Os cinco de novembro

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

Com a Gabi, nos 15 anos da Laris

A festa de 15 anos da minha prima rolou em novembro, e além de ter todas as tradições das festas de 15 anos, teve algumas supresas bem divertidas – tô super curiosa pelo álbum de fotos!

Eu sei que parece o maior papo de velha dizer isso, mas é muito doido ver ela completar 15 anos. Especialmente porque eu não moro mais em Leme, então não a vejo sempre, e quando vejo rola aquele choque enorme de perceber o quanto ela cresceu.

E claro que aí, nessas de pensar em transformações e crescimentos, eu já caio em mil loucuras na minha cabeça. Fico aqui lembrando de todas as mudanças que vi minha família passar nesses quase sete anos (!!!) desde que me mudei pra Bauru. E já rolou tanta água por baixo dessa ponte, que enquanto estava lá no aniversário dela só conseguia pensar em como as coisas sempre acabaram se ajeitando no final das contas, e em como continuamos fortes e juntos, ainda que seguindo por caminhos diferentes.

Ps: a foto daqui de cima é com a Gabi, – amiga desde quando eu tava aprendendo a escrever, – porque ainda que ela não seja da família de sangue, é da família do coração.

Laçoes e Lições, da Graphic MSP

Eu fiquei empolgada demais com minhas leituras nesse final de ano e li quatro livros da Grapich MSP, aquele projeto super bacana do Maurício de Souza em que ele convidou alguns autores a fazerem releituras dos seus personagens da Turma da Mônica.

Na foto estão Laços e Lições, livro lindos dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, mas além deles eu li também Astronauta Magnetar e Astronauta Singularidade, ambos do Danilo Beyruth, e que são histórias super tocantes e inteligentes. Já falei um pouquinho sobre cada uma delas no último post do blog, mas precisava deixar registrado aqui esses livros lindos que estiveram comigo em novembro.

Inesperadamente lindo :)

Esses dias, voltando de carro de Leme, Diego fez um caminho diferente e passamos por esse lugar. Eu não sei direito onde ele é e nem como chegamos lá, mas sei que eu achei ele uma lindeza. O bom de fazer road trips assim é que a gente pode ser surpreendidos por paisagens absolutamente lindas em lugares absolutamente inesperados, o que só faz aumentar minha vontade – e meus planos – de viajar muito em 2016.

Dos pratos lindos que eu quero fazer em 2016

O tanto de comidas e bebidas gordas que aparecem no meu instagram e no meu snapchat (@little_blog) não tão escritas no mapa, então achei que era mais do que merecido que pelo menos uma delas aparecesse nesse micro resumo de novembro. Essa daqui é de um lugar chamado Top Açaí daqui de Bauru e é nada mais nada menos do que um crepe maravilhosos, de creme de avelã com morangos e chantily! Quero muito aprender a reproduzir pratos lindos e deliciosos assim aqui em casa . Vai entrar na listinha de 2016.

Nas quartas de final do campeonato masculino

Apesar de ser um desastre pra jogar vôlei, eu gosto muito de assistir campeonatos pela TV. E, mês passado, troquei um pouco o cenário em que costumo ver esses jogos por uma quadra de areia ao vivo e a cores.

O jogo foi aqui em Bauru mesmo, nas quadras de areia que foram construídas na Getúlio Vargas (e que há algum tempo eram abertas pra quem quisesse ir lá jogar uma partida no final da tarde com os amigos). A disputa fazia parte do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Open, principal divisão do vôlei de praia aqui no Brasil, tanto nas categorias feminino quanto masculino.

Eu fui assistir as quartas de final do masculino, e queria muito ter ido nas finais do masc. e fem., mas quando eu cheguei lá as arquibancadas já tavam mega lotadas. Aparentemente não sou só eu que gosto de assistir vôlei por aqui haha.

E o mês de novembro de vocês, como que foi?

Bisous, bisous

O cheiro das coisas

Ontem, enquanto perambulava pelo facebook, caí em uma postagem da Mimis (que já participou de um Eles Indicam daqui do blog) que falava sobre Harry Potter, poção Amortentia e nossos cheiros preferidos.

Imagem por http://www.deviantart.com/

“É sabido que em Harry Potter a poção do amor mais poderosa de todas (chamada Amortentia) possui um cheiro que varia de pessoa para pessoa, de acordo com o que cada um gosta/ama. Por exemplo, a Hermione sente cheiro de pergaminho novo, grama recém-cortada, pasta de dente de menta e o cheiro do cabelo do Ron (que é a pessoa que ela ama).

Supondo que existisse Amortentia na vida real, qual seria o cheiro da poção de vocês?”

Depois de ler as respostas de todo mundo e falar também sobre os meus cheiros preferidos, fiquei pensando sobre como o olfato é um sentido extremamente especial e talvez mais sutil, mais reservado, mais misterioso do que os outros, especialmente quando estamos lidando com lembranças.

Pode ser uma impressão minha, é claro, mas sempre tive essa coisa na minha cabeça de que lembranças visuais (uma foto, uma carta, uma pessoa que a gente vê na rua depois de muito tempo) e lembranças táteis (sentir a pele da pessoa de novo, pegar em um objeto esquecido no fundo do armário, um abraço do amigo que foi viajar) são recordações que a gente têm e que são mais impactantes, mais repentinas, mais consistentes. Quase como se fossem lembranças que nos pegam de supetão e que se mostram inteiras na nossa frente.

Cheiros, em compensação, parecem transbordar em sutileza.

Veja bem, não é que cheiros não são marcantes ou tão especiais quanto outros sentidos. Ao contrário, cheiros podem ativar memórias muito profundas, fazer a gente lembrar de uma cena em particular que a gente nem achava que lembrava mais ou ainda nos fazer sentir perto uma pessoa que está muito longe. Só que cheiros parecem fazer isso de uma forma mais leve, quase imperceptível, como se a recordação ganhasse terreno aos pouquinhos na nossa memória, como se o cheiro tomasse nosso corpo e nossas lembranças um passinho por vez.

É como quando a fragrância de um perfume gostoso só chega até nosso nariz depois que a pessoa já saiu do elevador. Ou como quando nossa mãe cozinha algo muito gostoso, e você sente o aroma dos ingredientes um de cada vez.

Acho que é isso: cheiros são interessantes exatamente por serem estímulos tão poderosos e que surgem de forma tão delicada. É essa fragilidade que os torna tão especiais.

E ah, qual foi a minha resposta de poção Amortentia?

“Cheiro de chuva, de livro novo quando a gente abre pela primeira vez, do Di e dos croissants quentinhos dos cafés de Paris.” ?

Os cinco de setembro e outubro 2015

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

Setembro

A saga do vestido

A saga do vestido

Contei no snapchat (me sigam lá, sou little_blog) a história desse vestido/blusa, mas pra quem não acompanhou, vamos aos fatos: há milênios encontrei esses vestido em um brechó e fiquei completamente encantada por ele. Assim, do tipo amor à primeira vista mesmo. E nem o fato dele ser umas cinco vezes maior do que eu me desanimou: eu comprei o dito cujo prometendo pra mim mesma que ia dar um jeito de arrumá-lo pra caber em mim.

Eis que uma infinidade de meses depois, arrumando minha gaveta, encontrei o tal vestido perdido no meio das minhas roupas. Sério, gente, eu me senti completamente frustada por isso. Vocês não fazem ideia do quanto eu acho horrível comprar uma roupa e não usá-la! Eu não sou assim, não curto esse tipo de consumo e fiquei me cobrando pra dar um jeito nessa situação.

O resultado foi que o vestido recebeu uma reforma absurda – caíram mangas, diminuiu-se o comprimento, afinou-se cavas – e voilà… Tanta coisa mudou que de gigante ele acabou ficando muito curto! hihi. Ainda assim, não poderia estar usando ele mais do que já tô: como blusa em dias mais quentes e como vestido em dias mais frios, junto com meia-calça.

E se você esperou uma moral dessa história toda, ela não existe. Só o fato mesmo de que quando eu realmente quero algo, sou muito insistente!! hahaha.

20 anos de SPFW

O FFW Fashion Tour é um projeto da Luminosidade que celebra a moda, a inovação e a criatividade de diferentes maneiras, e nesse ano, o projeto passou aqui por Bauru, com direito a palestra do Reinaldo Lourenço e Arlindo Grund (e mediação do Paulo Borges!) e uma exposição maravilhosa de 20 roupas que marcaram a história do SPFW.  Eu tive o prazer de trabalhar na montagem da exposição com o Lu, meu ex-chefe, e também assisti a palestra, que foi super interessante e passeou por diversos tópicos.

Contei sobre tudo isso em um post aqui do blog, e só posso dizer que eu desejo do fundo do coração que mais projetos e iniciativas desse tipo venham pra Bauru. A gente tem espaço, mão-de-obra, muita gente interessada e vontade de sobra de investir na área de moda.

O poder das garotas

Eu já falei sobre a Capitolina uma vez aqui no blog, mas de lá pra cá meu amor por essa revista online só aumentou. As meninas tão fazendo textos cada vez mais maravilhosos, inteligentes e com temas que saem do senso comum, e é inspirador ver meninas escrevendo para outras meninas em um exercício de sororidade constante.

Em setembro elas lançaram seu primeiro livro e eu corri comprar o meu exemplar. Fiquei tristinha de não poder ir ao lançamento em São Paulo (acabei indo pra lá só uma semana depois), mas já fico feliz de, ainda que de longe, poder prestigiar o trabalho dessas garotas tão maravilhosas.

Um quarto de século

Gabi fez 25 anos e decidiu comemorar em grande estilo, com festão, muita música, amigos, risadas, comidas gordas e tudo que ela tivesse direito. E foi incrível chegar na festa e me deparar com vários murais de fotos – cada um de uma época diferente da vida dela – e perceber que eu e a Má estávamos em todos, comemorando e ajudando umas às outras em todos os momentos.

Fevereiro de 93

Em setembro, eu e Diego fizemos uma senhora faxina no apartamento e jogamos milhares de tranqueiras fora, doamos algumas coisas e mudamos o espaço de alguns cômodos. Isso fez um bem danado pro apartamento, tanto que a sala depois da mudança, acabou ficando muito mais espaçosa e aconchegante.

E aí que no meio da arrumação, encontrei uma pilhinha de fotos antigas numa velha caixa da estante. Essas fotos não foram embora não, claro, e acabaram só reavivando um monte de memórias na minha cabeça…

Outubro

Assim como o Batman dos quadrinhos

Outubro começou triste e pesado: o Batman, um dos meus gatinhos, foi atropelado aqui na frente do apartamento e atingido em cheio na coluna vertebral. Levamos ele para o hospital escola de Jaboticabal e depois de um batalhão de exames e uma cirurgia numa clínica local, Batman sobreviveu, mas ficou paralítico.

Assim como o herói dos quadrinhos que perdeu o movimento das pernas, o meu Batman não mexe mais as patinhas de trás, mas vem aprendendo a se virar todo dia um pouquinho mais. Ele precisa de cuidados constantes, é claro, já que perdeu o controle da bexiga e não tem mais a mesma rapidez ou locomoção de antes, mas um passinho por vez, as coisas têm melhorado.

Agora que a medicação finalmente acabou, vou começar algumas sessões de fisioterapia e acupuntura (nem a medicina sabe explicar, mas a técnica vem dando resultados maravilhosos no tratamento de felinos) e torcer pra que ele possa ter alguma melhora.

E pra todo mundo que me ajudou ao longo desse mês ou simplesmente se preocupou com o estado dele, meu muito, muito obrigada. Vocês são maravilhosos.

28 primaveras

Uma das datas mais maravilhosas do ano é comemorada em outubro, e juro que não tô falando de Halloween ou do Dia das Crianças. O aniversário do Diego é dia 20, e apesar dele não gostar de festejar loucamente ou nem de nada do tipo, a gente sempre comemora esse dia de um jeitinho especial.

Nesse ano, ele completou 28 primaveras, e lá no instagram eu resgatei essa foto batida pela Babi em uma passagem nossa por São Paulo e fiz textão, porque gosto mesmo de falar em alto e bom som pras pessoas que eu amo o quanto elas são importantes na minha vida.

Tudo junto & misturado

Tudo junto & misturado

Teve mais um aniversário maravilhoso em outubro: o da Ju. E todo mundo foi pra chácara passar o dia todo lá, com os pés na piscina, muita disputa pela música a ser tocada, amor envolvido e litros de gargalhadas. E teve até chapeuzinho de festa, dear lord!

Princesa do cabelo pink

Princesa do cabelo pink

Fui pra São Paulo pra assistir o último dia de SPFW (contei aqui sobre isso), ir ao show dos Los Hermanos e ver a Babi, a amiga-fotógrafa-gênia e princesa do cabelo pink que bateu minha foto com o Di que tem nesse post. Passei o sábado todinho com a Bá e a gente fez alguns rolês muito maneiros por São Paulo. Ainda essa semana eles vão virar post aqui no blog em mais um Desbravando São Paulo!

Apesar de eu falar o tempo inteiro com a Babi por whatsapp, tava morrendo de saudade da minha amiga. É muito, muito, muito bom revê-la pessoalmente e conversar sobre assuntos doidos, mas que a ele entende direitinho, melhor do que ninguém.

Esse é só o começo do fim da nossa vida

Esse é só o começo do fim da nossa vida

O show dos Los Hermanos foi um acontecimento maravilhoso do mês passado. Virou post aqui no blog, onde eu contei minha história de amor pela banda. Apesar de tudo isso, eu ainda não consegui achar um jeito de explicar a sensação deliciosa que foi entrar naquela arena com mais 30 mil pessoas e ver um filme passar na minha cabeça a cada música deles que tocava.

Foi inspirador, foi apaixonante, foi libertador. Quero mais shows, por favor!

Bisous, bisous

Esse é só o começo do fim da nossa vida

Descobri Los Hermanos aos quinze anos de idade. E quando eu digo descobrir, eu tô querendo dizer descobrir por completo, sem nada pela metade, mergulhando fundo em todas as composições da banda.

Anna Julia, a primeira música que fez eles estourarem pro mundo, foi lançada em 1999.  Ela virou hit em tudo quanto era canto do país e não havia um jovem em pleno começo dos anos 2000 que com acesso a TV, nunca tivesse visto o clipe da música, com Mariana Ximenes dançando em um bailinho de escola enquanto a banda tocava ao fundo.

Então é claro que eu já havia visto o grupo algumas vezes, mas até então pra mim eles eram apenas uma banda desconhecida, com um single bonitinho tocando nas rádios.

Corta pra seis anos depois. Começo de 2005 e eu, do alto dos meus 15 anos de idade, doida de vontade de escutar a playlist que uma amiga havia feito e me emprestado em um CD. Foi aí, no meio de outras várias canções nacionais que estavam virando famosas na época que eu escutei Primavera, música do primeiro CD (homônimo) do grupo.

Primavera era suave, bonita, romântica – sem ser melosa – e inteligente. E eu gostei demais do que ouvi. Mas gostei mesmo. E decidi procurar mais coisas que aqueles garotos escreviam e cantavam de um jeito único.

O começo foi meio chocante. As canções era melancólicas pra caralho. Mas tinham umas coisas mais agitadas no meio também, umas críticas inteligentes, umas histórias bem contadas, um jeito de escrever música que eu nunca tinha visto antes, mas que me encantava. Era uma coisa meio louca, mas muito, muito, muito boa.

Minha adolescência foi moldada por músicas e os Los Hermanos foram uma das maiores influências nessa área. Eu descobri a banda na época de seu último CD e tentei recuperar o tempo perdido escutando tudo, cantando tudo a plenos pulmões e esmiuçando cada um dos versos de suas músicas. Eu peguei os últimos anos de banda, quando o grupo já tinha sofrido grandes mudanças (especialmente do primeiro para o segundo álbum), e aprendi a gostar de cada uma das suas fases, aprendi a sentir um quentinho bom no peito com cada uma das suas declarações, com cada uma das suas canções.

Olhando pra todo esse histórico da banda e pro quanto eles sempre colocaram de sentimento nas suas músicas, faz total sentido o processo catártico que foi usado na gravação dos últimos três álbuns: ir pra um sítio no meio do nada, com quase nada de acesso ao “mundo real”, e ficar por lá durante dois meses inteirinhos, compondo, cantando, tocando e criando melodias.

As coisas fluíam naturais assim, como eles mesmo gostavam de dizer, e os quatro podiam criar um trabalho de fato deles, sem influência de gravadoras e sem pressão da mídia.

O reconhecimento acabava vindo por outros meios, como a legião de fãs absurda da banda que se criou aqui fora – e que muitas vezes foi taxada de chata, mas que na real tava pouco ligando pra esse tipo de coisa.

De lá pra cá já se passaram dez anos de admiração pela banda e oito desde que eles anunciaram a separação, em 2007.
Um tempo que serviu pra eu entender ainda melhor algumas das coisas que eles cantavam e pra ter ainda mais dimensão do quanto eles foram importantes pra música brasileira dos últimos anos. Como quando a gente passa a olhar alguma coisa de forma muito mais crítica e madura, e vê que ela é muito mais do que apenas “bonitinha”. É inteligente mesmo, é humana, é de emocionar.

Por isso que no começo desse ano, ao saber que eles fariam uma nova turnê especial pra relembrar os velhos tempos – a primeira foi em 2012 e deu origem a um documentário que tem o mesmo título desse post “Esse é só o começo do fim da nossa vida” – eu sabia que agora era a hora de finalmente realizar uma das minhas maiores vontades de quando adolescente, e de prestigiar uma banda que merece ser lembrada, que conquistou um espaço importante demais na nossa música.

Eu posso dizer que o que aconteceu no último sábado na Arena Anhembi, ao lado de outras 30 mil pessoas, muitas que como eu, assistiam a um show deles pela primeira vez, foi um presente que eu dei pro meu eu de dez anos atrás. Foi um presente que eu dei pra aquela garota que escrevia as letras de música das suas bandas preferidas em um caderno e que aprendeu que a música era uma das maneiras mais bonitas de se expressar. Pra aquela garota que amava escrever, que sonhava em ser jornalista, e que sabia que algumas canções conseguiam tocar tão fundo quanto uma boa história.

Mas não é só isso. O show de sábado na Arena Anhembi foi um presente pro meu eu de agora também. Pra garota que não tem mais um caderno com as letras das suas bandas preferidas, mas que continua a achar que alguns grupos e cantores conseguem fazer dos versos de uma música um lugar lindo pra se repousar.

E uma certeza que eu tenho é que desse presente que eu vou lembrar pra sempre, especialmente quando, distraidamente, eu escutar alguém cantarolando uma canção dos Los Hermanos por perto.

Bisous, bisous

Um longo post (dividido em várias partes) sobre as séries da minha vida _ parte um

Antes de mais nada vocês precisam saber que eu sou uma garota que ama séries. Esse é um fato muito importante sobre mim, porque por mais estranho que isso possa soar, eu acho de verdade que séries me influenciaram muito ao longo da vida.

É impressionante a empatia que eu criei com determinados personagens, de me ver ali, de me reconhecer naquelas atitudes, de entender quando ele não fazia o que as pessoas esperavam dele, mas o que ele esperava dele mesmo.  As cenas impossíveis (mas ainda assim cheias de lições) que eu muitas vezes “vivi” através de séries e até mesmo os dramas, – familiares, com amigos, namorado, no trabalho – também sempre fizeram um sentido muito concreto pra mim. Eu não precisava passar pela mesma situação pra entender o recado, mas entender o recado, de certa forma, me preparava para os problemas reais que eu enfrentava no mundo aqui fora.

Por isso tudo, fazia algum tempo que eu tava com vontade de escrever aqui no blog sobre as séries que mais marcaram minha vida. Esse era um pedaço muito grande da minha história pra eu simplesmente deixar de fora, sabem?

Então, decidi fazer assim: de tempos em tempos vou vir aqui falar sobre três séries que me marcaram muito. Vai ser um post longo, dividido em várias partes, mas foi o jeito que achei pra falar sobre cada uma delas do jeito que elas merecem. Tomara que vocês se identifiquem com elas pelo menos um pouquinho do tanto que eu me identifiquei (:

Dentre tantas séries maravilhosas que já cruzaram meu caminho, fica difícil apontar apenas uma como a “série da minha vida”. Mas, se por algum motivo eu precisasse responder a essa questão, muito provavelmente Gilmore Girls seria a grande escolhida.

A série foi transmitida pelo canal The WB de 2000 a 2007 (eu só fui assistir a série inteirinha tempos depois, quando ela já havia acabado) e apesar de ter uma sinopse bem água com açúcar, esse é um dos poucos seriados que eu consigo ver repetidas vezes, sem nunca enjoar da história ou dos personagens.  São os seus personagens, aliás, – especialmente as duas estrelas principais da história, Lorelai e Rory Gilmore – que transformam a série em algo muito maior do que a sua própria sinopse poderia prever. O que era para ser uma história sobre uma mãe jovem e solteira criando sua filha em uma cidadezinha pacata e cheia de bons vizinhos, se transformou em um show que mostra a relação de duas mulheres extremamente diferentes e fortes, de personalidades marcantes e, assim como eu e como você, cheias de altos e baixos na vida.

Lorelai é engraçada e esperta, mas mete os pés pelas mãos em várias situações do dia a dia, tem medo de se entregar ao amor e muitas vezes faz transparecer sua fragilidade por ter sido obrigada a amadurecer tão rápido.

Rory é a menina exemplar, que vê na mãe sua melhor amiga e só tem olhos para os livros e seu futuro, mas que vai vendo que no meio do caminho, as coisas nem sempre seguem a estradinha perfeita que a gente imaginou para elas.

Tem ainda os outros personagens da história que também são muito maravilhosos (Luke, Sookie, Emily…) e que trazem uma contribuição gigante para a série se transformar no programa atemporal, cheio de referências inteligentes (de Kurt Cobain a livros clássicos) e com lições de vida nada impostas, mas que facilmente mexem com a gente, que ele é.

Se eu posso, portanto, dar apenas um conselho pra você que está lendo esse texto, eu digo sem titubear: pegue uma boa xícara de café, vista suas meias mais quentinhas e vá já assistir a esse seriado.

FRIENDS -- Season 2 -- Pictured: (l-r) Matthew Perry as Chandler Bing, Jennifer Aniston as Rachel Green, David Schwimmer as Ross Geller, Courteney Cox as Monica Geller, Matt LeBlanc as Joey Tribbiani, Lisa Kudrow as Phoebe Buffay (Photo by NBC/NBCU Photo Bank via Getty Images)

Já pararam pra pensar em como a sinopse de Friends é bem simples? Um grupo de seis amigos que moram no mesmo prédio, amam tomar café no mesmo lugar e têm personalidades completamente diferentes, mas que se dão super bem juntas. Pronto, era só isso que os produtores precisavam (mentira, eles precisavam exatamente dos seis atores que fazem os personagens principais, porque sem eles, dificilmente teria rolado a química tão forte que o seriado tem) para que tudo desse certo.

Friends é uma série de comédia, mas eu consigo encontrar tantos outros elementos dentro dela, que acho até difícil classificá-la apenas como uma coisa. O seriado foi um dos mais famosos e rentáveis da história (o episódio final da série teve mais de 50 milhões de espectadores!) e acho que a já citada química entre os atores, os personagens tão engraçados e carismáticos, a ideia de uma amizade tão forte entre um grupo de pessoas e uma espécie de simplicidade que o roteiro da série seguia, fizeram dela o clássico que se tornou. 

Uma das maiores proezas que eu vejo na série, é que mesmo estando por dez temporadas no ar, eles conseguiram manter o mesmo nível de comédia, drama, amor e empatia em todo o tempo. Imagina como deve ser difícil manter um programa de tanto sucesso ao longo de dez anos sempre superando as expectativas do público? Sempre criando novas histórias que não caíam naquele limbo de enrolação que muitas séries legais acabaram caindo simplesmente pra se manterem na TV?

Friends conseguiu manter o mesmo tom em dez anos e o mais importante de tudo: soube a hora de parar. E mesmo que tanto tempo depois eu ainda alimente o desejo de que exista um filme com os personagens, acho que Friends conseguiu se manter tão incrível e tão atemporal exatamente porque não quis forçar a barra e teve o timing necessário para saber o que era legal e o que não era pra história.

Pra ser bem sincera com vocês, eu não lembro muito bem porque comecei a assistir Skins. Acho que alguém comentou sobre a série no facebook e eu fiquei curiosa (ou eu tava procurando algo pra assistir e simplesmente fui parar no episódio piloto), mas a única coisa que lembro com certeza é que desde o comecinho eu achei a série estranha pra caramba. Mas estranha de um jeito bom, digamos assim.

A impressão que dá é que Skins é uma série meio caseirona, que não tá nem aí pra aquilo que já foi feito em termos de séries adolescentes. É como se eles desprezassem o que todo mundo enxerga nas séries do gênero e quisessem mostrar na real o que de incrível e de ruim pode acontecer nessa fase da vida. Isso tudo de um jeito bem cru, bem descarado, bem dedo na ferida.

Esse é um dos motivos porque a série – que é original britânica – se deu tão bem no Reino Unido, que tem esse jeito mais blasé e mais underground. Quando ela ganhou uma versão americana, o programa foi um verdadeiro fiasco, porque além de ter o maior distanciamento possível de séries adolescentes que por lá nos EUA fazem sucesso (vide Gossip Girl e cia), a série era considerada esquisita demais, pesada demais para aquele público.

E se tem uma coisa que não podemos negar é que Skins é de fato mesmo pesada.

A série conta a história de um grupo de amigos que vive em Bristol, sudoeste da Inglaterra, e apresenta aspectos da adolescência que os seriados quase sempre fazem questão de não mostrar. Anorexia, drogas, sexo, problemas com autoestima, estranhamento com os pais, dores de amor pesadas, depressão, alcoolismo…

Uma das coisas mais inteligentes de Skins é que a série, a cada duas temporadas, mostra um grupo de adolescentes diferente de Bristol. Alguns grupos têm até relação uns com os outros, como é o caso de Effy Stonem (Kaya Scodelario), uma das principais personagens da segunda geração (cada turma é chamada de geração em Skins) e que na primeira, aparecia apenas como a irmã mais nova de Tony (Nicholas Hoult).

São essas duas gerações, aliás, a primeira e a segunda, que pra mim são responsáveis pelo sucesso que o seriado foi e continua sendo. Quando a terceira geração começou, parecia até que os produtores estavam meio perdidos, sem saber como desenvolver os novos personagens, e eu confesso que nem quis terminar de assistir tudo porque fiquei bastante decepcionada com o roteiro e com o desenrolar das coisas.

Mas pra minha felicidade, nem tudo estava perdido. Pra sétima temporada, os produtores de Skins tiveram uma ideia maravilhosa: fazer uma temporada especial de três episódios, divididos cada um em duas partes, que se dedicassem a mostrar o que aconteceu no futuro de três dos personagens mais queridos do público.

Os escolhidos foram a própria Effy (Kaya Scodelario), para o episódio Fire, James Cook (Jack O’Connell), em Rise, e Cassie Ainsworth (Hannah Murray), minha personagem favorita, em Pure.

O resultado ficou um absurdo de incrível, até porque, não foram apenas os personagens que cresceram. Ainda que o clima pesadíssimo da série tenha continuado nesses episódios especiais, os produtores, a série, os atores, a história toda em si evoluiu. O que trouxe uma certa dose de poesia e de beleza em toda a sétima temporada, encerrando maravilhosamente um dos programas mais controversos e inteligentes que eu já vi.

Bisous, bisous e aguardem que em breve sobem mais posts sobre as séries da minha vida!