, marca no gender com uma pegada extremamente cool e moderna, focou bastante no conceito, e trouxe para a passarela uma discussão sobre a perseguição contra as minorias tão presente ainda em nossa sociedade.

Para fechar o TOP5 com chave de ouro, a Karine Fouvry reforçou ainda mais sua assinatura de fazer roupas para mulheres fortes e poderosas, apostando em peças fluidas e longilíneas (e se abrindo para parcerias com novos artistas), e a Vankoke fez um trabalho extremamente delicado e manual de pinturas, inspirado na arte da botânica inglesa Margaret Mee.

Fabiana Milazzo

Fabiana Milazzo

A valorização do trabalho handmade, a preocupação ambiental e a tomada de consciência do que estamos comprando foram temas que, ainda que em segundo plano, pautaram a última apresentação da designer Fabiana Milazzo.

Com uma coleção que teve sua principal fonte de inspiração em uma viagem que a estilista fez ao Peru, os looks mostrados na passarela apostaram em tecidos sustentáveis (inclusive em alguns extremamente brilhantes, que lembravam uma textura líquida), nas lantejoulas reversíveis (tão em voga nos últimos tempos) e em um trabalho primoroso de bordado, feito tanto em vestidos longilíneos, quanto em camisas e saias.

Parte desse trabalho lindíssimo foi feito pela “Mulheres de Renda”, ONG fundada pela própria Fabiana em Minas Gerais que visa ensinar a técnica do bordado a mulheres desempregadas da região. Além de disponibilizarem alimentos e atividades para seus filhos, de forma que elas possam se dedicar inteiramente às aulas, o projeto tem como objetivo capacitar as alunas a viverem do bordado, transformando-o de fato em uma profissão para cada uma.

Aquele tipo de iniciativa bonita e rara de se ver no mundo da moda, onde a consciência e responsabilidade social nem sempre são levadas a sério.

Memo

Memo

Além de partir de uma premissa bem pé no chão de que uma coleção de activewear deve mostrar ao público como essas roupas irão se comportar no dia a dia, quando delas se é exigido conforto e flexibilidade, a Memo ainda deu um toque de alegria ao seu desfile, mostrando que sabe bem como se conectar com seus consumidores.

Isso tudo porque a marca decidiu mostrar seu verão 2019, feito em colaboração com a grife Isolda, através de uma batalha de dança, onde bailarinas dançando voguing (estilo bem famoso nos anos 80) mostravam a beleza das peças e da sua diversidade de biotipos. Com corpos, estilos e gingados completamente diferentes, a escolha das dançarinas mostrou a preocupação da marca de se conectar com um público muito diverso e, tão importante quanto, fazer uma coleção real, onde as peças desfiladas realmente fossem vendidas nas lojas depois.

Nas peças os tons neons e as estampas florais prevaleceram, assim como os jaquetões que lembravam quase capas devido ao seu comprimento e davam ainda mais bossa aos conjuntinhos esportivos.

Amir Slama

Amir Slama

Fechando os trabalhos do terceiro dia de desfiles, Almir Slama levou sua moda praia chique mais uma vez para as passarelas do SPFW. Provando que mesmo tendo alguns elementos esportivos incorporados à sua marca (Amir chegou, inclusive, a apresentar uma minicoleção fitness antes da sua apresentação oficial), o estilista mantém seu DNA ao fazer peças que vão da praia até a cidade com a mesma elegância.

Inspirado pelo Palácio Imperial de Petrópolis, o designer levou as cores, estampas e as formas da arquitetura dessa construção para as peças da coleção, que incorporaram ainda muito dos babados transversais que vimos em roupas dessa temporada, e os vestidos fluidos com partes de cima estilo body e partes debaixo esvoaçantes. Vale um destaque ainda para o conjunto de top e calça de tecido envernizado, e as peças bordadas com um quê de lingerie, muito belas e bem impactantes na passarela.

Beijos e até mais

Fotos: Zé Takahashi/Ag. FOTOSITE para o FFW

Fotos TOP5: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite para o FFW

São Paulo Fashion Week N45: o que rolou no segundo dia de evento

Para ver as inspirações dessa edição e o que rolou no primeiro dia de evento, é só clicar aqui.

UMA | Raquel Davidowicz

Uma Raquel Davidowic

A escolha do Museu da Imigração como cenário para o desfile da Uma, primeira marca a se apresentar no segundo dia de SPFW, não poderia ter sido melhor. A coleção criada por Raquel Davidowicz foi inspirada exatamente na miscigenação e na presença cada vez mais constante de imigrantes em nosso país, colocando assim looks na passarela que além de fazerem referência ao nomadismo, pareciam ter a capacidade de se transformar naquilo que fosse necessário para a sobrevivência de seu portador.

Com uma cartela de cores que variava entre o preto, pérola, cinza e azul-marinho, o que não faltaram foram amarrações, sobreposições, bolsos e diversas camadas de tecido na apresentação. Tudo ajudando a criar looks que além de confortáveis, eram práticos, quase utilitários, ideais para proteger as modelos.

Na primeira fila do desfile, à convite de Raquel Davidowicz, estava a suíça Emma Ferrer, embaixadora da ONU que possui um papel social muito forte no auxílio a refugiados e que é neta da musa Audrey Hepburn. Uma presença bastante simbólica, eu diria.

Osklen

Osklen

Não é segredo para ninguém o quanto a sustentabilidade sempre foi uma palavra de peso dentro da Osklen. Com o DNA da marca praticamente construído sobre ela, as apresentações de Oskar Metsavaht sempre foram muito aguardadas pela imprensa e pelo público, que queriam ver de perto quais novidades tecnológicas e sustentáveis o designer iria apresentar dessa vez. E na coleção desfilada pela marca na segunda-feira, as expectativas quanto a isso se mostraram mais uma vez bastante satisfatórias.

Com um desfile que privilegiava matérias-primas sustentáveis (desde algodão reciclado até solados feitos com casca de arroz e resíduos de borracha), a Osklen mostrou a importância de se consumir uma moda confortável, funcional, precisa e que agrida o menos possível o ambiente. Intitulada sob o nome de ASAP (As Sustentable As Possible), palavra inclusive que apareceu impressa nas roupas várias vezes durante o desfile, eles apostaram em peças largas, cheias de franjas e, assim como a UMA, com amarrações e camadas de tecidos.

Uma coleção que sacramenta um trabalho criativo e consciente de mais de 20 anos da grife.

Samuel Cirnansck

Samuel Cirnansck

As roupas de festa de Samuel Cirsnanck sempre encantam, mas nesse desfile em especial elas foram acrescidas de duas coisas que tornaram a coleção ainda mais desejável: brilhos e a gatinha Hello Kitty, musa inspiradora da apresentação.

Além de ter aberto o desfile e assistido a todo o show da fila A, a gatinha mais famosa do mundo teve seu rosto bordado em diversas peças da coleção, inclusive em alguns sapatos e bolsas. Ela mesma estava vestida com um glamouroso vestido brilhante e serviu como um start muito gracioso pra as outras modeles invadirem a passarela.

Durante a apresentação, vestidos longos, bordados, cintura marcada e partes debaixo super fluidas apareceram aos montes, mas sem dúvida foram os brilhos e pedrarias que dominaram de cabo a roupa a coleção, inclusive em alguns looks de silhuetas mais usáveis durante o dia. Segundo a Vogue, alguns vestidos chegaram a levar 6 mil cristais e 30 dias para serem bordados. Um primor que, definitivamente, poucos designers possuem.

João Pimenta (masculino)

João Pimenta (masculino)

Acostumados que estamos com a alfaiataria sempre tão primorosa de João Pimenta, faz sentido se espantar um pouco com esse último desfile do estilista. Mas se espantar de uma maneira bem boa, é importante dizer, já que agora sua alfaiataria continua presente, mas de uma maneira muito mais descontraída.

A silhueta das peças dá espaço para formas mais amplas, enquanto a cartela de cores se abre para opções muito mais variadas de tons. Uma pitada urbana que surgiu graças a parceria com o stylist Thiago Ferraz, que conseguiu manter o shape reto, conciso e extremamente elegante das roupas de João, com seu estilo mais relax. Os xadrezes e maxi zíperes foram muito explorados, assim como as jaquetas e coletes, sempre cheias de bolsos (roupa urbana é roupa utilitária!) e as calças curtas com a barra virada para cima. Destaque ainda para as referências ao mundo do surf na coleção, que marcaram essa primeira apresentação de João Pimenta na sua divisão entre desfiles masculinos e femininos.

Patbo

PatBo

A coleção desfilada por PatBo na segunda-feira na Bienal do Ibirapuera fala sobretudo sobre uma mulher errante, uma “mulher cigana”, como a estilista mesma diz, que ama conhecer e explorar o mundo. Só que essa mulher vai além, e não apenas se encanta por todo lugar que passa, mas também pega um pouquinho de todos eles para si.

É com base nessa premissa que as peças mostradas por PatBo na sua apresentação vão trazendo influências dos mais diversos cantos do mundo, sem perder, no entanto, duas características essenciais: o xadrez (aparecendo aqui em diversas peças e em diversas padronagens) e os bordados de flores, particularidade tão inconfundível da marca. É bonito, aliás, ver essa mulher independente na passarela que vai do urbano ao festivo num piscar de olhos, e que continua sendo cool usando jacquard ou calça sleepwear.

Vale ainda um olhar mais apurado para os acessórios da coleção que fazem parte de uma parceria com a designer Claudia Arbex, e para os sapatos desfilados que são uma colaboração com a marca Manolita.

Lilly Sarti

Lilly Sarti

Sempre uma delícia de assistir, o desfile da Lily Sarti veio com os elementos que são marca registrada da grife, como os babados, que permearam toda a apresentação e apareceram muitas vezes em vestidos inteiros, e também a delicadeza das peças, dessa vez muito pautada pela cartela de cores bastante suave.

Com uma bossa que remontava aos anos 70, fosse no shape das peças, ou mesmo nos conjuntinhos com calça pantalona tão característicos da década, as irmã Sarti fizeram uma coleção extremamente fluida (assim como muitas das suas roupas), que pareceu agradar em cheio o público da Bienal. Somado a tudo isso, vinha ainda um leve toque latino, com blusas ciganas, algumas transparências e tops com parte da barriga de fora. Tudo muito belo.

Beijos e até mais!

Fotos: Zé Takahashi/Ag. FOTOSITE para o FFW

Fotos Patbo: Marcelo Soubhia/Ag. FOTOSITE para o FFW 

São Paulo Fashion Week N45: o que rolou no primeiro dia do evento

No último sábado teve início mais uma edição do SPFW. A de número 45, para ser mais exata.  E, assim como em todas as outras edições em que é escolhido um tema como norte do evento, dessa vez a liberdade criativa foi a grande homenageada da vez, dando especial ênfase ao trabalho visceral e muito inspirador do estilista Conrado Segreto.

Para quem não conhece a história de Conrado, vale abrir uns parênteses aqui nesse texto e explicar um pouquinho do trabalho desse designer. Conrado Segreto foi um importantíssimo nome da moda nacional durante os anos 80, década em que seu trabalho ficou conhecido e se tornou um verdadeiro alvoroço no cenário fashion brasileiro. Famoso por criações extremamente elegantes, mas que sempre tinham algo de diferente e inovadoras em relação a outros estilistas da época, Segreto teve uma carreira curta, mas extremamente intensa. Ele fez história em poucos anos, e teria feito muito mais pela moda brasileira, se em 1992, ainda com 32 anos de idade, não tivesse falecido em decorrência da AIDS.

Em vista de tudo isso, nada mais justo do que homenagear alguém tão importante e – talvez pelo pouco tempo de reconhecimento – tão esquecido quando falamos de designers nacionais. Para isso, nessa edição, uma série de fotógrafos e stylists foram chamados para através de um acervo de arte plumária, roupas, textos e ilustrações de Conrado (que era um exímio desenhista!), traçar paralelos com o trabalho do estilista em fotografias muito impactantes.

Esse trabalho foi todo exposto na mostra “POW! Explosão Criativa”, que para minha surpresa e felicidade, no domingo ficou aberta para o público em geral. Coisa rara de se ver no SPFW, que vire e mexe tem mostras muito interessantes, mas que ficam restritas apenas ao público do evento.

Para quem, assim como eu, não pode ir à exposição, mas ficou curioso, aqui nessa galeria do FFW tem algumas fotos dessa apresentação. Vale a pena o clique.

Croqui de Conrado Segreto

Ilustração de Conrado Segreto | FFW

O SPFW, no entanto, além de seus temas, mostras, homenagens e lojinha, tem ainda um grande acontecimento nas suas edições, responsável pelo surgimento do evento e pelo que ele se tornou hoje em dia: seus desfiles, é claro. E foram eles que deram start nessa temporada, ainda no sábado, com a apresentação de uma marca e um projeto muito inspirador.

Água de Coco por Liana Thomaz

SPFW N45: o que rolou no primeiro dia

Abrindo os trabalhos dessa edição, a Água de Coco veio mais brasileiríssima do que nunca. Com uma coleção que homenageava o nosso país e apostava em estampas de clima tropical (como folhagens e o personagem Zé Carioca), a marca trouxe para a passarela um casting variado de modelos, com idades, shapes e etnias diferentes. A cartela de cores transitou entre o verde-musgo, o amarelo-ouro, o preto e o grafite, e tanto os homens quanto as mulheres apareceram com looks que usavam e abusavam dos poás, babados e peças esvoaçantes.

Além disso, nos biquínis que apareceram em grande parte da apresentação, as partes debaixo em asa delta predominaram, bem como a presença de peças facilmente usadas “na cidade” que já nas últimas coleções vinha tirando o selo 100% beachwear da Água de Coco.

O desfile foi aberto e encerrado pela participação da cantora Anitta, que ao vivo arrasou ao som de Ary Barroso, e serviu pra coroar de vez a apresentação.

Projeto Ponto Firme

Projeto Ponto Firme

A presença do Projeto Ponto Firme no line-up oficial do SPFW é, de longe, uma das coisas mais legais que eu já vi na semana de moda de São Paulo. Pensar que um projeto que nasceu dentro de uma penitenciária de Guarulhos hoje ganha as passarelas da maior semana de moda do Brasil é, pra mim, a essência e importância da moda como agente transformadora da nossa sociedade.

A história desse projeto (que é sem fins lucrativos e registrado na Secretaria da Educação do Estado), começou quando o designer Gustavo Silvestre passou a dar aulas de crochê para alguns detentos de Guarulhos (isso mesmo, no masculino!) visando a ressocialização e remissão de pena desses presidiários. Só que o interesse deles pelas aulas foi tão grande que o projeto cresceu, transbordou e virou uma ferramenta de expressão e trabalho muito forte dentro da cadeia.

Nessa edição do SPFW, o resultado de todas essa empreitada foi mostrado, apresentando roupas que mais do que extremamente criativas, são o reflexo de seus desejos, desabafos e histórias. Um ofício que, torço muito, seja levado para além da penitenciária, e que seja uma forma de reintroduzir essas pessoas na sociedade mudando drasticamente suas histórias.

Beijos e até amanhã

Fotos: Zé Takahashi/Ag. FOTOSITE para o FFW

Primeira parada: Roma

Casei e fui viajar. Essa talvez seja a forma mais simples de dizer que quase 9 anos depois de estarmos namorando e 5 de termos juntado nossos cacarecos e ido morar juntos, Diego e eu fomos ao cartório, assinamos uns papéis e nos casamos oficialmente.

As fotos desse dia devem ser postadas em breve por aqui, junto com mais algumas coisinhas bem especiais que tenho pra falar sobre essa data. Mas, por ora, fiquem sabendo que eu tô muito feliz e que viajar com o Di pra comemorar essa ocasião foi o melhor presente que eu poderia ter desejado. A viagem, aliás, foi planejada com um bom tempo de antecedência, mas depois de muitas procuras, cotações aqui e promoções ali, acabamos decidindo partir para três destinos que tínhamos muita vontade de conhecer: Roma, Amsterdã e Milão.

Nossa primeira parada foi em Roma e dizer que a cidade é ainda mais bonita e mais diferente do que imaginávamos é provavelmente um grande clichê, mas também uma grande verdade.

Roma é uma cidade muito antiga, que cresceu como um espaço feito por e para pessoas, de forma que a chegada dos carros tornou tudo uma verdadeira confusão. As ruas e calçadas (quando essas últimas existem) se confundem a todo momento, e as ruelinhas estreitas quase não comportam os veículos. Os romanos, no entanto, habitam esses espaços muito bem, e seja com carros, bicicletas ou a pé cruzam as diversas ruas da cidade passando por monumentos a perder de vista, quase como se o lugar fosse um museu a céu aberto.

Essa é, inclusive, uma boa definição para Roma.

Primeira parada: Roma

Roma é mesmo a terra do macarrão, das pessoas falando em voz alta e parecendo que estão bravas quando na verdade estão apenas conversando, das plantinhas nas janelas, do Coliseu (o Coliseu!) esplendoroso no meio da cidade, das ruínas do Fórum Romano, dos sabores diversos de pizza, das escadarias, das fontes, das igrejas que fazem a gente ficar de queixo caído, das praças lotadas.

Roma é a cidade das lambretas, dos filmes “Roman Holiday” e “La Dolce Vita”, das estátuas, do Vaticano, da História ao vivo e a cores ali na nossa frente. Roma é a cidade do amor, a cidade que faz a gente dar um mergulho sem volta no passado e se apaixonar por tudo que ela nos conta e nos mostra.

Foi por isso que decidi fazer um post sobre Roma, falando sobre cada um dos lugares que visitei, sobre o que eles têm de incrível e o que representaram para mim. Logo em seguida vem Amsterdã e Milão.

Sei que é  muita coisa, que os posts vão ficar enormes e que talvez você precise pegar um copo d’água na geladeira antes de começar a ler. Mas pra fazer jus a beleza dessas cidades, é preciso tudo isso. É preciso reservar um tempo, escrever sem pressa, relembrar de cada um desses cenários e, assim espero, transmitir para vocês pelo menos um bocadinho de toda a emoção e admiração que eu senti por esses lugares.

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

A gente cresce escutando falar sobre o Coliseu nas aulas de História e assistindo filmes que mostram como ele foi pano de fundo pra diversas batalhas sangrentas. Mas pisar dentro dos seus muros e imaginar como era a vida naquela época e os inúmeros episódios horríveis que aconteceram ali dentro é muito mais forte, muito mais impactante do que eu poderia imaginar. Hoje em dia, no seu interior, além da sua própria arena (atualmente um labirinto de pedras), existem vários aneis que podem ser visitados, fazendo com que a gente tenha um leve vislumbre de como as coisas se passaram ali.

Não bastasse tudo isso, é mais louco ainda pensar em como o Coliseu, pra gente algo tão inalcançável, tão parte da História com H maiúsculo, é apenas mais uma parte da cidade para os romanos. Algo corriqueiro nos seus dias, apenas como mais um lugar em que eles passam em frente na volta do trabalho. Surreal, eu diria.

Primeira parada: Roma

O Fórum Romano e o Monte Palatino ficam um pouco mais à frente do Coliseu e, assim como ele, são monumentos que mesmo que você não pague pra entrar, já podem ter grande parte de si vistos de fora. Por dentro, sua ruínas (que foram encontradas por escavações apenas no século XX!) recontam uma parte de como era a vida durante o Império Romano.

Existem vários lugares particularmente bonitos nessa região, mas em um dos templos em que entramos (uma espécie de gruta) haviam projeções nas paredes que primeiro contavam um pouco da história do lugar e depois faziam com que uma “chuva” e em seguida um “tapete de flores” aparecessem nas suas paredes. O efeito era um absurdo de real e dava a impressão que centenas de flores desabrochavam de uma só vez por causa dos pingos da chuva.

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

Andar por Roma a pé, sem destino certo, talvez seja um dos passeios maios deliciosos que possam ser feitos. Além da quantidade de igrejas e lugares pequenininhos, porém belos que existem, as inúmeras praças espalhadas pela cidade dão um charme muito especial pro lugar. Elas estão sempre lotadas, costumam ser rodeadas de pequenos cafés e restaurantes, e tem uma atmosfera pulsante.

De todas as praças pelas quais passamos, as que mais gostei foram a Piazza Navona e a Piazza di Spaga. A Piazza Navona, talvez a praça mais famosa, gigante e importante de Roma, abriga ao longo de toda sua extensão nada mais nada menos que três lindas fontes: a Fontana del Moro, a Fontana dei Quattro Fiumi e a Fontana del Nettuno. Já a Piazza di Spagna, onde foi batida a foto daqui de cima, não é tão gigante quanto ela, mas em compensação possui uma das escadarias mais bonitas que já vi. Lá no seu topo fica a igreja Trinità dei Monti, além de um visão muito bonita das ruas da cidade.

Primeira parada: Roma

É quase impossível falar sobre Roma e acabar não falando também sobre o Vaticano. Muito mais do quem um “passeio religioso”, acredito que visitar os museus do Vaticano e a Capela Sistina é um passeio histórico e cultural, especialmente pra quem é admirador do mundo das artes. O acervo acumulado pelo Vaticano ao longo dos anos, seja em momentos gloriosos ou em momentos horrendos da História, fica exposto nesses museus, e não foram poucas as vezes em que fiquei embasbacada com as coisas que vi. A múmia embalsamada no museu do Egito foi uma delas, assim como as pinturas feitas com ouro derretido expostas em diversas salas. No entanto, nada, nada mesmo me deixou tão chocada e emocionada quanto a Capela Sistina.

Localizada no final dos museus, a Capela Sistina é um aposento recoberto de afrescos em cada milímetro das suas paredes. Tudo ali é muito grandioso e imponente,  e no seu teto fica uma pintura enorme de Michelangelo com nove cenas do Gênesis. No seu centro está a principal delas – e também uma das pinturas mais famosas do mundo – chamada de “A Criação de Adão”. Lá, infelizmente, é proibido bater foto, mas tenho certeza que nunca vou esquecer do clima daquela sala, e das coisas que vi e senti ali.

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

A Basílica de São Pedro, outro grande símbolo religioso de Roma, pode ser vista de qualquer ponto mais alto da cidade e se destaca no horizonte, deixando a vista ainda mais bonita. É lá que o papa celebra a maioria das suas missas, onde o apóstolo Pedro está enterrado e onde a Pietà, uma das mais famosas obras de Michelangelo, está localizada. Além de tudo isso, tanto a Basílica por fora quanto todo o terreno que a circunda (uma área que no dia que fomos estava lotada de fieis) têm uma arquitetura maravilhosa. Assim como vários outros monumentos que vi na viagem (e possivelmente vocês já estão cansados de ler essa palavra aqui no blog) ela é majestosa, e foi uma pena não termos conseguido ver uma celebração do papa por lá enquanto estávamos em Roma.

Primeira parada: Roma

Ainda que não seja um dos pontos turísticos mais tradicionais da cidade, o Buco della Serratura atrai muita gente pelo boca a boca e pela curiosidade em entender o que de tão especial tem nesse lugar. Afinal, o que era para ser apenas um grande portão no topo de uma colina, acaba se tornando um local onde muitas pessoas vão, fazem fila na sua entrada e saem ainda mais encantadas depois de olharem no buraco da sua fechadura.

O segredo escondido naquele pequeno buraquinho é o de uma vista muito, muito mágica que mostra não apenas a Basílica de São Pedro exatamente de frente, mas todo um caminho milimetricamente desenhado em um jardim para se chegar até ela. A paisagem é quase como se fosse uma pintura. E tem mais: dentro de todo esse caminho é possível avistar três estados/ordens ao mesmo tempo! O estado italiano, o estado do Vaticano e a Ordem Soberana e Militar de Malta, uma organização internacional católica que é autônoma da Itália, possuindo até seu próprio passaporte e nacionalidade.

Sei que esse é o tipo de lugar que pode parecer muito “pequeno” em relação a todos os outros monumentos da cidade, mas ele foi, verdadeiramente, um dos que mais me marcaram.

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

Palco de uma das cenas mais famosas de “La Dolce Vita” de Federico Fellini e uma três vezes maior do que eu imaginava, a Fontana di Trevi é um cartão-postal da cidade, com uma escultura do rei Netuno bem no centro da sua construção. Ela sempre fica rodeada de dezenas pessoas, gente que além de querer tirar uma foto do lugar, ainda deseja jogar uma moeda nas suas águas, já que, reza a lenda, isso fará com que você volte para Roma. Essa superstição, inclusive, é levada tão a sério que quando eu estava montando o roteiro da viagem, descobri que no ano retrasado resgataram mais de um milhão e meio de euros de dentro da fonte! Isso mesmo, um milhão e meio. De euros. Em moedinhas na fonte. Uma verdadeira fortuna de desejos!

Primeira parada: Roma

Preciso confessar uma coisa: eu já havia escutado falar de tantos lugares incríveis de Roma (e que comprovei serem maravilhosos mesmo quando cheguei lá e fui visitar cada um), que a Galleria Borghese, um museu até então desconhecido pra mim, não gerou tanta expectativa assim. O que até acabou sendo uma coisa boa depois, porque fez com que o passeio fosse muito mais chocante e encantador do que eu supunha.

Essa admiração toda aconteceu porque além dessa galeria ficar localizada dentro de um enorme parque verde de Roma, que por si só já é muito bonito e fez com que a gente tivesse um dos momentos mais relaxantes da viagem, ela abriga ainda obras de arte de artistas que cresci escutando falar sobre, como Rafael, Caravaggio, Botticelli… E o mais importante, que foi o que me deixou mesmo de queixo caído: todos, absolutamente todos os seus cômodos são decorados em cada milímetros das suas paredes. Todas as salas da galeria, ainda que não tivessem essas obras expostas, são por si só extremamente bonitas e cheias de adornos, me lembrando muito algumas das salas que vi no palácio de Versailles em 2015. O tipo de lugar que me emociona, que me transporta para outras épocas e me faz sonhar, mesmo acordada.

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

Se você estiver pesquisando sobre passeios para fazer em Roma, é bem provável que a Via Margutta não chegue a aparecer nas suas anotações. Isso porque ela é uma “ruazinha como outra qualquer”,  muito bonitinha, mas sem nenhum grande monumento que a torne especial aos olhos dos turistas. Acontece que pra mim, grande fã de Audrey Hepburn, a Via Margutta é um pouco diferente e tem um significado muito especial

Tanto ela quanto a Boca della Verità foram palco das gravações de Roman Holiday, um dos meus filmes preferidos da atriz, e poder passear por esse cenários me emocionou de um jeito que acho mesmo que só pessoas que têm uma relação assim com algum filme vão entender o que eu senti.

A casa em que a atriz e Gregory Peck moram na história ainda está lá, localizada no número 51 da ruazinha, e no dia que fomos seus portões estavam abertos, dando para uma área em comum de várias construções (hoje, pelo que entendi, transformadas em galeria). A entrada, no entanto, continua bem parecida com a original, e lá, assim como na Bocca della Veritá, a sensação era a de que eu estava sendo diretamente transportada para o ano de 1953, vendo  de perto essa história que eu tanto amo.

Primeira parada: Roma

Ainda que não seja um dos castelos mais legais que já visitei (não também que eu conheça muitos haha, mas é que depois de entrar na Tower of London, fica difícil achar qualquer outro castelo tão impactante quanto aquele), foi bem legal conhecer o Castelo Sant’Angelo.

Tudo já começa pela sua entrada, onde fica a imponente ponte Sant’Angelo, cheia de estátuas em toda sua extensão (quem assistiu ao filme Anjos e Demônios, aliás, deve se lembrar desse lugar!). Enquanto isso, no seu interior,  existem cinco andares que vão contando um pouco da história dos imperadores, papas e prisioneiros que por ali já passaram, afinal o castelo que começou como uma fortaleza acabou se transformando em prisão com o passar dos anos. Para fechar a visita com chave de ouro, há ainda a vista do castelo, que é bem bonita como vocês podem ver nessa foto que tirei lá

Primeira parada: Roma

Primeira parada: Roma

Descobri a existência do Museu do Videogame de Roma poucos dias antes de embarcamos pra cidade e, ainda bem, decidi colocá-lo no roteiro de última hora. Muito diferente de todos os outros passeios que fizemos, mas também cheio de histórias dentro das suas paredes, esse museu aqui é um presente pra todo mundo que se interesse minimamente pela área. Em ordem cronológica ele vai contando toda a evolução que os consoles e jogos tiveram, e homenageando pessoas, empresas e, claro, games que marcaram diversas gerações.

Mais legal ainda do que conhecer tudo isso é pode jogar todos esses títulos, e isso definitivamente é algo super explorado nesse museu: são centenas de jogos, das mais diferentes plataformas e gerações, pra gente jogar ali o quanto quiser. Os do Xbox, por exemplo, ganharam uma sala só pra si, enquanto os games de VR (realidade virtual) podem ser experimentados em uma outra com a ajuda de um atendente. Tudo incrivelmente bem organizado e muito, muito nostálgico, a ponto de nós perdermos completamente a noção da hora enquanto estávamos ali dentro.

Primeira parada: Roma

E é isso, espero que vocês tenham gostado bastante dessa primeira parte da viagem e de todos esses lugares que eu amei conhecer e queria muito escrever sobre aqui no blog. Volto em breve (breve mesmo!) pra falar sobre os desfiles do SPFWN45 e também sobre Amsterdã e Milão. Um beijo e bom restinho de domingo pra todos. Até mais!

As incríveis canções de Alan Menken #aquecimentoOscar

Se existe uma pessoa que teve uma participação marcante no Oscar durante os anos 90 e começo dos anos 2000, essa pessoa foi Alan Menken. Compositor talentosíssimo, com uma vasta carreira no teatro musical e em diversas animações da Disney, Alan ganhou nada menos que 8 estatuetas da premiação, além de ter sido indicado 19 vezes nas categorias de melhor trilha sonora e melhor canção original.

O post do #aquecimentoOscar de hoje é em homenagem a ele, que além de ter feito algumas das minhas músicas preferidas da Disney (alô, “A Bela e a Fera”) tem esse dom que tão poucos têm de fazer uma música casar perfeitamente com uma cena, de fazer uma canção traduzir tão bem pequenos momentos de uma grande história.As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O filme “A Pequena Loja de Horrores” (1986), primeira indicação de Allan Menken para o Oscar, foi inspirado em uma peça de teatro produzida por Allan e Howard Ashman, seu parceiro já de outros musicais, em 1982. A peça, por sua vez, foi inspirada em um filme de terror cult do diretor Roger Corman, e conta a história de um atendente de uma floricultura que “adota” uma misteriosa planta e descobre que ela tem um apetite enorme por sangue.

Dirigido por Frank Oz, o filme foi indicado nas categorias de melhor efeito visual e melhor canção original pela música “Mean Green Mother from Outer Space”. Bastante diferente das outras canções pelas quais Allan foi indicado ao Oscar, a letra dessa música segue o mesmo tom de sátira e humor negro do filme, e infelizmente acabou perdendo a estatueta para “Take My Breath Away” do filme “Top Gun – Ases Indomáveis”.

Mean Green Mother from Outer Space

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Ainda que a primeira música escrita por Allan Menken para a Disney não tenha sido em “A Pequena Sereia” (1990), – e sim no filme “Polly”, lançado no mesmo ano – essa foi a primeira vez que Menken foi responsável por toda a trilha sonora de um longa. Junto com Howard Ashman, ele compôs as 20 deliciosas faixas da animação e firmou uma parceria com os estúdios Disney que perduraria por muito anos.

Além de ter sido um sucesso comercial (coisa que há anos não acontecia com uma animação da empresa), o filme “A Pequena Sereia” foi indicado ao Oscar de melhor canção original com duas músicas. A primeira foi a linda “Kiss the Girl”, que mais tarde ganhou uma versão gravada pela cantora Ashley Tisdale, e a segunda, que foi quem levou a estatueta para casa, foi a maravilhosa “Under the Sea”. Não bastasse tudo isso, o filme ainda conquistou o prêmio de melhor trilha sonora da noite, coroando de vez a história da sereinha que queria se tornar humana.

Kiss the Girl

Under the Sea

 

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Depois do sucesso estrondoso de “A Pequena Sereia”, a Disney resolveu apostar em um musical que fosse pela mesma linha dessa animação, e para isso decidiu fazer uma adaptação do conto de fadas de “A Bela e a Fera” (1991), uma história que a empresa já estava de olho há algumas décadas. Allan e Howard Ashman foram chamados novamente para fazerem a trilha sonora do filme, cuidando, respectivamente, da letra e da composição das canções.

Foram mais de 10 músicas criadas para ajudar a contar a história da doce e inteligente Bela, uma garota que se vê aprisionada no castelo de uma Fera e que aos poucos vai se apaixonando pela criatura que está sob o poder de uma maldição. O filme ganhou o Oscar de melhor trilha sonora e melhor canção, com a maravilhosa “Beauty and the Beast”, e ainda teve as músicas “Belle” e “Be Our Guest” indicadas na categoria. Não bastasse tudo isso, “A Bela a e Fera” foi indicado ao Oscar de melhor mixagem de som e se tornou a primeira animação da história a ser indicada a categoria de melhor filme.

Oito meses antes do filme chegar aos cinemas, Ashman, o parceiro de Menken, morreu por complicações do vírus HIV, e “A Bela e Fera” foi dedicada em memória do letrista.

Belle

Be Our Guest

Beauty and the Beast

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Apesar da morte prematura aos 40 anos, em seus últimos meses de vida, Howard Ashman apresentou uma ideia aos estúdios Disney de uma nova adaptação que poderia ser feita. A animação em questão era “Aladdin”(1992), um conto árabe muito famoso que fazia parte do livro Mil e Uma Noites. A Disney passou a trabalhar em cima do projeto e, mais uma vez, Ashman e Alan foram chamados para fazer a trilha sonora do filme. Com o falecimento do letrista no meio da realização do projeto, Tim Rice foi o escolhido para trabalhar com Menken nas faixas que faltavam.

O longa, que mostra a história de amor da princesa Jasmine e do jovem e generoso Aladdin, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora e de melhor canção com a música “Whole new world”, além de ter a faixa “Friend like me” indicada na categoria.

Friend Like Me

Whole New World

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Ainda na fase de ouro da Disney, que lançava sucesso atrás de sucesso, estreou “Pocahontas” (1995), primeira animação do estúdio a ser inspirada em fatos reais. O filme, que conta a história de uma índia nativo-americana que se apaixona por um colono britânico, teve sua trilha sonora composta por Alan Menken e Stephen Schwartz, letrista com uma carreira bastante consolidada no teatro musical.

Um dos detalhes mais interessantes sobre a soundtrack da animação é que os dois escreveram e compuseram suas faixas ainda no começo da produção do filme, de modo que houve uma influência muito grande das letras e do estilo das canções no desenrolar da sua história.

Vencedor do Oscar de melhor canção por “Colors oh the Wind” (uma das músicas mais maravilhosas da Disney na minha opinião) e também por melhor trilha sonora, a soundtrack de Pocahontas agradou não apenas a academia, mas também ao público, que fez com que ela chegasse ao topo da Billboard 200!

Colors of the Wind

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O sucesso de “Pocahontas” garantiu que Menken e Schwartz repetissem a dobradinha para o filme “O Corcunda de Notre Dame” (1996), adaptação feita pela Disney para o famoso livro de Victor Hugo. Com um tom mais sombrio do que as animações até então lançadas pelo estúdio, o longa fala sobre a busca por aceitação de um sineiro corcunda e marginalizado pela sociedade.

Indicado a melhor trilha sonora do Oscar, o longa possui 16 faixas produzidas pela dupla, e já foi apontado pelo próprio Menken como uma de suas soundtracks favoritas.

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O filme “Hercules” (1997) – que mais tarde deu origem a um dos meus desenhos favoritos da infância – foi uma aposta alta da Disney de adaptar uma história da mitologia grega para os cinemas, criando um longa divertido e musical, que não poupou esforços de pesquisa e produção para sua realização.

Ao lado do letrista David Zippel (um dos responsáveis por, no ano seguinte, fazer as músicas de “Mulan”), Menken compôs a trilha sonora da animação, que teve a faixa “Go the Distance” indicada a melhor canção original do Oscar. A música perdeu para – a até hoje exaustivamente tocada – “My heart Will Go On”, do filme Titanic.

Go The Distance

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Depois de alguns anos trabalhando exclusivamente com o teatro musical, Alan Menken retomou a sua parceria com a Disney no começo dos anos 2000. Ele foi o responsável pela trilha sonora de “Nem que a vaca tussa” (2004) e “Soltando os cachorros” (2006), mas foi graças a “Encantada” (2007) que o compositor recebeu novamente uma indicação ao Oscar. Trabalhando mais uma vez ao lado de Stephen Schwartz, ele foi o responsável pela trilha sonora do live-action, que possui 15 faixas e conta a história de uma princesa que foi expulsa de seu reino encantado e teve que se mudar para a Manhattan dos dias atuais.

Em uma mistura de homenagem e paródia dos clássicos filmes do estúdio, “Encantada” recebeu indicações de melhor canção original pelas músicas “Happy Working Song”, “So Close” e “That’s How You Know”.

Happy Working Song

So Close

That’s How You Know

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

De volta ao universo das animações, em 2010 foi a vez de Alan compor a trilha de “Enrolados” (2010), filme da Disney inspirado no clássico conto-de-fadas de Rapunzel. Considerada a animação mais cara já feita até hoje devido aos recursos visuais utilizados em sua produção (várias cenas do filme foram feitas de maneira que lembrassem uma pintura), “Enrolados” conta a história de uma princesa presa no alto de uma torre que topa ser ajudada por um ladrão para conseguir escapar do lugar.

Com uma trilha sonora de 20 faixas – compostas por Menken e os letristas Glenn Slater e Grace Potter- “Enrolados” teve sua música “I See The Light” indicada a melhor canção original do Oscar.

I See The Light

Obs: ainda que não tenha sido indicado ao Oscar desse ano, vale uma menção honrosa aqui no blog ao trabalho de Alan Menken no live-action de “A Bela e Fera” (2017). O filme teve suas músicas originais reeditas pelo compositor, além de ter ganho três novas canções na sua trilha sonora.

Na noite de hoje, “A Bela e a Fera” concorre nas categorias de melhor figurino e melhor direção de arte.

Beijos, beijos e uma ótima premiação pra vocês!