Para ver e para ouvir

Um dos filmes mais aclamados do último Festival de Berlim (e que, tristemente, não chegou nas telonas daqui do Brasil), God Help The Girl é a estreia do vocalista do Belle & Sebastian, Stuart Murdoch, como diretor. A ideia inicial era fazer um filme sobre a banda, mas ao longo do projeto a história foi mudando, mudando e mudando tanto que mais de dez anos depois (!), God Help The Girl ganhava o mundo (ou pelo menos uma parte dele).

A história do filme se passa em Glasgow, cidade natal do cantor, e tem como personagem principal a mais do que encantadora Eve (vivida por Emily Browning), uma garota triste, que encontra refúgio nas composições musicais que faz e que vive em uma clínica de reabilitação para distúrbios alimentares. Em um belo dia ela conhece o tímido James (Olivy Alexander), um garoto solitário que ama seu violão e sonha com a música perfeita que um dia ele irá compor. A partir daí os dois começam uma amizade que tem a música como ponto de partida, meio e fim, mas que só se completa mesmo quando Eve conhece a aluna de violão de James, Cassie (Hannah Murray), uma rica e excêntrica garota que de cara se identifica com os dilemas e paixões dos dois. (Pausa no texto pra comentar o quão é engraçado e legal o fato de Hannah viver novamente uma personagem ‘louquinha’ e chamada Cassie. Saudades, Skins.)

O filme tem cara de indie e de fato é, mas também é muito mais do que isso. Ele não é consistente do começo ao fim, mas acho que a graça dele é meio que essa também: mostrar que não há uma linearidade ou um caminho certinho a se seguir quando se é jovem – e quando a vida parece tão complicada e tão excitante ao mesmo tempo. A gente se sente verdadeiramente conectados com essa busca por um lugar no mundo do trio e fica aquela lição de que cada um só pode encontrar o seu caminho seguindo sua própria estradinha de tijolos amarelos. Ainda que nossas vidas e histórias se entrelacem, cada um tem seus próprios sonhos e vontades, e só cabe a esse alguém saber o que é melhor pra si.

Achei bonito que em uma entrevista na Rolling Stones, Stuart confessou que a Eve não é uma menina inventada apenas para o filme. Ainda que ela não seja de carne e osso, essa garota já existe há tempos na cabeça do vocalista e poderia ser tratada como sua grande musa inspiradora, quem, inclusive, lhe deu a ideia para escrever “The Everlasting Muse”, nova canção da banda.

E ah, pra quem ainda tá na dúvida sobre ver ou não esse filme, vale lembrar que esse longa tem uma das trilhas sonoras mais fofas dos últimos tempos e um figurino de fazer suspirar e querer cada roupa pra si.

Assistir qualquer filme do Woody Allen já é muito maravilhoso, mas assistir um filme do diretor no cinema, que se passa nos anos 20 e que tem Emma Stone na telinha é apaixonante demais.

Em Magic in the Moonlight, que ainda tá passando nos cinemas de todo o Brasil, o grande mágico Stanley (que faz aqueles truques que a gente sabe que são falsos, mas que são surpreendentes até pros dias atuais) recebe a visita de um antigo amigo que vem lhe contar uma história bizarra: uma família jura ter conhecido uma médium, que não só contata o mundo do além, mas que também vê o futuro e o passado das pessoas!! Como o velho amigo e também colega de profissão não conseguiu desmascarar a tal farsante, ele vem pedir a ajuda de Stanley pra fazer isso, antes que a família coloque toda sua fortuna aos pés da garota. Claro que a garota é a linda da Emma Stone, e claro também que o mágico vai perceber de cara que desmascará-la não vai ser tão fácil assim, já que Emma aparenta de fato ser uma pessoa totalmente única.

O filme é uma graça e não é difícil perceber a mão de Woody Allen em cada cena, desde os diálogos ácidos e divertidos, até os momentos mais românticos. Além disso, eu amo o modo como o diretor trata cada um de seus personagens de maneira singular, tanto que em Magic in the Moonlight todo eles são caricatos, são personagens “forçados”, que em qualquer outro contexto ficariam exagerados, mas que aqui casam bem com a história e tem um propósito dentro do roteiro.

Quem ainda não viu, trate de correr já para o cinema mais próximo!

Tenho que confessar: eu até gostava das músicas da Taylor Swift, mas na real eu sempre tive muito mais apreço por ela do que de fato pelas suas composições.

Sempre a achei divertida, espontânea (já viram as entrevistas dela pra Ellen Degeneres? Morro de rir!), assumidamente namoradeira e nem um pouco preocupada com o que os outros poderiam pensar sobre isso. Ao contrário, tudo que ela passou com seus namoros, decepções e pés na bunda, ela transformou em música, sucesso e dinheiro. Fora a história maravilhosa que ela tem com a Lorde (aqui um pequeno resumo pra quem não sabe), afinal, onde mais um mal-entendido tão grande assim poderia resultar em uma amizade tão bonita e verdadeira?

Todo esse parágrafo aqui de cima foi pra dizer então que eu sempre quis ser BFF da Taylor Swift, mas que, desde semana passada, – quando 1989, seu mais novo álbum foi lançado – além de ser amiga dela, eu quero também que ela nunca mais pare de compor e cantar.

Bad Blood já é oficialmente minha música preferida, mas Shake it Off (que já havia ganhado clipe faz um tempinho) e Out of The Woods também tão nessa lista! Não sou uma exímia conhecedora da carreira dela, que isso fique claro, mas pelo pouco que conheço da sua trajetória e pelo que venho conversando com amigos que a acompanham faz muito tempo, é inegável que a cantora assumiu de vez sua veia pop. Óbvio que o country sempre terá influências nas suas letras e canções (afinal, quer melhor estilo do que esse pra contar histórias de amor tão bem?), mas o pop agora não deixa espaço pra mais nada na vida de Taylor.

E eu tô amando essa nova fase!

“’Cause, baby, now we got bad blood
You know it used to be mad love
So take a look at what you’ve done
‘Cause, baby, now we got bad blood”

E chegamos, finalmente, em Leighton Meester e a maior revelação musical desse ano pra mim. Eu já tinha escutado ela cantar, – lembram de 2009 quando ficou naquele ‘lança, não lança’ álbum e os fãs estavam em polvorosa? – mas nada havia me preparado para Heartstrings e para suas músicas deliciosas de escutar.

Me peguei lembrando muitas vezes de Lean Rimes, – ainda que eu saiba que não existem de fato muitas semelhanças entre as duas cantoras e seus estilos musicais – e desejando escutar o CD no repeat ainda por muitas e muitas vezes. Entre as minhas canções preferidas estão a música de mesmo título do álbum, Heartstrings, L.A. e On My Side.

O gostoso é que além da voz gracinha de Leighton, todas as músicas têm jeito de antiguinhas e eu escuto e já fico imaginando uma história na minha cabeça. E já prevejo clipes lindos que podem sair daí!

Escutem que eu aposto que vocês vão amar!

Bisous, bisous

Minhas cenas musicais preferidas #1

Eu amo música e amo cinema, mas amo mais ainda quando essas duas áreas se juntam.

Nem precisa necessariamente ser um musical, mas, às vezes, uma pequena cena de um filme ou série que teve uma trilha sonora que casou muito bem com aquela situação, que fez muita diferença para o resultado final da história. Isso já me deixa absurdamente apaixonada!

Foi pensando nisso, que surgiu a ideia de fazer esse post aqui, listando as 20 cenas musicais mais importantes, significativas e bonitas que eu já assisti. Tem drama, comédia, romance e músicas dos mais variados gêneros, mas todas essas cenas, sem exceção, possuem uma mesma coisa em comum: são incríveis e se tornaram inesquecíveis pra mim.

E é claro que eu vou dividir esse post em dois, porque se não, haja barra de rolagem pra dar conta de ver tudo :p

Minha cena preferida, do meu filme preferido, onde toca minha música preferida <3

Acho que depois dessa introdução já deu pra sacar o quanto eu amo “Quase Famosos”, né? Já falei, inclusive, sobre o que o filme representa pra mim nesse post aqui, e não canso nunca de rever essa cena porque a acho uma das mais mágicas que já assisti.

Acho incrível que mesmo assistindo esse trecho isolado, fora de contexto do filme, ele produz um efeito muito revigorante na gente. Dá pra sentir o clima de tensão no ônibus e como a música é a responsável por unir as pessoas e por deixar tudo bem de novo. E pode paracer bobo, mas acho que já me senti muito como o William, procurando um lugar chamado “casa” e percebendo que, na real, eu já estou nela.

Bônus: têm muitas cenas de Quase Famosos que eu queria colocar aqui, mas me contive e decidi colocar apenas uma cena de cada filme/série pra não ficar um texto imenso. Ainda assim, não pude resistir em deixar pelo menos o link de outra cena que eu amo muito desse filme e que acabou nem entrando na montagem final da história. O que é uma pena, né, já que qualquer cena que tenha Stairway to Heaven como pano de fundo, já diz o quanto é incrível por si só. Afinal, como diz William, “this song will change your life.”

Além de “Bonequinha de Luxo” ser um dos meus filmes mais amados (alô, coleção Audrey Hepburn!), a cena em que Audrey canta Moon River é absurdamente encantadora. A música, a interpretação de Audrey, a câmera enfocando as primeiras palavra do texto de Paul, o enquadramento da atriz na janela tocando o violão… Sabe quanto tudo se encaixa de uma maneira perfeita? Essa cena é assim.

“The was once a very lovely,  very frightened girl. She lived alone except for a nameless cat.”

“10 coisas que eu odeio em você” é uma das comédias românticas mais engraçadas e bonitinhas que existem (cês sabiam que o filme é uma adaptação bem moderninha de “A Megera Domada” do Shakespeare?) e atire a primeira pedra a menina que quando adolescente nunca escreveu em algum diário, caderno ou agenda o poema que a Kat recita pro Patrick no final do filme.

A cena em que Heath Ledger (ai, que saudade!) canta “Can’t Take My Eyes Off You” durante o treino de futebol feminino, é daquelas que não tem como a gente ver e não dançar junto, com direito a passinho coreografado e braços abertos acompanhando o ator haha.

“O casamento do meu melhor amigo” é daquelas comédias que eu não canso de assistir! Primeiro porque eu adoro a Julia Robert e ela tá especialmente espetacular nesse filme, e segundo porque o Rupert Everett interpreta um personagem tão divertido e carismático que mesmo sabendo o que acontece em cada cena, eu sempre me divirto e fico enfofada com as suas aparições.

Essa cena em que eles cantam “I say a little prayer for you” é tão marcante – pra mim e pra história do cinema – que eu não consigo mais escutar essa música sem lembrar instantaneamente dela. E é batata como toda vez que eu a assisto, me pego cantando junto com os personagens.

Eu não podia deixar algumas séries de fora dessa lista e, com toda certeza, Anos Incríveis é uma delas.

A série por si só já é muito famosa pela sua trilha sonora, que é tão incrível, mas tão incrível, que foi o motivo número um pelo qual a história de Kevin Arnold demorou tantos anos pra sair lá dos anos 80/90 e desembarcar aqui nos anos 2000: os direitos autorais das músicas beiravam um valor estratosférico (só pra vocês terem ideia tem Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan e Jimi Hendrix entre os artistas da trilha) e só no final de 2014 que a gente vai finalmente poder ter o box dessa série na nossa estante.

Entre as muitas cenas marcantes do seriado, eu não consigo desapegar do final do primeiro episódio, quando Kevin encontra Winnie depois de um dia muito triste pra ela (vou tentar não dar spoiler haha) e acontece o primeiro beijo dos dois ao som de “When a man loves a woman”. Some-se a essa boa música a narração do protagonista sempre cheia de grandes lições e você tem a síntese do que é Anos Incríveis <3

Na época em que eu não trabalhava e não tinha redação, fechamento e uma crazy life por trás de tudo isso, eu chegava em casa da escola, almoçava, ligava a TV e me preparava pra assistir Dirty Dancing. Sério, eu perdi a conta de quantas vezes esse filme passou na Sessão da Tarde e quantas vezes eu o assisti, dançando loucamente, é claro, a música título do filme.

É difícil dizer o que tem de tão bom por trás dessa história, já que a protagonista é tão bobinha e o enredo tão água com açúcar, mas acho que um dos fatores que mais contribuíram pra ele ter se eternizado na história do cinema é mesmo sua trilha sonora e essa ideia da música nos dar coragem para ser quem de fato somos, a transpormos barreiras, a enfrentarmos nossos medos.

Como? Também não sei explicar, mas a garota de 24 anos que há cinco minutos dançava enquanto selecionava esse vídeo pro post acha que a chave desse sucesso deve estar aí.

“Quero ser Grande” é aquele tipo de filme que a gente vê hoje em dia e pensa “como que ninguém via nada de errado nisso”? haha Tirando esse pequeno detalhe, eu adoro esse filme, mas a cena do piano supera qualquer outra e faz a gente ficar com essa música em um looping infinito na cabeça.

Ah, Casablanca! (insira aqui muitos suspiros).

Apesar de ser um clássico eu demorei um bocado pra ver esse filme, mas me apaixonei quase que instantaneamente. Ainda tá na minha listinha de DVDs que quero adquirir em breve e essa cena em particular, com essa música maravilhosa sendo tocada no piano por Sam para Ilsa (Ingrid Berman, essa maravilhosa!) é uma cena tão envolvente, tão bonita que dá vontade de fechar os olhos e só ficar escutando a canção.

“We’ll always have Paris.”

“Hairspray”, de 2007, é um dos meus musicais preferidos e ainda esse ano eu quero muito ver o original, de 1988, que imagino que seja tão incrível quanto. Eu adoro a história desse filme e fico imaginando como no teatro ele deve ser ainda mais maravilhoso (ele é um musical da Broadway também!)

Além de falar muito sobre música, claro, Hairspray é filme que se passa no começo dos anos 60 e traz um pouco da realidade social da época, mostrando como a segregação racial ainda era tão forte nos EUA.

Essa cena aqui é bem grandinha, mas vale a pena ver e dançar ao som de “You can’t stop the beat” (até porque não dá mesmo pra ouvi-la e ficar parado) e se você ainda não assistiu esse filme, não preciso nem falar que já tem que ir fazer isso já, né?

“500 days of summer” é um filme que se eu assistir mil vezes, nas mil vou chorar, me emocionar e ficar pensando ainda muito – e intensamente – sobre tudo o que ele quer dizer. Porque ele tem uma história que causa muitas sensações na gente, que podem ir de um extremo ao outro, e que sempre são intensas.

A cena aqui de cima é um pouco da representação do lado doce desse filme, quando Tom dança pela ruas, passarinhos cantam à sua volta e o mundo todo parece sorrir e ser um lugar melhor. Todos os exageros e fofurices dessa parte representam muito intensamente esse lado do filme. A outra parte… Bom, você vai ter que assistir pra saber porque eu não sou dessas de dar spoiler haha.

Bisous, bisous e até mais!

Continua…

Sobre séries e músicas

Todo mundo, com certeza, tem pelo menos uma série na vida que pode apontar e falar, “poxa, essa me marcou de verdade”. Tá, pode ser que não todo mundo, mas garanto que a maioria das pessoas que está lendo esse post tem ou já teve uma série assim. Daquelas que quando a gente vê um capítulo aleatório passando na TV, vê um uma matéria ou escuta alguém falando sobre ela, bate uma nostalgia nível hard dentro da gente.

Eu não consigo nem lembrar direito quanto foi que comecei a me interessar por séries. A recordação mais antiga que eu tenho, provavelmente, é a de Confissões de Adolescente na TV Cultura e a de 20 e poucos anos na MTV – que teve três temporadas e estreou lá no comecinho dos anos 2000, quando eu ainda era uma criança que achava a MTV a coisa mais incrível que existia no universo. Não que na minha adolescência eu tenha mudado minha opinião, mas outro dia eu conto mais sobre isso…

Fato é que meu amor por séries talvez tenha até começado antes disso, mas eu não sei precisar o exato momento em que deu aquele clique e, de repente, tinha aquela história que eu não podia perder um episódio sequer. Tudo foi muito natural e entre enredos de romance, de relações fraternais, de piadas, de problemas familiares, de juventude e de escolhas de vida, eu fui encontrando histórias que mexiam comigo de um jeito que nada mais mexia.

Teve Kevin Arnold em Anos Incríveis me ensinando muito sobre a década de 60 e 70, mas principalmente me ensinando lições de vida que eu jamais vou esquecer (quem assistiu a série entende muito bem o que eu quero dizer). Teve o Dawson de Dawson’s Creek me contagiando com seu amor pelo cinema e a Rory de Gilmore Girls me ensinando a importância de estudar e de como livros & metas são coisas fundamentais na vida da gente. Teve ainda Friends me mostrando o quanto amigos são de fato a família que podemos escolher e Grey’s Anatomy provando que há males que vem pro bem. E olha, ainda teve muito, muito mais. De The O.C a Orange is the New Black, TBBT, Gossipr Girl, Skins, Girls, The Walking Dead… Ah, tantas, mas tantas que todas juntas nunca caberiam nesse post.

Daí que esses dias pensando sobre todas essas séries que marcaram minha vida e nem sempre tenho tempo de rever (ou ver, já que tem muitas que eu ainda não terminei), achei que seria legal bolar um jeito de matar a saudade de maneira mais rapidinha.

E, por isso, nasceu essa playlist aqui…

Não tem todas as séries que amo aí, mas tem uma boa parte, e daqui um tempo tenho certeza que devo acrescentar mais algumas músicas nela. Tá tudo hospedado lá no 8tracks (ainda não conhece? então corre, porque é vício dos bons!) e não vou contar o que tem porque o bacana do site é esse suspense de não saber qual a próxima música que vai tocar – e também porque já tem umas pistas pelas séries que comentei aqui.

Quase todas as séries estão com a música de abertura na playlist, mas quando cheguei em Grey’s Anatomy, well, eu tive que colocar a música que de fato marcou o seriado, até porque ela faz parte de uma das cenas mais vistas e revistas de todas as suas temporadas. Clica que você descobre (aquelas bem chatas né haha).

Bom, espero que vocês curtam a playlist tanto quanto eu (não canso de ouvir!) e contem aqui nos comentários quais as séries e músicas de seriados que marcaram sua vida (:

E boa quinta-feira pra todo mundo!

Quando uma voz te hipnotiza

Esse deve ser o post mais rapidinho da história do blog, mas é por uma ótima causa: compartilhar uma das vozes mais únicas e suaves que já escutei nos últimos tempos. A voz de Holly Henry.

House of the Rising Sun

A Holly foi uma das participantes do The Voice US season 5, que ainda não terminou (os live shows ainda nem começaram!) e que passa aos domingos pela Sony.

Eu já contei aqui no blog como sou fissurada por esse programa, e qual não foi minha surpresa quando já no segundo episódio da temporada a Holly se apresentou nas Blind Auditions. Ela tem 19 anos, mora na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, e além de ser compositora, toca violão, guitarra havaiana, piano e banjo. Mas, apesar de ter assim tanta versatilidade na música, com certeza o que mais chama a atenção na Holly é a sua voz tão única. Ela é suave, completamente doce e super afinada. Chega até a parecer irreal.

Depois que escutei ela cantando nas Blind Audition essa versão linda de “The Scientist” (e o irmãozinho dela todo emocionado, não é muito fofo?), fui procurar mais músicas dela e encontrei seu canal no youtube. Lá dá pra escutar muitos outros covers que ela faz, e eu peguei alguns dos meus preferidos pra trazer pra cá. Escutem porque eu juro que vocês não vão se arrepender!

Your Song

A Holly não tá mais no programa, o que é uma grande pena, mas eu tô muito na torcida para que alguém reconheça o talento dessa menina e coloque ela numa gravadora. Porque essa voz realmente merece ser mostrada ao mundo.

Seven Nation Army

 

Já é oficialmente a trilha sonora da minha semana.

Bisous, bisous

Quase famosos

“One day you’ll be cool.” 
Frase de despedida de Anita (Zooey Deschanel) para seu irmão caçula William (Patrick Fugit) quando sai de casa para encarar uma nova vida.

Você tem 15 anos, mas não é como os rapazes de 15 anos da sua escola. Você tem uma mãe controladora, é introvertido, zoado por meio mundo e tem a certeza de que seu maior sonho na vida, – o de se tonar um crítico musical – está há milhas de distância de se realizar. Só que aí um belo dia você acorda e parece que o destino acordou de bom humor e, magicamente, resolveu mudar a sua história. Você consegue um freela pra Rolling Stones (!) e, pra poder cumprir a pauta solicitada, precisa acompanhar a turnê da sua banda preferida.

Parece mentira, eu sei, mas a verdade é que a história aqui de cima aconteceu de verdade e foi protagonizada por Cameron Crowe. Cameron era um jovem aspirante a crítico musical quando no começo da década de 70 conseguiu seu primeiro trabalho na área. O trabalho dos sonhos, diga-se de passagem: acompanhar o Led Zeppelin em uma turnê e conviver com os integrantes da banda 24 horas por dia, registrando tudo o que era possível para poder escrever uma matéria para a Rolling Stone. Muita coisa aconteceu naquela turnê e, anos depois, já adulto e trabalhando como diretor de cinema, Cameron achou que aquilo daria um bom filme. Fez alguns ajustes ali, outros aqui, mas manteve a essência da história fiel.

E estava pronto então o roteiro de “Quase Famosos”, filme que em 2001 foi indicado ao Oscar de melhor edição, melhor atriz coadjuvante (com dupla participação de Frances Mcdormand e Kate Hudson) e ainda levou pra casa a estatueta de melhor roteiro original.

Em “Quase Famosos”, William é o garoto que representa Cameron e que vai realizar o sonho de conhecer sua banda – no filme chamada de “Stillwater” – e acompanhá-los em uma turnê. No filme ele tem 15 anos; na história real o diretor era um pouco mais velho que isso, mas nem de longe isso apaga a magia do que aconteceu.

O que talvez mais impressione em Quase Famosos é que quando William finalmente vive seu sonho, ele se descobre muito mais pessoalmente do que profissionalmente. Os seus grandes ídolos, astros da música, são caras problemáticos, cheios de inseguranças, que ganham a vida fazendo aquilo que amam, mas que também se sentem pressionados por uma indústria que é ilusória: em um dia rei, no outro um mero desconhecido. A graça que a gente vê em cada personagem desse filme é linda porque é real: das fãs que acompanham os shows e que tentam provar para os outros (ou será que é pra elas mesmas?) que elas não são apenas groupies, até o agente da banda que nem de longe é um cara experiente no assunto, mas que em compensação é o cara que sempre esteve ali por eles.

Todo esse cenário de loucura, paixão, músicas, mas, principalmente, de muita humanidade, é tudo que o garoto precisava para uma boa pauta. Mas, – que se faça uso de um bom clichê aqui – quem aprendeu muito mais foi ele. As histórias que ficaram guardadas (Penny Lane existiu de verdade, assim como Lester Bangs), a vida na estrada, o sofrimento mascarado pelo sucesso, o medo de ser “só mais um”… Tudo é jogado no colo de William.

Quase Famosos é, acima de tudo, um filme sobre o poder da música. O poder revolucionário que o rock inflamou na década de 70 e que se estendeu para a moda, para o comportamento, para o cinema e até para a forma de pensar dos jovens daquela década. O poder que uma canção tem de resumir o que a gente sente ali, em uns poucos minutos de harmonia e voz, como quando William explica pra sua mãe em forma de música porque o rock abre horizontes (essa cena foi deletada do longa por problemas com os direitos autorais e é uma perda e tanto pra história). Há ainda o poder que a música tem de curar uma dor, um momento ruim, um dia cinzento. O sentimento pode não ser permanente, mas por alguns minutos ela faz a gente sorrir, faz a gente se sentir meio idiota de estar reclamando de algo, faz até a gente adotar uma postura diferente diante de uma situação.

Em Quase Famosos tudo gira em torno da música. Os motivos, as vontades, as lições, as perdas, as vitórias, até a felicidade.

Pode até ser um filme semibiográfico da vida do diretor, mas pra mim ele é um filme completamente biográfico da vida de todos nós, de quando quebramos um casulo e descobrimos todo um outro mundo que existe lá fora, que tava só esperando pela gente. Há quem chame isso de amadurecimento e a quem prefira expressar esse aprendizado diário em forma de música…

“Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
There’s still time to change the road you’re on” – Stairway to Heaven, Led Zeppelin

{Sim, há dois caminhos que você pode seguir, mas na longa caminhada
Ainda há tempo de mudar o caminho que você segue}