Revistas de Setembro #1 2013

Setembro chegou e junto com ele aquela vontade louca de comprar todas as revistas de moda desse mês na banca. Isso porque setembro é o mês considerado mais importante pras revistas do gênero, já que é aí que a gente tem “reveladas” as tendências da próxima estação, é em setembro que as publicações vem gigas (ano passado a Vogue US teve 658 páginas!) e também aí que a gente tem as capas mais incríveis do ano!

Eu cheguei até a falar sobre isso lá no página do blog e tinha adiantado que ia fazer um post com as capas que mais arrasaram e fizeram meu coração pular de entusiasmo nesse mês. Só que eram muitas, haha, então decidi fazer uma série de posts. Assim, ao longo de todo o mês de setembro vai rolar por aqui as “September Issues” divididas em partes, o que nada mais é do que uma tentativa desesperada de achar espaço pra falar de todas as capas que me inspiraram (o que eu acho difícil de conseguir, mas né, tamo aí pra tentar haha.)

Interview

É claro que eu tinha que começar esse post falando da Interview, que não se contentou apenas em trazer uma capa maravilhosa e cismou logo em trazer sete capas babados de uma vez só, tombando geral!
Essa edição da Interview ganhou até um nome especial, que é “The Model Issue”, ou seja, um edição todinha em homenagem a elas, as modelos que deixam esse mundo da moda muito mais incrível. O recheio da revista tem editoriais com mais de 70 modelos (!) e as capas vieram estreladas individualmente por Linda Evangelista, Naomi Campbell, Amber Valletta, Daria Werbowy, Kate Moss, Christy Turlington e Stephanie Seymour, com fotos tiradas pela dupla Mert Alas e Marcus Piggott.
E olha, eu adorei essa escolha de capas apenas em p&B e acho que todas elas são lindas, com “poses muito de modelo mesmo”, cumprindo essa ideia de fazer uma homenagem a profissão. E é legal que cada uma das capas pega algum estereótipo de foto de revista e trabalha em cima dele, ou seja, a gente tem desde a gata sensual e molhada, até a mulher tomboy com uma linguagem corporal de outro planeta e a modelo que traz toda a força para o olhar, hipnotizando o leitor.

Miss Vogue Australia

Vale falar de revista estreante também?
Se no caso a revista estrear com uma capa fofa, mas fofa, mas fooofa mesmo, então vale haha. E esse é o caso da Miss Vogue Australia, a “Teen Vogue” que acabou de chegar em solo australiano.
Aproveitando pra falar um pouco da revista: ela segue o mesmo estilo da sua versão americana, ou seja, uma revista com assuntos, fotos e inspirações voltados principalmente para o público jovem, e que tem como editora-chefe Alice Cavanagh e editora de moda Christine Centenera.
A capa de estreia tem Elle Fanning (puro amor) sendo o que ela é: jovem, fresh, divertida e extremamente bela de se fotografar. A make tá levinha e amei que o cabelo tá com mais volume e movimento, saindo daquela versão chapada que algumas vezes infelizmente o cabelo dela ganha. E que atire a primeira pedra quem não se apaixonou por esse moletom com estampa de Bambi da Givenchy <3

Ah, eles lançaram um videozinho de ‘behind-the-scenes’ de estreia da revista bem legal também, vale clicar.

Harper's Bazaar US

A versão de assinante da Harper’s Bazaar US tá deslumbrante. Não que a versão que tá indo pras bancas seja ruim, mas essa daqui é uma capa memorável.

Bom, eu já contei aqui no blog uma vez que eu tive um caso de ódio por muito tempo com Sex and The City, e que ele só foi aplacado quando eu finalmente perdi meu pré-conceito e fui assistir a série. Ainda tem muita coisa que eu não gosto por lá, mas pra compensar tem outras milhares que eu amo, e uma dessas coisas com certeza é o fato de SATC ter Sarah Jessica Parker como musa-mor. Eu gosto muito dela, muito mesmo, e acho que essa extravagância toda que havia na Carrie é uma coisa que vem muito da vida dela também, sabe? Ou seja, pra mim essa capa é Sarah Jessica Parker em mais um de seus momentos Sarah Jessica Parker haha. O exagero, no acessório e na risada, essa exuberância, esse viço, ai, podia ficar aqui rasgando seda, mas nem preciso porque essa foto fala por si só, né?

Por hoje é só, mas logo logo já tem post novo com mais September Issues por aqui.

Bisous, bisous

Tyra Banks é uma rainha

“Quando alguém diz “Tyra, você é até melhor pessoalmente do que nas fotos!”, eu respondo “Não diga isso, querida! Ganhei a vida tirando fotos”.”

(Tyra Banks em America’s Next Top Model, ciclo 16)

Eu admito: ando a louca do America’s Next Top Model, assistindo as temporadas na velocidade da luz. Acontece que além do programa ser legal porque mostra o “por trás” de gente incrível do mundo da moda (onde mais que eu ia ver uma sessão de fotos do Steven Meisel, uma Franca Sozzani olhando e contando os tipos de books que gosta, o backstage do desfile do Zac Posen e uma Karolina Kurkova ensinando receitas de sucos saudáveis?), o programa tem uma cereja no topo do bolo: Tyra Banks.

E olha que eu odeio esse negócio de definir as pessoas com uma única palavra, mas se a Tyra tivesse que ser explicada pra alguém através de um único termo, eu com certeza usaria a palavra personalidade. O que pra mim, fora é claro essa beleza estonteante que ela tem, é a chave de tudo o que essa mulher já fez, conquistou, arrasou e transformou na indústria da moda.

Tyra na capa da Harper's Bazaar Cingapura de janeiro/2013

Tyra na capa da Harper’s Bazaar Cingapura de janeiro/2013

A Tyra nasceu em 1973, em um ‘bairro negro’ no subúrbio da Califórnia e com 12 anos de idade já era tão alta, mas tão alta que os pais chegaram até a desconfiar que havia algo de errado com a filha haha. A altura fez com que ela sofresse muito bullying na adolescência, o que segundo a próprio Tyra, só deu ainda mais força e ‘dureza’ quando ela entrou pra indústria da moda. Entrar pra esse universo, aliás, não foi fácil. Desde pequena, decidida que queria mesmo ser modelo, Tyra buscava tudo quanto era referência do mundo da moda pra poder estudar, se inspirar e ser igual a uma modelo profissional, só que em todas as agências que ia a resposta era sempre a mesma: “a gente não precisa de mais uma modelo negra”.

As coisas só começaram a mudar quando a revista Seventeen, a primeira grande revista teen dos EUA, chamou a Tyra para um trabalho. Foi o que precisava pra sua carreira acontecer.

As fotos agradaram não só a Seventeen, mas um olheiro de modelos de alta-costura que viu a força que havia ali e a chamou para ir a Paris. Na época Tyra iria começar a faculdade dali há algumas semanas, mas não quis nem saber. Era agora ou nunca. Arrumou suas malas, embarcou para Paris e lá começou a participar de desfiles de alta-costura.

Tyra Banks photographed by Paolo Roversi - Harper’s Bazaar: 1991

Tyra Banks photographed by Paolo Roversi – Harper’s Bazaar: 1991

Ela foi um estouro com sua beleza fresca e marcante, e todos, absolutamente todos, queriam um pouquinho da Tyra pra si. A mãe dela até se mudou para Paris para morar com a filha e trabalhar como sua assessora, e assim pode ver de pertinho o que ela em pouco tempo conseguiu fazer: causar um furor na indústria da moda e provar que as mulheres negras não apenas tinham espaço nesse meio como podiam revolucioná-lo. Ela foi, inclusive a primeira modelo negra americana a aparecer em um capa da revista GQ. 

As comparações com Naomi Campbell foram meio que inevitáveis, afinal, no começo dos anos 90 Tyra aparecia para o mundo como uma promessa de supermodelo, enquanto Naomi já tava estabelecida há alguns anos no mercado. Muito se falou sobre essa grande rivalidade que existia entre as duas, mas até hoje essa história ficou abafada e enterrada no fundo do baú.

Só que adentrar o mundo da moda provando que as modelos negras tinham espaço por ali não tinha sido suficiente pra Tyra. Ela queria mais. E quando foi avisada pelos seus agentes que suas medidas tavam muito voluptuosas pra uma modelo de alta-costura, ela tomou uma decisão: não adiantava querer esconder as suas curvas. Ela assumiria seu corpo e batalharia pra ser aceita assim.

Essa insistência da Tyra em “aceite quem você é e trabalhe com aquilo que você tem de melhor” é muito marcante na sua carreira e nas lições que ela dá para as meninas que participam do programa. Ela sempre enfatiza isso, que a gente tem que aprender a abraçar nosso corpo, seja ele branco ou preto, magro ou cheio de curvas. O importante é ser quem você é.

Tyra banks and Cindy Crawford.1993

Tyra banks and Susan Holmes.1993

Tyra Banks então decidiu dar um giro de 180º na sua profissão e investir em uma carreira mais comercial. A Cover Girl (uma das atuais patrocinadoras do programa e que também oferece seu posto de “garota cover girl” como uma das premiações do show) foi a primeira a assinar um contrato com a modelo. E, mais uma vez, Tyra virou sucesso. Com a Cover Girl ela saiu do reduto da moda e passou a ser conhecida também pela grande massa. Fez uma infinidade de campanhas, virou angel da Victoria’s Secret’s e até escreveu um livro sobre beleza.

Tyra Banks by Peggy Sirota for Mademoiselle 5 US 1993 - 'How the West was Won'

Tyra Banks by Peggy Sirota for Mademoiselle 5 US 1993 – ‘How the West was Won’

Tava tudo muito lindo e incrível na vida Tyra, mas ela sabia que a carreira de modelo é rápida e começou então a se preparar para um novo giro de 180º. Primeiro investiu na carreira de atriz (quem aí já assistiu Show Bar talvez lembre dela como uma das dançarinas da boate!), mas só se encontrou mesmo na profissão de empresária. Junto com um amigo de infância ela formatou um programa chamado “America’s Next Top Model” (a-há!), que seria uma espécie de concurso de modelos. O programa foi ao ar em 2003, foi um estouro de audiência, e hoje, 10 anos depois, já tá na sua 20ª edição.

Tyra Banks no Victoria’s Secret’s Fashion Show

Além de criadora do America’s Next Top Model, a Tyra também é apresentadora e jurada do programa, e acho que se dependesse dela, ela dava um jeito também de ser câmera, figurinista, fotógrafa (aliás, ela sempre se arrisca como fotógrafa em todos os capítulos finais da competição), anyway, faria de tudo um pouco.

Porque Tyra Banks, meus caros, é uma rainha!

Tyra Banks na capa da V Magazine de setembro/2008

Tyra Banks na capa da V Magazine de setembro/2008

Diana Vreeland: the eye has to travel

Nessa última terça-feira tão fria que tivemos, me enfiei debaixo das cobertas por pouco mais de uma hora e assisti ao documentário “Diana Vreeland: the eye has to travel” (traduzido para o português como “Diana Vreeland: o olho tem que viajar”), que já tava na minha to-do list faz tempo.

E terminei esses 80 minutos com os olhos lacrimejando e o coração mais feliz.

Cabe aqui um parênteses.

Eu sempre tive um apreço gigantesco pela Diana Vreeland, sempre a achei uma musa-mor e uma mulher extremamente sábia e culta. Tudo que eu sempre li e vi sobre ela me inspirava de uma maneira louca e me dava aquela vontade de “fazer acontecer, sabe?” Porque se tem uma coisa que Diana fez com maestria – aliás, o que ela não fez com maestria?! – e que com certeza serve de exemplo pra qualquer um, é que não é só uma questão de fazer. É preciso fazer com paixão, com a mente aberta, com o olhar apurado, com uma boa dose de loucura até.

É preciso abrir nossos horizontes pra que a gente consiga enxergar a história por trás de uma foto enquanto a maioria das pessoas só enxerga uma foto.

“Diana Vreeland: the eye has to travel” foi lançado no ano passado, 2012, junto com um livro e uma exposição de mesmo nome. A ideia veio de Lisa Immordino Vreeland, mulher do neto de Diana, que apesar de nunca tê-la conhecida pessoalmente sempre foi encantada pela figura que DV era. Tendo o apoio da família e dos amigos – que ajudam a rechear o documentário com as mais interessantes falas e histórias – Lisa foi à luta e fez esse trio de homenagens a Diana.

O documentário segue então uma ordem cronológica, que vai contando desde a infância de DV até seus últimos dias, relembrando fatos importantes de sua vida e carreira. Tá tudo ali, desde sua relação difícil com a mãe quando pequena até sua extrema paixão e entrega pra moda anos depois.

Muita gente acha que Diana começou sua carreira na moda trabalhando na Harper’s Bazaar. Errado! Antes mesmo dela começar a escrever sua famosa coluna “Why don’t you?” na revista, Diana era dona de uma loja de lingeries em Londres. Desde aquela época, DV já era super influente e tinha os amigos mais importantes e cultos que se poderia ter na década de 30, em todos os cantos do mundo. Aliás, Diana já tinha viajado muito nessa época e tinha vivido de pertinho a Belle Epoque dos anos 20 em Paris.

Daí pra ser chamada na Harper’s não demorou muito e a coluna “Why don’t you”, que tinha uma proposta completamente diferente de tudo que já havia sido feito na revista – e em outras revistas de moda – fez o olho de todos os leitores brilharem. Ela entrou na revista em 1963 e só saiu de lá em 1962, já tendo há anos se tornado a editora de moda da publicação.

Quando começou como editora-chefe na Vogue (1963 a 1971), a revista teve um de seus períodos mais férteis de ideias e inspirações. É meio que unânime pra todos aqueles que trabalharam com ela que Diana enxergava além da moda. Ela falava sobre cultura, arte, música, cinema, sociedade… Era um pouco de tudo, aquela vontade de ir a fundo e mostrar que “o olho tem que viajar” (trocadilho besta, mas que faz todo sentido aqui).

Até porque, só uma mulher de muita visão falaria algo como

“Why don’t you… paint a map of the world on all four walls of your boys’ nursery so they won’t grow up with a provincial point of view?” 

E Diana era exatamente isso.

A cada história contada no documentário, a cada amigo que relembra alguma de suas frases tão marcantes, algumas de suas vontades que pareceram tremenda loucura e depois se provaram tão extraordinárias, é como se a gente desvendasse um pouquinho mais dessa mulher incrível que DV foi. Ela revolucionou o mundo do jornalismo de moda e fazia de cada nova revista que editava, como se fosse a primeira. Olhando tudo como se fosse a primeira vez e descobrindo todas as nuances escondidas por trás daquilo.

Em 1971, quando já não trabalhava mais na Vogue, Diana, no entanto, sabia que ainda tinha muita energia e perspectiva pra dar ao mundo. Do alto da sabedoria e experiência dos seus 70 anos, foi trabalhar então em algo completamente novo pra ela, mas que era o ápice da inspiração que ela sempre buscou nas artes: a consultoria do Institute of the Metropolitan Museum of Art.

E se nas revistas de moda Vreeland tinha sido um furacão, lá não foi diferente. Pra começar que Diana mudou radicalmente aquilo que se entendia como exposição no museu, tirando aquela ideia quadradinha que tinha até então e levando a experiência de visitação a outros níveis. Ela não poupou esforços em transformar a fantasia daquelas salas em uma quase realidade pra quem as visitava. Pra isso usou de fragrâncias, luzes, músicas, novos designs, adereços, até a construção de cenas dramáticas entre os manequins pra proporcionar exposições que mexessem com todos sentidos do público.

Além do balé, uma de suas maiores paixões desde pequena, DV também levou muito do seu amor pela moda para dentro do museu, realizando exposições sobre a carreira de Yves Saint Laurent e Balenciaga.

Ela só saiu do Metropolitan Museum of Art em 1989, ano de sua morte.

Capas da Harper's Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

Capas da Harper’s Bazaar quando Diana Vreeland era editora de moda da revista

“Diane Vreeland: the eye has to travel” tem depoimentos de Anna Sui, Diane Von Furnstenberg, Manolo Blahnik e vários outros profissionais, amigos e familiares de Diana Vreeland. Assisti o documentário por aqui e ate tentei procurar alguma versão legendada pra postar aqui no blog, mas não achei. Se alguém souber de alguma, por favor, compartilha o link aqui nos comentários!

Pra quem ficou interessado em se aventurar ainda mais por esse olhar tão vanguardista da Diana, o livro “Allure”, escrito por ela em 1980, foi relançado em 2011 sob o título de “Glamour”. O livro foi lançado no Brasil pela Cosac Naify, conta com prefácio escrito por Marc Jacobs e pode ser encontrado por R$ 85,00 na livraria Cultura. Espero que esse, assim como o documentário, seja riscado da minha wishlist em breve…

“You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It’s a way of life. Without it, you’re nobody. I’m not talking about lots of clothes – Diana Vreeland”

Bisous!

Pensando em voz alta com a Betty Magazine

Nesse feriado/final de semana tinha planejado subir post das coleções do SPFW (já viram que falei aqui no blog sobre o e odia?) e também post sobre “O Formigueiro”, texto que eu to há dias pra escrever. Só que eu to em Leme na casa dos meu pais e eu deixei em Bauru, cidade onde moro, as fotos que bati do “O Formigueiro”. E claro também que eu não trouxe o photoshop portátil, e assim não posso arrumar as fotos do desfile.  E né, nem pensar em baixar photoshop no meu netbook, ia ser pedir demais do coitado. Ou seja, acho que agora só na semana que vem pra subir esses textos =(

Só que aí, enquanto eu esbravejava pela minha cabeça de vento de ter esquecido tudo em Bauru, lembrei também de um assunto que tem feito meu coração bater acelerado e que tava morrendo de vontade de falar aqui no blog.

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Capa da Betty Magazine summer 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Betty ;)

Lindezas da edição de verão 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Lindezas da edição de verão 2012 | Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Não é segredo pra ninguém que eu amo revistas. As de moda, é claro, tem um lugar especial no meu coração, mas eu sou fascinada por revistas em geral, – o fato de trabalhar em uma editora de revistas não é mera coincidência – e principalmente com aquele momento de ir até a banca e escolher quais naquele mês irei levar embora pra casa comigo, saltitando pelo caminho. E sim, eu tenho um gosto bem variado na área, que vai da Elle, passa pela Piauí, pela Lula Magazine, pela Bravo! e chega até na Zupi (ainda quero falar dela também aqui no blog!). Claro que tem mais um montão, mas esse post ia ficar deveras longo se eu falasse de todas por aqui haha.

Mas há alguns meses, enquanto zapeva pela internet, descobri uma revista que já me encantou pelo nome “Betty Magazine”, mas que conforme eu fui conhecendo mais da história e das páginas da própria revista foi me deixando mais e mais curiosa: será que eu tinha achado um novo amor?

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

Imagem de http://www.elliesfavouritethings.com

A Betty começou como uma revista online independente que tinha o slogan “your new best friend” e uma proposta que de cara já me encantou “You won’t find any weight loss or diet tips here, we don’t play on people’s insecurities: our philosophy is for people to embrace who they are and celebrate it.”, em tradução livre “[Aqui] você não encontrará como perder peso ou tipos de dieta, nós não jogamos com a insegurança das pessoas: nossa filosofia é para pessoas que abraçam quem elas são e celebram isso.”

Achei bem diferente e conforme fui conhecendo mais da revista percebi que essa proposta faz mesmo total sentido. A Betty não é uma revista de moda, nem de cultura, nem de economia, nem de nada que eu consiga classificar em apenas uma palavra. Ela é uma revista para meninas, e que versa sobre diversos assuntos, desde receitas para se fazer bolos no café da tarde, entrevistas incríveis, conselhos de maquiagem, artigos sobre assuntos do universo feminino, editorias de moda encantadores, música, estilo de vida e ilustrações de babar. Tudo isso junto sem um pingo de vontade de impingir nada, de ditar nada: não, a Betty quer conversar com você, quer trocar conselhos e dicas como sua melhor amiga faria. Uma fofura!

Das cinco edições que ela possui, as duas primeiras foram apenas virtuais e, depois que elas começaram a ser impressas – com mudanças significativa em relação a identidade visual – a revista parece querer apagar esse “passado”. Vide o site que nem faz menção a essas duas primeiras edições. O porquê disso tudo eu sinceramente não sei, mas pra comprovar que eu não to tirando isso da minha cabeça, aqui tem a issue nº2, só clicar e ler. As últimas três, impressas, podem ser encontradas em alguns locais descritos no site da revista. Infelizmente, eu ainda não consegui nenhuma em mãos, mesmo com a minha irmã tendo feito uma busca gigantesca em janeiro lá em Londres.

E tem um detalhe muito importante que eu não contei ainda: a Betty nasceu como um projeto de conclusão de curso! Sim, podem acreditar, a Betty era um TCC! Dois formandos do curso de moda da University for the Creative Arts (UCA Rochester), Hannah e Charlotte Jackloin, tiveram a ideia de fazer essa revista tão peculiar e o resultado foi essa lindeza!

Editorial "Endless of summer"

Editorial “Endless of summer”

Além de tudo isso, a revista tem um blog superbacana, uma página no facebook bem ativa e um twitter que eu comecei a seguir hoje haha mas tenho certeza que vai deixar minha timeline muito mais divertida. Em todos esses lugares uma coisa que fica bem evidente da Betty é esse clima meio vintage, meio paz e amor, meio de sonhos. É difícil imaginar tudo isso em um só lugar, mas é exatamente assim que vejo a revista. Tenho a sensação de que ela é meu pensamento em voz alta, ou no caso, meu pensamento em textos, fotos e ilustrações inspiradoras.

Ilustra de Calico Melton para a revista

Ilustra de Calico Melton para a revista

  • Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha.
  • E já passou da meia-note, gente! Feliz Páscoa pra todos nós 😉

A história de uma capa de revista

Como já contei por aqui, dia 10 foi meu aniversário (23 aninhos, eee!) e no meio dos votos de felicidade, dos doces da festa e das pessoas queridas que passaram essa data comigo, tiveram também os presentes.  E um deles me deixou muito emocionada.

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As 100 capas mais icônicas da Vogue em 100 lindos cartões postais

Os cartões foram publicados pela Penguim e são uma curadoria das 100 capas mais incríveis da Vogue, desde 1892, quando a revista foi lançada. Tem grandes estrelas do cinema, da música e, claro, da moda – como Kate Moss, Lady Gaga e Jean Shrimpton  – até ilustrações lindíssimas que vão desde mulheres com um certo je ne sais quoi até ilustras de acessórios e vitrais. Uma mistura bonita que reconstrói a própria história da revista. E eu amo presentes que contam histórias.

Separei então 5 capas da caixinha pra falar aqui. Elas têm histórias incríveis por trás de si, que fazem a gente pensar como a capa de uma revista leva em consideração tantas coisas na hora de ser produzida e que, quando chega em seu destino final, às mãos das leitoras, nem dá pra suspeitar o tanto de caminho que ela já percorreu.

5 capas, 5 histórias

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Michaela Bercu usando uma camisa Christian Lacroix de 10 mil dólares e uma calça jeans de 50 dólares

Para capas que sempre traziam mulheres super chiques em seus vestidos ainda mais chiques, essa capa da Vogue novembro/1988 é um verdadeiro choque de contrastes. Ainda que tenha essa jaqueta ryqueza, é gostoso ver como a menina da capa (a modelo Michaela Bercu) aparece fora de estúdio e em plano americano, raridades até então nas capas da Vogue, e parece tão feliz, tão solta, tão jovem, fugindo daquela ideia de que a modelo precisa ter uma super pose. A imagem é bonita porque é refrescante e porque a gente fica com a clara sensação de que mais do que uma imagem imposta, do que ‘uma mulher luxuosa’, Michaela é feliz.

Essa foi a primeira capa da Vogue US sob o comando de dona Anna Wintour, e se não gerou repercussão pela ousadia de fazer algo tão fresh, gerou pela calça jeans usada pela modelo. Há boatos de que Michaela deveria usar uma saia que fazia conjuntinho com a jaqueta (Christian Lacroix), mas que como a saia não serviu, Anna teve a brilhante ideia de tentar a calça. Deu certo e sob as lentes de Peter Lindbergh o resultado foi essa lindeza, que colocou o estilo hi-lo pela primeira vez na capa da publicação.

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A capa é de janeiro de 1950 e traz uma das imagens mais conhecidas de toda a história da publicação. Clicada por Erwin Blumenfeld, o destaque dos olhos e, principalmente, dos lábios colocou um dos maiores queridinhos das mulheres – o batom vermelho – literalmente na boca de todo mundo. Não que ele ainda não fosse popularizado, mas a capa da Vogue atestou o que provavelmente toda mulher vai descobrir em alguma época de sua vida: um batom vermelho é transformador!

No ano passado, a Chanel, numa grande sacada, se inspirou nessa mesma capa para criar o vídeo da sua campanha do batom Rouge Allure. Além de ficar uma gracinha, o vídeo resgata essa mesma aura da capa, deixando a gente com vontade de correr pra loja mais próxima e comprar um batom vermelho novo.

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17 de dezembro de 1892. Essa é a data da primeira revista Vogue… E da primeira capa a gente nunca esquece! Acho que mais do que contar uma história por trás de si, essa capa conta uma história do que iria vir depois dela: 120 anos da publicação (121 em dezembro desse ano) e o apelido de ‘bíblia da moda’. Sem contar o tanto de mulher inspiradora que já foi editora dessa revista e que levou seu olhar pras páginas da publicação (alô, Diana Vreland!). A Vogue teve e tem sua história entrelaçada com a própria história da moda, assim como a de todo mundo que ajudou a construí-la.

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 Durante as décadas de 10 e 20 a Vogue só trouxe ilustrações em suas capas. Entre esses 100 cartões postais têm muitas das revistas dessa época, ou seja, muitas ilustrações lindíssimas que usaram e abusaram do nome “Vogue” trazendo-o disposto de formas diferentes na revista. Achei muito vanguardismo haha.

Mas, em julho de 1932, surgiu uma nova ideia para a capa da revista: uma fotografia ao invés de uma ilustração. A imagem, que trouxe uma modelo em sua roupa e touca de banho, segurando uma bola em cima da cabeça, tem um jogo de sobras interessante e apesar de não ter tido uma continuidade tão imediata – a revista voltou para as ilustrações e só em 1940 decidiu apostar novamente na fotografia – já adiantava o que dali há alguns anos invadiria as capas de revista de moda de todo o mundo.

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Em abril de 1992 a Vogue comemorou nada menos que 100 anos de vida e claro que a capa da publicação tinha que ser tão ou mais especial quanto a própria data. As supermodelos da década de 90 foram chamadas pra fazer uma imagem que não precisava mais do que um cenário branco – vestidas em produções GAP tão brancas quanto – pra ser fantástica. É o tipo de capa que não precisa contar uma história, porque a imagem de cada uma dessas mulheres já conta muitas histórias por si só.

Fotografada por Patrick Demarchelier a foto traz Claudia Schiffer, Yasmeen Ghauri, Niki Taylor, Elaine Irwin, Tatjana Patitz, Karen Mulder, Cindy Crawford e o mega trio Linda Evangelista, Christy Turlington e Naomi Campbell. Apenas o top 10 mais badalado do mundo das passarelas na década de 90.

E é claro que histórias assim não são mérito apenas de 5 capas da Vogue. São muitas imagens e muitas histórias que já foram ou ainda serão contadas, e que farão a gente sonhar um pouco mais com esse universo meio mágico e lindo das capas de revistas.
E pra vocês, quais as histórias mais legais por trás da capa de uma revista?