SPFW inverno 2015 | Highlights de cada dia

Como já havia contado nesse post aqui quando falei sobre os corredores do SPFW, resolvi escrever sim sobre os desfiles dessa temporada, mas de um jeito diferente do que sempre faço. Pensei que ao invés de falar de desfile por desfile, seria mais legal se eu fizesse uma espécie de “melhores momentos” de cada dia, em um post mais leve e sem aquela bateria enorme de análises de apresentações.  O resultado é esse daqui de baixo, onde em cada dia escolhi uma coleção, uma beleza e uma trilha sonora preferida pra falar. E, em alguns, ainda rola um plus com algumas informações que não cabiam nessas categorias, mas que mereciam um espaço de destaque entre as melhores.

Comentem a vontade sobre o que vocês acharam desses “highlights” (e se vocês não concordam e destacariam outras coisas nesses dias) e o que mais amaram dessa temporada. Falar sobre desfiles é uma das coisas que mais gosto :)

Primeiro dia

É difícil não amar uma coleção da Animale e é difícil não amar uma coleção do Vitorino Campos, mas é mais difícil ainda não amar uma coleção que junte o estilista e a marca de uma vez só. Com uma estreia linda, dessas de fazer nosso queixo cair, Vitorino trouxe uma pegada mais contemporânea (e eu diria até mais comercial) pra Animale, algo que eu, apesar de amar a marca, achava mesmo que era necessário já fazia algum tempo. A inspiração da coleção foi “a rota da seda” e a camisaria adequada a um styling bem único foi um dos pontos mais bonitos da apresentação. Por falar em camisaria, tá aí um item pra ficar de olho. Usadas de formas, tamanhos e propostas diferentes, a camisa branca foi uma das maiores sensações dessa edição do SPFW.

As maquiagens dessa edição foram bem naturais, não apostaram em quase nada de cor e nem de longe em um bom drama (tirando Ronaldo Fraga de quem eu falo um pouco mais logo abaixo). Ainda assim, minha preferida do primeiro dia foi a da PatBo, que inclusive tem passo a passo, com listinha de todos os produtos usados, lá no site do FFW. O make foi feito pelo Henrique Martins e ainda que a cor seja discreta, em uma leve cintilância por cima do delineado preto, achei que deu uma graça e um “tchan” na produção.

Minha trilha preferida desse primeiro dia também é da Animale, que trouxe o som divertido do projeto musical SBTRKT. A música chama “New Dorp, New York” e foi amor à primeira vista, ou melhor dizendo, ao primeiro som. Aqui tem o clipe pra quem quiser assistir.

Segundo dia

Mais uma vez na FAAP, o inverno 2015 de Reinaldo Lourenço foi uma continuação das homenagens que o estilista tem prestando a algumas cidades nas últimas temporadas. Depois de Paris e Londres, foi a vez agora de Florença, na Itália, e o mote central da apresentação girou em torno do Renascimento e da descoberta de “um novo mundo” com novos valores e conceitos. São vários os materiais trabalhados na coleção, como a seda, o couro e o jérsei, e as cores na maioria dos looks são bem escuras, variando entre o verde, o preto e o cinza.

A beleza da Pat Pat’s tinha tudo pra ser ~só~ mais um olho esfumado, mas o toque de cor trazido na linha d’água do olho variando entre o rosa, o azul e o azul claro, faz uma diferença absurda. Os cabelos não têm muito segredo (como quase todos os cabelos dessa edição, que também seguiram a ideia do minimalismo das maquiagens), e vêm bem chapados e divididos ao meio.

Não que Gisele não ganhe meu coração toda vez que aparece em cima de uma passarela (acho ela de uma presença avassaladora), mas a trilha sonora da Colcci acertou em cheio com “Love Runs Out” do OneRepublic. O clima da coleção e a música, que tem uma batida divertidíssima, casaram mega bem e deixaram a apresentação ainda mais bonita de se ver.

Terceiro dia

Lilly Sarti me conquistou no primeiro look (esse que abre a imagem daqui de cima), mas aí, a cada nova peça desfilada, a paixão foi crescendo. A inspiração mor da coleção veio dos anos 60 (que eu amo!) e dos 70 (a década mais usada como referência nas coleções desfiladas lá fora) e eu fiquei com a impressão que a década sessentinha apareceu mais nos shapes das peças (ai, esses vestidos) e para os anos de “paz e amor” coube as estampas psicodélicas e alguns acessórios (como não amar os chapéus desse desfile?). Dessa mistura surge essa coleção tão bonita, tão chique, tão feminina, que eu queria ter inteirinha na minha arara.

Já deu pra perceber que as belezas dessa edição que não optaram por um make sem nada, só com uma pele perfeita, deram uma pequena inovada usando lápis e delineadores coloridos, né? São detalhes que fazem sim muita diferença, e nesse caso aqui, a beleza do desfile do Vitorino Campos ainda contou com os cabelos molhados e revoltos, quase como se a modelo tivesse acabado de sair do mar. Quem cuidou dessa parte foi a Krisna Carvalho e a maquiagem ficou por conta da maquiadora sênior da MAC, Fabiana Gomes.

Por que escolher “Beat it” do Michael Jackson como melhor trilha sonora do terceiro dia? Porque é “Beat it”, uai! Haha. Adoro essa música e acho que pra desfile ela é ótima e imprime um ritmo gostoso pra apresentação. Ellus arrasou na escolha!

Plus: nessa edição, a Triton se inspirou na saga Star Wars pra sua coleção (shame on me, mas acreditam que eu ainda não assisti todos os filmes?) e antes da apresentação começar, rolou uma invasão do Darth Vader na passarela. Nos vídeos dá pra ver a confusão que foi entre os fotógrafos pra acompanhar os movimentos do personagem. Tá pensando que é fácil cobrir semana de moda? Haha

Vale ainda lembrar que foi nesse dia que o Ronaldo Fraga se apresentou, e que o estilista apostou em uma beleza que, sem sombra de dúvidas, foi a mais comentada dessa edição. Problema é que não pelos motivos mais legais que a gente sempre espera… Depois de pintar suas modelos de vermelho da cabeça aos pés (e Ronaldo foi um desfile que aconteceu lá pelo meio do dia), não havia mágica que conseguisse tirar toda a maquiagem que havia sido colocada. Resultado? Um atraso enorme no line-up, muita confusão e muita modelo chorando porque não pode ir para o próximo desfile.

Quarto dia

Intitulada como “floresta medieval”, a inspiração da Têca para esse inverno 2015 veio traduzida em muito, mas muito mesmo brilho. Pedras, bordados, lantejoulas e muitos maxipaetês invadiram a passarela do começo ao fim, trazendo ares de riqueza e de luxo ostensivo. Apesar de carregada (na lojas, com certeza as peças terão menos informação), eu já tava sentindo falta mesmo de uma apresentação com um pouco mais de drama pra essa edição.

Apesar de ter gostado muito da beleza das Glória Coelho (que era um pouco da própria Glória Coelho nas modelos), a beleza da Patrícia Viera me conquistou mais. A apresentação foi na Faculdade Belas Artes e trocou a passarela por uma aula de modelagem, explicando modelo a modelo o que foi pensado para a coleção. No campo das maquiagens, feita aqui por Max Weber, voltamos de novo o foco para os olhos, que se sagraram os grandes destaques dessa edição. Bem esfumados e marcados, tanto em cima quanto embaixo, eles ganham ainda camadas e mais camadas de rímel.  Os cabelos foram meus preferidos dos cinco dias, em um loiro mega platinado e sedoso.

Estreante no SPFW, a marca GIG Couture fez bonito nas roupas e na trilha com um remix da música Gavitron do trio de garotas Au Revoir Simone. Comandada pelo DJ Bitt, a apresentação dava vontade de balançar os pezinhos enquanto a gente assistia às belezuras que a grife trouxe pra passarela.

Plus: o dia com o line-up mais cheio teve também uma das apresentações mais aguardadas dessa temporada: Versace para Riachuelo, com a presença da própria Donatella. Realizada na Bienal do Ibirapuera (saudade do SPFW ser lá), a sala se transformou em um parque de diversões e a passarela em um ringue de carrinhos de bate-bate. Uma outra passarela que contornava o ringue foi o local onde as modelos e os mais de 50 looks da coleção desfilaram.

Quinto dia

Pra mim foi impossível não escolher o desfile da Acquastudio como meu preferido desse dia porque além de ver pessoalmente a apresentação, eu assisti esse de muito pertinho, e consegui ver detalhes incríveis da roupa que nem sempre pelo vídeo funcionam da mesma maneira. Vale dizer que ele foi feito inteirinho em dourado, e o que poderia ter sido entediante ou esquisito, ficou lindíssimo! Com inspiração vinda do barroco mineiro, o trabalho de modelagem e de detalhes (bordados, bordados, bordados por todos os lados) é absurdo de lindo. Além disso, uma das coisas que mais amei nesse desfile foi a combinação dos vestidos e saias enormes com os tênis (também todos cravejados de pedras e brilhantes) que formaram uma combinação tão inusitada e tão bonita.

Fiquei chateada que em nenhum site consegui encontrar informações sobre como foi feita a beleza da Llas, que eu achei super fresh e que mesmo seguindo a tendência de beleza natural que dominou nesses cinco dias, ainda assim conseguiu se destacar em meio à multidão. Os cabelos presos e os fios propositalmente caindo desajeitados são detalhes que eu acho uma graça, e gostei da forma como o blush/bronzer foi usado, sem pesar muito a mão.

Juro que tentei ser imparcial nessa escolha, mas sério, gente, o desfile da Acquastudio me impactou mesmo nessa edição. Essa trilha sonora me emocionou do começo ao fim da apresentação e os violinos criaram um efeito poderoso e lindo na passarela. A música em questão se chama Smooth Criminal e é do 2CELLOS, e aqui nesse vídeo que gravei dá pra ver como as modelos se cruzavam na passarela de um jeito diferente ao som da música. Lindo, lindo!

Fotos: FFW | Ag. Fotosite

Bisous, bisous e boa terça-feira pra todos nós!

Nos corredores do SPFW

Na última sexta-feira, 07/11, acabou que o compromisso que eu tinha em São Paulo terminou bem mais cedo do que eu pensava, e como eu tava li perto do parque Parque Cândido Portinari (que é integrado ao Parque Villa-Lobos), não tive dúvida: chamei um táxi e corri para o SPFW!

Assim, pelo menos, dava pra dar uma espiadinha na cenografia dessa edição e dar uma abraço apertado em algumas amigas (tão bom rever Lets e Má Espindola!) de que tava com muita saudade. E, de quebra, deu tempo ainda de ver o desfile da Acquastudio, que tava muito lindo e inspirador, e que tinha como tema da coleção a arte barroca mineira <3

Aproveitei então que estava por lá e bati algumas fotos de lugares off passarela que também mereceram destaque nessa edição. Na real, mesmo tendo uma saudade giga da Bienal do Ibirapuera (acho mesmo lá o lugar mais apropriado para o SPFW, não só porque a Bienal é linda, mas também por questões estruturais mesmo, de divisão de salas de desfiles e funcionamento do evento), achei a cenografia dessa edição a mais bonita desde 2011 – quando comecei a visitar a semana de moda de São Paulo. Quem fez toda a “decoração” foi o arquiteto Marko Brajovic, que nunca tinha trabalhado antes para o evento, mas que fez uma estreia arrasadora. Pegando como inspiração a Bauhaus, todas as áreas, decorações e instalações do SPFW apresentavam linhas e formas exploradas pelo movimento, numa tradução muito bacana e original feito pelo artista.

Selecionei então algumas dessas fotos pra postar aqui, contando um pouco sobre cada um desses cantinhos, e, ainda essa semana, subo um outro post sobre a SPFW mais focado de fato nas passarelas, mas também um pouco diferente do que eu tô acostumada a fazer por aqui. Aguardem 😉

A “praça de alimentação” dessa edição foi aproveitada de uma maneira muito legal e se transformou em um dos espaços mais bacanas e decorados! Toda em estilo food trucks, haviam comidas e bebidas de diferentes tipos espalhados pelo lugar. Os preços tavam salgados, como em todas as edições do SPFW, mas o crepe de parma com brie que comi tava uma delícia (paguei R$20,00) e valeu o investimento haha (gordinha mode on). Além dos crepes, tinha também milk-shakes, cachorros-quentes, sucos orgânicos, paellas e vinhos.

Um pouco dos corredores propriamente ditos…

Quem não entra na sala de desfile, consegue assistir a apresentação mesmo assim, em um telão que passa ao vivo tudo o que rola nas salas. Aqui tinha um pessoal assistindo o desfile da 2nd Floor, o primeiro do último dia de SPFW. O telão ficava na área do Boticário (o Boticário também tem um lounge, assim como algumas revistas e patrocinadores do evento), que além dos sofás e cadeiras espalhadas para o pessoal que tava por lá, ainda disponibilizava serviço de maquiagem e esmaltação de graça.

O FFWSHOP é uma pop-up store que rola em toda edição do SPFW e sempre tem coisas lindaaas de morrer! Livros, quadros, roupas, itens de decoração, esculturas e tudo que você puder imaginar, em uma curadoria incrível. É sempre um lugar que quando vou, saio apaixonada por milhares de coisas.

E aqui um último acontecimento que não foi off passarela (o vídeo e as fotos são do desfile da Acquastudio que comentei lá em cima), mas que merecia muito entrar no post porque realmente foi muito inspirador. Apesar do barroco mineiro ser um tema até que já bem manjado em desfiles nacionais, a proposta da Acquastudio foi linda e conseguiu algo dificílimo: trabalhar apenas com uma cor em todo a coleção. Todos os looks, detalhes e acessórios eram dourados e foi lindo ver o choque produzido entre os vestidos volumosos, cheios de pedras e bordados, com os tênis pesadões usados pelas modelos. Uma coleção radiosa e muito bela.

Bisous bisous e até logo com mais post sobre o SPFW! 😉

Semana de Moda de Milão verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui e os da Semana de Moda de Londres, aqui.

Já vi gente lançando a pergunta aí pela internet e reforço aqui o coro: os anos 70 estão mesmo voltando pras ruas? Pelo que a gente viu dessa temporada, deu pra perceber que se depender da moda das passarelas e do que as brands apostam como a nova década pra se repaginar (tchau anos 90), a era disco, o estilo boho e todo o clima de paz e amor – agora bem mais moderninho – vão sim dominar as ruas. A Gucci, por exemplo, traz uma mistura de tudo isso de um jeito bem moderno e chic, apostando em estampas étnicas e chinesas, jeans (muito jeans!) e um toque de militarismo que deixa alguns dos looks um pouco mais formais e utilitários. O vestido chemise ou vestido-camisa, (como vocês preferirem chamar) é minha grande paixão dessa coleção.

Só por esse primeiro look já dá pra gente pegar um pouco desse espírito “Art Déco” que invadiu a passarela da Dsquared2. Os geometrismos e cubismos permeiam toda a coleção e me peguei várias vezes lembrando daqueles vitrais de igrejas todos coloridos e iluminados. O mais legal é que essas ideias de linhas e abstrações não ficam apenas nas estampas e nessas mil cores que se formam na coleção, mas nos próprios designs e shapes que capa peça ganha: tudo vai formando linhas e imagens geométricas, especialmente os top croppeds, as jaquetas trucker e as sandálias gladiadoras.

O verão da Prada (um beijo Miuccia, te acho incrível!) não parece ser assim de temperaturas muito altas. Os looks são todos fechadinhos, pesados, quase austeros e a gente só fica com um pouquinho de pele à mostra nos joelhos, divididos entre as saias, ora lady likes, ora retilíneas, e os pés. Aliás, repararam nas meias ¾? Taí uma peça tão desprezada no nosso dia a dia que eu acho linda.

O mais legal pra mim dessa coleção é que olhando no todo ela não parece ter tanta informação, mas quando você olha cada look separado é como se mil coisas pulassem e acontecessem ao mesmo tempo. Algumas peças lembram costuras de vários retalhos (o tal famoso patchwork) e outras apresentam mil sobreposições que brincam com as silhuetas do look.

É, com certeza, o do it yourself mais incrível de todos os tempos.

Ps: esse é um daqueles desfiles que tem que assistir pra catar um pouco do espírito da coleção – e delirar com o cenário e pirar com a trilha sonora.

Sai o McDonald’s, entra o mundo da Barbie!

Eu fiquei apaixonada por essa coleção do Jeremy Scott! Assim, apaixonada. Amo como esse cara sabe “rir” da moda, sabe brincar com o desejo das pessoas, sabe imprimir tão fortemente a marca dele (tem o nome da Moschino pulando nos cintos, roupas, mochilas, em tudo!) de um jeito muito esperto, que com certeza vai virar hit e vender horrores – não só as roupas, mas principalmente os acessórios.

A Barbie aparece aí, em peso, em todo os detalhes e em todos os looks: tem ela na hora das compras, tem a Barbie fitness, tem a patinadora (quando assisti o vídeo do desfile, achei que a modelo não fosse conseguir frear o patins, tadinha), a fashionista, a “vamos para a praia” e, claro, a Barbie festa de gala.

Uma coisa muito interessante que eu li na Vogue, e que pra mim resume bem essa sacadas geniais que o Jeremy tem, é que algumas multimarcas como Net-a-Porter, Farfetch, Nordstrom e Opening Ceremony compraram a coleção da Moschino sem saber o que seria desfilado em Milão. Ou seja, confiando cegamente na força da marca e no poder de sedução do estilista. Incrível, né?

Enquanto a coleção da Versace pra Riachuelo não desembarca logo nas lojas, o desfile da marca lá em Milão traz um clima bem disco, cheio de brilhos, cores fluos e listras nas mais variadas direções brincando nos looks. E tudo com aquela pitadinha de sexy e provocativo que a Versace tem, ainda que aqui seja em uma escala bem menor do que o normal.

No meio de tudo isso, o mood esportivo somado a essas cores, só me fizeram lembrar de uma coisa: David Bowie. Fui a única?

A mistura de tecidos, estampas e shapes da Giorgio Armani pode até ter suas principais inspirações no mar e na areia, mas pra mim fica impossível não associar esses tecidos fluidos, – e essas combinações de “vestidos + calças” – com as histórias do livro mil e uma noites e daquela ideia romantizada que criamos da odalisca.  O último look desfilado, inclusive, é inteiro feito de tule e brilhos (até na peruca!) e fecha com chave de ouro essa coleção, mostrando uma “imagem divina” de mulher.

É, acho que Emilio Pucci levou a ideia da volta dos anos 70 ainda mais a sério do que a maioria dos estilistas e suas coleções dessa temporada. Tudo aqui respira a alma setentinha, o clima de paz e amor e o espírito hippie. Estampas tie-dye, bordados florais, blusas de crochê, batas, macramé e rendas aparecem aos montes, sempre em cores vibrantes, e os vestidos parecem flutuar pela passarela, criando movimentos lindos. Com certeza, uma das coleções mais literais sobre a década, com um trabalho apuradíssimo de handmade e técnicas artesanais que valorizam ainda mais cada uma das peças.

Os quimonos já se mostram ser o novo grande hit da temporada, e aqui na coleção da Dolce & Gabbana aparecem enormes, combinados a ponchos e franjas mil. O vermelho e o amarelo (que aqui ganha um toque de dourado em pedras e bordados deslumbrantes), cores da Espanha, ditam o tom da coleção, e a imagem do Sagrado Coração aparece em vários dos looks.

Vale muito a pena assistir o vídeo do desfile e ver o final da apresentação, quando 65 modelos, todas usando o mesmo look no estilo clássico de toureiro, adentraram a passarela juntas. Fica aquele gostinho de coleção bela e marcante, extremamente sedutora e com uma riqueza de detalhes não só aparente, mas também nas inspirações e estudos que resultaram na sua apresentação final.

Imagens: FFW

Bisous, bisous

Semana de moda de Londres verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui.

O desfile da Orla Kiely de verão 2015, assim como todas as coleções e desfiles que a sua designer se propõe a fazer, traz, além das roupas, uma performance que brinca com a plateia, que faz os admiradores, consumidores e todo mundo que para pra assistir ao seu desfile, embarcar de fato naquele universo.

Nessa apresentação tudo girava em torno da primavera, tanto que ao subirem no palco as modelos levavam flores nas mãos e, simbolicamente, as plantavam, cada uma, em um dos vasinhos do cenário. Além disso, as referências pra essa coleção cheia de charme sessentinha, vestidos trapézios mega confortáveis, listras e prints primaveris ainda tinha mais três grandes focos: os filmes “Le Bonheur” de Agnes Varda e “Daisies” de Vera Chytilova, e o mood 60 de Twiggy. E por falar nela, vale suspirar não só com as roupas em sua homenagem, mas também com a beleza do desfile, que trouxe a marca registrada da modelo: os longos cílios de boneca carregados de delineador na parte de baixo e com efeito propositalmente borrados.

Em resumo: um jardim de fofuras da primeira à última roupa <3

Foram os jardins ingleses Kew e Sissinghurst Castle as grandes referências para os prints de plantas e flores que apareceram no desfile da Mulberry. Eles vão aparecendo aos poucos na coleção, primeiro misturados a shapes mais sérios, com uma pegada militar, e depois junto com os tecidos vazados e o couro. Daí vira festa. São plantas mil que vão surgindo pelos vestidos e que deixam de lado os tradicionais tons de verde para apostar na força do azul.

Ainda nessa leva de referência botânicas, lá vem as plataformas com seus saltos belíssimos de madeira, que casam tão bem com as silhuetas rígidas e sérias da coleção. O casamento entre roupa e sapato é tão bonito que, até aquelas como eu que não são das mais fãs de plataforma, acabam não resistindo a essa combinação.

Eu acho que não existe forma mais inspiradora e mais “educativa” haha, digamos assim, de entender como moda é muito mais sobre ser, sobre se sentir bem, sobre não estar interessada em ser alguém para os outros, mas sim ser alguém para você mesma, do que ver um desfile do Paul Smith.

Aqui saem os brilhos e saem as exuberâncias, mas, em compensação, sobram bons tecidos e cortes impecáveis. Sobram silhuetas incríveis. Sobram peças utilitárias e que botam em dúvida o conceito de que minimalismo e opulência estão em lugares opostos. Pra mim esse desfile aqui traduz tudo aquilo que o designer sabe fazer de melhor: mostrar que a beleza – seja da moda, seja da vida, seja das mulheres que veste – não precisa de muito pra acontecer. É na essência das coisas, em um bom tecido ou em pequenos momentos, que ela se encontra.

Muito tule, muita transparência e muita cor. Apesar de essas serem as primeiras coisas que pulam aos nossos olhos no desfile da Burberry, quando a gente pega pra pesquisar e ler mais sobre as inspirações de Christopher Bailey pra essa temporada, fica claro que tem muito mais coisa por trás desse desfile. Pra começar essa ideia maluca de se inspirar em capas de livros para o design da coleção. Sinceridade? Achei das inspirações mais bonitas que já vi, afinal, tem como mais linda, mais provocadora, mais misteriosa do que uma capa de livro? E pra completar, Bailey ainda aposta em borboletas e abelhas para estamparem os looks – o que explica o nome dado a essa coleção de “The Birds and The Bees”.

Agora, pra mim o ponto alto mesmo da apresentação é a ideia de trazer o grande símbolo da Burberry, o trench-coat, de uma maneira bem peculiar: uma invasão de jaquetas jeans, que ora aparecem fechadas, ora abertas, ora com pelos, ora com franjas, mas que sempre nos fazem lembrar do grande ícone da grife.

E como não podia faltar uma boa dose de tecnologia, a Burberry ainda disponibilizou um serviço pelo Twitter, no in-tweet, que permitia a qualquer um com uma conta na rede social comprar os novos esmaltes mostrados na apresentação assim que a modelo que o usava cruzava a passarela.

Vocês hão de concordar comigo que o conceito de fast-fashion nunca foi tão preciso…

Foi remexendo em gavetas quase esquecidas que Christopher Kane encontrou fotos antigas de sua vida, muito antes do designer ser esse profissional de sucesso de hoje em dia. Nas fotos, lembranças da época em que Kane desenhava para poucos verem, tendo sua irmã Tammy como “modelo” dos vestidos que fazia, e lembranças também de uma de suas grandes inspirações profissionais e pessoais: sua professora Louise Wilson, da Central Saint Martin.

Foi com essas memórias em mente, da época em que Kane não se via preso a vínculos comerciais nem a ditames de mercado, que o estilista soube que tinha em mãos algo muito maior do que simples lembranças: ele tinha em mãos o tema da sua nova coleção. Para colocá-la em prática era preciso então resgatar os sonhos de antigamente, os vestidos que deram origem a tudo (e que saíram finalmente do papel e invadiram a passarela), as pessoas que lhe ajudaram quando tudo ainda era apenas o começo.

Como ponto mais bonito da coleção, destacaria a homenagem que Kane fez a sua professora, e que é igual aquela vontade que a gente tem de mostrar que “chegamos lá” para aquele professor mais marcante da nossa vida, aquele que acreditou na gente desde o primeiro minuto. É, portanto, mais do que uma homenagem. É uma forma de tentar orgulhar aquele que nos inspirou a chegar lá. Coisa que a professora Louise sentiu, onde quer que ela esteja, depois de ver as lindas referências ao universo navy. – nada literais com o uso de cordas – os plissados, as transparências aparecendo em pontos  estratégicos e até mesmo o design nada convencional dos vestidos de Kane.

Sabe uma coleção que parece pegar um tema e gritar ele em cada peça de roupa, em cada detalhe, em cada brilho, em cada transparência? Pra mim essa é a coleção do Tom Ford. Aqui a imagem da mulher meio punk, que usa o preto no verão sem medo e que tem esse estilo que pode parecer decadente e mal calculado, mas que na real é muito bem pensado e extremamente sexy, parece gritar em cada mínimo detalhe.

O estilista consegue juntar todo esse espírito rocker a coisas, em teoria, delicadas, e o resultado é uma mistura de mulheres fotografadas por Helmut Newton com Joan Jett gritando no palco a plenos pulmões. Dá vontade de embarcar nessa volta aos anos 90, de embarcar nesse show de rock disfarçado de desfile e de ter a experiência de viver um pouquinho nesse universo.

Ah, vale destacar ainda a beleza dessa coleção, que trouxe um cabelo maravilhosamente rebelde e que trouxe a maquiagem carregada, exagerada, podrinha, maravilhosa, sexy, ai, a maquiagem que mais amei de Londres.

Bisous, bisous

Semana de moda de Nova York verão 2015

Sei que tô fazendo esse post bem depois que as semanas de moda já terminaram, mas penso eu que antes tarde do que nunca (risada sem graça). Além disso, acho que eu prefiro fazer esse apanhadão das semanas de moda gringas todas juntas depois, porque não dou conta de ver tudo de uma vez e gosto mesmo de analisar os desfiles aos poucos, com calma e reparando em detalhes.

Por isso, nessa semana e na próxima, vou postar aqui no blog alguns highlights das semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, cada um de uma vez. É um apanhadão bem resumido das coisas que mais gostei e do que de mais legal apareceu em cada desfile. Prontos pra maratona? Então bora lá!

Eu já falei algumas vezes (muitas, na verdade) sobre o quanto eu sou apaixonada pelas criações do Jason Wu. Os desfiles dele sempre trazem peças lindas, mega usáveis, que a gente consegue imaginar em mulheres da vida real, mas que nem por isso deixam de ter aquela pitada de sonho e ousadia que eu acho indispensáveis na moda. Acho tão difícil acertar essa balança, que me admira gente como ele que faz esse tipo de coisa tão bem.

No seu verão 2015, além de repetir essa fórmula mágica de “peça com informação de moda que vai pras ruas”, ele fecha uma cartela de cores bem pequena e trabalha mais em cima das modelagens, brincando com uma gradativa descontração das peças. Os looks mais formais vão ganhando mais fendas e decotes conforme o desfile vai se desenrolando e a gente fica com aquela sensação de que a mulher que veste Jason Wu pode pegar essa coleção e ter uma peça de roupa pra cada tipo de horário ou evento que ela tenha no seu dia.

Os tênis de corrida e o esporte em geral foram conceitos tão fortes por trás da coleção do Alexander Wang que em praticamente todas as peças, das bolsas aos calçados, dos vestidos as saias, a gente conseguia captar alguma referência ou lembrança do assunto.  O mais legal dessa coleção é que em todos os looks, dos mais fechados aos mais abertos, a silhueta é sempre a mesma e os tecidos e telas vão brincando com os recortes e texturas por cima disso. As partes de cima vem sempre estruturadas, quase rígidas (elas me lembram muito os maiôs usados por nadadores) e a parte de baixo vem sempre mais leve, algumas até com plissado. É uma brincadeira de contrapontos que fica bonita de ver.

Lá vem a Opening Ceremony mostrando que gosta dessa pegada mais jovem e leve não só nas roupas que faz, mas que aposta também nessa ideia para as apresentações da sua coleção. Tanto que, para esse verão 2015, além do seu desfile, eles reservaram uma surpresa para os admiradores da marca: uma peça de teatro de 45 minutos (!) de duração, coescrita pelo diretor Spike Jonze e com nomes de peso no elenco como Elle Fanning e Karlie Kloss. A peça, que se chamava “100% Lost Cotton” tinha o mundo da moda como pano de fundo da sua história e apesar de terem sido proibidas fotos ou gravações dela, tô na esperança que a marca libere isso mais tarde na internet. Fiquei bem curiosa pra assistir!

Uma das coisas que mais gostei na coleção da OC dessa temporada foram os tons usados (branco, rosa bebê, laranja e cinza) e esse recorte, que às vezes aparecia também em formato de estampa, imitando uma sequência de traços. Isso me remeteu muito a costura, a ideia da linha na agulha, ao movimento da máquina sobre o tecido. Pode ser viagem minha, mas achei uma coisa meio metafórica pro ato da construção mesmo da peça.

Outra coisa que deu o que falar nesse desfile foi o tal do bracelete inteligente que muitas das modelos estavam usando. O Intel MICA (My Intelligent Communication Accessory) foi desenvolvido em uma parceria da Intel com a Opening, e é um smartwatche que une um design suuuuper luxuoso com uma tecnologia de notificações de SMS, lembretes de aniversário e por aí vai.

Achei bem bonito que o Michael Herz assumiu a direção criativa da Diane Von Furstenberg e mostrou que sabe valorizar o que há de melhor e mais tradicional na marca e também trazer uma pitada de autenticidade e contribuição que só ele poderia dar. Como? Apostando em uma nova forma de apresentar o vestido-envelope (o maior clássico da grife) ao público. Ele veio total desconstruído (até em top croppeds!) e aparecia aqui e acolá sempre de um jeito “disfarçado”, mostrando as raízes da DVF, mas em uma nova proposta.

E por falar em nova proposta, quer tema mais lindo do que esse que foi mostrado?! A Riviera Francesa dos anos 50 é um dos cenários mais inspiracionais pra quem curte um visual lady like, e colocar Brigittee Bardot como referência master dessa coleção é apostar em muita fluidez, sensualidade, estampas mil e prints de vichy na passarela. Tudo que eu amo <3.

Que gostoso que é ver uma marca levando uma mensagem para o seu público de um jeito tão descomplicado e bonito como foi esse daqui! É como se eles dissessem para os jovens que as roupas também contam uma história, também podem te inspirar a seguir em frente, também podem te motivar a ser quem você quer ser, vestir o que você quiser vestir. São muitas referências aos anos 90 e ao universo clubber, que se sente principalmente no uso de materiais, que vai do vinil até o plástico, e a gente vê um universo tão grande de estilos cruzar a passarela, que a mensagem de “liberte-se”, de vá encontrar o seu estilo, instantaneamente faz a gente soltar um sorriso de canto de boca.

Sigo aqui amando marcas que nunca se esquecem de conversar com seu público. Parabéns mesmo para as designers Katie Hillier e Luella Bartley.

Aff, como eu amo a Rodarte! Só mesmo as irmãs Mulleavy pra pensar em um tema tão singelo, tão inspiracional quanto esse daqui. A ideia central é sim o universo das águas, um tema já bem batido e explorado em diversos desfiles, mas a coleção aqui trata isso de um jeito diferente, focando mais nas lembranças que as duas irmãs têm da infância que elas tiveram na praia.  É algo muito mais pessoal, que ganha toques de nostalgia. Me dá a sensação de que essa coleção é um álbum de fotografias com bons momentos, com boas referências, com pequenas imagens que elas guardaram dessa época. Daí isso vem tudo misturado nos tecidos, com seus tules, rendas e pedrarias, nas partes de baixo que lembram redes de pescar, nos vestidos que parecem ter escamas de peixe, nos tons de azul que ora me lembram do mar, ora me lembram daquelas pequenas conchinhas que surgem na areia.

São muito materiais e muita informação que não se perde e que também não foge completamente do comercial. É as irmãs Mulleavy fazendo o que de mais lindo e puro elas sabem fazer.

Quando a gente vê essa coleção do Oscar de La Renta a gente fica na dúvida se é mesmo um desfile que a gente tá assistindo ou se fomos teletransportados para uma festa de alta-costura. É lindo e sofisticado ao cubo essa crescente que as peças da coleção vão ganhando, não só em termos de estampas e de modelagem, mas em bordados, aplicações, transparências e estruturas. Tudo que vai dando toques de exuberância e de uma festa de gala.

As cores vem suaves desde o começo da apresentação, mas quando as últimas modelos cruzam a passarela, tons de verde, laranja e amarelo bem iluminados também aparecem, mostrando que toda festa que se preze precisa de um bom colorido, daquele vestido incrível que todo mundo vai ficar comentando no dia seguinte.

Só sei que eu queria três de cada modelo dessa coleção.

Imagens: FFW