Revistas de Setembro 2014 #1

Tchan tchan tchan tchan… Está no ar mais uma edição da September Issues!

Ano passado eu já havia feito uma série de posts do gênero pra mostrar e falar sobre as capas das revistas de moda que mais amei em setembro de 2013 e, passado agora um ano (!), com setembro de 2014 já quase um terço transcorrido, tá na hora de fazer mais uma edição dessa série. Por isso, preparem seus corações (e bolsos, pra quem quiser adquirir essas magazines) e venham conferir a primeira parte do que as revistas de moda nacionais e gringas reservaram pra edição mais aguardada do ano.

A Vogue Itália preparou um presentaço pra gente e aproveitou o aniversário de 50 anos da publicação pra fazer uma capa maravilhosa com cinquenta (isso mesmo, cinquenta!) modelos que marcaram a história da moda desde os anos 90. Preparados? Tem Naomi Campbell, Carolyn Murphy, Amber Valletta, Linda Evangelista, Karen Elson, Christy Turlington, Edie Campbell, Stella Tennant, Natalia Vodianova, Jamie Bochert, Vanessa Moody, Mariacarla Boscono, Daria Strokous, Issa Lish, Iselin Steiro, Liya Kebede, Julia Nobis, Meghan Collison, Lexi Boling, Anais Mali, Jessica Stam, Coco Rocha, Sasha Pivovarova, Saskia de Brauw, Fei Fei Sun, Vanessa Axente, Rianne van Rompaey, Natasha Poly, Aymeline Valade, Elise Crombez, Julia Stegner, Ophelie Guillermand, Hilary Rhoda, Miranda Kerr, Cindy Bruna, Guinevere van Seenus, Jourdan Dunn, Liu Wen, Karlie Kloss, Amanda Murphy, Cameron Russell, Joan Smalls, Candice Huffine, Anna Ewers, Sasha Luss e Candice Swanepoel, além das brasileiríssimas Isabeli Fontana, Raquel Zimmermann, Adriana Lima e Caroline Trentini.

Todas essas modelos foram (e ainda são) grandes estrelas da moda mundial e cada uma delas, através da sua trajetória, dos desfiles que participou, dos editoriais que estrelou e das campanhas em que apareceu, conta um pedaço dessa história. Portanto, juntar todas elas em uma mesma fotografia, que, detalhe, foi batida pelo mestre Steven Meisel, é dar um presente para todos os amantes da moda.

Além disso, achei maravilhoso o efeito final, quando vemos a foto toda inteira, e o fato de terem preferido tirar as cores da imagem, deixando a foto transitar entre o sépia e o preto e branco. Dessa forma, nenhuma das modelos salta aos olhos em um primeiro momento, fazendo com que a gente visualize o quadro completo. É como se a foto mostrasse que, ainda que elas sejam incríveis  individualmente, o que elas representam juntas pra moda é ainda mais importante, ainda mais forte. <3

A Interview veio com seis capas diferentes pra esse mês e com uma edição intitulada “The Photographers’ Issue”. A ideia foi dar voz a seis grandes fotógrafos de moda, pedindo que eles escolhessem e fotografassem uma mulher que, pra eles, representasse a beleza. Apesar da difícil tarefa, cada musa inspiradora virou uma das capas da publicação e as fotos ficaram apenas sensacionais.

Patrick Demarchelier escolheu Keira Knightley, Steven Klein ficou com Nicole Kidman, Mert Alas e Marcus Piggott foram de Naomi Campbell, Craig McDean fotografou Amber Valleta, Mikael Jansson chamou Daria Werbowy e, por fim, mas não menos importante, Peter Lindbergh arrasou com Léa Seydoux.

Acho difícil escolher uma preferidas das seis, mas tô apaixonada pela capa que trouxe a Nicole Kidman by Steven Klein, já que foge completamente do senso comum e aposta em cores escuras, carregadas, em um clima bem pesado. A capa da Amber Valleta by Craig McDean também acertou em cheio, ainda mais por deixar a imagem com efeito de ilustração. O sombreado ficou lindo e deixou a foto extremamente imponente, vocês não acham?

Pra fechar esse primeiro post, então, uma capa mais levinha e fofa, estrelada por Chloe Moretz – que tá cada dia mais linda!

A Allure, que é uma revista de beleza, traz uma foto da Chloe com um batom todo poderoso e um cabelo cheio de ondas que eu queria pra mim. Tá uma capa bem levinha, com cores suaves dando destaque para o nome da publicação e com uma “foto padrão”, mas que aqui funciona bem. Acho que guardadas as devidas proporções de público e estilo de cada revista, a Allure fez uma capa bem bonita, que combina com a mensagem que eles querem passar.

E vocês, já têm suas capas preferidas do mês? Contem aqui nos comentários!

Bisous, bisous

Continua…

A história da Vogue Brasil

Não é mistério para ninguém o amor que eu tenho por revistas, especialmente as de moda, que são fontes muito importantes quando a gente quer aprender mais sobre a área. Por isso mesmo, faz alguns anos comecei a caçar revistas de moda antigas para montar uma coleção, com a ideia de que ela servisse de pesquisa e referência pra mim quando eu quisesse saber mais sobre a moda de outras décadas.

Organizando essa coleção dia desses, reparei que eu tinha edições da Vogue Brasil desde a década de 70 (!) e PÁ, na mesma hora soube que precisava gravar um vídeo pro blog pra mostrar tudo isso, porque é maravilhoso como a gente pode ver a evolução de uma publicação e entender mais sobre a sua história quando acompanha sua linha do tempo, vendo tudo que mudou, tudo que já passou, que marcou presença por ali.

O vídeo aqui embaixo mostra então edições da Vogue Brasil da década de 70, 80, 90 e uma mais recente, de 2011. É uma folheada rápida em casa edição, porque não queria fazer um vídeo comprido e porque o intuito é mais mesmo de mostrar como “de cara assim” a revista mudou tanto, quer seja pela década em si, quer seja pelas mudanças gráficas e editoriais. Acrescentei também alguns textinhos pra ilustrar momentos da história da publicação, e se vocês gostarem, mais para frente quero repetir essa mesma ideia com outras revistas.

Bom, espero mesmo que vocês curtam o vídeo e fiquem a vontade pra comentar aqui sobre o que acharam. E ah, um mais do que merecido muito obrigada ao Di, aka melhor namorado do mundo, que editou tão caprichosamente esse vídeo pra mim. Obrigada, mon amour :)

Bisous, bisous e até mais o/

Um amor que atende pelo nome de revistas de moda

É comum as pessoas estranharem essa paixão desmesurada que eu tenho por revistas. Tem gente que coleciona cartões postais, tem gente que coleciona carrinhos em miniatura, tem gente até que coleciona ingressos de shows. Eu gosto de colecionar inspirações palpáveis, que eu possa recortar (mentira, na maioria das vezes eu morro de dó) e colar na parede do quarto. Ou então, depois que devorar cada letra, só deixar embaixo da arara de roupas como referência, pra quando eu olhar pra capa, ter um minuto de renovação, ter uma ideia louca, ter uma inspiração que me faça sentir um negócio gostoso e quentinho aqui dentro do peito, sabe?

Em um desses dias de caça à referências e inspirações nas revistas

Em um desses dias de caça à referências e inspirações nas revistas – foto do meu instagram @paulinhav

Eu nunca acreditei que revistas de moda fossem simplesmente montes de páginas com tendências e propagandas de marcas de roupas. Na verdade, até elas têm seus encantos, mas desde que comecei a comprar essas revistas passei a conhecer um universo que me ensinava muito mais do que “moda sapato e roupa”.

Mesmo com a crise do mercado editorial, o tanto de opções de revistas do gênero nas bancas é imenso e a gente tem desde aquela revista A que faz um balanço dos desfiles da última temporada, até aquela revista B com artigos acadêmicos. A gente nem precisa de revistas tão opostas assim, tipo uma Vogue e uma Dobras, pra ver como hoje em dia a grande maioria das revistas de moda são diversificadas em termos de informação e nas maneiras de passar isso aos seus leitores.

Não tô aqui querendo fazer um post pra defender revista nenhuma e nem tô aqui pra falar que toda revista de moda é incrível ou que toda revista de moda foge do comercial. Exemplos contrários a isso a gente tem aos montes. Acontece, no entanto, que não é porque a grande maioria das revistas precisa de “modelos comerciais” pra serem vendidas nas bancas que elas são superficiais ou trazem só o que a nova it girl tá vestindo. Aliás, a gente precisa parar de achar (e eu me incluo nessa também) que o comercial é ruim, que coisa boa necessariamente não é massificada e fica só voltada pra uma uma elite, seja ela intelectual, política ou social.

Eu sei que é duro defender esse lado “intelectual” das revistas quando nos deparamos com um preconceito e um problema sério sobre elas. O primeiro, o preconceito, é essa imagem que se criou em torno da grande maioria das consumidoras dessas revistas. Elas querem se informar profundamente sobre moda ou só consumir os produtos veiculados? Elas querem ver uma galeria de peças jeans ou lerem um texto que explica como o denim se popularizou na moda e foi uma das primeiras peças a quebrar paradigmas, fazendo o caminho inverso ao ir das ruas para as passarelas?

O segundo, o problema, é o preço. A maioria dessas revistas varia entre R$10,00 e R$15,00 na banca, e algumas mais artísticas, como a Mag!, chegam a custar quase R$30,00! E revista gringa então? Pagar R$80,00 numa Vogue Paris não seria nada anormal.

Por causa dessas duas coisas, o público dessas revistas acaba tendo uma imagem preestabelecida no imaginário coletivo: se ela não é da área, ela é uma ativa consumidora, uma mulher com condição social estável, com vontade de saber de tendências (zzz), com desejo de consumir um determinado “padrão de vida”.

Mas será mesmo?

Pra mim um dos maiores preconceitos que existem quando tratamentos de moda, tanto nas revistas quanto na área como um todo, é essa imagem de que a moda é completamente visual. Tá aí uma das maiores inverdades que já se espalharam. É claro que tem muita gente que compra revista de moda pra ver. Quem não quer enlouquecer com editoriais, quem não quer ver as fotos do último desfile e diz aí que mulher não quer suspirar um pouquinho por uma bolsa bapho também?

Só que se as revistas de moda fossem só isso e as consumidores dessas revistas quisessem só isso, só ver e receber tudo mastigadinho, desculpa, mas elas iam comprar um catálogo e não uma revista.

Leitora não é besta. Da área ou não, ela compra pra ver, mas compra (e muito!) pra ler. Aliás, essa tal intelectualidade das revistas não precisa vir expressa só em matérias. Tem cada editorial de moda dos mais geniais espalhados por aí, que ensinam tanto pra nós em termos culturais, de história, de poesia, que seria muito besta da minha parte querer dizer que conteúdo só é passado em texto.

Então, esqueça essa ideia de “consumidora padrão”. O mundo e as pessoas que se interessam por moda e por suas revistas são absurdamente diversas!

Vogue e Harper's Bazaar

Vogue e Harper’s Bazaar

L'officiel e Catarina

L’officiel e Catarina

Elle e Mag!

Elle e Mag!

Têxtil Moda e Dobras

Têxtil Moda e Dobras

Em relação ao preço das revistas, esse realmente é um problema sério. O mercado editorial como um todo não é barato no Brasil. Tanto em revistas quanto em livros, o preço a se pagar por aqui não é pequeno. Apesar disso, o que essas revistas valem é equivalente ao quanto elas podem ser enriquecedoras pra gente. E isso não é balela nem discurso pra soar bonitinho. Isso é realidade. Ou você realmente acha que a história que as revistas de moda fizeram (a primeira Harper’s Bazaar surgiu em 1867!), que as inúmeras editoras (alô Diana Vreeland) e que o tanto de fotógrafos, artistas, estilistas, maquiadores, stylists e afins que passaram por suas páginas não contribuíram em nada com a história passada e presente da moda?

E vale o recadinho pro povo das modas: roupa bonitinha pode até causar primeira boa impressão, mas conhecimento, nem bolsa Chanel passa por osmose.

Anyway, esse texto longo daqui, no fundo, só quer mesmo dizer que revistas de moda são extremamente enriquecedoras em termos de pesquisa, aprendizado e história.

Como uma aspirante a jornalista de moda, eu fico triste em ver que há uma tremenda falta de reconhecimento sobre isso. Tanto que, pra vocês terem ideia, essa semana foi a segunda vez no ano que vi alguém da área dizer que “não lê revista de moda” como se isso fosse algum troféu, algo que coloca aquela pessoa numa categoria além, sabe? “Não sou dessas que lê revista.” Really?

Querer esboçar isso como uma coisa boa não é apenas triste, mas também é uma baita falta de humildade. Ninguém sabe tudo. Como parte dessa indústria, aliás, que a cada ano recebe cada vez mais gente inteligente e com vontade de trabalhar, a pessoa dizer que se não se interessa em evoluir, aprender mais, acompanhar o que tá rolando no meio me soa uma mega falta de profissionalismo.

Ela mal sabe o mundo incrível de inspirações que tá perdendo, e que tá ali, todo dentro de uma revista <3

Revistas de Setembro #3 2013

Esquire UK

“Kate Moss Rocks. A tribute to the girl we can’t take our eyes off.”

Não poderia haver mais verdade em uma chamada do que nessa daí, afinal Kate Moss é assim, essa força meio rock, meio andrógina do mundo da moda que a gente realmente não consegue tirar os olhos. Já até falei sobre isso aqui no blog e mesmo que ela tenha mudado bastante de lá pra cá, ainda enxergo em seus trabalhos a mesma imagem que a Kate passava no começo da carreira.

Essa capa da Esquire UK, clicada pelo fotógrafo Craig McDean, conseguiu trazer a Kate em toda sua essência sem ficar clichê. Ela tem essa pegada rocker, mas só traz o preto em alguns detalhes (aliás que cor mais linda essa escolhida pro fundo!); ela tá cheia de transparências, pele a mostra e brilhos, – principalmente em locais, digamos, estratégicos haha – mas balanceia tudo isso com as cores da capa. Tá sexy, tá linda, tá poderosa!

Ps: fazia 20 anos que a Kate Moss não estampava uma capa de revista masculina e eu só consigo ter dó dos rapazes que tavam perdendo toda essa beleza.

Vogue Japão

Cara Delevingne faz muito sucesso na passarela, mas aqui na capa da Vogue Japão prova que também arrasa na fotografia. Ok que esse vestido Armani ajuda haha, mas a Cara tem um rosto super forte, que hipnotiza o leitor.

Clicada por Patrick Dermachelier, essa capa tem um clima Breakfast at Tiffany’s moderninho: as pérolas deram lugar a pulseiras metálicas enquanto a tiara deu lugar aos óculos de gatinho. O coque ganhou muito mais volume e altura e, claro, o famoso vestido preto ganhou muito mais recortes e pele (ainda que disfarçadinha) a mostra. Pena os textos estarem em japonês e a gente não conseguir ler as chamadas. Alguém aí se habilita a traduzir? hehe

Elle Brasil

Eu sou meio suspeita pra falar da Elle Brasil porque sou fã de carteirinha da revista. Acho que o trabalho que eles fazem, tanto o fotográfico quanto o editorial, é over the top e não desaponta nunca os assinantes, assim como eu, ou aqueles que compram a revista vez em quando na banca.

A capa de setembro não me derreteu de amores assim logo de cara, mas sabe uma capa que de tanto você ver e observar os detalhes e analisar as cores, as formas, você acaba se apaixonando? Pois então, foi assim com essa daqui. As cores empregadas são tão lindas, tão vivas, que criam um choque com esse look total white. E a gente fica em choque junto hehe.

Na capa, Aline Weber foi clicada por Eduardo Rezende no deserto do Atacama, no Chile, e tá tão bela com esse cabelo ao vento, que mesmo mesmo eu tendo lido a revista hoje de manhã (quando os termômetros registravam uma temperatura pra lá de alta) parecia que até rolava uma brisinha ao meu redor.

Continua…

Bisou, bisous

Revistas de Setembro #2 2013

Pra quem não viu o primeiro post dessa série que vai mostrar as capas de moda mais incríveis de setembro 2013, é só clicar nesse link aqui!

Harper's Bazaar Brasil

Fazia um tempinho já que eu não amava uma capa da Harper’s Bazaar Brasil desse tanto que eu amei essa de setembro. Tudo bem que muito desse meu brilho no olho se deve ao fato dela vir estrelada pela Dakota Fanning, que eu amo horrores. Mas não é só isso. Eu adorei os elementos dessa foto, que vão desde as mechas rosas do cabelo da Dakota até essa brincadeirinha de mostra/esconde entre os ombros e o casacão Louis Vuitton. E né, Dakota vem toda mulher nessa capa, deixando aquela imagem de menininha definitivamente pra trás.

E calma que tem mais: essa foto foi clicada por Karl Lagerfeld e faz parte de um editorial que recheia a revista. Assinado por Carine Roitfeld, ele coloca grandes mulheres sob os holofotes do girl power, e transforma o ensaio em uma homenagem a “diversidade feminina”. Bacana, né?

Dazed & Confused

Gostei bastante que a Dazed & Confused desse mês resolveu apostar em uma imagem ainda não muito esgotada nas capas de revista de moda: a de Elizabeth Olsen, a irmã mais nova das gêmeas Ashley e Mary Kate Olsen. Ela é uma das novas queridinhas de Hollywood, além de inspiração pra marca das irmãs, a Elizabeth & James, mas ainda é uma imagem fresh nas capas de revista. E eu gosto muto dessa foto por misturar um monte de elementos, como botões, gola, zíper e voillete, sem eles soarem estranhos. A capa ganha um ar meio drama com essas combinações e junto com a força do olhar de Elizabeth, que literalmente brilha na foto, fica ainda mais bela.

Minha única decepção foi com o ensaio da moça que recheia a revista. Achei que a expressão dela não mudou muito nas fotos. Tirando essa imagem aqui, senti uma repetição excessiva da mesma pose, mesma expressão, mesma carinha, sabe? Um pouco cansativo.

Vogue Paris

Eu amo a Vogue Paris! Amo porque enquanto todas as revistas de moda apostam em uma imagem glamourosa, ela vem com a modelo holandesa Saskia de Brauw, que é a personificação do estilo tomboy, numa capa toda inspirada no movimento grunge, e dá uma banana bem grande pra quem acha que fotografia de moda é só aquela coisa quadradinha onde modelo faz carão. As cores usadas na capa também são belíssimas e acho incrível que a palavra grunge vem assim, toda em dourado e em letras garrafais.

A fotografia foi por conta da dupla Mert Allas & Marcus Pigott e as peças são Saint Laurent por Hedi Slimane.

Bisous, bisous